Aprendendo a Viver.

12 Capítulo 11 - Verdades.


Notas iniciais
Demoroou, mas venho mais um capítulo. Desculpa gente pela a demora, mas essa semana foi uma loucura. E provavelmente, vai continuar sendo até uns três meses, deixando-me pouco tempo para as fanfics. Bem, mas agora está ai. E finalmente, vocês vão poder saber o uma parte do que Edward esconde da Bella. Eu queria fazer um agradecimento especial á Lauracullen e Seen. Elas fizeram recomendações super fofas. *----* Brigada garotas, isso me deixa feliz. Bom, sem mais conversa, curtam o capítulo. :D

Capítulo 11 – Verdades.

- Ei, Bella.

Eu ouvi uma voz rouca chamar-me atrás de mim quando fechei a porta da minha picape e me virei para ir entrar no colégio.

Relutante, parei e me virei para encarar Jacob Black que vinha em minha direção. Ele deu um largo sorriso, mostrando seus dentes brancos sob a pele morena quando encontrou meus olhos; adiantou o passo.

Estranhei sua atitude daquela manhã. Por mais que Jacob tivesse feito aquele trato no dia passado comigo, pensei que ele iria se limitar apenas a me ignorar no colégio. Parecia que não era bem assim.

- O que é Jacob? – Perguntei meio entediada quando ele chegou perto o bastante para ouvir.

- Ei, ei, calma ai garota. – Ele bufou. – Eu pensei que nós tínhamos entrado em um acordo ontem. Essa sua expressão não pode mudar quando fala comigo? – Perguntou sarcástico.

Eu suspirei e me virei, começando a andar em direção a porta do colégio. Queria entrar e saber o porquê de Edward não está me esperando ali como todos os dias.

- Jacob, uma amizade não se constrói tão rápido assim. – Eu resmunguei quando percebi que ele apressou o passo para me acompanhar.

- Por que não? O seu namoro começou muito mais rápido de qualquer amizade. – Rebateu.

- È diferente.

- Por quê?

Revirei os olhos diante da pergunta óbvia.

- Porque Edward não me maltratou no começo, quando eu entrei no colégio. E não fez coisas da qual eu pudesse desconfiar dele depois. Além do mais, sentimentos de amizades são bem diferentes de sentimentos de amor.

Jacob bufou ao meu lado.

- Seria bom se você fizesse um esforço.

Respirei fundo e parei, fazendo-o parar ao meu lado. Eu me virei para lhe encarar.

- Por que você se importa tanto agora?

- Bella, eu já lhe disse. Quero ser amigo dos amigos do meu pai. Poxa! Isso é um pecado? Sabe, você poderia facilitar as coisas.

- Mostre do que é capaz primeiro.

- Eu estou tentando. – Ele bufou novamente, parecendo resignado.

Suspirei e fechei os olhos, procurando me acalmar um pouco.

- Jacob, eu estou tentando, está legal? Mas, você tem que me prometer que não vai mais ficar no meu pé ou no pé de Edward.

- Eu não vou ficar aprontando com ele. Se isso que você quer saber... Mas, contanto que ele também não veia aprontar comigo.

- Tenho certeza que não.

Nessa hora, vi Alice passar por trás de Jacob, em direção a entrada do colégio. Edward, estranhamente, também não estava com ela.

Se ele não estava aqui ou com Alice, onde ele poderia está?

Um calafrio passou por minha espinha e eu engoli em seco.

- Bella, você está me ouvindo? – Jacob perguntou impaciente ao meu lado quando eu não lhe dei atenção.

- O que? – Perguntei, voltando a atenção para ele.

- Você vai suavizar sua expressão comigo, certo? – Ele perguntou implorativo.

Suspirei e olhei para Alice; ela estava quase entrando no colégio. Eu olhei para Jacob novamente.

- Certo Jacob. – Concordei de má vontade. — Mas, por favor, que você saiba conquistar a confiança de alguém. – Ajeitei a bolsa em minhas costas e dei um sorriso quase sarcástico em sua direção. – Agora eu preciso ir.

Sair a passos rápidos querendo alcançar Alice.

- Ah! Tá legal. – Eu ouvi Jacob resmungar quando eu lhe deixei falando sozinho.

Sorri e apressei o passo em direção á minha cunhada.

- Ei, Alice. – Gritei quando eu já estava subindo as escadas e ela quase entrando no colégio.

Ela se virou e um sorriso iluminado veio em seus lábios quando ela me viu. Ainda não conseguia definir como Alice podia ser tão... Feliz.

- Ei, Bella. – Ela falou animada enquanto eu subia as escadas e me postava a sua frente.

- Cadê o Edward? – Perguntei preocupada. – Ele não estava me esperando hoje. Por quê? – Perguntei quase exigindo uma resposta.

Ela fez uma careta, como se recusasse a pensar em algo e depois suspirou.

- Alice, o que houve? – Perguntei quando vi sua relutância.

- Não houve nada, Bella. – Ela falou tranquilamente e passou o braço pelo o meu ombro, começando a me guiar em direção a entrada do colégio.

Ela estava tentando me enrolar.

Eu estaquei meus pés no chão, determinada a não entrar no colégio antes que ela me dissesse o que estava acontecendo.

- Alice, eu quero que você me conte. Cadê o Edward?

Ela suspirou emburrada, fazendo um bico chateado e cruzou os braços, birrenta.

- Você é chata, hen Bella?

- Não, eu só sinto que muitas pessoas estão escondendo algo de mim. – Eu a fuzilei com o olhar, demonstrando que ela era uma das pessoas.

Era fácil fazer amizade com Alice. Ela era divertida demais, extrovertida demais. Irritava-se com pouca coisa e ainda conseguia de uma forma incrível deixar o seu humor no mesmo nível que o dela.

Ela desabou com os ombros, como se desistisse de tentar remover a minha teimosia.

- Ele está falando com o Diretor Turner. – Respondeu, dando de ombros.

- Falando com o diretor Turner? Por quê?

Minha sobrancelha se ergueu e eu cruzei os braços, não acreditando muito na história dela.

- È só algo que vem acontecendo com o colégio. – Ela bufou. – Bella, nada para você se preocupar, OK? – Deu duas palmadas em minha bochecha.

Eu fiz uma careta, sabendo que mesmo que eu insistisse Alice não ia mais me falar nada do que já tinha falado.

- Por que vocês não me deixam entrar no mundo de vocês? – Perguntei resignada. — Estão sempre escondendo algo.

- Não estamos não. – Ela discordou, sacudido a cabeça lentamente.

- Edward parece está o tempo todo. – Revidei emburrada.

- Ele só quer proteger você.

- De que, Alice? Eu gostaria de saber de que?

- Das crueldades desse mundo, Bella... Você não precisa saber mais que isso. –

Quando eu fiz uma careta com sua resposta sem muitas pistas, ela sorriu meio desanimada.

- Mas, como está o namoro de vocês dois? – Perguntou, querendo mudar de assunto.

- Bem. Só que... – Respirei fundo. – Edward vive preocupado com o fato de não ser bom para o meu futuro. – Ironizei. – Sabe? Isso não me importa agora. Eu gostaria que ele parasse de me assustar quando fala que vai embora se eu enjoar dele. Mesmo que eu saiba que eu não vou enjoar, é ruim ouvi-lo dizer que vai embora. Eu o quero do meu lado no futuro. – Desabafei, não conseguindo engolir as palavras.

- Dificuldades Bella. – Alice deu de ombros. – Ele só está preocupado com você. Ele não quer que você perca tantas coisas na sua vida. Ele acha que um dia você voltara a ser o que é; Ter dinheiro, essas coisas. – Ela agitou as mãos, como se dissesse que eu sabia do que ela estava falando. — Ele não quer te prender nesse mundo.

Bufei contrariada.

- Isso não é justo. Ele devia acreditar em mim. Que eu não me importo mais com isso.

- Ele acredita, e é justamente por causa disso.

Ela suspirou quando eu levantei as sobrancelhas, não compreendendo o que ela queria dizer com aquilo.

- Ele vê a situação que Esme está agora. – Explicou. — Creio que você já sabe que a Esme tem... – Ela parou, como se não conseguisse dizer as palavras.

- Câncer. Eu sei. – Eu completei, tristemente.

- Pois é. – Ela deu de ombros e parecia mais desanimada ao fazer isso. — Esme não tem escolha por está com Carlisle. Nossa vida é limitada, Bella. Edward não quer isso para você. Ele vê que Carlisle às vezes sofre de remorso por ter permitido Esme de entrar em seu futuro. Para ele, se Esme não estivesse com ele agora, ela poderia viver muito mais, com um tratamento necessário.

Eu não deixei de engolir em seco com as palavras melancólicas de Alice. Pela a primeira vez eu podia ver seus olhos sem o brilho entusiasmado que sempre tem.

Eu não podia entender a importância que a matriarca tinha na família deles, mas seja qual for essa importância, ela devia ser muito grande para afetá-los de maneira tão intensa a ponto de Carlisle querer que ela não tivesse o escolhido no passado.

Eu franzi o cenho, um pouco contrariada com as palavras da minha cabeça. Edward não tinha que espelhar nosso relacionamento com o dos pais.

- Edward não pode generalizar as coisas. – Murmurei sem saber mais o que dizer.

Alice deu de ombros, como se não pudesse dizer mais nada ou não soubesse mais o que fazer.

- Só tente entender o lado dele, Bella. – Pediu de maneira carinhosa. — Entenda, mas não o deixe escapar. Você é a primeira garota da qual meu irmão se apaixonou dessa forma.

Ela deu um sorriso torto e depois esbugalhou os olhos, bufando.

— Magoá-la, ou vê-la triste de alguma forma é uma das coisas que está na lista negra dele. – Ela falou com a expressão de incredulidade, como se visse um exagero na atitude do irmão.

Dei um pequeno sorriso quando sua voz de sino voltou a ser empolgada.

- Tudo bem. – Concordei, querendo encerrar aquele assunto ali.

- Bom, vamos entrar? – Ela perguntou indicando a porta do colégio.

Os alunos passavam por a gente sem nem ao menos pedir licença – normal daquele colégio.

- Você não tem vergonha de entrar comigo? – Perguntei brincalhona.

- Ah qual é, Bella?

Ela revirou os olhos e pôs o braço em meu ombro, começando a me guiar em direção a porta do colégio.

- Você é a namorada do meu irmão. Alguém que está o fazendo ser feliz depois de muito tempo. Por que você acha que eu ia ter alguma aversão contra você? – Bufou resignada, sacudido a cabeça.

Eu ri com sua expressão divertida e nós duas passamos pelas as portas do colégio.

Aquilo estava se tornando importante para mim. Apesar dos olhares, das criticas contra mim, das caras feias, eu estava fazendo amigos verdadeiros que nunca pensei que poderia ser capaz de fazer.

No mundo da riqueza, você não pode ver a verdade tão fluida nas atitudes das pessoas ao seu redor quanto eu vejo aqui.

E isso é bom, me deixa confiante.

È como se eu pudesse ver do que as pessoas realmente gostam em mim; quais são as minhas qualidades quando elas não gostam de mim só porque eu sou rica ou algo do tipo.

Eu encontrei Edward depois da primeira aula.

Ele estava com a expressão impassível ao me encontrar e lançou um olha significativo para Alice que não me largou antes que ele me encontrasse.

Ele me deu um beijo na cabeça e aquele dia correu como se nada estivesse acontecendo. Eu engolir a língua e a curiosidade para saber o que ele estava fazendo.

Eu sabia que mesmo que eu perguntasse e insistisse, ele não iria me falar.

Da mesma forma tranqüila, também correu os dias seguintes.

Dia após dias, eu estava me acostumando cada vez mais com a rotina, com aquela vida, com simplesmente tudo que me rondava agora.

Ás vezes já nem sentia mais saudades da vida que tinha antes. Agora que Edward me dera a tinta para continuar desenhando eu não ficava mais remoendo em não ter dinheiro para comprar mais.

Meu pai estava extremamente entusiasmado nesses últimos dias; eu nunca o vi tão feliz na vida. Realmente vi que Charlie era para essa coisa de policial.

Tanto que era que conseguiu uma promoção em seu cargo.

O chefe de policia do condado de Forks se aposentou. Então Charlie ficou no lugar dele por ter sido considerado o policial mais eficiente e também por ser o único disponível a aceitar esse cargo de importância.

- Eu realmente fiquei feliz. – Ele falou no jantar da noite em que recebemos a noticia sobre sua promoção.

- Oh! Querido, eu também. – Minha mãe falou entusiasmada, dando-lhe um beijo no rosto.

Charlie sorriu satisfeito.

- Mas, por enquanto as coisas andam calmas. – Ele deu de ombros. — Não há nada com que a policia de Forks possa se preocupar.

- Não? – Eu perguntei curiosa, levantando uma sobrancelha.

Ultimamente eu vinha mais preocupada com essas coisas de gangue do que qualquer coisa. Eu morria de medo de que ás vezes fosse a de Edward que estivesse por ai, sendo caçada por meu pai, e eu sabia que a dele não fazia essas coisas. Não que eu saiba.

- Não. – Charlie deu de ombros. – Os assaltos daquelas gangues pararam abruptamente na região de La Push. As pessoas estão em paz novamente. – Ele franziu o cenho, confuso com alguma coisa que passava em sua mente.

Isso me acalmou um pouco, apesar dos olhos de Charlie estarem confusos sobre alguma coisa.

A notícia significava que não havia mais porque Charlie procurar por alguma gangue ou coisa assim, então isso deixava Edward longe de sua vista.

Edward continuava indo a minha casa de noite.

Nós não cansávamos.

Cada dia que passávamos longe um do outro era como se fosse uma semana inteira. Eu sei que isso é meio melodramático, mas era exatamente da maneira que me sentia.

Quando ele não via me ver, por algo que estranhamente tinha que fazer com a gangue á noite, eu procurava me distrair com as pinturas.

Era uma boa distração, mesmo que a todo instante ele viesse em minha cabeça.

A “amizade” com Jacob estava quase progredindo. Ele realmente estava pagando com a sua promessa.

Jacob não discutira com Edward ou pegara no meu pé nunca mais. E isso me deixava tranqüila.

Quando ele vinha aqui em casa com Billy, eu descobri que conseguia ter uma conversa agradável com ele.

Descobrir que Jacob poderia ser uma pessoa legal.

Porém, mesmo com essa repentina mudança dele, eu procurava me manter um pouco distante.

Tanto por causa de Edward – eu não queria que ele agüentasse mais que isso nessa história – tanto por causa da minha mãe que continuava insistentemente chata com o caso de nos ver um dia juntos.

Eu me perguntava como ela iria reagir quando eu dissesse de quem eu realmente gostava?

— Querida, nós vamos hoje para a reserva. – Minha mãe anunciou em uma manhã de domingo quando eu atravessei a porta da cozinha depois de acordar.

- Hoje? – Perguntei meio atordoada. – Mas, por que ir até lá? Billy sempre não vem aqui?

- Sim. – Ela deu de ombros. – Mas, agora ele faz questão de que conheçamos La push.

- Eu realmente tenho que ir? – Perguntei implorativa, esperando que ela dissesse um não.

Seria bom ter aquela manhã toda só para mim. Se eu tivesse como me comunicar, poderia ao menos chamar Edward para vim passar comigo. Pensar nessa impossibilidade acabou me chateando e me deixando desanimada.

- Querida, vamos lá. – Renée insistiu. — Vai ser legal. Você vai poder conversar...

- Com o Jacob. – Completei emburrada. – Mãe, eu acho que a senhora está meio fixada com ele, hã? – Revirei os olhos.

- È só que querida... – Ela começou docemente.

- Eu vou. – Interrompi-a antes que ela começasse a falar sobre aquele assunto.

Dei-lhe um beijo na bochecha e sair da cozinha impedido que ela viesse novamente com o assunto “Jacob é tão legal e lindo.”

Eu não estava satisfeita com aquele passeio para La Push, mas acabei indo.

Charlie foi em sua mais nova viatura e eu na minha velha caminhonete. Ela agora era importante para mim. Na verdade, ninguém podia chamá-la de velha, somente eu.

Enquanto eu seguia meu pai pelas as estradas florestadas em direção a reserva, não pude deixar de pensar em como nossa vida estava melhorando e mudando a cada dia que se passava.

Charlie estava ganhando um pouco mais com a nova posição de Chefe de Policia na delegacia. Coisas que antes faltavam na minha casa agora já estavam sendo compradas.

Charlie agora tinha um carro legal de policia e minha mãe estava feliz em ser uma dona de casa.

Apesar do progresso, eu não podia deixar de ficar meio temerosa com isso. Quanto mais rápido Charlie recuperasse as economias, mais rápido seria para eu sair do colégio e ir para um particular.

Eu sabia que ele ia me mudar assim que conseguisse o dinheiro suficiente. Eu ouvira uma conversa dele com minha mãe certa vez.

Eu estava arrumando a casa – como era de costume para mim agora – quando passei pela a porta fechada do quarto deles e ouvi vozes meio preocupadas. Como eu não sou nada curiosa, preguei meu ouvido na porta, querendo ouvir sobre o que eles falavam.

- Eu não gosto de Bella tanto tempo naquele colégio. As pessoas de lá são perigosas. Não sei como ninguém ainda não fez algo com ela... – A voz de Charlie era insatisfeita.

Fechei os olhos, segurando um pequeno sorriso. Mal ele sabia o que acontecia comigo naquele colégio.

- È, você está certo querido. – Minha mãe respondeu. – Mas, as coisas estão melhorando. Logo Bella poderá ter o quarto como ela quer; telas grandes para pintar e principalmente, um bom colégio para cursar pelo o menos o final do ensino médio.

- Sim, logo mais. O dinheiro está entrando. È bom ser o chefe de policia daqui.

Eu suspirei preocupada quando eles saíram daquele assunto e começaram a falar sobre o emprego do meu pai.

Por incrível que pareça, as vantagens que minha mãe falou na conversa – quarto como eu queria; telas para pintar e saída do colégio – não me deixou entusiasmada. Eu já estava acostumada com a vida que tinha, não queria ter que mudar de novo.

O carro de Charlie já estava um pouco à frente quando eu voltei a minha atenção para ele.

Eu não havia dito nada desse progresso de Charlie para Edward. Eu não sabia o que ele poderia pensar; se isso seria uma coisa boa ou ruim.

A única coisa que eu sabia era que Edward era tão altruísta que a maneira que ele reagiria na minha frente diante da notícia, não iria demonstrar verdadeiramente o quanto ele estava atordoado por dentro.

Eu começava a conhecer Edward como a palma da minha mão.

Quer dizer, por um lado sim e por outro não.

Edward continuava a esconder coisas de mim, dizendo que não era obrigado eu saber, que eu não tinha que ficar por dentro dessas coisas.

Por enquanto, o que me tranqüilizava, as coisas não estavam tão escondidas assim de mim. Edward não estava desaparecendo mais tanto a noite e a tensão que eu sentia no começo da minha presença naquele colégio já estava diminuindo – era como um ínfimo raio de luz no horizonte.

Algumas pessoas ainda estavam me tratando como uma anormal e outras simplesmente me ignoravam.

Ás vezes, o que me incomodava era o fato da gangue de Jacob – um grupo bastante musculoso para o meu gosto – mesmo que seu “líder” está tentando ser meu amigo, ainda me olharem como se eu fosse uma bactéria que tinha que ser expulsa do organismo deles.

Eu não entendia.

Edward e Jacob continuavam como água e vinho. Eu procurava me manter distante de Jacob quando estava no colégio.

Era melhor assim; sem confusões, sem motivos para quebrar a paz provisória que eu estava tendo.

Em algumas vezes, eu achava que a hostilidade de Jacob e Edward se tratava mais que uma simples traição de Edward ter contado coisas de Jacob para o diretor Turner. Era dessa parte que eu queria fazia questão de saber.

Parecia-me que esse assunto estava ligado a todo resto que Edward fazia o possível para manter escondido de mim.

Na minha frente, meu pai entrou em uma comunidade movimentada.

O céu de Forks estava quase descoberto de nuvens, mas ainda continuava fazer frio. As pessoas dali pareciam não se importar. Andavam pela a praia com algumas poucas roupas, aproveitando o sol raro de Forks.

Depois de alguns segundos seguindo o meu pai por uma estradinha de terra que ficava em frente à praia de La Push, nós entramos na reserva, parando depois de alguns segundos em frente a uma casa vermelha.

A casa não era tão grande, mas nem tão pequena.

Tinha uns dois andares e seu estilo era como uma casa de praia. Uma pequena varando no andar de cima, uma pintura vermelha forte, um pequeno gramado no chão de terra na frente da moradia.

Perguntei-me se já que Billy tinha tanto dinheiro porque ele morava em uma casa como aquela.

Eu sair da minha caminhonete quando na minha frente meu pai saiu do carro de policia dele acompanhado por minha mãe.

Assim que saímos, Jacob surgiu na varanda da casa vermelha com um sorriso largo no rosto – provavelmente sabia que era a gente pela a barulheira constante de minha caminhonete.

- Ei, vocês... – Ele falou animado enquanto avançava a passos largos em nossa direção.

- Ei Jacob. – Cumprimentei com um sorriso pequeno nos lábios.

- Jacob, como vai? – Meu pai cumprimentou cordialmente.

- Vou bem. – Ele respondeu de maneira entusiasmada, sorriu e apontou para a entrada da casa. – Billy esta esperando vocês. Só não saiu para recebê-los porque aquele velho tá com preguiça de rodar a cadeira até aqui. – Jacob brincou e depois bufou, revirando os olhos.

Nós rimos dele.

- Tudo bem. – Charlie concordou. — Bella você vem? – Ele questionou, olhando para mim.

- Na verdade, eu queria dar uma olhada na praia. – Dei de ombros e olhei para Jacob. – Você vem comigo Jacob?

- Claro, claro. – Ele concordou.

- Ótimo, garotos. – Minha mãe falou, logicamente, mais animada – Vão lá, mas não se esqueçam de voltar para comer.

- Mãe. – Revirei os olhos.

Rindo de mim, os dois começaram a se direcionar para casa de Billy.

- Vamos? – Jacob perguntou quando os dois já tinham se afastado.

Coloquei as mãos no bolso do meu casaco e dei de ombros.

- Vamos. – Concordei.

Eu tinha um objetivo para pedir para Jacob me acompanhar. Esperava que eu estivesse pensando desse certo.

Jacob e eu começamos a guiar na direção sul da reserva.

Tudo ali era muito bonito e calmo. A reserva Quileute era composta por várias casinhas parecidas com a casa de Jacob, só que um pouco menor. Havia lojas de venda de pranchas de surf, de óculos para debaixo da água, de acessórios para acampamento, caça e etc.

A praia estava um pouco movimentada e eu também gostei do que vi ali.

Ela era bem parecia com as praias de Jacksonville – só faltando o sol, claro. O mar estava de um azul escuro que se estendia até encontrar com a linha do infinito que eu não conseguia ver. O sol mesmo não estando forte, refletia um pequeno brilho nas ondas que se formavam na água azul.

- Aqui é mesmo bonito. – Elogiei enquanto andava com os pés descalço pela a terra fria e os sapatos na mão.

- È sim. – Jacob concordou satisfeito com o elogio. — Fica mais bonito quando o céu realmente não tem uma nuvem escondendo o sol.

Eu olhei para ele com uma sobrancelha levantada, duvidosa de que se alguma vez aquilo que ele falava era possível.

- Oh! Sim, eu acho realmente que é muito normal haver um céu sem nuvens escuras aqui em Forks. – Comentei sarcástica e ele riu.

- Ei, você nunca veio aqui em dias de verão. – Ele reclamou, fingindo aborrecimento.

Eu ri; pus as mãos no bolso e olhei para o horizonte.

- Faz muito tempo que você mora aqui? – Perguntei ao acaso, só para ter algo para conversar.

- Sim, desde que nasci. Conheço essas regiões como a palma da minha mão. – Vanglorio-se, riu e pôs as mãos no bolso do casaco, de repente pensativo com algo. – As pessoas aqui confiam muito no meu pai e também... – Ele parou, abruptamente, como se estivesse falando demais.

- E também? – Perguntei especulativa, esperando que ele prosseguisse com a frase.

- Em nada demais. – Ele falou rapidamente e olhou para frente. – Vamos nos sentar ali.

Antes que eu pudesse protestar, ele começou a andar mais rápido em direção a um tronco de uma arvore enorme que serpenteava pelo o chão, servindo de um confortável banco.

Resignada por saber que talvez ele fosse me contar algo que justamente tiraria as minhas duvidas, comecei a segui-lo. Ele se sentou no banco, encostando-se na arvore e eu me sentei na ponta, um pouco distante dele.

Um dos motivos de eu ter pedido a Jacob para vim comigo era porque ele sabia tanto de alguma história que Edward estaria me escondendo como qualquer outro próximo a ele. Afinal, os dois foram melhores amigos no passado e se havia algum segredo por ai, eu tinha certeza de que Jacob poderia saber.

O problema era saber se ele iria me contar.

Eu teria que fazer uma tentativa.

- Como alguém pode mudar tanto em dois lugares? – Perguntei para ele, começando o meu jogo de palavras para chegar onde queria.

Falar sobre o comportamento dele no colégio poderia ser um bom inicio para me fazer chegar a algum lugar.

- Como assim? – Ele perguntou confuso, encostando os ombros ainda mais no tronco da arvore enquanto seus olhos se estreitavam para ver o mar

- Você. – Bufei. – Aqui você é extremamente legal. Não dar nem para fazer uma assimilação com o Jacob chato e violento do que é no colégio.

- Eu não sou chato e violento no colégio. – Ele reclamou, fazendo um bico pequeno em seus lábios carnudos. – Eu sou apenas com os novatos. – Adicionou com entusiasmo, virou a cabeça para mim e sorriu. – Mas, em geral, eu sou legal. As pessoas gostam de mim lá tanto quanto gostam do seu namoradinho. – Ironizou, fazendo uma careta.

Revirei os olhos com o tom de deboche que ele usou na última parte. Aquilo poderia ser uma boa oportunidade para entrar no assunto que queria.

- Eu não entendo porque você e Edward brigam tanto. –Sacudi a cabeça, fingindo muita resignação. — Ele me disse que vocês eram amigos no passado.

- Claro que ele disse. – Debochou e depois se encostou ao banco, com os olhos fixos no mar azul na nossa frente. – Nós éramos amigos sim, mas Edward me traiu.

- Traiu contando o que você ia fazer de ruim para o Diretor Turner. – Exemplifiquei bem sua frase distorcida.

Ele comprimiu os lábios e eu percebi sua expressão ficando um pouco mais séria.

- Aposto que ele contou apenas a metade da história. – Sua voz saiu ríspida.

- Metade da história? – Pigarreei, afastando-me um pouco para mais perto dele. — O que está faltando?- Perguntei curiosa.

Ele finalmente tirou os olhos do mar e olhou para mim com as sobrancelhas franzidas sobre os olhos escuros.

- Bella, se ele não contou nada é porque não é para ser contado. – Sua voz saiu cuidadosa.

Suspirei impaciente.

- Jacob, isso tem alguma coisa a ver por ele ser tão cauteloso ao eu saber sobre as coisas dele? Sobre as coisas da gangue? – Perguntei ansiosa, ignorando a negação dele.

Ele suspirou e abaixou a cabeça, começando a mexer, distraído, com o pé na areia. Eu podia sentir que ele estava hesitante – como todo mundo sempre estava – para me falar sobre o assunto.

- Eu vou lá saber, Bella. – Resmungou. — Não sou eu que sou namorada dele. – Lançou um olhar inquisidor e debochado para mim.

Eu fiz uma careta feia para ele e depois bufei, voltando minha atenção para o mar enquanto pensava em um jeito de fazê-lo mudar de idéia. Não demorou nem cinco segundos para eu começar a falar novamente.

- Sabe, Jake, você deveria me falar o que sabe. – Insistir, resignada. — Eu só queria saber o que é tanto esse segredo. Eu sei que pode ter alguma coisa a ver com o grupo em que você se integrou quando ele contou sobre você para o diretor Turner. Eu fiz perguntas sobre esse grupo para Edward, mas ele nunca me fala. Você poderia ser mais compreensivo comigo e falar já que você e Edward não são...

- Bella. – Ele me interrompeu, irritado. – Você venceu. – Levantou as mãos, exasperado.

Sorri vitoriosa com sua desistência. Eu sabia que tagarelice era uma boa arma com Jacob. Ele não parecia ser um garoto para agüentar muitas insistências irritantes de garotas.

- Ótimo. – Comecei empolgada antes que ele desistisse de novo. – Então, o que acontece com o Edward? O que aconteceu com vocês no passado que o faz agir assim com tanta cautela comigo no mundo dele? E por que ele sai toda noite com a gangue? – Disparei as perguntas, sentindo-me um pouco aflita.

Jacob revirou os olhos e voltou os olhos para o mar, curvando-se e apoiando os cotovelos na perna. Ele manteve sua expressão lívida quando começou a contar a história. Sua voz estava um pouco mais seca, quase em reflexo com alguma coisa agourenta que ele pensava em sua mente.

- Não se trata do que aconteceu no passado com nós dois, Bella. – Ele começou com a voz pesada, fazendo-me aproximar-me mais dele para ouvir sua voz que se abafava ás vezes com o barulho do mar. – Trata-se de com quem eu trair a amizade dele. Edward e eu éramos bastantes amigos, com certeza. – Ele revirou os olhos como se não acreditasse que um dia isso tivesse acontecido. – Mas, ai eu comecei a andar com outra gangue que era uma das mais odiadas por Edward.

Franzi o cenho com a última frase dele.

- Odiada por ele? – Perguntei ceticamente. – Edward não costuma odiar pessoas. Por mais mal que elas façam.

- Mas, essa ele odiava... – Ele confirmou sem mudar a expressão impassível e vazia. Depois seus olhos se voltaram para mim. – Bella, você sabe que a mãe verdadeira dele foi morta, não é? – Perguntou.

Eu assenti, mas não sabia se ele esperava mesmo uma resposta quando voltou a face para ver o mar.

- Ele me disse que ela morreu por falta de dinheiro, que eles moravam na rua. – Minha voz falhou na última palavra.

Pelo o lado que eu via do rosto de Jacob, vi os lábios dele se retorcerem em um pequeno sorriso quando eu terminei de falar.

- Não, não foi isso que aconteceu. – Negou, sacudindo a cabeça levemente.

Eu levantei as sobrancelhas, surpresa com a afirmação dele. Como assim não foi isso? Isso fora tudo o que Edward me contara. Como não pode ser verdade?

Eu não esperava que o segredo de Edward pudesse ter alguma coisa a ver com a morte da mãe dele.

- Mas... – Eu comecei a falar.

Antes que eu terminasse, Jacob olhou para mim com os olhos escuros.

- Bella, uma gangue matou a mãe de Edward. – Ele falou, pegando-me desprevenida. Esbugalhei os olhos. – Foi a mesma gangue da qual eu me integrei á uns dois anos atrás. – Continuou, fazendo-me ficar ainda mais espantada.

- Uma gangue matou a mãe dele? – Perguntei incrédula, sabendo que minha boca deveria esta boquiaberta. – E foi nessa que você... – Arfei. – se integrou?

Jacob fechou os olhos por alguns segundos e depois os abriu, voltando-os para o mar escuro. Deu de ombros.

- Sim. – Franziu o cenho, como se tentasse pegar alguma linha de seu raciocínio, ignorando minha atitude anterior. – Edward e a mãe não moravam na rua. Na verdade, Edward me contara que eles tinham uma pequena cabana feita de papelão em alguma comunidade pobre que nem era aqui em Forks.

Ele suspirou e continuou:

- Edward me disse que em um dia qualquer começou haver trocas de tiros entre gangues nessa comunidade. Eu não sei muito da história, só sei que, de repente, naquela noite, a gangue de James entrou na casa dele e matou a mãe dele. – Deu de ombros, como se não soubesse mais que isso. – Claro que Edward era pequeno na época. Tinha uns quatro anos, e ele nunca esqueceu o rosto do assassino. Quando cresceu e foi educado por Carlisle, ele se tornou um cara da paz... – Bufou criticamente. – Como se isso fosse possível no mundo em que a gente vive. – Finalizou com um tom amargo.

Eu respirei fundo quando ele não falou mais nada, jogando uma grande lufada de ar por ter ficado ainda mais espantada com a história de Jacob.

A vida de Edward fora ainda mais difícil do que eu pensara. Mas, por que ele escondeu de mim essa história? Por que ele não me contou?

De qualquer maneira, a história fazia um pouco de sentido por um lado, já que agora eu compreendia porque Edward tinha tanta raiva de Jacob.

O seu melhor amigo, no passado, entrou na gangue do cara da qual matou a mãe dele. Por mais que Edward fosse pacifico, eu sabia que nem Gandhi agüentaria uma coisa dessas.

De repente, me senti com raiva de Jacob.

- Perai. – Eu falei depois de alguns segundos, balançando as mãos. — Então você entrou na gangue do cara que matou a mãe dele? – Eu perguntei irritada.

- Eu não sabia. – Ele falou resignado, cortando meu tom de negação. – Eu não sabia até quando eu disse para Edward qual era a gangue que eu estava e o cara enlouquecer. Ele foi falar no mesmo instante o que James estava aprontando para o Diretor Turner. Nem se importou se eu estava no meio ou não. – A voz de Jacob continuava seca. — Ele deve ter contado essa parte para você. James e a gangue queriam pinchar o colégio todo e transformar mais ainda o colégio em um lixo que já é. Foi ai então que James declarou Edward como seu pior inimigo. Ele anda desaparecido por enquanto e Edward sempre fica alerta para quando ele vem para perto de Forks.

Isso me deixou confusa. Como assim ele anda desaparecido?

Havia algumas brechas nessa história que ainda não tinham respondido as minhas dúvidas. Na verdade, agora, eu estava ainda mais curiosa do que antes.

Respirei vagarosamente, procurando manter o fluxo de perguntas na minha mente devagar enquanto as botava para fora.

- Então... – Comecei; Jacob olhou para mim. – Como isso pode ter alguma coisa a ver com o fato de Edward sair todo dia de noite com a gangue? O que eles fazem?

- Você não entendeu, Bella? James pode ser um perigo para a cidade de Forks. – Jacob sacudiu a cabeça, decepcionado com algo e depois olhou para o mar com os olhos cerrados e frios. – Então, Edward e a gangue dele fazem o possível para destruir gangues que atormentam a civilidade de Forks. Isso principalmente tem a ver com a vigilância. Ele não quer que a gangue de James chegue invisível em Forks. Então toda vez que tem indícios de gangue por ai, eles vão atrás.

Meu coração disparou com as palavras de Jacob. Engoli em seco o nervosismo que surgia dentro de mim.

O que Edward fazia era provavelmente uma coisa arriscada. Eu não podia saber, antes, que era alguma coisa desse tipo. Confesso, vergonhosamente, que no começo eu achava que eles saiam para fazer algo de ruim – como roubar ou até fazer algo pior que isso – mas, é muito mais preocupante para a vida de Edward do que eu pensei.

Ele colocava a vida dele em risco indo atrás de gangues perigosas e a destruindo-as.

- Bella, você está bem? – Jacob perguntou um pouco em pânico.

Eu arfei e fechei os punhos sobre as pernas, procurando manter a calma. Era impossível conseguir isso quando você sabe que a pessoa que você ama está em perigo constante.

Será que era isso, além de tudo, que Edward tinha medo? Pôr-me em risco de alguma forma?

Mesmo com a garganta ainda fechada de medo, eu assenti, acalmando Jacob de que eu estava bem, e me obriguei a fazer as perguntas que ainda rondavam em minha cabeça.

Jacob suspirou quando, eu acho, minha cor voltou ao normal – provavelmente, deve ter ficado mais branca do que o normal quando ele me informou do que Edward fazia – e eu comecei novamente o questionamento.

- Tudo bem. – Engoli em seco. – Edward vai atrás de gangues. – Minha voz saiu engasgada e Jacob fez uma careta, como se não quisesse mais continuar. – Mas, Jacob... – Peguei em seu ombro, mais ansiosa. — Onde eu entro nessa história toda? Por que Edward me mantém fora disso?

Jacob coçou a cabeça, realmente relutando em falar. Quando ele olhou mais uma vez para meus olhos suplicantes, bufou e se rendeu novamente.

- Bella, você não entendeu? Edward quer proteger você de qualquer perigo que isso possa lhe afligir. – Deu de ombros. — James odeia Edward. – Ele enfatizou a palavra de maneira tão dura que me deu arrepios. — Qualquer coisa que possa fazer mal á Edward, é um beneficio para James.

Ao ouvi-lo falar isso, senti um calafrio passando pelo o meu corpo. Não por causa de mim, mas sim pelo o fato de Edward ter um inimigo, que pelo o que Jacob dizia, era totalmente perigoso.

- E por onde esse James anda? – Perguntei em um sussurro. Minha voz saia tensa diante das duvidas respondidas com palavras que eram mais aflitas do que eu podia querer.

- Não sabemos. – Ele deu de ombros. – Nós pensávamos que a gangue que estava fazendo assaltos aqui na Reserva eram eles, mas nos enganamos. Era outro grupo da qual já pegamos. – Ele deu um leve sorriso.

Distrai-me com as palavras deles.

- Pegamos? — Levantei a sobrancelha meio confusa. – Então era por isso que Edward andava saindo a noite? Por que ele estava indo atrás dessa...?

- Não. — Jacob me cortou bruscamente como se parecesse meio emburrado com o meu comentário. – A gangue de Edward não entra na nossa reserva. Quem destruiu a gangue que estava assaltando aqui fomos nós.

- Nós? – Perguntei incrédula. — Quer dizer que você também é da... – Franzi o cenho, confusa com as palavras. – Paz?

Senti-me uma tola falando isso. Nem de longe o que ele faziam era alguma questão de paz. Tudo bem que era algo do bem, que protegia a cidade, mas mesmo assim, era algo violento. Algo que poderia machucá-los rapidamente.

Ele sorriu, desanuviando sua face séria para uma mais divertida.

- Você não acredita que eu seja bom, não é? – Perguntou desafiante.

- Pelo o que eu vi no começo dos meus dias aqui, não. – Fui direta, dando de ombros.

- Bella, eu não sou mal. – Sacudiu a cabeça negativamente de um lado para outro. – Só costumo mostrar para os novatos quem manda no colégio. Eu também preservo a paz.

- Não parece muito. – Eu falei por debaixo do fôlego, fazendo o possível para ele não ouvir, mas pela a bufada de resignação que ele deu, percebi que não adiantou muito.

Nós ficamos calados por um tempo, enquanto ouvimos as risadas de alguns nadadores que estavam por perto.

Jacob olhava o infinito do mar, concentrado em alguma coisa em seus pensamentos, exatamente como eu estava concentrada nos meus pensamentos assustados.

- Você... – Comecei a falar e ele voltou-se para mim, especulativo quando eu fiquei hesitante. — Você não acha perigoso o que vocês fazem?

Ele retorceu a boca.

- Sim, mas o que nós podemos fazer, Bella? – Perguntou retoricamente, fazendo-me reprimir os lábios. — O mundo em que vivemos não é fácil. Se há um jeito de se proteger, é o que devemos fazer.

- Mas violência só gera violência.

- Bella, nós tentamos ser pacíficos. Mas, tem bandidos por ai que não se importam de fazer o mal. È como se eles fizessem isso apenas por prazer, apenas pelo o puro desejo de matar ou assustar as pessoas. Nós não podemos ser pacíficos com bandidos desse tipo, que tiram vidas de pessoas inocentes.

Eu fiquei espantada com o discurso de Jacob. Nunca imaginei algo assim saindo da boca dele.

- Sei... – Eu comecei irônica, contrastando, na minha cabeça, as palavras dele com as atitudes dele no colégio. – Seria bom se você fizesse isso com quem está no seu lado também.

- Como assim? – Ele perguntou confuso, franzido a testa.

Eu sacudi a cabeça e olhei para ele meio repreensiva.

- Por que agir com violência também no colégio, Jacob? Ou com Edward? Por que tanta hostilidade entre vocês? E por que a gangue de Edward não pode passar pela a reserva?

Jacob bufou diante de minhas palavras e voltou o olhar para o mar, como se não quisesse me encarar.

- Ele e Sam tiveram um desentendimento certa vez. Sam não gosta muito dele. – Ele falou em tom ríspido, rápido demais para que minha mente acompanhasse.

- Sam? Quem é Sam?

- È o líder de nossa gangue. – Ele falou simplesmente, não dando muita importância.

- Eu pensei que fosse você o líder de sua gangue. – Comentei sarcástica, dando um sorriso debochado. – Não é você o todo poderoso do colégio?

- Sim, no colégio eu sou. – Ele sorriu como se quisesse fechar o que o meu sorriso estava insinuando. — Mas, aqui é o Sam é que vigia tudo. Ele sempre fica alerta quando percebe que bandidos estão se aproximando.

Eu revirei os olhos e depois suspirei, apoiando meu cotovelo na perna, desanimada.

Era tão estranho pensar sobre aquilo.

Eu nunca pensei que estaria em uma situação como essa.

Não era como se eles fizessem algo errado. Eles só queriam proteger as pessoas ao seu redor. No entanto, eu não podia deixar de pensar na violência que estava inserido nisso tudo. Era como se fosse uma guerra...

O pior era imaginar Edward dentro dessas “guerras” de gangues.

- Acontece freqüentemente briga entre gangues? – Perguntei curiosa, querendo analisar o quanto de perigo que Edward estava enfrentando.

- Às vezes, mas ás vezes é bem demorado para haver alguém para a gente enfrentar. – Jacob falou com descaso, como se realmente não se importasse.

Eu olhei para o rosto dele, tentando ler sua expressão. Ele estava totalmente calmo, olhando para o mar na sua frente enquanto mexia com a boca de uma maneira engraçada. Perguntava-me porque ele estava naquela vida quando tinha tantas outras opções.

Ele tinha dinheiro, não tinha? Não precisava ficar inserido nisso tudo, certo?

Ao contrario de Edward, ele tinha escolhas.

- Jacob porque você não sai dessa vida? – Perguntei de repente. — Digo, você tem dinheiro, tem tudo. Pode se mudar para uma escola particular; pode ter um futuro mais decente do que ficar correndo atrás de gangues... Por quê? – Sacudi a cabeça, não compreendendo as razões dele por trás daquilo.

Ele deu um sorriso esticado sobre os lábios morenos.

- Não. – Sacudiu a cabeça vagarosamente, parecendo mais leve em seu humor. — Eu me sinto mais seguro como eu estou. Eu gosto de participar da gangue de Sam. – Ele suspirou e desviou os olhos pretos do mar para me fitar. – Bella, as pessoas têm necessidades de proteger quem gosta. Às vezes não é nada fácil vivermos como vivemos, mas tudo simplesmente acontece. – Deu de ombros. — Não podemos deixar pessoas egoístas sair por ai, matando a torto e a direito quem não merece morrer. A policia quase não sabe de nada sobre isso. A única solução para acabar de vez com isso, são grupos que lutam por um pouco de paz.

Eu entortei os lábios em um sorriso pequeno. Jacob Black, afinal, era alguém preocupado com os outros. Isso era algo incomum de pensar sobre ele. Ainda não estava acostumada com essa nova face dele.

- Proteger quem se ama, hã? – Eu perguntei, levando meus pensamentos para um lado mais preocupado da minha mente. – Deve ser isso que Edward está tentando fazer comigo, não é? – Eu falei baixo.

Não sei se falava aquilo para mim mesma ou também para Jacob. De qualquer maneira, ele ficou calado com o meu comentário — isso devia ser uma afirmação.

- Jacob. – Chamei-o depois de um tempo de silêncio.

Ele virou o rosto para me fitar. Olhei para ele séria, focando-me a perguntar a dúvida principal e mais assustadora.

Meu tom saiu em sussurro, como se eu contasse um segredo, quando voltei a falar.

- Você acha que James pode voltar?

Ele deu um sorriso malicioso.

- Sim, com certeza. – Afirmou com veemência, como se tivesse todas as certezas inimagináveis. Aquilo me fez engoli em seco. — James não é de deixar inimigos sem troco. Ele é bastante temido, Bella. Agora, principalmente agora, ele tem contas para acertar com Edward.

- Por quê? Tem algo além de Edward ter denunciado ele para o diretor Turner? – Perguntei confusa.

- Sim. Ano passado, James voltou para Forks. Edward ficou sabendo e tentou ao máximo ficar distante dele ou ao menos, manter as pessoas que ele gosta longe. Mas, claro que James veio para se vingar do que Edward fez com ele.

Ele sacudiu a cabeça, reprovando algo antes de recomeçar a falar.

- Certa vez, James tentou seqüestrar a irmã de Edward, Alice...

Um frio percorreu meu corpo quando eu pensei na indefesa e frágil Alice. A pequena garota que já estava se tornando importante para mim. Parecia tão surreal imaginá-la também envolvida nisso tudo.

- Então, houve uma grande briga entre as duas gangues. – Jacob continuou. — Edward conseguiu proteger Alice, mas um dos seus amigos saiu morto e dois amigos do grupo de James também saíram mortos.

- Mortos? – Perguntei incrédula. — Eu não acredito nisso. Isso... Isso é tão perigoso. – Sussurrei, abaixando a cabeça para o meu pé enterrado na areia e incapaz de parar de pensar que Edward corria o mesmo risco.

- Então saia de perto... – Jacob falou em um tom ácido.

Eu olhei para ele confusa com o tom que ele adquirira. Ele olhava para mim um pouco irritado, como se não estivesse gostando de minha critica.

- Eu não vou sair de perto. – Eu falei meio raivosa com suas palavras, de repente, afiadas. — Não, eu não posso. Eu gosto do Edward, Jacob. Isso não parece me assustar mais do que saber que eu tenha que me separar dele ou que ele é o que corre mais perigo.

Ele fixou os olhos pretos em cima de mim, procurando alguma coisa. Analisou meu rosto por um tempo longo demais, depois cerrou os olhos, sério demais.

- Bella... – Começou devagar. — Da próxima vez que James voltar, ele com certeza vai tentar infligir Edward de todas as maneiras que ele consegui. E não há mais nada que inflija um ser humano, que machuque um ser um humano, do que pôr quem se ama em perigo. – Franziu os cenhos, ainda me olhando. – Você entende o que eu quero dizer?

Pisquei um pouco os olhos e franzi os lábios. Quando o olhar sério de Jacob se tornou pesado demais para mim, eu olhei para o mar.

Eu sabia do que ele estava falando. E entendia perfeitamente o que aquilo queria dizer. Eu também estava em perigo por ser quem Edward ama.

Engoli em seco com o terror que se instalava em minha cabeça. O meu namoro com Edward estava se tornando ainda mais conflituoso do que eu queria.

Mas, eu não iria desisti.

- Entendo... – Eu sussurrei, evitando olhar para ele. – Mas, eu gosto dele demais para... Pensar em me afastar. – Contrair-me diante das palavras.

Jacob ficou um tempo calado, e eu sentia seus olhos confusos sobre mim.

- È, eu estou vendo isso. – Ele resmungou baixo depois de um tempo e voltou a face para a mesma linha de visão que a minha.

Apesar da preocupação que se instalava em meu coração nesse momento, eu me obriguei a dar um leve sorriso de agradecimento.

- Obrigada Jacob. – Eu falei um pouco mais suave. – Obrigada por me contar a história. Por deixar tudo mais claro. Por me fazer entender porque Edward hesita tanto em me ver ao lado dele.

Ele deu de ombros e abriu um sorriso espaçoso nos lábios.

- Eu sou seu amigo agora, e sinceramente, acho um erro Edward lhe esconder essas coisas.

- Ele só não quer me assustar. – Sussurrei em defesa de Edward.

Eu sabia, eu já o conhecia o bastante para entender que era isso que ele estava tentando fazer não me contando a verdade. Mas, agora eu sabia, e iria deixar claro para ele que nem isso me afastaria dele.

Do meu lado, Jacob franziu a testa, olhando para mim, enquanto eu sorria para ele. Ele parecia confuso sobre algo e eu não fiz esforço para lhe perguntar sobre o que era.

- Bella, Jacob.

Jacob e eu viramos os rostos para encarar Renée quando a ouvimos chamar atrás da gente. Ela tinha um sorriso animado no rosto quando encontrou nossos olhos.

- Vocês se esqueceram da hora? Já está na hora do almoço, venham. – Chamou animada, gesticulando um “venha” com a mão.

- Oh! Sim, claro. — Revirei os olhos quando vi o entusiasmo da minha mãe.

Apostava que ela só tinha vindo aqui para ver como estávamos no saindo. Eu conhecia minha Renée o bastante para saber que era isso.

Jacob se levantou em um pulo e ergueu a mão grande para me ajudar. Eu pus a mão na dele e me levantei com o seu apoio, dando-lhe um sorriso de agradecimento.

- Bella... – Ele sussurrou, baixo demais para que minha pudesse escutar, antes que nos virássemos para ir. – Você sabe que isso não deve ser dito para ninguém, certo?

- O que? – Perguntei confusa.

- Primeiro, não conte para Edward que eu lhe contei a história dele, provavelmente ele vai querer me matar... E segundo, essa historia de gangue, Ninguém. Deve. Saber. – Ele falou pausadamente, destacando cada palavra, tornado-a ainda mais um aviso.

- Por quê? – Perguntei confusa. – Não seria mais fácil para o meu pai saber que há alguém que está ajudando a policia a se livrar desses bandidos?

Ele comprimiu os lábios, parecendo um pouco desconfortável com a conversa.

- Não. Isso é coisa nossa. A polícia não quer saber de nada sobre isso.

Não entendi a maneira que ele falou, mas decidi que devia um favor a Jake. Ele tirou todas as dúvidas que eu tinha.

Suspirei contrariada e assenti para Jacob que esperava uma resposta minha.

- Ei, vamos. – Minha mãe nos chamou novamente.

Revirei os olhos com a pressa dela e Jacob sorriu.

- Vamos. – Ele afirmou, se endireitando e começando a andar na areia fria.

Nós três começamos a seguir em direção á casa de Jacob.

Apesar de preocupada com tudo o que Jacob me deu para pensar, a hora do almoço foi bem confortável.

Minha mãe quase me obrigou a sentar ao lado de Jacob. Isso não me incomodou – não mais – Jacob estava mostrando que realmente não era o monstro que eu pensei que ele era.

A conversa fluiu fluentemente na mesa enquanto almoçamos. No entanto, várias vezes, eu me via presa em outra conversa; a que eu tivera com Jacob na praia.

A minha preocupação com o perigo que Edward estava se expondo chegava a doer em cada célula minha de tão preocupante que era para mim.

Eu sabia que ele fazia aquilo pelo o bem da comunidade, pelo o bem da população de Forks, e mais uma vez eu me admirava com ele. Mas, pôr a sua vida em risco da maneira que ela esta colocando...

Franzi o cenho para a comida que remexia quando tive o pensamento. Essa questão de gangue era tão inconstante, tão perigosa que me deixava com medo do que poderia acontecer.

- Não vai comer Bella? – Meu pai Charlie perguntou quando eu, em meus pensamentos, apenas ficava mexendo a comida de um lado para o outro.

Acordei de minha conversa interior preocupante e olhei para ele com um sorriso nos lábios.

- Vou, eu só estava pensando em algo. – Dei de ombros.

- Talvez a comida não esteja lhe agradando. – Billy falou brincando, mas eu vi uma preocupação em seus olhos pelo o fato da frase ser verdade.

- Não. – Eu falei um pouco mais alta; não queria que ele pensasse que a comida estava ruim. – A comida está ótima. – Elogiei, dando um sorriso para ele.

- Dêem um tempo para a Bella. – Jake bufou ao meu lado. – Ela parece ser meio lerda para fazer as coisas. – Ele brincou e soltou uma risada gutural e divertida.

Os que estavam na cozinha o acompanharam, esquecendo-se de mim um pouco. Eu olhei para Jacob e lancei um olhar de agradecimento; ele sabia que eu devia está pensando em algo restrito demais para ser dito ali.

- Na verdade é mesmo... – Minha mãe completou a afirmação de Jacob quando todos pararam de rir e eu bufei, colocando uma garfada de comida na boca. – A Bella é meio lerda fazer as coisas.

Todos riram enquanto eu rugia baixo para o prato na minha frente. Agora tinha virado piada, ótimo!

Um silêncio se prevaleceu por alguns segundos enquanto eu tentava manter minha cabeça concentrada naquele momento. Eu não queria dar motivos mais para minha mãe pensar que alguma coisa estava me preocupando.

De repente, meu pai quebrou o silêncio.

- Jacob, eu soube que você estuda na mesma escola que Bella. È verdade? – Ele perguntou como se não estivesse muito interessado, mas eu conhecia Charlie para dizer que ele estava bastante interessado.

Eu franzi o cenho, olhando para a comida no meu prato enquanto fingia não está ouvindo a conversa.

- È, eu estudo. – Jacob falou despreocupado ao meu lado.

- Bella nunca comentou nada sobre isso com a gente. – Minha mãe falou, lançando um olhar confuso em minha direção.

Eu dei de ombros, fingindo pouco caso.

- Achei que não fosse importante.

- Então vocês se conheciam antes de se conhecerem na nossa casa? – Meu pai perguntou, parecendo imparcial sobre o assunto. – Por que nunca nos falaram?

Jacob pigarreou, fingindo está engolido algo que estava prestes a lhe engasgar e lançou um olhar furtivo em minha direção.

Eu sabia que ele não queria que meus pais soubessem que ele fora motivo de estresse para mim nos meus primeiros dias de aula. Aliás, isso compreendia também o motivo de Jacob ter sido do jeito que era comigo no começo; Edward.

Então, era melhor mentir e não entrar nesse assunto. Por mim, por Edward e por Jacob.

- Não, eu não conhecia Jacob. – Dei de ombros, baixando os olhos para a comida enquanto falava. — Eu nunca o tinha visto no colégio.

- Aaah. – Meu pai exclamou, franzido o cenho.

Imaginei que ele estava pensando o quanto aquilo era um pouco contraditório já que o colégio não era uma coisa das muito grandes.

- Esses jovens de hoje são bastante desatentos... – Billy falou brincalhão, interrompendo os pensamentos de Charlie e depois lançou um olhar meio cuidadoso em minha direção, como se estivesse vendo a mentira em meus olhos.

Eu fiquei meio em pânico. Será que Jacob havia falado alguma coisa para ele?

- Hmm, é mesmo. – Charlie começou. — Na verdade eu sou meio culpado por Bella agir imparcial naquele colégio. Eu não quero que ela se socialize com nenhum deles. È perigoso demais. – Meu pai explicou.

- È? – Billy perguntou parecendo curioso e depois lançou outro olhar subjetivo em minha direção. – Você não fez nenhum amigo na escola Bella? – Ele perguntou como se quisesse tirar alguma confirmação para alguma duvida dele.

Os três pares de olhares me fitaram com a pergunta. Minha mãe de repente estava alerta, meu pai preocupado e Billy inquisidor. O único que não me olhou e que se manteve normal foi o Jacob, que provavelmente não queria me entregar pelo o olhar que me lançaria.

Pigarreei e engoli em seco, bufando para dizer que aquilo não fazia parte dos meus planos.

- Claro... Que não. – Minha voz saiu um pouco fraca, e eu sorrir, tentando ser convincente. – As pessoas daquela escola são perigosas demais. — Afirmei, fazendo eco as palavras de Charlie.

Minha mãe suspirou aliviada com minha afirmação.

- Ainda bem, eu enfartaria se soubesse que você está tendo amigos como criminosos. – Ela sacudiu a cabeça e voltou o olhar para Jacob. – Isso me faz perguntar se por que Jacob estuda lá já que tem dinheiro para uma escola melhor?

Jacob pareceu meio tenso ao meu lado ao ouvir a pergunta.

Minha mãe estava certa; se ele tinha dinheiro para uma escola normal, por que ele não mudava para uma?

Mas, eu sabia a resposta e sabia que essa resposta não agradaria a minha mãe se fosse dita.

Antes que Jacob pudesse fala alguma coisa, Billy interrompeu, parecendo meio ansioso – ele também devia querer esconder do amigo policial a gangue que o filho tinha. Mesmo que essa fosse para fazer o bem.

- Jacob é um garoto simples demais. – Billy falou com a voz gutural. – Ele não agüenta as frescuras dos alunos de uma escola particular. – Deu de ombros.

Como se eles tivessem ensaiado, meu pai e minha mãe riram satisfeitos para Jacob. Rico, bonito e simples. Era tudo o que eles queriam para mim.

O pensamento fez minha garganta se fechar de angústia.

- Ótimo. Jacob é um bom garoto. – Meu pai comentou sorridente, mas logo sua expressão ficou séria. – Não poderia dizer dos outros garotos que estudam naquele colégio. Eles arrumam algumas confusões de vez em quando e eu tenho medo de Bella estudando lá.

Minha mãe pôs as mãos nos ombros de Charlie, como se quisesse acalmá-lo, enquanto eu engolia em seco novamente com o comentário e Jacob ficava tenso ao meu lado.

- Veja pelo o lado bom querido. – Minha mãe começou com a voz animada. – Pelo o menos Bella, agora, tem um amigo de bom exemplo para protegê-la naquele colégio. – Seus olhos se voltaram para Jacob. – Você pode protegê-la, não é Jacob?

Meus dentes trincaram quando eu voltei a face para a comida. Eu não queria que eles vissem minha expressão de desgosto com esse comentário.

Eu já tinha alguém que me protegesse e doía saber que meus pais não gostavam dele tanto quanto gostavam de Jacob.

Só pelas as palavras deles, as palavras de que queriam me manter longe do pessoal daquele colégio, dizia que eles nunca aceitariam meu relacionamento com Edward.

Jacob demorou a responder a pergunta, mas rapidamente veio com uma voz falsamente animada – para mim, pelo menos.

- Claro. Bella não sai de debaixo dos meus olhos naquele colégio. – Sorriu, mas eu podia ver a falsidade das palavras dele.

Ele sabia que isso era algo da qual eu não gostava.

Meus pais sorriram satisfeitos em nossa direção como se vissem ali algum futuro que eles planejavam para mim se reconstruindo.

Isso me dava ânsias de tanto medo que eu sentia. Cada vez mais se tornava mais difícil para eu acreditar que um dia eles poderiam aceitar Edward. Principalmente agora que eu descobrira que ele tinha uma gangue bastante ativa na cidade.

Charlie não ficaria contente com isso se soubesse.

Isso só me fazia adiar ainda mais o dia de contar a verdade para eles.

Quando me senti melancólica demais para continuar na mesa, eu olhei para Jacob, fingindo um sorriso.

- Jacob. – Eu falei de repente, não agüentando mais pensar no assunto na frente do meu pai e da minha mãe. – Você já terminou ai? Eu soube que você é um bom mecânico e concertou aquela minha caminhonete. Poderia dar uma checada nela? Ela está fazendo um barulho terrível. – Eu olhei para ele, quase implorativa.

Ele olhou para mim, entendendo o recado.

- Claro, claro. Eu já terminei aqui.

Ele sorriu e eu vi ali um verdadeiro sorriso de companheirismo.

Por ele está agindo dessa maneira, eu vi que não me arrependi de está me aproximando dele.

Mesmo que isso levasse a meus pais uma idéia diferente sobre a gente, eu não queria que isso impusesse de eu conhecer Jacob melhor e até, quem sabe um dia, fazer com que ele e Edward sejam amigos novamente.

Eu sorri de volta, agradecendo por ele entender minha súplica de sair daquela mesa.

- Pode desligar. – Jacob gritou do lado de fora, enquanto eu estava dentro da minha picape, ligando-a e desligando-a para que ele pudesse ouvir o barulho.

Assim que ele deu aquela ordem, eu girei a chave na ignição e desliguei a picape, fazendo um silêncio agradável predominar no local.

Quando eu ele não gritou novamente para que eu ligasse, sair do carro e fui frente da caminhonete onde ele mexia em alguma coisa.

- E ai? Tem concerto ou eu vou ter que ficar ouvido essa barulheira o tempo todo? – Eu perguntei quando encontrei Jacob debruçado sobre o motor do carro, tentando concertar alguma coisa.

- Não. – Ele falou distraído, concentrado demais no que fazia. – È apenas algo pedindo para ser ajustado. Mesmo assim, o barulho continuará, mesmo que mais fraco. – Sua voz parecia debochada ao falar isso.

Eu bufei com o sarcasmo em suas palavras. Ele sabia, assim como eu, que aquela caminhonete não era lá das melhores.

- Bella, esse carro está velho demais, você esperava o que? – Lançou um olhar especulativo para mim.

- Na verdade... – Eu sorri. — Eu não esperava que você conseguisse diminuir o barulho dela. Fico feliz que pelo menos isso possa ser feito.

Ele sorriu e ficou ereto. Fechou o capô do carro e olhou para mim com um sorriso branco que contrastava na sua pele morena.

- Pronto. – Deu de ombros. – Procurei fazer o possível para ela não ser tão chamativa. Mas, não foi muita coisa. – Fez uma careta.

- Obrigada Jake. – Agradeci.

Ele limpou as suas mãos sujas de graxa em um pano que tinha em seu bolso do short caramelo, com uma expressão mais seria, parecendo pensar em algo que lhe deixava com uma vinca de preocupação.

- Você realmente queria sair daquela mesa, não é? – Perguntou depois de um tempo, voltando um olhar curioso e sério em minha direção.

Eu suspirei pesadamente e encostei-me carro.

- Sim.

- Por quê? – Ele perguntou, vindo se postar ao meu lado no encosto do carro.

- Não gosto de ouvir o tempo todo que será difícil para mim, fazer com que eles aceitem um dia meu relacionamento com Edward. – Meus olhos foram para o chão enquanto eu falava.

- Entendo... Eles não querem esse futuro para você, certo?

Sacudi a cabeça em negativa, sentindo a tristeza com as palavras dele.

Ele não disse mais nada, talvez não houvesse o que dizer ou talvez ele não quisesse prosseguir com aquela conversa.

- Saber que ele tem uma gangue, mesmo que seja para o bem, dificulta ainda mais as coisas. – Sussurrei.

- Sempre dificulta. – Jacob deu de ombros. – Gangue é sinônimo de confusão. Com certeza Charlie não deixaria você se envolver nisso. – Ele falou com pouco caso.

Eu revirei os olhos.

- Obrigado pelo o apoio moral, Jake. – Usei meu tom irônico, e ele, riu despreocupado.

- Desculpe, apenas sendo realista.

Bufei e depois me lembrei de algo que me deixava preocupada.

- Aliás, você falou alguma coisa de mim para o seu pai? Ele parecia está querendo tirar alguma verdade de mim naquela mesa? – Eu perguntei meio temerosa, lembrando o olhar especulativo que Billy me lançou.

Jacob retorceu a boca e fez uma careta, como se quisesse se desculpar por algo que tinha feito.

- Desculpe-me. – Pediu suplicante. — Isso foi antes de nós tentarmos sermos amigos. Eu disse que você estava namorando o Cullen... – Ele retorceu a cara, ao falar o nome. – Ele não gosta de Edward tanto quanto eu não gosto dele.

- Você acha que ele pode contar algo para o meu pai e minha mãe? – Perguntei em pânico, saindo do encosto do carro e olhando para ele com os esbugalhados.

- Não. – Ele falou despreocupado e bufou. – Relaxa. Billy não vai falar nada. Isso incutiria também muitas revelações sobre mim. Meu pai não quer me deixar exposto, não quer que o seu amigo policial tenha algum motivo para ficar de olho em mim. – Sorriu convincente.

Eu suspirei aliviada e me encostei novamente no carro.

Seria péssimo meu pai e minha mãe descobrirem da boca de Billy sobre Edward e não da minha. Sabia que da boca de Billy, Edward poderia parecer alguém realmente ruim.

- Tudo bem. Isso ao me tranqüiliza um pouco.

- Fico feliz. – Jacob falou animado ao meu lado, soltando um sorriso imenso. – Aliás, esta vendo como as coisas não estão tão difíceis para a gente. Nós estamos sendo amigos. – Sua voz era alta e animada.

- È – Eu concordei, sentindo-me impossível de não sorrir como resposta ao sorriso branco e abrasador dele. – Isso é bom. – Fiz uma careta indiferente. – Agora eu não tenho alguém no meu pé, me enchendo o saco e me chamando de boneca. – Brinquei, revirando os olhos por lembrar o que ele falava para mim antes.

Ele riu sem um pingo de vergonha.

- Desculpe, eu tinha que usar de minhas artimanhas. Sabe como é? – Levantou o queixo, fingindo uma expressão mais maliciosa e divertida.

Eu sorri com sua brincadeira relaxada, e logo fiquei séria.

- È sério, Jacob. Obrigada por melhorar comigo.

- Não é nada, Bella. Nós podemos ser bons amigos. – E como ele falou, ele parecia ter certeza daquilo.

Ele me empurrou levemente no ombro e depois soltou outro sorriso animado.

Eu retribuir, sentindo-me de repente muito aliviada – apesar de ter muitas coisas para me preocupar.

Eu olhei para Jacob e seu sorriso de orelha a orelha mostrou que ele estava verdadeiramente certo.

Nós podíamos ser bons amigos.

Notas finais
Então? O que acharam? Tenso, não é? Eu sei que vocês não devem ficar muito satisfeitas com esse capítulo por causa que Edward *--* não apareceu, mas eu precisava demonstrar esse capítulo. Assim como no original, só Jacob poderia contar a história para Bella. hihi* Bem, bem, bem. Comentem, critiquem, mas mandem reviews:D Aaah sim! Eu posso demorar a postar, mas sempre vem capítulo certo? Então, fiquem sempre atentas porque no proximo tem surpresa. HAHA Beeeeeeeeijos