Aprendendo o a B C
6 Manhã
Notas iniciais
Se continuasse de olhos fechados poderia jurar que tudo estava perfeitamente normal. Estava sozinho em sua pequena cama, sendo abraçado por um travesseiro rosado, sentindo o doce aroma de morango da manhã. Tudo completamente comum. O problema aconteceu quando abriu seus olhos e colocou seu cérebro para funcionar; não tinha nenhum travesseiro, muito menos um que abraça. A manhã também não tem cheiro de morango, e ele, infelizmente, não estava sozinho em sua cama.
Sua vontade de levantar correndo enquanto gritava feito uma garotinha quase escapou, mas sua pouca face de durão e seu já destruído orgulho o impediu. Estava deitado de costas com pequenos bracinhos o enlaçando. Para falar a verdade essa sensação seria ótima se ela não estivesse babando em sua espinha dorsal.
- Pelo visto vai ser o primeiro dia em que irei me atrasar – Pensou analisando sua situação complicada.
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Entrou em sua sala com cautela. Estava atrasada e cheirando a álcool, as duas coisas que seu capitão mais odeia de uma vez só. Abriu um pouco a porta para espiar o humor do mesmo, mas ele não estava lá. Entrou desesperada e começou a procurar em todos os lugares daquela sala – até mesmo nos mais idiotas – e nenhum sinal dele. Foi seqüestrado? Morto? Havia errado de sala? Hitsugaya Toushiro atrasado não era normal.
Quando relaxou e decidiu aceitar a hipótese do mesmo estar atrasado – mesmo achando mais fácil acreditar estar sonhando – a porta atrás de si se abre, não para revelar seu capitãozinho, mas sim uma morena de corpo frágil e sorriso doce; Hinamori Momo. O rosto da mesma estava mais vermelho que o normal, os cabelos estavam soltos dessa vez e um forte perfume de chocolate preenchia a sala ao receber sua presença.
- Bom dia Matsumoto-san... Bom dia Shir... – Parou ao notar que o mesmo não se encontrava, seu sorriso sumiu – Onde ele foi?
- Parece estar atrasado – Comentou a tenente enquanto observava a morena. Algo estava errado – Estranho o fato da Yachiru-chan também não estar aqui... Será que estão juntos?!
- O QUÊ? – O espanto da morena foi maior do que a Rangiku esperava. Não tinha mais dúvidas.
- É brincadeira...
- Ah sim! Eu sabia... – Riu forçadamente da suposta brincadeira, havia se alterado mais do que deveria – Bem, eu volto depois... – Retirou-se rapidamente.
Matsumoto apenas ficou admirando a porta de maneira pensativa. O que seu capitão sempre desejou finalmente aconteceu, mas algo a dizia que ele não ficaria tão alegre assim. Suspirou cansada e foi trabalhar um pouco. Isso não era da sua conta, mas estava curiosa para saber quem ganharia no final.
- Será que o taichou gosta mais de morango ou chocolate? – Sussurrou divertindo-se.
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Acordou lentamente se espreguiçando naquela pequena cama. Olhou para o lado e não encontrou seu companheiro de cama. Bem, aquilo soava estranho, mas era verdade, apesar de inocente. Levantou-se e notou um par de pantufas viradas exatamente para que ela calçasse. Sorriu ao calçar aquelas duas coisas macias e confortáveis.
Iria para o banheiro se lavar, mas ouviu um barulho de objetos caindo e uma voz grossa e bastante conhecida por ela amaldiçoando algo. Caminhou para ver o que era e viu uma cena no mínimo impressionante.
- Estou sonhando... Vamos, acorde Yachiru! – Deu vários tapinhas no próprio rosto tentando acordar – Quero sair desse sonho maluco!
- Engraçadinha – Disse com seu famoso bom humor diário. Estava fazendo um ato de caridade e ainda recebia isto?
Claro que o fato dele estar em frente a um fogão mexendo algo que deveria ser o café da manha era chocante, mas não precisava de tanto estardalhaço. Os outros pareciam o enxergar feito um machista carrancudo. Era apenas orgulhoso, oras. Precisava comer, e a comida não caia pronta do céu.
E por ter sido infantil no dia anterior havia decidido fazer um pouco a mais. Era a forma perfeita de pedir desculpas sem passar ainda mais por cima de seu orgulho. Só isso.
- Vá se lavar logo! Se continuar com essa cara de besta eu jogo sua parte no lixo.
- E-espera! – A garotinha com perfume de morango correu até o banheiro, obedecendo-o. Não podia perder esta oportunidade de ouro. Quantas pessoas já provaram a comida de Hitsugaya? Fez sua higiene matinal e voltou mais rápido do que ele podia esperar. Yachiru já vestia seu uniforme shinigami e sua zanpakutou estava bem firme em sua cintura, mas não conseguiu desapegar-se do confortável calçado.
Sentou-se educadamente na cadeira e observou o que deveria ser um omelete em seu prato. Não estava com uma aparência apetitosa, mas cheirava bem. Engoliu seco e foi com tudo; deu uma boa garfada em sua comida e colocou na boca. Sabe sobre não julgar um livro pela aparência? Tudo papinho. Aquilo estava horrível! Mesmo se esforçando o máximo não conseguiu conter uma careta de reprovação.
- Horrivel... – Sussurrou decepcionada.
- Como? Eu cozinho muito bem! – Afirmou ofendido. Pegou seu próprio talher e comeu um pouco de seu omelete. Não estava delicioso, mas era comestível. Inclinou-se na mesa e roubou um pouco do de sua convidada. É, nem ele agüentou.
- Horrível! – Repetiu a frase dita pela fukutaichou.
- Viu só? Eu disse que estava!
- Certo... – Suspirou vencido e inverteu os pratos, pegando o ruim para si – Às vezes eu erro, mas o meu está bom. Coma...
Os olhos rosados admiravam o ato daquele capitão de cabeça quente e bankai fria. Não sabia se ele agia assim por se sentir culpado ou por ser realmente gentil, mas sinceramente não se importava. Agradeceu pela comida e começou a saborear o prato feito pelo baixinho. Ele tinha razão, não era ruim.
Parecia o do Ken-chan...
- Você gostou disso aí? – Percebeu que ele apontava para seus pés e só então se lembrou das pantufas. Assentiu de forma positiva – É seu então...
- Como?!
- Eu comprei parar dar a certa pessoa, mas não tive coragem – Bufou irritado ao se recordar – Então é seu...
- Hinamori? – Perguntou com cara de decepção – Você gosta dela, não é?
- C-como?! – Seu rosto rubro denunciava tudo
- Nada, esquece. Obrigado pelo presente...
Suspirou aliviado por não ter que responder. Hinamori sempre dominou seus pensamentos, mas nun...
Espera! Faz tempo que não pensava nela...
Estranho...
Continua.
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