Aquele Garoto Idiota e Aquela Garota Idiota

3 Capítulo 3 - Um Pedro e um Thomas


Notas iniciais
Agora a coisa começa a apertar com os personagens aparecendo. Na minha opinião, ainda tá fácil a situação da Amanda, mas não posso dar spoiler. Hahaha! Até sexta!

Acho que todas as enfermeiras apareceram na sala de cirurgia para me segurar e dar dois pontinhos em cada joelho. Renan passava a mão em meus cabelos negros enquanto eu gritava mesmo sabendo que já estava anestesiada e não sentia dor nenhuma. Essa minha fobia me dá nos nervos, porque nenhum psicólogo conseguiu me ajudar com isso até hoje.

Após alguns minutos, Renan me levou até uma sorveteria no caminho de casa, para tentar espantar o meu resto de nervoso. Tomamos um sorvete de morango, e enquanto íamos para o carro, senti um barulho familiar. As rodas do skate velho de Thomas faziam um barulho quase igual ao de pedras arrastando no asfalto. Sem pensar duas vezes me virei com um sorriso no rosto e o encontrei olhando para mim também, parando o skate.

– E aí? Melhorou um pouco? – ele disse apontando para os meus joelhos.

– Sim, eu só fiz um escândalo, mas deu tudo certo. A aula já acabou? Eu não sei que horas...

– Duas horas. – Renan disse apoiado no carro, encarando Thomas. Pelo o que conheço dele, estava analisando as reações do “bofe”. Passei uma das mãos em meu cabelo e dei um sorriso para Thomas. Espera. Estava parecendo uma idiota!

– Ah, eu esqueci...

– De responder a minha mensagem, eu sei. Não se preocupa, o Pedro me deu o seu endereço quando eu disse que ia levar o seu material. – ele estendeu a minha mochila cuidadosamente com um sorriso meio nervoso. Mais uma vez o silencio invadiu a rua, até que Renan salvou o dia.

– Bom, acho que o Don Juan pode te acompanhar até em casa, não é mesmo Amandinha? – ele piscou pra mim.

– O que? – eu disse com o coração acelerando de novo.

– Eu que pergunto... O que?! – Thomas disse meio sem jeito.

Renan riu, mas não disse nada. Entrou no carro e trancou as portas. Fiquei encarando aquele bicha até ele abaixar o vidro do carro e dizer:

– Vocês precisam de um tempo para se conhecer melhor. Me liga depois amiga! – senti a partida do carro e me afastei, indo em direção de Thomas que estava com uma expressão confusa. Bufei tão alto que aposto que pessoas na sorveteria do outro lado conseguiriam ouvir.

Aquele silencio já estava começando a me dar nos nervos. Sério, não existe coisa pior que ficar num silencio triste com uma pessoa que você quer tanto puxar papo. Mas antes de dizer algo, ele soltou uma risadinha.

– Seu amigo é meio engraçado.

– Sério? Eu achei que ele queimou uma grande amizade agora. – disse com meus olhos fuzilando no caminho que fizera com o carro.

– Ele só tentou ajudar em alguma coisa. Ei, vamos pra sua casa ou vamos ficar aqui parados? – ele disse se aproximando de mim e passando a mão na minha cintura. Assustei com o gesto, mas como se tivesse lido a minha mente, completou – é pra você não cair. Deve estar doendo um pouco pelos pontos... Mas... Se quis...

– Não, eu quero. – disse rápido demais. Ele me encarou e deu uma risada gostosa.

– Depois diz que não quer ficar comigo! – senti que ele falou sem pensar, pois logo limpou a garganta e me olhou sem graça. – Digo, você age como se quisesse.

Apertei meus olhos o encarando. – Claro que não seu idiota! – deu um tapinha em seu ombro, fazendo o mesmo rir. Seguimos o caminho conversando sobre coisas aleatórias, como minha infância chata, ou a adolescência agitada dele. O papo rendeu até a porta da minha casa, quando Julia saiu para ver quem estava falando tão alto. Senti o braço de Thomas ficar rígido por um instante, até que decidi agir.

– Thomas, essa é a minha amiga, Julia. Ela mora comigo, dividimos o aluguel. – ele abriu aquele sorriso lindo dele e acenou com a cabeça para ela. Julia só o encarou séria, e disse um “oi” meio seco, e logo me ajudou pegando o meu material dos braços de Thomas e entrando dentro de casa, deixando nós dois a sós de novo. Me encostei no murinho baixo perto do portão, agora livre dos braços dele.

– Hum.. Obrigada por trazer o meu material.. E me trazer junto! – os dois riram.

– Não foi nada, é o mínimo que um amigo pode fazer pelo outro... – ele disse olhando para os lados.

– Sim, amigos... – passei uma das minhas mãos no meu braço, e senti o clima ficar pesado. – Hum.. Thomas, o que você é do Pedro..?

– Somos amigos. Ele não é o melhor amigo do mundo, nem eu sou, mas é boa pessoa.

– Ahm... Sério? Eu pensei que eram inimigos ou algo assim. O jeito que ele te olhava na enfermaria não foi muito amigável. – disse prestando atenção em suas ações.

– Ele estava com ciúmes. Ele gosta de você, ficou bravo por eu estar te ajudando e ele não. – senti meu rosto corar. O Pedro era um babaca completo, mas eu o amava, assim como sempre amei outros babacas. Antes que pudesse falar algo, ele completou – Amanda, eu queria ajudar você e ele a ficar juntos, mas não sei se consigo mudar a cabeça dele. – bati na parede atrás de mim. Thomas assustou.

– Não quero ele de novo. Tipo, eu amo ele, mas eu não mereço sofrer mais do que já sofri. – uma lágrima começou a se formar, mas não liguei e continuei – a minha vida toda eu só liguei para babacas e imbecis, que só pensam no próprio focinho, na esperança de que eu poderia mudar eles, mas sempre era a mesma coisa, eu não podia. – comecei a soluçar. Thomas tocou o meu ombro já ficando preocupado, esfreguei as costas das minhas mãos em meus olhos e continuei antes de suas palavras de conforto – eu queria ser amada de verdade pelo menos uma vez na vida, sabe... Um garoto que fosse me aguentar mesmo quando eu ficasse irritante, mesmo que eu chateasse com verdades ditas da boca pra fora, um menino qualquer, que aparecesse do nada e me fizesse sorrir... Thomas, por que eu não posso ter isso? – eu não aguentei. Abracei o menino tão forte que ele teve que dar alguns passos para trás para não cair. Eu chorava desesperadamente como uma criança perdida. Meu toque foi retribuído instantaneamente, além de uma resposta simples que eu viria a refletir apenas dias depois.

– Talvez você só esteja procurando nas pessoas erradas...

Entrei em casa com os olhos vermelhos, o que fez Ju pular do sofá e vir em minha direção. Expliquei tudo o que eu tinha dito para Thomas, e ela compreendeu. Sério, eu amo essa menina. Tomei uma ducha e fui desenhar um pouco, talvez aquilo me fizesse melhor. Quando entrei no meu quarto, minha mochila estava em cima da minha cama; abri o repartimento dos cadernos, e uma coisa me chamou a atenção: uma pequena pulseira verde estava marcando uma página do meu caderno de redação. Abri na página, onde palavras em letras cursivas formavam um pequeno texto.

“Oi. Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, não sei usar palavras e te magoo mais fácil do que magoo a mim mesmo, mas eu queria uma segunda chance. Podemos sair? Quero te ver e conversar como antes de tudo, você ainda é a melhor pessoa na minha vida. Me responde logo.”

Pedro era ruim nas palavras. Quem lesse, o acharia arrogante e idiota – esse ultimo ele até era – mas eu o conhecia muito bem. Suspirei. Aquilo era a ultima coisa que eu gostaria de ler. Mas, logo abaixo, em caneta azul, havia outro textinho, com uma letra mais redonda e fácil de entender.

“Eu não sei como você vai ficar ao ler o que esse babaca escreveu, mas eu realmente acho que você deve pensar em dar uma ultima chance pra ele. Tipo, vá como uma amiga, sem pensar mais adiante. Eu marquei a página com a minha pulseira, e ela agora é sua, para usar sempre que se sentir fraca, porque eu sei como você deve se sentir com ele... Já soube sobre você bem antes de nos conhecermos pelo Pedro e... Estou do seu lado, sem duvidas. Quando precisar de mim, me chama pelo celular, e lembra de marcar meu nome, sua bobona!”

Sorri feito idiota com o “bobona”. Thomas me conhecia há tão pouco tempo e já sabia me fazer ficar sem jeito... Prendi a pulseira no pulso direito e sorri, passando a mão na mesma por um longo tempo. Dei um pulinho e peguei o meu celular. Digitei rapidamente e salvei seu número na minha agenda telefônica. Mas antes de deixar o celular de lado, tive uma pequena ideia. Digitei rapidamente uma mensagem e enviei, largando o celular de lado com medo da resposta. Desci para jantar, e nem ouvi o meu celular apitar logo em seguida.

Notas finais
Gostou? Comente! Eu não vou aparecer debaixo da sua cama, sério.