Arkenstone

4 Capítulo 4 – Festas e Descobertas


A noite foi de festa, as luzes cintilavam no castelo e a música tocava animada. Anões de todo reino estavam lá, riam, dançavam, cantavam, bebiam e aproveitavam a boa comida oferecida.

Entre cantos, gargalhadas e tilintares de canecas cheias da mais saborosa cerveja, um pequeno grupo conversava.

– Há tempos que não vejo uma festa tão animada! Acho que desde a derrota na batalha de Moria não vejo felicidade assim em nossas terras! – exclamou animado Náli entre um gole e outro de sua cerveja.

– E não é pra tanto, após a perda de Thrór em Moria, o reino nunca foi o mesmo. Mas esta festa está mesmo animada! O que mais me surpreende é que o rei esteja tão contentado com a descoberta a ponto de dar uma festa deste nível – comentou Gróin enquanto admirava as luzes do palácio.

Náli era quem mais se divertia durante a noite, adorava a música alta e as risadas que levava com seus companheiros, descansar após um dia cheio de trabalho nas escavações da montanha era o que mais lhe trazia prazer. Já Gróin, apesar de não aparentar, estava gostando da festa e das canções que cantavam. Hoje estava descansando, assim como Náli, de um

dia de trabalho duro. Gróin era o mais habilidoso ferreiro de Erebor e adorava seu oficio como ninguém.

Alguns anões cantavam já bêbados, rimas animadas.

Aqui embaixo em Erebor!

Ei! Que você está buscando?

O que você está fazendo?

A lenha fumegando,

E as tortas já se assando!

Ei! TriHiHiH esta

O reino está em festa! Ha! Ha!

Logo vinha na direção dos dois anões, um terceiro. Damli vinha cabisbaixo e pensativo.

– O que há, meu bom amigo? Como pode estar com uma expressão tão triste em meio tão divertido? – perguntou Náli.

– Algo me preocupa... – sussurrava Damli sem prestar muita atenção em Náli.

– O que pode preocupar-te tanto em uma noite tão bela? Olhe a sua volta! Todos dançam e cantam felizes!

– É exatamente isso que tanto me aflige. Olhe a sua volta, Náli. Todos estão aqui. Todos menos Thráin. Como pode um rei dar uma festa tão gloriosa sem nem ao menos presenteá-la? Sinto que algo está errado...

– Foi um dia longo até mesmo para o rei, Damli. Além do mais, não é todo dia que se faz uma descoberta tão fantástica! Não se preocupe, meu amigo, ele com certeza está descansando esta noite. Deveríamos apenas nos preocupar em aproveitar esta festa tão bela que Sua Majestade nos proporcionou! – exclamou Gróin.

– Isso mesmo! Vamos, beba um pouco e ria conosco! – propôs Náli.

Damli se juntou aos dois, bebia e apreciava a música. Porém, hora ou outra se ouviam ainda seus sussurros pensativos:

– Mesmo assim, algo me preocupa... Algo está errado...

Ei! Onde você está indo

As barbas sacudindo?

Ha! Ha!

Ei! Você não vai ficar?

Você não vai fugir!

Os pôneis vão pastar!

O sol já vai sumir!

Ficar é bem melhor

E ou vir com atenção

Até o amanhecer

A nossa canção

Ha! Ha!

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Dentro do castelo, as luzes entravam pelas janelas e a música era abafada pelas paredes de pedra. No fim do corredor, uma pesada porta de carvalho guardava uma sala fechada. Mesmo sem janelas ou candelabros, a sala permanecia iluminada por uma luz estranhamente azul, a qual dava um brilho ainda maior ao mineral branco reluzente que o envolvia. Ao lado da Descoberta, um rei permanecia preso em seus próprios pensamentos. Os olhos arregalados refletiam em seus orbes a luz azul, a boca entre a barba espessa estava meio aberta, e esta logo começou a pronunciar palavras baixas quase como uma reza.

“Entre sujos anões trabalhadores mineiros, uma nova luz surge. Aqueles que apenas a luz do sol e da lua conhecia até agora se espantam com tal descoberta. Sim, “A Descoberta”. Encontrada no escuro e frio coração da Montanha Solitária, essa luz tão bela que encanta a todos que a veem envolta de um mineral tão nobre até então jamais visto na Terra. Mineral branco que forma a mais perfeita espada moldada pela própria montanha, o lar de nosso povo, carrega em seu punhal a mais bela das pedras. Ela trará a nossa glória.”