Aquele último ano

9 Capítulo Especial


Notas iniciais
Bom gente, pra não ficar muito tempo sem postar resolvi fazer esse pequeno capítulo a parte, contando um pouco de alguns pontos da história na visão do Renan. Espero que gostem. Boa leitura!

Cheguei na cidade e imediatamente senti uma nostalgia enorme. Cada lugar me trazia uma lembrança diferente, nunca pensei que voltaria para cá novamente, não que eu não quisesse, simplesmente não fazia parte dos meus planos, mas ainda assim estava curioso para saber como as coisas seriam daqui pra frente.

Professor, eu? Nunca em toda minha vida me imaginei como professor, seria uma experiência bem interessante. Já havia entrado em contato com Marco e fiquei aliviado quando soube que ele me deixaria ficar por um tempo em sua hospedaria, afinal ainda não havia encontrado um lugar para eu ficar. Marco não havia mudado quase nada, era praticamente o mesmo. Contei a ele que seria professor e sua reação foi engraçada, presumo que ele também nunca havia me imaginado dando aula pra um bando de adolescentes. Sinceramente quando pensava por esse lado minha animação diminuía.

Me instalei na hospedaria de Marco, com poucas coisas, ainda não tinha levado tudo o que eu precisava, só o essencial. Passei praticamente todas as últimas semanas de férias (dos alunos) na escola enquanto me davam instruções, nada muito complicado. Mas uma instrução chamou minha atenção, não por ser difícil ou rara, mas por ser absurdamente estupida. Era proibido na escola relação amorosa entre professor e aluno. Segundo a diretoria da escola, em anos anteriores eles haviam tido problemas com isso antes, então para facilitar eles resolveram colocar um limite entre professor e aluna, ou professora e aluno. Que adulto em sã consciência iria se relacionar assim com uma aluna? Fora a diferença de idade! Quase ri quando me disseram isso mas me segurei.

Passei as tardes dos meus dias estudando algumas coisas que tinha de dizer aos alunos e em outras horas andando a toa pela cidade. Um dia, algo chamou minha atenção. Tinha acabado de sair da hospedaria e estava indo para a escola entregar alguns documentos, de moto. Assim que acabei de sair da hospedaria, nem havia pegado velocidade a moto ainda, vi uma garota andando sozinha, a primeira coisa que reparei foi nos cabelos, de longe se via que eram azuis, achei interessante, nunca havia visto um cabelo assim. Assim que passei por ela reconheci seu rosto, inconfundível. Eloisa, a irmã mais nova de Marco. Como ela havia mudado! Passei rápido por ela mas imagino que ela não tenha me reconhecido, afinal estava de capacete. Não me importei muito, teria outras oportunidades de falar com ela.

Primeiro dia de aula e eu já estava na sala dos professores, o barulho dos alunos chegando era um pouco irritante. Não vou negar, estava um pouco ansioso. Fazia apenas 4 anos que tinha saído da escola e já estava de volta, mas como professor. O sinal bateu e eu já estava na minha primeira sala de aula, esperei os alunos se organizarem em seus lugares e levantei para começar a dar as instruções. Assim que ia começar a falar ouvi a porta abrindo, um aluno atrasado, logo no primeiro dia de aula. Me virei para ver quem era e mandar se sentar. Assim que olhei já vi que seria mais divertido do que imaginei ser professor. Lá estava ela, com aquela cabeleira azul, na porta da sala, chegando atrasada no primeiro dia de aula. Senti uma vontade enorme de rir mas me segurei, olhei pra ela com firmeza e pedi para que se sentasse, ela me observou confusa por um tempo e depois se sentou. Ela havia crescido, vendo de perto agora dava para perceber. Seu corpo havia se desenvolvido, havia ganhando mais altura e seu rosto estava mais fino. Fiquei estranhamente feliz.

Correu tudo bem, no meu primeiro dia como professor, mais calmo do que imaginei. Troquei algumas palavras com Eloisa quando a vi na hora da saída, estava diferente conversar com ela também, estava mais madura como se eu conversasse de igual para igual.

Marco e outras pessoas que fizeram o colegial com a gente marcaram de jantarmos juntos, seria divertido. Mais uma vez uma coincidência e encontro Eloisa no caminho, ofereci carona a ela e fomos juntos até o restaurante, de moto. Foi revigorante ver todo o pessoal, foi como se nem tivéssemos crescido. Sasha havia mudado pouco, foi meio estranho encara-la depois de tanto tempo, apesar de não estarmos mais namorando era uma pessoa que eu admirava bastante, tinha uma energia e gentileza invejáveis. Ainda éramos amigos e conversávamos normalmente, isso me deixava mais confortável.

Se as coisas continuassem no ritmo que estavam o ano seria melhor do que imaginei. Algumas coisas diferentes aconteciam, coisas que provavelmente aconteciam muito quando eu estava na escola também, mas que olhando assim agora era meio bobo. Comecei a criar um vínculo maior com Eloisa, algo natural, era fácil conversar com ela, talvez estivesse começando a me apegar um pouco, pouco não, bastante, e notei isso quando a vi completamente “morta” em um dia de aula. Não prestou atenção na chamada e seu olhar estava vazio e distante, aquilo me incomodou um bocado. Perguntei discretamente se estava tudo bem e ela disse que sim, isso me deixou absurdamente frustrado, era óbvio que não estava tudo bem, achei que ela tivesse mais confiança em mim. Encontrei-a novamente depois na sala de música, ela parecia estar melhor, ainda assim resolvi abordar o assunto mas não tive nenhuma resposta concreta. Porém, seu sorriso estava de volta, de alguma forma aquilo me tranquilizou e deixou meu próprio humor melhor. Como um lixo de professor que sou fiz com que uma aluna minha matasse aula e ficasse conversando comigo na sala de música, eu havia escutado o sinal bater, mas resolvi não dizer nada. O ambiente estava bom e leve, a conversa estava envolvente e tranquilizadora. Eloisa sempre foi assim? Por alguma razão gostava da companhia dela, ela não me tratava como “professor”, apenas como Renan, acho que era isso o que me deixava mais a vontade. Com exceção de algumas poucas vezes em que eu demonstrava maior preocupação com ela e ela colocava uma barreira de “professor e aluna”, pelo menos um de nós era sensato.

Provavelmente posso estar ultrapassando alguns limites como professor, sendo até infantil. De qualquer forma, não tenho nenhum tipo maior de envolvimento com ela, então estou com a consciência limpa.

Bem, pelo menos por enquanto, esse ano parece que será realmente divertido.

Notas finais
Bom, espero que tenham aproveitado! Até o próximo capítulo!