Argonautas I
33 Lívia II
Como assim? Aquele homem que se dizia ser Deus Grego, na qual Dionísio estava dizendo que era meu pai sendo que eu nunca tive um?
Garret estava presente naquele lugar. Ele olhou para o homem e trocou olhares com mais outro que parecia o treinador do Hercules do desenho.
– Criança sou Quíron. Esse é seu sátiro, Garret. Ele vai te explicar tudo que você precisa, vai tirar as suas dúvidas – O cara parecido com o treinador do Hercules disse.
Garret me puxou e saímos daquele lugar. Notei que aquilo era um Acampamento. Mais o que eu fazia naquele lugar eu não sabia.
– Olha Lívia, tenho que te contar umas histórias – Ele disse. Aquele lugar era extraordinário. Avistei meninos correndo com uns arcos legais na mão. Uma menina estava tocando uma Harpa. Também notei que havia uma fogueira no centro, e tinha cabanas, mais precisamente chalés ao redor. Suas construções eram incríveis. Vi um que era da cor de sangue, e tinha arames farpados em seu teto. Havia duas pessoas na frente. Um menino e uma menina. Ambos me encararam e fiquei com medo, eram musculosos — Não tem a mitologia grega? Ela existe.
– Você está me falando que existem deuses, assim como nos mitos antigos? E ainda me diga o porquê de você está com estas pernas! Estou confusa, ou só tendo um sonho maluco como sempre.
– Bom, eu sou um sátiro. Lembra que eu nunca fazia atividades na educação física? – Balancei a cabeça confirmando – Era por isso. Sou metade humano e tenho cascos. Enfim, na mitologia grega existem deuses. Assim como esse chalé os representam. Começamos com o chalé um – Ele apontou para um chalé azul céu, tinha um águia na frente – Aquele é o chalé de Zeus, o rei dos deuses, senhor dos céus. E aquele ali ao lado é o chalé de Hera – Ele apontou para o chalé – Rainha dos céus, esposa de Zeus. Aquele ali é o chalé de Poseidon. Deus dos mares e terremotos, irmão de Zeus. Lembra-se daquela história de que eles eram filhos de Cronos?
– Lembro sim, que Zeus cortou seu pai em pedaços. Com a foice de seu pai – O chalé de Poseidon era azul, como a água. Tinha um tridente na frente, símbolo do seu poder. Garret apontou para o próximo chalé. Era verde, e tinha galhos ao redor. Plantações na frente – Demeter, certo?
– Isso, Lívia! Vamos lá! O próximo — Ele apontou para chalé vermelho onde tinha adolescentes nos encarando – É de Ares, o deus da guerra. Seus filhos não são tão amigáveis assim, acostume-se. Próximo chalé é o de Atena – O chalé ao lado era espetacular. Sua construção era perfeita. Havia uma coruja na frente. Ele apontou para o chalé ao lado, era amarelo, e brilhava como o Sol.
– Apolo, deus do Sol e irmão de Ártemis?
– Isso! O de Ártemis é aquele ao lado. Mais ela não tem filhos. Jurou virgindade eterna, mais tem um grupo de meninas que segue ela em sua caça. Aquilo ali, marrom é o chalé de Hefesto, o deus do fogo e das forjas.
O chalé tinha uma machado e diversas coisas saindo dele. Garret me mostrou um chalé cor de rosa, todo enfeitadinho, que provavelmente era o chalé de Afrodite, deusa da Beleza.
– Aquele ali, é o chalé 11 – O chalé tinha algo que parecia o símbolo da medicina na frente – É de Hermes. O deus viajante e dos ladrões. Indico-te a conferir o bolso toda vez que for falar com alguns de seus filhos – Garret riu. Olhei pra ele assustada – Fica tranquila, Lívia. E aquele ali – Ele apontou para chalé ao lado. O chalé era lindo. Seu cheiro era convidativo, era de uvas frescas. Sorri. Tinhas parreiras e vinhas ao redor do chalé – É de Dionísio, seu pai.
– Então deuses existem? – Perguntei ainda olhando para o chalé. Tinha algo reconfortante e me atraia sempre a olhar para ele.
– Sim, e você é uma semideusa. Fim da linha para mim. Tenho que ir, Lívia – E com um aceno Garret me abandonou. Uma menina estava na frente do chalé ela acenou pra mim e entrou no chalé. Olhei para o chalé ao lado, era todo escuro. Atraiu minha atenção demais. A menina que estava em frente ao “meu” chalé me chamou atenção e eu sorri pra ela. Subi as escadas que tinham na frente e abri a porta do chalé. O cheiro era incrivelmente delicioso.
– Ah sim, a novata – Falou uma menina. Olhei para ela e ela sorriu pra mim, mais não tão amigável – Olá, novata, sou Katlin, conselheira chefe do chalé de Dionísio. Seu nome?
– Lívia. Lívia Poty – Falei. Todos me olhavam como se eu fosse uma pessoa estranha. Ok, eu sei que sou mais não suporto gente me olhando. Katlin riu e chegou perto.
– Novata, não sabemos o motivo do meu pai mesmo do Olimpo e vim te reclamar – Ela falou com uma faca na mão – é bem vinda. Teremos aulas de esgrima e controle de poderes, o que eu duvido muito que se sairá bem. Ou melhor, que eu.
– Aulas de quê? – Perguntei confusa. Katlin riu, provavelmente de mim – Não sou boa em espadas! Nunca peguei em uma na minha vida!
– Mais deverá ser boa, ou morrerá no futuro caça a bandeira. Jannet?
– Sim, senhora, quer dizer, Katlin – A tal Jannet pronunciou. Ela tinha a pele branca, cabelos castanhos escuros, cacheados e tinha bochechas vermelhas. No caso, quase as mesmas aparências que eu. O diferenciava era que eu era morena.
– Ajude à novata! O resto – Ela apontou para as pessoas no chalé – Faça algo de útil além de beber. Estou cansada de ser chamada de cachaceira que não faz nada pela reputação de vocês.
Katlin saiu com mais três meninas.
– Oi, Lívia! Vou te ajudar a se enturmar no chalé ou talvez no Acampamento. Aquela ali é sua cama – Ela me levou até uma cama vazia, e coloquei minha mochila nela. Não tinha muita coisa – não liga pra Katlin, ela é meio mandona mais...
– Meio, Jannet? – Um menino que estava ao lado da minha cama disse. Ele era parecido com Jannet, tinham as mesmas aparências – Ela é mandona mesmo, Lívia. Prazer, Peter – Ele sorriu e eu retribui.
– E, bom, o que ela disse sobre treinar? – Perguntei.
– Ah sim, terá uns duelos mais tarde. Você não irá participar. Mais devemos te ajudar em algo – Jannet disse pensativa – Vou te ajudar no controle de poderes. Peter pode te ajudar na esgrima, certo, Peter?
– Certo.
– Então, Lívia, que tal treinar seus poderes agora? Seria bom pra você já saber como fica – Disse Jannet. Saímos do chalé e fomos andando até um lugar isolado, perto de um lago. Havia poucas pessoas ali – Faça assim. Se concentre e conseguirá isso – Jannet fez vinhas saírem do chão – Agora, tente.
Fechei os olhos, e tentei. Nada. Os campistas que estavam ali riram baixo.
– Hum, me deixa pensar... Ah, tente pensar em algo, como se estivessem machucando quem você ama. Você tem uma mãe, certo? – Confirmei – Pense nela. Como se ela estivesse sendo atacada, por alguém. Por uma fúria. E pense que se você não a ajudar, ela morre.
Eu fechei os olhos novamente. A imagem de minha mãe sendo atacada me matou por dentro. Ela era a única que me amava nesse mundo. Senti uma corrente elétrica passando por meu corpo. Quando abri meus olhos, tinha vinhas em tudo quando é canto. Elas prenderam alguns campistas que estavam presentes. Jannet me encarava boquiaberta.
– Como você conseguiu fazer isso? Nem eu que sou desse nível em Controle de Poderes... — Ela me encarou.
– Eu... Não sei. Somente fiz.
– Certo, chega de treino por hoje. Vá descansar. Teremos a fogueira mais tarde – Jannet saiu. Outra vez, estava perdida naquele lugar.
A cada dia que treinava mais forte eu ficava. Sempre havia rumores no chalé de Dionísio, sobre eu ser mais forte que minha irmã, Katlin. Era sempre assim, de manhã, antes do café, tinha controle de poderes com Jannet. Depois do almoço, tinha aulas de Esgrima com Peter. Certo dia, Katlin foi me ver treinar e discutiu comigo, e me humilhou como sempre fazia. Os únicos que ficavam me protegendo era Jannet e Peter.
O esperado Caça a Bandeiras chegou, e nosso chalé fez aliança com o de Atena. Nesse dia, ganhamos como o esperado o chalé de Hefesto e Jannet me presenteou com um batom roxo.
Já havia feito 15 anos, e as coisas começaram a mudar. Tinha pesadelos, quase todas as noites. Algo que compartilhava com Júlia e Isabela, ambas as filhas de Atena, que tinham os mesmos sonhos que eu. Tudo mudou demais, quando aconteceu outro Caça a Bandeira e perdemos. Mas teve um lado bom, conheci Renan, que naquele mesmo dia ele foi reclamado por Hades depois de tentar me matar e eu ter lhe dado um beijo. Naquela noite na hora da fogueira tive uma conversa com Thiago, ele mencionou uma missão e também mencionou que eu faria parte dela.
Disse que eu devia me preparar, pois tudo seria revelado brevemente.
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