Aprisionada
18 Capítulo 15
Tudo se tornou mais tranquilo, eu me tornei mais “tranquila”, não exatamente...
Spencer e Emmy me davam nojo. Mas fora isso, a vida estava seguindo normalmente; meus amigos fofocando, Spencer tentando falar comigo, Emmy sendo irritante, Spencer me encarando com olhar desolado...
A vida estava seguindo seu próprio curso novamente.
O problema é que eu não estava. Era vê-lo seguindo com a vida dele –apesar de sempre tentar me contatar-, ver o que eu havia feito... Como raios eu pude deixa-lo entrar na minha intimidade? No mais fundo de minha alma? Como pude permitir que ele me conhecesse de verdade? É fácil perceber que algo está errado quando a única certeza que temos disso é que a situação não é planejada.
–Terra chamando Jéssica? –Chamou Megan, petulantemente, estalando seus dedos na frente do meu rosto. E o problema é que tudo nela estava me irritando.
Desde que Megan começou a sair com seu namoradinho nojentinho e gostosão que nunca queria sair conosco, ela se aproximou demais de Emmy. As duas pareciam nutrir uma relação de mutualismo. Uma necessitava da outra para sobreviver. E Megan estava quase completamente mudada, não conseguia ver mais minha amiga naquela mulher. Seus cabelos estavam loiros, no comprimento da cintura, ela usava agora sutiãs com bojos enormes e saias. Muitas saias. Saias curtas. Parecia que Megan havia se perdido, que ela havia se tornado tudo o que um dia julgou, tudo o que um dia não quis. Eu nunca tinha visto John e sinceramente, nem gostaria. Pelo pouco que conhecia sua personalidade através de Megan, mais superficial eu sabia que ele era. Menos eu queria conhecê-lo .
–Alô?! To falando contigo!
–Eu ouvi, só não quero responder mesmo. –Disse com a voz arrasada, já cansada das frescuras de Megan.
Todos de uma hora para outra olharam para mim, provavelmente achando que eu era uma víbora.
–Porra Jess! Isso é maneira de falar com qualquer pessoa? Ainda mais comigo?! Pensava que nossa amizade valesse mais... –Disse a Rainha do Drama, virando as costas falsamente afetada. Logo atrás dela foi-se Jason (que era o único suportável desse bagulho) e Emmy. Spencer ficou me olhando por um tempo até tomar coragem e vir falar comigo.
–Olha, eu cansei disso. Você precisa agir de um modo diferente com as pessoas, Jéssica. Essa não é a “Jess” de verdade, não pode ser...
–Acho que com o tempo ou com as ações das pessoas, a gente descobre que elas não são quem a gente pensava que elas fossem, não é mesmo? –Disse olhando para ele, dando a entender que aquilo havia sido uma indireta. Sua reação foi a esperada, ele abaixou a cabeça em um sina de vergonha e ficou mexendo em seus anéis e pulseiras.
–Sabe o que é, Jéssica? É que isso tudo, toda a nossa situação é muito clichê... O mocinho faz cagada e a menininha muda, sofre e o recusa para sempre. Até a hora em que o mocinho muda pela menininha e ela o aceita de volta. –Fiquei olhando para ele, com um ponto de interrogação estampado na testa. Onde raios ele estava querendo chegar?
–Tá me chamando de clichê, é isso?
–Não... Me deixe acabar. Hoje em dia as pessoas acham que os clichês são as melhores histórias, eles não querem mais ver uma boa história onde o mocinho simplesmente não fica com a menina porque ela viu que ele mudou, mas ainda assim as marcas que a cagada dele deixou foram muito grandes... –Ele me olhou como se me pedisse uma continuação, um entendimento de sua parte. Ele virou seu corpo diretamente para mim e me olhou. Aquela ternura, profundidade estavam lá de novo e isso me aterrorizou. –Sabe o que é... Às vezes eu acho que as pessoas menosprezam um bom clichê, que elas acham que o idiota só para de ser idiota pela mocinha e na verdade, ele para de ser idiota por ter percebido que era um. Ele para de ser um idiota Jessie, porque ele simplesmente não consegue olhar para a menina que mudou e está mudando constantemente e ignorar todos os sentimentos recém-nomeados. Sabe Jéssica, eu adoro um bom clichê. Esse deve ser o motivo de eu ser apaixonado por você.
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