Os beijos de Stefan me afogavam. Me consumiam por inteiro, abraçavam meus lábios, me faziam esquecer da realidade. Por um momento, em meio a nossa dança amorosa abri os olhos, e vi a realidade. Estava na cama de Jer! Nossa ele iria me matar, espero que ele nunca saiba. Parei de beijar o Stefan, olhei em seus olhos por alguns minutos e cochichei em seu ouvido:

"Stefan, espera só um minutinho!"- Meu sorriso largo despertou nele certo estranhamento, suas mão soltaram meu corpo.

Desci correndo escada, e no final, tropecei. Como sempre. Gritei o mais alto que pude para chamar Jer, e avisei que Stefan estava aqui. Mas, ninguém respondeu. Chamei mais uma vez, e Jer nem se quer resmungava.

"Jer, por que você não me responder?"- Por um momento, achei que Jer ainda estava vivo. Desabei. Como um prédio cheio de explosivos, caí no chão e ali fiquei. Minha lágrimas saíram de mim, foram embora, como todos os parentes de minha família.

Stefan correu até mim, colocou as mãos em minhas costas, acariciou minha espinha, apertou minhas costelas, senti sua boca em minha nuca, seus fios de cabelo em minha orelha. Consegui sentir Stefan. Ele era agora a única coisa certa em minha vida, não podia perdê-lo. Mas, aprendi uma coisa com a morte, ela sempre bate na porta.

O silêncio foi quebrado com o toque do telefone. Corri. Atendi. Assustei.

"Alô?"

"Elena, aqui é a tia Jenna!"

"Jenna, onde você está?"- Perguntei desesperadas, fitava Stefan que olhava com atenção o telefone.

"Em Mystic Falls."- E desligou. Mystic Falls era o lugar onde ela estava, onde eu deveria ir. Olhei para Stefan, e como se soube-se o que estava acontecendo, foi em minha direção e desligou o telefone para mim. Perplexa não consegui me mexer.

Jeremy está morto. Jer, como eu queria você agora! Era o que se passava em minha cabeça. Tinha que ir atrás de tia Jenna, tinha que me assegurar que estaria bem em Mystic Falls, que realmente esta viva. Tinha que me assegurar que daqui um mês não iria voltar para o cemitério, que os Gilberts não vão mais morrer.

"Stefan por favor vá embora, vou arrumar uma mala e ir para Mystic Falls!"- Disse seriamente para ele. Foi como falar com a parede.

"Vou com você."- Ele rebateu, com um olhar sério, que penetrou minha alma e que não me deu escolha. Não pude negar. Não sei por que. Não consegui.

"Tá, então se arruma, nos encontramos em uma hora." — Ordenei, como se fosse sua mãe, como se fossemos morrer juntos, como se fossemos eternos.

Ele me deu um beijo e saiu.

Fiquei sozinha, apenas com o silêncio de companhia, com os móveis e as lembranças nas fotos. Chorei. A dor de meu peito transformou-se em rios de lágrimas, água salgada que alivia a alma. Estava vulnerável, fraca, feia. Não aguenyava a realidade, não conseguia ficar sem o Jer, sem a minha tia.

Quando eramos pequenos, Jer dizia que ele iria me enterrar por que eu era muito chata, e que merecia ficar de baixo da terra pra parar de falar. Eu falava muito. Mas, agora eu que enterrei, eu deveria ter ido, mas por mero cálculo errado do destino, fiquei.

Arrumei minhas coisas com facilidade. Camiseta, calça, desodorante, cartão, dinheiro, duas calcinhas, um sutiã, escova de dentes e sabonete. Mala na varanda, já eram uma dá tarde.

Stefan tinha um carro retrô vermelho, que combinava com seu tom de pele, o som da máquina era forte, assim como o motorista. Estacionou, pulou do carro e pegou minha mala, disse que não precisava, educadamente. Mas na verdade, precisava. Decidi colocar meus óculos escuros, assim não era obrigada a mostrar minha alma a ele, de ser intimida à olhá-lo toda hora, ou piscar mostrando charme.

Os óculos eram um mero refugiu.

Stefan pediu para eu tirá-los, não entendi por que. Com as mãos segurando meu pescoço, apertando meu cabelo, ele tocou com os olhos todo meu rosto, e logo que tirei as lentes escura, fixou as duas bolas esverdeadas em meus castanhos.

"Vamos viajar, você está feliz. Você vai sair de férias. Tia Jenna se mudou. Jer esta na casa de um amigo. Você esta feliz. Você esta comigo."

Saímos, e por um momento, me senti, depois de meses, feliz.