Aprendiz de Deidara
1 Recomeço
Notas iniciais
– Já basta! Hmm. – ele repetia e repetia isso. – Eu sou o Sensei aqui! Hmm.
Oh não diga! Pensei que fosse uma garota mimada, ou melhor, um traveco irritante.
Sério, já não aguento mais o meu Sensei, ele sempre vem com essa baboseira de “Arte, explosiva”, “A verdadeira Arte” etc. Isso cansa! Ele não era assim...
Por que eu fiquei logo nessa equipe? Por que logo com ele?
Eu estava sentada num banco com as pernas cruzadas. E as mãos no queixo, observando o homem loiro em pé na minha frente e estranhamente entusiasmado, falando baboseiras e gesticulando até de mais... Já estava ficando mais que irritante isso.
– Aff Sensei, você só sabe falar de “arte”, “explosão” o quanto sua arte é indescritivelmente perfeita! Isso é muito chato sabia?! – Juro que não pensei direito quando abri a boca, agora ferrou tudo. Ele virou o rosto em minha direção com aquele olhar de assassino. – Ehhh... Foi mal – realmente eu não devia ter falado isso.
– Ahnnn? – ele apontou a palma da mão para mim, e tive que ver aquela boca esquisita mascando um pedacinho de argila... – Você quer se tornar arte Kurotsuchi? – ele já tinha se aproximado bastante, com a mão aberta segurando uma bolinha branca com olhos.
Estranhamente, meu coração acelerou, deve ser de medo certo? Ele me encarava com aqueles olhos estupidamente azuis.
Ele realmente teria coragem de machucar uma aluna? Bom, eu realmente não pretendo saber.
– Hehe, não não – eu movimentei os braços negando. Ele realmente era assustador às vezes.
– Bom, hmm – ele balançou a cabeça. – Dá próxima vez que falar quem minha arte é chata, vou te rebaixar a Genin.
Oooiii? Meus olhos se abriram assustadoramente. Ele havia se afastado e pôs a mão livre na cintura, me olhando de cima, com aquele ar de superior.
– Gomen gomen Sensei! – eu fiquei desesperada, e nem é para menos, já tinha dado um duro danado para me tornar chunin, e de jeito nenhum eu poderia voltar para academia.
– Hahaha, — ele pôs a mão que antes estava na cintura, na minha cabeça, — Relaxa Kurotsuchi, hmm. – estava sentada, e olhando para ele, assim que encarei aquelas orbes azuis, senti um tremor percorrer meu corpo. Instantaneamente fiquei corada, e abaixei a cabeça.
– Hã? O que foi agora? – ele retirou a mão da minha cabeça, a voltou para cintura.
– Ehhh, nada! – olhei para os lados, tentando parecer normal.
– Hmm. – Ele virou de costas de repente, e deu uma espreguiçada. – Ahh! Vem, vamos logo começar o treinamento. Os outros devem estar te esperando, para ver o quanto você melhorou.
Fiquei meio avoada quando vi o Sensei esticar seus braços para cima, ele conseguia ser gracioso às vezes, e aquele sol da manhã ajudava a deixa-lo ainda mais fofo.
STOP!!!
“Eu realmente disse isso??... Ahnnn o que deu em mim agora?!”
– Yo! – senti uma batida nas costas, quase caiu de cara no chão. – Opa, nossa... Com certeza você anda distraída hein Kurotsuchi? – O loiro tinha um sorriso estampado no rosto, mesmo sendo um sorriso orgulhoso e superior, ainda era um sorriso, certo?
– Ahn?! – fiquei meio confusa com ele tão perto. Por via das dúvidas eu fechei a cara – Que seja! – levantei bem rápido, e me desaproximei.
Ele não entendeu minha reação, mas não pareceu se importar muito, se espreguiçou mais uma vez e começou a andar na minha frente com as mãos no pescoço, parecia bem relaxado.
– Vem logo, hmm! – ele disse, sem nem sequer parar e me esperar.
– Tudo bem... – minha voz saiu mais que entediante. Andei mais rápido e consegui acompanha-lo.
Seguimos calados em direção ao campo de treinamento.
Comecei a pensar enquanto andávamos.
“Finalmente aquela maldita viagem acabou” Foi um treino e tanto!
Três semanas inteiras de batalhas, esgotamento, e muita mais muuiiiitaaa chatice sobre como a Arte é indispensável para um shinobi... Foram 21 dias de puro suor e força de vontade.
Eu ainda não entendia bem o porquê, de o sensei ter chamado apenas eu para ir nessa viagem de treinamento. Ele poderia muito bem ter escolhido entre Karin ou Akatsuchi , bem... Levando em consideração as habilidades, com certeza Karin seria uma péssima escolha, além de ser uma chata, intrometida e uma bruxa ridícula, ela é uma shinobi sensorial, não vejo muita utilidade das habilidades dela, a não ser numa missão de busca e reconhecimento. E Akatsuchi, de fato, tenho que reconhecer, ele é muito habilidoso além de ser um ótimo usuário de Doton, o meu gorduchinho tem uma força descomunal, o único problema, é sua infantilidade, chega a ser bem irritante. Mas ele é meu melhor amigo então não posso reclamar. Continuando...
Então, entre as escolhas...
A – uma ninja sensorial, que não se preocupa com a missão tanto quanto se preocupa com suas roupas e seu cabelo.
B – um ninja com ótimas habilidades, porém, muito infantil, e irritante às vezes. E muito molenga. (sério, às vezes eu me acho mais macho que meu gorduchinho).
C- Eu... bom, eu sou uma boa usuária de Doton, além de usar vários outros elementos, tenho habilidades únicas, sou neta do Terceiro Tsuchikage, não que isso seja importante, (aliás aquele velho bem que podia se aposentar)... Deidara-nii e eu já fomos bem mais próximos no passado. Mas as coisas mudam, e agora ele é meu Sensei. Enfim, talvez seja pelo fato de ele me conhecer muito bem, e saber do potencial de minhas habilidades.
Talvez seja isso não é?! Ou, o que mais poderia ser??
Me perdi desses pensamentos quando ouvi a voz de Sensei me chamando.
– Hey, Kurotsuchi? Ooee... – ele balançava a mão na frente do meu rosto. Ainda andávamos pela rua estreita em direção ao campo.
– Hmm! – deitei a cabeça de lado. – O que foi?
– Nada, ehh que...- ele coçava a cabeça, como se tentasse esconder algo, ele andava de costas na minha frente, me encarando e pouco se importando para rua.
– Desembucha logo! – ok, isso realmente foi muito grosso.
Eu não conseguia evitar, era meio que involuntário. Talvez por isso muita gente na aldeia pense que sou homem, se bem que às vezes até eu me acho meio estranha.
– Ahh, com certeza você está estranha! Hmm – ele sempre balançava a cabeça quando usava seu tão famoso “hmm”.
Eu estranha?... Ok, eu também sinto isso. O que está acontecendo?
– Não é nada! – aff, como eu posso ser tão grossa assim?
Ele parou de repente, aproximou o rosto do meu. Não pude evitar, e virei o rosto para o lado. Não consigo encará-lo. Estranhamente eu não consigo!
Mas, eu não era assim. Não éramos assim... Sempre foi divertido ficar perto de Deidara-nii, mas agora é diferente. Bem, deve ter sido o fato de ele ter se tornado num nukenin, e depois de muito tempo (aproximadamente entre meus 9 e 15 anos) ele ter conseguido o título de jounin da Aldeia da Pedra mais uma vez, nos distanciamos. E agora, o loiro se torna meu sensei. Não somos como antigamente, não brincamos como antigamente, não rimos juntos como antigamente. Realmente muita coisa tinha mudado.
– Eu já disse Deidara-ni... – parei de falar de repente, nunca mais o havia chamado desse jeito. – Gomen! – abaixei a cabeça, me afastei para o lado, e segui andando.
Alguns, segundos... E ele continua a andar, agora atrás de mim.
E seguimos...
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