Aprendendo a Viver
1 Prólogo
Notas iniciais
CAPÍTULO UM: PRÓLOGO
Seus corpos já não eram os mesmo, feitos agora de pedra. Seus olhos não viam a beleza que o mundo se tornara. Suas almas seladas ansiavam pela liberdade, mas estavam destinados a ficarem daquele jeito para sempre. Viam um mundo manchado pela dor, pelo sofrimento e pela morte. Não agüentavam mais. De seus olhos saíam lágrimas de sangue e seus corações tornaram-se pesados e fechados. Não se importavam com mais nada, apenas queriam saber como estavam o mundo que lutaram tanto para proteger. O mundo que nasceram e amaram com toda a força que residia dentro deles.
Tudo estava ligado. Pernas, mãos, braços, cabelos... Absolutamente tudo. O sentimento de culpa os açoitava sempre que alguém colocava os pés no que um dia foi o Santuário de Athena. Por falar nisso, não sentiam mais o cosmo de sua Deusa. Nada mais os tocavam.
Observavam atentamente a menininha que se ajoelhava na água quente embaixo deles sem se importar se molharia seu vestido cor vinho. Seus cabelos longos, até a cintura, estavam presos por um coque não muito alto e os olhos intensamente verdes os fitavam com tristeza. Juntou as mãos para começar uma oração e fechou os olhos. Um sorriso brotava nos lábios da pequena.
Podiam ouvir claramente a voz dela chegando até eles e se elevando aos céus. Por um breve instante seus corações encheram-se de esperança. Sentiam que algo estava por vir e não estavam errados.
No céu, a prece já era ouvida e implorava incansavelmente que devolvessem a vida que deles foi tirada. Não era a primeira vez que Zeus ouvia aquela voz implorante e melodiosa. Tinha firmeza e determinação, como se soubesse que ele a atenderia. Aquilo foi um castigo, mas seu coração por um momento pesou ao sentir que ela chorava. Não só o seu, mas de todos os dourados selados que assistiam a tudo.
Mas, para tal ato tinha um preço. Zeus não devolveria a vida deles sem ter algo em troca. Ouviu a voz da pequena dizer que se devolvesse a vida deles ela daria a dela em troca sem se importar com nada, mas tinha uma condição: que a deixasse viver o suficiente para amar apenas um cavaleiro. Apenas um. Zeus abriu um sorriso e todos do Olimpo assentiram com a cabeça um “Sim”. Um sorriso brotou nos lábios de todos e até mesmo de Zeus que aceitou a condição satisfeito, mas com um misto de tristeza no coração. Mas, trato é trato e ambos não poderiam voltar atrás.
Então, assim se fez. A pedra que cobriam seus corpos foi se esfarelando e se tornaram areia. Seus corpos agora estavam se formando e mais uma vez eles sentiam o ar tomar conta de seus pulmões. Ao se verem já formados, perceberam que a menininha os observara o tempo todo com um largo sorriso nos lábios.
Os olhos dos cavaleiros estavam cheios de lágrimas, menos de um. Mascara da Morte. Ele não queria ter voltado, não queria estar vivo novamente, mas ela tinha que se intrometer e acabar com sua paz. A paz que sempre buscou em seu interior. Estava tão revoltado que se tivesse poderes a mataria ali mesmo.
Eles não sabiam do acordo e nem precisavam. Ela não tinha necessidade de contar, até por que logo saberiam. Sentiu seu corpo pesar e logo não estava vendo mais nada...
CONTINUA...
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