Aprendendo a Viver
6 Capítulo CInco - Adeus
Notas iniciais
Obrigada pelos reviews e tenha uma boa leitura!
Capítulo Cinco: Adeus
Não estavam mais juntos, não sentiam mais o calor do outros em seus corpos. Fora um momento mágico para ambos e não se importariam de se amarem mais uma vez.
Em seu quarto, deitado na cama fitando o teto, Máscara da Morte lembrava-se de cada calor, cada gemido, cada sensação, cada beijo e cada onde de prazer que tomou seu corpo quando se entregou a ela. Não sabia por que estava se lembrando daquilo nesse momento, seu coração estremeceu imaginado o pior.
Praguejou em pensamentos enquanto fechava os olhos, obrigando sua mente a pensar outras coisas. Não havia percebido, mas seu rosto estava com caminhos de lágrimas. Passou a mão limpando os olhos e o rosto e, pulou da cama disposto a deixar aqueles sentimentos para trás. Vestiu-se e saiu do quarto, descendo as escadas quase correndo. Ignorou as perguntas feitas pelos seus amigos e saiu de casa. A solidão parecia o abraçar e não passaria até ver Samirah.
Não conseguia sentir a presença de Samirah em lugar algum, mas alguma coisa dentro de si dizia para seguir caminho ao Santuário. Seus passos iam tornando-se cada vez mais largos e, em menos de cinco minutos, estava correndo. O vento levava suas lágrimas, mas não aquela terrível sensação de despedida.
Seus pés já tocavam o chão do que um dia foi o Santuário e a viu em pé dentro daquela água quente que ficavam, quando era apenas uma estátua de pedra. Com os barulhos nervosos que fazia na água enquanto se aproximava dela, Samirah voltou-se para ele, olhando-o com sofrimento e medo.
— Por que está aqui? – sua voz melodiosa estava embargada. – Por que veio aqui?!
— Porque é aqui que você está Samirah! – respondeu calmo e abraçou-a, ignorando completamente o esforço que ela fazia para soltar-se.
As lágrimas molhavam sua blusa e os braços envolviam sua cintura num abraço desesperado e rendido. Inesperadamente, Samirah sentiu seu corpo pesar e suas pernas não aguentaram sustentá-la. Máscara a segurou e ajoelhou-se a apoiando em seus braços. Via o enorme esforço que ela fazia para respirar e manter os olhos abertos. Lágrimas automaticamente escorreram por seu rosto e pingaram no rosto dela. As pontas dos dedos trêmulos impediram o caminho delas, como ele havia feito com ela.
— Não precisa chorar... – ela sorriu forçado. – Entristece-me.
— Não fale. – a calou com o dedo indicador.
— Eu queria ficar um pouco mais... – ignorou o pedido feito por ele e fitou atentamente a luz que descia lentamente em sua direção. Máscara da Morte nada via. – Mas, não será possível... Nunca mais eu irei de ter.
Máscara da Morte não podia suportar a dor de perdê-la, era dilacerante. Queria se livrar, mas não seria tão simples assim. Não poderia deixá-la ir sozinha. Ela tinha o ensinado a viver e graças ao sacrifício que ela se impôs, conseguiu ter a sensação de amar e ser amado. Coisa que nunca sentiu falta e agora não viveria sem.
A luz aproximava-se cada vez mais e, Samirah se sentia mais fraca. Suas forças estavam sendo puxadas e já estava vendo a hora que não conseguiria manter os olhos abertos.
— Tola... – a voz dele a despertou. – Ficaremos sempre juntos. – sorriu.
— Como assim? – essa ela não conseguiu entender.
— Acha mesmo que eu deixaria você ir sozinha? Lembra-se do que eu disse? Eu te amo... – inclinou-se para beijá-la e apertou-a em seus braços. – Irei com você.
— Você não pode ir comigo, meu amor. – disse com esforço. – Você tem que viver... Por mim.
— Não vou conseguir sem você, Samirah... – as lágrimas rolaram e contornaram seu belo rosto.
A luz pairou sobre eles e Samirah sentiu a pressão em seu corpo. Máscara agarrou-se ao corpo dela, num pedido mudo de não deixá-la abandoná-lo. Sentia que um grande pedaço estava sendo arrancado de si e realmente estava. Naquele momento sentiu que nunca mais seria feliz.
(...)
Algum tempo havia se passado. Máscara da Morte ainda sentia aquela sensação de vazio. Levantou-se da cama e desceu as escadas, encontrando seus amigos na cozinha tomando café. Sentou-se com a mesma expressão, mas os outros sabiam o motivo. Estava sendo tudo difícil, mas tinham certeza que o destino não o deixaria assim.
Após o café decidiu dar uma volta, mesmo o dia estando bonito para ele não tinha mais cores. Depois que Samirah se foi tudo se tornou monótono. Sabia que desabaria, mas tomou o caminho para praia.
Um grupo de adolescente brincavam, o que não chamou-lhe a atenção. Parou no lugar em que conhecera Samirah e enfiou as mãos no bolso da calça, concentrando o olhar na extensão do mar.
— Cuidado!
Uma voz apavorada o fez acordar e, ainda atordoado, não conseguiu desviar-se da bola e recebeu-a em cheio no rosto.
— Desculpe-me! – a garota aproximou-se, olhando-o preocupada. – Tudo bem?
Estava pronto para dar-lhe uma bronca, mas deteve-se ao mirar a garota a sua frente. Cabelos lisos, longos e negros e olhos incrivelmente azuis. O que lhe doeu mais foi o fato de ela se parecer com Samirah. Parece que estava destinado a conhecer pessoas que fariam parte de sua vida, na praia. “O destino trará uma nova felicidade.” As palavras de Shaka martelaram em sua mente e cansado de sofrer, resolveu aceitar a preocupação da garota.
— Tudo. – respondeu, levantando-se. Em algum lugar sabia que Samirah estava feliz. Agora entendia o porquê de ela insistir tanto em fazê-lo aprender a viver. “Obrigado, Samirah... Meu amor... Meu único e verdadeiro amor...”.
FIM
Notas finais
Mesmo assim, obrigada quem acompanhou e deixou seu carinho, muito obrigada mesmo!
Mais uma fic concluída!
Beeeijos
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