Arkadia

2 A grande explosão.


Notas iniciais
São 2:10 da manhã, acabei de escrever algo que trabalhei o dia inteiro e é isso, boa leitura, nos vemos lá embaixo. (O capitulo foi betado por um dos membros da página Help me - Revisores de Texto. E o nome da beta é Lyare, caso alguém se interesse por betas e tudo mais, é só dar uma olhadinha nessa página aqui, ó: https://www.facebook.com/revisoresdetexto/ )

Uma explosão colorida tomou conta do céu naquela noite fria e como qualquer humano que se preze, como qualquer um dos poucos sobreviventes a tudo que fora imposto pelas outras raças, entendi que continuar dentro da floresta era um risco a correr naquele momento e, por isso mesmo, recolhi as maçãs e kiwis que ainda me restavam, joguei tudo dentro da bolsa (com cuidado o suficiente para kiwis não serem amassados) e corri pelo chão, em direção contrária à explosão que ocorrera no mar estrelado.

Se eu queria ficar viva, mesmo que de forma mínima, deveria ser inteligente o suficiente para não continuar parada num mesmo lugar por muito tempo. Era uma das regras de sobrevivência básica que precisava e deveria seguir; quando minha mãe engravidou de uma das criaturas da noite, nós duas ficamos fugindo e fugindo de potenciais caçadores – como eu, de forma humilde, chamava a raça que nos escravizara – e uma vez, por dormir em cima de uma árvore, fui pega por elfos enquanto ela conseguiu fugir, correndo na direção da Floresta Negra.

Ainda carrego a marca da escravidão bem na ponta da orelha, um pedaço que fora arrancado e hoje cicatrizado. E a minha mãe? Não tenho noção alguma se continua viva com o neném, mas dizem que as criaturas da noite cuidam dos seus, ou deveriam cuidar.

Salto sobre um tronco caído, pisando nas partes secas daquele labirinto verdejante fácil de se perder pois quero evitar pegadas e, então, mais outra corrida continua sem um fim próximo porque ainda não sei aonde vou parar ou onde chegarei, mas sei que meus músculos ficarão doloridos no fim, como sempre.

É sempre assim. E digo isso pois sei que não importa a condição física, sempre ficarei toda ralada, tropeçada e dolorida.

Questiono-me, às vezes, sobre como consegui sobreviver dois anos sem ajuda alguma, pois apesar de eu saber trepar em algumas árvores, ainda tropeço mais do que meus dedos das mãos podem contar com a ajuda dos dedos dos pés, além de que tenho tendência a rolar muito enquanto durmo, então, se dependesse dos troncos de árvores, eu já estaria morta.

Paro, então, quando encontro um lago e sem retirar as botas surradas de couro, já quase abertas em ambas as solas, tomo um pouco da água e sigo até o fim do lago, desejando dormir próximo das águas para caso fosse necessário beber mais um pouco ou tomar banho, se bem que tem três luas que não me banho e mais uma não faria diferença.

Deito abaixo de uma árvore, minhas costas estão grudadas ao tronco marrom acinzentado e sua copa me protege um pouco, mas não tanto quanto eu gostaria.

Num outro universo, ou Mundo, eu gostaria de nascer tão habilidosa quanto os elfos; desde que me entendo por gente, a magia reina em Valkyria inteira e tal como em Illaria, os Elfos possuem uma grande quantidade de magias e especiarias que nem meus dedos conseguem pontuar e as fadas, idem. Os elfos e as fadas eram raças elementares, donos das faunas e floras, por isso reinavam junto aos Magos numa aliança preciosa contra nós e as demais raças ocultas, e nenhum lugar era seguro por causa disso.

Num outro universo, eu realmente gostaria de ter alguma pequena habilidade mágica assim para que não fosse tão perigoso tentar ser livre das amarras. Acontece que se não fossem as outras raças a querer poder, seríamos nós, seriam outros que perderam a batalha e assim por diante. O ser, em si, gosta de sentir o poder nas mãos e tem tendência ao controle absoluto de todas as coisas, mas usa as alianças como uma falsa ideologia de igualdade, uma vez que por baixo dos panos – ou ao menos penso eu – ainda é o mais forte e poderoso que reina, só se aliando aos que querem, pelo menos, duas ou três coisas iguais a eles.

Nesse caso, tanto os elfos, fadas e magos, queriam que nós fôssemos exterminados e subjugados. Houve um tempo em que os humanos também reinavam e cada reino tinha sua raça em comando até que a magia aflorou e, em um determinado ponto, eles (elfos, fadas e magos) tiveram poder e audácia o suficiente para reinar sobre nós.

Verifiquei o céu outra vez e percebi que a explosão colorida continuava. Um barulho estrondoso berrou em algum lugar, criando um raio em meio a nuvens tão escuras e tão perigosas que caiu do outro lado da floresta, indicando chuva.

Antes que eu pregasse os olhos, estrelas cintilavam diante de mim como se pedissem um beijo ou um belo roubo, e se eu acreditasse com muita força, até um pedido faria.

Infelizmente, isso jamais aconteceria.

Os primeiros raios solares me acordaram pela manhã e como de praxe, espreguicei os dedos e estalei-os uns nos outros, ouvindo o clac dos ossos como uma bela sinfonia para que, então, desse-me por acordada. Bocejei um pouco sonolenta, ciente de que não podia continuar ali, pois já fora muita sorte ter conseguido um local seguro para dormir a céu aberto. Fiz minha caminhada de volta para o lago apenas para beber uma água, lavar o rosto, nuca e mãos antes de dar seguimento à rotina de sempre.

Deveria andar e continuar andando se eu desejasse voltar para o meu acampamento mais do que secreto: hiper secreto ao ponto de nem eu mesma saber onde estava.

Lar não era uma palavra tão usada no meu dicionário.

Continuo minha rotina de caminhadas sabendo que eu poderia ficar nisso por dias e dias, ainda indecisa em correr para a Floresta Negra ou continuar seguindo pelos bosques de Illaria, pelas suas florestas verdejantes ou, então, ir para a cidade com uma bela desculpa de disfarce, que nem eu mesma sabia nesse momento, e conseguir negociar alguma coisa ou então virar uma escrava.

Cada opção tinha seu risco, mas eu nem mesmo pensava duas vezes quando via que a última soava como a pior de todas.

Ao chegar no Campo de Pedras, um local repleto de pedregulhos com o chão verde de mato, com enormes rochas e diversas cavernas, o Sol inventa de ficar bem em cima da minha cabeça e ouço grunhidos junto com flechas voando sobre a caverna.

Me escondo numa das pedras.

Respirar. Não fazer barulho. Se movimente pouco.

Estou tão abaixada que às vezes olho para cima apenas para ter certeza de que ninguém vê minha cabeça e então, ouço mais grunhidos, muito mais alto dessa vez, e algumas conversas aleatórias, no ar. Gritos de guerra. Pessoas mandando umas nas outras.

— Amarre as pernas.

Não faça barulho.

— Não o deixe abrir a boca!

— Shagar nos avisou que esse dia chegaria.

Não se movimente muito.

— Devemos levá-lo com vida.

— Devemos sair daqui com vida.

— Cuidado!

É quando, então, um urro de dor animalesco é lançado no ar e eu nem mesma respiro, voltando a bisbilhotar o que quer que estivesse acontecendo.

Existem cinco deles, todos com seus longos cabelos e orelhas pontudas se sobressaindo. Vestem roupas de couro, parecem soldados com os brasões idênticos e carregam arco e flecha, algumas cordas feitas de cipós tão resistentes que pareciam ser feitas por eles. As cordas estão amarrando um animal enorme, nunca visto na minha vida inteira; ele é alto, muito mais alto do que todas as coisas que vi, tem uma cauda preta, escamosa como o resto do seu corpo, e um focinho...? Dois olhos, orelhas enormes, dentes afiados que fogem para fora da boca e entram na mesma velocidade em que os elfos o atacam. Suas patas, todas as quatro, estão amarradas, impedindo-o de fazer qualquer coisa e suas asas, seu par de asas afiadas, parecem dois triângulos negros com manchas cinzas, soam como se estivessem machucadas, ou então são tolas por não se moverem para sair dali.

Ou talvez ele não voe...mas se voasse, por que ainda não o fizera?

Seus olhos, claros ou escuros — a distância não me permitia tamanha visão — estavam focados nos elfos que se encontravam a sua frente e eu gelei no momento em que sua cabeça virou na minha direção.

Não faça nada.

Mas embora meu pensamento gritasse para que eu continuasse quieta e silenciosa no meu canto precioso e esconderijo inútil, deslizo e me arrasto para mais perto, deixando a mão esquerda perto da minha coxa, onde minha faca está amarrada, e a direita numa busca de algo que me sirva. Meus joelhos doem. Devem estar arranhados com as pedrinhas.

É isso.

Pego um punhado delas, o tanto que eu aguento, que minha mão deixa e, então, ainda abaixada, tentando ficar escondida, lanço um monte na direção deles.

Automaticamente, quando as pedras caem no chão, os elfos se viram para mim.

Já não estou mais lá.

Fico tão abaixada que cogito voltar para onde estava e fingir que nada aconteceu, mas não posso e não devo deixar que uma criatura seja amaldiçoada e escravizada.

Ninguém merece ser, de fato, um animal.

Ser tratado como um, nem mesmo aquela besta que eu não sabia identificar.

Precisava ser mais eficiente, então.

— AAAAAAAAAAAAAAAHHHH! – Eu grito me mostrando e corro na direção deles com a faca na mão, inútil aos olhos de todos já que não estou nem há quatro palmos deles quando o mato começa a andar e, então, puxa meus pés.

Caio com o queixo no chão, dói para caramba e minha mão ainda está ali, segurando aquela lâmina. Jamais a deixaria cair.

Um deles caminha até mim e quando está próximo, vislumbra o metal da minha mão; seu pé encosta no meu braço, ele puxa a lâmina e, então, me arrasta por aquele membro mesmo até seu conjunto de amigos e ao animal enorme, roubando um pouco da corda de cipó para prender meus braços atrás do corpo.

Estou de joelhos, agora.

Um dos elfos, com pele negra e fios brancos, puxa meu cabelo – que é negro, por sinal – para cima.

— É uma escrava. – Afirma ao ver o pedaço que falta da minha orelha. – Iremos levá-la conosco, certamente deve ter fugido dos seus donos.

Silêncio. Eu vislumbro o animal pelo canto dos olhos e, então, giro meu pescoço numa velocidade espontânea demais para pegar-me, mordendo com muito gosto a mão do elfo opressor.

— Ai! – Diz antes de soltar a mão, esbofeteando-me o rosto. – Pois bem, é selvagem, uh? Não tem problema, irá conosco mesmo assim.

— Não. – Resmungo nem um pouco relutante, certa de que ainda havia alguma chance se eu calculasse bem o esforço que faria para me levantar sem apoio algum. Com calma, disfarçando, olho para os lados daquele mar de rochedos, cavernas, pedras.

Uma chance, só preciso disso.

Os elfos não querem mais saber de mim, eles continuam amarrando a criatura enorme que eu aposto só estar deixando-os fazerem isso porque também não é tão burra assim e, por isso mesmo, aproveitando que aquele que havia falado comigo ainda estava relativamente perto de mim, respiro fundo e conto até três.

Um. Um e meio. Dois. Dois e três quartos. Dois e meio. JÁ!

Forço meus joelhos com tudo e me levanto o mais rápido que consigo, correndo na direção dele com aquelas amarras doendo segurando meus punhos. Minha cabeça tem somente um alvo, mas antes que eu o faça, ouço os gritos atrás de mim e paro, vendo aquela enorme criatura balançar seu rabo enquanto os elfos próximos, todos os quatro, caem ao chão.

O elfo negro, naquele momento, acerta minhas costelas com o cotovelo e vai em direção ao animal, mas nem ao menos encosta nele quando sua cauda, rabo, nem sei direito, acerta-o com tudo, lançando-o em direção ao chão com força e de lá ele não levanta.

Por um segundo, minha boca ainda está aberta e escorre um pouco de gosma branca – vulgo baba – dela, e continuo visualizando o que o animal faz além de soltar as próprias amarras, nem um pouco satisfeito em sair dali. Nem um pouco satisfeito em nada.

Demoro a perceber que estou segura e quando finalmente me levanto, checo elfo por elfo, vendo que estavam numa espécie de desmaio e, por isso mesmo, roubo a aljava das costas de um deles e seu arco, tomando somente as flechas dos demais e, por último, minha preciosa faca. Guardo a faca na tira de couro que a deixa presa à minha coxa e a aljava é presa nas costas, o arco se apoia ali. Lembro, então, que preciso de algo e cavuco as coisas de todos até ver o cantil com água desejado. Não a bebo, entretanto.

Aquele animal continua ali, parado.

Desta vez, posso ver seus olhos brancos e enormes me encarando, tão vazios que não dizem nada e por isso mesmo caminho com cuidado em sua direção.

Um. Dois. Três. Quatro. Cinco.

Vou contando os passos mentalmente enquanto me aproximo e numa distância de, possivelmente, dois passos ou três, eu paro.

De perto, ele parece muito maior do que de longe.

Eu tiro da minha bolsa de pano uma maçã e deixo naquela linha invisível que nos separa como quem grita uma clara “trégua’’ ou “não quero te matar ou ferir, ou sei lá’’.

Me olhando desconfiado, o bicho coloca sua enorme língua rosada para fora – que mais me lembra um lagarto – e a enrola na pequena maçã, pondo-a para dentro e nem mesmo tem o maxilar se movendo para mastigar.

Acho que ele não mastiga.

Mas, mesmo assim, cospe os caroços e a carcaça dela segundos depois.

Não consigo segurar a gargalhada audível que sai da minha boca e acabo, outra vez, babando em mim mesma.

Com o braço, limpo minha boca e aproveito para puxar minha voz do fundo da garganta.

— Você tem que sair daqui, colega. Eles vão acordar em algum momento e, acredite, não vai querer estar aqui quando estão enfurecidos. – Digo como se aquela coisa pudesse me entender e então, balanço a cabeça negativamente. – Sua melhor chance é na Floresta Negra, sabe? A parte escura que liga todos os reinos. Só lá você ficará longe dessa gente que escraviza os esquisitos e diferentes. – E paro, petelecando minha testa. – Não estou dizendo que você seja, mas né.

Não há resposta e é claro que não haveria; aquele animal é tão diferente de tudo o que existe nesse Mundo que eu mesma me lembro disso enquanto o encaro com a boca fechada, não sei se com fome, fome de me comer, ou de comer os outros, porém, acredite, não perderia meu tempo ali. Não mesmo.

— Boa sorte, amigão. Tenho de ir nessa. Há muito o que andar quando não se sabe para onde está indo, compreende?

Nenhuma resposta.

Nenhum som, rugido ou coisa do tipo.

Entendi que ele sabia muito bem disso e entendi que já não se tinha mais nada para continuar fazendo ali, por isso mesmo me retirei em passos lentos que se tornaram apressados.

Salvei-o uma vez, não o faria outra.

A trilha que sigo para fora do Campo de Pedras é incerta, sendo necessário subir algumas delas, descer outras e evitar pisar na parte arenosa quando é certo que aquela areia irá engoli-lo feito um cavalo faminto, ou um vampiro sedento. Contudo, uma caminhada que leva horas tem sua recompensa quando se avista o verde próximo e se aumenta os passos, estando até mesmo numa corrida para chegar do outro lado mais rápido e rápido.

Eu chego e o silêncio fantástico é até mesmo assustador.

Quanto tempo demoraria para que os outros soubessem que vim para cá? Quanto tempo demoraria para me procurarem? Me procurariam?

Eu era assim tão importante?

Obviamente, não.

Todavia, não era do meu feitio continuar dando um mole daqueles para que pudessem me enjaular como queriam fazer com a criatura e, por isso mesmo, continuo minha corrida e sei que é o melhor a ser feito num momento como aquele.

Quando chego naquele lado verde, sento-me encostada no que resta de rochas e respiro fundo, aproveitando o fim do sol e tentando fazer meus órgãos funcionar como deveriam para que possa continuar caminhando até que o último fio solar se esvazie naquele imenso céu, sei, contudo, que não importa quantas vezes acabe tentando, não dará muito certo.

Posso correr, mas sempre ficarei com problemas respiratórios quando corro demais sem descanso.

Posso correr, mas não posso me esconder.

Puxo da bolsa uma maçã e, por ter água em seu interior, me hidrato enquanto mato minha fome, mastigando-a lentamente e fazendo-a durar na minha boca até que vire uma massa com água e eu possa engolir e ser feliz.

O macete quando se tem pouca comida é mastigar muito, muito mesmo, contar até dez ou vinte após engolir e fazer isso outra vez, assim se sente satisfeito com o pouco que tem até que arranje outro pouco.

Isso não se chama dieta, na realidade, é somente uma maneira de sentir-se satisfeito com algo que nem mesmo existe e, nesse caso, é a minha comida.

Tão pouca e incapaz de me manter viva por dias sem que eu, de fato, faça-a durar.

Quando termino de devorar minha comida, jogo o resto no meio das pedras e vejo, naquele instante, uma sombra pairando no céu e, aos poucos, deslizando em minha direção.

Mais baixo.

Mais baixo.

Aquele bicho negro de outrora para em minha frente, abaixa sua cabeça e recolhe as asas, deixando claro que meu pensamento de tê-las machucadas era pura baboseira.

Balanço a cabeça.

— O que foi? O combinado não foi me seguir aqui.

Não há respostas e por isso mesmo fico rindo; idiota da minha parte, sei com todas as letras, porém nunca me imaginei num monólogo tão constante quanto aos que aquela fera me enfiava.

— Também está sozinho? – Questiono sabendo que o silêncio viria mais uma vez e engatinho na direção do bicho, ele, contudo, dá um passo para trás.

— Não te machuquei antes, não vou fazer agora. – Aviso.

Estico a mão esquerda, fecho bem os olhos e a mantenho parada assim, no ar.

Sinto uma coisa gelada e quente, morna, encostar na minha palma e aos poucos, cuidadosamente, vou abrindo um dos meus olhos e encaro-o com um olho aberto e outro fechado. Torço o nariz.

Ali está a fera, tão perto de mim, me tocando.

— Você até parece legal assim, sabia? – Murmuro e com muita lentidão, esfrego minha palma naquele vão entre as narinas.

Ele bufa.

— Carinho. Isso se chama carinho. Conhece?

O rabo balança em resposta e eu sorrio, continuando o que fazia por uns segundos, deixando-o sentir meu cheiro e deixando-me saber o quão áspera sua pele conseguia ser.

— Onyx. – Ouço uma voz grossa e giro a minha cabeça, buscando o dono da voz.

— Quem está aí? – Prestes a puxar uma das flechas roubadas, o bicho me empurra para o chão com a sua cauda e bufa aquele ar quente em minha direção.

— Meu nome é Onyx. – A voz grossa diz outra vez e, quando me dou conta, percebo que embora o bicho não tenha movimentado a boca, sua voz é insistente em minha mente.

Ele fala.

Ele sempre falou.

— Quê? Você fala? Meu Merlin! Merlin não. Deus! Você fala. Você fala. Por que não falou antes? E eu aqui me achando louca. Puxa vida! – Começo a falar desesperada achando tudo aquilo uma péssima brincadeira, porém não disse. Se ele ficasse bravo, poderia me fazer cair como fez com os elfos.

— Você nunca me perguntou nada, então por que raios vou te dizer algo?

— Rá, tão espertinho. – Resmungo de volta.

— De onde eu venho, quando um de nós diz sua alcunha, o outro responde de volta.

— Certo. Certo. Que falta de educação, né? – Ironizo sem controlar e disparo, em seguida, reverenciando-o. – Caitlin, é assim que costumavam me chamar.

— Costumavam?

— Faz tempo que ouvi meu nome escorrer da boca de outra pessoa.

— Por quê?

— Porque minha família era a única que me chamava assim e agora não a tenho perto para que me gritem por aí. Os outros, aqueles que você viu, eles só sabem que eu existo por causa disso...– Aponto para minha orelha com um pedaço arrancado e dou de ombros – ... já que aqui sou uma escrava como você seria.

— Não podem prender uma força da natureza, não de onde venho.

— E de onde você vem, Onyx?

— Do Mundo dos Dragões.

Notas finais
Importantes notas do vocabulário: Merlin = continua como um ''deus'' para Magos, porém existem outros que serão apresentados e é, também, forma de expressão para ela que vivia perto das raças assim. Valkyria = nome do Mundo em que vivem, no caso, planeta existente. Cada Mundo é um planeta diferente. Illiaria = cidade/reino existente, mas vocês verão que a regência desse mundo é diferente do acostumado, logo, não se preocupem....... Dragões = são dragões levemente comuns, mas eu criei uma história para eles e no próximo capitulo irão saber mais, inclusive sobre o lance da ''telepatia''. É fim de ano, certo? Isso significa que nos veremos ano que vem, mas e dai? Venham cá! Digam o que acharam pois, honestamente, eu já disse que é minha primeira vez escrevendo fantasia? Pois é, é sim. Espero, de coração, que você que está ai, lendo minha baboseira, tenha gostado.