Após a guerra
4 Capítulo 4
Notas iniciais
No fundo de uma rua, com aparência degradada, existe uma casa com primeiro andar, embora muito pequena. As janelas estão todas fechadas com a exceção de uma maior, da qual é permitido visualizar a pequena televisão sobre a mesa, dois sofás pequenos e desgastados, um tapete velho sobre o chão e um cobertor tão velho quanto o tapete, também no chão.
Da divisão à uma porta que permite ver a entrada da cozinha onde uma mulher de longos cabelos rosados limpava a mesa.
Sakura estava em casa com a pequena Ayane, acabavam de almoçar quando a menor correu para a sala e ligou a televisão. Adorava ver as notícias, embora pouco perceber ainda, e saber sobre a guerra… era como saber se a morte do pai teria sido em vão.
_Notícia de última hora, a vitória foi alcançada pelos soldados de Konoha. A guerra foi vencida por um ataque surpresa à base inimiga, feito por um só homem – dizia o repórter. – Centenas de soldados vão voltar para as suas casas, para as suas famílias após vários anos de luta, vários anos de sofrimento, vários anos de dor…Após dezenas de vidas perdidas…Os nossos soldados podem respirar de alívio. A guerra acabou, e com ela, vem a felicidade de voltar a abraçar quem se ama. Voltar a ver quem mais se sente saudade.
_Mamã – gritou a pequena, correndo para a cozinha. – Mamã, a guerra acabou. O papá vai voltar para casa, vai voltar para nós.
Sakura tentou sorrir perante as palavras da filha, mas as palavras “regresso” e “Kakashi” nunca estariam na mesma frase. Não, desde o trágico acidente que acabara com a vida dele e dos amigos.
Quando passou a euforia pela notícia, a pequena Ayane pediu à mãe para irem até casa de Kurenai, a melhor amiga de Sakura, que tinha um filho da mesma idade que Ayane…também ele órfão de pai. Queria contar a novidade ao seu amiguinho, queria partilhar a felicidade com ele.
Ao chegarem à casa, Ayane foi para o jardim com o pequeno Hakuro jogar às escondidas, deixando Sakura e Kurenai sozinhas dentro de casa. As duas mulheres estavam tristes, mas os filhos não precisavam de saber o porquê.
_Se estivessem vivos, voltariam agora para nós – disse Kurenai, com os olhos vermelhos pelo choro. Nas suas mãos estava uma chávena de chá que ainda fumegava.
Para as duas mulheres era uma alegria saber que a guerra tinha terminado, mas isso não significava que os seus entes queridos voltariam para elas. Perderam-nos na mesma noite em que saíram pelas portas das suas casas. Mas mais ninguém teria que sofrer o mesmo que elas.
Tal como Sakura e Kakashi mantinham uma relação escondidas, Kurenai e Asuma estavam na mesma situação. Porém, quando Hakuro nascera, Asuma estivera ao seu lado para lhe dar forças. O que Kakashi não pudera fazer.
_O Asuma ficou feliz com o nascimento do Hakuro? – perguntou Sakura, com um aperto no peito, por saber que Kakashi perdera para sempre o momento que ele mais esperava. E que não voltaria a tê-lo.
_Ficou radiante. Quase lutou com a enfermeira para pegar no filho – recordou Kurenai, com um sorriso no rosto. – E olha que, quando digo que quase lutou, estou a ser-te sincera.
A campainha tocou, fazendo Kurenai levantar-se do sofá, pousar a chávena sobre a mesinha e dirigir-se à porta.
_Sim? – perguntou.
_Kurenai Yuhhi? – disse uma voz do outro lado da porta. De onde estava, Sakura não conseguia ver quem era, mas sabia que conhecia aquela voz. Escutara pouco tempo depois da queda do avião, na altura estava em casa dos pais de Kakashi.
_Sou eu – respondeu Kurenai, surpresa.
_Eu sou Minato Namikaze, sou o responsável por notificar os familiares dos soldados de Konoha sobre o seu estado de saúde.
_Mas eu sei que o Asuma está morto – disse Kurenai, sentindo o coração falhar uma batida, ao terminar de proferir a frase. – Ele e a restante companhia. Morreram à oito anos.
_Quem lhe deu essa informação? – perguntou o homem, surpreso.
_Ninguém…ninguém teve a coragem de vir à minha porta dizer que ele estava morto. Agora que terminou a guerra é que ganham coragem para isso. Mas veio perder o seu tempo. O luto já está feito – ia fechar a porta, mas o homem não deixou.
_Mas essa informação não está certa – disse o homem, e tal resposta fez os olhos de Kurenai brilharem com esperança e Sakura levantou-se do sofá, indo até à porta.
_Então qual é a informação correta? – perguntou a recém-chegada.
_Depende de quem seja a senhora – disse Minato, rígido.
_Sakura Haruno, familiar de Kakashi Hatake. Penso que também tenha obtido a informação errada referente ao seu estado de saúde.
_Que Kakashi esteja morto? – perguntou o homem, e Sakura assentiu. – Pois bem, estão as duas enganadas. Eles estão vivos, e esperam pelo avião que os trará de volta a casa. Se quiserem ir busca-los ao aeroporto, eu dir-vos-ei todas as indicações. Aliás, foi por esse motivo que aqui vim, mas somente para a senhora Yuhhi. Os familiares de Kakashi Hatake serão notificados mais tarde.
_Mas eu estou aqui. Pode dizer-me já – pediu Sakura, quase em súplica. – Eu preciso de saber.
_Escutem com atenção, então.
Perante o consentimento das mulheres, Minato entregou-lhes dois papeis com todas as informações necessárias. E, quando este se foi embora, as duas mulheres abraçaram-se, chorando.
Os seus homens estavam vivos, e estavam prestes a regressar a casa. As suas vidas iriam-se organizar…iriam dar aos filhos as vidas que sonhavam para eles.
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