Aqueles que foram, Sem nunca terem sido...

1 Feliz aniversário, Filho da P***


É trágico como o tempo passa depressa. De um momento para o outro, tudo muda bruscamente. As férias acabam, o café esfria, o orvalho cai da folha, pessoas mudam... Quando abri os olhos, tive uma vontade absurda de voltar aos meus ingênuos e alegres 6 anos.

Agora estou aqui, com a água da chuva batendo em minha janela, o odor das rosas se infiltrando em meu quarto, o gosto doce das balas de coco em minha boca, pensando em como fui ser idiota ao me importar com alguém que odeio tanto, você.

Odeio seu sorriso, sua risada e suas piadas sem graça. Odeio o modo como me fazias sorrir quando tudo o que eu queria era chorar.

Odeio o modo como você fala e que reclama das pessoas.

Odeio quando me deixavas sem graça e como me entendia facilmente.

Odeio o modo como folheias os livros e como os guarda com cuidado.

Odeio pensar em você todo dia sabendo que o sentimento não era recíproco.

Odeio o modo como me olhava e odeio quando o brilho de teus olhos fazia-me calar.

Odeio quando você lia a minha mente e sempre sabia o que eu ia falar, odiava mais ainda quando não sabia...

Odeio o fato de estar a 1 678,2 km distante de você.

Odeio o fato de você nunca ter me notado, e quando notou, não fazia mais diferença.

Odeio você não ter me convidado você para sua festa de despedida.

Odeio mais ainda o que disse a meus amigos sobre mim...

Odeio ter sido tão estúpida, a ponto de cair na mesma armadilha de novo.

Odeio a loira dos olhos verdes, a mesma que você não parava de olhar.

Odeio o fato de ter sido ela e não eu...

Odeio seu corpo, seu rosto, seu cheiro de canela, sua voz, seu sotaque, seus olhos castanhos com esse brilho inimaginável... Odeio tudo em você.

Eu odeio como você e irritante, louco, sorridente, estranho...

Mas odeio principalmente a mim mesma, por não conseguir te odiar... Nem um pouco

Nem mesmo por um instante

Nem mesmo por um segundo

Nem mesmo só por te odiar

E eu odeio o fato de você existir

Mas agradeço por isso, afinal, o que seria da vida sem um pouco de ilusão?

Me apaixonei, me entreguei, fui jogada fora e guardada na estante.

Fui ignorada no seu dia, mas isso não importa. Afinal, tenho uma mensagem final para você.

Aniversário. Para as pessoas, um ano a mais na vida. Para mim, um a menos… Afinal, se fosse um ano a mais, nunca morreríamos, certo?

Ou seja… Parabéns! Você está morrendo e acaba de perder mais um ano iludindo e sendo iludido!

Espero que você seja uma pessoa muito feliz. Que você tenha uma ótima vida, cheia de alegria e realizações, sucesso, inteligência e amor (quando aprender a valorizar quem se importa com você).

E por incrível que pareça, você me ensinou algo muito importante: Ninguém é perfeito, até que você se apaixone por essa pessoa. Amar não é ter que ter sempre certeza. É aceitar que ninguém é perfeito prá ninguém, é poder ser você mesmo e não precisar fingir é tentar esquecer e não conseguir fugir…

Mas eu sou assim. Uma peça quebrada sem conserto. Um paragrafo em branco. Um papel amassado. Uma memória esquecida. Uma criança ingênua. Tenho várias faces, e tentei mostrar a minha melhor para você...

E para terminar esta “carta” antes que eu rasgue o papel, amasse e jogue no lixo como todas as outras, eu lhe digo

Feliz aniversário, filho da puta.

— Junho de 2014