Aquela com o Sorriso
8 Aquela com o pesadelo
Notas iniciais
“Estava correndo, não sabia o que fazer!
Ouvia vozes atrás de mim e implorando por uma música minha! Mas essas vozes eram assustadoras!
Corri tanto que cheguei a um beco sem saída desconhecido... A única coisa que consegui dizer foi “mamãe!”. Logo os meus sussurros viraram gritos e eu fiquei desesperada gritando sem parar. As vozes eram cada vez mais agudas e finas, percebi que estava surda, mas meus ouvidos doíam e eu estava gritando, mesmo sem ouvir meus próprios gritos...
Derrepente sinto algo meu abraçar, algo não... Era meu pai!
Abracei-o muito forte e abri os olhos... Estava acontecendo novamente, eu estava no enterro de minha mãe, só que dessa vez eu já estava no colo de meu pai, e não tinha pensamentos de uma criança de seis anos.
Percebi que estava sendo abrasada por meu pai e não estava em seu colo. Eu estava chorando e todos os meus amigos estavam lá Anne, Sam e até... Ele, Vini. Ele era quem mais chorava parecia que chorava á dias e que não dormia, assim como meu pai e minhas amigas... Mas ele estava pior que todos.
Olhei ao redor e estava sem o meu pai... Estava em pé em frente ao espelho de um banheiro simples e branco... Onde consegui ver como eu estava... Usava um vestido preto como, meus cabelos, que já não estavam mais loiros. Sem maquiagem e sapatos, apenas com o vestido e meus cabelos soltos. Mas algo me chamou atenção, só então vi o colar que brilhava em meu pescoço, peguei em minhas mãos e o observei.
Abri a porta do banheiro e estava em um típico quarto de hospital. Tinha alguém deitado na cama me aproximei e o reconheci... Era uma mulher, era a minha mãe! Comecei a chorar em desespero e quando a virei vi o meu rosto!
Afastei-me bruscamente e esbarrei em alguém, era Vini que estava com a mesma cara do enterro... Ele olhava em meus olhos me hipnotizando, mas não se via o alegre Vini lá dentro, apenas tristeza e um pouco de esperança.
Ele me mandou fechar os olhos e obedeci. Abri-os novamente e estava nos braços de meu pai, me soltei dele e ao invés de olhar ao redor, decidi olhar para o vidro do caixão e lá estava eu! Comecei a berrar e gritar, ninguém me acudia, apenas olhavam para a eu no caixão.
Olhei para meu pai e vi que quem estava nos braços dele era Sandra não eu! Comecei a correr novamente, mas dessa vez até Vini, o único que me olhava, o único onde eu tinha esperança...
Mas ele foi ficando cada vez mais distante e eu comecei a chorar novamente, olhei para os lados e havia espelhos ao meu redor, eu estava com a mesma roupa do hospital, que era a mesma do caixão.
Vini começou a correr até mim, estávamos quase encostando os dedos, eu esticava o braço para alcançado.
Ele sorriu quando conseguimos segurar as nossas mãos, mas ele desfez o sorriso e me empurou me fasendo atravessar os espelhos e cair em um buraco fundo e negro.”
–VINI!!! –Acordei gritando e soando frio.
–Holly! Você está bem? –Sandra invade meu quarto.
–Eu... –Percebo que estou aos soluços. –Sandra! Ele... O Vini! –Ela senta na minha cama e me abraça.
–Já passou querida... Fique calma.
–Sandra –Tento me controlar. –Me ajude!
–Fique quietinha... Eu estou aqui querida...
–Eu... Eu... Fique comigo... –Não conseguia completar a frase.
–Claro! Sempre estarei enfrentando seus medos... Por que...
–O meu coração é o seu... E eu...
–Te amo! –Sandra falava essa frase para mim quando tinha os pesadelos na minha infância... Como esse.
–Eu, eu te amo também Sandra!
Então lá estávamos nós... Minha madrasta e eu. Ela não é um monstro. Ela que sempre me ajudou, e sempre me ajudara... Não vejo o porquê de não me aconchegar a ela... Por que meu coração é o dela e eu a amo!
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