Argy?

1 oneshot


Leo estava cercado de autômatos, cabeças de robôs, algumas peças de mecanismo e óleo, muito óleo. Por toda parte. O que ela pedia que ele não fazia? Se fosse para consertar seus galgos, ele pensou que poderia lhes render alguns beijos a mais em troca. Mas não, como sempre Leo Valdez era esquecido em seu canto. Foi uma surpresa quando a porta do bunker foi aberta.

– Como está o tr... Oh. — Uma voz feminina disse, e ele viu Reyna levantando as sobrancelhas para a bagunça.

– Pode entrar, eu não mordo. — Leo falou, pegando um pano e limpando suas mãos — Já seus bichinhos... — Acenou com a cabeça para os cães metálicos que haviam sido revisados. Argentum estava ainda desativado e com seu painel de controle aberto, mas Aurum, ligado, cumprimentou sua dona assim que entrou, as patas sujando toda sua toga roxa. Reyna pareceu não se importar e acariciou a superfície dourada do animal. Ele lambeu o rosto da garota, que sorriu e passou as costas da mão para se limpar. Foi uma cena um tanto adorável demais para o seu próprio bem, ele pensou. Leo jogou o pano para ela, que já estava um tanto sujo, mas acabou aceitando e secando a pele.

– Eles estão em ordem? — Reyna disse, se levantando enquanto o cão a acompanhava feliz.

– Em geral sim, mas Argy vai precisar de um novo disco. — Leo se sentou num banco ali perto e ofereceu a cadeira de sua mesa para ela se sentar, Aurum deitado debaixo de seus pés. — Meu cinto não pode me dar um, acho que vou ter que fazer umas compras na loja de ferramentas da cidade.

– Argy. – Repetiu, divertida — Certamente, então lhes darei o dinheiro para comprá-lo. — Ela disse, meio solene. Leo deu uma risada entrecortada.

– Não mesmo, dulzura, fica por minha conta. — Reyna deu um pequeno sorriso, antes de crispar os lábios ao ouvir a continuação — Mas em troca você vai comigo. Podemos ir àquela lanchonete perto depois.

Ela pareceu um pouco pensativa. Ele religou Argentum.

– Se eu estiver disponível. Sabe melhor que ninguém o quanto devo-

– Prestar serviço ao Acampamento, cuidar da organização, honrar sua legião e blá blá blá. — Ele debochou, parecendo um pouco chateado. Reyna suspirou ao o ver daquele jeito, Leo provavelmente se sentia desprezado. — Você é a pretora, mas ainda tem vida fora desse lugar de rainha, Reyna. Até Jason sai para lavar as próprias cuecas.

Reyna desviou os olhos e acariciou a cabeça de Aurum, mas o cão se desvencilhou dela e foi se aconchegar em Leo, que deu mais atenção à ele do que à namorada.

– Não vamos discutir sobre o assunto novamente. — Ela impôs, e o cachorro dourado abaixou as orelhas com o tom forte que ela usou.

Foi a vez dele suspirar.

– Então venha comigo para a cidade, vamos sair. Sei lá, fazer coisas que nam- ...Uh, deveríamos fazer. — Reyna sorriu para o embaraço dele. Leo odiava ser nervoso com garotas, principalmente se elas usassem uma armadura e pudessem cortar seu corpo ao meio. Era engraçado pensar que Reyna preferiria o dar um beijo do que um olhar arrogante, e ele agradecia aos deuses por isso.

– Clichê é o seu forte, se não se deu conta até o momento — Ele fez uma careta para a frase e se controlou para seu cabelo não pegar chamas quando ela se levantou e beijou sua bochecha.

Ele deveria ter feito alguma coisa certa na vida dele para merecer aquilo.

– Te quiero. — Leo disse em espanhol, como se fosse uma forma de conexão entre eles. Reyna poderia ter corado para o comentário, mas ela sorriu divertida e ele não entendeu porque.

– Leo.

– O que? — Ele criou expectativa, quem sabe ela também respondesse que o amava.

– "Argy" está urinando em você. — Apontou timidamente com o indicador. Cães de metal não urinavam qualquer coisa, eles urinavam óleo.

É, ele não deveria ter feito alguma coisa certa na sua vida.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!