Aquilo que o Mar uniu
31 Nascer do sol
Notas iniciais
— Papai, papai! — Três vozes gritaram em uníssono. Enquanto as três crianças acordavam Aster, Paula, encostada no batente, sorria.
— Pedi para que eles deixassem você dormir... — Ela riu. Aster revirou os olhos.
— Mas é o último dia do ano. Nós sempre vemos o nascer do sol. — Pamella reclamou, puxando a irmã para tirá-la da cama e arrancando risos tanto de Benjamin quanto da própria Angeline.
Rindo, Aster se levantou e penteou com os dedos o cabelo. Angeline foi posta em seus ombros e segurou-se no pescoço do pai como um cavaleiro segura uma habena. Pamella e Benjamin corriam para subir para o telhado, e Paula ia atrás, gritando para que não corressem na escada.
Era tradição daquela família assistir o nascer do sol. Subiam até o telhado, Aster ficava em uma ponta e Paula no outro lado. As crianças ficavam no meio dos dois, brincando e rindo. Enquanto via o sol subir no horizonte, apertando em volta de si e das crianças a manta para barrar o frio, Paula se lembrou de tudo.
De seu marido.
Seus amigos.
Seus filhos.
A irmandade.
De tudo que passaram para estar ali.
Fechando os olhos, ela agradeceu tudo aquilo que o Mar uniu.
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