Aquela com o Sorriso
2 Aquela com a multidão
Notas iniciais
Acordei com a dor de cabeça de sempre, estava cansada de ter esses sonhos, eles sempre me lembravam dela... Minha mãe se foi quando eu tinha cinco anos, e embora não pareça eu ainda me lembro de todos os detalhes dela... Ela era advogada e sempre estava fazendo grandes viagens era uma das melhores do Brasil, eu tenho alguns recortes de revistas importantes em que ela aparece e de jornais que falam sobre os seus maiores casos. Ela era incrível e eu quero manter a essência dela, por isso resolvi seguir seus passos e traçar o mesmo plano de vida que o dela. Sem distrações.
As únicas distrações que permito em minha vida são as minhas melhores amigas, Samanta e Diane, acho que só não virei uma criança depressiva e adolescente problemática por causa delas. Me mudei para Seatle logo depois da morte da minha mãe, agora que cresci entendo o motivo, tudo no Brasil lembrava a minha mãe, afinal ela tinha viajado o país inteiro, e meu pai não aguentava ter que lembrar dela, e quando surgiu um novo emprego em um novo país ele não pensou duas vezes. E minhas melhores amigas ajudaram a garota depressiva no canto da sala.
Enquanto me recuperava da dor de cabeça meu celular tocou, atendi sem ver quem era:
—Oi, Holly falando...
—Hol! Ai meu Deus, você não vai acreditar!
—Ah, oi Sam... O que pode ser tãooo interessante pra você me ligar as 5:47 da manhã de sexta-feira?!
—Ish! Calma ai senhora tpm a toda hora! Bom é que o Diego disse que vai te chamar pra sair hoje e...
—PERA PERA PERA PERA! -Interrompi o animo de Samanta. -Quer dizer que você me acordou á essa hora apenas pra me dizer que o garoto mais burro e rude que eu conheço quer sair comigo! Você sabe que eu odeio aquele idiota!
—Aff para de drama... Eu e a Ane queremos ver você feliz gata
—Se é isso que vocês querem então pare de me empurrar bilhões de garotos a toda hora...
—Tá legal, vamos parar! Mas pelo menos pensa em sair com o Diego viu!
—Pode deixar radio patrulha vou pensar, cambio desligo!
—Ok comandante! -Sam ri e desliga em seguida.
Levanto e agora sem sono graças a minha adorável amiga tomo uma ducha e me visto, me olho no espelho em seguida e lá está ela... Loira com os olhos verdes e grandes óculos de armação preta. Nunca me achei atraente, e também nunca parei para pensar se devo ou não ser atraente, já que não me preocupo com isso.
Desço as escadas e encontro o Sr. Jones, meu pai, dando papinha para a minha irmãzinha Mabel, ela é filha do segundo casamento do meu pai e a única coisa que a Sandra fez direito foi a minha linda ruivinha sardentinha.
Meu pai conheceu Sandra em uma lavanderia uns 10 anos atrás, e eles se casaram uns anos depois e em um "acidente" nasceu a Mabs. Sandra nunca foi a melhor mãe do mundo, ela vivia no hospital de plantão e nunca tinha tempo pra mim, acho que Mabs foi um presente para o meu pai, que acabava ficando sozinho em nosso apartamento.
—E ai ruivinha. -Digo com um sorriso no rosto e beijo a testa de Mabel.
—Bom dia querida
—Bom dia pai, onde está Sandra, ela disse que iria dar uma carona pra mim.
—Bom acho que você vai ter que ir sozinha hoje querida, ela foi atender a uma emergência do hospital...
—Típico... -Reviro meus olhos.
***
Ao chegar ao colégio vejo uma multidão de pessoas em um canto, a maioria meninas, isso não era muito comum em minha escola, ainda mais na segunda feira onde todos pareciam zumbies, mas aquelas garotas estavam animadas até demais.
—Buu! -Disseram as minhas melhores amigas em coro.
—A Sam me contou sobre o Diego. -Reviro meus olhos. -Há qual é Hol! Dá uma chance a ele e...
—Nem termina! -Digo — Mudando de assunto o que é aquilo? -Aponto para a multidão.
—É nada mais nada menos que o mais novo gato do colégio, Vinicius Olivier, disseram que sua mãe é francesa e que depois do divorcio seu pai ficou com a guarda e ele veio pra cá... Hum... -Sam para de falar e olha maliciosamente para mim. — Por que o interesse assim de repente em?
—Ham... Por curiosidade, nem me olha assim, que eu nem vi o garoto ainda! Quem não iria ficar curiosa com uma multidão de garotas na porta do seu colégio?
Elas concordam e finalmente vimos o foco de tanta atenção, um garoto alto, moreno e de olhos castanhos sai meio desorientado da multidão. Mantenho o olhar fixo no garoto que sai apresado para dentro do colégio. Ele não me pareceu nada demais, era penas mais um garoto fazendo intercâmbio, acho que essas coisas acontecem bastante nos Estados Unidos... Paro de pensar no novato e entro com minhas amigas depois da confusão se dissipar, me separo delas que tem aulas diferentes e continuo andando pelo corredor sem prestar muita atenção ao que acontecia ao meu redor, mas logo sou obrigada a prestar atenção quando alguém para em minha frente
—Hãm... Você pode me ajudar?
—Oi... -Fico meio perdida ao notar que não conheço a pessoa na minha frente, é o garoto da multidão.
—Oi desculpe meus modos senhorita. –Ele beija a minha mão que está tremula. –Me chamo Vinicius de Souza Olivier, e sou novo aqui, e bem... Eu não sei onde fica a minha sala, e aquelas garotas, -Ele aponta para Sam e Ane que estão dando risinhos histéricos. –Me disseram que você é presidente do grêmio... É verdade?
—Hãm, sim, mas não diria isso, fui ano passado esse ano não sou ainda... Mas se sua sala for do ultimo ano...
—Isso mesmo, você pode me ajudar?
—Claro, deixa eu ver os seus horários temos a mesma aula agora e... –Olho no relógio e vejo que faltam apenas 1 minuto para a aula começar, sem pensar pego a mão do garoto e saiu correndo em disparada, até chegar à porta da sala de aula. –Nossa me desculpe. –Solto a mão do garoto. –É que estamos atrasados e eu...
—Não tem problema agora vamos entrar...
Entramos ofegantes, olho para o lado e vejo que todos estão em duplas não havia sobrado ninguém. O professor olhava para mim e Vinicius com cara feia e depois para o resto da sala, e por fim diz:
—Bom como os senhores chegaram atrasados vão ter que sentar juntos está aula, não irei dar advertência, pois creio que como ex representante do conselho a Srta. Mends se atrasou, pois ajudou esse novo aluno...
—Vinicius. –Completa o garoto.
—Bom tem um lugar lá no fundo se apresem andem!
Sentia minhas bochechas arderem, tenho quase certeza que foi pela quase bronca, não queria de jeito algum sentar com esse tal de Olivier. Não conheço ele e nem quero conhecer, a Sam e a Anne já atrapalham de mais os meus planos, não tenho tempo para novas amizades. Nos sentamos na bancada onde havia vários produtos e componentes químicos, e comecei a organizar os meus livros.
Permaneci todos os 10 minutos da aula de cabeça baixa apenas anotando o que o professor falava, enquanto Vinicius fazia os experimentos com os produtos que estavam na bancada, não queria conversar com ele, não queria dar esperanças e dar a chance dele tentar ser meu amigo. Ele tentou falar algo algumas vezes, percebi isso quando olhava para ele com o canto do olho para ver se ele conduzia bem o experimento, e para minha surpresa ele não precisou de ajuda.
Mas então ele tentou puxar assunto...
—Acho que teremos que fazer essa reação juntos, se eu fizer sozinho você não poderá anotar os acontecimentos...
Balanço a cabeça de forma positiva e ajudo Vinicius no experimento.
—Bom, acho que deveríamos nos conhecer melhor...
—Por quê? –Digo sem pensar.
—É que você me parece legal. – O garoto sorri.
—Nem todos acham o mesmo... Você deveria conhecer pessoas interessadas em você...
—Bom achei você mais interessante que aquelas doidas que praticamente me atacaram hoje. –dei uma leve risada que tentei disfarçar.
—Acho que seremos bons amigos Srta. Mends, pelo menos já sei seu nome Holly... Devíamos sair um dia desses e...
Paro de ouvir as palavras de Vinicius e apenas a frase "devíamos sair um dia desses..." ecoa na minha cabeça.
—Eii Holly, você tá me ouvindo. –Diz Vinicius, e logo em seguida o sinal toca.
—Acho melhor eu ir! –Pego as minhas coisas rapidamente e corro da sala primeiro que todos.
Ouso passos acelerados no corredor vazio e mãos segurando meu braço, me viro e vejo Vinicius cansado.
—Puxa você corre muito!
—Er... Diga! –Digo seca.
—O que houve eu fiz algo errado, e desculpe, é que...
As palavras de Vinicius se tornam um sussurro enquanto ele se aproxima lentamente até estar centímetros de distancia dos meus lábios...
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