Após o Apocalipse
1 Anos Mais Tarde...
Notas iniciais
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— Só estou dizendo, minha querida, que se não posso enxergar, ouvir ou sentir uma coisa, isto quer dizer que esta não existe de fato! — Seguia, abordando o assunto com convicção, defendendo assim o seu ponto de vista. A moça simplesmente riu-se do comentário do rapaz e ambos continuaram andando, por algum tempo, até que ela voltou a falar.
— E quanto à Deus? Ninguém O vê ou O escuta, embora constantemente atribuamos a sua existência à nossa própria. — Aquele era um argumento muito convincente; porém, apesar de Alice estar certa quanto aquilo, era inútil tentar convencer o Diabo. De repente, a expressão de Lucífer converteu-se num semblante frio. Este parou de caminhar imediatamente e, muito sério, fitou a garota.
— Acha realmente que Ele se importa conosco? — A pergunta fez com que a jovem se recordasse da época em que ainda era uma menina, que acabara de completar seus quinze anos, e que, durante alguns dias, vivenciou uma série de experiências sobrenaturais, das quais, os únicos que tinham ciência disto, eram seus pais; seria considerada insana se contasse à qualquer um sobre os irmãos Winchesters, a batalha do Apocalipse, anjos, demônios e... ele. Sim, o que, afinal, acontecera à Lucífer? Ah, se ela soubesse que enquanto pensava nessas coisas, o próprio Satanás encontrava-se diante de si... A pergunta de Lucian a fizera questionar-se o que, de fato, se passara enquanto esteve inconsciente naquela noite; a garota não imaginava, no entanto, que fora naquela mesma noite chuvosa, onde ela vira-se frente a frente com o próprio Deus, como também presenciara algo que apenas outros seis lembravam-se (dentre os quatro caçadores, também havia um certo profeta desacordado e uma figura de terno negro que ninguém notara ali parada). E agora, O Demônio, na forma de um jovem da sua idade, que tornara-se, com o passar dos anos, depois dos acontecimentos em questão, seu melhor amigo, indagava-lhe se a mesma acreditava que Deus importava-se, não apenas com eles dois, mas sim com as pessoas no geral, se Ele estaria zelando pelo mundo que criara em sete dias. E foi ainda estando perdida em meio a todos estes devaneios (coisa que devia ser do conhecimento dele, que continuava analisando-a minuciosamente), que respondeu.
— Creio que sim, Lucian; você não? — O tom de curiosidade ali expresso fez com que o mesmo sentisse um pequeno arrepio, antes de ponderar por um instante, para logo em seguida, murmurar um: “não”, de forma seca.
— Mas acredito que se não nos apressarmos, perderemos a primeira aula do período, não? — Aquele assunto estava o atordoando, por isso achou que seria melhor se lembrasse a Alice que ainda estavam pouco atrasados para chegar a Universidade de Stanford a tempo do soar do sinal. Esta concordou com o moreno, e ambos cessaram a conversa, rumando para a entrada do prédio à passos largos. Já eram quase nove horas...
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— Anda logo, moleque! A gente vai chegar atrasado... — O loiro gritava da cozinha, enquanto preparava o café da manhã para a namorada e o “quase” filho. Riu com esse último pensamento; sim, Ben e Lisa eram sua família agora, e os amava muito. Quando dera um fim ao Apocalipse, e perdera seus dois irmãos, voltara para junto dos mesmos, onde constituíra um novo lar. Qual não foi sua surpresa ao notar que, ao anoitecer, durante o jantar, pôde ouvir a campainha tocar e, ao atender, encontrara-se perplexo com a presença do irmão caçula, parado na porta, que lhe sorria; Castiel havia trago-o de volta. Como sentira-se extasiado! Tudo estava bem, ao menos, assim permaneceu, durante alguns meses. Apesar do caos e do trabalho redobrado na vida de caçador, não era nada que os irmãos Winchester não pudessem resolver. Sim, Dean voltara à estrada tão antes pudera, e Lisa concordava com aquilo; sabia que aquela era a vida dele e o compreendia. Talvez por isso se amassem tanto... Entretanto, certo dia, a notícia de que Lucífer havia, mais uma vez, escapado da Jaula, alarmou Sam e Dean. Logo, o caso de uma garotinha desaparecida lhes chamou atenção, e não demorou para que se vissem em meio ao Fim do Mundo de novo; o Diabo possuiu o caçula outra vez e mantinha em cárcere uma menina que nada sabia sobre toda aquela confusão. Ele mesmo tinha liderado um Exército de monstros para derrotá-lo e obteve sucesso, graças a ajuda de velhos conhecidos seus, como Gabriel, Kali, Baldur, Zachariah e Crowley, saídos do Purgatório, que haviam unido-se todos com o mesmo propósito: salvar o mundo. Sim, uma coisa que talvez fosse impossível de se crer, exceto se estivesse-se lá — e Dean estava lá, e como estava. Ver todas as aberrações que enfrentara durante a sua vida inteira, juntas, pedindo que o mesmo assumisse a frente daquela Guerra foi algo que mudou a visão do caçador mais velho da família Winchester. Era inusitado, estranho... Aquilo foi o máximo! E, descobrir depois, que o irmão tinha se apaixonado pela tal adolescente fora ainda mais bizarro. Bom, talvez nem tanto quanto cruzar com o próprio Deus ao fim de tudo, e o mesmo dar-lhe algumas explicações; foi loucura, surreal, algo incrível e fantástico! Jamais esquecer-se-ia daquilo; tudo terminara, e eles voltaram à ser simples caçadores e Dean voltou também para Lisa e Ben, os quais procurara manter distanciados de si enquanto resolvia esses assuntos; é claro que a mulher não ficara nem um pouco feliz com o sumiço súbito do mesmo sem qualquer explicação plausível, mas acabara uma vez mais entendo-o e o perdoando, como sempre faria. Tudo ia bem. Exceto por ele: Lucífer continuava a ser um mistério para todos, por que ninguém nunca soube o que havia acontecido com este.. Até então.
— Vam’bora, Dean! — Sacudia o garoto, ao mesmo tempo que chamava-o. E foi assim que o loiro viu-se forçado a abandonar suas memórias e dirigir até o ginásio em algum lugar da Califórnia, mas não sem antes balançar a cabeça num gesto de reprovação, para afastar tais pensamentos.“Qual é... A gente concordou em esquecer. Ninguém mais deve se preocupar com isso!” Mal sabia ele que, naquele instante mesmo instante, algumas das pessoas que haviam vivenciado todas estas desventuras, também lembravam-se desses dias...
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O som dos pneus arranhando o asfalto da estrada deserta o fazia recordar-se da época em que ele e o irmão dirigiam o Impala pelo país, à procura do pai, sem imaginar que, anos depois, viriam a viver muitas aventuras distintas e mais complexas do que os casos simples que encontravam; viajariam no tempo, conheceriam o Céu e o Inferno, saberiam da existência dos anjos, conheceriam demônios muito poderosos, inclusive o próprio Satã, o qual teriam impedido de começar o Apocalipse na Terra... Duas vezes. Sim, na primeira, cruzaram com os quatro cavaleiros denominados Guerra, Fome, Peste e Morte, respectivamente. Reencontrando velhos amigos, conhecendo novos, para no fim, perder quase todos, enquanto encontrava-se possuído pelo Diabo, frente a frente com o irmão deste, o Arcanjo Miguel, o qual usava o corpo de seu, recentemente descoberto, meio-irmão ilegítimo ressuscitado dos mortos, Adam Milligan; na segunda vez, vira-se perdidamente apaixonado por uma garota bem mais nova, também estando sendo usado como receptáculo de Lucífer uma vez mais, envolvido numa batalha sangrenta com seu irmão Dean, que aliara-se a muitos dos seus velhos inimigos para derrotá-lo — não a si, mas ao ser que o tomara. Vira Deus o salvar, Miguel entregando Alice em seus braços, desmaiada... Havia sido tudo muito caótico, e um turbilhão de questionamentos e sentimentos passavam-se no íntimo de Sammy. Nada importava, exceto... Onde estaria o Diabo? Que acontecera? Essa era a indagação que todos eles se faziam, há muito tempo, sem dar-se conta. Foi quando o telefone tocou.
— Dean? — O número do loiro aparecera no visor do seu celular.
— Oi, Sammy. Acho que temos um caso por aqui... É muito urgente, melhor você voltar logo pra cá! — Disse, num fôlego só. E parecia, realmente, demasiado apreensivo e preocupado.
— Hã... ‘Tá. — O mais novo concordou, ainda que sem entender. Prosseguiu — Mas me diz o que ‘tá acontecendo!
— Não dá pra explicar. Você precisa ver. E tem que ver AGORA: vem depressa! — Bradava do outro lado da linha.
— Okay, chego aí em... Sei lá, umas duas horas. De repente menos. — Falou, desistindo de dialogar sobre o que quer que fosse com o irmão, pois sabia que este não cederia.
— É bom mesmo! — Despediu-se, encerrando a chamada logo em seguida. “Tomara que ele não tenha ligado só porque sentiu saudades dela de novo...” Pensou irritado. Referia-se ao Impala; Dean e Sam ainda caçavam juntos, porém, o loiro agora tinha uma família, e por isso, dividia seu tempo entre treinos de baseball e casos sobrenaturais. Naquela semana, decidira passar uns dias com Ben e Lisa, razão pela qual Sam acabara de solucionar outra de suas investigações, sozinho, enquanto o irmão não voltava a estrada.
A vida é repleta de coincidências, caros leitores. E talvez, tenham sido justo esses acasos que tenham levado Dean Winchester a deparar-se com Lucífer e Alice, seguindo apressados em direção a faculdade, quando o mesmo fora obrigado a realizar um retorno para casa por causa de problemas na avenida principal, caminho que traçava habitualmente. Ao ver a menina, teve a estranha sensação de que algo estava errado, o que se confirmou ao sentir a presença dele. E se, por ventura, estivesse equivocado, o irmão ainda teria a chance de reencontrar-se com a garota pela qual se apaixonara quando esta era ainda uma menina — embora nunca tivesse admitido que nutria tais sentimentos pela mesma. De qualquer forma, talvez tenha sido uma ação da Destino — sim, a moça com cara de bibliotecária com quem eles cruzaram uma vez — que o motivou a apanhar o telefone no bolso e discar o número do caçula. O fato é que muito ainda estava para acontecer: outra vez... Porque, existe um velho provérbio que diz: “Tudo que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer; mas tudo que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira.” Vocês irão acompanhar, a partir de agora, o desenrolar dessa terceira - e última — vez.
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