Aprendendo a Viver.
27 Capítulo 26 - Vazio.
Notas iniciais
Só uma coisinha antes de vocês começarem a ler: é bom preparem um lencinho ai do lado aqueles que são emotivos. kkkkkkkk
Bom, boa leitura e se divirtam. :D
Capítulo 26 – Vazio.
Eu encarei o vidro embaçado da janela na minha frente e observei o tempo fechado no lado de fora. As nuvens negras se movendo assustadoramente no céu.
Eu suspirei pesadamente.
Eu sabia que marcas de lágrimas marcavam a minha bochecha, consequências das demasiadas horas de choro.
Eu estava ali, em pé, parada em frente a minha janela, incapaz de fazer outra coisa.
O único pensamento em minha cabeça era o quanto eu não conseguia acreditar que iria embora dali. Eu não conseguia acreditar que iria embora da cidade que, apesar de odiá-la a principio, ensinou-me coisas importantes sobre a vida. Como valores, princípios e, principalmente, a ser uma pessoa melhor do que eu era. Eu não suportava a ideia de ir embora e nunca mais ver Alice, Emmett, Carlisle, Esme, Jasper, Jacob e todos os outros.
Porém, o único pensamento que me sufocava de maneira dolorosa era pensar na possibilidade atormentadora de nunca mais ver o Edward.
Edward. Como eu conseguiria viver sem ele? Eu funguei novamente e enxuguei a lágrima solitária caída pelo o meu rosto. Meus olhos se fecharam de maneira infeliz quando eu me lembrei dele mais cedo, quando recebeu a notícia surpreendente.
Depois que meu pai revelou mais cedo que iriamos embora, eu me esbaldei em lágrimas por ver Edward do lado de fora de casa, sendo expulso por Charlie. Eu tentei me soltar dos braços de minha mãe, tentei gritar e espernear para que Charlie não fechasse a porta para Edward e, consequentemente, para o meu futuro.
Não adiantou.
Apesar das atitudes rebeldes, da determinação de Edward em não sair dali antes de ter a chance de conversarmos, Charlie o expulsou e ameaçou ligar para reforços da polícia caso ele não fosse.
Charlie expulsou Edward como se fosse lixo.
Como se ele não valesse nada.
Naquele momento, eu me arrependi não ter seguido o meu segundo caminho. Fugir dali. Fugir para longe com Edward. Nunca imaginei, porém, uma intervenção dessa proporção da parte dos meus pais. Nunca imaginei que eles voltariam para nossa cidade natal só para me manter longe da pessoa que eu amava. Nunca imaginei que eles poderiam odiar tanto uma pessoa tão amável e incapaz de me fazer mal como o Edward.
Eu suspirei triste, ainda encarando a janela, e enxuguei as lágrimas caídas dos meus olhos. Lá fora, a chuva era forte, tornando incapaz de se enxergar alguma coisa além da neblina opaca e escura. Enxergar algo além da neblina atormentada. Assim como estava meu coração.
Ainda em pé sobre a janela, com o maldito gesso ainda imobilizando a minha perna, eu virei a cabeça para o meu quarto e observei os meus desenhos na parede. Os desenhos representantes das diversas emoções que passaram por mim desde o dia que eu chegara nessa cidade. Ali era como uma maldita retrospectiva do que iria perder quando partisse.
Ali, pintados nas paredes para todos verem, havia desenhos desde os meus confusos de quando eu conheci o Edward até a opressão sentida em meu peito por me ver obrigada a ir embora. Eu havia pintado alguns minutos atrás. Um desenho de uma garota sozinha, com ordens sendo impostas sobre ela e ela tendo que acatar a obedecer. Era um desenho triste, solitário e opressor. Um desenho que representava exatamente como eu me sentia por dentro.
Algumas batidas na porta me acordaram da letargia.
Como eu sabia que só podia ser o meu pai ou minha mãe, eu não respondi.
Assim que eles expulsarem Edward dali, obrigaram-me a subir para arrumar a minha mala, coisa da qual eu não estava muito motivada para fazer. Era como se eu ainda não estivesse acreditando que realmente íamos embora dali.
Que realmente partiríamos.
Em meus pensamentos inocentes, eu torcia por meus pais aparecendo em minha porta, anunciando desistir de irem embora, desistindo de colocaram obstáculos no meu relacionamento com Edward. Porém, eu sabia que as batidas na porta do meu quarto agora não eram para isso, mas para checarem se eu estava fazendo o que eles mandaram.
Como eu não respondi, a voz da minha mãe soou pelo o quarto.
– Bella, abra aqui. Eu preciso falar com você.
Silêncio. Eu apenas encarei novamente a chuva melancólica lá fora.
– Isabella. – A voz da minha mão se tornou mais autoritária. – Abra. Eu necessito falar. Não piore a sua situação, mais do que está. – Ela ameaçou.
Eu revirei os olhos os meus olhos irritados do choro. Como se houvesse alguma maneira de piorar a minha situação.
Ainda assim, quando ela continuou a bater na porta insistentemente, impaciente com o barulho, eu cedi involuntariamente e abrir a porta para ela.
Minha mãe estava com uma expressão irritada, mas assim que a porta foi aberta e ela viu o meu rosto manchado de lágrimas, sua expressão tornou-se mais pacífica.
– O que você quer, mãe? – Eu perguntei duramente, incapaz de olhar nos olhos dela.
Eles estavam me tirando a única coisa saudável para mim. A única coisa que, um dia, se tornou de extrema importância para mim. Edward.
– Eu quero conversar com você, Bella. – Minha mãe anunciou e entrou no quarto sem ser convidada.
Eu suspirei, ainda de costas para ela e parada na porta, e fechei os olhos.
– Eu não quero conversar nada. Assim como vocês não aceitam conversar comigo, eu não quero ouvir nada de vocês. – Eu respondi de maneira seca.
Eu sabia o quanto errado era agir daquela maneira com meus pais. Afinal, eles ainda eram os meus pais. Porém, eles estavam cometendo erros. Eles estavam julgando erroneamente. Estavam tomando decisões drásticas com base em conhecimentos mal feitos.
Se eles dessem apenas uma chance para a minha relação com Edward, uma chance...
– Eu sei que você não quer, mas eu me sinto obrigada a ter essa conversa com você. – Renée refletiu melancólica. – Será que você pode se virar e ouvir o que eu tenho para falar?
Eu fechei os meus punhos sobre a calça. Coloquei uma máscara fria na face e fechei a porta para encará-la.
– O que você quer, hã? – Eu perguntei impetuosamente e com lágrimas insistentes em surgir em meus olhos. – Charlie já disse tudo o que tinha para dizer na cara do Edward. Não nos deixou nem argumentar. Nem ao menos conversar. Não há nada mais para ser dito.
– Há sim. – Minha mãe rebateu e se aproximou um pouco mais de mim, com uma expressão aflita na face. Eu me afastei dela quando ela tentou me tocar. – Bella, não aja como se nós fossemos o vilão.
– Mas, é exatamente como vocês estão agindo. – Eu cruzei os meus braços, abraçando-me para suportar o vazio sinistro que crescia dentro de mim. – Tomando a atitude extrema de ir embora só porque não me permitem um relacionamento com Edward. Vocês estão agindo como vilões, mãe. Vocês estão impedindo a minha felicidade.
A face dela caiu um pouco em angústia com minhas palavras feridas.
– Isso não é verdade, Bella. Nós estamos apenas cuidando de você. Estamos protegendo-a. O rapaz pode ser bom o quanto for como você fala, mas seu pai pesquisou e sabe que ele participa de uma gangue, Bella.
Não consegui evitar abaixar a cabeça quando ouvir aquilo.
Renée suspirou e se aproximou de mim. Dessa vez, eu não me afastei, apenas continuei de cabeça baixa.
– Filha, nós não estamos tomando essa decisão somente porque queremos de manter afastada dele. – Minha mãe confessou.
Eu ergui a cabeça lentamente e fitei seus olhos maternos.
– Nós estamos fazendo isso, porque nós temos que ir.
– Não são obrigados a nada. – Eu revidei, com a voz baixa.
– Bella, você deve ter notado o quanto estávamos um pouco mais... – Minha mãe ponderou as palavras. – Mais cuidadosos em nossa conversa esses dias.
Com aquilo, eu me lembrei das atitudes dos meus pais nas últimas semanas. Eu me lembrei das conversas trancadas no quarto. Os cochichos na cozinha. Os olhares de esguelha para mim.
Eu tinha desconfiado, naqueles dias, de que havia algo a mais além da proibição silenciosa de não poder ver Edward. Eu sentia que havia algo de errado, além do obvio do meu castigo. Porém, eu nunca imaginei um planejamento da parte deles para voltar para Jacksonville.
– Vocês estavam planejando isso... – Eu comecei, ainda com os olhos longe.
– Antes mesmo do incidente com você. – Renée completou tristemente.
Eu a encarei, meio surpresa.
– Como assim?
– Acontece, Bella, que o caso sobre a empresa antiga do seu pai sempre estivera aberta durante esse tempo. Ligaram a alguns dias atrás. A investigação dera frutos, mesmo sem esperança de que isso poderia dar em algum lugar no começo. Eles descobriram quem fazia os roubos no financeiro da empresa do seu pai. E estes já estão nas mãos da justiça.
– O que importa, de qualquer maneira? – Eu perguntei de maneira agressiva. — Papai já perdeu a empresa para justiça por causa de dívidas.
– Eu sei. – Minha mãe sacudiu um pouco a cabeça, com os olhos gentis para mim. — Porém, foi descoberto que, junto com os ladrões, conseguiram localizar a conta da qual todo o dinheiro estava sendo colocado. Esse dinheiro, de qualquer maneira, é de seu pai. Por direito. Isso é o bastante para Charlie comprar a empresa, apagando todas as dívidas, e se tornar dono majoritário dela novamente. Era isso que víamos discutindo esses dias longe de você, Isabella. Tínhamos medo das suas atitudes caso nós viéssemos a comentar nossa volta antecipadamente. Nós vimos o sentimento que você nutria por esse rapaz. Consideramos que você poderia fugir. Por isso, tivemos o cuidado de não fazê-la ouvir antes.
– Então, vocês já sabiam que íamos embora antes mesmo de eu ser internada? – Eu perguntei, meio sufocada.
Diante daquela revelação da minha mãe, eu enxerguei ali a falta de esperança para qualquer possibilidade de convencer meus pais de ficarem.
Renée sacudiu a cabeça para minha pergunta. Sem mais forças para continuar em pé, eu fui me sentar na cama.
– Sim, Bella, antes mesmo disso. – Renée completou. — Acabou que foi o momento propicio. Seu pai não estava satisfeito com seu envolvimento com um criminoso.
– Ele não é um criminoso. – Eu sibilei e fechei os punhos sobre o lençol, controlando a minha raiva de gritar para com a minha mãe.
– Ainda assim, é perigoso está perto dele, Bella. E você sabe disso. – Renée foi categórica. Ela apontou para o meu pé engessado. – Você tem provas disso.
Eu sacudi a cabeça em negativa e levantei os olhos cheios de lágrimas para minha mãe.
– Vocês não o conhecem, mãe. – Eu choraminguei.
Eu sentia o buraco se abrindo cada vez mais forte em meu coração, cada vez que eu tinha a certeza de que iria embora.
– Edward é uma pessoa incrível. – Eu continuei a falar, em prantos, como se houvesse ali uma possibilidade de convencê-la. — Ele é cuidadoso comigo, ele me protege, ele é gentil, carinhoso. Ele é voluntário no hospital, para animar as crianças com câncer. A senhora sabia disso? – Eu não perguntei com rispidez, mas com um sorriso orgulhoso e sem alegria no rosto.
Renée sacudiu a cabeça em negativa e se sentou ao lado da filha para continuar ouvi-la falar.
– Ele sempre resistiu se aproximar de mim, mãe, porque ele também tinha medo do que poderia me causar. Mas, ele não podia. Nós estamos apaixonados. A culpa não foi dele pelo o que aconteceu comigo. Sim, James estava atrás dele, mas Edward fez de tudo para me proteger dele, falhando quando algo maior do que ele o atrapalhou. Ele não é um criminoso. Ele não é mal. Ele é estudioso, ele é bondoso e pensa no futuro.
Agora, sem perceber, eu estava desabafando em choro, porque eu sabia que logo estaria longe do garoto mais importante de minha vida.
– Ele é tão altruísta. – Eu confessei e enxuguei as lágrimas, com um sorriso histérico e sem vida no rosto.
Renée me observava com um grande olhar aflito na face.
– Ele cuida da mãe com câncer com tanto carinho e amor, mesmo ela não sendo mãe verdadeira dele. E a família dele. A senhora precisaria conhecer. É a família mais simples e amorosa que eu vi na minha vida. Eles têm uma vida difícil, mãe, mas o que eles mais têm são a união e amor entre eles. A senhora e o papai podem não admitir, mas foi o Edward, exclusivamente o Edward e seus valores, que me fizeram ter uma visão diferente da vida. — Eu enxuguei novamente as minhas lágrimas e abaixei a cabeça, lembrando-me de todos os ensinamentos que aprendera com Edward. – E agora, eu tenho que ir embora. Eu tenho que me afastar dele para sempre.
Sem saber mais o que fazer, totalmente fragilizada pelo o momento, eu joguei a minha cabeça no colo de Renée, tanto como a procura de um consolo, como uma maneira de implorar para não irmos.
No entanto, eu sabia que isso nunca aconteceria.
A antiga empresa do meu pai estava envolvida. Ele nunca trocaria isso por causa de um relacionamento meu com um garoto que ele considerava absolutamente errado para mim. Ainda assim, eles podiam...
Enquanto eu sentia minha mãe acariciar meus cabelos, ouvindo meu choro pela perda, eu levantei a cabeça com uma esperança nos olhos.
Ela me encarou confusa, pela a minha repentina atitude. Eu segurei os ombros dela, implorativa.
– Deixe-me ficar, mãe. – Eu pedi de maneira intensa.
– O quê? – Minha questionou, incapaz de acreditar que eu estivesse pedindo aquilo.
– Deixe-me ficar. – Eu repeti, mas, eu sabia que era uma hipótese jogada. Eles nunca me deixariam aqui sozinha. – Eu não posso ir para longe dele. Por favor, mãe. – Logo, minha voz foi se tornando mais desesperada.
Minha mãe suspirou, encarando meus olhos tristes e desesperados, e abaixou minha cabeça novamente para o seu colo.
O seu silêncio foi a minha resposta.
Eles nunca me deixariam aqui sozinha por causa de Edward. Um garoto que eles tanto repudiavam.
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Depois de passados minutos desabada em choro no colo de minha mãe, ela procurou me acalmar. Renée ficou repetindo frases de que aquela inda para longe de Edward era para o meu melhor.
Eu não escutava, de qualquer maneira. Eu só queria um colo. Eu só queria penalizá-la pelo o que eu estava sendo obrigada a fazer.
Eu sabia que agora o real motivo de irmos embora não era o meu relacionamento com Edward. Eu sabia que não era porque eles estavam tentando me afastar dele. O real motivo era meu pai ter a chance de ter a vida que antes tinha de volta.
Se não fosse a empresa, provavelmente, eles ficariam aqui. Provavelmente, eles me manteriam afastada de Edward, mas, ainda assim, eu conseguiria vê-lo. Provavelmente, um dia, nós conseguiríamos mostrar o quanto éramos apaixonados.
Agora, tudo estava acabado. Eles nunca recusariam voltar a vida antiga só porque o meu desejo era permanecer em Forks.
O problema era que, além de me afastar de Edward, eu não queria voltar a minha vida antiga. Não queria voltar àquela vida de luxo, de coisas soberbas, depois de todo o sofrimento visto durante os meus momentos na vida de Edward.
Eu não queria voltar á vida vazia de outrora. Eu queria ficar aqui, onde eu era mais cheia de vida, de significado. Onde eu conseguia me sentir confortável em minha própria vida quando estava ao lado de Edward.
Porém, isso jamais aconteceria. Nós jamais voltaríamos aqui. Eu tinha certeza.
Eu nunca mais veria os meus amigos.
Eu nunca mais veria o Edward.
Como eu ia viver sem ele?
Sem o seu amor, sem o seu toque, sem os seus carinhos e suas atitudes bondosas e altruístas. Eu não conseguia imaginar.
Minha vontade, cada vez que pensava nisso, era me enrolar na cama e ficar paralisada com os braços em volta do meu corpo e encolhida feito uma bola. Porque as coisas eram piores. Porque agora não havia mais esperança.
Eu e Edward, antes, estávamos dispostos a lutar por nosso amor, mas agora como lutaríamos quando estaríamos quilômetros separados? Imaginar vencer o obstáculo do tempo e do espaço, sem a garantia de que um dia eu voltaria a vê-lo, era quase impossível de se imaginar. Isso acabava me deixando mais depressiva. Mais vazia e infeliz.
De qualquer maneira, minha mãe obrigou-me a arrumar a mala. Eu o fiz, sem muita coragem. Com lágrimas escorregando por minhas bochechas a cada peça de roupa e objeto guardado em minha bolsa.
Á noite, eu fui dormir cedo, sem jantar, sem dar uma boa noite. Eu deitei na cama, mas jamais consegui fechar os olhos com a pressão constante sentida e meu peito.
Eu não fechei os olhos. Encarei o teto branco até o dia amanhecer, imaginado como seria minha vida sem Edward Cullen.
As horas se passavam. Os minutos se seguiam de maneira veloz e constante. Cada segundo era um segundo mais próximo da distância que eu ficaria do amor da minha vida.
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Meu pai colocou a última mala em cima da caminhonete.
Eu observava tudo da janela da sala e sentia uma opressão enorme sobre mim. Como se, de alguma maneira, eu estivesse carregando quilos e mais quilos de bagagens em minhas costas. A noite insone só fez piorar minha imagem de zumbi.
Imaginar voltar para Jacksonville era como... Era como se nada meus esforços para ficar em Forks tivessem valido a pena. Era como se, depois de partir dali, seria como se nada tivesse acontecido.
Esperançosamente, eu esperava isso só para eles; para os meus pais.
Para mim, seria como se todo o resto da minha vida não tivesse existido e somente esses meses vividos em Forks tivessem valido a pena.
Eu estava cansada. Não havia conseguido fechar os olhos uma vez durante a noite. Meus pensamentos ficaram fixos em Edward o tempo todo. Eu me sentia como um saco vazio cada vez que eu imaginava não ser capaz de vê-lo mais.
– Bella, querida. Está na hora. – Renée me chamou, quando desceu a escada com sua bolsa de lado e os óculos escuros.
Ela e meu pai estavam felizes de voltar à vida antiga.
Nós não iriamos voltar exatamente á mesma casa de antes, mas, de acordo com meu pai, para uma ainda melhor do que a antiga. Isso foi a tentativa inútil dele de tentar me animar. Porém, eu não prestei atenção em suas palavras. Eu não me importava mais com isso. Eu preferia ficar aqui. Nessa casinha simples, nessa cidade pequena, onde pessoas que realmente se importavam existiam.
Onde Edward existia.
Eu não respondi a minha mãe quando ela me chamou. Apenas dei um suspiro e coloquei o capuz do meu casaco em minha cabeça. Andei para fora de casa de forma lenta e infeliz, ainda com uma chama pequena de esperança acessa no canto do buraco de meu coração.
Com os olhos baixos, eu observei minha mãe trancar a porta e me mandar seguir em direção ao carro de Charlie.
Como um lembrete da pessoa que eu deveria ser, além do amor enorme em meu coração por Edward, eu insistir, em um momento único que eu decidi falar desde ontem, que a caminhonete fosse conosco.
Meu pai concordou de bom grado. Ele iria dirigindo-a e minha mãe dirigiria o carro dele.
– Vamos, pessoal. Já está na hora. – Meu pai gritou quando eu e minha mãe andamos devagar em direção a ele.
De vez em quando, minha mãe me encarava de soslaio, preocupada com minha expressão nada agradável. Eu sabia o que ela via em meu rosto. Ela via o quanto eu estava pior do que a última vez que fizemos mudança. O que eu perdia ali não era nenhum pouco comparado ao que perdi quando vir de Jacksonville.
Nesse momento, foi que eu me dei conta. Desde ontem á tarde, quando meu pai expulsou Edward da nossa casa, era como se tudo fizesse parte de um pesadelo. Um pesadelo que eu torcia para acordar.
Mas, não era um pesadelo.
Eu esperava que fosse. Ou esperava que ainda houvesse esperanças. Era isso o que estava me segurando. Era isso o que me mantinha inerte aos acontecimentos ao meu redor.
Porém, cada vez que eu me aproximava mais um passo do carro que me levaria embora dali, eu finalmente me dei conta. Eu finalmente encarei a verdade. Aquela era a realidade. Era a realidade dolorosa e cruel. Eu iria embora. Tudo ficaria para trás.
Edward ficaria para trás.
Edward, da qual só o vi ontem á tarde. Edward, da qual jamais veria seu rosto novamente. Jamais o tocaria novamente.
Será que um dia falaríamos de novo? Será que eu suportaria o bastante até o dia que eu fosse suficientemente permanente para ir atrás dele?
Nesse momento, lágrimas caíram de meu rosto. Tudo o que estava em minha mente era ele. Era ele e o vazio que eu teria que encarar em minha vida daqui para frente.
– Bella, entre. – Minha mãe pediu com as mãos em meus ombros quando eu emperrei em frente à porta do carro.
Eu não queria entrar. Eu não queria ir embora. Sentia-me fraca por não ter escolha dos caminhos que queria seguir.
Eu olhei para o rosto da minha mãe quando ela me encarava com um pedido expresso no rosto.
Foi nesse instante, por trás dela, eu o notei. Edward aparecia de entre as árvores da floresta do outro lado da rua.
Nossos olhos sem vida se cruzaram e eu arfei.
Uma última vez. Eu precisava disso. Precisava lhe dizer para me esperar. Para continuar me amando. Precisava dizer, uma última vez, antes de nos separarmos definitivamente, o quanto eu o amava e faria o possível para um dia vê-lo novamente.
Meus pais o viram também, quando ele continuou parado e deu apenas um passo em nossa direção.
Meu suspirou de irritação. Minha mãe me encarou com compaixão.
– Pai. – Eu pedi com a voz engasgada. Charlie me encarou com seriedade. – Por favor... – Eu implorei. – Deixe-me despedir dele. Por favor. – Minha voz se quebrou.
Meu pai fechou os olhos por alguns segundos e depois observou a minha mãe. Renée assentiu para ele e deu-me a permissão que eu queria. Charlie virou o rosto para o outro lado, desgostoso.
– Que seja rápido. – Ele murmurou estressado.
Antes mesmo que ele terminasse de falar, eu os abandonei para trás e corri em direção a Edward.
Ele abriu os braços com o rosto em dor. Nossos corpos se colidiram quando ele me recebeu efusivamente em um abraço. Eu o apertei com força e procurei gravar todas as sensações, emoções e sentimentos que corroíam por meu corpo, que faziam meu coração bater tão forte.
Edward também me apertou forte em seus braços e apoiou seu queixo em minha cabeça. Eu não suportei segurar mais as lágrimas abundantes quando o ouvir fungar em seu choro silencioso. Seu corpo se tremia a cada vez que ele tentava segurar os soluços dentro de si.
Teríamos futuro? Teríamos esperança? Era assim que se acabava mesmo?
Pela a primeira vez, eu desejei ter preferido morrer naquele dia com James. Naquele dia, eu morreria por Edward, para não coloca-lo mais em risco e me impedir de ter uma vida sem ele.
Porém, nada adiantou. Nós não estaríamos mais juntos. Estaríamos os dois vivos, com dores asfixiantes no coração, e distantes um do outro.
Eu me afastei um pouco dele com os olhos encharcados. Edward segurou minha face com força, com as mãos tremendo.
– Eu tive que vim. – Ele disse e sua voz foi cortada com um soluço profundo dele. – Eu precisava vê-la uma última vez.
Eu sacudi a cabeça, incapaz de acreditar que aquela seria a última.
Era injusto. Nossos destinos não podiam se separar dessa forma. Como podiam se separar, se nós nos completávamos de uma forma irracional? Eu precisava dele para ser uma pessoa melhor e ele precisava de mim para ter esperanças na vida. Nós não podíamos nos separar. Não para sempre.
Tinha que haver esperanças em algum lugar. Eu não podia deixar de acreditar nisso.
– Não é a última vez. – Eu prometi, porque eu sabia que não podia ser a última vez.
Eu tinha certeza de termos sido feitos um para o outro, dessa forma, como essa poderia ser a última vez?
– Não vai ser a nossa última vez, Edward. Não pode ser. – Eu repeti efusivamente.
Edward fechou os olhos e encostou sua testa na minha. Eu sabia que, em sua mente, ele tentava acreditar nisso, como eu desesperadamente também tentava me segurar nisso.
Eu coloquei minhas mãos em seu rosto novamente.
– Prometa-me que vai me esperar, Edward. Um dia, eu sei, nós iremos poder viver esse amor em paz.
Ele sacudiu a cabeça vagarosamente, com o rosto contorcido de sofrimento. Como eu queria apaziguar aquilo. Como eu queria vê-lo sorrir novamente. Porém, como eu conseguiria fazer isso, quando nem mesmo eu conseguia me fazer sorrir?
– Eu nunca, jamais, vou deixar de pensar em você. Um segundo, Bella. Um segundo que for. Você sempre estará em meus pensamentos. – Ele prometeu intensamente.
Seus olhos fechados com tanta força se abriram. Suas pupilas verdes escuras espelharam uma dor tão angustiante, tão dilacerante, que eu não suportei segurar outro soluço em minha boca.
Apertei seu rosto ainda mais e tentei decorar todos os traços de sua feição. Todos os traços de bondade em seu rosto. Todos os traços do anjo que ele era.
– Prometa-me que vai ter esperança. – Eu implorei, porque era totalmente inacreditável deixa-lo para trás, sem conseguir fazê-lo confiar que ainda tínhamos alguma chance. Alguma chance perdida. Alguma chance que iria aparecer.
Ele sacudiu a cabeça em positivo.
– Eu prometo. Eu prometo. – Ele repetiu.
Seus lábios encontraram os meus com força. Eu agarrei sua cabeça mais forte e senti todos os calafrios daquele beijo. Daquele beijo que simbolizaria o nosso fim. A nossa separação.
Por um momento, o vazio em meu coração desapareceu. Desapareceu até os minutos daquele beijo desesperado e tradutor de todas as palavras que queríamos dizer um para o outro, mas não tínhamos tempo suficiente para dizer.
Edward me encarou nos olhos quando tirou seus lábios do meu.
– Eu te amo, Bella. Eu te amo muito. – Ele se declarou.
Mais lágrimas caíram dos meus olhos quando suas palavras aqueceram o meu coração de maneira angustiante.
– Eu também te amo. Para sempre das nossas vidas. Eu te amo. – Eu alisei sua face.
– Bella, vamos embora. – A voz da minha mãe soou suave a pouca distância de mim. Eu sabia que ela estava logo atrás.
Edward a encarou por breves segundos, sem soltar o meu rosto, depois me fitou novamente. Desnorteado, ele abaixou, aos poucos, suas mãos tremidas para os meus ombros, para os meus braços e entrelaçou nossas mãos em um aperto forte.
Ele fechou os olhos e respirou fundo.
– Você precisa ir, Bella. – Ele disse, com a expressão composta no máximo que ele podia.
Ainda assim, eu não consegui tirar meus olhos do dele, soltar minhas mãos da dele.
– Bella. – Agora, minha mãe estava me puxando suavemente pelo o ombro, obrigando-me a me afastar dele.
– Você precisa ir, Bella. – Edward repetiu, com um vazio infinito em seus olhos verdes escuros. – Vá.
Deixando minha mãe me puxar e com as lágrimas rolando livres pelo o meu rosto, eu observei nossas mãos se soltarem, nos desconectando. A dor no peito quando não senti sua pele foi sufocante.
Edward continuou lá, parado, abandonado e infeliz.
– Vamos, Bella. – Renée continuou a repetir com a minha resistência involuntária.
Ela foi me puxando, cada vez mais para longe dele.
– Entre. – Renée me guiou para dentro do carro.
Eu não já conseguia ver mais nada. Não conseguia ver mais nada além de Edward, no meio da chuva, com a expressão mais vazia e dolorosa que eu vi em seu rosto desde que eu lhe conheci.
Quando estava dentro do carro, eu coloquei as mãos no vidro da janela e implorei para me tele transportar para o lado dele. Ir para o lado dele para ser capaz de amenizar a sua dor, como eu precisava amenizar a minha.
Porém, o carro foi colocado em movimento e, cada vez mais, eu fui me distanciando do seu corpo inerte no meio da chuva. Cada vez mais o vi fugindo de mim. Vi-o fugindo de minhas mãos. Fugindo de minha vista. Ele ficava cada vez mais longe, a cada segundo passado, ele se ia.
Quando o carro deu a volta na rua e Edward já não podia ser visto por mim, lágrimas mais grossas e abundantes caíram por minha face.
Ali era o fim.
Era o fim de um amor simples e puro.
Era a separação de dois corações que precisavam um do outro.
Por mais que eu acreditasse na esperança de que nos veríamos novamente, eu tinha medo. Eu tinha medo. Eu tinha medo do tempo que ficaríamos separados. Tinha medo da distância que ficaríamos separados. Tinha medo das mudanças que ocorreria nesse tempo. Tinha medo, sobretudo, desse vazio estranho crescente dentro de mim a cada quilometro que eu me distanciava dele e de sua bondade.
Tinha medo por, naquele momento, eu não sentir mais nada a minha volta.
Não sentia o carro em movimento.
Não ouviu as vozes dos meus pais.
Não ouvia o meu próprio choro.
Não conseguia enxergar a realidade a minha volta.
Tudo o que eu conseguia sentir era esse vazio sombrio e escuro em meu coração.
Eu tinha medo do quanto aquele vazio me puxaria para baixo com ele.
Era tudo o que existia em mim agora. Vazio. Vazio de uma vida perdida.
Notas finais
De qualquer maneira, eu espero que vocês tenham gostado dessa capítulo e possam comentar, claro.
Como sempre, peço desculpas pela a minha demora para postar nessa fanfic. É que os capítulos escritos já adiantados acabaram e agora eu tenho que não só corrigir, mas escrever também ele. Felizmente, entrei de férias da faculdade essa semana (ebaaa o/) e vou ficar mais livre até janeiro. Aliás, vou tentar acabar a fanfic até lá ou até o começo de fevereiro. Falta muito pouco para acontecer agora.
Ah, sim, próximo capítulo vou fazer algo que eu não pretendia fazer nessa fanfic, mas vou fazer só essa vez; um POV de Edward. :D
Até mais e comentem, mesmo que a vontade de vocês seja de me matar. kkkkkk. *---*
Aaaah, sim. Feliz Natal para vocês. *---*
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