Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– Ivana, você quer morar aqui? – Perguntou ele, receoso pela resposta.
Abrindo finalmente a porta do quarto, ele aguardava a resposta dela, que por sua vez estava organizando as roupas, fingindo não ter ouvido a pergunta. – Ivana, você me ouviu?
– Sim, eu te ouvi. – Ríspida, ela nem ao menos voltou-se para respondê-lo, continuou organizando-se.
– E por que não me responde?
– Porque não tenho o que responder, dou essa discussão por encerrada.
– Ela não pode se encerrar assim, afinal é o futuro de nossa filha que está em jogo.
– José Miguel, moramos onde quiser, se quiser morar aqui, tudo bem, se quiser morar lá também.
– Por que ficou tão imparcial de uma hora para a outra? – Perguntou ele, sentando-se na cama.
– Não é imparcialidade, mas nestes últimos dias que passei aqui, vi que não é mais tão bom como antes; o que fazia de tudo isso aqui legal não era a cidade em si, mas minhas atitudes aqui. Agora casei e serei mãe, terei que me adaptar a uma nova vida, a uma nova Ivana que ainda desconheço, assim, qualquer lugar para mim está bom, a vida será a mesma.
Ivana parecia sincera, mas ele sentia que ela queria ficar, e ele também precisava se afastar de sua mãe, assim não seria uma ideia tão ruim.
– O que acha de ficarmos? Vamos para a fazenda, pegamos nossas coisas e passamos uma temporada aqui, quem sabe até o nascimento dela, enfim, você decide.
– Acho maravilhoso! – Ela finalmente demonstrou o que queria, que era ficar no México. Para Ivana o ar pacato de uma fazenda era altamente irritante. Ela estava empolgada, quando caiu em si. – Ei, onde vamos morar?
– Em minha casa, ora.
– Mas por que não se hospeda nela então? – Perguntou confusa.
– É uma longa história, mas enfim, vamos passar o dia aqui e a noite te levo para conhecê-la.
– Tudo bem. – Ivana não hesitou e também não perguntou mais nada, parecia tão cansada. Depois de finalmente se organizar, trocou de roupa e deitou-se um pouco. José Miguel queria ficar com ela, assim, deitou-se também. Com a cabeça em seu peito, ela falava de sua alegria em saber que esperava uma menina. – Como será o nome dela? – Perguntou Ivana, olhando nos olhos do amado.
– Não sei, ela precisa de um nome bonito.
– Ela precisa de um nome com I, será a terceira geração que tem o nome iniciado com I. O que acha de Isabela? Isadora também seria bonito.
– Não sei, acho que gostaria que ela tivesse um nome mais tradicional, talvez Maria, o complemento você escolhe ou até Guadalupe, eu gosto muito desse nome.
– Não acho boa ideia não, vamos fazer assim, quando ela nascer olhamos para o rostinho dela e a damos um nome. – Disse ela, beijando-o.
– Mas e se ela tiver cara de Mafalda? – Brincou ele, retribuindo o beijo.
– Não terá, seu nome será tão lindo quanto ela. – Eles conversaram por mais um tempo e repentinamente Ivana adormeceu, deixando-o falando com as paredes.
– Durma bem, meu amor. – Sussurrou ele, beijando-a na testa. Ivana se transformava quando adormecia; sempre agitada e impulsiva, ela não parecia tão meiga, mas quando seus olhos estavam cerrados, ela parecia um anjo. A franja, que cobria as sobrancelhas, estava totalmente jogada para a esquerda, deixando a outra parte da testa descoberta. O pequeno e afilado nariz ganhara um tom rosado, já que estava muito frio, porém ele ficava ofuscado em meio às bochechas salientes, que davam forma ao seu pequeno e delicado rosto. Enquanto ela dormia, José Miguel a observava admirado. – Você não sabe o quanto te amo, Ivana. Quando você me disse que estava grávida, te odiei, posso até dizer que senti repulsa de você, mas quando te vi dormindo, exatamente como agora, deixei tudo de lado e transformei tudo o que sentia em ternura, e essa ternura transformou-se em amor, que foi crescendo e hoje eu te amo mais que tudo. – Disse ele, acariciando-a no rosto. – Você não pode se ver, mas é um anjo quando adormece, meu anjo. Como pude um dia não gostar de você?
Adormecida, ela não fazia ideia da declaração que seu amado a fazia. Os braços fortes de José Miguel a envolviam, ela estava protegida de tudo naquele momento, a respiração quente de Ivana em seu peito era a melhor sensação que poderia sentir. Assim, abraçados, eles adormeceram.
Enquanto isso, no ‘Los Cascabeles’, Isabel andava de um lado para outro, pensando em sua filha.
– O que você tem, tia? – Perguntou Valentina, notando o aparente descontentamento de Isabel.
– Quero noticias da Ivana, filha.
– Quer que eu ligue em casa para saber sobre ela? – Perguntou ela, jogando o chapéu no sofá, já que tinha acabado de chegar.
– Quero sim. – De mãos dadas, elas seguiram até o escritório. Enquanto Valentina discava os números, Isabel contorcia as mãos, afinal a considerava uma menina ainda, e grávida a preocupação era em dobro.
– Mansão Villalba, boa tarde.
– Olá, Rafaela, gostaria de falar com minha prima. – Disse ela, antes que a moça pudesse dizer algo.
– Olá, senhorita. A senhora Ivana não está, ela saiu de manhã e voltou acompanhada de um rapaz alto, bonito, moreno de cabelos negros, pegou alguns casacos e saiu, não faz muito tempo isso.
– Deve ser José Miguel. Ela deixou algum recado? – Perguntou, voltando-se para apreensiva tia.
– Sim! Esse é seu nome. Não, senhorita, não deixou nada.
– Obrigada então, tchau.
– Tchau, senhorita. –Valentina estava desconsertada, ouvir o nome de José Miguel ainda era muito doloroso, afinal, planejara toda uma vida ao seu lado.
– Onde ela está, hija? – Perguntou Isabel, afagando-a nas mãos.
– Saiu com José Miguel, devem ter se entendido, sendo assim, não se preocupe, tia, ele cuidará dela e em breve voltarão.
– Ojalá, estou morrendo de saudades dela. Ela pode ser grossa, impulsiva, mas ainda é minha filha e eu a amo sobre todas as coisas. – Abraçadas, elas ficaram por mais uns instantes, quando Santiago entrou correndo no local.
– Tia, a senhora prometeu que depois que voltasse, nós andaríamos a cavalo. – Questionou ele, correndo para abraçá-la.
– E o senhor já almoçou? – Disse ela, agachando-se.
– Sim, agora vamos?
– Vamos. – Ele pegou-a pelas mãos e foi puxando, eles riam muito, e Isabel também. Valentina não tinha certeza do que sentia por Alonso, mas tinha sobre o que sentia por seu amado Santi. O garoto era amoroso e era de um amor assim que ela precisava, um amor sincero e desinteressado, afinal, ela foi trocada duas vezes, e o motivo da troca foi o mesmo, sua própria prima. Porém, Valentina era muito nobre para sentir raiva de Ivana, ela entendia aquilo tudo como a ‘lei da selva’, o mais forte sempre vence, e ela considerava sua prima uma concorrente de peso, mas não deixava isso estragar a fraternidade delas; Ivana gostava dela também, ou até a amava, mas ainda não tinha a mesma nobreza sentimental que fazia Valentina parecer tão forte. Tão forte, que até mesmo Alonso ela perdoou, mas não sabia se voltaria a amá-lo como um dia amou.
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