Are You Happy Now?
7 Percy Jackson?4/4
Notas iniciais
Ele não tava sozinho, a irmã dele e os meus irmãos estavam ali também, mas eu não sabia disso naquela hora. Soltei o colchão e ele pegou com a maior facilidade. Enquanto ele o botava na sala, peguei um colchão á mais – de casal, tamanho king size – para fazermos bagunça. E sim, nossa sala é bastante grande para caber cinco colchões de solteiro e um de casal king size. Só era necessário arrastar alguns móveis, mas isso não era problema. Bom, não com o Percy ali. Joguei o último colchão e ele pegou com um pouco de dificuldade, logo percebemos e fomos ajudá-lo.
-Annie, vai tomar banho que a gente arruma aqui. – disse o Percy
-É, vai lá. – disseram os meninos.
-Eu ainda tenho que fazer alguma coisa pra vocês comerem.
-Nós fazemos enquanto eles arrumam. – disseram os meninos
-Não confio em vocês pra cozinhar pela segunda vez no mesmo dia. Além de que está escuro. Vocês podem se queimar e nem sabem ligar o fogão. Esqueçam.
-A gente ligou o fogão hoje!
-E quase queimaram a casa. – ironizei
Eles me fuzilaram com o olhar e eu ri.
-Eu faço, Annie. – disse o Percy
-Não deixa ele cozinhar, que fica horrível. Da até nojo! – disse a Mel
-Mentira! – disse ele
-É, é mentira, quando você não queima alguma coisa, até fica gostoso. Bom, menos daquela vez que... – ela fez um sinal de nojo
-É, aquela vez foi péssima. Mas eu sou qualquer coisa menos mau cozinheiro e bagunçado.
-Ta, ta, para de briga de novo! Meu Deus, vocês brigam mais que eu brigo com os dois juntos! – disse rindo e eles me acompanharam
-Papai e a mamãe não podem mais reclamar que a gente briga muito. – disse Bobby
-É.
-Gente. Já ta tarde, vamos adiantar as coisas, por favor? – perguntou a Mel em um tom engraçado de superioridade
-Vamos. Percy vem comigo e segura uma vela, por favor. Meninos e Mel vocês podem ficar ai, se quiserem dormir...
Sai andando até a cozinha e Percy me seguiu com a vela. Ele sentou na bancada mas do mesmo jeito a luz iluminava todo o aposento. Peguei uma panela e três saquinhos de miojo. Botei água para ferver enquanto abria os pacotinhos.
-Você não tem descanso, não? – perguntou Percy
-Geralmente é pior. – disse sentando ao lado dele, que pegou um dos pacotinhos o qual eu não conseguia abrir e o abriu com grande facilidade me deixando frustrada.
-Você não...cansa?
-Canso. Estou esgotada se você quer saber.
-É porque você não come direito.
-Não é não, e eu comi os marshmallows! Mas de um jeito ou de outro, a felicidade, o bem-estar dos outros é mais importante pra mim, do que o meu próprio. E eu sei quais são os meus deveres. Então, mesmo estando cansada, se eu tenho que botar os meninos para tomar banho, dar comida á eles e botá-los para dormir, eu vou fazer isso. É simples.
-Do mesmo jeito. De vez em quando eu também tenho que fazer isso com a minha irmã, mas da sempre errado. Eu tranco ela no carro sem querer, ela acaba tendo que fazer a própria comida (o que, acredite, não da muito certo) e dorme lá pelas três da manhã porque eu fico tocando guitarra e esqueço de fechar a porta, achando que estou sozinho. Sempre da tudo errado.
-É tudo questão de responsabilidade, Percy. Mas no fundo você sabe que ama a sua irmã.
-Amo. – me levantei e joguei o macarrão na panela. Ficamos em silêncio até a comida estar pronta e eu a dividir em quatro pratos. Ele pegou dois e eu peguei outros dois.
Na sala, nossos irmãos conversavam animadamente e riam bastante, apesar de um bocejo hora ou outra. Entregamos os pratos e Percy se juntou á eles.
-Meninos, quando acabarem, por favor, vão dormir, ta?
-Mas Annie! Não são nem onze horas da noite! – disseram os garotos
-E que horas são?
-Dez e meia. É hora de bebê ir dormir.E nós somos adolescentes. – disseram imitando o ar de superioridade da menina.
-Awn. Eu vou botar os meus dois adolescentes pra dormir nove horas da noite agora, se eles não pararem com isso, ta?
-Para Annie, que você ta parecendo nossa mãe. – disse Bobby
-E você é nossa irmã. – completou Matt
-Se eu fosse a Miranda, tava pegando o vídeo game de vocês e gritando porque não ia poder fazer chapinha. E se eu fosse nosso pai, tava pegando o vídeo game de vocês, o computador, trancando o armário da cozinha, dando um piti, gritando e falando no telefone ao mesmo tempo. – e tentando transar com sua irmã mais velha acrescentei mentalmente, mas obviamente não falei isso para eles. – Então fiquem quietinhos, falou? E eu sou boazinha, levei vocês no shopping, virei até cozinheira.
Eles ficaram quietos.
-O pai de vocês é bem bravo, hein.
-Só com a Annie. – disse Matt
-É. – concordou Bobby
-Ele não gosta de mim.
-Gosta sim, Annie.
-Não, ele não gosta.
-Como você sabe que ele não gosta?
-Eu sei, e como, não importa á vocês. Então come seu macarrão e me deixa em paz. Peguei uma vela e fui caminhando com cuidado para ela não cair – sempre tive medo de fogo, pavor, se quer saber. Fui até meu quarto e peguei uma calça de bailarina, cinza e um casaco de moletom também cinza com um desenho da Estátua da Liberdade. Eu o havia encontrado nas minhas coisas no dia seguinte ao que descobri que me mudaria, acho que meu pai ou a Miranda, deixou ali para tentar me fazer ver que Nova York era um lugar legal. Ou para não me deixar esquecer que teria que vir para esse inferno. Peguei minhas coisas e entrei no banheiro, deixando a vela em uma posição estratégica que iluminava todo o lugar. Liguei o chuveiro, que para a minha sorte ainda estava quente e me despi logo em seguida. Prendi meu cabelo em um coque para que não molhasse – já estava tarde para lava-lo e sem luz, não tinha secador, minha mãe sempre me ensinou a não dormir com o cabelo molhado – e entrei no boxe. Sentei no chão do banheiro tomando cuidado para que a água não caísse no meu cabelo, mas em todo o resto do meu corpo e senti lágrimas escorrendo involuntariamente pelas minhas bochechas. Olhei ao redor do banheiro mas meu olhar parou em uma coisa na bancada.
Uma navalha.
Não sei como ela foi parar ali – meu pai era o único que a usava para fazer a barba, mas ele usava no próprio banheiro, não no meu – mas isso não importava no momento. Me levantei com cuidado para não molhar todo o banheiro e peguei-a. Estava afiadíssima. Estendi meu braço esquerdo e arranquei o band daid com um único puxão mostrando o corte que estava ali. Não vai mais estar sozinho pensei e peguei a navalha.e passei-a lentamente no pulso, bem rente ao outro corte. Assim vai ser mais fácil de esconder. Pensei, mas quando me toquei, já era tarde demais. Um, dois, cinco, sete, e logo eram onze. Um mais forte e fundo do que o anterior. O chão do boxe do banheiro estava praticamente todo coberto pelo meu sangue que escorria (e até jorrava) dos cortes horizontais feitos no meu antebraço e pulso. Lavei-os com cuidado – eles ardem em contato com a água – e tomei meu banho. Ao sair, me vesti e tratei dos machucados com mais cuidado ainda, por qualquer coisa eles começam a sangrar, e cobri-os com band-dais. Me vesti e sai. Botei minha toalha para secar, voltei ao banheiro para pentear meu cabelo, e o prendi em uma trança bastante desgrenhada. Peguei a vela e fui até a sala. Estavam todos conversando e acabando de comer o macarrão.
-Oi, Annie. – disse a Mel. Todos me viram mas ficaram em silêncio.
-Oi, Mel.
-O banho estava bom?
-Sim.
Sentei no meu colchão e me enrolei no cobertor, me encostando no sofá. Fechei nos olhos e tentei não pensar em nada por um momento. Quando meus pensamentos estavam se esvaindo ouço um barulho estranho seguidos de aplausos e “eeeba”’s seguidos. Abri os olhos e vi a luz acesa, e a televisão ligada. A televisão mostrava um urgente de Nova York.
“A cidade foi encharcada. Está praticamente debaixo d’água. Os moradores provavelmente ficarão presos em suas casas por alguns dias até a água baixar. Não há previsão para quando poderão finalmente voltar a seus dias normais. As aulas foram canceladas. Não há feridos até o momento. Fiquem ligados.”
Alguém desligou a televisão assim que o repórter acabou de falar, o que deu aquele ar sinistro de filme de terror.
-Percy, Mel, é melhor vocês ligarem para seus pais,não?
-É.
Percy levantou e voltou pouco tempo depois falando no celular.
-Mãe! Oi. A Mel ta bem. Eu e a Mel viemos aqui deixar minha amiga em casa e a gente parou para comer alguma coisa, a chuva começou e não deu tempo de sairmos. Não. Não da. Quando a água abaixar a gente vai. Não. Não vamos, mãe. Ta. Ahaaaam. Beijos. Mel, a mamãe disse que te ama. Ela também te ama, mãe. Ta. Tchau. – e desligou.
-Ta tudo bem com a mamãe?
-Aham. Ela estava em casa quando a chuva começou. Estava preocupada com você, baixinha. E queria que a gente fosse para casa.
-Nessa inundação? Nunca.
-É.
Momento tenso de silêncio.
-Annie, o macarrão que você fez estava óóootimo. Você cozinha muito bem, sabia?
-Obrigada, Mel.
-Falando em macarrão. – disse Percy e me olhou – Você não vai comer, não?
-É. Você não tem comido quase nada, Annie. – disse Bobby
-Eu to com...muita cólica. TPM. – menti – Querem ver algum filme?
Percy me olhou rápida mas repreensivamente.
-Quais são nossas opções? – perguntou Mel
Seguimos então em uma acirrada discussão sobre qual filme veríamos. Depois de bastante tempo resolver então ver um da saga Harry Potter. Fiz pipoca – e muita – e nos deitamos no colchão grande para ver o filme. Na metade do filme, as crianças já estavam dormindo, mas não Percy. Vi o filme pela quinquagésima vez, até que Percy dormiu – já no final, e para variar, Voldemort se deu mal. A chuva já tinha parado, então, com cuidado para não fazer barulho e acordar alguém, levantei e subi a escada em caracol do fim do corredor. No terraço, a chuva parara mas o vento forte ainda batia. Me apoiei na cerca com o vento batendo no meu rosto. Era uma sensação reconfortante. Peguei o celular e olhei as horas. Já passava de meia noite. A lua estava cheia e eu via sombras em todo lugar. Fiquei simplesmente pensando. Em nada e em tudo. Mas estava muito frio e eu achei que fosse congelar. Mas quando eu ia entrar... Senti alguma coisa ser colocada em meus ombros e do nada todo o frio se fora.
-Está frio aqui fora.
-Percy? O que faz aqui? – perguntei enquanto me embrulhava no edredom que ele trouxera.
-Procurando por uma donzela perdida. Viu alguma?
Ri.
-E você? O que está fazendo? Devem estar uns 30 graus negativos aqui.
-Você é tão exagerado. E estou só pensando...
-Um dólar pelos seus pensamentos.
-Não quero um dólar e você nunca vai saber meus pensamentos.
Ele riu e então ficamos em silêncio. Olhei a lua e as árvores balançando. Nova York era uma cidade linda, afinal de contas. Mas não é como Londres. Os Estados Unidos são muito diferentes da Inglaterra.
-Seu pai gosta de você, Annie. Não da pra alguém não gostar de uma pessoa como você.
-Você não me conhece, ta? Você não sabe nada da minha vida, então não vem falar do que você não sabe.
-Vamos ver, eu sei que você sofre de bulimia. Que gosta de rock, que brigou com a sua melhor amiga. Que morava na Inglaterra e se mudou porque seu pai foi transferido. Eu sei que você se da muito bem com seus irmãos apesar de brigarem bastante, e sei que você é tudo para eles. Eu sei que você toca violão, e sei que é ótima na guitarra sem nunca ter te ouvido tocar. Eu sei que estamos em uma banda. Eu sei que você não tem amigas na escola, porque é muito tímida e sei que a Rachel tem inveja de você, por isso te fala aquelas coisas. Eu sei que seu pai se casou de novo depois que a sua mãe morreu em um acidente de carro,e que no fundo, você odeia sua madrasta apesar de não deixar as pessoas saberem isso. Você tem uma relação difícil com seu pai e ninguém sabe pelo que você passa. Você é diferente de todas as outras garotas. E tem um garoto da escola apaixonado por você.
-Nenhum garoto gosta de mim. Nem garota. Nem professor. Ninguém.
-Esse garoto gosta.
-Duvido. Todos os garotos da escola me zoam. Todas as pessoas da escola. Lembra no primeiro dia de aula que eu tropecei e cai em cima da mesa ficando toda suja? O refeitório inteiro riu.
-Quando?
-Segunda feira. No meu primeiro dia de aula.
-Eu não lembro disso. Não vi você caindo.
-Pergunta pra sua namorada. Ela sabe. Ela viu. Eu cai na mesa ao lado da dela.
-Mas bom, isso não vem ao caso. Eu sei que você está em um caso sério de depressão. Eu sei que você é linda.
-Eu sei que você é mentiroso e não estou me gabando por isso. – ri
-Não estou me gabando. Só estou te provando que eu te conheço.
-E posso saber como você me conhece se a primeira vez que a gente se falou direito foi hoje no banheiro abandonado do quarto andar?
-Tecnicamente ontem, e a gente se falou no seu primeiro dia de aula, lembra? Quando a Rachel te fez tropeçar e você ia bater a cabeça na porta mas eu te salvei de um galo.
-Nem me lembra. Mas você não respondeu minha pergunta.
-Seus olhos. Eu consigo ver o que você está sentindo. É estranho. Como se estivéssemos ligados de algum jeito.
O que tem meus olhos? Eles são estranhos, isso eu já sei, cinzas. Que tipo de pessoa normal tem os olhos CINZAS? Os dele são verdes. E são totalmente perfeitos.
Ele riu.
-O que houve?
-Sua sobrancelha. Quando você fica pensativa ela fica franzida.
Ri também.
Mais um momento de silêncio.
-Você se da bem com seus pais? Eu não posso ser a única pessoa do mundo que briga com os pais.
-Acredite, você não é a única. Eu brigo com os meus todo dia. E sabe o Luke? Ele fugiu de casa quando era menor. A polícia achou ele e levou-o de volta. Mas agora ele mora em um apartamento no andar debaixo ao apartamento dos pais. Os pais nem ligam para ele. Principalmente o pai. A mãe aloprou e fica esperando ele voltar para casa. Mas ele nunca vai voltar.
-Porque você briga com seus pais? Sem querer ser intrometida nem nada.
-Na realidade meus pais são separados. Mas eles ainda moram juntos, e meu padrasto também. Minha mãe vive brigando com os dois. E na realidade, minha mãe só se importa com a Mel. Meu pai quando está em casa só serve para falar que eu sou um imprestável, que não tenho futuro, que sou inútil entre outros. Minha mãe é exatamente igual e meu padrasto é um bêbado louco que não trabalha e não faz nada da vida. Ele trai a minha mãe e ela nem sabe. É o maior vagabundo. Mas meus pais não aceitam que eu quero ser músico. Eles acham que isso não é profissão. Na cabeça deles eu tenho que ser um advogado famoso, ficar rico e banca-los. Mas eu não gosto de direito, não tenho vontade de fazer... E eu não sou bom aluno. Eles acham que eu não tenho futuro, que vou acabar virando um mendigo ou coisa parecida. Tudo por conta da porcaria da dislexia.
-Você é disléxico? – não era a melhor coisa para se perguntar no momento mas eu falei sem nem pensar.
-Sim. – disse envergonhado –Não entendo nada da escola. As letras flutuam quando eu tento ler alguma coisa. Como uma sopa de letrinhas. Quando alguém está falando uma coisa na qual eu não esteja interessado, ou seja, qualquer matéria da escola, minha mente voa para outro lugar e eu não consigo prestar atenção. É tão frustrante. Eu não entendo nada.
-Na minha escola na Inglaterra, eu era monitora, ajudava crianças menores e até pessoas da minha turma. Uma das meninas que eu ajudava era disléxica e ela se tornou uma ótima aluna. Se quiser, eu posso te ajudar a estudar.
-Sério?
-Sim. Mas uma condição.
-Qual?
-Você vai ter que me ensinar a tocar guitarra direito.
-Fechado. Mas ei, por favor, não fala pras pessoas que eu sou disléxico? Por favor.
-Claro que não. Eu nunca falaria.
Ficamos mais uma vez em silêncio até que ele puxou um banquinho até perto da cerca, sentou e fez para que eu sentasse ao seu lado. Sentei e me enrolei no cobertor. Ele indicou que chegasse mais perto e eu sentei. Nossas pernas se roçavam. Ele passou o braço pelo meu ombro e aconchegou minha cabeça em seu ombro.
-Rachel não gostaria disso.
-Eu vou terminar com ela. Se você quiser eu termino agora mesmo.
-Não, eu...
Mas ele já havia pego o celular e discado o número dela. Estávamos tão perto que eu podia ouvi-la mesmo que estivesse falando baixo.
-Alô? – a voz era sonolenta, mas nem tanto.
-Rachel?
-Percy? – ela se animou – Amor! Cadê você? O que houve?
-Rachel, precisamos conversar.
-Mas agora? Estou ocupada organizando minhas maquiagens.
-Á meia noite?
-Eu comecei mais cedo, mas só agora estou acabando.
-Rachel, temos que conversar. Eu não quero mais ficar com você, ta? Eu só... você não é pra mim, ta?
-E quem é? Aquela gorda nerd da escola?
-Ela não é gorda e ela não é nerd. E se você chama-la assim de novo toda a escola vai saber daquele seu segredinho.
-Amor!
-Me chama de Percy, viu? E está acabado, desculpa, Rachel. Tenha uma... – mas ela desligou.
-Eu fui grosso?
-Não. E obrigada.
-Que bom, eu não aguento grosseria. E não foi por nada. Deita aqui. – ele disse indicando que eu deitasse com a cabeça em seu peito. Cautelosamente, o fiz, alojando minha cabeça bem a cima do coração. Conseguia ouvir seus batimentos. Ele fez carinho em mim e mexeu nos meus cabelos.
-Adoro esse seu cabelo loiro natural. É tão lindo. Diferente do oxigenado das garotas da escola.
-Obrigada. – aposto que corei
-Digo só a verdade. E você fica linda mesmo sem maquiagem. É incrível.
-Obrigada de novo.
-Continuo dizendo apenas a verdade.
Ficamos em silêncio pelo que se pareceram horas. Mas não me importei. Estava quase pegando no sono quando ele me chamou.
-Annie. Está frio aqui. É melhor entrarmos.
-É, é.
Ele me enrolou no cobertor e voltamos lá para dentro. Nos deitamos – cada um em sua cama, e eram bem longe, não pensem besteira – e, não sei ele, mas eu dormi logo em seguida.
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