Moro na mesma casa a seis anos e pensava que conhecia cada metro quadrado daquele lugar. É, eu estava errada. Depois de passar anos e anos aqui, brincando de pique esconde com aqueles amigos que eu amava, mas que já se foram, – pelo menos grande maioria – eu pensava que sabia todos os lugares possíveis para um esconderijo, mas não.

Tudo começou a mais ou menos 1 mês atrás...

Eu me levantei, abri o guarda-roupa e me olhei no espelho.

Meus cabelos castanhos e ondulados estavam bagunçados, mas era fácil resolver aquilo, era só pentear eles de qualquer jeito e os colocar para o lado, as pessoas sempre dizem que o meu cabelo é bagunçado mesmo, não ia fazer muita diferença. Meus olhos castanhos claros estavam com leves olheiras em baixo, mas não liguei muito. Estava usando um pijama preto com listras brancas de ombro caído, era um de meus pijamas preferidos.

Aos meus 16 anos já deveria começar a praticar a minha escrita, já que algum dia pretendo ser escritora. Por isso peguei meus óculos – que por acaso não são de grau – pretos e os coloquei. Aqueles óculos foram um presente de um tio meu que vive me chamando de “geek”. Sinto falta dele e de suas visitas, faz mais de 1 ano que não o vejo. Coloquei minhas belas pantufas brancas com orelhas de coelho, não sei por que, mas eu amo aquelas pantufas, me fazem sentir melhor.

A manhã estava silenciosa, minha mãe tinha ido ao mercado e iria dar umas voltas, ela só voltaria a noite provavelmente.

O tempo foi passando e minha criatividade acabando. Era uma coisa um tanto estranha, as vezes eu escrevia 10 páginas por dia, mas as vezes não conseguia escrever 1 palavra sequer.

Resolvi ir dar uma volta.

Troquei de roupa, coloquei uma blusa branca escrito “Fuck You” com um casaco de renda por cima. Estava usando uma calça jeans preta e um all star preto branco. Meu cabelo estava um pouco mais arrumado, digamos que mais penteado.

Saí sem rumo pela estrada. A cidade é pequena e um pouco deserta, mas ela era linda, tinha cada cenário, havia uma cachoeira um pouco mais afastada da cidade, aquela cachoeira, meu Deus, que coisa mais perfeita. Ela era linda. Um lugar muito lindo para se visitar.

A caminhada foi rápida, logo cheguei no centro da cidade. Tudo estava tão calmo, calmo até demais. Continuei a caminhar, e acabei encontrando uma loja nova, parecia ser uma loja bem diferente das outras. Por fora, do lado das lojas com vitrines mostrando roupas e sapatos, do lado daquelas lojas revestidas por cimento tínhamos uma loja de madeira, com cortinas – que pareciam empoeiradas — ao “lado” das vitrines que mostravam diversos objetos incomuns. A loja pessoalmente me chamou muita a atenção. Resolvi entrar.

Que tipo de loja era aquela? Tinha-se objetos desde bijuteria até... objetos de alquimia? Não tinham tantas pessoas naquela loja, o que me impressionava bastante, por que ela deveria chamar muita atenção, era uma coisa diferente... Mas acontece que eu me esqueci como as pessoas rejeitam o que é diferente.

Não tinha nenhum vendedor na loja, mas tinha uma pessoa olhando alguns livros do outro lado da mesma. Não reconheci aquele garoto, e eu que achava que conhecia todos da cidade. Fiquei observando ele, mas acontece que não fui muito cuidadosa. Acabei batendo de costas em uma pilha de livros e eles foram ao chão. O garoto olhou em minha direção, eu abaixei e comecei a empilhar os livros. Ao terminar, me levantei e ao virar de costas dei de cara com ele.

Seus cabelos eram negros. Ele possuía uma “pequena” franja que ia até os seus olhos. Seus olhos, na minha opinião, eram lindos; eles eram negros, negros como o mundo inferior. Ele começou a sorrir para mim.

– Oi, quer uma ajuda aí? – perguntou.

–Não obrigado, já arrumei. – respondi.

–Por que você está nessa loja? Digo, não tem quase ninguém aqui, na verdade não tem ninguém além de nós.

–Não sei, essa loja me chamou atenção por ser diferente, com objetos bem variados e até de madeira. E você? Por que está aqui?

–Não sei exatamente, parece que fui atraído até esse lugar, não sei ao certo. Só sei que esse lugar me chamou bastante a atenção.

– Ah desculpa, que falta de educação a minha, me chamo Luiza e você?

– Lucas. – disse ele, sorrindo. – Mora a muito tempo nessa cidade? Nunca te vi aqui.

–Moro aqui a 6 anos, ou quase. E você? Nunca te vi por aqui também. Pelo menos não que eu me lembre.

–Moro aqui há 7 anos, como nunca te vi?

–Eu não sei – respondi rindo um pouco baixo.

Ficamos na loja por mais algumas horas – 2 horas talvez – olhando cada objeto, lendo os livros. Até que encontrei uma chave dourada pelo qual eu me interessei bastante. Ela não parecia ser falsa ou algo do tipo. Ela realmente parecia abrir alguma coisa, uma gaveta, uma porta... A chave estava um pouco enferrujada, mas eu conseguia ver alguns de seus detalhes. A chave em si era dourada e possuía alguns detalhes vermelhos que pareciam letras, M R S. Qual será o significado de MRS? Moradores Raivosos com Saúde? Minhocas Roedoras de Salgadinho? Macarrões Radioativos Suíços? Milhos Redondos Samurais? Mutantes em Reforma Social? Bem, que seja, só sei que não levei a chave comigo, afinal, para que eu iria querer uma chave que eu nem sei para o que ela serve?

–Gostou dessa chave? – Lucas me perguntou

–Ela me chamou atenção, apenas.

–Por que não leva?

–Se é uma chave ela deve abrir algo, mas eu nem sei o que ela abre, por que eu levaria?

–Não sei, por levar mesmo.

–Vai que outro alguém tenha o objeto que essa chave abre? Melhor deixar aqui.

–É, verdade.

–Ahnn, quer dar uma passada... lá em casa? – perguntei, nervosa.

–Claro, eu adoraria – respondeu ele, corando.

Durante a caminhada eu fui percebendo alguns detalhes de sua personalidade. Lucas era muito gentil, simpático, engraçado e um pouco ... tímido. Ele sempre falava com um sorriso no rosto, fazia caretas e palhaçadas e as vezes sorria um pouco vermelho. Além de tudo ele era fofo, falava coisas fofas para mim, qualquer garota teria sorte de ficar com ele. As vezes ele olhava no fundo dos meus olhos e os elogiavam “Seus olhos são fofos, são perfeitos”, e eu poderia dizer o mesmo de seus negros olhos.

– Sua casa não é tão perto do centro não né? – disse ele, rindo e sorrindo.

–É. Antes próxima a minha casa tinha outras casas, mas a grande parte das pessoas se foram, só sobraram 2 amigos meus. 1 convive comigo a 4 anos e a outra a 5.

–E quem são eles?

–Os dois são meus vizinhos. Um se chama Guilherme e a outra Anna.

–Entendi, e vocês são muito amigos?

–Ah somos, eu amo muito eles.

Conversamos muito durante a caminhada, não nos preocupamos em chegar rápido, afinal, tínhamos todo o tempo do mundo. Estávamos caminhando em um ritmo normal, confortável, podemos dizer.

Depois de caminhar tanto finalmente chegamos a minha casa. Ela é uma casa um pouco grande, porque antes viviam meus pais, meus avós e eu. Mas meus avós morreram e meu pai precisou se mudar por causa do trabalho e só sobraram eu e minha mãe. Ela era grande, possuía 2 andares, parecia –apenas parecia – ser de madeira pois sua cor era um marrom – envelhecido podemos dizer — com alguns poucos tons de bege, possuía grandes janelas, uma porta de madeira (de uma cor mais escurecida), uma lareira, alguns – cerca de quatro- pilares em volta dela e de sua pequena varanda.

Tínhamos um quintal na frente. Naquele meio de outono algumas folhas das árvores em volta já tinham caído e estavam pelo chão junto com a grama verde.

E atrás da casa? Tínhamos um pequeno depósito com um pequeno quintal. O depósito era como se fosse uma mini casa, pois tinha a mesma aparência da nossa. Lá colocávamos alguns objetos de jardinagem e ferramentas de construção.

Pedi para Lucas me esperar um pouco.

Fui na casa ao lado e bati de leve duas e depois três vezes na vidraça. Essa era nossa chamada “secreta”. A casa era branca com algumas faixas pretas. A grama do quintal da frente era verde e não se podia ver nenhuma folha. Claro, até porque a avó do Guilherme não gosta de sujeiras em seu quintal, folhas nunca eram bem-vindas lá. A casa tem 2 andares, e tem uma cerca que separa as nossas casas, mas não deu muito certo. A três anos quebramos uma parte da cerca para facilitar a passagem de uma casa para a outra, caso aconteça algo, uma emergência.

–Quero te apresentar ao Guilherme. – disse eu.

Após as batidas ele saiu rapidinho de casa. Usava uma calça jeans preta, um all star preto e uma blusa vermelha. Ele tem uma pele mais morena, — muito mais morena comparada a minha, eu sou um pouco branca demais – um cabelo castanho escuro e curto, possuí uma PEQUENA, muito pequena franja. Seus olhos são castanhos escuros. Ele também usa um óculos – de grau – que por sinal combina com ele, não consigo imaginá-lo sem os óculos.

– Hey Luuh, quem é esse? – disse ele.

–Gui esse é o Lucas, uma pessoa que conheci em uma loja lá no centro. O Gui é o meu melhor amigo. – expliquei.

–E eu sou o namorado dela, caí fora – falou Gui, me abraçando tentando fazer uma cara de mau – Estou brincando, fique a vontade.

–Bobo – disse eu socando de leve o ombro dele.

Convidei os dois para entrar em casa para conversarmos, e tudo aquilo que tinha me acontecido estava me dando ideias de como começar ou continuar um livro. Peguei um lápis e caneta e fui anotando pequenos detalhes. Os garotos começaram a estranhar, “O que ela está anotando?”, deveriam estar pensando eles.

–Onde está a Anna? – Perguntou Guilherme.

–Verdade, tinha esquecido de chamar ela, vou mandar uma mensagem.

Peguei o celular e lhe mandei uma mensagem “SOCORRO, VENHA PARA A MINHA CASA, AGORA”. Em poucos segundos ela chegou, bufando, cansada, provavelmente veio correndo.

–O QUE HOUVE? – Disse ela, assustada.

–Nada, só queria que você viesse rápido – respondi.

–O que você mandou para ela? – perguntou Lucas.

–“SOCORRO, VENHA PARA A MINHA CASA, AGORA” – Falei.

Ela me fuzilou com o olhar. Anna foi para a cozinha, pegou um copo e o encheu de água. Ao terminar de beber jogou o copo com muita força no chão, o quebrando e para terminar olhou para todos nós...

–Ops... quebrou. – disse ela.

Como era Anna? Anna possuía cabelos castanhos e ondulados que iam até o seu peito, possuí também lindos e perfeitos olhos verdes, usa óculos de grau que combinam muito bem com ela – não sei se ela fica mais bonita COM ou SEM óculos -, tem coxas grandes – sim eu reparo nas suas coxas porque gosto de deitar em seu colo, apesar de que é ela que deita em meu colo. Anna ri muito facilmente das coisas, ela é uma pessoa divertida, engraçada. Ela não é muito alta, é uns 3 centímetros mais alta que eu. Ela é a minha melhor amiga no mundo todo, sempre quando eu estou com um problema eu a chamo, por isso vivo falando que ela é a minha conselheira suprema. Anna só possuía um defeito... Ela era perfeita demais.

– Ela é sempre assim? – Perguntou Lucas.

–Você ainda não viu nada... – respondi.

Anna limpou os cacos de vidro e se sentou ao meu lado.

–Oi – ela abraçou Lucas – prazer em te conhecer – disse ela, cumprimentando-o.

–Oi – disse ele, um pouco tímido.

Ficamos conversando a tarde toda, falando besteiras, fazendo palhaçadas, etc. Também aproveitei que tinha leite condensado em casa e fiz um brigadeiro com coco em cima... FICOU UMA DELÍCIA, sem querer me gabar, claro.

– E aí? Como você conheceu a Anna? – Perguntou Lucas.

Eu e Anna nos entreolhamos e começamos a rir.

–O que foi? – disse ele.

–É uma longa história – disse Anna.

–Me contem!

–Posso contar dessa vez? – perguntei.

–Claro. – respondeu.

– Bem, naquela época houve uma pequena festa em Golden Black. Tudo ocorreu na praça central. Eu fui naquela festa, me lembro de tudo, tudinho mesmo. Lembro-me dos balões coloridos por toda parte, lembro-me das barracas com jogos e prêmios. Lembro-me também como conheci Anna. Eu estava de boa lá, comendo uma maçã, quando escutei uns gritos. Comecei a olhar para os lados e tentei seguir o som, logo acabei percebendo que os gritos vinham do banheiro químico. “Oi? Tem alguém aí dentro?” “Sim, por favor, me ajude, fiquei trancada dentro desse banheiro”. Tentei abrir a porta, mas ela estava emperrada. Ficamos uma meia hora forçando aquela porta, até que por um milagre conseguimos abri-la. Então ela me agradeceu e começamos a conversar aí descobrimos que éramos vizinhas e não paramos de nos falar. Fim.

–Então você conheceu a Anna tirando ela de um banheiro químico? – Perguntou Lucas.

–Sim – comecei a rir junto com Anna.

Começou a escurecer e todos deveriam voltar para suas casas e logo mamãe chegaria e ela não gostaria de saber que uma de suas taças favoritas foi quebrada e que teria um bando de “aborrecentes” em sua sala.

Guilherme e Anna foram indo para suas casas, enquanto isso fui me despedindo de Lucas.

–Amanhã nos falamos? – perguntou ele.

–Podemos nos falar pelo computador, eu dou uma pesquisada e pronto, depois é só você aceitar a solicitação, claro.

–Ah que bom. Foi ótimo te conhecer.

–Ah obrigado, digo o mesmo. Qual é o seu sobrenome? — perguntei, olhando para o chão.

– Lucas Oliveira – falou ele, como se houvesse algo errado com seu sobrenome – e o seu?

–Moraes, Luiza Moraes – disse.

–Bonito sobrenome...

–Sério? Eu não acho...

–Ah eu achei.

–Obrigado. Aliás, onde você mora? – perguntei curiosa.

–Você conhece a cachoeira da cidade? – Fiz que sim com a cabeça — Então, perto daquela floresta e daquela cachoeira tem uma cabana de madeira. Quando meus pais... morreram, eu não consegui mais viver em casa, por isso é que eu resolvi morar naquela cabana. É uma casa só minha, não é como essas mansões e casas como a sua ou como as de hoje em dia, mas eu adoro aquele lugar, me traz uma paz.

Fiquei um pouco impressionada. Como assim os pais dele morreram? E aquela cabana que sempre vi durante anos quando ia visitar aquela cachoeira... Como nunca percebi que alguém morava lá? Aquilo era muito estranho. Já visitara aquele lugar muitas vezes e nunca percebera isso.

Bem... me lembro de uma vez, faz cerca de 4 anos, eu encontrei aquela cabana como todas as outra vezes e resolvi entrar, pela primeira vez. Ela parecia estar novinha em folha por dentro, sem poeira nem nada, achei estranho, “Está tudo tão limpo, tão muito bem cuidado... Como isso?”, não parava de me perguntar. Fui olhando os objetos, lembro-me de ter escutado passos, então saí correndo pela floresta. Lembro-me da sensação de estar sendo perseguida... era horrível, parecia que alguém corria freneticamente atrás de mim, mas eu olhava para trás e para os lados e não tinha ninguém. Era estranho. Lembro-me de correr por uma trilha para voltar para a cidade, lembro-me de escutar barulhos nas árvores como se algo fosse sair de lá, mas não era possível. Se eu escutava passos como a pessoa poderia estar nas árvores? Só se ela corresse por entre os galhos, mas aquilo não seria possível... Acredite, eu já tentei, aqueles galhos são muito finos para aguentar o peso de um corpo humano. Lembro-me de tropeçar em uma pedra e cair, fiquei apavorada, não conseguia me mexer, achei que aquela coisa ou alguém iria me pegar “POR FAVOR, SE AFASTE, ME DEIXE”, gritava eu, apavorada. Aquele dia me trouxe pesadelos durante um mês, de vez em quando ainda tenho pesadelos. Não sei como sobrevivi, ou como cheguei em casa quase intacta, a não ser pelo meu joelho ralado e pelos meus pensamentos “perturbados”

Apesar de amar aquela vista e aquela cachoeira, não tenho boas lembranças daquele lugar. Além de ser perseguida, me afoguei naquela cachoeira na primeira vez que a visitei, roubaram o Guilherme enquanto eu estava com ele lá, deixei cair o meu primeiro celular naquele mar – é, infelizmente ele não era a prova d’água – ALÉM de que no meu primeiro Dia das Bruxas naquela cidade eu fui perseguida por um ser alheio vestido de “maluco da serra elétrica” , E ELE ESTAVA COM UMA SERRA ELÉTRICA, UMA DE VERDADE, VERDADE VERDADEIRA.

– Ah sim, sei onde fica.

–Você parece assustada, parece estar mais branca, o que houve?

–Nada, só me veio alguns pensamento a mente.

–Parece que viu uma assombração, algo te perseguindo –disse ele rindo.

Olhei para ele bem sério, ele estaria brincando ou aquilo era uma indireta? Não tive coragem de perguntar, ele poderia achar que eu era louca, até porque ninguém sai por aí te perguntando “foi você que me perseguiu lá na cachoeira outro ano?”.

– O que foi? – disse ele olhando para trás – Não tem nenhum espírito por aqui ou coisa do tipo, não é?

–Não, não, só estava brincando, queria te deixar preocupado – mostrei a linguinha para o fazer achar que era uma brincadeira.

–Boba – disse ele, bagunçando o meu cabelo.

Fui o deixar na saída. Enquanto caminhávamos durante aquele curto tempo, fomos conversando... Conversando sobre diversos assuntos. Falamos sobre tudo e sobre nada. Cada um falava uma coisa, estávamos sendo aleatórios. A conversa foi mais ou menos assim...
“- Eu gosto de raposas, são animais interessantes. – dizia eu.

–Como o dia está bonito.

–Sinto falta daqueles bolinhos que minha avó fazia para mim quando menor.

–Adoro ler, as vezes os livros nos fazem bem, parecem ser os únicos a nos compreender.

–Sim, Handebol é um ótimo esporte.

–Adoro comer algo doce.

–Tenho bastante interesse sobre a mitologia grega e o tempo medieval.

–Seu brigadeiro estava bom.

–Verdade, o dia está lindo .”

É... foi meio bizarro, mas foi divertido. Adorei ter conhecido Lucas, ele era uma pessoa intrigante, parecia esconder algo, um mistério, o que fazia eu me interessar ainda mais por ele. Não digo interessar por gostar dele, se o Guilherme me ouvisse dizendo isso iria ficar falando “tá apaixonada, tá apaixonada, tá apaixonada”, mas não. Eu considero Lucas um grande amigo, pois é, já o considero um grande amigo depois de o que? Umas seis horas? Oito?

(Talvez 10 minutos) Depois da partida de todos fui preparando o meu banho. Não sei o porque, mas hoje eu estava a fim de tomar um banho de banheira. Normalmente banhos de banheira não me agradam, sempre pensei “quando você toma um banho de banheira você fica de molho, de molho em sua própria sujeira”, mas algumas pessoas (indireta para Anna) me convenceram de que banhos de banheira não eram tão ruins assim.

Devo ter ficado uma meia hora lá...

Durante o banho escutei o barulho de um carro chegando, imaginei que fosse minha mãe, aliás ela tinha saído o dia todo, o que será que ela foi fazer? Essa pergunta ficou bailando no ar, até porque seria estranho eu estar no banho e gritar do banheiro “MÃE, O QUE VC FEZ HOJE?”, era melhor eu terminar uma coisa para depois começar outra.

Ao sair do banho já vesti o meu pijama, — ele era branco com detalhes em vermelho, e possuía belas corujinhas na blusa – coloquei minha sandália vermelha e aqueles óculos pretos que comentei na primeira página – e sim, esses óculos são os meus óculos favoritos, ou melhor, eles são os meus acessórios favoritos.

Comecei a andar em direção a cozinha a procura de um lanchinho noturno, a casa estava deserta, será que era mesmo mamãe quem tinha chego? Comecei a me lembrar de quando era criança, eu tinha um cabelo mais escuro e escorrido, lembro-me também de usar umas camisolas brancas, então imagine uma criança de 7 anos indo para a cozinha com um cabelo escuro e escorrido na cara e com um “vestido” branco. É, era assustador, mas também tinha uma vantagem naquilo, na minha cidade passada eu tinha ganho o troféu de “melhor fantasia” de Dia das Bruxas com aquele meu velho pijama e aquele meu cabelo escorrido, ai ai, bons tempos.

Cheguei na cozinha e olhei para a janela; não tinha nenhum carro ali, será que eu tinha escutado errado? É, talvez seja isso. Mas havia sim um carro, um carro preto, uma mini-van do outro lado da rua. O que aquele carro estava fazendo ali? Eu não o conhecia e sabia que não era de Guilherme nem de Anna... Alguma coisa estranha estava acontecendo.

Fiz um Nescau para mim – não sou muito fã de café – e fiquei sentada na mesa, rabiscando algumas aparências de personagens – não sou lá uma grande desenhista, mas as vezes é bom ter uma noção de como é aquilo que você escreve, pelo menos do jeito que você imagina – a casa estava silenciosa, já eram 21h00min e mamãe ainda não tinha chego, será que ela pegou fila? Mas, ela disse que só tinha ido ao mercado, não era para ela demorar muito. Sim, eu a conheço e sabia que ela iria dar umas voltas em alguns lugares, mas não imaginei que ela iria demorar TANTO.

Fiquei rabiscando, lendo, escrevendo, fazendo um pouco de tudo. 00h07min. Nada de mamãe em casa. Resolvi ir dormir, já estava tarde, se é que eu iria dormir preocupada desse jeito que eu estava, e se ela bateu o carro? E se alguém a assaltou? Acalme-se, são apenas alguns E SE’s, isso não quer dizer que isso tenha acontecido ou vá acontecer.

Fui caminhando por entre os corredores a caminho de meu quarto, quando cheguei lá, antes de me deitar dei uma última olhada na estrada, pela janela de meu quarto, aquele carro ainda permanecia lá, imóvel.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.