Arch. Angel
4 O Velocista
A escuridão...
Ao abrir os olhos naquele dia, eu sabia que a escuridão me acompanharia. A cada piscar de olhos.
Para meus olhos, um único segundo é uma eternidade, uma prisão. A única coisa que pode acompanhar meus olhos é meu pensamento, e mesmo ele as vezes perde esta corrida.
E lá estava eu, em frente aquele monstro que parecia ter saído dos Power Rangers. Marquei em meu relógio
3 segundos.
O ponteiro fez um clique, indicando o fim do tempo. Era como se eu conseguisse me mover por aquele local de olhos fechados.
50,725 metros de profundidade visível, 20,83 metros de largura. Quatro passagens a 19.90 do fundo, mas cinco no fundo. Dez mesas em forma de círculo, duzentas cadeiras, 325 fios. Um ser gigante...
Os anéis de meus pulsos começaram a vibrar, meu corpo estava se acelerando, agora era como se cada segundo fosse uma hora, para aquelas retinas.
Meu corpo caiu para dentro do poço, a escuridão tomou conta de minha visão.
Abri os olhos, meus pés tocaram a parede, começaando a deslizar pela parede, como se aquela superfície fosse água, de um lago congelado.
Não importava o quão rápido me movesse, aos meus olhos, eu me movia tão lentamente quanto uma folha caindo no outono.
Disparei para baixo, meu corpo parecia mais leve, movendo-se quase que automaticamente, como se seguisse por uma estrada, como se estivesse no caminho das asas de um pássaro.
Era naquele caminho que eu verdadeiramente, podia experimentar a sensação de estar vivo.
Pulei para frente a um metro do chão, eu estava voando por entre as mesas, desviando das estátuas que eram as pessoas ao meu redor com pequenos movimentos. Até que cheguei ao computador central. Com um toque de minha perna, fui para a esquerda, percorrendo toda a circunferência daquela imensa tela, quase podendo senti-lá com minhas costas. Fechei os olhos, minha mão se moveu, plantando naquela grande pista que estava percorrendo, um pequeno objeto.
Antes que meus olhos pudessem se abrir, meus pés já tocavam o outro lado da parede. Abri os olhos, apenas observando aquele pendrive, escondido por tantos rostos. Esperando que aquela pequena semente que eu havia plantado desse frutos.
2 segundos. Uma luz se acendeu no pequeno objeto. Fechei meus olhos, meus pés já não tocavam a parede, e meu corpo transpassava novamente pelo caminho das asas, desta vez, ainda mais leve, ainda mais rápido.
Peguei o pendrive. Meus olhos se abriram e meus pés encontraram a parede, que eu escalei como em uma pista de patinação, meus músculos se agitaram, meus olhos se concentraram, era o fim da corrida, aonde em um único instante, os pensamentos não existem, sendo substituídos apenas por um desejo.
A velocidade!
Meus pulmões buscavam desesperadamente oxigênio. Eu sentia cada músculo, cada contração de minhas pernas.
Faltavam apenas três passos. Meus joelhos se contraíram, meus músculos se expandiram. Consegui sentir a corrente elétrica percorrer do topo de minha cabeça, passando por minha espinha, chegando até meus pés. Fechei meus olhos pela última vez. Meus pulmões se esvaziaram, meus músculos se contraíram, em uma única investida. Eu pude sentir, mesmo que por um milésimo, que meu corpo havia alcançado minha visão. Mesmo que fosse apenas uma ilusão...
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