Aqueles Seus Olhos Azuis
6 Capítulo bônus de Natal
Notas iniciais
Aqueles Seus Olhos Azuis
Capítulo bônus — Especial de Natal
Era finalmente dia vinte e quatro de Dezembro. Após uma longa espera, horas diante do fogão, passeios estressantes pelo shopping e tempo perdido tentando tirar a fita adesiva dos dedos, aquele bando de adolescentes estava finalmente reunido na casa de John Egbert, comemorando juntos o Natal.
Não que fosse de todo ruim; o clima era agradável, mesmo que Vriska continuasse pegando no pé de todos, Sollux e Eridan se estrangulassem simultaneamente a um canto e Karkat tentasse acalmar Gamzee, que entrara em pânico por sabe Deus o quê, com sussurros e afagos. Apesar desses pequenos conflitos pela sala, a maioria dos adolescentes continuava em paz; Kanaya e Rose voltavam da cozinha a todo o tempo, trazendo fornadas quentinhas de biscoitos de gengibre, Feferi e Aradia fofocavam no sofá, Equius ajudava Nepeta a enfeitar a sala com luzinhas e flocos de neve brilhantes feitos com papel e glitter pela talentosa Terezi, e Tavros e Jade tomavam chocolate quente diante da lareira crepitante. E além disso, todos vestiam suéteres de suas cores favoritas, tricotados pelas meninas do grande grupo, e se ficassem em fila, iriam parecer um arco-íris humano.
Era até bom ver todos os amigos reunidos, conversando e rindo, sem que nenhuma briga de grandes proporções explodisse; porque, se houvesse um desentendimento, definitivamente a sala de estar se tornaria um campo de batalha.
Mas bem, por sorte, todos estavam tranquilos. Por ora.
Mas você deve estar se perguntando onde estava Dave Strider. Pois ele se encontrava em um dos cantos da sala, pendurando no teto um ramo de visgo. Planejava beijar alguém aquela noite, e não deixaria a chance escapar.
–Dave! –alguém o chamou da cozinha- Pode me dar uma ajuda aqui?
Ele seguiu na direção da voz, e encontrou Rose tentando alcançar algo numa prateleira bem alta.
–Pode pegar o açúcar pra mim? Preciso terminar de polvilhar os biscoitos, mas não alcanço o potinho.
–Por que não pede pra Kanaya te ajudar? –o rapaz franziu a testa.
–Ela foi ao banheiro. Por favor, me dê um suporte.
Dave suspirou um “ah, tudo bem” e revirou os olhos. Ele subiu no banquinho no lugar da amiga, e conseguiu pegar o potinho de açúcar.
–Aqui –disse, enquanto a entregava o objeto.
–Obrigada, Dave –ela sorriu, e antes que Dave se afastasse, ergueu os olhos e perguntou- Humm, diga-me...qual o objetivo de pendurar um visgo no teto da sala, hein? –ergueu uma das sobrancelhas- É apenas pelo genuíno regojizo do seu espírito de porco, ou há alguma mensagem subliminar em tal ato?
–Pff, mensagem subliminar? Claro que não. Não mesmo. Que bobagem... –ele tentou disfarçar, desviando o olhar. Mas Rose enxergou o tom rubro de suas bochechas.
–Você vai tentar beijar o John, não vai? –ela riu contido. Dave se virou tão rápido para ela que quase quebrou o pescoço.
–SSHHH! E-eu vou, tudo bem, m-mas ele não pode ouvir! Quieta sobre isso, ok?
–Os meus lábios estão selados –ela sorriu de canto.
–Acho bom –disse o louro, franzindo a testa. Planejava falar mais alguma coisa, mas Kanaya entrou na cozinha nesse momento.
–Rose, querida, já polvilhou os biscoitos? –perguntou a moça, e estava linda com aquele laço vermelho e verde nos cabelos curtos.
–Ainda não, amor –foi a resposta- Acabou o açúcar e eu tive que pedir pro Dave me alcançar mais.
–Pois é, e falando nisso, eu já vou –Strider fez um gesto para Kanaya- Bom trabalho aí, vocês duas...mas só não se agarrem no meio da farinha, beleza?
As garotas riram, e ele se afastou. Tudo bem que Rose estivesse namorando a garota mais linda de toda a cidade (provavelmente), mas elas não precisavam ficar se beijando em todo lugar. Mas bem, melhor do que nos primeiros dias, em que elas simplesmente não desgrudavam.
Dave seguiu para onde estava seu ramo de visgo, planejando ficar debaixo dele até que aquele certo alguém passasse...mas, assim que chegou perto, viu que Vriska tomara seu lugar – e, provavelmente, com a mesma ideia.
–Hey, vadiska –ele se aproximou, internamente irritado- Criou raízes aí?
A loura o olhou com desdém, o julgando com seus olhos azul-escuros como a parte abissal do oceano – e tão perigosos quanto.
–Pro seu governo, Dave –ela jogou o cabelo comprido para o lado- Eu estou debaixo desse visgo esperando alguém.
O coração do louro deu um pinote. Há mais de um ano, Vriska fora a fim de John, e eles haviam até mesmo namorado por algum tempo...haviam sido os piores dois meses da vida de Dave. Será que ela ainda era a fim dele, mesmo depois de terem terminado? Bem, era verdade que ela mudava de homem como mudava de roupa...mas e se quisesse beijá-lo naquele Natal?!
–De qualquer jeito, o alguém não é você, então dê o fora. –ela fez um gesto para que ele saísse. Mas em vez disso, o rapaz cruzou os braços, desgostoso:
–Nem fodendo! Eu também planejava esperar alguém debaixo do visgo, tanto que quem o colocou aí fui eu! Você que tem que vazar, vai, passa.
–A única cachorrinha aqui é a sua amiga Jade, garoto –ela respondeu à provocação entredentes- Agora some, porque se der mais um passo pra perto, vão achar que temos que nos beijar.
–Pois é o que eu vou fazer, se você não recuar –ele ameaçou, já erguendo o pé.
–Você não se atre--... –ela não terminou a frase. Olhou por sobre o ombro de Dave, gritou e acenou de repente- Taaaaaaaavros! Dê uma chegadinha aqui!!!!!!!!
–A-ah, eu? –o rapaz de moicano apontou para si mesmo, confuso, mas se aproximou em sua cadeira de rodas- O que foi, Vriska...?
E mal o pobre coitado se aproximou, a garota o puxou pela gola e, se curvando, lhe tascou um beijo profundo nos lábios.
Tavros pareceu tão assustado quanto Dave, talvez mais. Porque, além de chocado, o louro estava puto.
–Hey, o que está acontecendo aqui? –quem se aproximou agora foi Gamzee, franzindo a testa quando Vriska soltou um Tavros atônito- Tudo bem, Tavbro?
–E-ela m-m-me beij-beijou...à força... –o garoto gaguejava. O de suéter roxo então olhou para Vriska, e parecia irritado.
Foi mais ou menos nessa hora que Dave percebeu que era melhor sair dali. Ele esperaria até que tudo se resolvesse – e Karkat acabara de se aproximar, por isso, ele ficara tranquilo. O rapaz iria conseguir afastar Gamzee antes que ele pulasse na vagabunda da Vriska, e ninguém deveria ter medo que Tavros causasse alguma bagunça por tão pouco.
Passaram-se uns trinta minutos até que Dave encontrasse seu alvo da noite. John estava pegando um pedaço de bolo da mesa servida diante do sofá, e o garoto de óculos escuros não hesitou antes de ir para lá.
–John! –ele chamou o rapaz, lhe sorrindo- Preciso falar com você, vamos pra um canto mais afastado?
–Oh, Dave! –John desistiu de pegar o bolo, e abriu os braços- Ora, o que tiver pra falar, pode ser na frente de todo mundo! Não?
–Temo que não –ele respondeu, olhando rapidamente para o visgo perto da janela. Ótimo, estava desocupado- Vem, é rápido. –ele agarrou o pulso do moreno, e antes que este protestasse, o arrastou para o canto.
–John! –alguém o chamou. Merda.
–E-espera, Dave, espera! –Egbert conseguiu se soltar dele, e foi atender quem o chamava. Era Jade.
–John, o fogo está fraco!! –ela explicou, com uma carinha triste- Antes que fique frio, onde tem mais lenha?
–Ah, por aqui, Jade. –ele a chamou, indo até a lareira e abrindo um local debaixo de onde se botava o fogo- Viu? Madeira seca. Pode usar o quanto quiser. –ele sorriu.
–Obrigada, John! Você é muito gentil!! –ela o beijou no rosto, e Dave cerrou os punhos. Tudo bem, calma, sem problemas...ele teve de suspirar e se lembrar que John gostava dele, e não de Jade. Era apenas um beijo de amigos, certo? Certo. Mas a cara de bobo e aquela risadinha adorável que John soltava não ajudava muito.
Dave encostou-se na parede ao lado do visgo, e assobiou para chamar a atenção do rapaz de óculos, que parecia procurar por ele. John finalmente se aproximou, com um sorrisinho.
–Bem? –disse ele- O que você quer, Dave?
Sem demora, o sardento o puxou pelo rosto, segurando-o com as duas mãos, e fitou seus olhos azuis. Ah, tão lindos...ele poderia ser derretido por eles.
–Viu onde estamos? –ele perguntou, baixo. John finalmente ergueu a cabeça, e percebeu o que balançava sobre eles.
–D-Dave... –tentou gaguejar, mas o beijo na testa que ganhou logo em seguida acabou por o calar.
–Feliz Natal, John. –o louro desejou, sorrindo. O moreno abaixou a cabeça, completamente vermelho, e antes que Dave se preocupasse em ser repelido, ele balbuciou:
–Me...me beije direito...! –e o puxou pelo pescoço, tomando os lábios do garoto para si.

O beijo foi lento e delicioso, e Dave só conseguia pensar em como ele desejava que aquele momento durasse para sempre. Quando se afastaram, no entanto, conseguiram ouvir um gritinho agudo. Ao se virarem, viram ao seu lado uma garotinha pequena e ruiva com orelhinhas falsas de gato pulava no lugar, sacudindo os braços.
–Meu OTP, meu OTP! –gritava Nepeta- É canon, eu nem acredito, é CANON!!! KYAAAAAHHHH!
John e Dave só conseguiram olhar para ela, atônitos, e então se olharem ao mesmo tempo. E riram. Como nunca antes.
Feliz Natal, seu bando de bobocas.
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