Aprendendo a Viver.
16 Capítulo 15 - Alerta.
Notas iniciais
Desculpem-me a demora. @-@ Eu juro que as justificativas são importantes para eu demorar esses a estar postando. Mas, o que importa é que está aqui.
Espero que vocês gostem. E ah! Eu queria agradecer á Carolpatt e Roggy por terem feito uma recomendação tão fofa para a fic. *--* Valeu gente.
Bom, curtam o capítulo.
Capítulo 15 – Alerta.
O quarto de Edward era bastante agradável. Eu pude notar isso quando dei um passo dentro dele, dando um sorriso torto por ele estar sendo tão convidativo a conhecer ainda mais dele.
Assim como a casa, o quarto era pequeno. Um retângulo comprido bem simples. Havia uma cama de solteiro, coberto por uma colcha vermelha. Do lado oposto á cama, encostado na parede, havia uma pequena cômoda de quatro gavetas. Em cima desta havia dois portas retratos e mais algumas coisas como pente, escova de cabelo e livros de estudos.
Eu sorri e olhei para ele, pedindo com o olhar permissão para entrar. Ele assentiu com um sorriso terno e torto. Com isso, eu me movi até a cômoda e peguei o primeiro porta-retrato, reconhecendo a foto que havia ali.
- Ei... – Eu exclamei e me virei para ele, com uma expressão divertida. – Essa foto é minha.
A foto que havia no porta-retrato simples e preto era de quando eu ainda morava em Jacksonville, sorrindo com uma careta, ao lado de uma pintura minha com o rosto todo manchado de tinta. Eu me lembrava daquele dia. Foi quando eu ganhei o prêmio do meu colégio, como a pintura mais bonita feita em pouco tempo.
Edward riu, nenhum um pouco constrangido.
- Desculpe, eu roubei, eu admito. – Ele falou com um sorriso divertido.
Ele fechou a porta do quarto e se aproximou de mim, pegando o porta-retrato das minhas mãos.
- Eu gostei tanto quando eu vir ela pregada no espelho do seu quarto, que não resisti não pegar quando você estava dormindo. Eu achei que... Talvez... Não houvesse nada demais. – Ele falou essa parte com uma expressão constrangida.
Eu sorri, feliz e mordi os lábios.
- Mas, se você quiser de volta, você pode... – Ele começou.
- Não, é claro que não. Você pode ficar com ela.
Ele assentiu com um sorriso nos lábios e os olhos brilhando de contentamento.
Eu passei os meus olhos para a outra foto. Era uma dele com os amigos de sempre do colégio e outra com sua família dividida em um mesmo porta-retrato. Eu peguei este e analisei a foto.
- Eu tinha que colocar você sozinha em um... – Ele admitiu ao meu lado; sabia ao que ele estava se referindo. – Você não merece só esse porta-retrato, mas também todo o meu coração.
Senti-me corar com sua declaração, mas sorrir satisfeita. Levantei a minha cabeça para encará-lo e agradeci que seu rosto já estivesse bastante perto de mim.
- Você também tem meu coração. – Sussurrei. — Se possível, para nunca mais devolvê-lo.
Ele deu uma risada satisfeita e pegou a minha face entre as suas duas mãos, beijando-me com suavidade e carinho. Depois de um beijo doce e prolongado, nos separamos, recuperando o fôlego.
Querendo conhecer mais dele, eu passei os olhos novamente pelo o quarto pequeno, enquanto minha respiração procurava regular.
Não tinha muito que ver.
Na parede de fundo do quarto de Edward havia uma janela grande e quadrada que estava aberta. O sol hoje estava particularmente quente e então, com Edward analisando os meus passos, eu me aproximei para ver que paisagem ele podia ver dali.
Eu sorri quando percebi o que era. Não era a visão do paraíso, mas era uma boa visão. Havia um pequeno córrego de rio no fundo da casa de Edward, onde quando se atravessava ele, já dava para ver as florestas densas se erguendo infinitamente. E mais próximo da janela, antes de chegar ao rio, havia uma gramado onde surgiam pequenas urtigas. Rapidamente, concluir com um sorriso, de onde via o cheio agradável de menta de Edward. Com certeza, o cheiro daquelas plantas penetrava em seu quarto e se impregnavam em seu corpo, deixando-o cada vez com um cheiro melhor.
Apesar disso, com um suspiro meio resignado, eu percebi que a imagem da natureza plena que eu via dali, era completamente diferente da imagem que se tinha na frente da casa de Edward. Onde só se destacava a pobreza e a violência.
Era injusto que o mundo não tivesse apenas a imagem daquela natureza verde e feliz, e tivesse que ter também tristezas.
Ao conhecer Edward, eu comecei muito a pensar sobre isso. Sobre essa desigualdade. Sobre a felicidade que nem todos podem possuir. Muitas pessoas – milhares, na verdade – não possuem nem ao menos um teto como aquele de Edward para morar. Ao pensar nisso, lembrei dos idosos dormindo na rua, que eu vi quando estava vindo para casa de Edward.
Por que tinha que ser assim? Por que uns podiam ter e outros não? Por mais que não soubesse as respostas dessas duas perguntas, eu ao menos sabia de quem era a culpa de existir aquele mundo de pobreza e violência. A culpa é de pessoas com a mesma personalidade que eu tinha quando morava em Jacksonville. Egoísta e mesquinha.
Eu suspirei resignada com os pensamentos e, nesse momento, senti braços fortes rodeando a minha cintura, trazendo o embrulho indescritivelmente bom em meu estômago e o coração acelerado no peito.
Eu pousei as mãos sobre os braços de Edward e ele apoiou o seu queixo em meu ombro.
- Essa parte é muito bonita. – Eu murmurei, respirando fundo, querendo sentir seu perfume natural.
Ele deu uma leve risada. Ele estava de bom humor, eu percebi isso. E também ficava feliz por isso.
- Sabe, agora te vendo aqui, em meu mundo, eu realmente estou feliz por ter te trazido. Esme não poderia está mais satisfeita. Tanto em conhecê-la, como também ter adorado você. – Ele suspirou e estalou a língua uma vez. – Mas, também quem é que não poderia gostar de você? Linda, doce e gentil?
Dei um meio sorriso envergonhado e girei, querendo encará-lo, querendo ver o seu lindo e amável rosto. Encostei-me na parede atrás de mim e Edward aproximou-se, encostando seu corpo no meu.
- Eu também a adorei. Esme não poderia ser uma mãe melhor. – Sussurrei.
Ele sorriu e enquanto colocava uma mecha de meu cabelo para trás de minha orelha, falou:
- Na verdade... – Soltou um suspiro. – Eu estou... Meio surpreso com você.
- Por quê? – Perguntei fingido susto.
Ele desviou os olhos da mecha que mexia e os voltou para os meus, fitando-me com um pouco de remorso.
- Não sei, Bella. Você sabe... – Deu de ombros. – Você ver a diferença da minha casa, do meu bairro para a sua. As diferenças são enormes. Eu achei que você ia ficar um pouquinho assustada ou até temerosa de está aqui. Mas... – Ele sacudiu a cabeça, reprovando algo. – Novamente, você vem me surpreendendo cada vez mais com esse seu jeito.
Eu dei uma risada e peguei o seu queixo com a minha mão, fazendo com que ele olhasse para mim e somente para mim.
- Edward... – Eu murmurei enquanto seus olhos verdes penetravam de maneira intensa nos meus. – Eu já lhe disse. Eu te amo, e se é para ficar com você, eu poderia fazer o que for. Além do mais que... – Revirei os olhos, trazendo certo divertimento na voz. – Eu esperei algo pior. – Declarei um pouco constrangida. Essa era a minha vez de sentir remorso.
- Algo pior? – Ele perguntou com um sorriso bobo no rosto e pegando a minha mão que ainda estava em seu queixo.
- Sim, sabe?
Eu revirei os olhos e abaixei a cabeça, voltando a murmurar:
- Eu esperava encontrar uma casa de taipa onde só teria um chão de terra e os colchonetes onde vocês iriam dormir. – Admitir e sacudi a cabeça. – Eu... Eu acho que exagerei muito em minha mente.
Ele ficou um pouco em silêncio, mas logo sentir seu dedo em meu queixo, levantando o meu rosto:
- E mesmo assim, mesmo pensando que talvez fosse assim, que poderia ser assim, você não hesitou em vim?
Dei de ombros e balancei a cabeça em negativa. Seus olhos de repente ficaram mais escuros e trouxeram um brilho de prazer. Ele segurou meu rosto com as palmas da mão e me olhou intensamente, como se quisesse ver além dos meus olhos.
- Eu estou tão orgulhoso de você. – Sua voz saiu tão firme e aveludada que meus pêlos instintivamente se arrepiaram.
Eu ia dizer alguma coisa, mas de repente meus lábios estavam ocupados demais com o beijo avassalador que Edward me dava. Suas mãos subiram pelas as minhas costas e pararam em minha nuca, debaixo de meus cabelos, onde ele me pressionou mais para os seus lábios. Meus braços contornaram o seu pescoço, encaixando os meus dedos em seus cabelos, também desejando que ele ficasse mais perto.
Arfamos um pouco diante do beijo de tirar o fôlego e Edward desceu suas mãos para os meus ombros, virando-me e me empurrando de costas, ainda com seus lábios encostados no meu, até que chegássemos a sua cama encostada na parede. Nós afastamos um pouco as bocas, procurando obter oxigênio e rapidamente Edward desceu os lábios para o meu pescoço, fazendo-me fechar os olhos enquanto ele me deitava gentilmente na cama.
Eu sabia que nós não íamos fazer nada ali – nada que me fizesse sentir da maneira que me sentir no estúdio -, afinal tinha certeza que tudo poderia ser ouvido pela a família deles lá fora.
Só estávamos aproveitando o momento a sós, onde não corria o risco de minha mãe chegar e nos flagrar de alguma maneira.
Edward encontrou novamente meus lábios, frenéticos, enquanto se posicionava em cima de mim. Eu passei as mãos em suas costas e o abracei com todas as forças que conseguia, rezando para que aquilo nunca acabasse.
Quando novamente ficamos sem ar, ele afastou um pouco nossas bocas, arfando com a boca entreaberta e passou levemente a mão em minha face, com um sorriso torto bobo nos lábios.
- Obrigada por me fazer sentir isso. Eu pensei que talvez não fosse possível. – Sua voz tinha emoção diferente; como se a qualquer momento ele fosse chorar.
Eu sorrir, satisfeita e afaguei seu rosto. Ele caiu ao meu lado e me abraçou, puxando-me para o seu peito, onde eu me aninhei, sentindo-me em casa. Ele sempre seria meu porto seguro.
Nós ficamos em silêncio por algum tempo, estabilizando as respirações depois dos beijos trocados.
Quando percebi que minha voz sairia decente, sem falhas por causa da irregularidade da minha respiração, decidi perguntar algo que vi na sala e ainda estava me incomodando:
- Edward. – Minha voz não saiu mais que um sussurro em seu pescoço.
- Hmmm? – Ele começou a fazer círculos em meu ombro.
Minhas mãos se distraíram com o botão de sua camiseta, enquanto eu mordia os lábios pensando o que ele diria daquela pergunta.
- Houve um momento na sala... – Eu comecei com a voz baixa. – Em que Esme falou sobre as pinturas dela e você ficou triste quando ela falou que teve que parar. O que você estava pensando?
Ele ficou alguns segundos em silêncio e depois suspirou. Eu levantei um pouco o rosto, querendo ver a expressão de sua face. Ele estava com os olhos vidrados no teto, pensativo. Suas mãos ainda passavam suavemente por minhas costas.
- Edward? – Insisti.
Ele suspirou, parecendo derrotado a ter que responder a minha pergunta.
- Bella, você sabia que, se talvez Esme não tivesse encontrado Carlisle, ela poderia ser uma grande pintora hoje? – Ele perguntou retórico, sem esperar uma resposta minha. – Carlisle se arrepende um pouco hoje por ter entrado na vida de Esme. Claro que ele está feliz, mas ele acha que, se talvez ele não sentisse o que sentia por ela no passado, hoje Esme poderia ser uma grande artista cênica e teria dinheiro para se curar de seu câncer.
Eu fiquei pensativa e franzi o cenho. Mesmo sendo feliz, Carlisle ainda sentia remorso por ter entrado na vida de Esme. Isso não fazia sentindo para mim, porque ao que parecia a própria Esme não sentia remorso de está aqui, mesmo vivendo do jeito que vive.
- Não entendo. – Eu sacudi a cabeça levemente. — Por que ele sente remorso? De qualquer maneira, os pais de Esme morreram. Ela não tinha mais ninguém para contar que não fosse Carlisle.
- Não... – Ele balançou a cabeça levemente de um lado para o outro. – O fato é que Carlisle acha que se eles não tivessem se apaixonado, Esme poderia ter se apaixonado por alguém que realmente lhe desse um futuro. Carlisle acha que o que a impediu de ter uma vida diferente dessa, foi ele ter entrado na vida dela. Ele não se culpa hoje; Carlisle sabe que ninguém pode mandar no que sente. Ele só acha que... O destino deveria ter sido mais justo com Esme. Deveria ter colocado outra pessoa na vida dela que não fosse ele. Ele prefere a felicidade dela a qualquer outra coisa.
- Mas, ela está feliz, ao menos foi o que eu vi. – Eu rebati gentilmente.
- Sim, está. – Ele falou determinado. — Mas, Bella, ela tem um câncer e não podemos desconsiderar isso. Por mais que ela seja feliz, um dia ela vai... – Ele suspirou, triste por ter que pensar na palavra. – Você sabe, nós não temos dinheiro para um tratamento mais intenso para ela. Nós apenas podemos ajudá-la a superar isso e atrasar um pouco. Entende?
- Entendo. – Murmurei tristemente.
Eu franzi o cenho e mordi os lábios, levantando minha cabeça para olhar o seu rosto.
— Mas, isso foi só uma parte de seu desanimo lá, não foi? Tem algo mais. – Perguntei, sabendo que tinha mais.
Ele deu um sorriso de canto de boca, como se soubesse que eu iria deduzir isso.
- Não, não foi só isso. A história está se repetindo com você. – Ele suspirou desanimado e abaixou a cabeça para fitar os meus olhos. – Bella, eu vejo de camarote o quanto Carlisle queria uma vida melhor para Esme.
Ele balançou a cabeça, fechando os olhos com força.
- Nós estamos apaixonados e isso me dar medo, Bella. Porque eu vou querer que você tenha muito mais em sua vida do que apenas a minha companhia. Eu não acho que consiga me separar de você e isso me deixa feliz por um lado. – Ele comentou se sentindo um pouco constrangido. — Mas, saber que talvez você possa ter uma vida insatisfeita no futuro, revela um lado ruim de toda a nossa história. Se você não tivesse se apaixonado por mim, poderia ter se apaixonar por outra pessoa melhor para você. – Ele finalizou me encarando com os olhos desanimados, como se o que nós estivéssemos fazendo fosse a pior coisa do mundo.
Eu podia entender ele. Na verdade, eu via todas as contradições de nosso sentimento. Ele não queria que eu tivesse uma vida igual a ele se nós ficássemos juntos para sempre – o que eu esperava. Eu podia ver que ele queria que um dia eu me cansasse dele e fosse atrás de alguém melhor para mim. Uma pessoa que me desse um futuro decente. Mas, eu não conseguia ver isso acontecendo.
O que eu sentia por ele era forte demais. Inexplicável. Era como se realmente tivéssemos sido feitos um para o outro apesar das diferenças. Era como se não houvesse mais ninguém que se encaixasse na minha vida como ele se encaixa. Eu o amava. Eu conseguia ver isso.
Imaginar perdê-lo me dava a mesma dor de imaginar perdendo meu pai ou a minha mãe.
Eu suspirei.
- Edward... – Murmurei. — Você não entende, não é? Você não entende meus sentimentos por você? – Perguntei um pouco resignada com seu temor e me sentei na cama, tentando fitar os seus olhos de maneira mais intensa. – Eu amo você... E não há outra coisa que eu vá querer que não seja isso. Minha vida não faz muito sentindo se eu não tiver mais você. Você me tornou uma pessoa melhor.
Ele suspirou, parecendo desanimado com a minha resposta, e pegou as minhas mãos, colocando as mesmas em sua face e fechando os olhos.
- Eu sei, Bella. E eu também amo você. Mas, nessa história só quem perde é você... – Abriu os olhos novamente, mostrando suas pupilas verdes tristes. – Eu não perco nada Bella. Porque eu já tenho mais nada. Mas, você... – Deu de ombros. – Pode ter um futuro bom se não for apaixonada por mim para sempre.
- Edward, escute... – Eu peguei desesperada sua face em minhas mãos, apertando-a delicadamente.
Eu odiava quando ele vinha com aquelas conversas, odiava quando ele dizia que o melhor era ele não ter aparecido em minha vida. Como ele não podia ver o quanto ele me transformou?
Se Edward não tivesse aparecido em minha vida, eu continuaria sendo aquela garota patética que só pensa em si, egoísta e mesquinha. Ele me mudou de uma maneira que ninguém mais seria capaz. Como ele simplesmente acha que não me deu nada? Ele me deu uma nova vida. Uma nova maneira de ver as coisas. Ele me fez me transformar em uma Bella melhor do que eu era antes.
Eu fixei meus olhos nos deles, tentando fazer-lo compreender ao menos um pouco disso.
- Nada, nunca e nem ninguém vai mudar o que eu sinto por você. – Sussurrei com determinação. — Eu... Eu estou completa como estou, entende? Eu posso ter tudo, mas se não tiver você, Edward, minha vida não vale. Por favor, pare de falar essas coisas para mim. È como se você estivesse arrependido de está apaixonado por mim... – Minha voz falhou e ele rapidamente abriu os olhos, mais tenso.
- Oh! Bella... – Ele me puxou para o seu peito, abraçando-me forte. – Eu te deixei triste, não foi? Desculpe-me, desculpe-me meu amor. È claro que eu não estou arrependido de ter me apaixonado por você, eu só queria que você não sentisse o mesmo por mim, porque eu só quero a sua felicidade.
- Então, saiba que você é minha felicidade. – Minha voz saiu rouca por causa do nó em minha garganta. – Não importa quantas barreiras eu tenha que lutar por você eu vou lutar.
- Eu também, eu também. Se isso é o que a deixa feliz, eu vou lutar.
Eu suspirei, aliviada pelas as suas palavras e relaxei mais em seus braços que me rodeavam protetoramente, enquanto ele me balançava gentilmente.
- Edward? Beije-me. – Pedi, esticando o pescoço para beijar seu pescoço.
Ele estremeceu um pouco com o toque dos meus lábios e depois me pegou pela a cintura, colocando-me de bustos em seu peitoral. Seu sorriso era entusiasmado novamente – não sabia se era uma farsa dele para me deixar tranqüila ou a verdade, só sabia que tinha ficado preocupada com a nossa conversa. – quando ele puxou delicadamente minha cabeça e me beijou com paixão, fazendo-me ofegar com as leves mordidas que ele dava em meus lábios.
Depois ele rolou na cama e ficou por cima de mim, levantando os braços para diminuir o seu peso no meu corpo.
Nada era melhor do que a sensação de ter os seus lábios nos meus. Não, engano meu. Ter ele tomando posse do meu corpo, como aconteceu no estúdio, era a melhor de todas as experiências de minha vida. Fazia-me sentir em um mundo que não houvesse nada mais que ele e eu.
Nós separamos um pouco as bocas, ofegantes e eu rir em sua direção.
- Se nós não estivéssemos em sua casa, te atacava aqui mesmo. – Eu falei com certa malicia na voz.
Ele gargalhou ainda sobre mim e beijou a minha testa.
- Edward... — Alice entrou falando dentro do quarto de Edward e rapidamente eu o empurrei, constrangida como ela nos pegou.
Ele não me soltou, foi apenas para o lado e me puxou para o seu peito.
- Os garotos chegaram, vocês não vão jogar com a gente? – Alice perguntou, parecendo nem notar o quanto eu estava constrangida por está tão intima de Edward em plena casa de família.
- Sim, nós vamos. – Edward falou, dando um beijo em minha bochecha.
Sabia que ele estava se divertindo com minha expressão de vergonha.
- Por que a Bella está vermelha? – Alice perguntou da porta, olhando-me confusa.
Edward sorriu em meu ouvido e mesmo ainda estando ao redor de seus braços, olhei furiosa para ele.
- Bella está constrangida da maneira como você nos pegou no quarto. – Ele falou com um sorriso preso nos lábios.
Alice gargalhou e eu lancei um olhar assassino para o meu namorado. Ele não se importava; estava se divertindo demais com a minha vergonha.
- Bella, deixe de ser besta. Saberíamos se vocês estivessem fazendo algo a mais. – Ela levantou a sobrancelha, sugestiva. – E pode ter certeza, eu não iria atrapalhar.
Quando eu fiquei ainda mais vermelha por causa de seu comentário, Edward riu ainda mais ao meu lado.
- Vamos lá, gente. Os garotos estão aqui e querem brincar. – Alice insistiu, com uma expressão implorativa.
- Ir para onde? Brincar de que e com quem? – Disparei as perguntas enquanto me desfazia dos braços de Edward e ficava sentada na cama.
- Os garotos vieram para cá. Emmett, Jasper, Rosalie, Seth e companhia. – Edward respondeu também se levantando e se sentando ao meu lado.
- È... – Alice ficou empolgada. – E nós vamos jogar alguma coisa de tabuleiro. Apenas nos divertir. E vocês estão nos atrasando. – Ela adicionou a última frase como uma acusação e revirou os olhos.
Edward bufou ao meu lado e em um pulo se pôs de pé.
- Vamos logo, antes que ela comece a tagarelar. – Ele brincou de volta com o seu bom humor que estava antes de nossa curta conversa séria.
- Eu ouvi isso, Edward Cullen. – Alice reclamou da porta.
Edward e eu rimos e ele me ajudou a levantar da cama, com Alice resmungando alguma coisa enquanto voltava para a sala. Antes de seguirmos ela, Edward me virou para ele e me olhou com os olhos relutantes:
- Você não se importa de passar uma tarde com meus amigos, não é? Nós sempre arrumamos um jeito de ficarmos juntos, espere que isso não a incomode.
- Não se preocupe, Edward. Eu gostaria de me distrair um pouco também. Aliás, aproximar-me de seus amigos será bom.
Ele sorriu, satisfeito por minha resposta e pegou a minha mão. Saímos do seu quarto e ele fechou a porta.
Na sala o barulho de adolescentes animados era alto enquanto eles estavam reunidos ao redor da mesa redonda de Carlisle, onde havia uma tabula grande e quadrada.
Emmett foi o primeiro a nos ver quando saímos do quarto e assim que me viu, soltou um sorriso debochado nos lábios.
- Aaah! Finalmente o casal chegou. E ai Bella? Na casa das sogras fazendo coisas erradas, hen? — Ele falou em um tom malicioso, fazendo-me ficar corada quando todos riram de sua piada idiota.
- Emmett, não seja inconveniente. — Edward rosnou já bastante próximo deles e da mesa onde todos se encontravam.
Todo mundo estava ali, como uma família grande e feliz.
Jasper estava com Alice em seu colo, arrumando ao que se parecia o jogo que iríamos brincar. Rosalie estava sentada ao lado de Emmett, com uma expressão meio frustrada e nem se quer lançava um olhar para mim — ela ainda me detestava, eu sabia disso. -, Seth estava concentrado em também arrumar o tabuleiro com Justin ao lado de Jasper e Alice conversando alguma coisa. Carlisle e Esme estavam no sofá, conversando sem se importar com o barulho que os adolescentes ali presentes estavam fazendo.
Era visão contagiante. Alegre e unida.
- Como é? Vamos começar esse jogo ou não? — Alice perguntou mais ansiosa do que nunca.
- È, eu já estou ficando impaciente. — Seth também reclamou.
- Eu não vou jogar, eu não sei jogar isso. — Eu falei meio triste, reparando que nunca tinha visto aquele jogo na minha frente.
- Claro que não. A Bella não joga jogos de pobre, só jogos de alta elite. — Rosalie soltou com a voz ácida, falando como se eu nem estivesse no mesmo ambiente que ela.
Eu me encolhi nos braços de Edward, ressentida com o tom de voz que ela usou. Emmett revirou os olhos e Edward fechou os punhos nas minhas costas.
- Rosalie, gostaria que você não falasse essas coisas para a Bella. Se você ainda não reparou, ela há muito tempo é minha namorada. — Edward falou frio, com os olhos cerrados em direção á ela.
- Deixa para lá, Edward. — Eu falei baixo só para ele.
Não queria que o clima de diversão que estava na sala se dissipasse por causa da minha presença ali.
- È, Bella está certa. Deixa para lá, Edward. — Emmett comentou animado e já pegando o tabuleiro para pôr no chão. — Agora vamos logo jogar, que dessa vez eu ganho do Edward.
Edward gargalhou sarcástico enquanto todo mundo e ele se acomodavam em volta do jogo no chão. Rosalie ficou sentada na cadeira, sem se importar de querer sentar no chão ou não.
- Só se for. Eu sou o melhor, você não ganha de mim, Emmett. — Edward empurrou o amigo devagar, enquanto todos riam dele.
Eu me acomodei ao lado de Edward com suas mãos sempre apertadas na minha e os seus braços ao meu redor.
- Bella, você vai jogar sim. — Alice falou, lançando um olhar autoritário para mim.
- È simples, nós vamos te ensinar. — Seth falou animado.
- È, escuta é assim, garota branca. — Emmett falou divertido, começando a me ensinar como se jogar.
Foi divertida aquela tarde. Divertida como nunca tive uma tarde com amigas em Jacksonville.
Emmett explicou através de apelidos toscos e divertidos que ele dava para mim como era o jogo e suas regras.
Era simples, por mais que fosse um jogo para ser jogado de quatro, eles fizeram um tabuleiro para que todos pudessem jogar. O objetivo do jogo era colocar todas as quatro peças que pertenciam a mim no circulo maior que havia no meio do tabuleiro. Para isso teríamos ainda que percorrer um caminho extenso formado de círculos no jogo com cada pedra de uma vez até chegamos ao circulo maior.
Depois que me ensinaram as regras e o jogo, foi a hora de escolhemos as cores que cada um teria suas peças. Alice naturalmente escolheu as rosas. Eu escolhi as verdes e lancei um olhar divertido para Edward, que escolheu as azuis e comentou baixinho em meu ouvido:
- È a cor que mais gosto de ver você vestida.
Eu corei e mordi os lábios enquanto ele gargalhava de mim, deixando todos ao redor confusos.
Emmett pegou a cor preta, Jasper a branca, Seth a marrom e Justin o roxo. A cor vermelha, que provavelmente seria a de Rosalie, que fazia questão de não jogar comigo — o que me fazia ficar meio incomodada -, foi jogada em um canto quando a gente começou a primeira partida.
Emmett foi o primeiro a jogar os dados, lançando um olhar malicioso para Edward. Ele avançou na casa e depois a rodada foram todos para nós.
O jogo foi bem divertido, apesar de várias vezes um ou outro tentarem roubar nas contagens da casa. Emmett e Edward entraram em uma disputa de quem chegaria primeiro.
Eu apenas ria e jogava nas minhas vezes, e claro que ninguém esperava que eu ganhasse nas quatro vezes em que fiquei no jogo.
- Não vale, ela está roubando. — Alice reclamou emburrada ao meu lado quando eu ganhei pela a quarta vez.
- Ei, eu não estou não. Eu não posso fazer nada se eu tenho sorte. – Rebati, divertida.
- Vamos ficar de olho, hen Bella? — Emmett ameaçou com um olhar divertido no rosto.
Sem ter porque ter medo da vigilância em mim — afinal eu não estava roubando e estava mesmo assustada pela a boa sorte está comigo — eu apenas dei de ombros e cerrei os olhos na direção dele.
- Tudo bem, Emmett. – Eu pigarreei e olhei para as minhas mãos, com uma expressão falsamente inocente. — Acho que você só esta com raiva por está perdendo para uma principiante. — Aticei-o e os garotos a minha volta gargalharam.
Emmett abriu e fechou a boca, abismado com a minha presunção. Depois com força excessiva colocou os dados em cima do jogo e me olhou desdenhoso.
- Menininha presunçosa, hen Bella? — Brincou e eu dei de ombros. — OK! Eu vou ganhar dessa vez. – Ele falou determinado me lançado um olhar sério.
- Eu acho que não. Afinal, eu estou no jogo. – Eu banquei a espertona, me vingando das piadinhas sem graça e dos sorrisos maliciosos que ele me mandava quando eu estava com Edward.
- Então é assim? – Ele perguntou desafiante. — Acho que temos alguém aqui a mais para apostar. — Ele levantou a mão, convidando-me para uma aposta.
- Bella, eu acho melhor você não... — Edward ia me alertando, mas antes que isso acontecesse, eu apertei a mão grande e forte de Emmett.
- Hmmm, eu acho que temos um desafio aqui para o melhor do jogo, hen Emmett? — Jasper brincou.
- O que você quer apostar? – Eu perguntei com uma careta estranha de alguém que sabia muito de aposta.
Ele sorriu, sombrio e assustador.
- Se eu ganhar, as piadas com você vão ficar bem maiores por uma semana, se você ganhar, eu paro com as piadas em relação á você e... – Ele lançou um olhar para Edward, que olhava para ele emburrado. — Edward por um mês.
- Ótimo. — Balancei as nossas mãos, concordando com a aposta. Ficar um mês sem as piadas de Emmett seria ótimo.
O jogo recomeçou. Nós colocamos as peças novamente no inicio e todos jogaram seus dados.
Eu fui a que os dados deram mais espaços para andar, fazendo Emmett ficar meio frustrado por eu começar ganhando. Enquanto aquele jogo ia passando, mais gargalhadas e sorrisos animados saiam de nós.
Eu não parecia perceber que estava em um dos bairros mais pobres de Forks. Era impossível imaginar isso com tanta animação e alegria naquele espaço jovial da qual eu estava.
Antes eu poderia está hesitante em me aproximar dos amigos de Edward, mas depois daquelas poucas horas que fiquei com eles naquela bolha de felicidade, percebi que assim como Edward, eles poderiam ter muitas coisas para me ensinar.
O jogo entre mim e Emmett foi acirrado. Nós dois empatávamos nas peças que tínhamos dentro do circulo grande. Eu tinha três e Emmett também, essa era a última partida para nós dois, fazendo Emmett ficar ansioso por talvez achar que poderia ganhar.
- Vamos lá, Bella. È sorte ou azar. — Emmett comentou com os olhos brilhantes, esfregando uma mão na outra quando eu estava na jogada decisiva para saber quem iria ganhar.
Se eu tirasse cinco nos dados ou mais, eu ganhava; se eu tirasse mais baixo que isso, Emmett que só precisava de dois ou mais, ganharia. Todo mundo prestava atenção agora no jogo, até Rosalie que nem parecia interessada no inicio.
Eu respirei fundo e olhei para Emmett que olhava malicioso para mim. Edward apertou minha cintura, dando-me apoio para aquela jogada.
Com um sorriso medroso nos lábios, eu sacudi o dado em minhas mãos e o joguei sobre o tabuleiro. Fechei os olhos quando os dados começaram a rodar sobre o tabuleiro e pararam. Um silêncio intenso se propagou na sala — o que foi engraçado, aquilo era apenas um jogo — enquanto todos estavam ansiosos pelo o resultado. Depois de cinco segundos, Alice gritou.
- Aaaah, Bella, você ganhou.
Eu abrir os olhos e fitei os dados na minha frente. Tinha conseguindo tirar exatamente o que eu precisava; cinco. — sim, a sorte hoje estava comigo.
Alice se lançou para cima de mim, dando-me um abraço animado enquanto Emmett rugia contrariado do outro lado do tabuleiro, sendo motivo das risadas dos seus amigos.
- È Emmett, eu acho que não foi dessa vez. — Eu o provoquei enquanto Edward dava um beijo em meu rosto.
Ele rugiu novamente e me olhou tedioso.
- Haverá troco. — Ele falou com um bico engraçado no rosto e cruzando os braços musculosos, em uma careta bizarra de garoto birrento.
Todos nós gargalhamos e eu fiquei um pouco aliviada. Seria um mês sem as piadas de Emmett sobre mim e Edward.
Depois daquela partida, Esme nos chamou para um lanche. Era algo simples, mas gostoso; cachorro quente.
Quando ela pôs o prato com a comida em cima da mesa, todo mundo avançou em cima, reclamando que estavam mesmo com fome.
Alguns ficaram sentados no chão e outros na cadeira enquanto nós comiamos e conversávamos naturalmente. Era uma conversa fluida, animada.
Não era uma conversa que você costuma ter em um grupo cheio de patricinhas como eu tinha em Jacksonville. Eu nunca tinha rindo tanto em minha vida como estava rindo com aqueles meus novos amigos e companheiros.
Edward parecia igualmente relaxado e feliz, até que começou a escurecer e ele trocou um olhar melancólico com Carlisle que estava ao nosso lado, também acompanhando a conversa.
- Eu acho que já está na hora de você ir, Bella. — Edward murmurou em meu ouvido quando voltou o olhar para a minha face.
- Ah, mas por quê? — Perguntei triste. — Logo agora que Jasper e Emmett iam começar com as piadas. — Resmunguei e percebi que agora todos prestavam atenção em nós.
- O ambiente aqui, Bella, não é muito tranqüilo a noite. — Carlisle respondeu com sua voz calma.
- Além do mais que é um pouco perigoso andar de carro a noite por essa banda. È melhor nós sairmos antes que escureça mais. — Edward completou com a voz tensa.
Eu suspirei derrotada. Sabia que mesmo que não quisesse ir agora, Edward me arrastaria para fora de sua casa, preocupado em acontecer alguma coisa.
Ele foi o primeiro a se levantar e me ajudou também a me levantar do chão. Todos vieram se despedir de mim — menos Rosalie, é claro — na porta da casa.
- Volte sempre, querida. — Esme falou dando-me um abraço doce. — Gostamos muitos de sua presença aqui.
Eu assenti quando ela me soltou. Carlisle deu apenas um beijo em minha testa. Emmett deu-me um abraço de urso, enquanto falava:
- Acho que eu consegui uma apostadora a minha altura, hen? Volte aqui, nós não podemos fazer isso quando estamos no colégio.
- Emmett... Você está... Deixando-me sem ar. — Balbuciei ainda em seu abraço.
Dando um sorriso estrondoso, ele me pôs no chão.
- Foi mal, esqueci o quanto você é fraquinha. — Todos gargalharam e eu olhei para ele com os olhos cerrados em uma imitação frustrante de seu olhar assustador.
- Olha a aposta. — Eu o lembrei.
- A aposta era só sobre você e Edward. As piadas somente com você ainda continuam.
Eu gemi desgostosa sabendo o quanto aquilo ia ficar pior.
Alice me deu um abraço apertado e um beijo em meu rosto, com os olhos brilhando de contentamento. Jasper, Seth e Justin limitaram-se apenas em assentir com a cabeça e me dizer para que eu voltasse qualquer dia por lá. Eu sorri e quando entrei no carro, com Edward no volante, abanei um tchau para todos.
- Foi divertido. – Eu comentei animadamente com Edward, enquanto ele já saia do condado da comunidade que ele vivia.
Ele deu um sorriso torto e olhou para mim com os olhos brilhantes.
- Pela a expressão que Esme tinha na face, acho que ela não poderia ter obtido uma nora diferente. – Ele falou e pegou em minha mão, dirigindo somente com uma e entrelaçando os nossos dedos.
Eu mordi os lábios, entusiasmada com a alegria que agora ele emanava e olhei pela a janela a paisagem lá fora.
Estávamos já na pista em frente ao mar que se erguia escuro pelo o infinito. Eu olhei para o céu e ele já tinha o crepúsculo, anunciando o fim daquele dia tão importante para mim. O céu estava em uma cor intensa de rosa chiclete, erguendo-se pelo o mar escuro. Era bonito, na verdade incrível.
Enquanto eu olhava aquela paisagem, sentindo a suavidade da pele de Edward sobre a minha, eu sentir que tudo estava em seu lugar.
Edward finalmente estava se abrindo para mim, deixando-me entrar completamente em seu mundo, eu já conseguia ser mais feliz nessa minha vida e os meus pais pareciam tão satisfeitos quanto eu.
Eu conseguira amigos de verdade, que por mais que fossem amigos que meu pai e minha mãe talvez não aceitassem, tinham o valor que eu reconhecia.
Eu não sabia o que esperar quando entrei naquele carro á quase seis meses atrás para vim para Forks.
Eu estava com medo, medo da nova vida que teria na minha frente. Medo de não ser tudo exatamente igual, medo de perder o que eu era. Eu não sabia o quanto minha vida estava incompleta, o quanto faltavam buracos para serem cobertos.
Aqui, com a pessoa que se tornava mais importante para mim, eu estava em paz. Eu estava sentindo que não faltava mais nada.
Eu não tinha mais luxo, não tinha mais um quarto enorme com tudo o que eu quisesse, não tinha uma casa com piscina ou a melhor escola para estudar, mas ainda assim eu me sentia mais completa do que qualquer outro dia eu pude sentir.
Como eu disse, tudo estava em seus lugares, tudo estava perfeito. Eu parecia que poderia explodir de felicidade a qualquer hora.
E por mais que no futuro, eu tenha que enfrentar algumas coisas para continuar com essa paz, eu estava procurando apenas me fixar no presente. O que importava para mim nesse momento.
Eu respirei fundo, fazendo com que a brisa do mar penetrasse em minhas narinas, e apertei a mão de Edward mais forte.
Ele olhou para mim e sorriu, o sorriso que eu mais adorava. Era aquele sorriso que deixava tudo perfeito como estava.
Eu poderia querer algo a mais que aquilo algum dia? Não, eu sabia que não. Edward agora era o mais importante. Eu estaria feliz se ele estivesse feliz e seguro.
Edward desligou a minha picape na esquina da minha casa e suspirou, levantando nossas mãos que vieram juntas durante toda a viagem, e depositando um beijo gentil.
- Você tem que ir agora. – Ele sorriu, levantando nossas duas mãos para tocar minha face. – Seus pais podem ficar preocupados se você não chegar logo.
Virei a cabeça para nossas mãos e beijei a sua.
- Você vai hoje para o meu quarto? – Eu perguntei, não suportando ter que me separar dele agora. Só em pensar já sentia saudades.
Ele suspirou e pareceu mais triste quando voltou a me olhar.
- Eu não posso hoje, meu amor. – Sussurrou melancolicamente.
- Por quê? – Perguntei surpresa e triste.
- Eu e a minha gangue queremos fazer uma ronda hoje pela a cidade.
Meu coração vacilou ao ouvir aquelas palavras. Odiava imaginá-lo em perigo, odiava imaginar alguém fazendo mal para ele.
- Edward... – minha face se contorceu em uma expressão de angustia. – Isso é tão perigoso, gostaria que você não tivesse que fazer essas coisas. – Abaixei a cabeça, pesarosa.
Ele deu uma risada sem humor e pegou minha cabeça, encostando-a em seu peitoral. Seu coração estava frenético dentro de seu peito. Isso me aliviou um pouco.
- Bella, eu tenho que fazer isso. Pela a nossa segurança, pela a segurança de minha família e principalmente, pela a sua segurança.
Suspirei, segurando com mais força o tecido de sua camisa, como se não quisesse deixá-lo ir embora.
- Seria tão melhor que eu fosse. Para ver que você estará bem.
Nessa hora, a respiração dele quase parou, pude o sentir ficando rígido e seu punho se fechar em minhas costas. Com uma arfada de ar, ele levantou meu queixo com dois dedos. Seu rosto estava em pânico.
- Nem... Nem pense nisso. – Seus olhos estavam arregalados de pavor. – Te colocar em perigo dessa forma... – Sacudiu a cabeça, como se para dissipar a imagem. – Eu não suportaria.
- Edward, mas eu também fico com o coração na mão quando você vai fazer essas coisas. Não acha justo estarmos juntos no mesmo local, para saber que um está bem.
- Não Bella. – Sua voz foi fria e firme, fazendo-me encolher em seus braços enquanto ele respirava fundo. – Eu posso te levar a qualquer lugar, mas permitir isso, JAMAIS. È perigoso. Eu detestaria somente pensar nisso. Então, não fale novamente.
Suspirei entediada e relaxei em seus braços novamente, apesar de parte do meu corpo estar tenso.
- Então, prometa que vai se cuidar, Edward. Eu... Eu também não suportaria perder você. – Minha voz saiu fraca de pânico em pensar na possibilidade.
Eu ouvir seu coração voltar a bater normalmente e sua respiração se estabilizar. Ele levantou novamente minha face e dessa vez seu rosto estava com um sorriso torto.
- Não se preocupe minha Bella. Eu vou voltar para você. – Sussurrou perto do meu rosto, fazendo seu hálito doce bater em minha face.
Mesmo eu estando preocupada com ele, as palavras me acalmaram um pouco. Eram como se fosse uma anestesia para todas as minhas dores, todas as minhas preocupações.
Eu assenti, triste ainda por saber que não o teria naquela noite, e encurtei os espaço sem precisão que havia entre os nossos lábios.
Ele me beijou com suavidade, passando as mãos em minhas costas e massageando levemente meus cabelos. Quando o beijo acabou por precisarmos de ar, ele passou os lábios para a minha testa e depositou um beijo leve no topo dela.
- Agora eu preciso ir e você também. Não esqueça, eu partirei, mas meu coração estará com você. Cuide bem dele.
Não pude resistir ao sorriso que saiu dos meus lábios ao ouvir suas palavras.
- Oh! Sim, acho que trocamos de coração então. – Brinquei. – Porque o meu também está em suas mãos, Sr. Cullen.
- Òtimo, eu cuidarei dele como a pedra mais preciosa que existe em minha vida.
Eu sorri, mas rapidamente minha face ficou séria quando ele me deu um beijo rápido de despedida.
- Tchau, tenha uma boa noite. Vejo você amanhã. – Sussurrou em meu ouvido e eu me ajeitei no banco, dando espaço para que ele saísse.
- Tchau, até amanhã. – Murmurei, sentindo a vontade de mantê-lo ali, junto á mim para sempre.
Ele se curvou, deu mais um beijo rápido em meus lábios e saiu da picape. Eu passei por cima dos bancos para o banco do motorista com ele ainda me observando do lado de fora.
Sorrir para ele e ainda temendo, liguei a picape e dei a partida, passando por ele que não saiu de lá antes que eu fosse embora.
Quando cheguei em frente de casa, desliguei o motor.
A luz da varanda estava acesa e o carro de Charlie já estava ali. Sinal de que ele já tinha chegado em casa.
Fiquei algum tempo ainda dentro do carro, procurando deixar minha expressão impassível para que nenhum dos dois que estivessem me esperando lá dentro percebesse o brilho nos meus olhos pela a tarde que tive.
A pedra no meu coração pela a preocupação de Edward também estava presente, mas eu sabia que devia acreditar nele. Ele voltaria para mim.
Depois de uma respirada profunda, decidi que era hora de entrar em casa. Sair da picape e fechei a porta, bolando alguma desculpa qualquer para dar aos meus pais pela a demora de chegar do colégio.
Quando cheguei á porta, bati os pés e a abrir.
Eu ouvia meu pai e minha mãe conversando na cozinha. Eu parei na porta, tirando o meu casaco e percebi que o tom dos dois parecia meio preocupado.
Como não ouvir o meu nome no meio e só algo do trabalho que parecia está deixando Charlie temeroso, decidi que não tinha risco de ir até lá.
- Boa noite, família. – Eu entrei na cozinha, tentando parecer a mais normal possível.
Minha mãe estava no balcão, conversando com meu pai de frente e Charlie estava na cadeira, meio curvado para frente ainda com sua roupa de policial.
- Oi querida, demorou. – Minha mãe falou, mas não parecia ter tom de repreensão na voz dela.
- È. Eu fui dar uma volta por ai. Estava me sentindo meio claustrofóbica dentro dessa casa. – A desculpa saiu mais natural do que eu previra.
- Bella, eu não quero você andando sozinha nessa cidade. – Charlie reclamou.
Eu franzi o cenho, sentando na cadeira em frente a dele.
- O que houve? Parecem preocupados? – Eu perguntei, tirando meu sapato apertado e apoiando os meus pés na outra cadeira.
- Não é nada demais. Só alguns problemas no trabalho. – Charlie respondeu com o tom meio monótono.
- Problemas? Que problemas? – Eu perguntei curiosa.
Minha mãe deu de ombros e se virou para pia, começando a lavar a pequena louça que havia dentro dela.
- Alguns assassinatos aconteceram no Condado Manson. – Meu pai respondeu com uma ruga de preocupação na sobrancelha. – Duas pessoas foram encontradas mortas em um barco, mas ninguém tem pistas de nada.
De repente, senti um calafrio passando pela a minha espinha. Passei a mão na testa, tentando parecer normal e me inclinei para frente.
- O... O que vocês acham que devem ser? – Eu perguntei, fingindo interesse e preocupação.
- Não sabemos, querida. Foi um assassinato estranho. Ninguém tem pistas de nada, ao não ser que foram causados por tiros.
- Tiro? – Minha voz saiu alta.
- È. Nós achamos que pode ser alguma gangue perigosa, mas nós rondamos pela a parte fronteira e não encontramos atividades de gangue nenhuma.
Tentei me acalmar um pouco com aquilo, mas não consegui. Sabia que não tinha que temer, que assassinatos acontecem em qualquer lugar e que não é só porque houve alguns assassinatos em Forks que significa que tenha sido a gangue que eu temia.
- Não sabemos o que pode ter sido. Estamos preocupados. Se isso começar a acontecer com freqüência, teremos que fazer uma busca em toda a Forks. – Ele sacudiu a cabeça, meio exasperado com o acontecimento.
Eu fiquei estátua em meu canto, procurando dizer para mim mesma que não havia nada a temer. Entretanto, o gelo em meu coração por Edward está rondando com sua gangue por ai, voltou novamente pedido para que ele não estivesse correndo algum risco.
- Eu... Eu espero que vocês consigam descobrir o que foi. – Eu balbuciei depois de um tempo e me levantei da cadeira, querendo sair e ir para o meu quarto dormir, torcendo para que o dia de amanhã fosse tão tranqüilo como hoje e que eu encontraria Edward novamente.
- Querida, vai para onde? Não vai comer? – Minha mãe perguntou quando me viu levantando.
- Eu estou sem fome, na verdade estou muito cansada e queria ir já para cama, ler alguma coisa ou estudar. – Eu fingi uma expressão cansada mesmo sabendo que estava longe disso.
- Bells, você não pode ficar sem comer. – Meu pai repreendeu, parecendo um pouco mais tranqüilo.
- Na verdade, eu realmente estou sem fome. Só quero tomar um banho e ir para a cama.
- Bom, tudo bem então... – Minha mãe concordou, dando de ombros.
Eu sorri e peguei meus sapatos no chão. Quando ia saindo, Charlie me chamou. Eu parei e olhei para ele, interrogativa.
- Eu estou falando sério. Não quero você andando sozinha por Forks quando já está anoitecendo. Se esses assassinatos estão acontecendo de tarde, imagina o que não pode acontecer de noite.
Eu estremeci, exatamente como ele.
- Tudo bem pai, não se preocupe. Boa noite para vocês dois.
- Boa noite querida. – Eles falaram juntos e na mesma hora eu andei até a escada, subindo a mesma de maneira lenta e cansada.
Não tinha ninguém me esperando lá em cima, não tinha Edward me esperando lá em cima. Ele estava rondando por ai com sua gangue justamente no dia em que assassinatos estranhos ocorrem na cidade. Pensei irônica e bufei resignada.
Quando cheguei ao quarto, joguei minha bolsa em cima da cama e peguei as coisas que precisaria para tomar banho. Agora, depois da conversa com Charlie, me sentia meio tensa.
Ou era só preocupação com Edward? Não sabia, só sabia que enquanto tomava o meu banho quente, procurei voltar a ter a calma que estava até Edward sair da minha picape. Eu sabia que ele ia ficar bem. Ele tinha que ficar bem!
Ao terminar o banho, voltei ao meu quarto e vesti uma roupa mais pesada – a noite de repente ficou mais fria que o dia.
Depois de colocar meu moletom e a minha blusa folgada e grande, decidi ler um pouco até a hora que tivesse sono – se é que eu conseguiria dormir naquela noite.
Eu escolhi Romeu e Julieta, lembrando do que Edward me dissera dias anteriores, que nossa história até parecia um pouco com aquele romance proibido.
Quando deitei na cama com o livro surrado em minha mão, imediatamente sentir a falta do peitoral quente e das mãos afagando meus cabelos. Suspirei entediada pela a falta que ele me fazia e abrir o livro, começando a ler.
Não sei a que horas ou quando eu dormi, mas sentia que aquela noite de sono não iria ser tranqüila como deveria ser. Principalmente, depois do dia gratificante que tive. Na verdade, não demorou muito para que um pesadelo assustador tomasse conta de meu consciente.
Em meu pesadelo as coisas estavam realmente escuras. Via-me correndo pela a floresta densa, sem equilíbrios em meus pés e arfante.
Meus olhos disparavam para trás enquanto eu continuava correndo, tentando fugir de algo que era invisível para mim, mas que mesmo assim, deixava-me absurdamente assustada.
Eu não sabia que caminho seguir, era como se meus pés não fossem capazes de pôr mais velocidade do que eu conseguia e o mal da qual eu estava fugindo estivesse chegado cada vez mais próximo.
De repente, em uma única vez que eu olhei para trás, meus pés tropeçaram em algo mais duro e solido, fazendo-me cair e rolar no chão.
Eu me sentei assustada e em pânico no relevo, para ver no que tinha tropeçado.
Quando meus olhos capturaram o corpo de Edward estendido no chão sem vida e morto, meu pânico aumentou. De repente, todas as pessoas que eu amava apareceram uma por uma no chão da selva ao meu redor, mortas.
Eu reprimir um grito, levando minhas mãos a minha boca e no mesmo momento, uma risada alta e maldosa ecoou em meus ouvidos. Meus olhos disparam assustados para o lado em que eu ouvia as risadas.
Então eu o vi no escuro deprimente da mata. O assassino desconhecido que trazia um sorriso malicioso nos lábios.
- Não tem para mais onde fugir. – Seu sorriso aumentou, fazendo todo o pânico consumir por dentro de mim.
- Aaaaaaaa. – Meu grito foi um guincho estridente quando eu acordei trêmula em um pulo assustado, procurando escapar do pesadelo que tomara minha cabeça.
Eu respirei fundo, arfante, como se ainda estivesse naquela corrida alucinada do meu pesadelo. Fechei os olhos e abrir de novo, percebendo que as lágrimas desciam convulsivamente pelo o meu rosto.
- Aah, droga. – Reclamei para mim mesma, procurando me acalmar e não obtendo sucessos.
- Bella, o que foi isso? – Minha mãe entrou desesperada em meu quarto, quase arremessando minha porta do outro lado da parede.
Com as mãos tremendo, coloquei a mão na cabeça e a sacudi de um lado para o outro.
- Na... Nada. – Minha voz saiu seca e rouca enquanto eu procurava enxugar as lágrimas abundantes na minha bochecha.
- Querida, o que houve? – Minha mãe sentou ao meu lado e me puxou, aninhando-me em seus braços maternos.
- Foi só... – Engoli em seco. – Só um pesadelo. – Eu percebia que falava aquilo mais para me acalmar do que para dar uma justificativa para minha mãe. Minha voz falhou demais, sendo impossível me acalmar desse jeito.
- Shhh, isso, foi só um pesadelo. – Ela começou a alisar meu cabelo ainda acomodando de maneira torta minha cabeça em seu colo.
Minha respiração descompassada foi se estabilizando á medida que ela continuava a alisar meus cabelos e sussurrava que estava tudo bem.
O sono estava começando a me abater novamente, mesmo que ainda estivesse nervosa.
Na verdade, estava com medo de fechar os olhos novamente, estava com medo que aquele pesadelo penetrasse em minha cabeça de maneira mais assustadora.
Eu não sabia o que ele queria dizer, mas só de lembrar as pessoas que eu amava, todas mortas ao meu redor, fazia um calafrio passar por minha espinha e minha respiração começar a ofegar de novo, fazendo com que minha mãe me ajeitasse na cama e deitasse ao meu lado, cobrindo-me e me acalmando com mais veemência.
Depois de muitas tentativas e tremores, eu finalmente estava conseguindo dormir. A inconsciência estava querendo vim, mas de repente eu estava tão cansada e apavorada com o que o pesadelo podia significar que o sono foi maior que a tentativa do fluxo do pesadelo vir novamente em meu consciente.
Dormir dessa vez nos braços maternos, como era antigamente em minha infância.
No dia seguinte, meus olhos se abriram vagarosamente para o fino e escuro raio de luz.
Eu precisei de alguns segundos, ainda deitada, olhando para o teto, para me levantar. Hoje o dia estava mais escuro do que o habitual. Eu olhei para a janela e gemi de desgosto quando vi os pequenos pontos brancos caindo do céu.
Isso foi o bastante para me fazer levantar da cama e ir até a janela, fazendo-me gemer novamente quando vir o chão coberto com a neve densa.
- Não acredito. – Resmunguei comigo mesma. – Tinha que está nevando.
Com os ombros curvados, percebendo que o dia não seria agradável justamente pelo o frio e pela a neve, fui para o banheiro tomar um banho quente.
Quando eu fui para o andar debaixo com mais roupas do que o habitual – uma blusa xadrez por cima de uma blusa de frio e uma calça que era acompanhada por uma bota preta – meus pais já estavam tomando café.
Eu estranhei Charlie ainda está em casa. Habitualmente, quando eu acordo ele já está na delegacia.
- Bom dia. – Eu murmurei de maneira monótona, ainda um pouco irritada por está nevando.
- Bom dia, Bells. – Meu pai falou, sem tirar os olhos do jornal que lia.
- Bom dia, querida. – Minha mãe falou e assim que eu me sentei na cadeira, jogando a minha bolsa no chão, ela colocou um prato de cereais na minha frente. – Você tem que comer, ficou sem jantar ontem. – Era praticamente uma ordem para que eu comesse.
Apesar de estar desanimada e ainda sem fome – eu não entendia a tensão que estava em meu corpo agora – eu peguei a colher e comecei a comer.
- Você está melhor? – Meu pai perguntou para mim, colocando meio resignado o jornal dobrado ao seu lado. – Sua mãe disse que ontem a noite, quando você acordou, você estava um pouco atormentada.
- Sim, nunca vi a Bella acordar tão em pânico quanto ontem depois de um pesadelo. – Minha mãe reforçou o comentário dele.
Eu procurei responder olhando para o prato. Eu me lembrava pouquíssimo do sonho, mas ainda conseguia me lembrar da pior parte. As pessoas que eu amava, caídas ao meu lado, mortas.
- Foi só um pesadelo muito intenso. – Sacudi a cabeça enquanto cutucava a comida. – A senhora sabe que ás vezes eu tenho esses pesadelos reais demais.
- È, mas de qualquer maneira, nunca te vi daquele jeito. – Ela murmurou preocupada.
Lembrar do pesadelo da noite me fez lembrar de que eu estava desesperada para ir para a escola para ver se Edward estava bem depois da ronda que ela fizera a noite. Ver se ele ainda estava vivo e inteiro.
De alguma maneira, aquele pesadelo parecia um aviso, e eu tinha medo da interpretação que ele poderia significar. Não querendo pensar muito no assunto, busquei levar a conversa ali na mesa para outro caminho.
- Enquanto a você pai? Ainda está aqui por quê? O Senhor não costuma sair cedo para a delegacia?
- Sim, costumo. – Ele soltou um suspiro alto e deu uma mordida no seu pop tarts. – Mas, as coisas não estão muito tranqüilas e eu estou apenas querendo recuperar o fôlego da noite que eu tive.
- Noite que o Senhor teve? – Perguntei confusa, vendo onde as palavras faziam sentindo.
- Sim... A noite do seu pai foi horrível. – Minha mãe falou, sentando-se na cadeira ao meu lado. – Você não deve ter escutado, mas o telefone tocou na madrugada. Isso foi uma hora antes de você ter o pesadelo e eu ir para o seu quarto.
- E quem era no telefone? – Perguntei ainda mais confusa e curiosa.
Quem ligaria de madrugada para uma casa de família?
- Era Andrews, um policial da delegacia. – Meu pai explicou. – Ele estava ligando porque era uma questão urgente. Houve mais um assassinato misterioso de madrugada. – Ele sacudiu a cabeça e respirou fundo. – Dessa vez, foi um pouco mais próximo da civilização e as pessoas queriam ter paz para voltar a dormir.
Engoli em seco com nervosismo que de repente atingiu meu corpo.
- Outro... Assassinato? – Consegui balbuciar. – Perto da civilização?
- Sim... – Charlie suspirou. – Uma garota de aproximadamente vinte anos foi encontrada morta na floresta. As pessoa que moravam perto puderam ouvir os tiros, mas nada mais que isso. Cada vez mais acho que é alguma gangue. Mas, eu e o Andrews percorremos aquele lugar a noite e não achamos nada. Vamos voltar a busca hoje.
- Não encontraram nada? Exatamente nada? – Eu perguntei um pouco mais aliviada, não deixando de perceber que me sentia agradecida por não ter sido um garoto de dezoito anos a ser encontrado, ou seja, Edward.
Cada vez mais, necessitava encontrar ele no colégio. Será que ele estava sabendo disso? Será que ele de alguma forma estava envolvido nisso?
- Não, mas vamos encontrar. – Charlie falou determinado.
- Bom, pelo o menos isso, tem um lado bom. – Minha mãe falou com a voz impassível e eu olhei para ela meio assustada.
Como ela podia ver lado bom em assassinatos misteriosos?
- Lado bom? Que lado bom? – Perguntei ainda espantada com a minha mãe.
- Seu pai está ganhando mais para encontrar esses criminosos. Uma boa grana, não é Charlie?
Meu pai pareceu meio irritado quando olhou para Renée com os olhos cerrados.
- Sim, mas não devemos agradecer por isso, vendo a forma como esse está sendo vindo. Não quero que assassinatos estejam acontecendo para ter mais dinheiro em minha conta bancária. – Seu tom foi meio ríspido, fazendo minha mãe se encolher na cadeira.
- Não posso dizer que não estou feliz em que você ganhe mais, nossa vida está melhorando. Não precisamos mais ter tantos limites. – Ela se explicou um pouco emburrada pela a atitude de Charlie.
Antes que aquilo se tornasse em uma discussão maior e eu tivesse que presenciar, eu terminei de comer e levei meu prato para a louça, lavando-o e depois pegando minha bolsa enquanto Charlie e Renée ainda discutiam em voz baixa.
- Bem gente, eu realmente não quero ver vocês discutido. Então, já estou indo para o colégio. – Eu peguei minha bolsa no chão e pus nas costas.
Rapidamente, meu pai teve a atenção em mim, esquecendo a discussão com Renée. Seus olhos eram temerosos ao falar:
- Lembre-se Bella, nada de ficar rondando sozinha por ai de novo. Não sabemos se haverá outra vitima ou não.
Eu mordi os lábios e assenti minimamente. Peguei meu casaco grosso e grande pendurado perto da porta e o vesti, dando outro tchau para meu pai e minha mãe antes de sair pela a porta.
Eu respirei fundo antes de ter que sair da coberta da varanda da casa e entrar naquela chuva de neve.
Argh! Odeio neve.
Minhas botas faziam um barulho estranho enquanto eu andava com cuidado pela a camada branca que cobria o chão. Além de ser descoordenada normal, imagina sendo com essa neve em meus pés, deixando-os molhados e escorregadios?
Cheguei a picape sã e salva e praticamente me joguei dentro dela, querendo tirar aquele pequenos e irritantes pedaços de contonete que caiam em meu capuz do casaco.
Na minha cabeça, de repente, vieram as imagens do bairro de Edward no dia passado. As crianças que mal tinham uma roupa para se proteger do frio, os adultos que tinham suas ruas como casas. Perguntava-me como eles estavam se protegendo dessa neve congelante.
Ao pensar nisso, minha face fez uma expressão depreciativa. Se eu, que estava vestida com três roupas de parte de cima, uma calça e uma bota, estava com frio, imagina eles que nem um cobertor tinham para se cobrir.
Suspirei exasperada e liguei a picape, enxuguei meu rosto que estava com alguns flocos de neve derretendo e pus minha picape em movimento.
- O que diabos está acontecendo aqui? – Eu perguntei assustada para mim mesma quando dobrei no estacionamento do colégio e vi a cena incomum na minha frente.
Praticamente todos os alunos estavam formando uma parede humana na frente da fachada da porta do colégio. Pareciam está observando algo e pela a expressão de alguns, não parecia ser nada agradável.
Eu não conseguia ver o que eles estavam olhando; eles estavam tampando. Então, com o cenho franzido, eu procurei Edward no meio daquela multidão de alunos melancólicos e quietos demais.
Eu encontrei Edward – com alivio por saber que ele chegou bem da noite passada – espremido entre Alice e seus outros amigos um pouco mais na frente da parede formada pelos os alunos. A expressão dele, mais que todas ali, estava torturada. Nem olhar em minha direção quando minha picape barulhenta entrou no colégio ele olhou.
Curiosa e preocupada para saber o que estava acontecendo, coloquei o capuz do casaco novamente, peguei a bolsa e sair para a chuva de neve que caia. Andei a passos rápidos em direção a Edward, contornando-me de alguns alunos para chegar a ele.
- Edward, o que aconte... – Ia perguntando quando já estava bastante próxima dele, mas parei abruptamente quando eu olhei para frente e percebi o que todos olhavam.
A escola, na parte da frente e principalmente a porta de entrada, estava basicamente toda pinchada. Desde o chão até o fim do revestimento de azulejos que ficava na metade da parede. As pichações eram coisas incompreensíveis, mas ainda assim assustadoras.
Mesmo que eu não tivesse terminado minha frase, Edward percebeu minha chegada e olhou para mim com a expressão devastada.
Eu olhei para ele com a expressão espantada.
- O que aconteceu aqui? – Perguntei assustada.
- Não sei, Bella. – Ele suspirou e pegou a minha mão, querendo o meu apoio. – Aconteceu de noite. Pincharam o colégio inteiro. Todas as paredes, todas as salas e armários do lado de dentro estão pinchadas.
- Destruíram o colégio ainda mais do que ele já é. – Alice comentou ao meu lado melancólica, com Jasper abraçando ela tristemente pelos os ombros.
Meus olhos voltaram-se novamente para a parede pinchada na minha frente, agora ouvindo agora os comentários agourentos dos alunos assustados a nossa volta. Ninguém queria ter que entrar em uma ambiente de aula que ainda era mais de caráter hostil.
- Mas, Edward... – Apertei a mão dele. – Quem... Quem fez isso? – Minha voz saiu baixa, mas eu sabia que ele podia ter me ouvido.
- Não sabemos, não sabemos. – Ele comentou triste.
- Tem certeza? – De repente, eu percebi que Jacob estava do outro lado de Edward, um pouco afastado e encolhido em seu próprio canto.
Edward lançou um olhar zangado para ele, com certeza hesitante em ter que encará-lo.
- Do que você está falando Jacob? – Perguntou com rispidez para seu inimigo.
Jacob deu seu sorriso malicioso – aquele que ele não dar quando está comigo – e eu me inclinei um pouco para frente, procurando vê-lo melhor para ver do que ele falava.
- Tem certeza que não sabe quem fez isso? – Seus olhos cerraram-se para Edward, desafiantes. Sua voz sugerindo algo que eu não queria que estivesse sugerindo.
Como uma lâmpada que se acendeu, minha cabeça fez uma ligação assustadora. Eu arfei quando as peças para os acontecimentos estranhos que aconteciam de ontem para hoje em Forks tiveram uma explicação nada agradável.
- Os assassinatos misteriosos de ontem... – Eu murmurei um pouco perplexa, procurando deixar os pensamentos em voz alta. – As pichações.
Edward lançou um olhar perturbado para mim, de repente compreendendo a mesma coisa que eu. Seus olhos depois se voltaram para Jacob que continuava olhando-o desafiadoramente. Depois finalmente, ele voltou para as pichações grotescas na nossa frente.
Sua boca falou a frase que eu mais temia naquele dias que estava com ele.
- Ele está aqui. – Sua voz foi baixa, inaudível, mas de uma certeza incapaz de ser contestada.
E eu sabia de quem ele estava falando. James. James que voltava para acabar com a grande paz que eu já tinha conseguindo nesse mundo. Eu sabia; tudo ia mudar agora.
Notas finais
Espero que vocês tenham gostado do momento família no começo do capítulo Eu fiz isso pra vocês verem como a a vida da familia de Edward.
Bom, comentem. Beeeijos. ;*
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