Ariel Lamour

3 Capítulo Segundo - Parte 2


Notas iniciais
Isso aqui é só uma continuação do segundo capítulo, que eu não postei junto porque iria ficar muito grande.

Assim que coloque os pés dentro de casa, a primeira pessoa que vi foi Esther, a Bruxa Má. Ela era casada com meu pai desde quando minha mãe morreu – quando eu tinha uns três anos. Meu pai a contratou para ser minha babá, mas ela acabou se tornando minha madrasta. Nós nunca nos demos muito bem, principalmente depois que ela me bateu pela primeira vez.

Esther estava sentada no sofá, olhando para a televisão. Seu cabelo era negro, para combinar com o coração. E a boca sempre estava pintada de vermelho.

– Por que você fez isso em mim? Sabia que todo mundo ia reparar.

Ela sorriu. Tinha 28 anos, mas parecia ser tanto mais velha quanto mais nova.

– Exatamente por isso que eu fiz.

Cachorra, pensei. Vadia ordinária. Piranha nojenta. Bruxa.

– Não me olhe com essa carinha de raiva...

Não a deixei terminar:

– Você é tão burra! Como vai explicar isso para o meu pai, hm?

Seu sorriso cruel não sumiu, mas seus olhos brilharam. Eu vi. Eu tinha pisado no seu calo. Não querendo ficar nem mais um minuto olhando para ela, fui para o meu quarto.

O arranhão no meu pescoço foi causado por uma pequena discussão hoje cedo. Esther acordara de mau humor e intentara de jogar sua raiva em cima de mim. Eu já estava sem paciência porque ia chegar atrasada no colégio, não ia comer onda de ninguém. Nós trocamos um monte de insultos idiotas e ela veio pra cima de mim, e arranhou meu pescoço. Eu fui burra, devia ter ido olhar se ela havia deixado alguma marca na minha pele. Mas saí de casa correndo, achando que se continuasse ali, quem ia voar em cima dela era eu.

Eu não gostava de bater de volta na Esther, porque isso me fazia perder a razão aos olhos do meu pai. Mas já era quase uma adulta, não aguentava mais esse tipo de opressão. E o pior era que meu pai não enxergava nada. Quando eu era mais nova, contava para ele as coisas que Esther fazia, mas, como não adiantava nada, desisti da ideia de contar alguma coisa. Luna era a única pessoa no mundo que sabia do que eu sofria nas mãos de Esther, e ela não concordava com a minha mania de guardar segredo sobre isso. Mas o que eu podia fazer se nem mesmo meu pai me apoiava?

Duas batidinhas na porta do meu quarto me despertaram. Era o meu pai. Ele enfiou a cabeça dentro do quarto e sorriu. Mas quando viu o arranhão no meu pescoço, seu sorriso sumiu.

– O que foi isso?

– Esther.

Os olhos do meu pai saíram de foco.

– Está me dizendo que a Esther fez isso em você?

Como num passe de mágica, a Esther apareceu ao lado do meu pai, com os olhos arregalados.

– Querido, você realmente acredita nela?

– Saia do meu quarto – rosnei.

Mas eles estavam se olhando como se eu não estivesse ali.

– Me explique como isso foi aparecer no pescoço dela, então.

– Ela se arranhou, é claro. Fez de propósito para me incriminar. Meu Deus, o que eu ganharia machucando a Ariel desse jeito?

Eu e meu pai não nos parecíamos em nada fisicamente. E agora, olhando para ele, eu não via meu pai. Via um estranho.

– Ariel – ele murmurou – Estou tão desapontado com você.

Foi ai que eu explodi.

– Eu sou sua filha, você tem que acreditar em mim!

– Por que você faz uma coisa dessas, Ariel? – perguntou Esther, fingindo estar magoada – Eu nunca machucaria você; eu amo você.

– Você é tão falsa!

– Parem, vocês duas! – meu pai gritou. – Esther, saia daqui.

Ela olhou para o meu pai como se ele tivesse batido nela, mas saiu. Desabei na minha cama e meu pai veio sentar ao meu lado.

– Não entendo por que você a odeia – balancei a cabeça e comecei a chorar, mas deixei-o continuar – A Esther nos ama, Ariel. Ela cuidou de você quando a sua mãe morreu. Você precisava de uma mãe e ela estava lá. Eu precisava de uma esposa, e ela estava lá. Você devia ser grata por ela existir.

– Não consigo ser tão hipócrita.

– Você acha que eu sou hipócrita?

Acho.

– Não. Quer dizer, um pouco. É hipócrita e cego. A verdade está em baixo do seu nariz e você não vê porque não quer. Eu odeio essa situação, pai.

Ele suspirou e se levantou.

– Quem fez isso no seu pescoço, Ariel?

– Foi ela – respondi na lata.

– Tem certeza?

– Não quero nem dizer o quanto essa pergunta me ofendeu.

Ele deu um meio sorriso.

– E você acha que eu não me senti ofendido em ser chamado de cego e hipócrita pela minha própria filha?

Balancei a cabeça.

– Há uma diferença. Você é cego e hipócrita, mas eu não sou uma mentirosa. E também não sou psicopata. Eu nunca machucaria a mim mesma, pai.

– Vamos esquecer esse assunto, tá bom?

– Não.

– Vamos, sim – e simplesmente saiu do quarto.

Eu estava tão chocada que fiquei ali parada. Depois a revolta tomou conta do meu corpo. Qualquer esforço de fazê-lo abrir os olhos era inútil. Meu pai nunca veria quem realmente Esther era.

Notas finais
É isso, espero que tenham gostado... E se alguém tiver lendo, por favor me deixe saber.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.