Neville voltou para a enfermaria parecendo ansioso. — Eles enlouqueceram. Aqueles repórteres querem todo tipo de informação! Não sei o que dizer a eles.

Apsara usou aquele sorriso mágico e olhos gentis para acalmá-lo. — Você foi ótimo, Neville. Não há necessidade de dizer mais nada a eles, exceto que Harry não estará disponível para dar declarações tão cedo.

— Ele vai ficar bem, não vai?

— Vai dar tudo certo, bravo Neville. Mas eu estava pensando: precisamos tratar dele em nossa terra, e ele pode gostar de ter um amigo por perto.

Elohim pareceu animado.

— Que ideia excelente! Harry pode mesmo gostar de ver um rosto amigo. — Ele olhou para os demais e perguntou, sem especificar a quem: — Alguma ideia de quem poderia ir conosco?

Neville olhou em volta e disse:

— Normalmente, seriam Ron e Hermione. Mas ela está na Austrália, onde foi buscar os pais. E Ron está com a família, de luto pela perda do irmão Fred. Não acho que seja uma boa hora para eles. Mas Harry precisa de um amigo: eu vou.

Apsara ficou emocionada e pegou o braço dele.

— Que jovem corajoso é você, Neville. Você ficaria triste se eu dissesse que ajuda mais ficando aqui e ajudando Kingsley a lidar com esses repórteres?

— Bem... — Ele não mentiu. — Sim, claro. Mas farei o que for preciso.

Ela deu um tapinha no braço dele.

— Sua generosidade não será esquecida, Neville Longbottom.

Minerva indagou:

— Vocês têm alguma ideia de quem deve acompanhá-los na jornada? Não faltarão voluntários. Talvez um Weasley, quem sabe?

— Não, acredito que os Weasley estejam assoberbados no momento. Nós entendemos a dor da guerra, da perda de uma vida. Não, nós pensávamos que poderia ser alguém como um Malfoy.

O silêncio foi tão profundo que parecia a calma antes da tempestade. Em segundos, Minerva recuperou-se do choque e explodiu de pura indignação.

— Malfoy?! É um absurdo! Sabem quem são? Eles apoiaram Vocês-Sabem-Quem! Não, eles fizeram mais que isso. Eles hospedaram aquela criatura asquerosa como um hóspede ilustre, abriram o seu próprio lar a ele!

Com serenidade, Apsara comentou:

— Pelo que entendi, a família inteira ainda vai apresentar seu caso diante do Wizengamot.

Minerva não tinha terminado.

— Não é só isso. Lucius Malfoy nutre um ódio pessoal contra Harry Potter. Ele tentou matar o garoto em diversas ocasiões. Neville viu tudo, pode dar detalhes. — O rapaz assentiu, confirmando, e Minerva continuou. — Deixá-lo perto de Harry é dar a ele a oportunidade de cumprir a tarefa que Vocês-Sabem-Quem deu a ele a dar cabo do menino!

A ênfase no discurso da diretora de Hogwarts levou a uma pausa. Apsara olhou para Elohim. Ele, então, voltou-se para Minerva e indagou:

— Então, na sua opinião, levar Malfoy não é prudente?

A velha professora foi enfática:

— Não, para dizer o mínimo.

Apsara suspirou e trocou outro expressivo olhar com o marido.

— Então, talvez — sugeriu ela — devêssemos apenas falar com ele.

Elohim lançou um olhar insistente para sua companheira. Poppy, que olhava tudo com muita atenção, notou que a expressão dele, geralmente plácida e pacífica, adquiriu um ar de beligerância.

— Nós não podemos deixá-lo sair... incólume.

Poppy notou que McGonagall ia pressionar mais contra Lucius, mas então a diretora percebeu que os dois visitantes estavam numa conversa particular. As duas se olharam, chegando à mesma conclusão.

Melhor não interferir.

Apsara sugeriu, dirigindo-se a todos:

— Talvez nosso amigo Kingsley possa nos iluminar sobre isso. Suponho que esteja de volta ao trabalho, sendo um homem tão importante.

— Sim, senhora — confirmou Neville.

Elohim ainda estava inquieto. — Então está decidido. Eu falarei pessoalmente com Malfoy.

— Amado, por favor — interveio Apsara gentilmente. — Esperemos um pouco. Preciso olhar os meninos. Por que todos não nos acalmamos?

McGonagall teve uma ideia.

— Quem sabe seja hora de uma parada para um lanche? Pedirei aos elfos que nos tragam petiscos. Há alguma restrição na alimentação de vocês, Apsara?

— Quanta gentileza — comentou a mãe de Snape. — Somos visitantes; não seria delicado nos impormos assim.

— Bobagem — garantiu a diretora. — Vocês são convidados ilustres e familiares de um colega. Entendo que nossos alimentos e bebidas possam ser prejudiciais a vocês. Eu não me perdoaria se algo inadvertidamente os prejudicasse.

Elohim fez uma reverência.

— A senhora é sábia, pois isso é verdadeiro. Em nossa terra, precisamos de sustento para nossos corpos, mas não deve se preocupar muito. Por causa de Severus e Harry, trouxemos suplementos que nos nutrem, misturados a linhaça e outras comidas-remédios. Claro, todos são bem-vindos a nossa mesa.

Poppy sorriu.

— Isso deve ser interessante.

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— No nosso modo de pensar — explicou Apsara, de prato na mão, diante da mesa de lanche improvisada na ala hospitalar, em volta da qual estavam ela, Elohim, Neville, McGonagall, Poppy e Neville —, comida e remédio são semelhantes. Acredito que Muggles começam a adotar esse conceito integralmente. Como vocês, bruxos, já fizeram com chocolate.

— Gostaria que tivéssemos mais comida assim — confessou Poppy, com sua xícara de chá. — Facilitaria meu trabalho imensamente.

Elohim serviu-se de mais biscoitinhos de gengibre, dizendo:

— Como uma colega curadora, Apsara pode entender.

Neville perguntou pela segunda vez à mulher, apontando um prato com quadrados avermelhados:

— E qual é mesmo o nome disso?

— Balkoti — respondeu Apsara. — Fico feliz que tenha gostado. Tendemos a usar alimentos que nos confortem tanto emocionalmente quanto espiritualmente. Vai muito bem com sua linhaça.

— E tem um sabor peculiar — disse McGonagall.

— Como o seu suco de abóbora — comparou Elohim, erguendo o copo com um líquido azul grosso. — Mas eu vou ficar com o mashamad por enquanto. Sem ofensa.

Todos riram, e uma campainha soou. McGonagall reconheceu o som, alarmada.

— São as barreiras.

A voz de Apsara adquiriu um tom angustiado.

— Sinto que vem chegando grande angústia de uma mãe enlutada. Oh, amado. — Apsara colocou o prato na mesa e ergueu-se. — Melhor deixá-la entrar.

— Quem?

McGonagall mal tinha terminado de que perguntar quando as portas da ala hospitalar se abriram e Molly Weasley invadiu o local. Ela olhou em volta e localizou a diretora e a enfermeira, com alívio.

— Graças a Merlin eu cheguei a tempo. Acabei de saber o que houve com Harry!

McGonagall foi até ela, tentando acalmá-la.

— Tudo está ótimo, Molly.

— Ótimo? Ótimo? — ela gritou, indignada. — Ouvi que Harry recebeu uma das maldições de Você-Sabe-Quem e agora ele está entre a vida e a morte! E Merlin sabe que não posso perder mais uma criança logo agora, por favor, diga que não é verdade. — Ela terminou as últimas palavras em lágrimas, com a voz embargada.

Apsara gentilmente abraçou a matriarca. — Calma, Molly. Deixe-me levar você até Harry e então você pode vê-lo com seus próprios olhos.

— Oh, muito obrigada — disse ela, enxugando as lágrimas. — Nossa, depois de Freddie, não posso...

Molly ficou com a frase incompleta nos lábios quando seus olhos pousaram em Harry, depois em Severus. Depois ela olhou para Severus novamente.

E então ela desmaiou.