Aquela Guria.
4 03 de Julho.
Notas iniciais
Não dormi no dia seguinte porque não conseguia tirar da cabeça a Alicia.
Aquele beijo.
Aquela boca.
Aquela cintura.
Que porra estava acontecendo comigo?
Ela não foi atrás de mim depois do que eu disse na balada e eu nem queria que ela fosse também.
Quando cheguei em casa, meu celular tocou e era um telefone da Mariana, a culpa me atingiu como um soco.
— Alô?— eu disse.
— Gustavo?— ela estava chorando.
— Oi, tudo bem?
— Eu, eu... não quero terminar, você sabe né?
Fiquei quieto. Incapaz de responder sua pergunta.
— Eu sinto muito, eu te amo. Era só ciúmes.
— Tudo bem Mari. Amanhã eu vou aí pra gente conversar.— eu disse.
— Tudo bem então. Boa noite ta? Eu amo você.
— Eu também.— e desliguei.
E então é por isso que agora eu estava indo pra casa da Mariana conversar com ela.
Me sentindo culpado.
Por isso, eu tinha que conversar sério com a Mariana e eu ia fazer isso hoje, com certeza.
— Oi. – ela disse quando eu bati a porta do meu carro.
Ela estava magicamente me esperando no portão.
— Oi Mari.
Mariana correu até o meu alcance e jogou os dois braços em volta do meu pescoço me deixando um pouco sem fôlego.
— Ei, que foi? – perguntei.
— Eu não quero mais brigar.
O ruim da Mariana é que ela sempre falava isso e no final sempre brigávamos. E isso não era algo que me deixava entediado. Na verdade, as brigas me animavam porque sempre terminávamos na cama.
Era hoje. Era eu.
E não era ela.
— Eu também não quero. – respondi. – é só que você perde a paciência com algumas coisas, e...
Ela me interrompeu.
— Ótimo, não vamos mais falar disso. – ela sorriu. – o que você acha da gente ir lá pra cima, pro meu quarto?
Era uma boa idéia, esquecer a Alicia nos braços da minha namorada era tudo que eu mais queria.
(...)
Quando sai da casa da Mariana já era tarde da noite. O sexo era uma coisa que me deixava com um humor incrível, eu mal conseguia me lembrar de qualquer outra coisa. O que quer que tenha acontecido antes do sexo, tinha ficado para trás... até aquele momento.
O Eduardo me mandou uma mensagem me convidando para uma social na casa dele.
Respondi quando parei no farol.
“Acabei de sair da casa da Mari ;)”
“Demorou, chama ela também!”
“Vou falar com ela, qualquer coisa te aviso.”
Ele visualizou e não respondeu. Mandei uma mensagem pra Mari em seguida perguntando se ela queria ir comigo na casa do Eduardo e ela topou de imediato, eu aproveitei pra ir em casa tomar um banho e vestir outra camiseta e um tênis. Eu ia ficar bem pouco na casa do Eduardo mesmo, vesti um moletom qualquer da GAP que a Mariana adorava e um boné e sai de casa pra poder pegar a Mari na casa dela.
— Oi amor. – ela disse quando entrou no carro.
— Oi. Nem vamos demorar ta bom? – eu disse.
— Tudo bem, só quero rever a Elisa, como está o namoro dela com o Bernardo? – dei de ombros.
— Não tenho a mínima idéia amor. – eu disse sorrindo e estendi a mão para a sua coxa, foi quando olhei pra ela que percebi um objeto jogado no chão do carro.
Estreitei os olhos para o objeto disfarçadamente e percebi que era prateado e pequeno.
— O que foi? – ela perguntou.
— Nada. Estava só pensando se era pra passar no super mercado pra comprar alguma coisa pra beber. – menti.
Isso estava virando um hábito.
A Alicia mal apareceu na minha vida e já estava fazendo eu mentir sobre várias coisas.
— Quer passar lá?
— Onde? – eu disse confuso.
A Mariana riu.
— Você sempre fica distraído depois né? – ela abriu um sorriso malicioso e eu demorei a me dar conta do que ela estava falando.
— Ah, é! – eu disse rindo baixinho. – sempre. – e encarei o caminho a minha frente.
Parei na frente do apartamento do Eduardo e pedi pra Mari descer pra ver se eu tinha estacionado direito, o que na verdade foi só um modo de poder ficar sozinho no carro para pegar o batom jogando no chão.
Era pequeno e tinha seu nome gravado do lado do batom, guardei no bolso e sai do carro em seguida.
— A namorada do Eduardo vai estar aí?
Me assustei com a pergunta e encarei a Mariana com a expressão confusa.
— Namorada de quem?
Ela riu.
— A tal da Alicia. – ela disse enquanto apertava o botão do elevador.
Fiquei chocado demais para responder porque eu não tinha pensado que a Alicia podia estar aí.
As memórias da noite passada me acertaram como um soco.
— Não sei. – respondi e peguei o elevador com a minha namorada.
O trajeto até o apartamento do Eduardo era curto porque eram só 15 andares até a cobertura, onde ele morava. Mas mesmo assim dentro daquele elevador com a Mariana pareceu 51 andares ao invés de 15.
— Você sempre fica estranho quando a gente fala dessa Alicia. – Mariana disse.
— Eu não fico estranho, é que eu não sei porque você gosta de ficar perguntando dela. E outra, eu não sei muita coisa sobre ela.
Outra mentira.
E a porta do elevador se abriu, graças a Deus.
Ela saiu primeiro e eu em seguida.
O silêncio que se estabeleceu entre nós era muito constrangedor. Até a minha namorada já tinha percebido que só a menção do nome da Alicia fazia uma coisa estranha comigo.
Toquei a campainha e quando ia girar a maçaneta, alguém puxou a porta antes e eu quase dei de cara com a pessoa.
Alicia me encarou sorrindo.
— Vai com calma aí lindinho, já está bebendo é? – ela riu, um riso descontraído e eu senti todos os meus músculos ficarem rígidos.
Ela estava usando o short curto e uma blusa longa que deixava seu ombro a mostra, usava tênis e estava com uma latinha de cerveja na mão, também percebi que seu cabelo estava enrolado num coque no alto.
Ela me soltou rindo e depois seu sorriso foi morrendo conforme a Mariana foi entrando no campo de visão.
— Oi. – minha namorada disse com a cara fechada.
— Oi. – Alicia disse do mesmo jeito e então depois abriu um sorriso largo... e falso! – entra aí, sou a Alicia. – ela disse estendendo a mão.
— Prazer Alicia.
— Tudo bem, vamos lá atrás do Eduardo. – eu disse puxando a Mariana pela mão para longe da Alicia, ainda arrisquei olhar pra trás e ela estava sorrindo.
Aquele mesmo sorriso de quando ela estava no bar.
Deixei a Mariana falando com umas namoradas de uns amigos meus e quase corri até o Eduardo.
— Oi galera. Eduardo vem aqui, por favor! – puxei ele pra longe das pessoas.
— Oi filhotinho, eu chamei a Alicia ela disse que vocês tinham brigado... – ele parou de falar ao ver minha expressão. – o que aconteceu?
— Concorda com tudo. Não discorda de nada. – eu disse rápido quando vi que a Mariana estava se aproximando de nós dois.
— Edu! – a Mari disse dando um abraço curto que ele retribuiu enquanto me encarava.
— Oi Mari! Sumida! – ela sorriu.
— Eu sumi mesmo porque agora você está até namorando de novo... – ela riu e me encarou.
— Não é namorada. – eu disse.
— Bom, que seja! – ela riu. – ficante, sei lá. Ela é muito bonita.
O Eduardo me encarou de boca aberta alguns instantes e depois encarou a Mari.
— Você é mesmo um boca aberta! – ele disse rindo ironicamente pra mim. – eu disse que era segredo.
Eu dei um sorriso nervoso.
— Eu não escondo nada da Mariana, você sabe.
— Ela só um pouco antipática. – a Mariana disse enquanto encarava a Alicia do outro lado da piscina. – mas ninguém é perfeito. – ela riu. – parabéns Edu!
— Obrigado Mari. – ele disse. – a Elisa ta aí, você viu ela?
— Ah, não! Onde ela está?
— Está lá na cozinha, dá uma corridinha lá!
— Eu vou. – ela disse me olhando. – já volto! – e meu deu um selinho.
Quando ela se afastou o suficiente o Eduardo me encarou com aquele olhar que só os melhores amigos tem.
— Que porra foi essa? – ele disse.
— Eu estava nervoso quando a Alicia começou a me ligar então eu disse isso.
— Alicia ligava pra quem? – e pra melhorar minha noite a Alicia estava do meu lado.
— Conta pra ela, garotão! – o Eduardo disse.
Então eu contei a história para os dois.
A Alicia riu alto ao final da minha história.
— Vamos lá Edu, é só por uma noite. – ela disse.
— Então eu preciso beber. – o Eduardo disse e se afastou.
A Alicia ficou me encarando por longos minutos.
— Você trouxe a sua namorada porque está se sentindo culpado. – ela disse sem tirar os olhos de mim.
— Não foi isso. – menti.
— Foi sim. E você se esqueceu que o Eduardo ia me convidar.
— Eu não sabia que o Eduardo ia te convidar. – afirmei.
— Não consigo esquecer o que aconteceu ontem. – ela soltou de uma vez, eu olhei para os lados para ver se alguém estava escutando.
— Para com isso Alicia, a Mariana pode ouvir. – eu sussurrei.
Ela riu.
— Eu gosto do perigoso. Você me meteu na sua mentira, preciso ganhar alguma coisa em troca. – ela disse levantando uma sobrancelha.
— Alguma coisa o que? – perguntei.
— Um beijo, pra começar. — ela bebeu um gole da sua cerveja sem tirar os olhos de mim.
Precisava beber, eu precisava beber muito.
— Amor! – a Mariana disse me abraçando e quebrando o contato visual que eu estabelecia com a Alicia.
— Oi amor. – eu disse sorrindo pra ela.
— Alicia, como está o namoro com o Eduardo?
A Alicia sorriu pra ela.
— Estamos muito felizes, ele é uma pessoa tão difícil de lidar. – ela disse rindo. – você acredita que ontem ele até fugiu de mim?
Quase me engasguei.
— Tudo bem? – a Mariana perguntou me olhando.
— Tudo. – afirmei.
A Mari me encarou por alguns minutos e depois encarou a Alicia novamente.
— Sério?
— Sério. Mas eu to planejando fazer uma surpresa pra ele. – ela disse. – o que você acha?
— Eu acho legal! – ela virou pra mim. – amor, você adora surpresas né?
Me senti mal. Porque era como se a Mariana tivesse passando informações para a inimiga.
— Eu não gosto muito. – menti.
— Mentira! – ela disse e encarou a Alicia. – o Gustavo adora surpresa, o Eduardo também. Eles se parecem tanto.
A Alicia me encarou.
— Que bom, vamos ali pra eu te apresentar pra uma amiga.
A Mariana se afastou de mim e foi com a Alicia falar com a amiga, mas ao invés disso a Alicia voltou.
— Você vai se encontra comigo hoje, mais tarde. – ela disse.
— Não posso. Eu trabalho amanhã.
— Você pode sim, me deve isso. – ela disse.
— Não te devo nada. – afirmei de contra gosto.
— Ou você vai me encontrar ou eu vou te encontrar. Estou te dando a chance de escolher.
Eu odiava o jeito como ela era mandona.
Ela se afastou.
— Alicia! – chamei. – Alicia, droga! Volta aqui.
O resto da social ela não ficou perto de mim, mas ficava me encarando quando ninguém estava olhando. Me senti mal pela Mari, mas não conseguia desviar os olhos dela, algo muito forte me atraia pra ela e esse era o real motivo em que eu devia fugir com todas as minhas forças.
Acabei saindo da casa do Eduardo mais cedo do que o previsto porque não duvidava que a Alicia iria atrás de mim mesmo e eu não estava preparado para estar com ela na minha casa, sóbrio e sozinho.
— Você vai ficar bem? – a Mariana perguntou.
— Ótimo. – eu afirmei e dei um selinho nela. – agora vá deitar e dormir. – eu disse sorrindo.
— Sim senhor! – ela riu. – eu amo você.
— Eu também!
E ela saiu do carro. No farol no final da rua liguei pra Alicia que atendeu no primeiro toque.
— Oi.— ela disse.
— Vou passar pra te pegar na entrada do prédio. Dez minutos!— eu disse.
— Estou esperando.— e desligou.
Andei mais devagar do que de costume, parando nos faróis e atendendo os limites de velocidade.
Já na esquina da rua eu vi a Alicia sentada no meio fio e parei o carro na sua frente, ela se levantou, alongou a coluna e entrou no carro segundos depois.
Nem um oi. Nenhum cumprimento. Nada.
— Para o carro em uma rua deserta. – ela disse.
E eu obedeci, porque só queria ir pra minha casa e tentar tirar ela da minha cabeça.
— Pronto. – eu disse.
Era uma rua quieta e tranqüila, estava tendo uma obra do outro lado da rua, e as casas daquela rua eram todas para alugar. Ninguém ficava ali, eu sabia porque já levei várias meninas para aquele rua depois da balada antes de namorar com a Mariana.
— Sua namorada é muito bonita. – ela disse.
Fiquei confuso onde ela iria chegar com aquele assunto.
— Obrigado. – eu disse.
A tensão ficava maior a cada segundo dentro do carro. Era como se alguma coisa tivesse me atraindo para aquele momento, demorei até perceber que ela estava virada de frente pra mim.
— O que você queria falar comigo? – perguntei.
— Porque você foi embora da balada depois que a gente se beijou?
— O motivo estava dentro desse carro há meia hora. – eu disse de mal humor.
— Eu quero continuar ficando com você Gustavo.
Meus sentidos ficaram nublados novamente.
— Eu namoro. – repeti para me convencer que aquilo era errado.
— Eu também. – ela disse e riu.
Eu quase podia rir se não estivesse tão tenso. Quase.
— O que aconteceu ontem não vai acontecer nunca mais Alicia. – falei.
— Você tem certeza? – ela perguntou.
— Tenho. – eu disse.
Virei o rosto na sua direção apenas para que ela visse que eu estava falando sério e fui pego desprevenido por um beijo cheio de vontade, minha primeira atitude era me afastar, mas eu não consegui, ao invés disso eu levei a mão a sua nuca e aumentei a velocidade do beijo, conduzindo ela pro meu colo em seguida.
Nós nos beijamos como se nunca houvéssemos nos beijado.
Ela passou as duas pernas por cada lado do meu corpo e eu puxei sua cintura pra mais perto de mim.
Não conseguia me sentir errado fazendo aquilo. Pelo contrário, cada poro do meu corpo falava que aquilo era certo.
Parei o beijo quando não tinha mais ar.
— Isso é errado. – sussurrei.
— Porque não me sinto assim quando estou com você? – ela perguntou enquanto descia beijando meu pescoço, eu empurrei seu tronco pra trás, de jeito que ela deitasse o corpo no volante e beijei seu pescoço e sua clavícula e então o começo dos seus seios.
Deus, ela cheirava tão bem!
Com uma mão alisei sua cintura por baixo da blusa e com a outra mão alisei sua coxa, apertando quando achava necessário.
Porque tinha que ser tão gostoso? Deus, porque tinha que ser?
Ela voltou a me empurrar pra encostar o corpo no banco e aproximou a boca da minha, sussurrando baixo em seguida:
— Me encontra depois da faculdade amanhã?
— Não. Essa é a última vez. – eu disse encarando seus olhos.
— Você ainda não percebeu? Nunca vai existir uma última vez. – suas palavras me pegaram desprevenido e eu não consegui responder.
— Alicia...
— Me beija! – ela disse e iniciou um novo beijo cheio de vontade.
Nosso beijo não durou muito porque o celular dela tocou, fazendo com que nós dois nos despertássemos daquele momento.
Ela acabou se sentando no banco e eu abri o vidro para me recuperar e tentar encontrar minha dignidade jogada em algum lugar do carro.
— Era minha colega de quarto. – ela disse me olhando. – está sem água no meu apartamento. Você se importa se eu tomar um banho rapidinho na sua casa?
Claro que eu me importo!
— No meu apartamento? – perguntei.
— Depois eu pego um táxi pra ir embora pra minha casa, é só porque hoje estava calor e eu estou grudando um pouco.
Encarei seus olhos para ver se aquele não era nenhum truque dela, e foi só o tempo de eu pesar a decisão na minha consciência.
Eu conseguiria ficar com ela na minha casa sozinho e são?
A resposta era óbvia, e foi por esse motivo que eu aceitei... espera, eu aceitei?
— Tudo bem.
— Ah, ótimo!
Eu estava parecendo um adolescente que não conseguia controlar as palavras que saia da própria boca, fala sério, onde que eu estava com a cabeça quando aceitei que ela fosse pra minha casa?
Digo, se estava difícil dentro do carro, imagina na minha casa onde tem um sofá, uma mesa e uma cama?
Quão forte eu devia ser se não quisesse entrar no chuveiro para tomar um banho com ela? Muito.
O percurso até a minha casa foi rápido e silencioso. Dentro do elevador ela não quis puxar assunto e eu também não estava muito animado com a idéia de ouvir qualquer coisa que viesse dela e que podia jogar no lixo todo o meu alto controle.
Abri a porta da minha casa e deixei ela entrar.
— Você conhece as coisas né? – eu disse.
— Aham. Você podia pegar uma toalha pra mim, porque aquele dia eu meio que usei a sua... – assenti e andei pelo corredor com ela atrás de mim.
Peguei uma toalha seca e bem cumprida pra ela e entreguei na sua mão.
— Vou esperar lá na sala. Você está com fome?
A minha intenção era fazer ela permanecer o mínimo possível na minha casa, mas eu não conseguia ser sem educação, então se ela tivesse com fome eu com certeza ia providenciar alguma coisa pra ela comer.
— Não, tudo bem. É rápido.
Eu sentei no sofá e só me levantaria dali quando ela voltasse e eu fosse levá-la para a casa dela.
— GUSTAVO! – ela gritou.
Me coloquei de pé num átimo e corri até a porta do quarto.
— O que? Tudo bem? – perguntei.
— A água ta fria. – ela disse.
Eu suspirei.
— Você tem que abrir as duas torneiras, a da direita é água quente, mas tem que esperar um pouco se não, não esquenta. – eu disse.
— Eu já fiz isso, você pode vim aqui me ajudar?
Não.
NÃO.
N Ã O.
Não caia nessa.
Até o papa já sabia como isso ia acabar.
— Você consegue Alicia, é fácil.
— Eu estou vestida. – a ouvi bufar. – não vou te agarrar.
Suspirei.
E andai calmamente até o banheiro, bati na porta e ela puxou a mesma.
De primeira eu não encarei a Alicia, olhei pro chuveiro que estava aberto e que estava saindo vapor, então a água estava quente.
Então eu fiquei irritado e a encarei, foi aí o meu primeiro erro.
Eu não tinha entendido o que ela quis dizer com vestida, mas com certeza com roupas não era o significado exato de como ela estava.
Ela estava com uma toalha enrolada em volta do corpo, mas meu olhar foi diretamente para onde a toalha não cobria e essa foi a pior parte porque em seguida a toalha caiu da sua mão e eu pude avaliar com muita precisão suas coxas, a calcinha e a barriga sequinha, e ela tinha um piercing no umbigo, subi olhando o sutiã que era preto e então os seios, não eram seios fartos e grandes como os da Mariana, mas eram seios perfeitos para o tamanho do seu corpo, suspirei baixo, porque meus sentidos estavam começando a ficar nublados e eu estava perdendo a noção do certo e do errado.
Foi quando encarei seus olhos que percebi que eu estava fazendo exatamente o que ela queria.
E eu não iria ceder.
Me abaixei e peguei a toalha.
— Acho que o chuveiro já esquentou. – respondi com a voz grossa e baixa.
— Eu percebi. – ela disse sem tirar os olhos do meu e pegou a toalha com leveza.
— Vou te esperar lá fora. – sussurrei e sai do banheiro fechando a porta em seguida.
Foi quando eu fechei a porta é que respirei fundo e fechei os olhos.
Isso era o ápice, eu nunca mais conseguiria fazer isso novamente na minha vida.
Sentei no sofá e encostei a cabeça no encosto do mesmo, apenas para conseguir tirar da minha mente a imagem dela de calcinha e sutiã na minha frente.
Era o que ela queria, que eu ficasse com ela ali, na minha cama, exatamente como eu imaginei.
Esfreguei os olhos, porque a minha mente trabalhava para criar situações em que eu ficava com ela de diversas formas na minha cama ao invés de tentar apagar aquela imagem.
— Pronto. – levei um susto e fiquei de pé num átimo com sua voz.
Ela estava pronta, com a blusa amarrada na cintura e o cabelo molhado caído nas costas.
Eu não conseguia formular uma frase pra dizer, e ela pareceu perceber que eu sempre ficava sem ter o que falar na sua frente.
— Vou chamar um táxi. – ela disse.
— Tudo bem, eu te levo.
Ela sorriu.
— Deixa pra outro dia, não vai faltar oportunidade. – Alicia veio caminhando na minha direção e me deu um selinho curto e rápido.
E foi o suficiente pra atiçar meus desejos mais profundos de jogá-la no sofá e de transar de todos os jeitos que alguém pode transar com outra pessoa.
Não insisti, até porque eu não estava em condições de ficar com ela em mais nenhum lugar sozinho.
A levei até a porta e fiquei esperando até que ela sumisse no elevador.
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