Are You Afraid Of The Dark?
6 Just casual sex? Really?
Notas iniciais
– Você realmente deveria parar com isso. – a voz do Natan se sobressaiu um pouco acima de todo o barulho que havia ali, tirando Melanie do seu devaneio com um copo de Vodka na mão.
– Eu acho que você deveria cuidar da sua vida. – devolveu ela, irritada, desencostou de uma das colunas de sustentação prateadas da The Egg Night Clubb e foi andando em direção ao bar, deixando o Natan falando sozinho.
Eles tinham arrancado as tripas pra conseguirem entrar naquela boate que era uma das mais caras e sofisticadas de Londres. Só dava os filinhos de papai. Jeremy e Natan, pagaram a maioria da conta e os outros seis se repartiram pra pagar o resto, mas Melanie não estava se divertindo nem um pouco, ela estava só a fim de beber e quem sabe transar com um estranho qualquer naquela noite.
– Por que você tá me tratando assim? – disse um Natan exasperado aparecendo na frente dela de novo. – Sabe, você tá me assustando desde o dia do aniversário da Tiff quando ia morrendo de uma overdose, não sei se você lembra, mas quase nos mata do coração, lembra? Desde então só tem bebido e faltado à escola. O que há de errado com você?
– NÃO HÁ NADA DE ERRADO COMIGO NAT, ME DEIXA EM PAZ! – gritou ela já beirando as lágrimas e simplesmente saiu correndo pra o outro lado da boate, lá achou uma escada de serviço que subia diretamente pro telhado. Soltou um suspiro quando no fim da subida emergiu em frente a um pátio de mármore preto polido enorme.
A noite londrina não poderia estar mais perfeita, quase nunca dava pra ver as estrelas, mas hoje elas estavam espetaculares ao lado de uma lua cheia de tirar o fôlego. Melanie achou uma cadeira de plástico do outro lado do pátio, passou a mão nela e a arrastou bem pra beirada do telhado.
Nat estava certo, havia sim tudo de errado com ela. Na noite do aniversário da Tifanny ela tinha visto uma das piores cenas da sua vida até agora: Lucca, agarrado com uma putinha qualquer depois de apenas dois dias atrás ter dito que ela era diferente, que ele gostava dela, não de outra.
– Também, foi uma puta ingenuidade ter acreditado nele. – resmungou baixinho entornando o seu copo de vodka.
O álcool desceu queimando a garganta e depois dando a mesma sensação de queimação nas veias. Melanie se sentiu mais elétrica, seu cérebro começou a trabalhar furiosamente lembrando-se de tudo que eles dois tinham passado nos dias anteriores a festa enquanto olhava pra cidade lá em baixo. Tudo não, na verdade, foi só uma tarde, mas ela não tinha culpa se havia se apaixonado por ele desde o 1º ano.
Ah aquele sorriso de covinhas, e os cabelos loiros escuros, tudo isso só contribuía pra ela ficar cada vez mais encantada. E quando viu ele no canto daquela festa com uma desconhecida qualquer, (pelo menos pra ela) foi como se o mundo dela tivesse desmoronando. Não queria nem mais ir pra escola só pra não encontrar ele pelos corredores e nas aulas.
– Tá bom, eu não vou sair daqui até você me dizer o que há de errado. – Natan tinha chegado lá, de novo, e se espremido na cadeira junto com ela. ‘Droga, ele não desiste nunca?’ – Pensou enquanto o fitava.
– Por que você se importa? – perguntou.
– Porque... Bem... – gaguejou – Eu... Ah, você sabe... – Melanie pensou o que havia de errado com ele agora. – Porque eu sou seu amigo. Por isso. – falou por fim.
– Você já gostou de alguém que não dá a mínima pra você Nat? – perguntou ela agora disposta a conversar direito com ele.
– Já. – respondeu com um suspiro.
– Mas no meu caso, ele fingiu que não dava a mínima, depois disse que queria ficar comigo, eu iludida acreditei, depois ele só fez pisar em mim de novo...
– No meu caso, eu gosto de uma menina, de verdade, mas ela só me vê como amigo, e às vezes nem isso.
– Pelo menos ela não ilude você não é? No meu caso, foi bem pior.
– Por quê?
– Porque foi comigo.
Então ela sentiu um arrepio no braço e virou a cabeça. Natan estava acariciando ela, com os olhos fixos em algum ponto distante dali.
Foi quando a garota reparou nele direito pela primeira vez. Como era linda a covinha que se formava só na bochecha direita dele quando ele mexia nos lábios, e nos cabelos castanho avermelhados, e mais que tudo, eram os seus olhos, como titânio derretido puro. Era assim que pareciam os olhos dele ao luar, de dia eles eram apenas cinzas puxando pra um azul.
– Você vai sair dessa, tenho certeza. – falou saindo do transe — Garotas bonitas nunca ficam sozinhas.
– Você me acha bonita? – ela perguntou surpresa.
Ele pareceu pensar uns cinco segundos antes de responder – Acho você linda.
Melanie deu uma risadinha sincera, pensando que ele era fofo e que realmente o Lucca não valia a pena as lágrimas.
– Cadê o resto do pessoal? – perguntou.
– Bom, quer relatório completo ou só o localização?
– Relatório completo, com certeza. – disse já começando a rir.
Natan balançou a cabeça e tentou controlar o riso que já tava ficando estampado nos lábios. – Da última vez que eu vi todos, a Ester tava se pegando com o Jeremy em cima de uma mesa, a Tiffany tava entornando tequila no bar junto com outra garota que eu nunca vi na vida, o Nick junto com o Chris cheirando pó no banheiro e o Zack enchendo a cara de rum e tentando agarrar uma loira gostosa na pista.
– Eles não são o tipo de companhia que os nossos pais aprovariam na infância, são?
– Eles são o tipo de companhia que os pais usam de exemplo pra reclamar e dizer coisas do tipo: ‘nunca seja assim ou eu arranco cada fio de cabelo seu e uso pra tecer a sua própria forca ouviu?’
Os dois ficaram rindo que nem idiotas por alguns minutos.
– Pode me levar pra casa? – Melanie perguntou. – Não to mais com clima pra festa.
– Claro. – respondeu ele, levantou e pegou ela pela mão. — Vamos?
E eles foram saindo do telhado de mãos dadas. Lá em baixo a festa ainda rolava a toda, encontraram o Chris com a Tiff quase na porta da saída, mas eles estavam absortos demais em algum tipo de conversa de bêbado que nem notaram quando Mel e Nat passaram por eles.
– Quem foi esse menino que partiu seu coração? – Nat perguntou quando eles já estavam dentro da caminhonete 4X4 dele à caminho do outro lado da cidade, que era onde a Mel morava.
– Não te interessa.– ela respondeu sem tirar os olhos da rua.
– Por favor, não confia em mim?
Mel suspirou, sabia que Natan e Lucca tinham sido melhores amigos no começo do colegial.
– Dizer o nome dá azar. – disse por fim.
– Ah, fala sério. – ele resmungou batendo no painel.
– Tá, ok Natan, mas se eu descobrir que alguém descobriu e foi você que disse, eu arranco as suas bolas e grampeio elas no lugar dos mamilos tá entendendo?
Ele fez cara de espanto antes de responder: — Claro, eu posso achar uma utilidade melhor pras minhas bolas sem ser ver elas penduradas nos meus mamilos...
– Ótimo. – falou a Mel. – O menino, é... Eu não acredito que eu vou te contar isso... O menino é o Lucca.
Um barulho de pneu cantando no asfalto se fez ouvir, depois ela se sentiu sendo atirada contra o painel do carro e jogada pra trás de novo.
– NATAN SEU FILHO DA PUTA, QUER MATAR A GENTE? – gritou, ainda com o coração batendo contra a garganta, tamanho foi o susto da freada brusca que ele deu bem em cima de um sinal vermelho.
– Desculpa, meu Deus, você tá bem? – perguntou com a voz trêmula – É que achei tão louco isso do Lucca que nem vi o sinal ficando vermelho. Não acredito que você pode gostar dele, ele é um... Ele é um idiota.
– É, eu to legal. Pensa que agora eu não sei disso? Mas a gente não escolhe de quem gostar, escolhe?
– Não.
Os quinze minutos seguintes pra chegar na casa dela foram consumidos pelo silêncio, Melanie já estava ficando angustiada, ela odiava silêncios longos, e queria saber o que ele tava pensando. Por que ficou tão surpreso com o cara que eu gosto?... Gostava... Melanie, se acostume com isso, mas você nunca vai ficar com ele de novo nem que ele implore de joelhos. O Lucca era só mais um entre tantos outros no colegial, então por que ele ficou tão... UAL, vou fazer a gente morrer em um acidente de carro porque isso foi surpreendente demais pra mim!?
– Chegamos. – disse ele estacionando o carro na frente da casa que ela dividia com o pai, a mãe mais viajava que tudo na vida, nem era considerada muito como que moradora daquela casa também.
– Obrigado pela carona. – ela falou dando um beijo na bochecha dele, que estava gelada.
Melanie desceu da cabine, os saltos finos fazendo o cleck, cleck, comum enquanto ela caminhava pela pedra fria da rua deserta.
Procurou a chave na bolsa uns bons dois minutos e não encontrou, ai lembrou que realmente não tinha levado chave. Bateu na campainha uma vez.
Nada.
Bateu na campainha uma segunda vez.
Duplo silêncio.
– Droga, — resmungou pra ela mesma, uma luzinha de compreensão se acendendo no cérebro. Os efeitos do álcool passando. — agora que eu lembrei que o papai ia sair com a mãe hoje e ainda esqueci a chave. Merda. – então ela olhou pra trás. Natan ainda estava parado lá com o carro, esperando ela entrar em segurança.
– O que foi? – perguntou ele quando ela entrou de novo dentro da caminhonete e encaixou o cinto. – Pra onde pensa que vai?
– Pra sua casa oras... – respondeu dando de ombros. – Meus pais saíram e eu tinha esquecido, e também esqueci de trazer as chaves, vou ter que dormir lá hoje. Alguma objeção?
Ela o fitou, e viu um sorrisinho brincando nos lábios dele.
– Nenhuma objeção, — ele falou, cortando os pensamentos dela. – então vamos logo.
E arrancou com o carro, eles não falaram o caminho todo até chegar na casa dele.
Melanie só conseguia pensar no quanto amava o estilo daquela casa enquanto olhava pras escadas de mármore preto que eram visíveis enquanto eles atravessavam o hall de entrada.
– Vamos lá pra cima. — disse o Nat
E saiu arrastando ela pela mão, como fez na boate. Quando chegaram lá, Mel foi logo tirando a roupa e indo tomar um banho na suíte dele.
A água quente escorria pelos longos cabelos castanho escuros, fazendo ela relaxar e levando embora os últimos vestígios de álcool no organismo.
– Pode me dar uma blusa sua? – perguntou pra ele que tava esparramado na cama, enquanto ela tava no meio do quarto enrolada na toalha, os cabelos molhados grudando nas costas.
– Claro. – ele disse, e então jogou pra ela uma blusa gigante dos Beatles que estava pendurada no espelho da cama.
Ela deixou a toalha cair, tava usando só uma lingerie fininha de renda branca, e vestiu a blusa. Depois enxugou os cabelos e jogou a toalha de volta pro banheiro.
– Bem melhor. – disse quando deitava em baixo das cobertas do lado de um Natan que parecia incapaz de despregar os olhos dela. – Que foi? Tá me olhando como se eu fosse um milagre da ciência recém descoberto.
– Nada, ué – ele resmungou e virou pra o outro lado, ficando de costas pra ela.
Deus, ele é quente... – Mel pensou, sentia o calor que emanava do corpo dele mesmo daquela distância. Foi chegando perto, até estar abraçando Nat por trás.
– To com frio, não reclama. – ela falou no ouvido dele, que não disse nada além de dar um sorrisinho.
Depois de uns minutos assim, Natan do nada virou, ficando cara a cara com ela e foi chegando perto, ela sabia o que ele ia fazer, mas não podia evitar, não queria evitar. Tentava formular um motivo que a levava a querer isso, mas antes que pudesse aparecer com uma resposta razoável, Nat já tinha colados os lábios nos dela.
– Nat... – ela tentou falar no meio do beijo, — não acho que isso seja cer... – mas a frase se perdeu no meio do caminho, aquilo estava ficando cada vez melhor, eles não podiam parar agora.
Ele beijava maravilhosamente bem, as línguas se movimentavam em perfeita sincronia, fazendo Melanie se sentir quente por dentro. Eles pararam por um segundo, só o tempo dela jogar a camiseta pra um lado do quarto, passar as pernas pelos quadril dele e tirar o sutiã de renda branca.
Se encararam por um instante, antes de começarem a se pegar de novo.
Mel beijava toda a extensão do peito dele até o pescoço, depois se encaminhava para os lábios de novo. Ele fazia o mesmo, sugando levemente os seios dela, fazendo a garota ter espasmos involuntários. Eles inverteram as posições, ela tirou o resto da roupa dele, o que corresponde a uma cueca Box, e ela arrancou a calcinha dela, depois sugou a base do seu pescoço, onde Mel sabia que ia ficar uma puta marca depois, antes de penetrá-la de uma vez.
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Natan caiu ofegante do lado dela na cama, os dois não conseguiam nem respirar direito.
– Isso... – disse a Melanie, tentando falar sem os arquejos. – Foi... Muito bom!
– Eu também achei, mas sabe como é... Dizem que a primeira vez nunca é a melhor.
– Porra, to louca pra melhorar na segunda então.
Natan riu e a puxou pra junto dele.
– Sabia que eu já sonhei com isso? – perguntou ele.
– Isso o que exatamente?
– Transar com você... Tá ai a prova, as melhores coisas nem sempre são as que acontecem nos sonhos.
– Isso é bizarro sabia? – falou ela, tentando conter o riso. – Sonhar comigo e tudo mais. Eu só considero você um amigo ainda, okay, Nat? Por favor, não vamos confundir as coisas.
– Ah, claro. – disse ele. – Apenas sexo casual, por mim isso não vai estragar a nossa amizade nunca.
– Exatamente. – disse a Mel. – Enfim... Boa noite Natan.
Ele a puxou pra mais perto, quase a cobrindo com o seu peitoral, ela pensou no quanto ele era fofo.
– Boa noite Mel.
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