Aria's life game
2 Wind, a tempestade
Notas iniciais
Estávamos finalmente no meio do ano letivo, era o primeiro dia de aula do segundo trimestre e eu planejava matar aula. Simon me acompanhou nas peripécias, porém, ele não podia ir para a escola por causa de uma cirurgia que ele fez nos olhos para reparar a visão, então resolveu me acompanhar. Ele me deixou escolher o lugar para onde iriamos, então era óbvio que eu escolhi o Arcade Game Station, pois iria ter a batalha do melhores da cidade no Mortal Fighter VII, o novo jogo da saga.
Bem, eu obviamente era a primeira colocada, sempre que eu jogava eu percebia que eu conseguia aumentar meu High Score no rank, sempre tinha meu nome lá. Simon não era tão bom quanto eu, porém, depois de 4 anos de treino, conseguiu o sexto lugar no rank, ele esperava que depois de sua cirurgia ele melhorasse, pois estava cansado de só ver borrões até com seu velho óculos fundo de garrafa com 12 graus na lente.
Chegando na game, percebemos que havia uma grande inquietação perto das máquinas de luta. Era muito cedo para as batalhas começarem, já que a maioria dos jogadores trabalhavam ou estudavam, e eram quase 7:30, a game mal abrira ainda.
Quando tentei me aproximar das máquinas, uma multidão circulando o Mortal Fighter VII me impedia. Depois de várias tentativas de aproximação, apareceu um garoto que estava em sentido contrário ao meu e acabou batendo de frente comigo sem querer.
– Qual é, sai da frente! — Gritou ele com nem um pouco de delicadeza.
– Desculpe, mal educado, eu só queria saber o que está acontecendo... — Falei.
– São esses idiotas que nunca viram ninguém jogar bem e estão todos abismados com a pontuação de um garoto iniciante... Agora eu tenho aula, não vou perder meu tempo com essa gente — Ele falou e foi embora.
Aquele rapaz era muito estranho, primeiro por ser encapuzado com um casaco azul escuro enorme que ia até a metade da coxa. Segundo pela sua ignorância. E terceiro por sua má educação. Mas esquecendo do que acabara de ocorrer, eu voltei minha atenção para a máquina, ela já estava completamente vazia.
Eu e Simon fomos até o jogo e enquanto pegávamos uma ficha, aquele típico Demo mostrou o Rank de jogadores e percebi que tinham ultrapassado meu recorde. Por dez números, o novo número 1 do Mortal Fighter VII era alguém que se alto denominava de Wind.
Simon ficou perplexo com a pontuação e olhou para mim, esperando minha reação. Eu estava furiosa, por que eu perdi meu lugar depois de cinco anos de vitórias consecutivas, perdi para um iniciante? Isso era inaceitável!
– Ei... — Simon pareceu preocupado — O que você vai fazer agora?
– Não vou deixar ninguém roubar meu posto! — Falei com determinação e inseri uma Coin na máquina e comecei a partida — Eu passei anos para chegar até aqui e não vou perder! Agora observe o mestre!
Comecei a partida, eu sempre escolhia o Levi, o meu personagem favorito, e também mais forte. Joguei como nunca havia jogado em toda minha vida, e depois de 3 horas de jogo, consegui ultrapassar o metido ex número 1.
– Sim! Conseguiu! — Simon comemorou.
– É... — Apontei para a lista de melhores jogadores — Mas por pouco eu não perdi... Por muito pouco...
Olhei novamente minha colocação e a minha pontuação, apenas 100 pontos a mais que o tal Wind. Quando saímos para almoçar, eram duas horas da tarde, fomos ao Maid Caffé mais próximo, onde Chris vivia frequentando, já que se derretia por um garoto popular que trabalhava por lá (Já que trabalhavam garotos e garotas).
Quando nós chegamos lá, fomos recebidos por Yuu Silver, ele tinha olhos azuis e cabelos descoloridos presos em um pequenino rabo de cavalo. Era um rapaz simpático e popular, era o tal garoto que chamava a atenção de Chris.
Ele nos guiou até uma mesa, e lá sentamos, pedi uma omelete com suco de laranja enquanto Simon devorava três hambúrgueres em um folego só com uma lata de Pepsi. Enquanto eu comia, parei para observar o restaurante. Estava lotado em comparação aos outros dias em que visitei, as outras garçonetes andavam de um lado para outro sem parar.
Depois de tomar uma taça de sorvete, pagamos a conta e voltamos para o Arcade Station. Chegamos de três e meia da tarde, a hora de início do campeonato. A game estava lotada de otakus e gamers, estava uma tremenda loucura, e é claro, uma fila enorme na máquina do Mortal Fighter VII.
As pessoas me reconheceram e me deixaram passar na frente, afinal, queriam ver a Aria brilhando(ou não). Porém, quando cheguei lá, havia alguém jogando, um rapaz, o mesmo garoto indelicado que esbarrei no começo da manhã. Ele havia acabado de jogar a partida, e quando fui ver o Rank dos melhores jogadores, o nome Wind havia voltado a ser o primeiro da fila.
O garoto se levantou, tirou o capuz azul, revelando seus cabelos loiros e olhos escuros, e bebeu um gole de sua latinha de Coca-Cola. Ele com certeza se achava por ter conseguido o Rank número 1. Eu fui até a máquina e empurrei ele com o ombro, sinalizando meu desprezo por ele, depois sentei na cadeira, inseri uma Coin e comecei a partida.
Wind chegou perto de mim e me aconselhou:
– Calma garotinha — Disse referindo-se a o empurrão — Por que não escolhe o personagem...
– Cale-se! — Briguei — Não preciso de um perdedor como você me aconselhando!
– Calma aí! — Falou ele, um pouco incomodado — Só acho que uma iniciante como você poderia querer alguns concelhos de veteranos!
– Iniciante? — Gritei, revoltada — Eu sou Aria, a jogadora número 1 da cidade, não preciso de seus concelhos!
– Número 1? — Ele riu sarcasticamente — Esse placar não significa nada, sou o 11º melhor jogador do país!
Senti calafrios quando ele disse isso, não havia nenhuma chance de eu conseguir ganhar de alguém no Top 15 do país. Porém Simon me acobertou e rebateu para ele:
– Se ela passou de você uma vez, não vai ser difícil ultrapassar outra! — Respondeu ele, encarando o suposto 11º do Rank nacional — Além disso, sua alma orgulhosa não é digna de competição com as habilidades de Aria...
– Olha quem fala, não passa de um garoto retardado defendendo a namorada... — Rebateu ele.
Nunca havia visto ninguém calar a boca de Simon tão rápido quanto Wind. Pensei que a língua afiada do meu amigo era a mais ácida de todas, porém eu teria que repensar essa afirmação, já que ele ficou tão vermelho quanto tomate e basicamente deu um nó em suas palavras e permaneceu quieto o resto da minha jogada.
Quando terminei, por pouco não ganhei meu 1º lugar de volta. Wind ficou um pouco irritado, porém ele sorriu para mim e me elogiou:
– Você é demais! — Ele riu — Nada mal, nada mal mesmo!
– Ah, obrigado... — Tentei falar como se seu elogio não tivesse muita importância, porém eu havia gostado até.
– Vamos jogar outro jogo? — Propôs ele.
– Desculpe mais temos que ir... — Simon se intrometeu, ainda vermelho — Não é, Aria?
– Ahn? — Fiquei confusa.
Simon se aproximou do meu ouvido e sussurrou:
– Vamos embora logo, por favor, não gostei desse cara!
– Certo, certo! — Confirmei, indiferente. Virei para o outro garoto e falei — Lamento Wind, mas temos que ir...
Ele começou a rir, era bonitinho rindo, até parecia um doce de pessoa e não o garoto ignorante que eu havia conhecido anteriormente.
– Meu apelido é Wind, a tempestade indomável — Ele se aproximou se mim e ofereceu um cumprimento de mãos — Mas pode me chamar de Haru Foster!
Se não fosse por Simon, eu não teria chegado em casa tão rápido. Ele me carregou com tanta velocidade que mal pisquei e já estava em casa e ele arfante. Nos despedimos e cada um foi para sua casa. Eu não fazia a mínima ideia de onde Simon morava, mesmo conhecendo ele a anos.
Quando cheguei minha mãe estava fazendo o jantar e meu irmão dois anos mais velho que eu estava estudando na sala.
– Ei Aria, onde você estava hein? — Perguntou minha mãe com um sorrisinho.
– No Arcade Station... — Falou meu irmão, Len, ainda concentrado nos estudos — Isso é bem óbvio, mãe...
– Mas, Len, eu escutei a voz de um garoto lá fora com ela! — Minha mãe explicou ela.
– O-O QUÊ?? — Meu irmão foi até mim e me deu um abraço forte — NÃO ME DIGA QUE VOCÊ VAI FUGIR COM ESSE RAPAZ, VAI? NÃO, NÃO, VOCÊ É MINHA MENININHA, NÃO DEIXAREI! — Ele parou de desespero e voltou a falar normalmente — Quem é esse futuro morto?
– Relaxe, Len, é apenas o Simon... — Expliquei.
– Ah... — Ele voltou a estudar, não ligando para o que aconteceu — Ele é confiável.
– Mas Len! — Minha mãe voltou a se meter — Ele é um garoto muito bonito, possa ser que sejam amantes desde aquela época!
– Nada a ver... — Len falou indiferente — Deixo até os dois ficarem sozinhos no mesmo quarto... Porém, se você gostar do garoto e ele te machucar, me fale, que farei as entranhas dele sumirem... — Deu um sorriso macabro.
– Isso nunca vai acontecer, seu idiota! — Rebati.
Suportando a conversa estranha diária, subi as escadas e entrei no meu quarto. Tomei um banho, vesti minha roupa de dormir e me deitei, sem parar de pensar no Wind, ou no caso, no Haru com seu sorriso doce e seu orgulho de vitorioso, era com certeza um ótimo oponente.
Fale com o autor