Aprendendo a Viver.

29 Capítulo 28 - O inesperado.


Notas iniciais
Hey, gente, quanto tempo. Mas, eu estou de volta, para postar mais um capítulo fresquinho para vocês. Capítulo este que é o nosso penúltimo. :(
Poois é, a história está quase sendo concluída e espero que vocês gostem.
Mais uma vez e, como sempre, desculpem-me pela demora. Mas, vocês sabem que eu sempre volto, nunca deixaria uma história dessas sem um final. Então, espero que vocês aproveitem esse nosso penúltimo capítulo e se deliciem com ele, sendo possível, depois, dar uma comentada. :p

Enjoy!

CAPÍTULO 28 – O INESPERADO.

A sacola em minhas mãos se tornou um pouco pesada quando eu a segurei com uma mão só para abrir a porta dos fundos da minha casa. Quando eu entrei pela cozinha, eu senti os olhares em cima de mim e já sabia que os meus pais estavam ali, esperando-me. Porque era dessa forma agora. Desde que eu voltei a sair de casa, pelo menos para fazer as minhas coisas, e não ficar muito tempo dentro desse espaço opressor que se tornou o meu quarto e aquela casa, eles ficavam no meu pé, fiscalizando o que eu ia fazer e a que horas eu ia fazer. Certamente, eles tinham medo que eu fizesse algo drástico.

Quem sabe fugir? Ou acabar de vez com a dor de mim, de uma vez por todas? Eu tinha absolutamente certeza de que quando eles me viam passar por aquela porta, eles sentiam alivio por saber que eu estava viva ou ainda estava na cidade.

De qualquer maneira, seja o que fosse o que eu ia fazer, mesmo que não fosse grande coisa, eles saberiam e eles me impediriam, porque eles sempre estavam me vigiando agora. Até mesmo um guarda-costas eles contrataram, com a desculpa de estarem preocupados com a minha segurança, devido os últimos acontecimentos jurídicos entre meu pai e os culpados pela perca temporária dele da empresa. No entanto, eu sabia que eles tinham me colocado esse segurança para me vigiar. Para garantir que eu não fugiria para longe deles.

- Bella, onde você estava? – Minha mãe estava sentada no balcão e, ao seu lado, o meu pai, Charlie. Todos os dois me encaravam quando eu entrei.

- Vocês sabem onde eu estava. – Eu respondi, sem muita vontade. – Eu estava no hospital. – Sem encará-los, eu coloquei a sacola de fantasias em cima do balcão.

Eu notei um olhar entre os dois.

- Você agora só vive nesse hospital. Vai acabar pegando uma doença se ficar indo todo dia para lá. – Minha mãe reclamou. – Além do mais, você tem outras obrigações além de ficar indo todo dia visitar pessoas que você não conhece.

Eu suspirei e a encarei, meio cansada. Cansada. Cansada e tudo. Deles me criticando e restringindo tudo o que eu fazia. Minha vida tinha virado um inferno.

- O que? Vocês vão querer me tirar isso também? – Eu questionei, um pouco impaciente. – Eu não estou indo visitar pessoas que eu não conheço, mãe. Eu estou indo fazer alguma coisa de importante, pelo menos, ao divertir aquelas crianças. Melhor que ficar aqui em casa o dia todo e esperar o tempo passar e vocês me controlarem como uma fudida marionete.

Aquela era uma parte da verdade. Porém, um dos principais motivos de eu ir ao hospital infantil de Flórida, vestir-me de algo divertido e brincar com algumas crianças portadoras de câncer, era porque isso me fazia sentir bem, fazia-me sentir mais próxima de Edward. Está com aquelas crianças, na presença de pequenos seres humanos que enfrentavam um problema seriamente maior que o meu, fazia-me ter forças e lembrar-me que até mesmo alguém mais novo, tinha forças para lidar com a dor. Isso me fazia lembrar o que às vezes esquecia quando estava sozinha no meu quarto: que a vida nunca dava algum problema que nós não fossemos capaz de ultrapassar.

- Não queremos tirar isso de você, Bella. – Charlie falou, com paciência e carinho.

Agora que ele tinha voltado à empresa, ele mal parava em casa. Ou seja, tinha voltado a ser o pai ausente que ele sempre fora antes. E minha mãe a dondoca que tinha todo o dinheiro do mundo para gastar com o que quisesse.

- Na verdade, nós estamos muito orgulhosos do que você está fazendo. O problema é que você passa o dia todo lá. Desde o fim do horário de suas aulas até esse horário da noite.

Eu abaixei a cabeça, cansada.

- Desculpem-me, mas, eu me sinto mais feliz lá, do que aqui em casa, trancada dentro daquele quarto, onde não é possível ver a verdadeira realidade. – Eu levantei o rosto e os encarei com um meio-sorrio infeliz. – Aquelas crianças me fazem felizes, então, não me peçam para eu parar com isso.

- E quanto a pintar? Você também vai parar com isso? – Minha mãe perguntou, meio frustrada.

- Desculpe-me, mãe. Mas, eu não consigo pintar sem inspiração. E adivinha só?! – Eu sooei sarcástica. – Faz quatro meses que eu não sinto inspiração nenhuma.

Eu dei de ombros, com uma expressão de cínica, como se não fosse capaz de fazer nada.

- Eu estou cansada. – Eu declarei. – Eu vou dormir agora.

Após pegar a sacola de volta no balcão, eu apenas dei mais um olhar para eles e me retirei para o meu quarto.

Ele estava vazio. E escuro. E aterrorizantemente solitário.

Voltar ao meu quarto, depois de passar o dia com as crianças, era como me afogar de volta na fossa. Aquele sentimento de vazio, nostalgia, voltava com tudo para abrir o buraco em meu coração que sempre se fechava quando eu estava no hospital e me sentia mais perto de Edward, de alguma forma.

Eu me perguntava se isso um dia iria diminuir ou acabar. Esse buraco dolorido no peito, que sempre fazia meus olhos se encherem de lágrimas.

Antes de entrar completamente em minha fossa de dor, eu encarei as minhas paredes com quadros de desenhos feitos por mim. Encarei a minha janela e a escuridão do lado de fora da casa e minha cama solitária no meio.

Sem mais vontade ou coragem para fazer qualquer coisa, eu larguei a sacola em cima da minha mesa de estudos e cair na cama. Novamente, a dor me derrubou e a escuridão de sono e pesadelos tomou conta de mim, levando-me diretamente para uma inconsciência inquietante.

- Bella, Bella. Acorda. – O chamado incessante da minha mãe na porta, no dia seguinte, fez-me abrir os olhos de um sono estranhamente tranquilo. Fazia tempo que eu não dormia bem daquele jeito.

O que já me fez acordar de mau humor, já que, quando finalmente eu consigo dormir bem, Renée consegue arrumar um jeito de terminar mais cedo com isso.

Eu olhei o relógio na cabeceira da minha cama e vi que ainda eram 8:00 da manhã. Então, eu me lembrei de que era sábado e não havia porque de minha mãe me acordar tão cedo.

Meio frustrada, eu ignorei a luz solar que penetrava no meu quarto pela a janela e me cobrir com o lençol dos pés a cabeça, com a esperança de voltar ao sono tranquilo que eu estava tendo.

- Bella. – Minha mãe voltou a chamar. – Acorde, filha.

Eu rugir.

- O que é, mãe? – Eu questionei com a voz fraca de sono. – Deixe-me em paz. Hoje é sábado. – E eu posso me petrificar na cama o dia todo, sem que ninguém me incomode, porque é isso o que eu faço todos os fins de semana. Eu completei mentalmente.

- Eu sei, mas, eu e seu pai temos uma novidade. – Ela anunciou na porta, com uma voz animada.

Eu bufei e voltei a fechar os olhos. Só podia ser mais uma tentativa frustrada deles em tentar me animar. Talvez, me levar para um lugar caro para curtir o dia de sol. Ou então um SPA. Não, vamos ser mais fúteis, e chutar que ela acha que eu vou me animar em fazer compras desnecessárias de roupa o dia todo. Eu preferia ficar em minha cama e me afogar sozinha em minha dor, já que dia de sábado eu não podia fazer visitas ás crianças no hospital.

- Eu não quero nada para me animar. Deixe-me em paz.

Ela tinha sorte de eu está falando agora. Semanas atrás, eu não responderia e a deixava falando sozinha. Isso até eu ter a bela ideia de começar a fazer visitas no hospital e preencher, por algumas horas do meu dia, o vazio irritante no meu interior. Eu melhorei um pouco com essas visitas no hospital. Elas até me fizeram voltar a falar com meus pais novamente. Eles deviam agradecer por eu não está mais parecendo mais uma morta-viva.

Com satisfação, eu não ouvir mais minha mãe me chamar. Portanto, voltei a relaxar um pouco e tentei fazer com que a inconsciência me tomasse de novo até o sono tranquilo. Eu não achava possível. Ter outra chance de ter um sono tranquilo, para mim, estava em uma de uma vez ou duas, se possíveis.

Quando eu estava quase voltando a pegar no sono, eu senti um movimento na minha cama. Meus olhos se abriram rapidamente e quando eu tirei o lençol da minha cabeça, dei de cara com minha mãe sentada, sorrateiramente, ao meu lado. Ela tinha um sorriso no rosto. Quase que um sorriso de alivio. Aquilo não serviu para diminuir a irritação por ela ter invadido meu quarto sem permissão.

- O que? – Eu perguntei, estressada. – Eu não posso ter privacidade mais?

- Seu pai e eu temos novidades. – Ela repetiu, como se fosse grande coisa. – Levanta da cama e vem até a cozinha comer com a gente.

- Eu não estou com fome. Eu quero dormir. Eu já disse.

Ela me encarou determinada.

- Você não vai se arrepender. – Ela afirmou.

Como eu sabia que minha mãe não desistiria até eu me levantar, segui-la até a cozinha, ouvir o que eles tinham para me dizer, negar o que tinham para oferecer e voltar para o meu quarto, eu decidi satisfazer a vontade dela só para ela me deixar em paz.

- Tudo bem. Vamos lá. Vamos, novamente, para o jogo de “vamos dar uma lição de moral na Bella”. – Eu murmurei irritada, enquanto me levantava da cama, mau humorada.

Apesar dos meus resmungos pelo caminho até a cozinha, minha mãe continuava com o sorriso no rosto. Havia algo estranho naquilo. A insistência dela era até comum, mas, toda vez que ela insistia para eu fazer alguma coisa e eu fazia de má vontade, ela não ficava tão feliz como estava agora.

Quando chegamos à cozinha, com a mesa farta e exagerada – já que a gente mal comia metade daquilo — para o café da manhã, meu pai já estava sentado na ponta e deixou surgir um sorriso no rosto quando eu apareci com a cara mais fechada do mundo. O que era estranho também. Na maioria das vezes, ele me obrigava a dar bom dia.

Minha mãe se sentou do lado esquerdo dele e me encarou.

- Bella, por que você não se senta aqui? – Ela pediu e apontou para cadeira do lado dele.

Eu cruzei os braços e tentei não me irritar mais ainda.

- Por que vocês não me falam o que querem de vez para que eu, novamente, negue, e possa voltar para o paraíso silencioso do meu quarto? – Eu questionei azeda.

Mesmo assim, mesmo eu sendo malcriada, meu pai não deixou seu sorriso desvanecer.

- Querida, apenas sente, okay? Nós precisamos conversar. – Ele pediu, educadamente, diga-se de passagem.

De má vontade, eu revirei os olhos e circundei a mesa para sentar na cadeira do lado direito dele.

- Pronto. Eu estou sentada. Agora, podem reclamar o que for logo de uma vez. O que vocês vão querer que eu faça? Sair com algumas das minhas colegas fúteis do colégio? Oh, fazer algumas compras para fazer de conta que eu estou feliz? Talvez, vocês queiram me fazer voltar a pintar, mesmo eu estando sem inspiração? Façam o que for, eu só quero voltar para minha cama novamente.

- Bella, você pode parar com as piadas sarcásticas por um momento? – Meu pai perguntou, tranquilo.

- Claro. Como quiser. – Eu suspirei entediada e encostei-me à cadeira, pronta para o sermão de “você precisa sair de casa, desfazer essa cara, se divertir um pouco” de sempre.

- Bella, eu e sua mãe conversarmos praticamente a noite inteira sobre o anuncio que temos para fazer.

- Oh, deixe-me adivinhar. Vocês, finalmente, decidiram me mandar para um internato. Certo? – Eu fui afiada em meu tom de voz sarcástico.

- Bella. – Meu pai reclamou.

- Okay, não vou falar mais nada. – Eu fiz um gesto como que trancando a minha boca. – Vou deixar apenas vocês reclamarem e fingir que eu estou escutando.

Os dois se entreolharam diante da minha rebeldia, mas, meu pai ainda estava tranquilo. Droga! Pelo jeito, a notícia devia ser muito grande para nada tirar esse sorriso satisfeito do rosto dele.

- Como estávamos dizendo, eu e sua mãe conversamos muito para tomarmos essa decisão. Também fizemos alguns ajustes, antes de qualquer coisa ser resolvida. Nós estamos vendo que você não está feliz. – Ele anunciou, como se não fosse obvio.

- Oh, sério?! – Eu fingi surpresa.

- Bella, você disse que não ia interromper.

- Sim, claro, desculpe-me.

Ele suspirou.

- Você tem sido muito difícil esses dias, hein, garota? – Ele passou as mãos no cabelo com um meio-sorriso no rosto. – Mas, acho que essa noticia vai fazer você melhorar.

Duvidava disso, mas, não falei nada.

- Diante de algumas circunstâncias e algumas situações, a qual não se enquadra só a sua vontade... – Meu pai recomeçou a falar, deixando-me um pouco confusa. – Mas, também a nossa situação, nós tomamos uma decisão.

- Vocês já disseram isso três vezes. – Eu resmunguei, impaciente.

- Bella... – Minha mãe tomou a palavra e se curvou para frente para pegar minha mão na sua. Seus olhos esperançosos e com algum tipo de felicidade comum fitaram os meus. – Eu e seu pai decidimos que o melhor, não só para você, mas para toda a família, é nós voltarmos para Forks.

Eu paralisei, de muitas formas. Meu coração parou por um momento. Minha respiração parou. Meus pensamentos pararam. Meus movimentos pararam. A única coisa que eu fui capaz de fazer diante de tais palavras foi tirar o sorriso cínico de meu rosto e fixar firmemente meus olhos no da minha mãe, só para ter certeza de que ela não estava brincando comigo.

- O que? – Minha boca finalmente foi capaz de se mover, de uma maneira quase imperceptível.

- É isso que você ouviu, Bella. – Meu pai deu um sorriso enorme. – Nós vamos voltar para Forks.

E, como um vicio ou energético pulsante de vida, emprenhando por todas as minhas veias, até chegar em meu coração palpitante, a esperança voltou a se restabelecer em cada parte do meu ser.

.................

O sol estava brilhante no meio do céu quando eu passei com minha picape, acompanhando o carro do meu pai à frente, pela a placa de boas-vindas na entrada de Forks. Aquilo só fez o sorriso no meu rosto ampliar ainda mais.

Era engraçado comparar as duas vezes em que eu cruzei essa linha de entrada. Na primeira vez, eu estava com raiva de tudo, amedrontada com o que viria na minha nova vida, com o que poderia mudar nela. Eu era apenas uma garota imatura, que não tinha aprendido muito da vida, e não muito confortável com mudanças, ainda mais mudanças tão grandes como aquela. Agora, mais de um ano depois, eu atravessava aquela fronteira novamente. Atravessava a fronteira para a entrada da cidade que mudou de todas as formas a minha vida. Diferente da primeira vez, eu estava esperançosa, eu estava feliz. Deus, muito mais do que isso, eu estava ansiosa, quase impossibilitada de me focar na estrada à minha frente.

Era engraçado que, por menos tempo que eu tenha ficado naquela cidade, entrando novamente nela agora, eu me sentia mais em casa do que eu pude sentir quando voltei para Jacksonville.

Aquele buraco no meu peito quase não mais existia, porque eu sabia que eu estava perto. Perto dele.

Era incrível.

Era como se todo o meu corpo sentisse o que vinha em frente. Só a possibilidade de saber que eu o encontraria novamente fazia com que a depressão, a tristeza que flutuou em cima de mim como nuvem nesses últimos 4 meses, fosse coisa de uma outra dimensão, de uma outra vida.

Ainda assim, é claro, minha felicidade não estava completa. Ela só estaria completa quando eu o visse. Quando eu o tocasse, quando eu sentisse a sua pele e soubesse o quanto aquilo era real e não um mero sonho da qual eu me debruçaria em lágrimas quando acordasse novamente. O rosto dele. A sua voz. Coisas que eu tentei manter em minha cabeça durante todo esse tempo, eu tentei não esquecer e tentei a continuar me lembrar de cada detalhe. Mas, ainda assim, mesmo depois de tanta luta para mantê-lo perfeitamente intacto em minha cabeça, eu sabia que quando eu o visse de novo, minha memoria não faria jus a ele.

A notícia que meus pais me deram uma semana atrás, de que nós nos mudaríamos novamente para Forks, pegou-me completamente de surpresa. Por minutos, eu tentei descobrir se eles não estavam brincando com minha cara ou se não era mais um de seus joguinhos para tentar me animar. Durante toda a semana restante que permanecêssemos em Jacksonville, organizando nossas coisas para a nossa volta, foi como andar em um fio de alta tensão para mim. Eu nunca fiquei tão nervosa ou tensa em toda a minha vida. Amedrontada que, a cada vez que um dos meus pais falasse comigo, eles fossem desistir ou adiar aquela nossa volta.

No entanto, quando eu entrei no carro para nossa partida, eu realmente me dei conta de que aquilo estava mesmo acontecendo. E eu nem podia acreditar que tinha vencido a batalha.

Sozinha, em minha picape, eu pude chorar a vontade enquanto dirigia, mas, daquela vez, não por tristeza, mas de alegria.

Ainda assim, eu estava meio receosa.

Eu entendi os motivos dos meus pais para quererem voltar. Eles fizeram questão de deixar bem expresso que eles não estavam voltando por causa de mim, mas pelo bem da família. Charlie disse que, na cidade, ele ficava muito mais estressado, do que quando ele morava em Forks. Minha mãe argumentou que, quando moramos em Forks, a família ficou mais unida do que jamais fomos. Em Forks, tínhamos mais tempo um para o outro e parecíamos mais uma família. Em Jacksonville, diante de tanto estresse ou rotina, nossa família só fazia se desintegrar. Charlie preferia muito mais comandar a empresa de Forks e fazer viagens semanais para Jacksonville, e assim, ter mais tempo para mim e para minha mãe, do que continuar em Jacksonville e se estressar com as coisas de cidade grande, para chegar em casa cansado demais para ter um tempo para nós. Além disso, é obvio, eles acharam que voltar para Forks era o único jeito de melhorar o meu humor. Ainda assim, eles não disseram uma palavra sobre Edward. No mundo deles, foi como se ele não existisse. Era como se eles estivessem esquecidos que Edward morava naquela cidade. No entanto, para melhorar o meu humor, eles deviam saber que não bastava eu apenas voltar para cidade, mas voltar para ele.

Será que eles tinham consciência disso? Ou nós voltaríamos para Forks, mas nada mudaria em relação a Edward? Existiria a mesma aversão de sempre á ele?

Eu não sabia. E tive medo de perguntar em qualquer momento antes de fazermos aquela viagem, correndo o risco de fazê-los desistir. Então, eu encararia essa situação quando estivéssemos com o pé firme na nossa casa em Forks.

Eles deviam saber. Eles deviam saber que, se nós estávamos voltando para lá, com certeza eu voltaria com Edward. Eles não podiam ser tão inocentes de acreditar que, estando ali, eu não iria lutar ainda mais forte do que eu estava lutando em Jacksonville.

Eu suspirei. Minhas mãos agarravam fortemente o volante quando nós dobramos, finalmente, a conhecida esquina da nossa casa. Da nossa adorável casa, da qual Charlie não teve coragem de vender. Passar pela esquina que tantas vezes eu parava para Edward descer, foi como um golpe no meu estomago. Eu não conseguia mais aguentar a ansiedade. Meu peito iria explodir a qualquer momento diante das batidas do meu coração. Minha vontade era simplesmente de não descer do carro, mas seguir diretamente para o local onde eu sabia que o encontraria. Porém, eu precisava dar um crédito aos meus pais.

Eu não necessitava da aprovação deles para ir atrás de Edward, mas, minha vontade era de ter a aprovação deles. Porque eu não aguentava mais aquela guerra. Aquela trincheira que se formou em minha casa. Minha vontade, acima de tudo, agora, era voltar para aquela cidade e voltar para os braços da pessoa que eu amava, com a aprovação e aceitação deles, assim, podendo todos nós ser felizes.

Foi com esse pensamento que, após encostar a minha caminhonete atrás do carro do meu pai e sorri para minha antiga/nova casa com um sentimento de nostalgia, eu sair do automóvel para encarar Charlie.

- Então, filha, fez boa viagem? – Meu pai perguntou quando ele abraçou meus ombros, levando-me em rumo à porta de casa. Minha mãe ia a frente, surpreendentemente, sorridente.

- Sim, eu fiz. – Eu respondi, um pouco hesitante de começar o assunto.

Eu não podia ficar mais um minuto na mesma cidade que ele e não ir atrás, avisar que eu tinha voltado, que nossas esperanças, afinal de contas, não tinha sido em vão.

Eu parei de caminhar e suspirei. Meu pai se virou para me encarar.

- Bella? O que foi? – Ele notou minha hesitação. Minha mãe também parou no momento que notou não estarmos mais a seguindo.

- Querida, algum problema? – Ela questionou.

- Vocês sabem que sim. – Eu respondi e tomei um pouco de ar. – Eu não vou entrar agora. – Decidi ser direta.

Eles deixando ou não eu ir atrás de Edward, eu iria de qualquer maneira.

- Vocês sabem qual é o meu maior motivo para querer voltar para Forks. Seria estupidez pensar que quando eu chegasse aqui, eu não iria atrás dele. Então, eu não quero brigar agora, mas, independentemente da vontade de vocês, eu vou subir naquela picape e vou para minha antiga escola encontrar o Edward. – Eu avisei decidida e inclinei a cabeça para o ar, para mostrar o quanto eu estava determinada naquela decisão.

Meus pais se entreolharam, como aquela costumeira conversa silenciosa que eu já vi tantas vezes. Após alguns segundos, Charlie suspirou e me encarou.

- Eu vou com você. – Ele avisou, de maneira calma e prestativa.

Eu fui pega desprevenida, deixando assim a postura determinada do meu corpo se desmoronar em surpresa.

- O que?

- Eu vou com você. – Ele avisou novamente e se virou para Renée. – Querida, não há problemas de você entrar primeiro? Acredito que eu e Bella voltaremos daqui a pouco.

- Não, não há problema. Eu vou entrando e colocando as coisas para dentro. – Minha mãe concordou.

- Okay. – Charlie sorriu e minha mãe deu uma piscadela para mim, para logo seguir em direção a casa.

- Vamos?! – Charlie perguntou, ainda para um rosto embasbacado da minha parte.

Então, era isso? Sem brigas? Sem gritos? Sem impedimentos? Charlie estava mesmo concordando em eu encontrar Edward? Eu não podia saborear tanto aquele momento. Minha prioridade era ir depressa ao seu encontro, antes que meu pai mudasse de ideia.

-Vamos. – Eu apenas concordei, então.

Nós dois, então, entramos em minha picape. Quando eu parti em direção a minha antiga escola, na zona pobre da cidade, com um Charlie bastante calmo ao meu lado, nem mesmo a minha ansiedade pôde evitar a começar aquela conversa.

- Okay. – Eu quebrei o silêncio do carro e fiz com que Charlie prestasse atenção em mim. – Eu estou confusa. Isso é algum tipo de psicologia reversa ou algo do tipo? Algum tipo de plano de você e da mamãe para me mostrar que eu estou indo pelo o caminho errado?

- Do que você está falando, querida? – Ele perguntou, gentil.

- Do que eu estou falando? – Eu perguntei, meio irritada por ele está se fazendo de desentendido.

Na minha cabeça, minha mente gritava perguntando o que eu estava fazendo, questionando meu pai daquele jeito, justamente naquele momento. Eu deveria aceitar e, simplesmente, seguir o caminho esperançoso que estava se abrindo para mim. No entanto, eu precisava saber se não havia pegadinha, se por trás de todas aquelas mudanças de ideias do meu pai, não havia algo maior que eles planejavam.

- Primeiro, vocês se mudam para Forks de novo, quando nós já temos tudo em Jacksonville, segundo, vocês me deixam ir encontrar com Edward, sem discutir, e o senhor até se oferece para ir comigo. Não me diga que é estranho.

Meu pai deu uma risada.

- Você quer que eu mude de ideia?

- Não. – Eu praticamente gritei dentro do carro. – Eu só... – Eu suspirei. – Eu só quero saber por que agora. – Eu pedi, meio frustrada.

- Bella... – Meu pai começou com um tom sincero. – Mudar-se de volta para Forks, você sabe, foi uma decisão em beneficio da família toda. Forks nos juntos, no reuniu, tornou-nos uma família. Eu notei muito a diferença quando voltarmos a Jacksonville. Eu voltei a trabalhar demais, você estava sempre estressada e rebelde ou fora de casa o dia todo, assim como sua mãe também. Eu sentir falta de Forks. Agora que nós temos dinheiro novamente, não importa onde nós fiquemos, apenas que fiquemos juntos. Claro que agora eu vou viajar mais, mas será mais dividido. Eu vou ter o meu tempo para família e vou ter meu tempo para o trabalho.

- Okay, isso eu entendi. E quanto ao Edward? O que fez você mudar de ideia?

- Eu não digo que eu estou contente com a escolha que você fez de quem amar. Também não aprecio muito a personalidade desse rapaz, mas, eu e sua mãe conversamos muito e, diante de tudo o que você vinha expressando, nós estamos dispostos a mudar de ideia quanto a ele. – Ouvir aquilo fez o meu coração bater de alivio. – Você já tem dezoito anos, Bella. Já vai entrar em seu último ano escolar. Eu sei que você é capaz de tomar suas próprias decisões. Além do mais, eu e sua mãe não deixamos de notar o quanto o seu relacionamento com esse garoto fez você amadurecer.

Um pequeno sorriso saiu no canto dos meus lábios.

- A única coisa que peço é que você não desista dos seus sonhos, Bella. Nós estamos lhe dando essa oportunidade, porque percebemos o quanto você estava infeliz, e que persistência nenhuma da nossa parte em lhe manter longe desse garoto, ia fazer você seguir em frente. Você estava parada. Infeliz longe dele. Não podíamos continuar ver você daquele jeito. Então, se a única forma de você pensar mais no seu futuro, era também ter esse garoto do lado, nós tivemos que aceitar. Mas, Bella, se esse garoto lhe ama mesmo, ele não vai deixar você desistir de seus sonhos, de seu crescimento. Nós também torcemos nisso para ele.

- Ele me ama. Eu tenho certeza disso. Ele nunca vai querer que eu desista do meu sonho. – Eu respondi, com plena certeza.

Nesse momento, eu encostei o carro no meio fio da calçada da escola. Tudo estava silencioso e esquisito porque, provavelmente, os alunos ainda não tinham sido liberados. Encarar a fachada daquela escola era como, incrivelmente, trazer lembranças dos melhores meses da minha vida. Eu simplesmente não conseguia acreditar que tudo estava se encaixando. A qualquer momento, o sino iria tocar, Edward iria sair por aquela porta e eu iria ao seu encontro. Depois disso, nós poderíamos ser felizes, sem mais brigas, discussões. Daí, eu me dei de conta, que o nosso amor foi forte suficiente para lutar contras as barreiras, para encarar os obstáculos, que era para ser dessa forma. Talvez, esses obstáculos e pedras fossem necessários para nos tornarmos mais resistentes.

- Chegamos. – Eu avisei ao meu pai.

Com um olhar meio de reprovação, meu pai analisou a escola descuidada.

- Parece meio que abandonado aqui. – Ele comentou, frustrado.

- A prefeitura não dar muita atenção a essa parte da cidade. – Eu falei com tristeza.

Meu pai, ao reparar meu tom, me encarou.

- É bom ver você preocupada com os outros.

Eu dei um sorriso e peguei a mão dele na minha.

- Obrigada, Charlie. Por está fazendo isso. Eu seguiria em frente, mesmo que não houvesse a aprovação de vocês, mas, o senhor não sabe o quanto significa ter essa aprovação por parte de vocês.

- Estamos deixando por sua conta, Bella. Você já é uma adulta agora. Confiamos em você, e o que esperamos é que você não decepcione essa confiança.

- Não vou.

Com um sorriso, eu me inclinei para dar um abraço nele. Ele correspondeu o meu abraço, feliz de que, finalmente, tivéssemos feito as pazes. Fazia tempo que eu e meu pai não tínhamos uma conversa sincera assim, sem brigas e gritos.

- Mas... – Ele ressalvou. Eu me separei dele. – Eu ainda quero conversar com esse rapaz. De homem para homem.

- Eu tenho certeza de que Edward vai acatar a essa ordem com muito prazer. – Eu afirmei, com o nome de Edward saindo em voz alta rasgando em minha garganta.

Minha impaciência, após ter finalmente esclarecido as vontades do meu pai, voltou.

- Agora, é só esperar. – Eu balbuciei e encostei-me ao assento, ansiosa.

Cinco minutos depois, que mais parecera uma eternidade, foi o que durou para que as portas da escola fossem abertas com os primeiros alunos saindo. Meu coração palpitou e minha boca ficou seca. Eu não aguentaria esperar sentada. Eu precisava sair do carro. Precisava encarar Edward assim que ele saísse por aquelas portas e, dessa forma, ir ao seu encontro.

- Pai, eu só preciso... – Eu não terminei de falar, apenas sair do carro.

- Bella, cuidado. – Eu ainda o ouvir falar, um pouco preocupado, na certa não gostando das figuras que ele via sair.

Nervosa, eu fiquei na frente da caminhonete, observando cada aluno que saia. Alguns que me reconheceram deram sorrisos sinceros, outros apenas ficaram me encarando. Foi nesse mar de alunos que eu vi despontar. Não o que eu queria, mas, pelo menos, parte do que eu queria. O cabelo curto e pontudo de uma pequena menina saltitante. A partir do momento que eu a localizei, eu pude notar os outros. Jasper, Emmett, Rosalie. Minha respiração começou a ficar mais rápida e eu estava a ponto de chorar por ver as faces conhecidas dos meus amigos. Era como se fizesse séculos, não apenas meses, que eu não os via. O tempo realmente pode ser relativo para algumas pessoas.

Fiquei um pouco frenética quando, depois de procurar por todos os rostos conhecidos, não encontrei o que eu queria. Provavelmente, ele ainda devia está lá dentro. Se fosse preciso, eu entraria para ir atrás dele.

- Bella? – Nesse momento, a voz fina e aguda de Alice chegou aos meus ouvidos por sob os balbucios dos alunos animados. Ela e os outros estavam apenas alguns passos de distancia de mim, com olhares embasbacados, outros com uma mistura de emoções, que parecia mais preocupação.

Eu sorri para Alice e para sua feição surpresa quando ela me viu.

- Oh, meu Deus. – Ela exclamou depois de ter certeza que era eu e um sorriso enorme iluminou o seu rosto.

Nesse momento, ela correu em minha direção como uma fadinha com asas. Não demorou muito para estarmos nos abraçando fortemente. Logo, eu senti algo quente rolando pelo o meu rosto; lágrimas. Eu nem acreditava que estava ali. Tantas saudades eu sentir deles. Agora, era só encontrar Edward e tudo estaria perfeito.

- Oh, meu Deus. Oh, meu Deus. O que você faz aqui? – Alice me largou e me encarou com os olhos esbugalhados e um sorriso enorme no rosto.

- Eu voltei. – Eu anunciei, feliz. – Meus pais mudaram de ideia. É uma longa história.

- Bella. – A voz estrondosa de Emmett me pegou de surpresa, assim como o abraço forte que ele me deu, tirando-me até mesmo do chão.

- Hei, grandalhão. – Eu cumprimentei, com um sorriso enorme no rosto.

Quando ele me colocou novamente nos pés, tinha os olhos brilhantes de alegria. Os outros estavam por perto, cumprimentando-me com sorrisos.

- O que você faz aqui? – Emmett perguntou.

Eu não queria explicar aquela história, não antes de encontrar quem eu mais queria.

- É uma longa história. Eu explico depois para vocês. Antes de qualquer coisa, eu preciso ver Edward. – Eu anunciei e, de repente, os sorrisos e olhares felizes foram sendo substituídos por expressões de preocupações. – Então, onde ele está? – Eu os apressei.

Alice e Emmett se entreolharam, com semblantes penosos.

- O Edward? – Ela questionou.

- Sim. – Eu dei um sorriso nervoso. – Onde ele está? – Tinha medo da resposta.

- Bella. – Emmett pegou uma das minhas mãos e me encarou de forma triste. – Edward foi embora. Ele foi para Londres, encontrar o pai dele. – Ele anunciou de forma vagarosa.

Meu olhar ficou petrificado. De repente, o meu chão que havia sido reconstruído após a decisão de meus pais voltarem para Forks, foram destruídas por aquela única frase.

.............................

Eu encarei a face dos meus dois amigos á minha frente, assim como as do resto do grupo atrás deles, esperando uma reação minha depois daquela noticia. Minha vontade era de chorar, imediatamente.

- Londres? – Minha voz se quebrou. – Como assim? – Eu encarei Alice, implorando para que ela gargalhasse e dissesse que aquilo não passava de uma brincadeira.

- Eu sinto muito, Bella. – Seus olhos estavam devastados. – Mas, ele teve que ir. Ele não sabia que você ia voltar.

Eu engoli em seco e me concentrei para não deitar no chão, tentando não me desfazer em pedaços.

- Quando ele foi?

- Hoje. – Alice respondeu.

Uma chama de esperança acendeu meu coração.

- Hoje? – Eu perguntei, ansiosa.

- Bella não há mais o que fazer. Eu tenho certeza que o avião dele deve está partindo nesse momento.

Nesse momento? Aquilo não era tão grande. Sempre havia atrasos em aviões. Edward ainda podia está no aeroporto, esperando o seu avião. A distância de Forks para Seattle não era tão grande. Ainda havia esperanças.

Alice leu os meus olhos no mesmo momento que eu tomei a decisão.

- Bella, você não...

- Eu preciso ir. Eu preciso ter a certeza que eu tive todas as oportunidades.

Sem nem mesmo me despedi, eu virei as costas e corri para caminhonete. Eu tinha certeza de que Alice vinha atrás de mim. Assim que meu pai me viu correndo, ele saiu do carro.

- Bella, o que houve? – Ele perguntou, preocupado.

- Nós vamos para Seattle.

- O que? – Ele perguntou, surpreso.

- Edward está indo para Londres e ela acha que pode pegar ele antes de ir. – Eu ouvi Alice falando quando eu entrava no lado do motorista. – Aliás, meu nome é Alice. Você deve ser o pai, Charlie.

- Alice, nós não temos tempo para isso agora. – Eu gritei e liguei o carro. – Pai, entra na caminhonete. – Eu pedi.

- Eu vou com vocês. – Ela anunciou.

- Alice...

- Se você conseguir, eu quero está lá para ver.

Ela deu um sorriso e subiu na parte de trás da caminhonete. Meu pai entrou meio confuso dentro do carro.

- Você não está pensando em ir mesmo para Seattle com esse carro, está?

- Pai, eu preciso tentar. Eu preciso saber que eu fiz de tudo. Se eu não fizer isso, vou está sempre me perguntando se eu conseguiria tê-lo parado. Você não pode me impedir de ir. Se você não quiser ir, tudo bem. Pode descer agora. Mas, não pode me impedir. – Eu implorei, quase caindo em lágrimas.

- Bella, eu não estou falando disso. Eu estou querendo saber como você pretende chegar em Seatlle o mais rápido possível nesse carro?

Eu o encarei, meio confusa.

- Eu acho melhor você passar em casa e me deixar pegar o meu carro.

Eu dei um sorriso e suspirei, aliviada. Minhas preces para que Edward ainda não tivesse embarcado era forte. Alguma coisa me dizia para tentar. Alguma coisa me dizia que ele estava por perto. Eu podia sentir. Eu podia sentir que ele estava por aqui. Eu não podia ignorar aquela sensação.

O mais rápido possível, nós passamos em casa e pegamos o carro do meu pai, que era muito melhor e mais rápido do que minha caminhonete. Meu pai preferiu dirigir, pois se fosse parado na estrada, ele ainda teria sua carteira de policial para apresentar e, dessa forma, poderíamos escapar de qualquer multa. Eu não precisei dizer para ele ir o mais rápido que conseguisse. Ele sabia que eu estava apressada. Alice insistiu em ir, então foi no banco de trás, com um olhar tão ansioso quanto o meu. Para tentar me distrair e não pensar no pior, eu me aproveitei aquele momento inquieto no carro para tirar algumas dúvidas.

- Alice, que história é essa de Londres? – Eu perguntei, curiosa e inquieta. – Por que ele decidiu ir para Londres?

- É uma longa história... – Alice respondeu e, então, ela viu o meu olhar de “que não me importava”.

Suspirou e revirou os olhos.

- Eu vou dar o resumo rápido. – Ela avisou e eu assenti. — Desde que você foi embora, Edward não conseguia mais ser ele mesmo. Nesses quatro meses, eu não me lembro dele dando um sorriso. Ele simplesmente ficou... — Ela suspirou. – Sem vida.

Eu notei o olhar rápido que meu pai lançou para mim.

- Semana passada, então, a visita do advogado do pai dele o fez acordar um pouco do sono letárgico que ele andava.

- O advogado do pai dele? – Eu perguntei, surpresa.

- Sim. – Alice deu de ombros. – Eu não sei como ou porque agora, mas parece que já há algum tempo, o pai verdadeiro de Edward vinha tentando encontra-lo.

- Pra que?

- Ele queria que Edward fosse para Londres. Enviou o advogado para acompanha-lo. Edward, é claro, ficou puto da vida... Ops... – Alice olhou para o meu pai e sentiu-se meio culpada. – Desculpe pelo palavrão.

Meu pai deu uma risada e não se importou muito.

- Alice, sem enrolar. – Eu pedi.

- Então, Edward ficou com muita raiva. – Ela começou a falar rápido demais. — Nesses quatro meses, foi a primeira vez que eu o vi expressando algum tipo de sentimento. Gritou com o advogado e tudo mais, dizendo que nunca mais queria ver o pai dele. Se ele quisesse vê-lo, que ele viesse até aqui. Então, o advogado foi embora de mãos vazios, porque não havia jeito nenhum de ele conseguir arrastar Edward daqui sem a vontade dele. Nós pensamos que a história acabaria por ai, mas no meio dessa semana, Edward recebeu uma carta, era do pai dele. – Alice suspirou e sacudiu a cabeça. – Ele tem uma doença terminal.

Eu a encarei, meio chocada.

- E pelo que parece, está quase nas últimas, por isso que ele não podia vim até aqui. Nessa carta, ele implorou para Edward ir até Londres. Disse que tinha muita coisa para dizer e se desculpar, e que queria fazer isso cara a cara. Queria passar os últimos dias de vida com o filho. Queria dar, após a morte dele, a confortável vida que ele renegou para Edward todos esses anos. Então, Edward já cansado de ficar por aqui, por todo lugar lembrar você. Com um pouco de bom senso, ele decidiu ir. Disse que ia com o objetivo de ir e apenas escutar o que pai tinha para dizer, mas, todos nós sabemos o quanto Edward tem um grande coração e ia acabar perdoando o pai de um jeito ou do outro. Então, não estamos apostando vê-lo por aqui por um bom tempo. – Alice deu uma suspirada. – Mas, eu tenho certeza, Bella, se ele soubesse que você estava voltando, ele nunca teria ido.

Eu sacudi a cabeça, segurando-me para não chorar. Meu pai deu uma olhada de canto para mim.

- Talvez, nós o alcancemos ainda, Bella. – Ele me encorajou. Mesmo não sendo uma declaração verdadeira, eu sabia que ele estava tentando ficar ao meu lado.

- Talvez. – Eu balbuciei.

- Hei, ainda há esperança. – Alice apertou meu ombro, tentando ser prestativa.

Após alguns minutos de silêncio e da visão da estrada passando rápido demais pela a janela do carro, meu pai o quebrou.

- Então, você é a irmã de Edward? – Ele perguntou para Alice.

- Sim. – Alice respondeu com um sorriso. – Não irmã de sangue, mas de criação. Mas, não nos importamos com esses títulos, somos irmãos e pronto. Meu pai o pegou quando eu tinha já alguns anos, mas desde o inicio eu sempre amei Edward. Ele é um garoto tão bom e generoso, mesmo crescendo no ambiente onde crescemos. – Alice tagarelou.

- Entendo. – Meu pai murmurou.

- Veja, eu sei que o senhor não é muito a favor do romance de Bella e Edward, mas...

- Alice, esse não é um bom momento. – Eu tentei com que aquela conversa não viesse agora.

- É sim. Estamos trancados nesse carro. – Ela não se importou. Meu pai deu uma risada da impaciência dela. – Veja, Sr. Swan.

- Charlie. – Meu pai a concertou.

- Veja, Sr. C. – Alice foi ainda mais intima. Eu não consegui evitar dar um pequeno sorriso. – Eu sei que o senhor tem uma visão pronta da gente, como todo mundo. A gente cresceu na favela, arrodeados de pobreza e violência e, na maioria das vezes, as pessoas acham que por isso, nós somos delinquentes sem futuro. Mas, às vezes, o que importa não é o meio em que nós fomos criados, mas por quem a gente foi criado. E pode ter certeza, Carlisle é a melhor pessoa que pode ter nos criado. Apesar de termos crescido nesse mundo de violência, Carlisle nos ensinou a ter compaixão, generosidade, esperança, força para aguentar tudo ao nosso redor. Eu nunca conheci uma pessoa mais honrável do que Edward. E ele já sofreu muito. Com a morte da mãe dele, o abandono do pai, que até alguns dias atrás ele não sabia que estava vivo, com a perseguição desenfreada de James. Mas, apesar disso, apesar de todo o sofrimento, Edward nunca deixou de ser a pessoa amável que ele sempre foi. Bella surgir na vida dele só fez com que ele apenas tivesse mais esperança na vida. Porque apesar do tanto que ele sofreu, apesar do tanto que ele sofreu, ele nunca deixou de ter esperança. Ele é um bom homem. Eu o adoro. Eu o amo. E sempre vou querer tê-lo por perto, porque Edward faz com que tenhamos a ilusão de uma vida melhor. Quando Bella foi embora, toda essa esperança foi levada com ela. – Alice ficou um pouco cabisbaixa, com a face retorcida, como se lembrasse de algo ruim. – Ele achou que nunca, ninguém iria amá-lo, então, Bella veio e o fez ver ao contrário. Daí ele ficou mais iluminado e feliz do que antes. Quando ela se foi, ele caiu na escuridão.

Eu engoli em seco, porque eu não conseguia imaginar aquilo. A mesma coisa que aconteceu comigo, acontecer com ele também.

- O senhor não sabe o quanto Edward ficou imerso na escuridão quando Bella partiu.

Meu pai deu um suspiro.

- Sim, eu sei.

Os dois se entreolharam pelo o retrovisor e deram um pequeno sorriso um para o outro.

- Mas, vocês ainda andam com armas por ai. – Ele repreendeu.

- Claro que andamos. No mundo em que vivemos, não podemos andar desprotegidos. Além do mais, ter uma arma, não significa que vamos machucar pessoas injustamente. Carlisle mesmo se preocuparia em nos botar nas grades se isso fosse o caso. – Alice deu um pequeno sorriso. – Não fomos criados para sermos bandidos, Sr. C. Fomos criados para sermos alguém com esperança de que nossas vidas iriam melhorar e que, um dia, através de caminhos limpos, seriamos alguém na vida.

Charlie deu um pequeno sorriso, apreciando aquilo, e assinalou com a cabeça.

- Fico feliz com isso, Alice.

Fez-se silêncio no carro. Quanto mais nos aproximávamos de Seattle, mais eu ficava tensa e mais a sensação que eu sentia antes, de que Edward ainda estava por perto, ia desaparecendo. Eu me agarrava nela. Como uma segurança para chama de esperança não ser apagada.

Depois de mais alguns minutos, meu pai finalmente encostou o carro no aeroporto de Seattle. Antes mesmo que ele pudesse parar, eu já estava fora, correndo para dentro das portas deslizantes.

- Espera, Bella. Eu vou com você. – Eu ouvir Alice gritando.

Mas, eu não esperei. Eu corri. Corri pelo o chão liso e escorregadio do aeroporto, tomando cuidado para não cair e atrasar minha corrida. Podia ser questões de minutos, de segundos. Podia ser questão de uma respirada ou apenas um passo na frente do outro. Edward podia está dentro nesse momento no embarque. Eu ainda podia detê-lo. Eu tinha que conseguir detê-lo, por isso não me permitia diminuir a velocidade da minha corrida, diminuir apenas para checar para qual portão eu deveria me dirigir. Depois disso, eu corri. Corri. Sem olhar para trás. Eu não podia pensar na possibilidade de Edward entrar naquele avião e eu não saber mais quando iria vê-lo. O quanto injusto seria isso? O quanto mais de esperança eu podia guardar, se ele fosse embora? O quanto mais de vida eu poderia aguentar?

Já passamos por tanto, que não podia ser a distância a nos separar. Enfrentamos tantos obstáculos. Agora, não se tratava de obstáculo. Tratava-se de tempo. Tempo que eu levaria para chegar até o embarque dele.

Por isso, eu corri. Corri como nunca corri em toda minha vida. Corri para alcançar a minha necessidade de viver. Corria para se, no fim, eu não conseguisse detê-lo, eu soubesse que eu tentei de tudo para nos manter juntos. Não me importava se eu empurrava algumas pessoas pelo o caminho ou derrubava algumas malas. Aqueles obstáculos físicos, nada se comparavam com os obstáculos abstratos que nós já enfrentamos. Será que gritar o impediria de entrar naquele avião? Será que se eu gritasse, ele me ouviria?

Então, eu gritei. Através de minha corrida, eu encontrei algum ar para chama-lo. Implorar que ele não se fosse. Porque eu estava ali agora e, para ficarmos juntos, só dependia de mim agora e de minha força, de minha velocidade. Dependia de mim, agora. Eu gritava, mas não conseguia enxergá-lo em canto nenhum. Será que ele não sentia? Não me sentia por perto, como eu estava sentindo-o alguns minutos atrás? E onde estava essa sensação agora? Ela estava completamente desaparecida. Era como se a medida que minha esperança de que ele estava por perto desaparecesse, o meu laço sentimental com ele também desaparecia.

Eu corri. Eu corri e não me importei com mais nada. Então, já com lágrimas nos olhos e a esperança completamente despedaçada, eu finalmente cheguei ao guichê do embargue de Edward. Suada e sem fôlego, eu procurei forças para falar. A comissária olhava-me um pouco assustada.

- O vôo 251? O voo 251? – Eu pedi, desesperada.

Vendo o desespero na minha face, a comissária fez uma careta de desapontamento.

- Desculpe-me, querida, mas já faz 10 minutos que ele partiu.

Então, a força que me via segurando desde o colégio, sumiu completamente de mim ao ouvir aquelas palavras e eu cair no chão, cansada e sem ar. Os soluços de choro saíram desesperados.

- Bella. – Eu ouvir a voz de Alice ao meu lado. – Bella. – Os braços dela passaram ao meu redor e eu pude chorar mais alto.

- Não, Alice. Não. Ele não pode ter partido. Eu ainda o sinto por perto. Ele não pode ter ido. – Eu me agarrei nela. Agarrei-me o mais forte possível e implorei para que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo.

Tudo ficou escuro agora.

Porque agora eu nunca mais sabia quando o veria. Era pior do que a primeira vez, porque Edward não sabia que eu estava de volta á Forks e, assim, ele nunca iria saber quando voltar. Dessa vez, eu não estava aqui antes de vê-lo partir, para ele me dizer que eu tivesse esperança, porque ele ia voltar. Dessa vez, eu estive tão perto, mas ainda longe o suficiente para deixa-lo escapar pelos meus dedos. Mais uma vez. E, dessa vez, com um tempo de duração que eu não sabia o quanto iria durar.

E agora? Como seria minha vida? De onde eu arrumaria forças para ter esperanças que eu veria novamente? Minhas forças para aguentar ficar sem ele foram embora quando meus pais me deram a expectativa de encontra-lo novamente. Mas, aqui estava eu. Sem forças. Sem esperanças. Sem mais expectativas. Tudo estava escuro agora em relação aos nossos destinos.

................

- Bella, você vai ficar bem? Bella? – Alice tentou tirar minha atenção da janela do carro, quando meu pai estacionou em frente á casa de Alice. Surpreendentemente, ele se ofereceu para deixá-la.

Eu a encarei com os olhos um pouco baixos e ainda ardidos por causa do choro de alguns minutos atrás.

- O que foi?

- Você vai ficar bem?

Eu dei um pequeno sorriso triste para minha amiga preferida. Pelo menos, eu ainda teria a ela e aos outros.

- Vou. Não se preocupe.

Pela a expressão desconfiada, Alice não acreditou muito.

- Amanhã eu vou visita-la, okay? – Então, ela se lembrou de algo e encarou meu pai. – Se não houver nenhum problema, é claro.

- Não. – Meu pai não se impôs. – Eu gosto de você, Alice. – Ele admitiu.

- Obrigada. – Ela sorriu e se virou. – Amanhã eu vou visita-la.

- Okay. – Eu concordei.

Ela deu um sorriso triste, um beijo em meu rosto e saiu do carro do meu pai. Ficou do lado de fora da casa até nós desaparecemos na esquina das ruas miseráveis daquela parte da cidade. Eu ainda podia me lembrar da última vez que eu vi aqui. Não havia mudado nada. Ainda continuava um lugar expresso de pobreza e esquecido das autoridades.

- Ela parece se preocupar muito com você. – Meu pai comentou quando estávamos fora da comunidade.

Eu dei um sorriso triste.

- É, Alice é ótima. Eu gosto muito dela. – Eu respondi com a voz em pedaços.

Após mais alguns segundos de silêncio e um suspiro prolongado, meu pai continuou:

- Escute, Bella, eu sei que você não vai acreditar muito em mim, mas, eu sinto muito de você não tê-lo alcançado antes de ele ir.

- Eu também. – Eu encarei a paisagem na minha frente. Aquele céu nublado e escuro que caia sobre o mar também escuro naquela parte da estrada. – Não deveria ser tão difícil. – Eu murmurei.

- O que? – Meu pai questionou, confuso.

- Eu e Edward. Não devia ser tão difícil. Supostamente, quando você encontra uma pessoa e sabe que quer passar o resto da vida com aquela pessoa, é como se vocês fossem destinados a ficarem juntos. E é fácil de isso acontecer. Eu me sinto assim em relação com Edward, mas, se nós somos mesmo feitos para ficarmos um com outro, por que é tão difícil?

- Bella, nenhum relacionamento é fácil.

- Mesmo assim, esse não deveria ser tão difícil como está sendo. Quando finalmente eu volto e suspostamente nós deveríamos ficar juntos, ele partiu para longe. É porque de alguma forma nossos destinos não devem está entrelaçados. Mas, no fundo, eu sinto, pai, Edward é com que eu deveria ficar. Deveria amar. – Eu suspirei e fechei os olhos. – O que importa agora. Ele se foi. De novo. Dessa vez, sem uma ponta de promessa de que nos encontraremos de novo. – Eu balbuciei, não me importando se meu pai estava ouvindo ou não. Apenas na bolha da minha própria tristeza.

Meus olhos se fixaram no horizonte escuro. Minha mente desejando naquele momento voltar ao começo. Voltar ao primeiro dia que nos encontramos. Eu segurei as lágrimas quando lapsos de memorias passaram por minha mente. Não queria chorar na frente de meu pai. Não queria chorar novamente.

Eu senti a mão do meu pai em meu ombro, tentando me consolar.

- Eu sinto muito, criança. – Ele repetiu.

O resto da estrada para casa foi em silêncio, mas, quando meu pai estacionou em frente a nossa casa, eu ainda não estava preparada para entrar. Eu ainda precisava ir a um último lugar antes de aceitar que Edward havia ido embora. Como é ruim ser a pessoa que é deixada para trás. Dessa vez, não dependia de eu voltar ou não. Dependia dele. Dessa vez, o banco de espera ficava por minha conta.

Então, quando eu sair do carro do meu pai e ele veio ao meu encontro, eu tentei ficar tranquila, para ele saber que eu estava em estado de sair sozinha por ai.

- O senhor pode ir entrando. Eu ainda preciso ir a algum canto.

- Sozinha?

- Não tem perigo, pai. Eu estou bem.

Ele me encarou meio desconfiado, aposto que balanceado se devia me deixar sair sozinha ou não. Até que ele suspirou e deu de ombros.

- Só não faça besteira. – Ele pediu.

- Eu não vou. Eu só... – Eu suspirei. – Preciso rever um lugar. Estarei em casa à noite. – Eu disse, decidida, para ele ver que não precisaria se preocupar.

Ele assentiu com a cabeça e deu um beijo em minha testa.

- Cuidado. – Ele avisou.

Dessa forma, eu entrei em minha picape e partir. Finalmente, sozinha, eu pude deixar as lágrimas persistentes cair pelo meu rosto enquanto eu dirigia e repassava na minha cabeça todas as memorias, coisas boas que eu vivi com Edward. Memórias que eu vinha repassando durante todos esses quatro meses. Memórias que eu esperava ser substituídas por outras quando meu pai decidiu voltar para Forks. Mas, novamente, o destino interferiu e eu estava sem Edward. Até quando? Quantas vezes eu teria que repetir de novo e de novo as imagens em minha cabeça até que ele voltasse?

A incerteza, ainda pior do que a primeira vez, porque eu não sabia se um dia ele iria voltar, abriu novamente o buraco em meu coração. Lá estava ele, dando boas vindas para mim. Tornando-se permanente em meu peito. Um vazio que eu jamais conseguiria completar.

Quando eu parei minha picape onde eu desejava, o canto onde pertencia a mim e Edward, para sempre, o vazio só fez ficar pior. Eu olhei para fachada daquela estrutura cinza abandonada e relembrei o dia em que Edward fez a surpresa para mim, levando-me para aquele lugar. Dando-me um lugar só nosso para que eu pudesse pintar em tranquilidade. Eu dei um sorriso banhado em lágrimas quando eu pensei. Eu voltaria a pintar. Eu iria pintar todas aquelas paredes branca com desenhos meus para quando ele chegasse – se chegasse um dia – ele visse que eu cumpri minha promessa.

Lembrar-me também dos vários momentos íntimos que tivemos ali dentro me desintegrou interiormente. Eu quase podia sentir seus braços a minha volta, o sol nascendo por trás das nuvens e banhando nossos corpos entrelaçados depois que fazíamos amor. Como eu devo suportar todas aquelas lembranças dolorosas?

Com um suspiro e reunindo todas as forças para ficar em pé, eu sair do carro e caminhei em direção à entrada do lugar. Lá dentro, no escuro, eu quase podia escutar nossas vozes. Podia escutar a risada dele, enquanto me carregava nos braços para dentro, apressado para me ter o mais próxima possível dele. Eu quase podia escutar as suas palavras bonitas, seus “te amos” sinceros. Eu abracei a mim mesma, tentando não me fazer desmontar. No primeiro andar, enquanto me aproximava da porta do nosso lugar, lágrimas iam caindo por meu rosto.

Está ali era quase como se ele estivesse do meu lado. Está naquele nosso local fazia meu coração aquecer, fazia os pelos dos meus braços arrepiarem, quase como se ele estivesse ali, tocando-me. Por segundos, por está ali, eu quase podia suportar um pouco a dor. Porque as memórias ficavam mais vivas. A sensação dele está ao meu lado ficava insuportavelmente e suportavelmente forte.

Quando, finalmente, eu ultrapassei a porta branca do nosso local, eu tive que petrificar por um segundo e me perguntar: eu estava doida?

Sentado no colchão, com um caderno em mãos, eu podia ver, quase nitidamente, como se fosse real. Eu podia ver os seus cabelos acobreados bagunçados como eu me lembrava, eu podia ver seu rosto perfeito. A ilusão era quase verdadeira. A ilusão se virou para mim, quase como se estivesse mesmo me vendo, e por um momento houve uma expressão de choque em seu rosto, até a ilusão se levantar.

Eu sacudi a cabeça. Eu não podia está ficando doida agora. Eu sempre quis ter uma visão dele assim nitidamente, a ponto de ver até os seus olhos verdes perfeitos, mas essa ilusão não podia ser tão perfeita, a ponto de me considerar quase esquizofrênica.

- Bella? – A voz aveludada soou pelo cômodo. Soou até mesmo verdadeiramente embargada e surpresa. Sem esperar que eu respondesse, a ilusão deu um sorriso e correu ao meu encontro. Ele abraçou o meu corpo trêmulo – coisa que eu não percebia está até agora – e eu pude sentir uma eletricidade tomar conta de todo o meu interior.

Então, eu me dei conta.

Não era uma ilusão.

Ali era Edward.

Era o Edward em carne e osso.

Quando eu me dei conta disso, eu o segurei, eu o segurei o mais forte possível, porque por mais que eu tivesse certeza de que era real, eu tinha medo de que fosse uma ilusão bastante verdadeira, e eu não aproveitasse enquanto ela não desaparecesse. Era quase impossível acreditar que, depois de tanta dor e incerteza, ele simplesmente estivesse ali.

- Bella, Bella. O que...? – A voz embargada, perfeita e aveludada, repetia em meu ouvido sem conseguir terminar qualquer frase.

Meus olhos deixaram cair mais lágrimas. Sem mais palavras para conseguir falar, com lágrimas nos olhos ou forças para pensar se aquilo era real ou ilusão da minha parte, nós nos beijamos. Um beijo de saudade. E quando eu senti seus lábios tão reais nos meus, suas mãos percorrendo todas as partes do meu corpo que tiveram abstinência de seu toque, eu juro que podia ouvir uma explosão dentro de mim. Deixei mais lágrimas rolarem com medo de que, se aquilo não fosse real, quando eu voltasse à consciência eu iria sofrer ainda mais.

Sem questionamentos, sem perguntas ou palavras, nós deixamos apenas rolar. Porque não havia palavras suficientes para aquele momento. Somente atitudes que expressavam a dor da nossa separação, a saudades e o tempo que foi tomado de nós dois.

Então, em certo momento em que fazíamos amor, eu tive a certeza.

Ali era ele. Aquilo era real. Meu Edward estava realmente aqui, comigo.

Notas finais
Então, o que vocês acharam? Gostaram? Aposto que ficaram agoniadas no meio do capítulo, achando que eu realmente tinha mandado Edward para Londres, né?! Imagina? Quanta maldade seria? kkkk Mas, quem sabe? Ainda pode ser uma ilusão de Bella. kkkkk :p

Tirando as brincadeiras, espero que vocês tenham gostado desse penúltimo capítulo. Eu torço para que no nosso último nós finalmente vejamos esses dois juntos.

Curiosidade: O que vocês esperam ver no último capítulo? Comentem ai.
Eu não vou prometer nada, apenas dizer eu vou tentar postar o último mais rápido do que esses, afinal, é o último e finalização da história. :D De qualquer maneira, tem que ser feito com calma.

Beeijos e até o nosso próximo/último capítulo.

Obs: Aqueles que acompanham vida inesperada, eu vou tentar postar daqui para amanhã um novo capítulo. Eu estou tentando dá um pouco mais de maturidade na história.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.