Aqueles Seus Olhos Azuis

21 Late-at-night cuddles


Notas iniciais
Hey, galerinha c: Eu sei que demorei pacas a atualizar mas poxa, estou de férias. E essa fic é divertida de escrever, mas é meio que uma obrigação, né? Então, estou de férias dela também. Mas eu tava lendo um livro e fiquei meio deprimida...então resolvi escrever sobre uns gays sendo fofos pra tirar minha mente de negatividade. Melhor coisa que eu poderia fazer! Cansada as fuck, mas muito orgulhosa. E espero que curtam esse capítulo tanto quanto eu. Então pois é, são três da manhã e eu tô atualizando fics. Isso porque amo muito vocês.

Aqueles Seus Olhos Azuis

Capítulo XX — Late-at-night cuddles

O Senhor Egbert estava bravo...não, o Senhor Egbert estava furioso.

Dave nunca o vira tão enfurecido. Na verdade, Dave nunca o vira vestindo um humor mais violento do que uma desaprovação paternal severa.

Mas o fato de Dave levar seu filho para uma clareira no parque municipal no meio da noite despertara em si mais do que uma desaprovação paternal severa. A expressão do pai de John mostrava quase uma fúria paternal arregaçadora-de-cus. Quase.

–O que vocês dois estavam pensando? –ele perguntou, exasperado, enquanto andava em círculos com a lanterna apagada nas mãos. Estava irado, com certeza; mas também havia em sua voz um quê de preocupação, aflição. E era compreensível...afinal, quando fora checar o filho na cama naquela noite, sua cabeça havia explodido.

Claro que o pai do Mestre das Pegadinhas tinha sacado na hora. Um balão como disfarce, realmente brilhante. A corda havia ficado amarrada aos pés da cama, caindo pela janela aberta, já que eles não tinham como tirá-la dali. Dave esperava ser encontrado. Mas não tão cedo.

–Estávamos pensando que precisávamos nos ver. –John tentou responder, mas engoliu em seco antes de continuar a fala- Por favor, pai, você tem que entender--!

–Eu não tenho que entender nada! –ele cuspiu, parando abruptamente- John, é você quem precisa entender que nada vem fácil nessa vida. Às vezes tudo é difícil, e você precisa ficar longe das pessoas, e eu sei que dói não poder estar junto de quem se ama, e eu sei que é complicado não poder se ver, mas... –ele os encarou. Tinha os olhos marejados, parecia que havia passado por aquilo, mas muito pior. Ele deixou os ombros caírem e suspirou.

–Pai, eu...sinto muito. –John se aproximou- Mas aqui a situação é diferente, e eu não entendo por que não posso mais ver o meu... –mordeu a língua- ...o Dave.

Seu pai se virou de costas e massageou a testa com o indicador e o polegar de uma das mãos. A outra apoiou-se em sua cintura. Ele parecia cansado.

–Olha... –continuou o moreno mais novo- Eu entendi que você não acha o irmão do Dave uma boa influência. Eu entendi isso. Mas o Dave é diferente, ele não é como o Dirk, ele é mais...ele é muito mais maduro. –disse. Era estranho admitir a verdade em voz alta. Quase ridículo- Eu não me apaixonei pelo Bro, pai, eu me apaixonei pelo Dave. Eu me apaixonei por um garoto que vai cuidar de mim, eu sei que vai, e se eu não puder mais ver o irmão mais velho dele porque você não acha uma boa ideia, eu não ligo. Mas eu quero que você me entenda, pai... –ele suspirou- Pelo menos uma vez.

Dave se sentia como um espectador naquela conversa. Era ótimo ter o ego massageado pelas falas de John (e caramba, como era bom ouvir várias e várias vezes que o garoto o amava), mas ele não se sentia como uma ajuda ali. Se sentia deixado de lado. Impotente. Como se aquele namoro lhe importasse tão pouco que ele nem se dava ao trabalho de tentar mudar a visão do quase-sogro sobre si.

E as coisas não podiam ficar assim.

Não, não.

Dave deu alguns passos à frente, tomando coragem.

–Senhor Egbert –começou- Eu sei que o senhor provavelmente odeia meu irmão depois daquele jantar furado, e o John falou bastante disso, mas eu quero assegurar: eu não sou como ele. Tá bom, eu posso ser idêntico ao cara em questão de aparência, e talvez eu tenha meio que herdado as habilidades dele em ironia e luta de espadas super perigosa... –ele se interrompeu quando John pisou em seu pé de propósito- Mas eu não penso exatamente como ele. Não tenho os mesmos hobbys malucos. Nem a mesma tara por fantoches—porque por favor. –ele parou para respirar. Pai Egbert não saiu de sua posição- Mas olha. Eu com certeza amo seu filho. –Dave olhou de soslaio para John, que sorriu, e segurou sua mão- Eu posso te dizer que a gente se ama pra caralho, e que eu vou cuidar muito bem dele. Não vou deixar ele roubar nem nadar pelado na fonte do shopping ou algo assim.

–Dave!

Ele riu.

–Enfim, eu quero muito que o senhor aprove o nosso namoro. De verdade. Porque eu não consigo me ver com ninguém além do John.

Olhou para o namorado ao terminar seu discurso. O garoto sorriu sem mostrar os dentes e revirou os olhos, como se dissesse “Bom trabalho, cabeção.” Dave se sentiu orgulhoso de si mesmo. Então, os quatro olhos se viraram para o Sr. Egbert, que no momento soltava um ruidoso suspiro.

–...vocês garotos não vão mesmo desistir, não é? –ele se virou, e estava com um sorriso cansado- Muito bem. Eu desisto. Podem ficar juntos; estou convencido de que não vão causar mais problemas do que já causam. Meus parabéns, Dave. –ele ergueu as sobrancelhas para o loiro- Aprovo seu namoro com meu filho.

Os dois já estavam em polvorosa internamente, apertando a mão um do outro como se estivessem gritando por telepatia: “AI MEU DEUS” “EU SEI”.

–E John –disse o pai, depois de ajeitar o chapéu- Está livre do castigo.

Dave olhou de canto para o garoto, apertando sua mão duas vezes e sorrindo, para depois morder o lábio. John sorriu tanto que deixou escapar uma risadinha. Tão logo o homem de terno branco se virou, Dave agarrou o namorado pela cintura e ergueu-o do chão, os dois gargalhando como um casal de patetas. A diversão poderia ter continuado e se estendido para além, não fosse o Sr. Egbert dizer sem se virar:

–Mas agora, quero os dois em casa. São mais de três horas da manhã.

–Pode deixar, “seu” Egbert. –Dave concordou, colocando o namorado no chão. John riu mais um pouco, antes de segurar seu rosto com as duas mãos e estalar um beijo rápido. Como se seu pai não pudesse ouvir.

Dave pegou do chão sua capa e a mochila. Colocou uma dentro da outra, e a bolsa nas costas. Os dois seguiram de mãos dadas, em silêncio, o homem de terno para fora do parque, e então calmamente até a casa de John. Ao chegarem, o pai entrou e foi direto para o quarto. O casal ficou na porta.

–Então...isso é um adeus? –perguntou John.

–Nuh-uh. –respondeu Dave, com um sorriso travesso- Vai pra janela. E só espere.

Confuso, John acatou. Entrou em casa e foi para o quarto, onde tudo estava exatamente como tinha deixado – quer dizer, sem contar com os lençóis revirados, os travesseiros no chão e os restos mortais do balão rabiscado. Mas a corda ainda estava lá.

Ele seguiu para a janela: apenas para encontrar seu príncipe encantado – ou melhor, cavaleiro particular – subindo pela corda, os pés na parede, e John riu até ele conseguir segurar o parapeito com uma das mãos.

–Olá, florzinha. –disse o loiro, para o divertimento de John.

–Você é um completo idiota.

–Mas sou o seu idiota.

Dave retrucava muito bem. John se curvou, e seus rostos ficaram próximos.

–Então...isso é um adeus?

–Ainda não –respondeu Dave- É só um...até logo.

–Nos vemos amanhã?

–No parque. No parquinho. Sabe onde é, né?

–Acha que consigo me perder no parque?

–Você se perde na própria casa.

–Cala a boca.

John sussurrou. Não precisavam falar alto. Seus lábios foram selados em um beijo que não precisava de definição.

–Eu te amo.

–Eu também te amo.

Mais sussurros, e outro beijo. A atmosfera parecia agora a de um sonho, tranquila, vaga, como se as palavras se misturassem ao ar e os toques não fossem reais. E ao mesmo tempo, tão intensos.

–Que horas eu te encontro?

–A hora que você quiser, droga.

Mais beijos. Dave resistia à vontade de entrar.

–Dorme comigo.

–Posso? Seu pai vai ficar puto.

–Não importa. Eu te enxoto pela janela antes que ele acorde.

–Você é mesmo um amor.

–Só com você.

Os dois riram baixinho. Dave subiu mais um passo.

–Você tá estragando minha cena do balcão.

–Achei que estávamos recriando Aladdin. O Romeu suja de pegadas o muro da Julieta?

–Licença poética.

Dave entrou. Tirou um belo fino da janela, mas por sorte não esbarrou em nada e John o ajudou a aterrissar com segurança.

–Deixa a corda aí. –disse o moreno, passando os braços pelos ombros do outro e enlaçando seu pescoço- É por ela que você sai, de manhã.

–Não acredito que estamos fazendo isso.

–Eu pensei a mesma coisa quando você me tirou de casa à meia-noite pra um encontro clandestino. –ele riu.

–Mas fala, foi divertido. –Dave também riu.

–Hmm, foi. Mas vai ser mais. –John fechou os olhos e sorriu.

–O que tem em mente? –Dave segurou sua cintura, sorrindo de volta.

–Fica quieto que você vai descobrir. –John sussurrou. Ele inclinou a cabeça e se beijaram.

Provavelmente o melhor beijo de todos. Provavelmente o mais calmo de todos. Duradouro. Dave não ligava se ficassem assim a noite toda.

Mas John o puxou para a cama. Se deitaram. Se beijaram. Trocaram sussurros que não precisam ser transcritos, e nem jamais seriam comentados. Dave tirou seus sapatos e os cobriu com o lençol.

Dormiram abraçados.

*~*

Quando John acordou, o cheiro ao seu lado não era de amaciante e shampoo. E a cama parecia muito menor.

O travesseiro tinha sumido, e o lençol estava enrolado em suas pernas de uma maneira desconfortável e incomum. O que diabos acontecera durante a noite?

Ah, é, ele se lembrou, ao sentir a respiração acima de si, o Dave dormiu aqui.

...Cacete, o Dave dormiu aqui.

John escondeu o sorriso na camiseta do namorado, amassada e puxada para cima. Ele tinha cheiro de grama. E provavelmente, John também.

Devia ser quase hora do almoço. Ele ergueu a cabeça, e começou a espalhar beijos pelo queixo do namorado. Desceu para o pescoço. Dave resmungou e o puxou para si. John riu baixinho.

–Acorda, bundão. –ele mordiscou seu pescoço, fazendo o loiro grunhir seu nome e enrolar as pernas nas suas. Aos poucos Dave abriu os olhos, mas só apertou mais o abraço em John.

–Me deixa dormir... –ele tinha uma voz arrastada.

–Bom dia pra você, também. –John cutucou suas costelas e causou um espasmo incomodado- Levanta, inútil, você tem que ir pra casa antes que meu pai venha ver se morri, lembra?

–Mas sua cama é macia... –Dave voltou a grunhir- E você é tipo, a melhor almofada do mundo.

–Me chamou de gordo? –ele fingiu indignação.

–Hmm...não... –fungou. John ergueu a cabeça de novo.

–Vamos lá, levanta, levanta...eu vou morder seu pescoço de novo.

–Você não ousaria.

Em resposta, John colou sua boca ao pescoço do namorado e mordiscou. Dave soltou um gemido alto—gemido?? Mas logo o disfarçou em um “aaAAA OK, LEVANTEI, DESGRAÇA” e afastou o moreno, ficando de pé.

–Porra, John, vai que tu deixa uma marca? –tinha uma mão no pescoço, e o rosto vermelho. Na lateral, uma marca amassada do travesseiro.

–Seria lindo –respondeu o garoto, sorrindo travesso enquanto se sentava com as pernas cruzadas- Um chupão roxo no seu pescoço, bem visível, pra todo mundo saber que você é meu.

Dave pareceu ficar ainda mais vermelho. Fechou a cara, virando de costas.

–Nossa, wow, ok, vai se foder. –resmungou. Mas, se John tivesse que dizer, diria que ele ficou secretamente animado com a ideia.

Dave se espreguiçou. John pegou os óculos em cima da cômoda, tendo que andar até o outro lado do quarto, mas pelo menos pôde olhar melhor para o namorado.

–Você tá uma merda. –ele riu- Seu cabelo parece um ninho de corvo.

–Sabe o nome disso? Recalque. –Dave lhe acertou um tapa de leve na nuca- Como se o seu fosse um exemplo, John Egbert.

John mostrou a língua, a mordendo pela metade, e esfregou a nuca. Gostava de como Dave pronunciava seu nome.

–Tudo bem. Foi divertido e tal, mas você, senhor, precisa ir embora. –ele começou a empurrar o rapaz na direção da janela, como se fosse jogá-lo dali de cima- Ainda vamos nos encontrar no parque? Então você tem que ir pra casa. Bro deve estar se perguntando onde você passou a noite.

–Ele provavelmente pensa que passamos a noite transando como dois animais. O que não seria ruim, você sabe.

–Você expirou sua cota de piadas sugestivas, Dave. –John deu um tapinha em seu ombro- Obrigado e volte sempre.

–Pode apostar que vou voltar. –Dave riu, e se virou, agarrando o namorado pela cintura sem aviso prévio e beijando mil vezes seu pescoço, sem ligar pros gritinhos e tentativas de empurrões dele, em resposta.

–Dave, sério, me solta! –ele ria, o que não ajudava muito- Se meu pai nos encontrar...

–Nossa, para com isso. –o loiro respondeu, beijando debaixo de sua orelha antes de soltá-lo- Seu pai sabe o que é estar apaixonado. Como acha que você nasceu?

–Sei lá, acho que caí de um meteoro. –ele brincou- Tchau, Dave.

–Tchau, Julieta. –ele fez uma reverência exagerada antes de pegar a mochila do chão- Me liga quando for aparecer no parquinho. Eu quero te apresentar uma pessoa.

John ficou curioso. Mas não fez perguntas.

–Certo, eu te aviso. E ah, humm... –ele coçou a nuca, e Dave se virou para olhá-lo- ...obrigado por ontem. Tipo, sério. Foi muito bom. Melhor do que qualquer coisa que eu e a Vriska já tenhamos feito.

A última frase fora de propósito. Ao erguer os olhos azuis, Dave estava com um sorriso de quem ganhara na Mega Sena. John ficou internamente satisfeito por tê-lo feito tão contente.

–Então fechou. Mais tarde, parquinho. –ele se esticou e trocaram um beijo rápido. Dave se sentou na janela- Falous.

Desceu mais aos pulos pela corda do que de uma maneira séria. Tinha a expressão neutra de sempre, mas estava claramente agitado. John desamarrou a corda da cama, e jogou a ponta para Dave. Ele embolou tudo, enfiou na mochila, e colocou a capa preta nos ombros. Um movimento como o do cavaleiro das trevas, e saiu correndo dramaticamente. John riu; tinha mesmo um namorado idiota.

Egbert fez tudo o que devia fazer de manhã, então saiu para a cozinha. Seu pai estava lá fora lavando o carro, mas havia um bolo no forno. Sem cobertura.

John dispensou. Pegou cereal, leite, morangos e fez seu banquete, que assistiu na sala, assistindo tevê.

Uma noite fantástica, seguida por uma manhã maravilhosa. Nada mais perfeito do que ele poderia possivelmente pedir.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem, por favor. E ah, aliás--botei a capa vencedora. Eu não gostei taaanto assim dela, mas a voz do povo é a voz de Deus, haha. Aliás! Quem adivinhar nos reviews a "pessoa" que o Dave quer apresentar, ganha bala. Sugestões, opiniões: reviews! Kissus e até a próxima~