Aprendendo a Viver.

2 Capítulo 1 - Ao primeiro toque.


Notas iniciais
Sejam bem-vindos ao primeiro capítulo

Espero que gostem

Entediada, eu olhei a paisagem que se passava atrás do vidro do carro que eu estava me movimentando. Por mais que soubesse que aquilo tudo era bonito, não conseguia ver o que realmente era a beleza. Meu humor, exatamente nesse momento, não estava para esse tipo de percepção.

Suspirei e olhei para frente. Meus pais, que estavam no banco da frente do carro, estavam quietos e calados. Eu sabia por que. Ninguém queria a vida que teríamos que levar agora.

Eu tive uma vida perfeita. Tive. Verbo no passado. Agora era uma simples garota de 17 anos, me movimentando em um carro feioso, em direção á uma cidade que nunca ouvira falar, para começar uma vida que não fazia questão de começar.

Como uma vida tão perfeita pode desmoronar tão depressa e em tão pouco tempo?

Eu tinha tudo. Casa grande, um carro perfeito, dinheiro no bolso, as roupas das melhores marcas, sapatos elegantes, uma educação das mais invejadas e tudo mais que fizesse a vida de alguém ser perfeita. E de repente, tudo isso foi para o ralo.

Meu pai, Charlie Swan, era dono de umas das empresas de segurança mais importantes de Jacksonville, Flórida. E de repente ele não era nada. Tudo começou muito rápido. Um dia meu pai era o todo poderoso e no outro simplesmente estava no chão. Não sei muito bem como as coisas aconteceram. Mas, de acordo com o meu pai, tudo corria bem na empresa até misteriosos roubos começarem a acontecer. Isso não teria sido nada se os mesmos não fossem aumentando o valor do roubo a cada vez que acontecia, e ninguém saber de onde via ou quem causava.

Com todo o dinheiro perdido e despesas enormes para pagar, Charlie não conseguiu reerguê-la. Meu pai era um cara teimoso. A empresa fora uma obra do seu suor, do seu trabalho. Ele não queria perdê-la, não queria vendê-la, não queria abandoná-la, continuou no seu posto, tentando reconstruir o que tinha perdido, mas nada foi conseguindo. Pelas as dividas que devia, pelo o dinheiro perdido, acabou perdendo a empresa para justiça. Sem dinheiro. Sem um consolo. Sem nada.

Por um tempo, meu pai e minha mãe se desesperaram. Não tinham mais dinheiro. Todo o dinheiro que tinha nos bancos fora usada para tentar reerguer a empresa. A partir daí começaram a vender as coisas — inclusive as minhas. Poderiam ainda estar desesperados – principalmente porque não havia mais nada para vender, só aquele carro estúpido da qual estávamos nos movendo – se uma oferta de emprego – não emprego, mas trabalho escravo – não aparecesse para o meu pai em uma cidade do interior. Forks, Washigton.

Com todos os contatos que ele tinha, conseguiu com um amigo seu dessa cidade de nome estranha, um emprego de policial – já que ele conhecia todas as regras de segurança – na delegacia da cidade. De acordo com ele, o dinheiro era pouco, mas dava para viver se tivéssemos limites com nossos gastos por um tempo.

Quando ele diz limites ele quer dizer: nada de roupas caras, nada de festa em casa de piscina, nada de uma educação invejável, e nada, porém de mesada.

Suspirei ainda aborrecida. Já dava para ver o inferno de nuvens opacas e pretas de chuvas se formando no céu. Umas das características adoráveis – para não dizer odiáveis – da minha nova e querida – sendo irônica — cidade.

Desviei, entediada o olhar da janela e com outro suspiro voltei a atenção para meu caderno de desenho, onde eu me desenhava em uma estrada sem destino. A pintura, o desenho, fora a única coisa que sobrara da minha antiga e perfeita vida.

- Bella, se você ficar com essa cara, as coisas não vão fluir muito bem. – Ouvi a voz do meu pai na frente.

Sabia que ele tinha ouvido meus suspiros de reclamações no banco de trás.

- Não pai, não vão fluir porque eu estou com essa cara. Simplesmente, não vão fluir porque eu não nasci para essa vida. – Revidei em tom azedo.

Tirei os olhos do desenho e olhei para o retrovisor, vendo seu olhar raivoso em minha direção.

- Você tem que entender que agora essa é sua vida. – Ele falou ríspido.

- Bella, querida... – Minha mãe, Renée, que parecia tão nervosa quanto eu com a nova vida que levaria, falou. – Ao menos esteja feliz que temos ainda algo para viver.

- Migalhas? – Perguntei sarcástica. – OH, nossa, muito bom comparado com a nossa vida antiga.

- Isabella. – Meu pai esbravejou dentro do carro. Trinquei os dentes. – Quando chegamos a Forks, não quero ouvir mais uma reclamação sua. Esta me ouvindo? — Perguntou estressado.

- Òtimo, então me deixem em paz. Ao menos meus talentos para desenhar vocês não tiraram de mim. — Gritei de volta e com a expressão prestes a explodir, voltei ao meu desenho.

Meu pai não falou nada. Quer dizer ninguém falou mais nada durante a viagem toda.

Forks era um tanto longe – novidade – e chuvosa e molhada e fria — nada comparado ao calor intenso de Jacksonville — mas, depois de mais algumas horas de um silêncio tenso dentro do carro, nós chegamos.

Meu pai dirigiu pelas as ruas desertas e desconhecidas daquela cidade pacata. Vi a plaquinha de entrada típica de cidade de interior. Bem vindo a Forks. População 3120. Eu não ia agüentar viver aqui! Não ia.

Sem querer olhar para minha nova e desprezível cidade, voltei a atenção para o desenho.

- Chegamos a nossa casa. – Minha mãe falou depois de alguns minutos.

Sem falar nada, peguei meu caderno, minha bolsa de tiracolo – só não foi vendida porque não tinha ninguém que quisesse comprar – e sair do carro.

Meus pais saíram no mesmo instante que eu. Eu dei a volta no carro e parei do lado deles, olhando boquiaberta a casa terrível que teria que viver.

Era de um andar, primeiramente — a minha antiga casa tinha bem uns quatro andares, além de quartos com suítes e tudo mais. A frente estava pintada em uma cor branca desbotada. Havia uma grama escassa na frente — sinal de que ou aquela casa era abandonada ou o antigo morador não ligava para ela — e os vidros que eu conseguia ver, eram velhos e sujos.

- Parece confortável. – Ouvi minha mãe comentar ao meu lado.

Olhei desdenhosa para ela e ergui uma sobrancelha.

-È horrível. – Comentei sem um pingo de hesitação e balançando a cabeça, comecei a andar em direção a casa.

Meus pais suspirarem atrás de mim, e logo ouvi seus passos me seguindo. Meu pai tomou a minha frente, com o pouco de mala que tinha em suas mãos, e logo chegou à porta de entrada.

- Não tem do que reclamar, Isabella. Graças a Billy, essa casa saiu mais barata do que eu queria. Além de já ter moveis e por onde começarmos a nos adaptar. – Ele comentou como se estivesse respondendo meu comentário anterior.

Dei de ombros. Provavelmente não teria a tela plana que ele gostava. E eu também.

Acertei no palpite. Quando Charlie abriu a porta com minha mãe sempre em suas costas, minha resignação ainda foi maior. A casa era horrível.

Eu me enganara. Havia sim um andar, mas não era bem um andar, era como se fosse uma parte de um único piso de um único cômodo. A sala que estava na minha frente era pequena e amarela. Tinha cômodos sim, mas bem velhos. Pelo menos havia uma televisão. Pude ver um corredor do lado esquerdo e do lado direito uma abertura sem portas para uma cozinha ainda menor que a sala.

- Sejam bem vindas – Meu pai falou e apesar de todo o nosso dilema, parecia um pouco entusiasmado.

- Oh! Querido, é melhor do que eu pensei. Pensei que teríamos que morar em uma caixa de fósforos.

- Eu quero voltar para casa. – Comentei espantada por me ver incapaz de viver ali.

Eu pude meu ver meu pai me olhar com seus olhos febris de raiva. Continha uma atitude que ele estava procurando esconder.

- Isabella... – Sibilou meu nome perto de mim. – A partir de agora, essa é sua casa, essa é sua cidade e o quarto que está lá em cima é o seu. – Gritou quase na minha cara. Trinquei os dentes. – Está me ouvindo, mocinha? – Pareceu ainda mais aborrecido.

- Estou Charlie. – Ele odiava quando eu o chamava pelo o nome.

- Ótimo, agora suba... – Apontou o dedo para a escada, autoritário. – E pare de reclamar. Há pessoas ai bem piores que você, então ao menos fique feliz por ter uma casa.

Sorrir desdenhosa.

- Uma casa dessas, preferia não ter.

Revirei os olhos e antes mesmo que Charlie me segurasse pelos os braços e fizesse algo ainda pior em conseqüência ao que falei me afastei dele, correndo em direção á escada.

Parei antes de subir e olhei para eles. Minha mãe tinha uma expressão triste no rosto, meu pai, uma expressão raivosa.

- Ao menos diga que a escola que eu vou é uma que preste.

- Sinto muito querida... – Minha mãe respondeu. – Não temos dinheiro para pagar uma escola particular. Terá que se acostumar em uma pública até que as coisas melhores.

Sorri sarcástica.

- Ótimo. Do reinado ao poço. – Minha voz saiu mais ácida do que eu pretendia.

Antes que alguém dissesse mais alguma coisa, corri pela a escada já sentindo os meus olhos ficando úmidos. Minha vida estava perdida. Não havia nada do que eu era ali. Nada do que um dia eu fui. Apenas aquela Isabella pobre e sem graça.

Com raiva, entrei no quarto que me esperava. Percebi um relaxamento nos meus músculos ao constatar que não era tão ruim quanto eu pensava — ao menos o quarto.

Tinha uma cama – de solteiro, deixando bem claro. Minha antiga cama era de casal – uma mesinha velha de estudos no canto e um guarda-roupa pequeno de madeira quase caindo aos pedaços em frente a cama. E era só. Não havia mais nada.

Quando eu falei que o quarto era bonzinho, eu não estava me referindo aos moveis. Mas, de como ele era. De alguma forma me lembrava o meu antigo quarto. Em formato de L, com um espaço grande e com duas janelas, que apesar de parecerem bem velhas, davam bem de cara com a rua e o clima detestavelmente frio lá de fora.

Aquilo seria ótimo para minhas pinturas. Meu único mundo particular. Onde eu podia ser o que quiser. Onde eu podia ser a antiga Isabella. Rica e vencedora. Não essa pobretona que era hoje.

Bufei e larguei a bolsa no chão. As lágrimas já não estavam em meu rosto. Apenas o desespero e a decepção assolavam o meu coração. Por que aquilo tudo tinha que acontecer justamente comigo? Ou com meu pai? Sei lá.

Joguei-me na cama e percebi que estava mais cansada do que previa. Meus olhos se fecharam e eu sentia a agonia dentro do meu coração. Amanhã seria pior que hoje. Iria para uma escola onde não conhecia ninguém, uma escola de gente pobre e vagabunda que não queria nada com a vida. Uma escola que com certeza eu não iria consegui me adaptar.

Com o pensamento, foi impossível não deixar cair uma lágrima do meu olho fechado. Principalmente ao ouvir o som de chuva batendo no telhado. O som que seria freqüente nessa minha nova vida.

Eu estava ferrada.

Encolhi-me com a dor no peito e incapaz de não mais chorar. Com isso, percebi depois de quase meia hora derramando lágrimas, a inconsciência chegando.

- Bella, Bella, acorde. – Ouvi uma voz distante me chamar. – Bella, vamos lá, você vai se atrasar. – Um chacoalhado começou no meu corpo.

Instintivamente, me encolhi por não querer ser tirada do sono bom que estava. Sabia o que me esperava se abrisse os olhos.

- Bella, eu não ou mais chamar mais outra vez. Da próxima vez, te jogo no chão. – A voz da minha mãe veio mais nervosa ao pronunciar a ameaça.

Sem vontade, abrir meus olhos — era melhor não testar a paciência dela ou se não meu dia já começaria ruim.

Foi estranho ao abrir eles. Eu esperava que uma luz intensa e amarela atravessasse as janelas, vindo em direção aos meus olhos, fazendo-os arder. Mas, nada disso veio. Apenas uma leve luminosidade que atravessava as nuvens opacas do lado de fora. Eu sabia bem onde eu estava.

- Vamos, está na hora de se arrumar de ir para escola.

Queria que tudo tivesse sido um pesadelo.

- Eu tenho mesmo que ir? – Perguntei ainda incapaz de me levantar.

- Claro que sim. Vamos. – Minha mãe me puxou pelo o braço.

Resmunguei e sentei na borda da cama, desanimada. Totalmente. Não queria ir para uma escola cheia de delinqüentes. Pois era exatamente assim a escolas publicas que eu deveria está indo.

- Querida... – Minha mãe sentou do meu lado ao ver minha “grande” animação. – Desse jeito não vai funcionar.

- Eu não quero que funcione. – Sussurrei. – Quero ao menos voltar à vida que eu tinha antes.

- Bella, seu pai fez de tudo, você sabe disso. Se não viéssemos para cá, provavelmente iríamos parar na rua. – Pôs as mãos nos meus ombros. – Apenas aceite.

Olhei incrédula para ela.

- Mãe, não venha me dando conselhos. Sei exatamente que a senhora se sente do mesmo jeito que eu. Incapaz de viver nesse mundo. Olha só essa casa. Papai poderia ter se esforçado mais, poderia ter encontrado emprego por Jacksonville mesmo. Só não venha me pedir para me acostumar ao um mundo que nunca foi o meu.

Levantei raivosa da cama. Ouvi um suspiro de resignação da minha mãe.

- OK! Bella, eu posso está do mesmo jeito. Mas, não procuro mostrar ao seu pai. Ele está sofrendo tanto quanto você ou eu. Não se trata apenas de sair da vida perfeita que tínhamos Isabella. Trata-se de ele perder uma vida de trabalho de anos para alguém que nem ao menos mostrou a cara.

- OK! Mãe. A senhora encara de um jeito e eu encaro de outro – Retruquei. – Agora, deixe-me ir. Eu vou tomar um banho, para ir para minha adorável escola... – Ironizei. – Eu espero, ao menos, que o banheiro não contenha ratos. – Vociferei.

Frustrada sair do quarto e fui em direção ao banheiro. Pelo o menos não estava seboso e não parecia com um banheiro de estrada.

Entrei, me despi e entrei no chuveiro. Meu coração e minha pele quase pedraram quando a água encostou-se em meu corpo. Era fria demais!

- Merda de lugar. – Gritei raivosa enquanto desligava desesperada o chuveiro, antes que congelasse.

Com os braços ao redor de mim, olhei para cima e percebi o botão do chuveiro elétrico. Ao menos possuía um. Feliz por pelo menos ter isso, estiquei o braço e o liguei.

Satisfeita, abrir o chuveiro. Meu corpo tremeu quando a água ainda fria se encontrou novamente com ele. AAAAH! Droga! Não tinha chuveiro elétrico!

Aborrecida, prestes a tacar fogo naquela casa, tomei um banho recorde. Entrando e saindo da água fria, passando o sabonete no corpo com uma rapidez incrível e passando meu xampu morango com os braços ao meu redor. Terminei o banho quase tendo uma hipotermia.

Ao chegar ao quarto vesti a primeira coisa quente que encontrei. Uma blusa de mangas compridas listrada, uma calça jeans apertada, e um tênis branco. Ainda bem que algumas roupas antigas minhas tinham sido conservadas!

Desci, com a cara mais fechada que poderia consegui.

- Venha tomar café querida. – Minha mãe me chamou da cozinha.

De longe pude ver o café dela — torradas com leite. Revirei os olhos. Nem comida nós tínhamos.

- Estou sem fome. – Eu falei passando direto para a porta de saída.

- Querida, o casaco. – Minha mãe correu até mim com um casaco grosso nas mãos.

Peguei brusca. Sabia que agora aquilo ia ser meu companheiro de todas as horas. As primeiras horas que passei nessa cidade, o clima pareceu não esquentar um grau se quer. Parecia que diminuía a cada vez que eu respirava.

Sair, sem falar nada e sem me despedir. Quando cheguei do lado de fora, percebi que não sabia onde era a maldita escola. Voltei para perguntar a minha mãe, mas ela já estava na porta, me observando com um sorriso no rosto.

Revirei os olhos.

- Quem vai me levar? Cadê o carro?

- Seu pai já foi e levou o carro.

Esbugalhei os olhos.

- Eu vou ter que andar por essa cidade a pés, sem nenhum carro? Sem nem ao menos saber onde ficam as coisas? – Perguntei estressada.

- Sim. – Minha mãe falou calma. Parecia está se divertindo com minha expressão e isso me deixava ainda mais aborrecida. – Mas, você não vai precisar andar muito. O colégio não fica muito longe. È só você andar para aquele lado e perguntar as pessoas onde fica, tenho certeza de que elas saberão lhe informar.

Sorrir, cordialmente irônica.

- Ah! Obrigado, mãe. Sabe acho que as coisas não podem piorar mais do que isso. – Sorri desanimada.

Logo me arrependi de ter dito isso. Gotas frias de chuva começaram a cair sobre minha face. Olhei espantada para o céu e depois para a minha mãe. Ela parecia esconder uma risada.

- Eu odeio essa cidade. – Gritei. – Se não saímos daqui, eu juro, eu fujo. – Minha mãe percebeu a seriedade das minhas palavras e ficou mais séria.

Não esperei ela falar, apenas sair marchando pelo o gramado seco. Comecei a andar na direção que minha mãe apontara. A cidade mais parecia uma cidade fantasma. Por sorte, encontrei um senhor com cara de rabugento que com palavras insignificantes me explicou como chegar ao colégio.

Depois de trinta minutos andando – meu recorde, já que nunca precisei andar mais que dez minutos na minha vida — consegui chegar ao colégio com uma chuva irritantemente fina caindo sobre mim.

Meus olhos arregalaram quando eu vi a escola na minha frente. Não parecia uma escola e sim uma penitenciária – das mais velhas possíveis. O nome da escola era Forks High State. De longe, um pouco distante — já que eu me afastara com medo do que via, com medo de ter que entrar ali — pôde perceber o ambiente, pude perceber o edifício deprimente que se erguia na minha frente.

Eram dois edifícios não muito grandes. A parede da qual tinha o nome do Colégio estava pinchada e cheia de rachaduras. O estacionamento – que tinha pouquíssimos carros, e esses pouquíssimos eram latas velhas e sujas – mais parecia uma entrada para o inferno. Pelo menos, para mim. Na porta de entrada, pude ver ao longe, que estava também cheias de pichações.

O que eu não pude deixar de notar foi os adolescentes que entravam naquela escola. Eram maloqueiros. Gente sem classe. Garotos com cigarros nas mãos, bonés para trás, calças folgadas e blusas longas – típica de vestimenta de dançarinos de Hip Hop. As garotas, mesmo com o frio, vestiam calças apertadas demais ou casacos decotados demais. Algumas tinham cigarros em suas mãos.

Além de tudo, eles eram ruidosos e bagunceiros. Pude ver isso quando um garoto moreno e forte empurrou outro garoto sem dó e riu alto com seus amigos logo depois. Gente sem classe!

Olhei para a minha roupa. Com certeza eles iriam reparar a diferença, e ai, eu seria a atração principal. Coisa que não queria nesse patamar da minha vida, principalmente com aquela gente. Talvez eu não fosse obrigada a entrar naquela escola. Eu poderia simplesmente dar meia volta e vagar por ai enquanto dava a hora de voltar para casa. Mas, vagar por onde? Não tinha por onde vagar nessa cidade fria e vazia.

Eu só não queria ter que entrar lá. Olhar para aquela gente. Ver a diferença de minha vida. Tornar-me uma daquelas também.

Suspirei. Sabia que Charlie saberia se eu não fosse á escola. Algum dia, de qualquer maneira, eu teria que encarar. Charlie não deixaria que eu ficasse sem freqüentar a escola por crise de identidade.

Eu teria que entrar. Então, de cabeça abaixada, o mais possível que conseguia, e resignada coloquei o capuz do meu casaco na cabeça. Procurando me esconder ao máximo, comecei a andar a passos leves em direção á entrada do colégio.

Tudo se saiu bem nos primeiros 10 segundos que eu andei pelo o estacionamento, até alguém notar as minhas roupas e também minha expressão temerosa e começar a comentar. Foi como se todo mundo agora estivesse me percebendo ali. Todos me olhavam com as expressões fechadas. Eu podia ouvir as piadinhas sem graça, como: “Olha a garota nova riquinha ai” ou “Caiu do cavalo, princesa.” Achei que poderia chorar a qualquer momento. Então, para não pagar mico na frente daquelas pessoas, comecei a andar pelo o estacionamento a passos mais largos, ainda ouvindo certas chacotas atrás de mim.

Pela a cidade pequena e pela a escola, seria comum que eles soubessem da chegada de uma novata. Principalmente uma que teve vida boa e caíra para o mesmo nível que eles.

Com ainda mais pesar, cheguei à porta de entrada do prédio do colégio. Sabia que agora vinha a pior parte. O corredor estaria apinhado de alunos. E a única coisa que eu não queria era que eles parassem para me olhar, para olhar a minha desgraça.

Suspirei. Queria olhar para trás para ver se alguém ainda olhava para mim, mas fui incapaz. Sentia os olhares nas minhas costas e eu não queria ter que encará-los.

Com resignação, quando pus as mãos na porta para passar, senti mãos fortes agarrando o meu braço.

Viraram-me bruscamente e eu podia sentir o pânico no meu rosto. O que estava acontecendo?

- Olha só, carne nova.

Um moreno alto — o mesmo que eu vira empurrando o outro garoto na entrada do colégio – com olhos pretos que mais pareciam de uma águia, forte, que só ao olhar para os seus músculos descobertos de qualquer casaco me deram medo, e um sorriso malicioso nos lábios, falou.

- Me solta. – Balbuciei, tentando tirar meu braço de suas mãos que se fechavam feito torniquetes em meu braço fino.

- E bem, você é bem bonitinha. – Ele chegou perto de mim, me cheirando.

- Me solta. — Sibilei raivosa.

- E nervosinha também. – Ele falou sarcástico e rapidamente sua outra mão foi para o meu outro braço, me agarrando e me fazendo chegar mais perto dele, quando eu me debatia contra suas mãos. – Não permito que falem assim comigo... – Sua voz era calma, mas havia um tom de ameaça por trás dela. – Nem mesmo uma patricinha como você. – Seu tom foi ácido ao pronunciar isso. Senti meu corpo estremecer.

Os amigos deles riram atrás com o comentário. Eles eram fortes e altos exatamente como o que estava me segurando.

- Me solta. – Sibilei, sentindo novamente as lágrimas tentando sair dos meus olhos.

- Vai chorar? Own, não foi minha intenção. – Sua voz estava sarcástica, alfinetando ainda mais minhas glândulas lagrimais.

Podia sentir a escola em peso olhando para mim. Sabia que meus olhos estavam marejados e minha pele corada feito um tomate.

- Só me solte, seu idiota. – Grite mais alto, com a voz embargada, tentando empurrá-lo.

Ele sorriu mais e me puxou para perto, quase colidindo nossos corpos.

- Sabe que você me dar tensão. – Ele falou malicioso, fazendo-me fungar, quase colocando para fora as lagrimas que segurava. Que garoto nojento!

- Solta ela, Jacob. – Uma voz firme e rouca esbravejou atrás de mim.

Quis olhar para ver quem era, mas os braços do garoto me seguravam com tamanha força que se tornava até difícil respirar.

Um sorriso saiu dos lábios do garoto a minha frente.

- Cullen? È melhor você não se meter nisso aqui, garotinho.

Senti uma aproximação nas minhas costas e não entendi quando o meu corpo se arrepiou um pouco com o corpo que chegara próximo.

- Eu disse... Solta ela, Jacob. – A voz saiu fria e ameaçadora. Tão ameaçadora que até em mim deu medo.

Jacob – o infeliz que fazia meu dia ficar ainda pior — não soltou, mas logo eu senti outras mãos fortes me pegarem pela a cintura e me puxarem com força, conseguindo desfazer as mãos fortes de Jacob do meu braço.

Os olhos pretos do mesmo pareceram escurecer ainda mais enquanto ele fitava ainda o garoto desconhecido atrás de mim.

- Edward Cullen, eu acho melhor você não se meter em meu encalço, ou vai ser ver comigo. Devolva-me a garota. – Jacob sibilou.

- Sai daqui e não terá problemas. – A voz saiu firme atrás de mim.

Vi-me encolhendo para mais perto do garoto quando Jacob tentou pegar o meu braço. Com rapidez, o garoto me passou para suas costas – ele era bem alto. Escondida e com medo, pude ver Jacob rugindo para o seu inimigo.

- O que está havendo aqui? – Um homem moreno, vestindo com um paletó velho, apareceu aborrecido na porta de entrada.

De repente, como um passe de mágica, parecia que tudo tivera sido apenas um filme que eu pude voltar atrás e deixar normal. Pois assim que o cara moreno chegou falando, todo mundo que estava vendo a discussão, se espalhou, conversando abertamente, como se não tivesse nada tivesse acontecido. Jacob e o garoto que me protegia foram os únicos que permaneceram no lugar. A única coisa que vi de diferente foi Jacob esmorecer a expressão perigosa para uma impassível.

Eu ainda estava incapaz de olhar para frente. Então apenas me escondia atrás do meu protetor de rosto desconhecido.

- Nada Diretor Turner. – Ouvi a voz de Jacob. – Só alguns problemas. – Ele olhou raivosa para o garoto protetor.

- Acabem com isso, agora. – A voz do Diretor Turner foi firme. – Vamos, Jacob, me siga.

- Mas, foi ele. – Jacob gritou revoltado.

- Agora. – O diretor foi categórico.

Jacob fechou a cara, olhou para o garoto desconhecido e soltou um sorriso irônico.

- Jacob! – O Sr.Turner gritou.

Jacob ergueu a cabeça e quando o Diretor Turner começou a andar, ele começou a segui-lo. Antes de entrar, parou do lado do meu protetor com os olhos cerrados.

- Sabe que não termina assim, não é? – Não ouvi o outro respondendo. Jacob sorriu e olhou para mim. – È bom seu cuidar. – Soltou um sorriso de arrepiar. – Princesa. – Completou e me olhou dos pés a cabeça, fazendo-me tremer e segurar o braço do garoto que me protegia com força.

- Jacob Black. – O Sr. Turner gritou novamente.

Jacob rugiu e começou a segui-lo. As coisas ficaram paradas por um tempo. Para onde o protetor se mexia, eu me mexia junto com ele. Só fui capaz de relaxar quando vi o tal Jacob sumir na porta.

- Ei, você está bem? – Uma voz preocupada me perguntou enquanto eu não conseguia desviar os olhos do ponto em que Jacob desaparecera.

Portanto, com a voz – bonita muito bonita – fui capaz de acordar. Olhei para o garoto na minha frente que me olhava especulativamente. Não pude deixar de engolir em seco ou me senti surpresa com o que via. O garoto era lindo, absurdamente lindo.

Tinha a face branca, olhos verdes muito expressivos, um rosto bem delineado – queixo firme, boca carnuda, barba crescendo, deixando-o mais másculo, e um nariz levemente torto — cabelos cor de bronze e meio bagunçados, e uma sobrancelha espessa erguida enquanto me fitava confuso. Procurei me lembrar de como respirava antes de tentar responder.

- Ei, você está bem? – Ele perguntou de novo quando eu fui incapaz de responder. Sua voz era rouca e suave.

Balancei a cabeça, tentando acordar do rosto do desconhecido e mostrar para mim o mundo em que eu estava, no que acabara de acontecer ali, e principalmente agradecer ao garoto desconcertante que estava a minha frente.

- Es...estou. – Sussurrei.

Ele pareceu relaxar. Eu não pude deixar de olhar seus músculos por trás de um casaco cinza, um pouco menos grosso que o meu também relaxarem, ou o porte do seu corpo. Nossa, ele era realmente... Nem tinha palavras para definir.

Ele assumiu uma expressão polida, quase indiferente.

- Que bom. – Sua voz estava sem expressividade.

- Err... Obrigada, por tudo. – Dei de ombros. – Parece que ninguém aqui foi capaz de me ajudar. Só você.

Ele não expressou nada. Apenas me olhou com os olhos duros. Não era incomum encontrar olhos daquele jeito no ambiente hostil em que eu estava.

- Apenas se cuide, tá legal? Isabella? È isso? – Perguntou meu nome quase com rispidez.

- Bella. – Corrigi, já sentindo um pouco de raiva por sua indiferença. Quem ele pensa que é? Tudo bem que ele me ajudou. Precisava se tornar assim?

- Certo Bella. – Meu nome foi dito com deboche. – Tenha cuidado, não está em mais uma das suas escolas para riquinhos. O pessoal aqui é perigoso. – Senti meu corpo tremer levemente com o comentário. Perigoso! Era tudo o que eu queria.

Quando eu engoli em seco, sem saber o que falar, ele cerrou olhos e sem dizer mais nada começou a se mover pelo corredor.

- Ei... – Chamei-o e parei procurando lembrar seu nome. – Err..

- Edward. – Ele ajudou quando virou para me encarar.

- Edward. – Completei. – Ele vai ficar no meu pé? – Perguntei temerosa, referindo-me á Jacob.

Ele sorriu um pouco sombrio demais.

- Provavelmente. Mas, se você ceder para ele rápido, ele parara assim como fez com outras meninas. – Sua voz continuava indiferente.

- Você está brincando? – Perguntei com um sorriso irônico. Ele só podia está brincando.

- Não. – Ele falou sério e chegou mais perto de mim.

Tornei-me ereta e senti um desconforto momentâneo quando seus olhos verdes fixaram no meu de maneira intensa. Quase me esquecia de como respirar novamente, engolindo em seco e sentindo minha cor vermelha vi as bochechas.

– Você não conhece Jacob Black. – Ele falou firme.

- Ele também não me conhece. Aliás, nem você.

- Eu sei que você é uma garota mimada e metida à riquinha, que caiu do trono e não consegue ver que não é mais a rainha do mundo.

Meus dentes trincaram com suas palavras frias. Parecia que ele estava cuspindo literalmente as palavras na minha cara. Por um momento comecei a odiá-lo. Porque ele não sabia como era ter que encarar o que eu estava encarando. A mudança repentina de minha vida.

- Não sabe sobre mim. – Consegui falar entre dentes.

- Não. – Sorriu e se afastou. – Mas quer um conselho? È bom não se meter com Jacob. Ou qualquer gente daqui. Eles são perigosos. E sabe, não vou ficar protegendo você.

- Não quero. – Bufei.

- Ótimo. – Sorriu desdenhoso. – Está sozinha – E saiu, sem me deixar dizer mais nada.

Sorrir incrédula para mim mesma enquanto o via se afastar. Que garoto mais ignorante! Tudo bem que me salvou. Mas, eu lhe agradeci e tudo, precisava agir como agiu.

Rugi baixo e olhei em volta. Agora estava perdida. Algumas garotas ainda olhavam para mim com os olhos de invejas e outros garotos pareciam maliciosos. Suspirei, pus o capuz do meu casaco e comecei a andar de cabeça baixa atrás da secretaria.

Bela entrada que eu fiz nesse colégio! Agora todo mundo me conhecia. Também me conheciam no meu antigo colégio, mas não como a patricinha mimada que foi abordada por um maloqueiro qualquer e protegida por um ignorante que nem se quer fez questão do um agradecimento.

Eu sabia que se fosse daquele jeito todos os dias, eu não agüentaria uma semana nesse colégio infernal.

Consegui chegar à secretaria. A secretária até que foi simpática. Diferente dos olhares hostis que me esperavam lá fora. Peguei minha lista de aulas e entediada comecei a andar pelo o corredor. Estava atrasada. Tinha poucos alunos nos corredores e não pude deixar de notar que muitos estavam cheirando algum tipo de droga. Balancei a cabeça e apressei o passo quando alguns me olharam sombrios.

Minha primeira aula era de exatas. Não tinha palavras para definir o quão feio era a sala de aula. Cadeiras quebradas, quadro de giz, paredes rabiscadas com pinturas descascadas, e alunos que não pareciam notar o professor que estava na frente.

O dia passou arrastado enquanto eu passava de sala para sala. Estava com medo de ter que encarar alguma sala em que aquele psicopata do Jacob estava, ou ficava com receio de encontrar Edward pelos os corredores. Pelo o menos, nenhum dos dois casos aconteceu nas primeiras horas.

As aulas eram do mesmo jeito. Professor explicando, alunos brincando, jogando bolas de papeis uns nos outros e ignoração total do professor a frente. Sem contar os olhares em minha direção. Os tinham até olhos violentos, outros nojentos e hostis. Nenhum parecia está gostando da minha presença ali. E eu sabia por que.

Meu jeito, minha aparência, minhas roupas. Tudo era diferente deles. Eu era uma patricinha mimada que caíra do cavalo e só fui parar naquela escola porque não tinha mais para onde ir. Não pude deixar gemer de desgosto ao ter o pensamento. Queria minha vida de volta! Desesperadamente.

Não pude deixar de me surpreender com a aula de inglês. De todas, foi a única em que eu fui capaz de absorver alguma coisa. Os alunos estavam calmos, prestando atenção ao professor que chegara a pouco e relatava alguma coisa. Eu gostei dele. Era atencioso e falava chamando a atenção de todos para o que ele explicava.

O que mais me deixou confusa foi quando ele passou uma anotação no quadro e os alunos estranhamente estarem escrevendo, ele vim até a minha mesa, no final da turma – o local mais longe possível dos outros alunos.

- Você deve ser Isabella Swan. – Comentou quando chegou perto de mim.

- Bella. – Corrigi.

- Tudo bem, Bella. – Ele sorriu compreensivo.

Tinha os cabelos loiros e os olhos castanhos expressivos. Por um momento até me lembrei dos olhos do tal “Edward”.

- Meu nome é Carlisle, professor de Inglês.

Assenti, não sabendo muito que responder. Ele percebeu o meu nervosismo.

- Sei que está nervosa Bella. O ambiente é diferente e você não está acostumada. Mas, eu era assim quando cheguei aqui. Tinha medo deles. Mas, agora não tenho mais. São apenas jovens sem um futuro pré-definido por não terem uma base como você teve. Não sabem o que é certo e errado. – Botou a mão no meu ombro e sorriu. – Então, querida. Só basta entendê-los, ok?

Abrir a boca para falar, mas nada saiu. Então apenas balancei a cabeça e ele sorriu.

- Espere que aproveite a minha aula. – Sorriu mais uma vez e saiu em direção à frente da sala.

- OK! Alunos. Vamos para o mistério do livro o morro dos ventos uivantes. – Ele falou, levantando o livro em sua mão.

Os alunos prestaram mais atenção e eu fiquei no meu canto um pouco confusa. Conseguiria eu me adaptar ali? Eu ia ser difícil. Muito difícil. Isso não era o meu mundo.

Depois da aula de inglês, foi a hora do almoço. Eu ainda sentia os olhares a minha volta e presumia dentro de mim que demoraria muito tempo para que aqueles alunos não me percebessem ali.

Quando cheguei ao refeitório, tudo estava barulhento e bagunçado. Os alunos eram uns arruaceiros enquanto comiam, conversavam e riam alto demais. Com um suspiro resignado, me direcionei para o local onde pegava a comida um pouco hesitante. Formou-se uma fila atrás de mim, eu podia ver o sorriso malicioso da garota que estava atrás de mim.

- Vai comer comida de pobre, madame? – A garota perguntou irônica.

Ignorei, enquanto ela ria ruidosa com sua amiga. Não agüentando ficar ali, sair da fila e peguei uma maça para não manter minha barriga vazia.

Procurei um lugar para me sentar. Tudo estava cheio. Percebi uma cadeira vazia em uma mesa com uma garota que comia sozinha. Direcionei-me para lá e me sentei sem pedir licença.

A garota tirou os olhos da comida e me olhou furiosa.

- O que pensa que está fazendo? – Não me deixou responder. – Vai, passa fora. Nenhuma patricinha senta comigo.

- Mas...

Ela se levantou, com o rosto vermelho de raiva.

- Eu disse passa fora, branquela. – Sua voz era dura quando ela fechou os punhos em duas bolas.

Engoli em seco, peguei a maça e praticamente pulei para me levantar.

- OK! Eu estou saindo. – Eu falei apressada e me distanciei de sua mesa.

Qual era o problema dessa gente? Pelo o amor de Deus! Eu não havia feito nada com eles. Aturdida, olhei ao redor. Havia cadeiras vazias, mas eu sabia que ninguém iria me querer por perto. Parecia estava tudo mudando de lugar agora para mim. Porque ali eles mandavam no lugar e eu, não era nada, só uma garota desprezível. Quero voltar a minha vida!

- Vem comigo. – A voz reconhecível falou enquanto o dono já me arrastava pelo o braço.

- O que pensa que está fazendo? – Perguntei um pouco confusa e irritada com a atitude daquele ser que pensava que podia fazer o que quiser comigo.

- Arranjando um lugar para você se sentar. – Ele falou calmo sem nem ao menos virar o rosto em minha direção ainda me arrastando.

- Você não disse que não ia me ajudar mais? – Perguntei debochada.

- Não quando você parece uma garota estúpida demais para se proteger. – Ele falou com descaso.

Rapidamente puxei o braço de sua mão, parando no lugar. Ele me olhou confuso com minha parada abrupta.

- Não me conhece para me chamar de estúpida. – Sibilei, cruzando os braços.

- Oh! Desculpe, Bella. Não sabia que ia machucar os seus sentimentos. – Sorriu debochado. – Mas, aqui nesse colégio, é exatamente o que você é.

Cerrei os olhos em direção á ele. Que garoto mais pé no saco. Bufei.

- Você vem ou não vem? – Ele perguntou levemente irritado.

- Não. – Fui categórica e me virei para ir à outra direção. Quando dei três passos e parei, vendo que tudo estava lotado e que ninguém parecia ser bom o suficiente para me receber na mesa, eu suspirei.

Entediada me virei para Edward. Ele me olhava, ainda no mesmo canto, como se esperasse que eu fosse fazer aquilo.

- Tem certeza que não vem? – Perguntou debochado.

Ergui o queixo, segurei a maça com mais força na mão e me movi com segurança até ele.

- Só vou porque não tem outro canto.

Ele sorriu e saiu à frente. Passamos por algumas mesas, algumas comidas jogadas no chão, algumas mesas de garotos ruidosos demais, e em um canto da parede, quase escondida de tudo o que estava à volta, Edward parou em frente a uma mesa. Satisfeita, me sentei e joguei a maçã na mesa. Já estava era sem fome.

Edward sentou ao meu lado. Tinha uma expressão fechada, mas, mais uma vez não pude notar o quanto seu rosto era lindo demais para está em um colégio como aquele.

- Não vai comer? – Ele perguntou irritado quando me viu o analisando.

Desviei o rosto e abaixei a cabeça, me sentindo corar um pouco.

- Não. Estou sem fome.

- Não sei não, acho melhor você comer.

- Você quer sempre ditar as regras? – Perguntei emburrada.

- Não. – Ele foi determinado e chegou perto de mim. — Apenas lhe ensinando o que é melhor você fazer nesse ambiente. Acha que eles vão gostar de você por deixar comida sobrar, quando muitos deles passam fome em casa? – Perguntou retórico.

Esbugalhei os olhos e peguei a maça.

- Mas, é só uma maça. – Eu falei espantada.

- Justamente, uma maça que você está tirando deles para não comer.

Assustada com suas palavras, eu peguei a maça e dei uma mordida.

- Feliz? – Perguntei debochada.

- Não até você comer até o final. – Ele sorriu sarcástico.

Rugi e dei outra mordida. Pude ouvir um sorriso baixo dos seus lábios. Olhei para ele com uma falsa surpresa.

- Olha, você rir. – Comentei debochada.

- Olha, você é tudo o que eu pensei que era. – Revidou, fechou a cara novamente e cruzou os braços.

- Você é sempre tão irritado assim? – Perguntei com uma bufada e uma mordida na maça.

- Não. Só quando estou perto de pessoas que não conseguem ver o mundo a sua volta, como você.

- Então sai de perto. – Bufei e dei de ombros.

No mesmo segundo, me arrependi do que eu falei quando ele me olhou incrédulo. Não queria que ele saísse de perto. Não o conhecia, mas ele me fazia sentir um pouco segura.

- Desculpe. – Murmurei rapidamente. – È só que você não me conhece. Não acho que tem direito de falar assim comigo.

- Te conheço mais do que você pensa.

Esbugalhei os olhos. Ele incrivelmente riu com minha expressão assustada.

- Bella. – Ao ouvir meu nome sendo dito mais calmo por sua voz, me senti um pouco satisfeita. – O mundo está recheado de pessoas como você.

- Ah! Deixe-me adivinhar. Mimada e patricinha.

- Não. – Ele falou serio. – Cega. Que não consegue ver o mundo a sua volta. Acha que isso aqui é brincadeira, Bella? – Ele apontou para o refeitório a nossa frente. – Milhares de garotos e garotas assim estão sem futuro.

- Ei, ei, mas acontece que eu também estou nessa categoria agora.

- Não. Você ainda está na ilusão de que está ainda no seu mundo. O da Barbie.

- Eu não sou a Barbie. – Eu revidei irritada. Sem mais nem menos, me vi falando demais. — È só difícil me acostumar rápido com as coisas sabe? De uma hora para outra minha vida muda, e eu me vejo em uma cidade totalmente estranha, com gente que eu não conheço e que não gosta de mim, sem amigos, sem se quer alguém que possa conversar e já arrumando confusão com um garoto perigoso que eu não sei á que horas eu posso encontrar. – Minha voz saia um pouco ríspida e alta. – Então não venha dizer que me conhece, tá legal? Mudar não é fácil como você imagina. Que saber, eu não sei por que eu estou falando isso tudo para você. Você parece ser tão estúpido e ver somente os seus próprios problemas. – Levantei-me irritada e com raiva, desistindo de tentar me socializar com ele.

De repente, quando estava prestes a sair, Edward me segurou forte pelo o braço. Por um momento uma carga elétrica passou entre nós dois. Ele afastou a mão como se tivesse levado um choque. Olhei para ele confusa com o que tinha acontecido ali e ele abaixou a cabeça.

- Desculpe. – Ouvi-o murmurar. – Bella, é que a escola não está acostumada a receber pessoas como você.

Sentei, percebendo que realmente não queria ir.

- As pessoas aqui sofrem Bella. – Ele completou.

- OK! Desculpe-me também. – Eu falei entediada e abaixei a cabeça. – Eu só queria voltar a vida que eu tinha. – Murmurei melancólica.

Ele me olhou especulativo e de repente, me estendeu a mão. Olhei para ele confusa.

- O que significa isso?

- Você pode apertar? – Ele ergueu mais o braço.

Olhei para ele com uma sobrancelha levantada, para a mão e depois decidida, apertei.

- Prazer, me nome é Edward Cullen. – Ele se apresentou com um sorriso gentil. Eu não pude impedir de escapar um sorriso torto dos meus lábios. – Seja bem vinda a esse colégio, apesar de que não é bem o que você queria.

Apertei sua mão mais forte, sorrindo.

- Prazer Edward Cullen, Isabella Swan. Posso ser mimada e patricinha, mas também posso ter dificuldades.

- Eu sei que sim.

Nossos olhos se cruzaram enquanto riamos um para o outro. Ele sustentava o olhar verde em minha direção com tanta força que não fui capaz de desviar. Até sentir minhas bochechas ficando vermelhas e abaixar a cabeça.

Soltei as nossas mãos, sentindo minha hesitação quando fiz aquilo.

Um silêncio se formou ao nosso redor e eu dei outra mordida na minha maça. O sino tocou estridente e eu suspirei. Teria que voltar a sala de aula.

- Acho que tenho que ir. – Eu falei já me levantando.

- Qual a sua aula agora? — Perguntou seguindo o meu ato.

- Biologia. – Comentei, dando de ombros.

Um sorriso saiu dos seus lábios, um sorriso debochado, mas não raivoso ou irritado. O Edward de minutos atrás não estava mais lá.

- È minha aula também – Ele falou satisfeito. Sorrir. – Vamos? – Indicou o caminho na minha frente.

- Vamos. – Concordei.

Começamos a andar um lado do outro. Silenciosos.

Ao chegar na sala da aula de biologia, apresentei-me ao professor. Não parecia ser tão legal quanto ao Carlisle. Seu olhar em minha direção foi o mesmo o que todos os alunos daquela escola estavam me lançando. Procurei não ligar, mas isso me incomodava um pouco. O que havia com as pessoas dessa escola? Tudo bem, elas eram pobres e daí? Não era minha culpa. Nunca foi.

- Oh! Sim... – O Professor comentou quando olhou para mim. – A Srt. Swan, a garotinha perdida nos corredores da pobreza. – Ele comentou irônico.

Continuei calada no meu canto. Edward já tinha se direcionado para a sua mesa. O professor passou os olhos pela a sala e indicou um lugar para mim.

- Parece que vai ter que se sentar com o Sr. Cullen. – Sorriu. – O que é um tanto irônico. Acho que seria a pessoa que você menos queria ter como colega de classe. – Sorriu com descaso e me entregou uma folha de sua aula.

Suspirei um pouco confusa com as palavras dele e me direcionei para a mesa de Edward. Era para eu está tranqüila com isso. Mas, não estava. Sentei-me ao seu lado e coloquei a bolsa em cima da mesa.

- Não se preocupe Bella. – Eu ouvi a voz baixa dele. – As pessoas irão se acostumar com você aqui.

Sorri um pouco descrente.

- Não sei. Esse é apenas o primeiro dia de aula. Acho que não vou agüentar muitos dias desses com essa gente. – Revirei os olhos. Quase mordi minha língua quando falei essa “gente” na frente dele.

Ele franziu o cenho, balançou a cabeça reprovadora, e voltou à atenção para frente.

- Sabia que você era uma garota fraca. – Ele murmurou um pouco frio.

- Ei, não...

- Tudo bem, turma, vamos começar a aula. – O professor cortou minha reclamação.

Eu bufei e cruzei os braços, encostando-me chateada na cadeira. Edward me desconcertava. Eu mal o conhecia, mas ele não hesitava em me criticar. Isso me deixava aborrecida, porque nunca, ninguém fazia isso diretamente. No entanto, eu sabia que ele não tinha o direito. Qual é? Ele só me salvou de um idiota – como todo mundo nesse colégio – e já acha que pode ir falando o que quiser?

Bufei chateada novamente no meu canto. Inclinei para frente, e como aquela aula era como todas as outras – nenhum aluno prestando atenção – senti a necessidade de desenhar. Edward estava me ignorando — que bom – e eu já não sabia se devia mesmo aproximar-me dele. Só estava perto dele por ele ser a única pessoa que teve a coragem de falar comigo. Mas, o olhar de desprezo, era o mesmo dos outros.

Comecei a rabiscar na folha do meu caderno, sem saber o que verdadeiramente estava fazendo. Às vezes, desenhar era como uma forma de eu me expressar. Eu nem sabia o que estava desenhando, mas as minhas emoções falavam por mim e eu começava a fazer um desenho qualquer. Exatamente como agora. Meus pensamentos estavam no garoto ao meu lado, que eu sentia que ia me aborrecer muito durante todo esse ano, mas mesmo assim, ele continuava a me desconcertar. Mesmo sabendo disso, eu sentia que era bom tê-lo por perto.

- Você desenha bem. – Ouvi sua voz calma do meu lado.

Sair do transe do desenho, como se estivesse acordando agora. Quando olhei para a folha a minha frente, vi o que as minhas emoções estavam querendo dizer. Naquele primeiro dia de aula eu estava me sentindo perdida. Como, exatamente, a garota apavorada no meu desenho.

- È. – Balbuciei voltando ao desenho, não querendo lhe encarar. – Quando eu era rica, podia ter aulas. Mas, agora acho que tenho que agir por mim mesma. – Direcionei o olhar acusador para ele. – Talvez, assim eu consiga vencer a minha franqueza, hã? – Perguntei sarcástica.

Ele fechou a cara e me olhou mais frio. Não falou mais nada, apenas virou o rosto e voltou a prestar atenção ao professor. Eu fiz o mesmo. Mesmo não querendo, virei o rosto e voltei a atenção para o meu desenho. Mesmo que prestasse atenção naquela aula, sabia que não ia aprender muita coisa mesmo. Os alunos daqui eram os mal educados.

Bufei e rabisquei com mais força na folha do meu caderno.

Quando a aula terminou, Edward se levantou do meu lado, sem dizer nada e simplesmente saiu. Olhei confusa ele atravessar a porta da sala. O que aquele garoto tinha? Pelo o Amor de deus. Será que era algum tipo de distúrbio de personalidade? Porque se fosse, precisava ficar fora de contato.

Chateada por ter que andar novamente sozinha por ai, eu peguei minha bolsa e pus o capuz do meu casaco, saindo de cabeça baixa e sentindo os olhares as minhas costas, dos alunos daquela sala. Pelo o menos o dia estava acabando, só faltava mais uma aula.

A última aula – graças a Deus – foi de história. Agradeci por aquele colégio não ter educação física. Também, com a estrutura horripilante que esse colégio tinha, não deveria possuir uma quadra. Pelo o menos um ponto positivo para mim, era terrível em esportes.

Na última aula, senti o certo desapontamento por não perceber que Edward também não ficava comigo. Eu não devia me sentir assim. Eu só o conhecia ao que? 3 horas? 2 ? De qualquer maneira, procurei bloquear ele da minha cabeça. Estava mais preocupada com outra coisa. Jacob. Aquele garoto estúpido do começo da aula. Ele não aparecera novamente pelos os corredores e isso me deixava com medo.

Quando eu voltaria a encontrá-lo? O que ele ia fazer comigo? Ele disse que era para eu ter cuidado. O que eu vou fazer? Estou sozinha nessa merda desse colégio e provavelmente, ninguém me defenderia se aquele idiota viesse para cima de mim de novo. Nem mesmo Edward, porque esse não fazia questão defender uma Barbie girl – de acordo com as palavras dele.

Quando a aula acabou, com gritos exagerados da turma, peguei minhas coisas e sair da sala. Praticamente corri pelo o corredor em direção a saída do colégio. Sabia que se ficasse ali por mais alguns dias, enlouqueceria. Aquele mundo não era o meu. Nunca seria. Eu nunca iria me acostumar com ele. Por isso, sabia que seria motivo de chacota por todo o ano daqueles idiotas que só pensam que eles têm sofrimento.

O frio horripilante daquela cidade horripilante me esperava quando eu sair do colégio. Não olhei para ninguém. Apenas para os meus pés. Era mais fácil andar assim. Sem um monte de gente te olhando, criticando. Gente, que por sinal, estava abaixo de você.

Mas, isso não me ajudou muito quando eu cheguei ao portão do colégio, tropecei em algo e acabei me batendo com alguém, derrubando todos os meus livros no chão junto com meu caderno de desenho.

- Tem que olhar por onde anda. – Reconheci a voz. De novo.

Revirei os olhos ainda com a cabeça baixa e depois levantei o rosto para encarar a expressão fria de Edward em minha direção. OK! O que eu tinha feito para ele para ele me odiar tanto?

- Você. De novo. – Comentei sarcástica e me abaixei para pegar os livros.

Ele se abaixou junto comigo, juntou mais rapidamente os meus livros e me entregou. Ficou com o caderno dos meus desenhos na mão.

- Devolva-me – Pedir autoritária quando levantamos.

Ele olhou para o desenho que estava aberto com a expressão franzida e depois, quando ouviu meu tom, devolveu o caderno.

- Pena que é um desenho de uma pessoa tão fútil.

- Sério Edward, eu não preciso de ninguém para dizer quem sou. – Comentei irritada e passei por ele para ir embora.

Ele me segurou pelo o braço. A sensação estranha que passou por mim, foi tão forte, que meu coração pareceu parar de bater por segundos. Ele era tão forte e tão... OK! Isabella, o garoto é um grosso e um ignorante.

- Desculpe-me por ser rude com você o tempo todo. – Comentou de cabeça baixa como se estivesse com vergonha de olhar meus olhos.

- Não conheço ninguém que em três horas ou menos, que conhece alguém pede desculpas, pelo o que? Quarta vez só hoje?

Ele me soltou e eu senti a falta da pressão de suas mãos no meu braço.

- Você me deixa um pouco confuso. – Murmurou.

- OH! Pode apostar que você também. – Revirei os olhos. – Sério, cara, você é assim com todo mundo? Por que se for, eu entendi porque o professor de biologia disse que você seria uma pessoa insuportável que eu não gostaria de ficar.

Ele ficou calado, apenas olhando para algum ponto invisível sob os meus ombros. Parecia não querer me encarar.

- Eu já pedi desculpas. – Comentou seco. – Finja que amanhã vai ser o seu primeiro dia de aula aqui. Não terá que me aturar. – Sorriu, ainda com os olhos longe do meu, e saiu.

Hesitei um pouco enquanto o via se afastando a passos lentos de mim. Não queria ir sozinha para casa. Estava com medo. Parecia que dentro do colégio, Jacob não seria capaz de me fazer algum mal, mas e fora? Sem a supervisão de Edward? Suspirei. Não queria precisar dele. Mas, agora, não queria ir sozinha para casa.

- Edward. – Chamei com a voz baixa quando ele estava a poucos centímetros de mim. Seu nome reverberou com um pouco intensidade dos meus lábios.

Ele se virou para mim e me olhou impassível.

- Será que... – Hesitei e coloquei a mão no meu bolso, tímida. – Será que podia me levar até em casa? – Mordi os lábios. – Tenho medo de quem posso encontrar no caminho. – Admiti um pouco envergonhada. Sabia que ele saberia de quem eu estava falando

Ele olhou para mim com o cenho franzido. Ficou assim por um bom tempo, até eu lhe olhar especulativa, esperando uma resposta e ele suspirar. Não falou nada, apenas começou a andar, passou por mim e me chamou com a cabeça.

Suspirei satisfeita e comecei a seguir seus passos rápidos.

- Então? – Perguntei quando estávamos descendo por uma rua vazia de Forks. – Você não respondeu minha pergunta.

Tínhamos passado aproximadamente uns cinco minutos sem falar. Até eu não agüentar o silêncio e quebrá-lo de vez.

- Que pergunta? – Ele perguntou, olhando o caminho a sua frente.

- Você é assim com todo mundo?

Ele hesitou em responder. Engoliu em seco e passou as mãos em seu casaco.

- Não. – Deu de ombros. – Só com você. – Admitiu com a voz fraca.

- OK! – Sorrir, meio confusa. – E por que só comigo?

Ele suspirou.

- Não sei. – Olhou para mim e um sorriso torto saiu dos seus lábios.

Meu Deus! E que sorriso torto. Eu fiquei hipnotizada por um tempo com seus lábios naquele movimento doce de sua boca. Quando percebi que estava olhando demais, balancei a cabeça e desviei o rosto, sentindo-me corar.

- Então? Fale-me sobre Jacob.

- Por que você quer saber sobre ele? – Perguntou confuso.

- Bem, acho que se ele vai ficar me perseguindo o ano todo, eu ao menos tenho que saber seus pontos fracos, sabe? Preciso saber aprender a me defender sozinha. Eu nunca precisei disso.

- Não se preocupe, Bella. – Ele falou em um tom divertido. – Jacob vai ficar longe por alguns dias. Ele foi suspenso.

Um suspiro mais que aliviado saiu dos meus lábios. Ótimo! Paz ao menos na parte em que Jacob tentaria fazer alguma coisa. Portanto, aqueles olhares nada receptivos continuariam.

- Ótimo. Isso deve lhe aliviar. Não precisará me defender mais. – Comentei um pouco frustrada.

Ele me olhou de canto de olhos e depois voltou o olhar para frente. Sua expressão estava menos vazia. Menos dura e fria. De repente, olhando para ele, percebi que queria conhecê-lo melhor. Digo, nem todos naquele colégio eram tristes por causa da vida difícil que eles seguiam. Mas, Edward, eu não sei. Parecia um defensor deprimido de seu grupo. Gostaria de saber o que tanto lhe afligia. Confesso que fiquei assustada do tamanho da vontade que queria isso.

- Vocês sempre tiveram essa briga entre os dois? – Perguntei não agüentando o silêncio entre nós. Queria mantê-lo falando.

- È, Jacob é um bandidozinho que tem sua gangue só para assustar os outros e se senti maioral na cidade. A maioria tem medo do bando de Jacob. – Fez uma careta. – Como se nós tivéssemos.

- Nós quem? – Perguntei confusa.

Ele me olhou de soslaio e outro sorriso de tirar o fôlego saiu dos seus lábios. Mas, esse era mais malicioso, mais assustador.

- Bella, as pessoas dessa escola, ou dessa área da cidade, precisam se defender. – Deu de ombros.

- Peraí. – Sorriu um pouco incrédula. Percebi que tinha chegado á minha casa. Parei e olhei para ele um pouco confusa. – Você tem uma gangue, é isso? – Minha voz saiu um pouco travada.

- Sim, por que? – Perguntou com pouco caso.

- Por quê? Digo, gangue não é coisa de bandido?

— Bella, é o único jeito, tá legal?

- O único jeito de quê? Assustar as pessoas? Elas também têm medo de sua gangue como tem de Jacob? Você se sente poderoso com isso também? – Perguntei frustrada e sarcástica. Gangues eram coisas perigosas. Não creditava que estava andando com um dos.

Ele olhou com o cenho franzido para mim, como se não entendesse a minha atitude. Na verdade até eu não estava entendendo. Por um momento queria me afastar de Edward, porque ele era como todos os outros daquela escola. Poderia ser perigoso também, eu nem ao menos conhecia. Mas, a vontade de ficar perto dele, a vontade de conhecer todo o mistério de Edward Cullen era maior.

Levantei uma sobrancelha quando ele ficou me encarando tempo demais. Minhas bochechas já deviam está roxas de vergonha. Seus olhos eram... Hipnotizantes. Olhando assim de perto, na luz do “sol”, eram de um verde-esmeralda tentador.

Ele sorriu, finalmente tirando seus olhos do meu, e virou a cara com a expressão fria novamente.

- Você não entende, não é Bella?

- Não, me explique. – Fui firme.

- Acho melhor não. Isso é muito complexo para sua cabeça que só deve está pensando em comprar uma roupa ou qualquer outra coisa. – Balançou a cabeça e olhou ao redor, como se só agora percebesse que nós tínhamos parado. – Essa sua casa? – Perguntou ríspido.

- È, Por quê? – Perguntei no mesmo tom, cruzando os braços.

Ele sorriu novamente. Dessa vez, um sorriso provocador. Um sorriso que realmente me tirava do sério.

- E ainda reclama que não tem nada. Bella, você nessa casa, é uma princesa em comparação á mim. Só um aviso. Não reclame da vida. – Sibilou, balançou a cabeça com desprezo.

Depois de travar os dentes, quando eu lhe entediada, ele saiu, colocando as mãos no bolso, sem me deixar responder mais nada.

Com a expressão confusa, olhei para ele se afastando. OK! O que eu tinha dito agora? Que garoto mais complicado! Urgh! Não entedia seus motivos para ficar tão raivoso de repente. Portanto, essas mudanças de humor pareciam ser mais um imã para eu precisar querer conhecer ele.

Balancei a cabeça, dessa vez com o cenho franzido para mim mesma. O que eu estava pensando?

Choraminguei parada no canto, pus uma mão na cabeça e segui para entrar na minha casa. Eu precisava desenhar, ou então enlouqueceria. Edward Cullen estava me enlouquecendo. E nem eu sabia por que me importava tanto com isso. Eu não queria me aproximar de ninguém daquele colégio e nem podia – Charlie enlouqueceria – portanto, Edward eu sentia a vontade de me aproximar. Isso não estava normal.

Notas finais
Então? Se houver comentários vou saber se é para continuar, se não, eu desisto...