Aprendizes de Salém
5 Encontros Inesperados
Notas iniciais
E Ps: Já estou fazendo o capt. do Edwyn e Amythst, vcs vão gostar.
Quem mais falta???
Ahh, claro, Victoria Leisler, o próximo capitulo também é seu.
– De novo!
Srta. D'oak tenta, mas falha.
– De novo!
Tenta novamente, mas falha novamente.
– Mais uma vez!
Irritada, joga os frascos de vidro no chão.
– Menina, frascos de poções custam mais caro do que essa carruagem! — grita o Sir. E Srta. D'oak sente seus cuspes bombardando a pele do seu rosto. Nojento.
– Pelo amor de Deus, nenhuma bruxa conseguiria fazer uma poção num lugar como esse! Balança demais!
A carruagem medieval bordô é longo, alto e espaçoso (tanto quando uma limousine, mas não posso dar esse exemplo, não existe isso nessa época.).
O Sir. que cuspira no seu rosto chama-se Fafrico, o tutor de D'oak. Um homem esquelético, barbudo, que parece mais um palito vestindo terno (vagamente lembraria slenderman no nosso tempo). Sir. Fafrico cuida de D'oak já faz muitos meses, ensina a ela a arte da magia física e mental — embora muitos não gostem de mexer com o cérebro, pois deixa sua mente vulnerável enquanto mexe com a do inimigo, vira uma luta mental se a vítima for bem esperta. Ele paga tudo a ela, quando se hospedam em algum lugar (isso quando se hospedavam em algum lugar, pois viviam viajando em busca de mais conhecimento) ou vão banquetear em algum bar.
Miley Marine D. Oak é aprendiz, na verdade, de um tal Ven. Dãphter, um bruxo responsável pelo Elemento Madeira. Não era para ser ela, aliás. Quando um senhor foi na fazenda onde vivia para cobrar algumas dívidas de seus senhorios, Miley era somente uma simples escrava que fora capturada e vendida após sua mãe ter sido injustamente acusada de bruxaria — quero dizer, “curanderismo” é o termo correto. O cobrador, que era Sir. Fafrico disfarçado, pediu o filho dos senhorios como aprendiz para quitar as dividas deles. Mas que pais daria seu filho para um estranho estranho? Então ofereceram a escrava, Miley D. Oak, que Sir. Fafrico aceitou após muita relutância. Miley devorava os livros da biblioteca do seus senhorios quando ficou sabendo da negociação. Então fora arrumar suas coisas, uma pequena sacola com roupas e acompanhou Sir. Fafrico para uma longa e misteriosa viagem. Quando ele contou sobre quem era e o que precisava, Miley contou da sua mãe e sobre o curandeirismo que corria em suas veias — a presença da magia na realidade nunca foi novidade para ela. Após investigar muito a árvore genealógica dos D. Oak, descobriram que muitos de seus parentes tinham sangue místico, o que facilitaria a adaptação dela em relação a magia. A arte da cura seria fácil, claro, porém as outras áreas exigiria força da pare de Miley D. Oak.
Esses acontecimentos foram um golpe de sorte... ou azar, mas por enquanto era sorte.
Miley nunca teve contato com Ven. Dãphter e estava ansiosa por esse momento.
Agora Sir. Fafrico está tentando ensiná-la a fazer poções em situações difíceis, como, por exemplo, dentro de uma carruagem idiota que mexe “pra caramba”.
– Eu não aguento mais! Estou com sono, quero uma cama quente e macia para dormir. Só isso. Por favor! — suplica Miley, desabando no banco da carruagem.
– Menina preguiçosa! Ven. Dãphter ficaria ultrajado com essa *conduta!
– Não me importo, Sir. Fafrico, porém vamos nos hospedar em algum lugar agora?
O homem suspira, de mãos atadas — ele também está cansado.
– Muito bem... cocheiro! — exclama ele, pondo a cabeça para fora da janela. — Bar Covil do Ar Envenenado, por favor!
Ela ouve um “Sim, senhor!!!” lá de fora.
Quando Sir. Fafrico volta sua cabeça para dentro da carruagem, diz:
– Faremos um pequeno desvio do nosso trajeto... sim, pequeno desvio, srta. D. Oak. Madrugaremos junto com as galinhas e partiremos tão rápido quando um beija-flor voa.
– Exagerado...
– Umpf, cale-se. Espero que tenha prestado a atenção e... quando entrarmos fique calada, cega e sem vida. Eu sou seu tutor e falo por você.
Miley dá ombros.
– Tanto faz. Já estou assim faz tempo, de tanto sono.
Elendil está sentada numa cadeira alta perto do bar, cruza as pernas e toma uma taça de hidromel. O Bar Covil do Ar Envenenado é uma pensão/bar do subúrbios mais escondidos da aconchegante Roma. Não é muito ruim, só parece não ter sido limpo desde que foi construído e o café deles tem gosto barro aguado com cafeína. Henry está jogando um jogo estranho no canto mais escuro do Bar, algo relacionado a baralho sujo, pequenas peças redondas coloridas, aposta e muita bebida alcoólica. Ele parece um príncipe no meio daqueles romanos imundos — Henry veste um sobretudo preto preso com botões de bronze, blusa de algodão branco, calça marrom bem escuro, com suas barras enfiadas dentro das botas pretas de cano longo. Ele havia guardado suas costumeiras luvas de couro negro, que atrapalha em momentos parecidos com que está agora, jogando cartas.
Elendil vaga seus olhos pelo ambiente e sem menor interesse vê duas pessoas entrarem num bar, um homem esquelético bem vestido e uma garota de no máximo 15 anos sob um capuz verde-musgo. Eles se aproximam do barman perto de Elendil e pergunta a ele se tem algum quarto desocupado.
– Olha, aqui é o Bar Covil do Ar Envenenado, mas não permitimos pessoas de idades tão diferentes dormirem no mesmo quarto. Sabe, não é bom para o nosso...
– Seu infeliz, ela tem idade para ser a minha filha! — exclama o esquelético, ultrajado.
– Mas foi isso que eu disse...
Elendil interfere, já vendo a discussão idiota que estava surgindo.
– Hei, Tom, eles não são namorados. — diz ela, apontando para os dois viajantes. — Seja um barman/recepcionista legal e providencie um quarto para cada um.
Tom, O Barman, parece sem graça.
– Sinto muito, senhores, mas coisas assim não é tão raro como parece. Eu sinto muito, mas só tenho um quarto vago.
A garota sob o capuz suspira.
– Sir. Fafrico, eu fico na carruagem. — sua voz é baixa, sugerindo que está com sono.
– Miley, o que eu disse...
– A garota pode ficar no meu quarto. — interrompe Elendil, sorrindo. — Eu tenho onde ficar hospedada.
Tom tosse, com um sorriso sarcástico.
– Henry não vai gostar disso...
– Pouco me importo com o que ele gosta ou não gosta. — e suspira. Miley percebe o falhar da voz dela no final da frase, sugerindo algo mais entre essa tal Elendil e Henry. — Aliás, se quiser, também podemos ficar no mesmo quarto.
– Que gentileza. — diz Miley, gostando cada vez mais da garota de olhos estranhos.
– Não. — Sir. Fafrico não gostou da ideia, também não gostava da tal Elendil. — Aceitamos a sua primeira sugestão.
Mesmo após ter sido atacada por essa rispidez, ela sorri.
– Tudo bem. Tome a chave. — diz, entregando a Miley uma coisa velha que um dia poderia ter sido uma chave e na sua base tinha gravado o número 25. — Só não pressione muito ou irá quebrar. E... eu sou Elendil.
– Eu sou... — Sir. Fafrico dá uma cotovelada nela. — Quero dizer, obrigada. — Miley aperta a mão de Elendil e sai seguido do Sir. Fafrico, que olhava feito para a garota de olhos estranhos.
– Ainda querem jogar? O que vão apostar agora? Seus órgãos?! — sacaneia Henry, jogando a última combinação de cartas. Esse tal Poker é complicadinho, mas não impossível.
Os outros oponentes dele joga as cartas longe, bufando, irritados, indo para cima dele. Porém Henry tem ombros largos, físico forte e não parece ser um homem que se acovarda facilmente — por alto tinha 20 ou 30 anos.
– Vai ter volta, conterrâneo. — diz um e então vão embora.
Então Henry ri dos covardes que não sabem perder, subindo para o seu quarto.
A escada range a cada passo, os degraus parecem prestes a ceder a qualquer hora e o corredor é tão escuro que as lâmpadas são meros enfeites. A porta do seu quarto é exatamente como o das outras e a fechadura tão velha quanto a própria chave... sim, a chave! Logo ele percebe que havia deixado a sua chave junto com a da Elendil. “Se eu não fosse tão preguiçoso não precisaria arrombar a minha própria porta.” pensa, sorrindo sem humor para si mesmo.
Quando Henry arromba não faz barulho, o que é uma surpresa.
O quarto se constituí num miserável cômodo composto por uma cama rangedora, dois travesseiros remendados inúmeras vezes, um lençol branco com 1cm de grossura e um criado-mudo quebrado. A única coisa digna de ser descrita em poucas palavras é o pequeno banheiro separado por uma fina porta a direita, limpo, simples e útil.
Porém, alguém usava-o.
Henry pode ouvir o som da água se jogando suicidamente — essa palavra existe? — numa banheira com água, o que o fez deduzir que alguém utilizava sua banheira. Logo ele se arma com uma adaga de dentro da sua bota e abre a porta do banheiro lentamente. E então vê uma moça de pele caucasiana, aparentemente baixinha, com longos cabelos pretos e corpo magro sob a água da banheira... não, água não. Leite. Utilizar este líquido para tomar um banho é um luxo que poucos podem usufruir, o que faz Henry se perguntar sobre onde ela o teria conseguido. E não, ela não está nua. Veste a roupa de baixo daquela época, uma camisola fina de linho branco.
Silenciosamente Henry se aproxima da bela e põe a lâmina da adaga sobre o pescoço dela.
– Eu ficaria quietinha se fosse você. — sussurra.
A moça sorri, curvando lentamente seus lábios carnudos e rosados. Um sorriso angelical.
– E se eu fosse você... — ela ri sem humor. — Bem, afaste-se.
– Quem é você?
– Tire essa adaga do meu pescoço.
– E como entrara no meu quarto?
– Seu quarto? Seu quarto?! Este é de uma garota chama Elendil, que me emprestou o quarto e também só direi mais uma vez: tire essa...
– Ah! Claro,claro! — exclama, percebendo o mal entendido. — Eu... me...
– TIRE ESSA ESSA ADAGA DE MIM! — grita, se levantando.
O pescoço dela não é cortado.
A garota vira um montante de água, que voa para o outro lado da banheira e em seguida retorna a sua forma sólida novamente — erguendo as mãos, fazendo o leite da banheira flutuar. Então ela murmura algumas palavras, que transforma o líquido em várias estalactites quebradas e coloca as pontas contra mim.
Ele sorri, embora assustado.
– Você... você é uma bruxa...
– Coloque essa adaga no chão! Agora!
– Acalme-me, acalme-se. — diz rapidamente, pondo a arma no chão e erguendo os braços num sinal de rendimento. — Eu também sou um bruxo.
– Nem tente...
– Olha, eu posso provar! — Henry, em relação ao seu elemento energia, sempre se saiu bem. Tanto energia da criação — éter etc, há muitos nomes para isto — como energia de eletricidade. Porém nesse caso ele optou pela energia da criação.
O rapaz junta as mãos em uma concha fechada, iniciando com sua magia. O interior da concha brilha numa luz puramente branca e dentro dela algo sólido começa a se formar. Quando ele abre as mãos um coelho de porcelana aparece, de olhos rosados, orelhas pequenas, fofinho azul bebê, com 7cm de altura e largura.
O pequeno animal convence a moça e ao mesmo tempo derrete seu coração.
– Você é um bruxo mesmo! — ela corre até Henry, jogando-se em seus braços — uma situação diferente, parecendo um reencontro de velhos amigos. Quando ele a abraça o coelhinho some, voltando ao seu estado inicial, energia.
Henry entende o porquê daquela felicidade quando ela percebeu o que ele é. A vida de um bruxo(a) é solitário, tem de agir como fugitivo e sobreviver apenas com o que cabe num pequeno baú de 30cm X 30cm. Você pensa que é o único, ou pelo menos o único naquela região, e não pode fazer nada quando a isso — quanto mais bruxos juntos, mais há a possibilidade de ser encontrado e condenado a fogueira. E encontrar alguém... uma pessoa como você... que te entende... é como voltar ao lar.
Então a moça se afasta, com um lindo sorriso no rosto.
– Eu... eu me chamo Miley Marine D.Oak, mas pode me chamar de Lily.
– Henry, Henry Alexander François.
– Muito, muito, muito prazer! — diz Miley, beijando suas bochechas. — É descendente de francês e italiano?
– Sim. É evidente pelo meu nome, não é?
– Uhum.
Há um momento de silêncio, porém ele é logo quebrado por sons de risadas.
– Nossa, nossa — diz, entre risos. — Estou surpresa ainda! Me desculpe por...
– Não, eu peço desculpas! Elendil nunca presta a atenção direito nas coisas...
– Não presto?
Uma voz diferente entra na conversa.
Lá está, na porta do banheiro, Elendil Galahdi com uma chave na mão.
– Então? Eu não presto a atenção? — diz entredentes. — Sinto muito pela chave, Miley D. Oak. — mas para Miley a garota não sentia nenhum pesar.
– Está situação é culpa sua, Dill. — acusa Henry. — Sua grande sorte é que Lily... bem, ela é uma bruxa.
– Lily, Henry? Acabaram de se conhecer, suponho, e já se chamam por apelidos?
Henry bufa.
– Ah, Dil, você está com ciumes! Pare de sentimentalismo e vá tomar uma água.
– Por quê não toma você?
Os olhos da garota ficam da mesma cor pela primeira vez, vermelho sangue.
Um jato de água nasce das mãos de Elendil e atinge Henry no peito, a pressão é tão grande que rasga a camisa dele. Mas ele não é do tipo que recebe uma agressão e fica passivo, mesmo o ataque partindo de uma garota. Porém Miley age antes dele, congelando o jato de água e Elendil ao mesmo momento — protegendo seu novo amigo.
Miley está arfando.
Henry está contra a parede, com o peitoral congelado.
Elendil não mexe nenhum músculo, nem ao menos pisca ou respira.
– E-eu sinto muito, mas não pude a deixar machucá-lo. — justifica a garota, de joelhos no chão. As mãos dela sangram.
O rapaz repara nisso.
– Não está acostumada com o gelo?
– Não, nunca tentei, por mais incrível que pareça. — Miley arfa muitas vezes, parecendo uma pessoa que sofre de asma.
Henry descongela seu peitoral, vai até a garota e enfaixa as mãos dela com bandagens, que conjura do nada. As bandagens brancas se tingiram logo de vermelho, tão vermelho quanto o próprio sangue, tão vermelho quanto os olhos de Elendil.
Ah, sim.. ah, sim, ah, sim, ah, sim!
Elendil... sim, claro! O que posso dizer? O gelo simplesmente quebra!
– Argh! Sua infeliz! Eu vou te matar! — Elendil grita como nunca gritou antes, pulando no pescoço da Miley e a impulsão faz com que elas quebrem a parede de madeira, caindo na terra baldia atrás do Bar Covil do Ar Envenenado.
Miley respira rapidamente, prestes a sofrer um ataque cardíaco.
– AGORA, LILIZINHA, VOCÊ VAI SENTIR O PODER DO MEU ELEMENTO!
A garota raivosa apoia violentamente as duas mãos nos ombros da oponente e a empurra para o fundo da terra, praticamente usando o corpo da Miley como uma escavadeira pessoal. A terra entra por todos os orifícios da vítima, todos que puder imaginar. Ela tenta se proteger, invocar alguma força, fazer qualquer coisa, mas Elendil entrara psiquicamente na mente dela e a faz perder o controle — algo muito fácil considerando o pânico da Miley.
Henry só observa as duas do primeiro andar, atônico, de mãos atadas.
Mas Miley é forte e já sobreviveu a muita coisa — escravidão, solidão, o trauma de ver a mãe curandeira queimar na fogueira bem a sua frente. Se ela fechasse bem os olhos ainda podia ouvir os gritos e sentir o cheio de carne humana queimada. E é isso que dá coragem e determinação a ela.
Para surpresa de Elendil, a vítima se revolta e infelizmente (ou felizmente) não consegue ver afiadas toras enormes de madeira voar em sua direção. Imagine um bonequinho de pano e um monte de agulhas enfiada nele, é assim que Elendil fica. Miley faz o solo de terra voltar na forma normal, na sua costumeira terra plana e fica sobre ela.
Miley ri como uma maníaca, se preparando para o golpe final.
– Agora sinta você o poder do meu punho!
Elendil está praticamente morta e Henry não podia deixá-la morrer, porém também não é ele que faz algo para impedir. Bruce, o Husky Siberino, ao ver sua dona quase morta, corre e avança no pescoço da Miley.
Ela grita, porém suas cordas vocais logo são rompidas.
Acena que se fez ali é sinistra. As pessoas que ali estavam hospedavam rodearam a cena, horrorizados.
Do nada uma carruagem negra aparece e para perto dos corpos.
– Ven. Tersa Terphiles. Me dei mal. — e Henry tinha razão.
O Bruxo da Terra é um homem barbudo — embora tenha apenas 18 anos fisicamente, quem sempre veste uma túnica verde e marrom. E este é este rapaz que desce da carruagem.
– Elas... elas... Henry François! — grita o barbudo em direção ao homem que observava tudo do primeiro andar. — Estás com a aprendiz da In. Adalia, não é?! Queres matar todos os aprendizes?!!
– E-eu não...
– Cale-se! — e faz todas as toras de madeira sair do corpo de Elendil. — Nunca irá matá-la, não deixarei. Espere seu mestre, aprendiz infeliz, ele limpará sua sujeira.
Ven. Tersa Terphiles faz o corpo de Elendil e Miley flutuar até dentro da sua carruagem, entra junto e parte para longe.
Henry tremia, o sermão de VenIn. Measeréter seria um pesadelo.
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