Arigatou
1 Único - Obrigado
Notas iniciais
Eu fico pensando o que seria de mim se te perdesse. Fico pensando, quem me mandaria sorrir se não fosse você. Talvez se eu te perdesse as minhas lágrimas jamais secariam. Talvez eu nunca mais voltaria a sorrir. Por que você... É aquele que me irrita tanto e me deixa feliz como ninguém. É aquele que fica bravo quando pego coisas sem permissão ou até mesmo quando faço brincadeiras sobre algo que você admira. – As palavras se juntavam todas em minha cabeça, formando frases, que logo se tornaram um texto. Juntamente com essas palavras, as minhas recordações iam voltando, as cenas se passavam todas em minha cabeça. Eu deixei as lágrimas caírem por meu rosto. – Ah, como eu queria te dizer todas essas palavras... – Pensei comigo mesmo.
Nunca fui uma pessoa muito “feliz” ou muito confiante. Sempre andei sozinho e nunca dependi muito das pessoas. Eu nunca havia acreditado realmente que a amizade era uma coisa real. A minha vida inteira eu me reprimi, eu me escondi.
E agora eu estava do lado de fora da casa da pessoa que me fez mudar sem saber, recuando, com uma das mãos quase sobre a campainha.
Ruki. – A razão pela qual eu ainda sorrio raramente. A razão pela qual eu me esforço todos os dias para me tornar uma pessoa melhor. Eu jamais havia feito algo realmente útil para ele, mas já ele... Ele havia se sacrificado inúmeras vezes para ver o meu sorriso, para ver a minha felicidade. Eu jamais havia agradecido realmente. – Obrigado – Essa palavra estava presa em minha garganta.
Leveiminhas mãos até o rosto e as coloquei sobre meus olhos, retirando as lágrimas de lá. A faixa que cobria parte dele e que estava sobre meu nariz já estava úmida. Finalmente era a hora; A hora em que eu iria dizer todas essas palavras, mostrar meus reais sentimentos. Um pouco tremulo, lentamente encostei uma de minhas mãos na porta, batendo inicialmente de leve. Pouco tempo depois ele já estava ali, abrindo-a.
- Akira...? – Ele me olhou confuso, fazendo gestos com as mãos pedindo para que eu entrasse. Assim o fiz. – O que você faz aqui? – Ele riu, arrumando as roupas casuais pretas que vestia.
- Eu... – Tentava esconder meu rosto, que provavelmente aparentava que eu havia chorado. Respirei fundo e senti meu coração apertar. Lancei um olhar para ele, podendo olhar bem no fundo de seus olhos, e sorri meio bobo. – ...Obrigado.
Segurei seu pulso e o puxei para perto de mim, enlaçando-o carinhosamente em um abraço. Talvez o mais confortável toda a minha vida. Após algum tempo ele também me abraçava, em silêncio. Continuei assim, gerando as frases e recordações em minha cabeça, sorrindo de forma instável, sentindo lagrimas quase me tomarem novamente.
- Obrigado... Por ser aquele que me agüenta... Por ser aquele que me faz rir, e que me faz sorrir quando eu menos desejo. Obrigado... Por me deixar feliz. – Minha voz começava a ficar tremula e aos poucos, começava a soluçar baixo entre o choro. Ruki apenas continuava me abraçando com cada vez mais força, prestando atenção em todas as minhas palavras.
- Reita... – Ele riu e sussurrou meu nome em uma forma doce, porém um pouco melancólica.
- Talvez, eu sempre tenha sido ingrato. Talvez, eu sempre tenha te retribuído da pior forma... Me desculpe. Eu só quero ficar sempre ao seu lado, eu só quero sempre estar com você. – Ri, sem ter muita noção do que eu estava dizendo. – Arigato... – Me inclinei um pouco, fazendo com que minha cabeça de apoiasse sobre seu ombro, me fazendo olhar o chão. – Arigato... – Repeti.
Ele sorriu gentil e me abraçou, mais uma vez.
Sinto que jamais poderei agradecer da forma certa... Mas eu não me importo. Só quero que ele saiba o quanto ele é importante para mim. Só quero que ele saiba que eu o amo incondicionalmente, acima de tudo e todos. Porque ele é quem me faz sorrir e rir verdadeiramente. – Pensei comigo mesmo e voltei a derrubar lágrimas, mas com um sorriso imenso estampado em meus lábios. Eu nunca havia gostado de chorar. Eu nunca havia chorado na frente de ninguém, além dele. Talvez, essa fosse a primeira e única vez que ele fosse me ver assim, mas eu não me importava. Isso poderia se repetir diversas vezes, para que eu pudesse voltar a sorrir em seguida, tranqüilamente.
- Eu te amo... – Movimentei minha boca, sem deixar que as palavras saíssem e voltei a sorrir, aproveitando cada segundo que eu ainda tinha ao lado dele.
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