Are You Afraid Of The Dark?
10 Sometimes the simplest move is right.
Notas iniciais
Jeremy estava surpreso com a facilidade que Melanie conseguia mexer os quadris. Ele nunca tinha prestado atenção de verdade nela até aquele dia, então agora se perguntava como poderia ter deixado passar o quão gostosa ela era com aquelas pernas longas e cabelos pesados que batiam na cintura.
I, I follow
I follow you deep sea baby,
Ela praticamente se jogava de lá pra cá enquanto dançava, ele não pôde deixar de sentir um arrepio subindo pela espinha quando ela virou de frente pra ele e começou a descer da mesa que estava em cima ainda rebolando.
I, I follow
I follow you dark room honey,
O pó que ele tinha cheirado há uns dez minutos no balcão das bebidas só agora começava a fazer efeito, ele se sentia elétrico e pronto pra pular de uma ponte se precisasse. Melanie vinha andando na direção dele, ele se desencostou da parede e deu um passo pra frente no mesmo segundo que ela chegava muito perto.
You're my river running high, run deep run wild
Jeremy não perdeu tempo antes de pegá-la pela cintura e começar a se mexer junto com a batida
I, I follow,
I follow you deep sea baby,
– Não sabia que você dançava – ela sussurrou no ouvido dele
Ele sorriu antes de responder – Certeza que não é a única coisa que você não sabe sobre mim.
Mel riu. Uma risadinha que ele mais sentiu do que ouviu.
Ela se pressionou ainda mais contra ele, fazendo com que o garoto involuntariamente cheirasse seu cabelo.
Merda.
Ela tinha um cheiro doce, quase enjoativo, muito parecido com o da Ester.
Que inferno, pensou, antes de empurrar os pensamentos sobre Ester pro fundo da mente. Aquela vadia tava acabando com ele, ele detestava o quanto gostava dela e o quanto ela parecia cem por cento nem aí pra isso. Se forçou a não pensar mais sobre aquilo e abraçou a Mel, enterrando o rosto no pescoço dela.
A música acabou e ele soltou a cintura dela, mesmo assim a garota não se mexeu do lugar. As incontáveis doses de gim que tinha tomado faziam o coração dele acelerar loucamente, Jeremy sabia que o Natan provavelmente ia querer esganar ele quando soubesse disso, mas não aguentou mais, beijou a Mel.
O que ele realmente não esperava é que ela fosse sair correndo dois segundos depois parecendo mortificadíssima.
Jeremy mal pôde contemplar a ideia de sair correndo atrás da garota antes de sentir alguém o puxando pela camisa. Olhou pra trás e deu de cara com a Ester.
Puta que pariu. Jeremy ás vezes esquecia o quão linda ela era, até que a garota aparecia de surpresa na frente dele daquele jeito, usando nada menos que um vestido decotado preto e os cabelos presos mostrando aqueles olhos enormes de desenho animado. Ela sorriu pra ele e o abraçou – Foi mal a demora, acabei perdendo a noção do tempo – disse.
Jeremy quase fez um comentário sarcástico, quase. – Tá tudo bem, — respondeu – quer beber alguma coisa?
– Só se for Malibu com licor de menta.
Jer riu antes de pegá-la pela mão.
– Só se for agora.
E eles beberam, e não só uma vez. Não deu três viradas de copo e a Ester já tava tropeçando pelo pub, indo atrás das garotas e levando um Jeremy extremamente tonto junto pelo braço.
– Eu não entendo o conceito de um pub no meio de Londres tocando Rihanna, sinceramente – comentou, enquanto tentava se equilibrar nos saltos.
– Se tá tão incomodada, porque tá cantando junto então?
Ela fechou a cara – Cala boca, Jeremy, eu não tô.
E continuou a murmurar Shut Up and Drive.
Eles encontraram o resto da galera amontoada em uma mesa no comecinho do bar, o único que parecia mais sóbrio era o Nick, Tiff já tinha subido em uma cadeira e dançava com todas as piores musicas pop do momento.
– Já sei, — disse um Zack totalmente estragado (Jeremy chegou a esse conclusão baseado no fato de que Zack não conseguia mais ficar em pé sem segurar na mesa com as duas mãos) – a gente devia jogar verdade ou desafio. E não esperou ninguém responder antes de pegar uma garrafa de cerveja e girar ela no meio da mesa.
– Okay, Nick, verdade ou desafio? – perguntou.
– Verdade, – disse o Nick – e é melhor isso valer a pena.
– É verdade que tu tava comendo a Ester antes de chegar aqui?
Nick lançou um olhar pra garota que ainda tava do lado do Jeremy e ela deu um leve aceno. Jeremy queria esganar os dois.
– É verdade.
O bar inteiro virou pra mesa deles quando os imbecis começaram a gritar.
– E aí, foi bom? – perguntou a Mel. – Nick jogou os cabelos pra trás da orelha e fez que sim com a cabeça.
Okay, agora o Jeremy queria definitivamente esganar ele.
– Tá bom, gente – gritou Ester – girem essa porcaria de novo.
E giraram. A garrafa caiu pro Jeremy e pra Tiff.
– E aí, Jer, verdade ou desafio?
– Desafio – respondeu sem nem pensar.
– Te desafio a beijar o Nick, e não selinho, beijo de verdade.
Jeremy deu de ombros, se a Ester podia ser filha da puta, ele também podia.
Tinha certeza que era o álcool falando quando circulou a mesa, pegou o Nick, que era um pouco mais baixo que ele pela nuca, e o beijou. Pensou que o garoto ia protestar, mas pra surpresa geral ele correspondeu o beijo, e agora nem podia mais culpar Ester por ficar com ele, Nick beijava muito bem. Merda.
Quando o beijo acabou, ambos ofegavam. Jeremy se sentia tão bêbado que tinha certeza que ia bater no chão no instante que Nick soltasse do braço dele. Se apoiou na parede e abaixou a cabeça, vendo o mundo girar.
– Tá tudo bem? – perguntou o Nick no ouvido dele, o resto da galera tinha voltado a girar a garrafa, muito bêbados pra prestar atenção em qualquer coisa.
Jeremy balançou a cabeça, tinha certeza que ia vomitar a qualquer segundo. Nick passou um braço pela cintura dele e o carregou pra fora do bar, viu vagamente a Ester correndo atrás deles antes de cruzar a porta.
– O que aconteceu? – perguntou ao Jeremy, sentando do lado dele na calçada.
– Não sei, Ester, dá um palpite. – respondeu, num murmuro. Nick ainda matinha uma mão no braço dele do outro lado.
– Isso é sobre eu e o Nick?
Jeremy deu um sorrisinho irônico.
– Não, é sobre a gente. Eu sou um idiota, e tu é uma vadia.
Ela não respondeu.
Nick começou a rir feito louco.
O garoto se sentia cada vez mais tonto a cada segundo que passava.
– Vou pra casa, — disse, enquanto tentava se levantar.
– Eu te levo – disseram a Ester e o Nick ao mesmo tempo.
Ele virou pros dois.
– Nem fodendo — falou pra Ester. – O Nick pode até ser, mas prefiro que tu fique longe de mim.
Ela fechou a cara antes de voltar pro bar pisando forte.
Nick ainda ria quando entrou no táxi junto com ele. Jeremy não tinha mais noção de tempo ou espaço, a cabeça dele não parava de bater contra a janela do carro, mas ele não ligava, não sentia mesmo.
– Tu vai acabar tendo uma concussão desse jeito, — disse o Nick antes de o puxar pra longe do vidro. Nem sentar reto o Jeremy conseguia mais, então acabou escorrendo a cabeça pra o colo do Nick antes que o garoto pudesse protestar.
Jeremy teve que ser literalmente carregado pra dentro quando o táxi parou na sua casa. Ele se sentia um lixo, queria voltar no tempo só pra se impedir de tomar aquelas ultimas doses. Droga, ele queria voltar no tempo só pra evitar aquela noite em geral.
– Acho que um banho ia te ajudar. – falou o Nick, e começou a encher a banheira da suíte dele sem esperar. – Cadê todo mundo dessa casa? – perguntou
– Viajando. E eu sinceramente não consigo fazer meus braços se mexerem, acho que vou ter que tomar banho de roupa.
Nick deu um suspiro e foi tirar a roupa dele.
Contra todos seus instintos, o coração do Jeremy não parava de acelerar enquanto o Nick o ajudava a tirar a camisa. Ele mal o tocava, mas cada vez que fazia mandava uma onda de arrepios pela espinha dele.
Jogou a blusa em um canto e começou a desatar o cinto dele.
Jeremy respirava descompassadamente, queria parar com isso, ele não era gay, mas não conseguia, quando a mão do Nick passou pela coxa dele ele não aguentou mais, enterrou o rosto no pescoço do garoto e começou a beijar a orelha dele.
Talvez o Nick tivesse mais bêbado do que deixava transparecer, porque ao invés de ele jogar o Jeremy pra longe e ir embora, enfiou a mão pelos cabelos dele e o beijou.
Deus, aquilo era ótimo. Jer nunca pensou que dar uns amassos em outro cara poderia ser tão bom.
O peito do Nick era firme quando Jeremy o imprensou contra a parede, os lábios dele estavam dormentes, mas ele ainda conseguia sentir o gosto de rum na boca se misturando com o gosto de limão que tinha a língua do Nick. As mãos do garoto eram quentes passeando pelo corpo dele, e a última pessoa que o tinha deixado duro assim tinha sido a Ester.
Um gemido involuntário escapou dos lábios dele quando Nick apertou o volume impossível de passar despercebido nas suas calças.
– Tem certeza que é isso que você quer? – perguntou entre beijos e mordidas no pescoço dele.
Jeremy não lembrava mais como formular uma resposta, então só gemeu ao invés disso.
Mais tarde ele culpou a bebida por não se lembrar como eles tinham chegado na banheira, mas quando deu por si, já estavam lá, e Jeremy mantinha a mão firmemente na ereção de Nick enquanto ele gemia.
Pensou que deveria ser ridícula a coisa toda vista de fora, mas como um observador interno ele mal conseguia se conter, se Nick continuasse gemendo e se contorcendo daquele jeito ele ia gozar sem nem precisar tocar nele.
A partir daí foi só ladeira a baixo.
Jeremy se lembra de quando o Nick gozou tanto que sujou o peito dos dois, e de depois ter recebido o melhor boquete da vida dele, e de não ter se sentido nem um pouco mal por ter um dos melhores amigos dele dando banho nele depois que tudo acabou.
Talvez até que toda a cachaça tenha valido a pena, pensou antes de cair no sono em cima do Nick, infelizmente nenhum dos dois ouviu o barulho de saltos batendo contra a escada enquanto Ester subia em direção ao quarto do Jeremy.
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