Aquele Garoto Idiota e Aquela Garota Idiota

8 Capítulo Final - Coração desregulado


Notas iniciais
Olá meus queridos! Sim, aqui vai o ultimo capítulo. Tenho mais que agradecer pelos poucos e fiéis leitores que eu tive durante esse tempo, eu adoro vocês! Vou contar um segredo: eu nunca tinha terminado uma fic. Mas por uma briga mental comigo mesma, me forcei a terminar, pois sabia que tinha gente aqui e no Spirit querendo ler o fim tão esperado. E agora, deixo vocês lendo o último (e mais triste) capítulo de Aquele Garoto Idiota, Aquela Garota Idiota. Obrigada, vocês são demais!

– Thomas? – disse Balther meio sem graça, mas com um tom alegre. O arrependimento me pegou de surpresa e tentei me aproximar dele, nas todo o passo que eu dava para frente eram dois passos para trás de Thomas. Sua cara de assustado não tinha se desfeito, e tudo o que fez foi entrar na casa de Pedro, chutando o pacotinho rosa. Bosta Amanda, olha isso! Corri para dentro também, deixando Balther parado no muro.

Quando entrei, todos me olharam com uma cara assustada, e segui o vão que ia para a cozinha, onde Thomas tirava uma garrafa de vodca do armário. Sem falar nada, observei seus olhos se encher de lagrimas e engasgar com a bebida. Julia estava do seu lado, e tentou acalma-lo, tirando a bebida da mão dele e abraçando-o. Renan foi o primeiro a entrar na cozinha, seguido por Hideki e Pedro. Nenhum deles parecia entender nada, somente eu e Julia, que me olhava com uma cara brava.

– Thom...

– Não fala comigo. Nunca mais fala comigo. Eu confiei em você... Eu amei você, Amanda! – ele disse começando a chorar. Meus olhos também se encheram de lágrima, mas nenhuma saiu. O que eu tinha feito foi errado, então eu não tinha o direito de chorar.

Renan se aproximou de mim, colocou as mãos no meu ombro e sussurrou algo que não escutei. Minha atenção estava toda em Thomas. Julia também sussurrou algo para ele que o fez assentir e então saiu com o menino que era quase o dobro do seu tamanho, deixando a casa no maior silencio. Hideki foi o primeiro a perguntar.

– O que aconteceu aqui?

– Eu beijei o Balther. – as palavras saíram da minha boca rápido demais, mas o suficiente para fazer todos pularem com a surpresa. Hideki não parava de andar de um lado para o outro, me xingando mentalmente, enquanto Pedro ficou imóvel. Renan não me largou, mas também não foi muito caloroso.

– Era isso que seu coração mandou fazer, Amanda? – ele disse.

– Foi... – senti o soco de Pedro na porta da cozinha. Levei um susto e o acompanhei com o olhar, sair pela mesma porta que Thomas saíra com Julia. Minhas pernas não aguentaram. Caí no chão, mas nenhum dos meninos pareceu preocupado em me ajudar. – o que... Eu faço?

– Termine essa merda, Amanda. – disse Renan, também saindo pela porta. Olhei para Hideki com certa vergonha.

– Eu lembrei porque nunca existiu um Nós: seu coração é desregulado. – ele disse, sentando em uma das cadeiras, coçando a cabeça, meio confuso.

Levantei-me lentamente e saí também, mas em direção à minha casa. Me sentia um lixo. Quando Balther veio falar comigo ao me ver saindo, o ignorei completamente. Dei mais uns passos e peguei o pacote rosa do chão. Li um pequeno escrito no canto, com a letra de Thomas:

“Para a minha bobona. Vamos ficar juntos para sempre, eu te prometo.”

As lagrimas não paravam mais de cair. Saí correndo para casa, berrando e soluçando feito um bebê, e na metade do caminho, caí no chão novamente. Senti a dor me invadir, mas não dei a mínima: nada era pior que a dor de sentir que você acabou de fazer a maior cagada do universo. Cheguei em casa, subi as escadas e me tranquei no quarto. Julia não estava, pelo menos nenhuma das luzes estavam acesas.

Abri o pacote com medo do que havia dentro, e assustei: vários papéis com textos, todos com meu nome, hora dizendo “eu me apaixonei pela Amanda” e hora dizendo “eu queria ser mais corajoso”. Merda, eu fui totalmente egoísta! Beijando um cara qualquer para esquecer os meus “problemas”, que tipo de vadia eu sou?!

Estava começando a ficar com dor de cabeça depois de tanto choro, até que no fundo da caixa, vi outro pacotinho. Dentro dele havia uma passagem para a cidade que Thomas estava se mudando. Meu mundo terminou de desabar: joguei tudo no chão, saí correndo e gritando para o meu banheiro. Minha cabeça não parava com vozes me criticando, e cada vez aumentavam mais e mais...

– Calem a boca!!! – berrei comigo mesma. Dei um soco no espelho, o que o fez quebrar e minha mão sangrar. Droga, nem mesmo a dor de um corte eu estava sentindo! – Amanda... Olha o tamanho da merda que você fez... – disse.

Depois de uma hora sentada no chão do banheiro, pensando no que fazer, levantei-me e saí dali. Minha mão pingava sangue, mas não liguei: deitei na minha cama daquele mesmo jeito, aquele estado horrível em que estava.

Na manhã seguinte, levantei cedo e fui para a cozinha. Julia ao estava lá, mas havia um bilhete pendurado na geladeira.

“Pegue a sua passagem. Você sabe o que fazer.”

Engoli em seco. Subi as escadas de novo e procurei pela passagem que estava no chão. O ônibus sairia dentro de quinze minutos, e não me arrumei. Naquele estado deplorável, suja, ensanguentada e descabelada, saí com meus patins até a rodoviária. Eram oito e quarenta e sete. Faltavam treze minutos.

Vi os cabelos ruivos de Julia a metros de distancia, e soube que ele ainda estava lá. Gritei pelo seu nome mas ela não ouviu. Quando chegava mais perto, via a fila que se formava na frente do ônibus e soube que meu tempo estava acabando.

– Thomas... – eu tentava gritar sem muito sucesso.

Quando cheguei perto do ônibus, o motorista já estava entrando. Não daria tempo nem para subir nele mais, e então pensei na coisa mais idiota de todas. Peguei o meu celular e em pouco tempo coloquei Instant Crush para tocar. Eu sabia que ninguém de dentro do ônibus ia conseguir ouvir. Ou quase todos.

Vi Thomas se levantar com uma cara surpresa e parar do lado do motorista. Com o resto de força que eu tinha, comecei a cantar, mesmo que as lagrimas começassem a cair. Os lábios de Thomas ficaram trêmulos, e assim permaneceu até o motorista dar a partida. Não dava mais tempo.

– Você não me ajudou no trabalho de artes, seu idiota..! – foi tudo o que eu consegui gritar. Uma lagrima escorreu em seu rosto. Soube que ele tinha entendido.

“E você nunca me deu um beijo, sua idiota!” foi o que eu entendi, lendo seus lábios. O ônibus deu ré e por fim partiu. Julia parou do meu lado e suspirou.

– Ele disse que não queria falar com você por um tempo.

– Eu sei. Nem eu gostaria de falar comigo mesma por um tempo. – disse saindo em direção de casa. Julia apertou a minha mão. Soltei um gemido de dor.

– Esse é pra você aprender a pensar antes de pedir qualquer bosta pra um galinha, e acreditar no que ele tem a dizer. – ela apertou mais uma vez. Caralho, aqui doía demais! – e esse é por achar que sua prima gosta do Thomas sendo que ela já está namorando. Sua idiota! – e eu um tapa na minha cabeça antes de rir e sair em direção ao carro.

– Por que você está rindo, Julia? Acabei de cometer a maior merda de tod... – ela tampou a minha boca.

– Talvez isso seja um sinal, Amanda. E vem, eu deixo você entrar no meu carro. Não sou tão má. – e me puxou pelo braço. Não falamos muito, e evitamos o assunto de ontem, mas assim que chegamos, Balther estava parado em frente ao portão. Julia já ia descer, mas fiz que não com a cabeça. Aquilo só eu poderia resolver.

Quando desci do carro, Balther abriu um enorme sorriso e veio me dar um abraço, mas me afastei antes disso.

– O que eu pedi ontem foi errado. Me desculpa por te iludir achando que gosto de você. – eu disse olhando para baixo. Ele riu.

– Eu sei que você não gosta de mim, Amanda. E eu não me importo com isso. Eu só gosto de ter alguém comigo e achei que você ia conseguir suprir a minha carência, mas não gostando de outro cara assim como você gosta. Mas... doeu um pouco sim. – ele apertou seus braços.

– Pedir desculpas não adianta, mas... Espero que você fique bem e encontre essa garota.

– É, eu acho... — e saiu andando.

Precisava de um pouco de ar e decidi patinar mais um pouco. Passei na frente da escola, e como era sábado, entrei para ver como ela era vazia demais e bonita assim. Tirei os patins e fiquei descalça. Passei as mãos pelos armários, passei pelo refeitório e parei no corredor em que trombei com Thomas e o vi pela primeira vez. Sentei um pouco ali no meio e fiquei pensando em como a vida pode ser engraçada no quesito conhecer gente nova.

Após algum tempo fui até a sala de artes e me sentei no mesmo lugar onde eu estava quando peguei o seu caderno. Tentei reviver a cena engraçada que foi a professora nos passar um trabalho... Droga. Eu tinha aquele trabalho para entregar na próxima semana!

Demorei um pouco mais e saí da escola, patinando por lugares aleatórios. Eu queria sentir o vento, e esquecer as vozes que ainda me criticavam. Por algum motivo, uma voz parecida com a de Thomas era a única que me protegia. Sorri por um momento. Acho que aquele realmente foi um sinal.

Notas finais
Um aperto no coração no fim, não é? Bom, mas infelizmente nem todas as coisas têm finais felizes... Nem mesmo para a Amanda. Agradeço por todos os leitores!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!