Armadilha Do Destino.

28 Capítulo 28 – A curiosidade matou o gato.


Notas iniciais
Boa Noite meninas...

PDV Narrador.

Os dois seguiram a filha até a cozinha. Sobre o tampo retangular da mesa de granito estavam dispostas várias guloseimas. Bolos, geleias, pães de diversos tipos, mini sanduíches de queijo e presunto, biscoitos caseiros e uma travessa cheia de brigadeiros e trufas recheadas que logo chamaram a atenção da criança.

- Posso comer?

- Claro!

- Não.

Os pais disseram de uma só vez.

Ela olhou de um para o outro sem compreender. Bella adiantou-se.

- Pode comer os doces de sobremesa. Que tal dois mini sanduíches primeiro?

Renesmee deu de ombros e aceitou a sugestão da mãe, mas como eles estavam deliciosos ela acabou comendo cinco.

- Estou com sede.

- Tem suco de laranja na geladeira, filha.

Disse Edward a Renesmee, voltando-se então para Bella.

- Posso lhe servir um drinque?

Perguntou.

- Se quiser, mas eu realmente não faço questão, disse Bella.

- O que prefere?

- Não sei ao certo. Não costumo beber, Edward.

- Que tal vodca com laranjada?

Ele sugeriu.

- Se não estiver muito forte...

Edward sorriu e com agilidade preparou dois drinques em tempo recorde. Entregou um dos copos a Bella e sentou a sua frente bebericando do seu e degustando o agradável sabor da mistura.

- Você deve estar acostumado a receber, falou dizendo a primeira coisa que lhe veio à cabeça. A situação para ela ainda era estranha, mas como teriam de conviver, acataria a sugestão de Edward de se relacionaram civilizadamente pelo bem de Renesmee.

- Se está sugerindo que eu trago mulheres com freqüência a esta casa, a resposta é não, falou baixinho para que Renesmee, entretida com uma estória em quadrinhos e a bandeja de brigadeiros não o escutasse. Bella arregalou os olhos e ficou muito corada com a interpretação que ele dera a sua frase banal.

- Eu não... Eu não quis dizer isso, rebateu desconfortável, tomando mais alguns goles da bebida. Ele inclinou-se encostando as costas na cadeira fitando-a com um olhar indagador.

- Nunca fui santo, nem tenho vocação para monge, Bella, mas considero a minha casa como um santuário e jamais trouxe uma mulher para cá. Até agora.

Frisou. Ela lhe lançou um olhar desconfiado e resolveu conversar sobre um tema mais neutro.

- Pensei que você fosse preparar o jantar, disse fitando a tolha amarela bordada sobre a mesa.

Edward arqueou as sobrancelhas.

- Está querendo descobrir o meu talento na culinária?

Questionou.

- O que é culinária?

Nessie perguntou com a boca cheia de chocolate.

- Filha, não se fala com a boca cheia. É falta de educação, repreendeu Bella como toda boa mãe.

- Desculpa, falou levando sua mãozinha a boca, terminando de engolir. Os pais observaram sorrindo.

- Então, o que é culinária?

- É a arte de cozinhar, explicou Edward.

- Ah! Mamãe não é muito boa nisso.

- Sério?

Ele indagou escrutinando o meu rosto, com seus lindos olhos verdes.

- Sim. Ela faz ótimas batatas de forno, mas quem cozinha bem mesmo é a tia Ângela. Os bolos dela são super hiper mega ultra super especiais!

Falou com entusiasmo enquanto Bella torcia a boca numa careta, acabando de ingerir o restante da bebida. Edward também havia terminado o seu.

- Quer outro?

Ela fez que não com um gesto. Ele assentiu e levantou levando os dois copos para a pia. O silêncio reinou por alguns minutos, mas Edward voltou a falar.

- Quer dizer que sua mãe não gosta muito de cozinhar?

Perguntou divertido.

- Gostar ela gosta, pai, mas é que as coisas não dão muito certo e...

- Ok, será que podemos mudar de assunto?

Bella interferiu.

- Qual é problema Bella?

Ele não conseguia disfarçar o quanto estava se divertindo.

- Nenhum, respondeu seca.

- Posso ensinar você a cozinhar qualquer hora dessas, retrucou.

- Obrigada, mas vou dispensar a sua ajuda.

Rebateu irritada.

- Mas faço questão de provar suas batatas assadas. Minha filha disse que são gostosas e eu acredito nela.

- São deliciosas pai, você vai ver, disse a menina com a boca cheia outra vez.

- Além do mais, o melhor caminho para se chegar ao coração de um homem é pelo estômago, falou querendo deixá-la embaraçada. Bella não respondeu.

- Sedução também é uma arte, Bella.

Devolveu segurando a mão dela por sobre a mesa. Bella puxou a mão antes que Renesmee visse.

- O que é sedução?

A criança indagou fitando o pai. Bella sorriu com ironia como se dissesse “Boa sorte agora Edward!”

- É um assunto para adultos, princesinha.

- Você me explica quando eu for maior?

Perguntou sem titubear.

- Claro que sim. Mas vai ter de esperar alguns anos.

- OK, respondeu dando de ombros e deixando a mãe pasma diante da fácil e rápida aceitação dela.

- Incrível.

Comentou baixinho.

- O que?

- Ela não ter lhe bombardeado com quatrocentas mil perguntas.

- Quem sabe não é o meu charme?

Respondeu.

- Filha!

Exclamou Bella ao se dar conta de que a bandeja de doces ao lado da garota estava agora pela metade.

- Ham? O que?

- O que você fez? Engoliu sem mastigar?

Renesmee sorriu.

- Ah, mãe, estão uma delícia, replicou justificando.

- E você, não vai experimentar nem um doce Bella?

Edward questionou olhando-a.

- Só um, respondeu pegando uma trufa recheada com morangos e degustando a guloseima.

- Por quê?

- Engorda demais, respondeu.

Edward a encarou incrédulo.

- Não me diga que tem medo de engordar?!

Ela o ignorou. Ele sacudiu a cabeça de um lado para o outro.

- Você se preocupa sem necessidade. Está magra demais. Um homem de verdade gosta de carne, gosta de abraçar mais do que um punhado de ossos.

Bella sentiu um calor traiçoeiro começar a subir pelo seu corpo quando de forma inevitável as imagens do beijo tórrido que haviam trocado minutos atrás, invadiu a sua mente.

- Está querendo que eu fique gorda?

Inquiriu enchendo as bochechas de ar e estufando-as.

- De jeito nenhum. Quero que você fique saudável, afinal pode estar comendo por dois, não é?

Bella engoliu em seco e apertou as mãos involuntariamente imaginando se as suas suspeitas estariam corretas e ela realmente carregava mais um filho de Edward no ventre.

- Como assim comendo por dois?

A curiosidade das crianças é fogo.

- Nada não, filha. É uma brincadeira do seu pai, rebateu com rapidez.

- Mãe, posso tomar mais suco?

- Claro, respondeu adiantando-se até a geladeira, abrindo e pegando uma jarra de suco de laranja fresco e enchendo o copo da filha novamente.

- Aceita Edward?

Falou erguendo a jarra na direção dele.

- Sim.

Ela caminhou até ele, colocou o líquido em um copo limpo de vidro e voltou ao refrigerador para guardar o restante. Edward lhe deu um olhar divertido.

- O que foi agora?

- Gosto que você me sirva, falou tomando alguns goles da bebida gelada, aproveitando para pegar a mão dela e levar aos lábios, pondo-se a esfregar o dorso em sua face. Bella sentiu-se arrepiar da cabeça aos pés. Edward percebeu e sorriu, continuando com o carinho, murmurando uma série de palavras em português, as quais ela não conseguiu compreender.

- O que você falou papai?

Os olhos da garota brilhavam interessados. Edward sorriu deixando Bella corada.

- Eu estava elogiando sua mãe, princesa.

- Isso é português?

Bella questionou.

- Sim. Fui ao Brasil fazer um estudo sobre sementes transgênicas e tive que me virar para aprender o idioma.

- Interessante.

- Maneiro! Eu queria saber falar assim!

- Você pode aprender a falar outra língua quando quiser filha.

Ele completou deixando a menina satisfeita.

- E o que exatamente você disse?

Bella quis saber. Ele sorriu amplamente.

- Provavelmente algo que você não vai gostar de ouvir. Eu estava ahn... Como posso dizer... Descrevendo em detalhes os seus atributos físicos.

O rosto de Bella ficou vermelho com uma pimenta.

- O que é isso?

- Isso o que?

- Atribundos, falou Renesmee.

- Atributos, Edward a corrigiu.

- Nessie você já ouviu alguém dizer que a curiosidade matou o gato?

Disse Bella desvencilhando-se do toque inquietante dele.

- Ah, mãe!

Falou emburrada.

- Pois é. O gato escutou um barulho e colocou a cabeça para fora da sua lata de lixo para ver o que era. Um casal havia brigado e um deles atirou um vaso pela janela. O vaso caiu bem na cabeça do gato e ele morreu por ter sido tão curioso!

Bella concluiu.

- Humpf!

A menina cruzou os braços e fez bico.

- Acabou de comer?

- Sim.

- Ótimo. É hora de subir, se lavar, escovar os dentes e ir para cama.

- Mas eu não estou com sono!

Bella tentou disfarçar um sorriso.

- Escuto isso todas as noites.

Falou olhando para Edward, que assentiu.

- Filha, sua mãe está certa. Já está na hora de você ir se deitar, ele disse carinhoso.

- Mas ainda é cedo!

Exclamou emburrada, vendo que os pais concordavam um com o outro.

- Não senhora. Já são quase oito da noite.

- Que chato!

Falou levantando e empurrando a cadeira para trás.

- Nessie!

- Tudo bem Bella. É o primeiro dia dela aqui e ela deve estar bastante excitada com tudo para querer ir dormir.

Bella suspirou.

- É, acho que você tem razão.

Ele piscou um olho.

- Eu sempre tenho, respondeu.

- Palhaço!

Bella devolveu e os dois colocaram toda a louça suja na lava louças, saindo da cozinha logo depois. Bella e Edward seguiram até o quarto da filha que já estava de pijama deitada em sua cama, com um livro de histórias na mão.

- Mãe. Fica aqui comigo um pouquinho?

- Claro que sim.

- Posso ficar também?

Perguntou Edward.

- Lógico, pai.

Ele foi até a poltrona e sentou esticando suas pernas, aguardando que Bella começasse a ler a história escolhida para a criança.

- A viagem do peregrino da alvorada?

- Sim.

- Quantas vezes você já leu este livro?

- Mãe, você sabe que é um dos meus favoritos.

- Tudo bem. Vamos lá então...

... A Viagem do Peregrino da Alvorada: “Era uma vez um menino chamado Eustáquio Clarêncio Mísero, e na verdade bem merecia esse nome.” Não surpreendentemente, Eustáquio não gosta de seus primos, Lúcia e Edmundo. Um verão, quando eles são mandados para morar com ele, tudo em que Eustáquio pensa é em como tornar sua permanência infeliz. Mas isso é antes de as três crianças verem o quadro no quarto de Lúcia. Edmundo e Lúcia logo o reconhecem como sendo um barco narniano. A proa era dourada e tinha o formato de cabeça de dragão com a boca escancarada. Só havia um mastro e uma grande vela quadrada de um vivo tom púrpura. As laterais do barco – só visíveis onde as asas douradas do dragão terminavam – eram verdes. ”A questão é que”, diz Edmundo, “ficar olhando para um navio narniano sem poder chegar lá é pior ainda.”

PDV Isabella Swan.

Eu mal havia começado de ler a história para Renesmee quando um ronco alto vindo diretamente da poltrona nos assustou.

- RRRonc...

- Nossa!

- Pai?!

- RRonncc...

- Rsssssssss... mãe, ele tá roncando!

- Estou vendo, Bella falou baixinho reprimindo o riso.

- RRoncc..... RRoncc........

- Uau... Ele ronca alto pra caramba.

- Rssssss... Ele realmente apagou.

- Será que o papai tá doente?!

- Não. Ele deve é estar muito cansado, filha.

- Igual a mim, respondeu a menina dando um grande bocejo.

- Boa noite meu amor, durma bem.

- Boa noite mãe.

- RRonc...

Sorri internamente divertindo-me com a ironia da situação. Há alguns minutos Edward estava ansioso para me seduzir e agora dormia a sono solto como um bebezinho. Suspirei conformada e agradeci ao universo o fato dele ter adormecido. Que eu o desejava não havia dúvidas, mas as coisas estavam acontecendo rápido demais para o meu gosto. A mudança, a viagem da Sue, a chantagem dele, os problemas em Twilight... Eu precisava de um tempo par ficar sozinha e pensar em tudo aquilo. Esperei até que ela finalmente pegasse no sono e levantei cobrindo-a com uma colcha grossa. A noite havia esfriado. Fui até Edward e afastei uma mecha rebelde dos cabelos acobreados que caía teimosa sobre sua testa, cobrindo-o com um lençol. Caminhei até a porta, dei uma última olhada nos dois e saí.

Horas mais tarde, fitei o teto e o ventilador silencioso. Eu já havia contado todos os parafusos daquela parafernália uma dúzia de vezes. Só faltava agora eu conseguir tirá-lo do teto e desmontar o treco todo.

- Idéia idiota!

Exclamei para mim mesma.

- Droga! Que eu não consigo dormir?!

Por que você está agitada demais, minha consciência bradou. Edward tinha dito que gostaria de se casar comigo, mas anos atrás ele não tivera nem um pingo de confiança em mim. Poderíamos reatar o nosso relacionamento do ponto em que havíamos parado?! Nós não éramos mais aqueles dois jovens, muita coisa mudou com o passar do tempo. Mesmo assim um tremor de excitação me invadia cada vez que eu pensava que Edward um dia realmente me amara e que não havia me abandonado deliberadamente. Não, não podíamos simplesmente continuar dali. Teríamos de começar tudo de novo. Começar o nosso relacionamento do zero.

- Acho que estou ficando louca, falei sozinha mais uma vez.

Ele deixara bastante claro que me desejava, assim como eu também o desejava. Era um fato. Mas ele não havia falado em amor e eu ansiava por ser amada. A rejeição do meu pai durante toda a minha vida e depois a de Edward haviam sido um duro golpe na minha auto-estima. Por mais que o meu corpo o quisesse com loucura, eu não aceitaria fazer parte da vida dele se não existisse amor. E claro que eu ainda o amava, mas e ele?! Lembrei das sábias palavras de Sue no dia em que eu voltei do jantar...

“...- Bella, não seja ingênua. Se ele quisesse apenas a Nessie iria entrar num acordo com você, compartilhar a guarda dela ou algo parecido. Ele quer você, despejou.

Sorri tristemente.

– Eu sei. Ele deixou isso perfeitamente claro. Edward me quer no pacote como uma prostituta de luxo embrulhada para presente, deitada em sua cama para satisfazê-lo sempre que tiver vontade.

“– O amor e o ódio andam junto Bella, lado a lado. Talvez os sentimentos dele por você sejam tão profundos quantos os que você sente por ele.

– De que sentimentos você está falando?

– De amor Bella, respondeu com suavidade. Ela levantou indignada.

– Amor? Ora não me venha com essa! O que ele quer é tomar a minha filha. Roubá-la de mim! Como eu poderia amar um ser desprezível como ele?! Eu não amo o Edward, Sue, ele pertence ao meu passado!...”

Palavras vazias, eu reconhecia agora. Cansada de ficar rolando na cama sem conseguir pregar um olho, vendo que as horas se arrastavam, resolvi levantar e ir até o banheiro beber um copo d’água. Saí da cama e fui tateando no escuro, mas ao abrir a porta e dar dois passos na direção das pias, subitamente dei um encontrão em alguma coisa sólida e ao mesmo tempo macia, sentindo um líquido gelado e um cubo de gelo escorregarem pelos meus seios, ventre e pernas. Soltei um grito abafado.

- Mas o que é isso?!

Gritei assustada.

- Água gelada, Edward respondeu a centímetros de mim. Meu coração acelerou quando senti o fino tecido da camisola grudado a minha pele na penumbra do ambiente.

Notas finais
Não sei vocês, mais se meu marido me acordar com uma pedra de gelo acho que sou capaz de estapear ele rsrsrsrrsrsrsrrsr
Até logo meninas.
Beijos
Kiki