Arella, a Mãe de Ravena
2 O Ritual
O homem aparentava ter em torno de cinqüenta anos, cabelos grisalhos, encorpado, mas não muito alto. Trajava uma túnica azul celeste, com dois bolsos na frente, logo abaixo da corda branca amarrada na cintura.
A forma que era amarrada a corda era estranha, eram duas argolas cruzadas, que se localizavam exatamente sobre o umbigo. Sua roupa era igual a dos outros integrantes daquela igreja.O homem levou-a em direção a uma parede próxima ao altar e afastou a cortina vermelha espessa, revelando a existência de uma porta alta e estreita, feita em madeira escura e esculpida com símbolos, os quais Ângela não sabia o seu significado.Retirando uma chave do bolso da sua túnica, uma chave dourada, colocou na fechadura, abriu e entrou. Ângela estava incerta se deveria seguir o velho homem para dentro daquela sala desconhecida.Olhou para trás e os "fiéis" continuavam a rezar tranqüilamente. Isso a fez se sentir segura, rompendo momentaneamente suas dúvidas e acompanhar o velho homem.No interior da sala podia-se ver outro altar, só que este era mais enfeitado, na frente do altar tinha muitas velas, todas acesas. O homem a observava, até que realmente ele disse a ela.— Ângela, há uns dias atrás eu tive uma visão, e essa visão dizia que uma jovem viria a nosso encontro. — disse o homem sério.Ângela prestava atenção em cada palavra que o velho homem dizia.— E hoje você apareceu aqui, e eu pude sentir que era você a escolhida. – Disse o homem.— Escolhida pra que? – Perguntou Ângela com curiosidade.— Para ser a invocadora de Trigon. – Disse o homem.— Quem é Trigon? – Perguntou Ângela. — É um "ser supremo" interdimencional, mas você não precisa saber mais. – Disse o homem. — Como eu vou fazer para invocá-lo? – Perguntou Ângela.— Pode deixar que isso é comigo, você só precisa ficar no meio deste circulo. – O homem apontou para um círculo desenhado no chão.Ângela foi para o meio do circulo, e ficou a observar quando o homem pegou algumas velas e as colocou na linha do circulo. Quando terminou ele se virou para Ângela e perguntou:— Você está pronta querida?— Acho que sim. – Respondeu Ângela.Ângela postou-se dentro do círculo silenciosamente, observando atentamente as feições no rosto do velho homem. Ouvia-o recitar palavras em uma língua estranha, devia ser muito antiga e até extinta. Aos poucos, o pentagrama no chão irradiava luz branca e isso a tranqüilizou, por um momento pensou em desistir.Subitamente, uma voz desconhecida invadiu sua mente, pedindo que fosse embora, que o que fazia era errado, que não estava a ajudar "um ser de luz que traria apenas benefícios para a humanidade" como disse o velho homem. Certamente essa voz está errada, pensou Ângela. Tentou voltar a se concentra, fechou os olhos e limpou todo e qualquer pensamento de sua mente.Sem que a garota percebesse, o pentagrama passou a irradiar, de luz branca e límpida, luz azul escuro e depois preta, ao mesmo tempo em que se tornava intangível e translúcido, girando em altíssima velocidade na altura do seu peito. Ângela sentiu-se fraca e desmaiou de encontro ao chão.
Fale com o autor