Argonautas I
39 Ricardo III
Três anos atrás, para ser mais preciso, quando eu tinha apenas três meses como campista, não tinha muitos amigos, apenas a Maria e Thomas. Iria ter uma corrida de bigas duas semanas depois, os chalés se uniram: Atena e Hermes, Ares e Dionísio, e Hefesto e Apolo.
Thiago e Erick me convidaram pra participar, não entendi o motivo por eles terem me chamado, afinal, eu nunca tinha falado com eles, estava inseguro por ser a minha primeira vez na corrida, mas mesmo assim aceitei. Passaram-se as duas semanas, já estavam a postos todas as bigas, a minha carruagem era toda de bronze e ferro, os cavalos eram autômatos mágicos. A biga de Ares era vermelho-sangue, puxada por dois esqueletos de cavalo, a de Hermes era verde e parecia um pouco velha, provavelmente estava cheia de truques. Começou a corrida com Thiago e eu na biga, não posso dizer quem estava nas outras bigas, pois não sabia seus nomes, pareciam ser muito hábeis.
Thiago disse: — Não se importe com eles, apenas defenda a carruagem, que o resto é comigo!
– esta bem. – disse um pouco inseguro. Na primeira curva a carruagem de Ares chegou perto da nossa e começou a tentar nos atingir.
Thiago gritou: — acerte-os, rápido!
– não tenho nenhuma espada. – respondi a ele.
– tem uma do seu lado, use-a! – disse ele. Era uma bela espada, toda feita de bronze celestial, não era bom no combate de curta distancia, mas não sei como, consegui desviar os ataques e empurrá-los para longe, nesse momento puxei iliakos do pescoço e atirei uma flecha no pneu da carruagem deles, eles começaram a diminuir de velocidade e eu acertei no outro pneu, os filhos de Ares e Dionísio praguejaram algumas coisas em grego. Estávamos em segundo, logo atrás da carruagem de Hermes, os cavalos deles eram muito rápidos, mas conseguimos chegar perto, faltavam duas curvas para o fim, quando Thiago disse para eu pegar o comando dos cavalos, ele começou a lutar intensamente contra um filho de Atena, ele recuou um pouco para trás e atirou sua espada contra a corda que prendia o cavalo na carruagem, ele acertou e a corda se rompeu, eles ficaram com um apenas um cavalo, foram perdendo velocidade e nós os ultrapassamos, mas mesmo com apenas um cavalo, eles ainda eram rápidos, Thiago pegou o domínio dos cavalos de novo, comecei a atirar várias flechas no chão para retardar um pouco, deu certo, consegui fazê-los ficarem mais lentos, faltava apenas 100 metros para acabar a corrida quando acabou as minhas flechas, eles se aproximaram, mas já era tarde demais para tentarem algo, passamos a linha de chegada com eles praticamente do nosso lado, mas nós ganhamos. Todos dos nossos chalés nos abraçaram e nos carregaram, estavam comemorando muito a vitória. No dia seguinte, acabara de acordar e vira na minha estante que fica ao lado de minha cama uma arma de 65 cm, ela era de dois materiais diferentes, metade bronze celestial e a outra metade de aço, era muito curta pra ser uma espada, por isso a chamei de adaga, eu sei que adagas são mais curtas, mas achei esse nome apropriado, pois ela tinha todas as características de uma adaga, ao lado dela tinha um papel escrito: “ Um pequeno presente dos filhos de Hefesto por sua ajuda na vitoria de ontem, use-a com sabedoria. Ass: Thiago e Erick.’’ Fui até o chalé de Hefesto agradecê-los e depois fui ao campo de batalha treinar com a minha nova arma, ela se encaixou perfeitamente em minha mão, desferi vários golpes em uma arvore e em um boneco de treinos, passei o dia todo treinando, no fim do dia estava exausto, jantei e fui direto para cama dormir, no outro dia foi mesma coisa, passei o dia inteiro treinando o combate de curta distancia e isso se sucedeu pelo resto da semana. Após uma semana de treinamento intensivo, Thiago chegou comigo e disse que Quíron havia designado uma missão para ele, ele teria que chamar mais dois semideuses para acompanhá-lo nela, chamou seu irmão Erick e para a minha surpresa, me chamou para ir junto, seria minha primeira missão, ele disse que é uma missão simples, mas que poderia ter certos perigos no caminho. A missão é ir atrás de uma planta medicinal chamada Aloe Vera, no dia seguinte partimos em busca dessa pequena planta, caminhamos por três dias, estamos em uma floresta muito extensa, quando encontramos um grupo de garotos armados com arcos e espadas acompanhados de um homem mais velho, aproximadamente uns 25 anos, eu senti algo diferente ao olhar para aquele homem, senti raiva, não entendi o motivo disso. Nós nos aproximamos deles e Erick disse: — quem são vocês?
–Caçadores de Órion e esse homem é o nosso mestre, o próprio Órion – disse um dos garotos. Naquele momento entendi o porquê de não gostar daquele homem, meu o pai o odeia e eu devo ter herdado isso dele. Órion era um gigante caçador, amado por Ártemis, com quem quase se casou. O irmão de Ártemis,meu pai, Apolo, por sua vez, se aborrecia com tal aproximação entre os dois, chegando a censurar diversas vezes sem nunca obter resultado. Certo dia meu pai teve a oportunidade de se ver livre de seus aborrecimentos, percebendo que Órion vadeava pelo mar apenas com a cabeça fora d’água desafiou sua irmã, outra exímia caçadora, a acertar o alvo que distante se movia. Impecável em sua pontaria ela atingiu seu amado, que fugia de um escorpião que Apolo havia enviado para matá-lo. Pelo visto ele tinha voltado dos mortos e agora formara uma equipe apenas de garotos, nós contamos para eles nossa missão, eles disseram que sabiam onde tinha essa planta e que iriam buscá-la para nós, mas em troca queriam um duelo, Renan, que depois de algum tempo foi reclamado como filho de Hades disse: — estamos há muito tempo sem travar uma batalha digna, vocês semideuses poderiam batalhar conosco apenas como treinamento?
– mas somos apenas três, vocês são mais de uma dúzia, não seria justo – disse Thiago.
– então poderá ser uma batalha um a um, escolham um de vocês e escolhemos um dos nossos, certo? – disse Renan, enquanto no canto Órion mostrava um sorriso malicioso.
– O.K – disse Thiago.
– eu vou – disse a eles.
– certo semideus, você é filho de quem? – disse Órion.
– Apolo! – eu o respondi. Ele me lançou um olhar de ódio quando eu disse que era filho de Apolo.
– como será o combate? – eu perguntei a eles.
– será dividido em duas partes, a primeira será de uma disputa de arco e flecha e a segunda um duelo de curta distancia, tudo bem pra você? – disse Aníbal, o braço dele era diferente, parecia mecânico.
Thiago me puxou e disse: — você tem certeza que quer fazer isso? Você ainda não é bom na luta de espadas.
– não se preocupe, sei o que estou fazendo! – respondi a ele.
– certo, então eu irei para essa batalha – disse Renan. Vinte alvos foram posicionados, dez para cada, quem acertasse os seus dez alvos primeiro ganha, puxei iliakos do pescoço e ele transformou-se em um belo arco de vibranium, presente que eu recebera de meu pai, Renan tirou seu arco da costa, também é um belo arco, todo negro. Então começou a disputa, rapidamente todos os alvos foram acertados por nós dois, terminamos praticamente juntos, eu não sabia se tinha ganho, então Órion disse: — vitoria do filho de Apolo. Suspirei de alívio, definitivamente aquele garoto é muito bom no arco e flecha, ele admitiu a derrota e deu um sorriso e também um sinal de positivo com o dedo.
– parabéns garoto, havia muito tempo que eu não perdia no arco e flecha, agora o duelo de curta distancia. – disse Renan. Ele puxou uma foice, não soube descrever o material de qual ela era feita, puxei minha adaga e começamos, tentei atacá-lo de todas as formas possíveis, mas ele é muito bom, defendeu todos, o máximo que consegui foi um minúsculo corte em sua perna, então ele começou a me atacar, em cima, em baixo, na cintura, era difícil prever seus movimentos, ele tem uma velocidade incrível, já estava todo ferido, mas não desisti, consegui acertar mais um golpe, agora no seu braço direito, nada muito grave, mas começou a sangrar, ele voltou a me atacar, deu um golpe com o cabo da foice, na qual eu desviei, mas ele foi mais rápido e iria me atingir bem na barriga com a lamina da sua foice, certamente eu iria morrer com aquele golpe, mas eu vi um escudo parando o ataque, fiquei meio atordoado por causa dos ferimentos e quando vi, foi Aníbal que transformara seu braço em um escudo e me salvara enquanto Erick e Thiago me puxaram pra longe do alcance da foice.
– fim de luta, vitoria de Renan – disse Órion com um sorriso no rosto. Senti ódio em meu corpo, não suporto perder, queria voltar a lutar, mas meu corpo não aguentara, estava completamente destruído, ainda consegui dizer que um dia teria uma revanche contra ele, Renan sorriu e disse que esperaria ansioso por esse dia.
– temos que voltar ao acampamento, rápido, ele esta perdendo muito sangue. – disse Thiago. Um dos caçadores chegou perto de Erick e lhe entregou a planta que procurávamos, Órion nos disse que tinha mandado o procurar a planta no momento que começou a batalha, nos despedimos dos caçadores, Erick e Thiago me carregaram de volta ao acampamento. Fiquei uma semana na enfermaria, quando me levantei, decidi que iria treinar o combate de curta distancia todos os dias e nunca mais iria perder para alguém.
Ω Ω Ω
Passaram-se 11 meses depois de eu ter matado o Rodrigo e quase ser morto por Hades, tudo tinha voltado ao normal, apesar de alguns me temerem e os filhos de Hades me odiarem, mas fora isso, tava tudo como antes no acampamento. Levantei-me da cama, tomei banho, me arrumei e fui acordar os meus irmãos, como conselheiro sempre era o primeiro a acordar, acordei todos falei pra irem tomar café. Estava saindo do chalé, olhei para minha cama e na parede próxima dela estava a minha adaga quebrada e com o sangue daquele filho de Hades, lembrei-me daquele dia e que se não fosse por Zeus, estaria morto agora, todos os dias na fogueira dava oferendas para o meu pai e ele como agradecimento, quero um dia poder agradecê-lo pessoalmente. Fui até o salão de esgrima e lá estavam uns dos meus dois alunos, Erick, filho de Hefesto e a linda Isabella, filha de Atena, eu já sou instrutor de esgrima há mais de um ano, eu sou diferente dos antigos instrutores, pois não uso um sabre e sim a minha adaga... qual infelizmente foi quebrada, mas os filhos de Hefesto criaram uma nova para mim idêntica a antiga. Fiquei cerca de duas horas treinando-os, nós estávamos exaustos, disse: — Podem ir, de tarde treinamos mais!
– O.K! – responderam os dois. Thiago foi lá comigo e disse que teríamos de ir até a Casa Grande, pois Quíron iria falar algo sobre os nossos sonhos. Chegando lá vi 2 semideuses diferentes, usavam roupas roxa e tinham o símbolo SPQR no braço. Naquela hora percebi que a missão de qual eu tanto esperava, esta prestes a começar.
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