Are You Satisfied?

1 Capítulo Único


Enquanto Marina distraia o garoto do caixa, Alexander pegou duas vodkas e alguns maços de cigarros, escondendo-os dentro do grande casaco que usava.

‑ Bem, você poderia me dar seu telefone e... – ouviu-a dizer baixinho. Rolando os olhos, caminhou até onde ela estava e pegou-a pelo braço.

- Eles não tinham o cigarro que eu queria. – falou, seco.

Marina levantou a sobrancelha e correu os olhos para onde suas mãos apertavam-na. Alexander rangeu os dentes e soltou-a lentamente. Ela deu um sorriso de escárnio e virou-se para o atendente.

- Eu preciso ir, docinho. Foi ótimo conversar com você.

- Mas você não me deu seu telefone... – ele tentou gritar, mas era tarde demais. Ambos já tinham saído porta a fora.

O vento frio bateu nos ombros de Marina, fazendo-a aperta sua blusa vermelha contra o corpo, fechando-a na frente. Com uma das mãos, tirou a peruca loira que usava e jogou-a na lixeira ao lado do carro. Abriu a porta agradecendo aos deuses por terem pegado um carro com aquecedor.

Alexander fechou a porta com um estrondo e deu partida sem dizer nada. Não que isso fizesse muita diferença, nessa altura do campeonato. Já tinham passado da fase de conversinhas bobas para encher o tempo. Marina e ele se conheciam muito bem, assim como funcionavam muito bem juntos. Como um quebra-cabeça de mau gosto que a vida juntara por mero capricho.

- Conseguiu os cigarros? – perguntou, por fim.

Ele riu e olhou-a.

- Eu sempre consigo. – respondeu. Com um movimento, jogou os maços no colo dela, e colocou uma das garrafas em sua mão.

Marina olhou os supostos “cigarros” que Alexander pegara.

- Filtro branco? Sério? Eu tenho cara de madame pra fumar filtro branco, porra? – gritou.

- Se você quisesse algo mais especifico, deveria ter dormido com o cabacinho do caixa. Ou ter você mesmo roubado a merda dos cigarros. – sem esperar resposta, ele pegou os maços, amassou-os e jogou-os janela a fora. – Satisfeita?

- Você é um babaca... – ela sussurrou, cruzando os braços de forma irritada.

Alexander respirou fundo e tentou ignorá-la. Com todas as suas forças. Mas cada célula de seu corpo gritava para olhá-la. Mesmo sabendo exatamente como seria sua expressão agora. Sobrancelha levantada, olhos ligeiramente cerrados e lábios franzidos. Aquela expressão que o fizera delirar desde primeira vez que a vira, como um idiota que era.

Sem dar atenção a sua razão, levou sua mão até a coxa de Marina, deslizando para a parte interna da perna.

- O que está fazendo? – ela perguntou, com os braços ainda cruzados, e os olhos acompanhando Alexander atentamente.

- O que você acha? – ele retrucou, enquanto estacionava o carro no acostamento de terra.

Marina riu e mordeu os grossos lábios. Seus olhos agora observavam Alex que se aproximava lentamente, tirando o casaco.

- Estamos no meio do nada, à noite, e você estaciona?

Sem responder, ele beijou-a. Lentamente, abaixou o banco para que ela ficasse quase completamente na horizontal. Então, apoiou um de seus joelhos no banco e jogou a outra perna, para também apoiá-la. Assim, a garota ficou presa em suas coxas.

Não que isso fosse algum tipo de problema.

Marina riu novamente, dessa vez algo mais parecido com um gemido baixou de um gato. Suas mãos deslizaram-se pelo abdômen de Alexander, entrando por baixo de sua camisa. Suas longas unhas arranharam-no, fazendo-o contorcer-se num arrepio. Lentamente, ela puxou as barras da camisa para fazê-lo tira-la.

- Bem, isso não é justo... Você ainda está com todas as peças de roupa. Vamos dar um jeito nisso. – disse ao abrir os botões do jeans dela e puxar a calça para baixo, junto com o lingerie.

Marina estremeceu quando Alex começou a beijá-la no pescoço, descendo até seu baixo ventre. Suas mãos enrolaram-se nos fios castanhos dele quando Alexander começou a beijá-la entre as pernas. Quando estava próxima a atingir o ápice, ouviu uma batida forte na janela ao seu lado. Mas isso não fez Alex parar; ele apertou suas coxas e a fez gritar.

Rindo, e passando a língua entre os lábios teatralmente, ele levantou os olhos para a janela. Quem que fosse que estivesse lá fora estava começando a ficar impaciente. As batidas ficaram mais fortes e insistentes.

- Toma, se cobre. – Alex jogou a blusa para Marina vestir-se e foi para o banco do motorista. Quando ela ficou razoavelmente apresentável, e levantou o banco, ele baixou a janela.

Um policial com cara de irritado olhou-o com cara de desaprovação. Porém, quando rolou seus olhos para a garota, Alexander pode ver a malicia neles. Uma centelha de ciúmes correu suas veias. Apenas para ser apagada pela recordação de que haviam roubado aquela Mercedes, e quase tudo que carregavam no porta-malas.

Quando o silencio tornou-se muito longo, Marina tossiu alto.

- Bem, hãn, Senhor.. – ela tentou ler o nome escrito no uniforme – Grave. Como pode ver, nós estávamos meio ocupados, por isso não o atendemos mais rapidamente.

O policial ignorou-a, e pediu os documentos do carro. Foi então que Alexander tomou as rédeas da conversa. Tentando esconder a preocupação, ele abriu o porta-luvas e encontrou alguns papéis azuis. Abriu-os rapidamente e leu algo sobre documentos. Entregou-os para o policial sem hesitar.

Marina prendeu a respiração enquanto esperava o desfecho de tudo aquilo.

- Presumo que você seja o Sr Sullivan? – disse o policial, por fim. Alexander concordou com a cabeça. – E tem 56 anos? – perguntou, mostrando a carteira de motorista que estava junto aos documentos.

Alex jogou a cabeça contra o banco e amaldiçoou. Pensou em tentar dar partida e fugir, mas acabaria atropelando o policial e não queria mais um homicídio em sua consciência.

- Saiam do carro, por favor. – falou o homem. – E nem pense em colocar a camisa. Seu corpo ainda deve estar bem quente. – completou com sarcasmo.

Alexander e Marina desceram do carro e encostaram-se à viatura com os braços levantados. O policial algemou-os, colocou-os para dentro e dirigiu até a delegacia. Sem disfarçar, ele fazia questão de olhar para os seios de Marina, que estavam quase à mostra.

Ao chegar à delegacia, os três desceram e o casal foi separado em celas divididas por sexo.

Alexander foi jogado numa cela suja, pichada. Enquanto o policial levava a garota para uma ala mais afastada. O silêncio durou apenas uns minutos.

Mesmo longe, ele pôde ouvir os gemidos vindos da cela feminina. E podia presumir quem estava lá junto a ela, pois o policial não voltara.

Esmurrou parede até seus punhos doerem, e o barulho dos golpes abafarem os gemidos.

A tortura durou cerca de 20 minutos. Ela esta fazendo isso para nos tirar daqui, pensou. Respirando fundo, ouviu o barulho de ferrolhos sendo abertos e Marina apareceu saltitando, limpando os cantos dos lábios.

- Graças a Deus! – disse, aproximando-se das grades. – Vai nos tirar daqui, não é?

Ela riu, e andou até Alexander. Depositou um selinho em seus lábios.

- Se você quisesse algo mais especifico, deveria você mesmo ter feito boquete no tira.– disse, e saiu caminhando.

Deixando-o sem reação e sem liberdade.

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