Notas iniciais
Disclamer: Saint Seiya não me pertence, o que é uma pena realmente XD
Esta é uma fic yaoi, ou seja contém relacionamento homossexual entre homens, se você não gosta, não leia

Milo POV

E outra vez eu o sentia derreter em meus braços. Cada camada daquela grossa barreira de gelo que ele insistia em manter em torno de si cedendo pouco à pouco. Será que ele não sabia? Não percebia que aqueles olhos frios, aquela muralha de resistência que ele lutava por construir a sua volta, era um desafio irresistível? Obviamente não, eu concluí enquanto enlaçava sua cintura e o puxava contra mim de um jeito tão possessivo que pareceu surpreendê-lo. Se é que era isso que significava o suspiro que ele soltou contra meus lábios.

Eu sabia, pelo suave som que ele emitiu (embora eu não pudesse dizer se era de prazer ou de protesto) quando nossos lábios se tocaram, que meu beijo estava ainda mais exigente do que antes, como se revindicasse o título de proprietário dele.

Mas eu não podia evitar. Eu já havia passado do ponto de ser paciente. Ele me amava. Isso era tudo em que eu conseguia pensar enquanto o esmagava de encontro ao meu corpo e sugava seus lábios, sua língua.

Eu estava despindo minha alma em frente a ele, e exigia que ele entregasse a dele também.

E ele não parecia se importar.

Ele não tinha hesitado nem tentado se afastar quando eu o puxei pra perto. Ao contrário, suas mãos deslizaram pelas minhas costas e seus joelhos se encaixaram entre os meus, o calor das suas coxas como que chamuscando as minhas pernas.

Ele se apertava contra mim. O ardor que emanava de sua boca e de seu corpo parecendo consumir-me. Eu podia sentir o desejo dele através do tecido do roupão, aquela prutuberância rígida, pressionando firmemente a minha pelve. E o encontro das ereções me fez gemer, e beijá-lo com mais intensidade ainda. Mordendo os lábios macios, descendo pelo queixo bem feito pra explorar a pele alva do pescoço, enquanto minhas mãos entravam por baixo do roupão subindo pelas coxas firmes para envolver ás nádegas nuas.

Uma violenta onda de luxuria pareceu explodir dentro de mim ao agarrá-lo pelos quadris e suspendê-lo, apenas para depositá-lo, um segundo depois, sobre a cama macia do quarto em que eu me trocara. Fazendo-o deitar-se sob o peso do meu corpo.

Nossos olhares se encontraram. Os olhos castanhos avermelhados, escurecidos de desejo, brilhavam de forma estranha. Havia uma luz intensa nas feições esculpidas e sua respiração estava tão rápida e curta quanto a minha.

Ele me amava. O pensamentento parecia dar voltas. Cada fibra do meu ser pulsava, vibrava, cantava, com o que eu havia acabado de descobrir. Meu coração parecia bater no ritmo das palavras. Ele me amava.

Por isso me pareceu muito certo desatar finalmente o nó que segurava o roupão dele, fazendo-o escorregar por seus ombros. E a visão do corpo perfeito, da beleza da pele clara contrastando com os cabelos vermelhos esparramados pelos lençóis brancos da cama, foi quase demais pra mim.

Em resposta, as mãos rápidas e impacientes dele já estavam puxando minha camiseta por cima da cabeça, apalpando a pele. Eu o ajudei a tirar minhas calças, enquanto meus lábios deslizavam pelos ombros largos, descendo pela pele macia, se fechando sobre um mamilo endurecido. Uma onda de prazer me atravessou quando eu o senti estremecer e gemer, levando uma mão à minha cabeça, puxando-a pra mais perto.

Uma energia selvagem e incontrolável estava surgindo dentro de mim. O contato elétrico das nossas peles, as ereções se roçando. De repente, era como se eu não conseguisse me mover rápido o bastante, minhas mãos não eram velozes o suficiente pra satisfazer meu desejo.

E todo o tempo eu não conseguia parar de lembrar as palavras dele. Enquanto meus lábios desciam sugando, mordendo, marcando a carne macia. Ele estava apaixonado por mim, eu pensei outra vez, e então murmurei, em uma voz tão enrouquecida que eu mal reconhecia como minha:

– Fique comigo. – eu pedi — Diga que vai cancelar o casamento e ficar comigo. — Meus lábios saboreando a pele firme da barriga, descendo para o meio das pernas alongadas.

Ele emitiu um grunhido quando meu hálito soprou o pêlo que cercava a virilidade tesa.

– Você só precisa dizer... – eu sussurei contra sua pele, segurando o órgão pulsante em minhas mãos, admirando aquele instrumento de prazer, observando de perto as veias e a ponta do falo à meia luz dos abajures, antes de vagarosa e provocativamente provar a carne intumescida com a língua.

O contato fez com que ele gemesse ainda mais alto e arqueasse o corpo contra o meu, os dedos fechando-se e agarrando meus cabelos. Encorajado pela reação, meus lábios logo acompanharam a língua e eu o acolhi o máximo que pude. Minha boca formando um estojo macio ao redor do falo palpitante.

– Diga... – eu insisti, sentindo seus dedos se afundarem ainda mais nos meus cabelos enquanto eu passava a língua ao longo do músculo duro, fazendo outro gemido escapar da sua garganta.

Então, com uma rapidez de tirar o fôlego, ele me puxou pra cima outra vez, invertendo as posições. Só parando quando já estava sobre mim, uma das mãos prendendo meus pulsos acima da cabeça.

– O... o que você está fazendo? – eu perguntei ofegante.

Ele sorriu. Os olhos rubros escurecidos pareciam enevoados.

– Você non pode estar sempre no controle, Milo. – ele sussurrou. Enquanto falava, roçou lentamente a mão livre pela minha coxa. Seus lábios se apertando novamente de encontro a minha boca. A mão subindo pelos meus quadris, escorregando pelo abdomén. Tracejando com os dedos uma trilha em direção ao ponto mais quente do meu corpo, e depois pra trás novamente.

E em cada lugar que ele tocava eu sentia como se tivesse sido marcado com fogo. Minha respiração vinha em golpes ofegantes. Eu tremi, e meus olhos perderam o foco por um momento quando os dedos finos acariciaram um dos meus mamilos sensíveis. Seus lábios começando uma trilha de beijos lentos com a boca aberta, até a base da minha garganta, enquanto seus quadris trabalhavam sobre os meus e meu corpo trepidava, como um fio desencapado, por baixo dele.

Nada havia sido tão glorioso quanto o calor daquela boca ao se fechar sobre um mamilo endurecido após o outro. Brincando com a língua... e fazendo com que correntes de desejo atravessassem minha espinha. Eu me agarrei nos cabelos vermelhos, enquanto meu corpo se arqueva involuntariamente contra o dele. E, durante algumas pulsações, eu estava convencido de que havia ido para o paraíso.

Não era assim que costumava ser. Não era aquilo que eu costumava ter. Aquela entrega, aquele dedilhar de emoções, aquela guerra completa em meu sistema nervoso, uma verdadeira batalha entre os sentidos. Normalmente era eu a tomar a iniciativa, a estar no comando das ações, eu não me abandonava desse jeito, eu nunca havia sido o passivo antes.

Mas era Camus ali, eu pensei. O homem que eu descobrira amar e que, agora eu sabia, me amava também. Podia parecer patético, mas se fosse pra ser desse jeito com alguém, certamente teria que ser com ele. E eu o queria. Por Deus, como o queria! Meu corpo inteiro parecia clamar por ele. Eu sentia o sangue bombear em toda a minha região púbica enquanto ele descia em beijos lentos e úmidos pela minha barriga, suas mãos acariciando meu corpo, apertando, alisando... até que seus dedos roçaram em uma parte que me fez prender o fôlego, sua mão se fechando sobre o órgão palpitante.

Eu afundei ainda mais os dedos nos cabelos compridos e gemi, pressionando seus ombros. Sentindo a tensão se avolumar no ritmo dos movimentos de vai e vem que sua mão impunha.

Inebriado, eu me esfregava contra ele, empinando o corpo, em uma ânsia por satisfação. Mas cada movimento frenético só trazia mais e mais sensações devastadoras e maravilhosas.

– Vem, – eu me ouvi dizer entre ofegos, abrindo mais as pernas pra acomodá-lo — eu quero você.

– Por que a pressa? – ele murmurou com uma voz calma, profunda, deixando a mão livre escorrer lentamente pelos meus ombros, até a coxa, enquanto seu olhar acompanhanva o movimento. – Eu ainda nem consegui olhar pra você direito.

– Eu quero você... – eu exigi outra vez, alucinado, a respiração sibilante — ...dentro de mim, agora.

Eu o senti estremecer. Ele mordeu o lábio, e então deu um meio sorriso.

– Você quer apenas uma parte de mim dentro de você.

– Droga! – eu comecei a protestar, e em seguida arfei quando ele enterrou a cabeça entre minhas coxas e tomou-me inteiro em sua boca.

Com um gemido que era quase um soluço, eu me retorci de encontro a ele, àquela boca que me sugava, tão gentilmente a princípio que era uma tortura, para, a seguir, ficar mais forte e mais rápida, até que eu mesmo tive que morder os lábios para não gritar. E todo o tempo as mãos dele continuavem explorando meu corpo, acendendo pequenas fogueiras de carência em locais exóticos.

Até que ele fez deslizar um dos dedos pra baixo, pra dentro de mim. E eu fui inundado por uma maré de sensações difusas que eu não julgava possível existir. Urgência, desejo, dor, prazer. O gemido dele se misturou ao meu quando ele encontrou meu ponto mais sensível.

Arfante pela intensidade do calor que se espalhou pelo meu corpo quando ele insinuou primeiro um e depois outro dedo na abertura estreita, explorando aquele ponto que me fazia enlouquecer, eu estava certo de que meu coração disparado acabaria por explodir. E tudo que eu conseguia fazer era me arquear cada vez mais contra ele. Contra a pressão da mão, e dos lábios, que despertavam sensações em mim que quase me faziam chorar de prazer.

– Camus... – eu supliquei entre ofegos — por favor... eu... eu não te torturei assim.

Ele levantou a cabeça, como se despertasse de um transe. Os olhos semicerrados e desfocados, o rosto corado, os lábios entreaberto, túrgidos e avermelhados... e só essa visão foi o suficiente pra me fazer gemer outra vez.

Sem poder esperar mais, eu enlacei seus quadris com as pernas, puxando-o contra mim, ao mesmo tempo em uma das minhas mãos se fechava ao redor do membro viril, guiando-o até a minha entrada. Ele emitiu um som rouco, estremecendo, e pressionou os lábios rudemente contra os meus enquanto seus dedos eram lentamente substituídos pela parte dele que eu mais desejava e também temia.

A ponta do seu membro era aveludada, mas também dura como pedra. Agarrado aos ombros fortes e sentindo-os tremer pelo esforço que ele fazia pra ser gentil, eu me pressionei ainda mais contra aquela rigidez, enquanto nosso beijo se tornava mais quente e a seguir quase feroz.

Ele me penetrou com um gemido, e minha primeira reação foi soltar um grito e me retesar para afastá-lo, não conseguindo evitar a idéia de que devia ter algo errado... mas, ao mesmo tempo, sabendo que estava certo.

Ele parou imediatamente envergonhado, envolvendo minha cabeça com as mãos equanto sussurrava palavras de conforto em francês, embora eu não entendesse muito bem seu significado.

Em resposta, eu aumentei o aperto das minhas pernas em seus quadris, subitemente temeroso de que ele pudesse desistir.

– Não saia – eu supliquei

Ele sorriu, afagando meus cabelos.

– Eu non vou a lugar nenhum, pettit.

E então voltou a avançar. Uma pequena fração por vez, até me preencher por completo, a ponto de eu achar que poderia explodir. E isso foi o suficiente pra me fazer engolir outro grito e querer afastá-lo outra vez.

Mas, com a mesma rapidez que viera, a dor foi embora e no seu lugar ficou apenas uma crescente urgência. À qual eu reagi me pressionando mais contra ele, que, percebendo que minha dor tinha passado, começou a se mexer dentro de mim.

Ele se movia devagar, fazendo voltar as sensações gloriosas de quando me tocara com os dedos, contendo-se a princípio, e depois, ao escutar meus suspiros de apreciação, com premência cada vez maior.

E o mais singular é que era como se ele já tivesse feito aquilo muitas vezes. Eu não fazia idéia de onde havia tirado esse pensamento, mas era como se nós já tivéssemos feito isso milhares de vezes. Teria sido em um sonho? Eu me perguntei. Fora um sonho meu ou dele?

Não importava, eu pensei. Nada mais importava, eu concluí enquanto levantava instintivamente meus quadris de encontro aos dele, minha necessidade pela realização se aproximando da urgência dele. Ele murmurou palavras desconexas em francês, os olhos perdidos, enquanto prendia mais uma vez minhas mãos com as dele, entrelaçando os dedos, como se tivesse medo de que eu pudesse fugir.

No entanto, fugir era a última coisa que me passava pela cabeça.

Eu estava concentrado nele. Em sua respiração incostante. Nos cabelos que caiam como cascatas de fogo sobre nós fazendo cócegas na minha pele. Na força que acompanhava cada impulso pra dentro de mim. Nos braços que tremiam pelo esforço de ir devagar e suave à medida que ele me penetrava, cada vez mais fundo, empurrando-me contra o colchão.

Eu me sentia navegando sobre a crista de uma onda de desejo que crescia cada vez mais. A necessidade que eu sentia dele só podia ser satisfeita pressionando-me mais e mais ao seu corpo. Meus quadris subindo e descendo, enquanto ele dava constantes estocadas.

Agarrando-me aos farrapos de sanidade que ainda me restavam, eu percebi os movimentos dele acelerarem, tornando-se mais exigentes. E eu fui ao encontro dele. Todas as vezes. Impulso por impulso, insitintivamente apertando aquela parte dentro da qual ele pressionava.

Então, de repente, a onda em que eu navegava cresceu até o ápice, quebrando-se, inundando-me com uma intensa sensação de prazer. Eu me sentia afundar. Lutei pra voltar à tona, mas a força que me empurrava era forte demais. Alguém gritou quando eu caí, e então meu corpo implodiu. Eu jamais experimentara um clímax como aquele. Parecia que em um momento cada terminação nervosa estava retesada pela frustração, e, no seguinte, eu submergia em um mar de luzes e faíscas. Onda sobre onda de chama líquida derramando-se sobre mim, que, ofuscado, desorientado, me sentia ficar mole, estremecendo de contentamento da cabeça aos pés.

Ele pareceu enlouquecer com isso.

De repente, era como se alguma coisa dentro dele tivesse explodido. Alguma coisa que parecia ter ficado presa por muito tempo, e que fora enfim libertada. Toda civilidade polida desaparecendo.

Com as mãos envolvendo as minhas nádegas, ele me puxou pra cima, na direção dele, de forma que eu me vi praticamente sentado em seu colo, com a cabeça pendendo em seu ombro, quando ele se colocou de joelhos sobre o colchão.

– Mais uma vez – ele exigiu, com a voz rouca, puxando minha cabeça pra trás e invadindo minha boca com a dele. – Agora, mais uma vez – ele repetiu, equanto sua mão se fechava, quente e insaciável, sobre o meu membro.

– Sim – eu murmurei.

As sensações estavam resurgindo depressa. Minhas necessidades eram como dentes que me apertavam por dentro. Livres, minhas mãos deslizaram sobre ele, as unhas arranhando seus ombros, enquanto meu corpo se arqueava pra trás. Ainda me deixava assustado perceber o quanto eu era capaz de desejá-lo. E eu ficava desnorteado por ele ser tão cego que não conseguia notar o quanto eu me sentia desamparado, dominado pela necessidade que tinha dele.

Meus olhos se arregalaram e então se fecharam quando ele me penetrou outra vez.

– Non, não feche os olhos – ele pediu. Sua voz era como um sussurro rouco.

E eu fiquei olhando pra ele, perdido naquele rosto perfeito. A respiração curta, os olhos vidrados, incapaz de resistir à nova onda de prazer.

Ele mantinha o ritmo lento agora, com estocadas longas e profundas que pareciam remexer com a minha alma. As mãos nos meus quadris me conduzindo. Minha respiração ficou mais densa, pesada. Tudo o que eu conseguia sentir era aquele maravilhoso deslizar do corpo dele dentro de mim, a incansavel fricção de seu membro que parecia atingir sempre o mesmo ponto, fazendo-me jogar a cabeça pra trás e gemer, perdido naquele turbilhão de desejo do qual não podia escapar.

Nós caminhávamos juntos. Como acontecia apenas entre duas pessoas realmente compatíveis, embora uma delas fosse teimosa demais pra admitir. Mas talvez por não ter uma experiência muito diversificada nessa área ele não pudesse realmente saber como era raro esse ajustamento perfeito.

Os movimentos foram ficando mais rápidos, intensos, nossos corpos se procuravam, sôfregos, seguidos por uma explosão de lábios e línguas, como se não pudessemos nos beijar o suficiente. Meus quadris contra os dele, subindo e descendo, e tudo que eu consenseguia fazer era me agarrar a ele e chamar seu nome, gritando pra que ele fosse mais rápido e mais fundo, enquanto nossos gemidos se misturavam, frenéticos e indefesos, ecoando pelas paredes.

Ele me penetrava com força, tão fundo que eu pensei que pudesse rasgar ao meio. Eu sabia que ele queria ser gentil, mas que a paixão superava a intenção. Agarrado com força ao seu corpo, eu deixei minha cabeça girar, tonta e sem controle, enquanto me sentia tensionar outra vez. Como se fosse a corda de um instrumento que um musicista tivesse escolhido naquele momento pra apertar.

Então a corda arrebentou.

E de repente, eu caía novamente. Em queda livre. Voando. Acima de montanhas e planícies, mares de ondas espumantes e desertos áridos, por salas de estar abafadas e templos japonenses cheios de incenso, palácios indianos arejados e coloridas tendas de beduínos. Voando, literalmente voando por eles. Até que com um solavanco que foi ao mesmo tempo violento e infinitamente suave eu voltei a mim, ouvindo espantado o eco da minha própria voz que se misturava à de Camus naquela espécie grito enquanto ele se esvaziava por completo dentro de mim.

– M... Milo – ele murmurou sem forças enquanto desabava sobre mim. Nós estavamos, eu percebi quase com um choque, ainda ali, no apartamento dele em Paris. Onde aparentemente havíamos ficado todo o tempo. Com a chuva, que em algum momento havia se transformado em neve, batendo forte contra a vidraça.

Deitados naquela semi-escuridão – a respiração pesada, os corpos lustrosos de suor — eu acariciei seus cabelos molhados, admirando o rosto afogueado, sentindo o coração descompassado batendo rápido de encontro ao meu.

Parecia que horas depois, mas talvez apenas alguns minutos tivessem se passado, eu ouvi a voz dele outra vez.

–Pardon – ele falou contornando meu rosto com os dedos, a respiração ainda alterada, uma expressão de preocupação no rosto – Eu te machuquei?

Eu sorri, letárgico, depositando um beijo nos lábios inchados. Eu não costumava ser tão lento, mas fora realmente um longo dia e ele me levara às alturas duas vezes, eu estava exausto.

– Você foi perfeito, Ruivo. – eu falei sonolento, puxando-o de lado e encaixando meu corpo no dele. — Mas, na próxima vai ser a minha vez.

Um segundo depois eu já estava dormindo, com um braço curvado possessivamente sobre sua cintura.

oOOoOOoOOo

Camus POV

Já passava das onze e meia quando eu ergui os olhos do livro que estivera lendo.

Deitado ao seu lado naquela cama, eu o observei enquanto ele dormia. O peito levantando e abaixando devagar a cada respiração, as pálpebras curvadas acima das maças do rosto e o cabelo espalhado, num arco dourado, sobre os travesseiros. Irresistivelmente lindo.

Ele havia simplesmente desabado após o sexo, algumas horas atrás. Aquela era a primeira vez que eu fazia alguém apagar desse jeito. Eu não sabia se devia me sentir lisongeado ou insultado.

Mas ele havia tido um dia bastante cansativo, eu podia entender. As horas de vôo e a diferença de fuso horário certamente estavam cobrando o seu preço. E apesar disso ele parecia, pela primeira vez desde que eu o conhecera, realmente feliz.

Mesmo agora, durante o sono, uma das pontas dos lábios bem feitos pareciam se curvar ligeiramente pra cima, ensaiando um sorriso. A repiração saindo em golfadas pela boca. A expressão quase infantil. Eu poderia ter rido do seu ressonar se não estivesse sendo tão difícil acreditar.

Quer dizer, era Milo Scorpion ali. O cara cujo rosto estava estampado em todos os outdoors da cidade. O solteirão invicto mais cobiçado de Holliywood. O homem que havia partido mais corações do que eu tinha dedos pra contar. Milo Scorpion, com quem eu havia me comportado de modo quase irreconhecível há poucas horas. E que também havia me dito, de modo muito enfático, que me amava. Sim, que me amava. Antes de tomar os meus lábios com os dele e me fazer enlouquecer totalmente.

E havia sido fantástico. O que acontecera ali fora, na minha opinião, a definição exata de sexo de qualidade. Eu ainda não conseguia deixar de me espantar com o quão bem nós nos conectavámos, como se nossos corpos tivessem sido moldados um pro outro.

Eu nunca havia tido em toda a minha vida o tipo de experiência sexual, emocional, sensorial, que eu tinha com o Milo. Não com tanto fervor, tanta paixão. Mas talvez isso se devesse ao fato de que pela primeira vez eu estava com uma pessoa que eu realmente gostava. Alguém que eu amava e tinha admiração.

E ele também tinha uma boca linda, eu não pude deixar de lembrar. Nossa, como eu amava aquela boca!

O problema é que aquela boca estava começando a exigir coisas que eu não sabia se poderia lhe dar. Ela estava exigindo, por exemplo, que eu cancelasse meu casamento.

E está certo que eu meio que já tinha percebido que não poderia realmente me casar com a Saori depois do que havia descoberto sentir pelo Milo. Mas as coisas não podiam ser simplesmente definidas desse jeito. E apenas porque ele decidira assim, ainda por cima.

Mas eu o amava, ambos sabíamos. Com uma doçura que nos momentos finais se transformara em força quando eu o tomara. Meu desejo cru, fazendo com que a minha vontade se tornasse um imperativo. Com uma entrega que fazia com que todas as minhas defezas, cultivadas ao longo dos anos, se despedasassem em seus braços, revelando a ele o homem que havia por trás delas. Apenas a ele. Com um fascínio que me fazia desejar abandonar meu prazer simplesmente pra vê-lo em êxtase.

E fora isso que eu fizera essa noite. Segurara minha própria explosão pra testemunhar a dele, e fora apenas quando ele alcançara o ápice pela segunda vez que eu me permitira acompanhá-lo... e quando aconteceu foi completo e rico, absorvendo-me totalmente. Sob o encanto das mãos e dos lábios de Milo Scorpion eu havia me transformado, como em um passe de mágica, em outra pessoa. Uma criatura completamente diferente do meu normal.

Mas agora, passado o ardor que me consumira, a mágica se desfizera. Eu era eu mesmo outra vez. E sabia muito bem que não importava quantas vezes ele dissesse que aquilo daria certo. Nunca haveria um final feliz.

Como poderia haver? Mesmo que eu não fosse trocado pela Cameron Diaz dali a uma semana — o que eu estava achando bastante difícil de acreditar. Porque, covenhamos, não tinha como um cara como ele simplesmente se contentar com um único parceiro de uma hora pra outra, tinha? E ele também não havia 'se apaixonado' por todos os outros?-, a Saori seria terrível e irrevogavelmente magoada.

E não adiantava eu tentar me convencer de que o que eu estava fazendo não era pior do que o que ela havia feito comigo. Porque mesmo que ela tivesse me traído — e embora eu soubesse agora que seus beijos eram sem graça, patéticas imitações de beijos de verdade. Que seus murmúrios de carinho não tinham sentido quando comparados às coisas que Milo me dizia, em uma voz que, como um ferro em brasa, parecia marcar minha alma para sempre -, ela não merecia ser tratada desse jeito. Não era assim que se tratava uma pessoa que salvara a vida do seu irmão.

Eu olhei mais uma vez para o homem ao meu lado... E a visão da pele dourada brilhando a luz do abajur quase me fez perder o fôlego outra vez. Tudo o que eu queria era poder enterrar meu rosto naquele cabelo macio e ficar assim pra sempre.

Estar dentro dele fora a coisa mais próxima de estar no céu que eu já experimentara. Eu achei que meu coração fosse parar quando ele me pedira que o tomasse naquela hora. Eu nunca havia vivenciado nada mais profundo, mais exitante.

E eu realmente achava que poderia voltar pra minha antiga vida, pra Saori, depois disso? Depois de conhecer tudo o que ele tinha pra me oferecer? Impossível! Era loucura. Eu estava impregnado dele. Do aroma cítrico de perfume misturado ao cheiro quente e provocante de seu corpo, do sabor dos seus lábios, do gosto intoxicante da sua pele. Mesmo agora eu sentia meus dedos formigando de vontade de tocá-lo outra vez.

Então, depois de olhar rapidamente para o seu rosto pra me assegurar de que ele ainda estava dormindo, eu deixei que minha mão deslizasse delicadamente pela pele bronzeada.

Como eu podia não admirar aqueles bíceps definidos, que mesmo no sono pareciam tão imponentes? E aquela camada de pelos louros no seu peito? O abdómén firme? Meu olhar foi então atraído para o ógão que repousava, adormecido, entre as suas pernas. E, sem conseguir me conter, eu o toquei ali também.

Eu não tinha intenção de acordá-lo. Eu só queria... bom, eu não sei exatamente o que eu queria. Mas certamente não era aquilo.

Eu dei um pulo e quase caí da cama quando uma das mãos de Milo Scorpion agarrou o meu pulso.

Voltando pra ele os olhos arregalados, eu vi que ele estava completamente acordado agora, e sorria pra mim de modo perturbador.

– O que você estava fazendo? – ele perguntou em uma voz mais grave do que de costume e ainda rouca de sono.

– N... nada – eu gaguejei.

Mas minha resposta pareceu funcionar apenas pra que ele segurasse minha outra mão e me puxasse. Soltando-me apenas quando eu já estava em cima dele.

– Minha vez. – ele murmurou então, como se a nossa última conversa não tivesse sido interrompida por longas horas de sono.

Eu senti meu rosto esquentar. E não apenas pelas palavras, ou pelo flagrante em que fora surpreeendido, mas também porque sentia sob mim, longo e duro, o órgão que, mesmo incoscientemente, eu despertara.

Eu ainda tentei dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas ele me apertou com força contra seu corpo, trazendo minha boca pra junto da dele.

E a partir daí, realmente a conversa ficou impossível, porque a língua dele circulava trânquilamente pelo interior da minha boca. E por mim tudo bem, já que, de qualquer forma, eu não achava que tinha muito a dizer. Não quando os dedos dele estavam puxando o lençol que separava nossas peles e suas mãos deslizavam por baixo dele, subindo pelas minhas coxas, atravessando a barriga, passando pelas costelas até os ombros. Fazendo com que meus mamilos ficassem imediatamente duros. E não eram apenas os meus mamilos que estavam ficando duros.

Eu me perguntava, na pequena parte do meu cérebro que ainda era capaz de pensar, sobre o que acontecia quando as mãos de Milo Scorpion estavam sobre mim que me deixava fraco de repente. Ele apenas me beijara, e uma onda de desejo tão violenta perpassou o meu corpo que me deixou trêmulo. Mesmo agora, eu podia sentir aquela fisgada, aquela denunciadora rigidez entre as pernas que significavam que eu estava pronto. E tudo que ele precisou fazer foi me beijar. Bem, beijar e tocar... 'lá', e 'lá', e... Mon Dieu, 'lá'!

Então, com as costas arqueadas de prazer, meus olhos semicerrados, se abriram de repente, percebendo que ele já estava parcialmente dentro de mim... e eu não havia sequer notado quando seus dedos haviam me abandonado.

Com as mãos deslocando-se para os meus quadris e os olhos firmemente presos aos meus, ele me penetrou completamente dessa vez, e 'isso' eu senti. E como senti! Eu não pude deixar de ofegar ante a espessura e dureza do membro que me invadia, mas como eu estava bem preparado, não doeu... ao contrário, eu fiquei tão exitado quanto na outra noite. Meu corpo se arqueando pra trás de modo solto, fluído, de forma que os seus lábios pudessem saborear onde e o que desejassem, enquanto ele se movia, em lentidão calculada à prícipio, para então aumentar o ritmo, fazendo-me tensionar o corpo e gemer.

Em resposta, minhas mãos passeavam pelo seu peito. Delineando músculo por músculo, sentindo seu coração bater. Eu estava pleno dele. Poderia jurar que até mais do que da outra vez.

Então, de repente, impacientemente, ele saiu de dentro de mim e me fez rolar, virando-me de bruços na cama.

– O que você está fazendo? – eu perguntei confuso, enquanto ele levantava meus quadris, deixando-me de quatro sobre o colchão.

– Eu quero... – disse ele numa voz gutural e tão cheia de desejo que me fez tremer — ...ver.

Ver quando íamos nos unir novamente, eu percebi. E teria enrubescido se ele não tivesse, naquele momento, levado a mão outra vez aos meus quadris, penetrando-me com força, fazendo-me quase gritar de prazer.

Eu sabia que estava completamente exposto naquela posição. Minha intimidade vergonhosamente revelada... e, ainda ssim, eu não conseguia me incomodar. Porque estava delicioso. Eu podia sentir cada tremor, cada frémito. Meus quadris batendo furiosamente contra os dele.

Meio ofuscado, eu tive uma vaga consciência de quando suas investidas se apressaram, tornando-se mais profundas e urgentes. E então, simplesmente, de repente, meu corpo retesou outra vez, minhas costas curvando-se em um arco quase completo enquanto eu atingia o clímax, em um orgasmo que me fez explodir por dentro com uma sensação dourada.

Por um momento a sensação era quase cruel, e então uma lança de prazer me atravessou, aguda e quente, enquanto eu estremecia de êxtase da cabeça aos arcos dos pés, desfalecendo sob ele, completamente exausto.

Ele, no entanto, não parecia exausto. E, me puxando pro seu colo, penetrou-me mais uma vez, e outra, tão duro que eu pensei que poderia quebrar a cama. Já que aprendera que a mim ele não quebrava.

Logo, ele também, com um tremor convulsivo e um grito rouco, desabou pesadamente sobre mim.

Nós ficamos deitados, ofegantes, os corpos deliciosamente relaxados um contra o outro. Demorou vários minutos até que eu me sentisse capaz de falar outra vez e mesmo assim apenas porque ele não dava mostras de querer se mexer, e eu estava me sentindo meio esmagado ali embaixo.

Rindo do meu pedido, ele se virou para sair de cima de mim e empurrou meu corpo, pondo-o de lado e contornando-o com o seu, o peito aquecendo as minhas costas.

– É assim que eu quero passar todas as minhas noites pelo resto da vida. – ele sussurou no meu ouvido – Eu não consigo mais esperar.

– Isso ficou bem claro – eu ri.

Rindo também, ele se inclinou pra frente e beijou minha bochecha.

– Desculpa, Ruivo, mas foi você quem me atacou há pouco. Fiquei muito chocado com o seu comportamento extremamente ardente.

Eu ri outra vez, enquanto ele voltava a se aconchegar ao meu corpo.

– Milo – eu o chamei depois de um tempo de silêncio.

Ele se ergueu nos cotovelos.

– Sim... – ele disse, com a voz arrastada.

Eu olhei nos seus olhos, e eles, como seus lábios, estavam sorrindo pra mim. Eu senti meu coração estremecer. Eu queria dizer a ele. Queria falar como eu me sentia pela primeira vez. Com as palavras certas. Aquelas três palavras que ele já me dissera no começo da noite, mas que eu ainda não achara meios de pronunciar.

E não porque eu não as sentisse, ao contrário. Mas simplesmente poque eu não sabia como falar aquilo sem me sentir um idiota. Como um dos personagens daqueles romances bobos que o Afrodite adorava ler.

– Milo... – eu comecei outra vez. Certo. Muito bom. Uma palavra a menos.

– O que? – ele perguntou, erguendo uma sobrancelha

Eu respirei fundo. Ia conseguir. Claro que ia. Milhões de pessoas faziam aquilo o tempo todo. Eu só tinha que falar a frase. Três palavras. Só isso. Três palavras com duas ou três letras cada.

– Eu... – eu continuei, e então parei. Mon Dieu, por que era tão difícil?

Ele continuava me olhando. Com os olhos azuis cheios daquela emoção que eu não conseguia definir.

Eu suspirei.

– Nada.

– Nada? – ele franziu o cenho — Isso é tudo o que você tem pra dizer? Nada?

Sentindo-me meio idiota, eu desconversei:

– Você acha que ainda podemos conseguir alguma coisa pro jantar?

O sorriso se abriu, tanto nos olhos quanto nos lábios.

– Pelo jeito você continua duvidando das minhas habilidades na cozinha – ele falou já se levantando – Vou ter que dar um jeito nisso imediatamente.

E ele realmente deu.

Brindando-nos, apesar da escassez mórbida da minha geladeira, com o melhor bife à cavalo que eu já comi na vida.

Nós acabamos indo dormir muito tarde aquela noite. Com a neve, que amainara um pouco, batendo leve contra a janela e uma de suas mãos envolvendo possessivamente minha cintura.

Na Champs Élysées, lá embaixo, eles haviam voltado a tocar 'La Vie em Rose'. As notas nos embalavam baixas e longínquas. Elas falavam sobre amar, eu pensei sonolento, e ver a vida com lentes cor de rosa.

Meu último pensamento consciente antes de adormencer foi que o Afrodite estava certo: Eu precisava aprender a correr mais riscos.

oOOoOOoOOo

Milo POV

Eu acordei com a luz do sol, que entrava pelas janelas altas à minha esquerda, batendo contra o meu rosto. Não era um sol forte e ainda estava parcialmente encoberto pelas nunvens, contudo pelo menos aquelas nuvens não eram negras, mas sim brancas. E não pareciam ter quilos de neve pra jogar em cima de mim.

Com ou sem neve, no entanto, ele estava lindo. Ele estava sempre lindo.

E olha só como ele ficava fofo dormindo! Um fofo masculino, não um fofo delicadinho. Ele não ficava se remexendo de um lado pro outro, com a boca aberta e a baba escorrendo pelo canto como eu (sei que faço isso porque meus irmãos me disseram). Não, ele dormia bem quietinho, com os lábios fechados. Os cílios compridos e recurvados pousados suavemente sobre a face pálida. Absolutamente perfeito.

Isso pra não mencionar o corpo nu, ali deitado. Os cabelos vermelhos esparramados, contrastando com a pele clara que se misturava aos lençóis de algodão egípicio de mil fios (eu leio as etiquetas). As nádegas gloriosamente expostas, redondinhas e convidativas... Certo, eu precisava parar com aquilo. Parar de ficar obcecado com a bunda do meu namorado.

Meu namorado. Parecia tão estranho dizer isso... até pensar nisso.

Porque pela primeira vez era verdade. Eu tinha uma pessoa de quem eu realmente gostava, e não só alguém com quem eu queria me divertir pra passar o tempo. E está certo que essa pessoa tinha uma noiva e que não dissera exatamente que me amava, não com todas as letras pelo menos. Mas era só uma questão de tempo, não era?

E tudo bem, tinha aquela história toda do Dohko também. Eu sabia que ia ter que contar sobre isso pra ele em algum momento.

Mas como eu podia fazer isso, sabendo que essa informação provavelmente o mandaria correndo de volta a New York? E sozinho? Porque, convenhamos, eu não acho que a maioria das pessoas reagiria bem a notícia de que seu suposto namorado era um antigo ladrão de jóias, reagiria? E que havia mentido pra você, ainda por cima.

Certo. Eu lhe diria amanhã, estava decidido. Por hora eu ia aproveitar um pouco mais daquela felicidade. Sem me preocupar com o futuro, esquecendo o passado, e vivendo completamente o momento. Que era, a considerar o que o futuro nos reservava quando voltássemos aos EUA, a única opção verdadeira.

Talvez eu devesse acordá-lo, eu pensei então, olhando o relógio na cebeçeira e constatando que já passavam das dez horas. Mas ele estava tão lindo ali deitado. Tão trânquilo. Como se um peso tivesse sido tirado de cima dele. A nuvem de preocupação que parecia ter pairado quase constantemente sobre o seu rosto até então havia desaparecido.

Fora assim a noite passada também, eu me lembrei. Era como se ao ter dito finalmente aquelas três palavras — que durante muito tempo eu evitara dirigir a qualquer um -, eu tivesse destampado uma garrafa e um Camus inteiramente diferente houvesse saído dela. Um Camus para quem não parecia haver preocupação no mundo. Nem irmão baleado, nem noiva idiota, nem casamento à vista.

Infelizmente isso não havia durado muito. Logo a nuvem estava lá outra vez. Ele estava sofrendo de crises de consciência, eu percebera. Eu reconhecia os sinais. Embora não conseguisse pensar no que poderia fazer, além de inclinar-me pra ele e beijar a leve linha de preocupação que às vezes franzia sua testa lisa.

Quando nós fazíamos amor era diferente. Todos os problemas dele pareciam desaparecer, como num passe de mágica. Era quando não estávamos fazendo amor que as crises voltavam.

E o mais engraçado era que apesar de não gostar de vê-lo infeliz, eu não o amaria nem metade do que amava se ele já tivesse se tornado insensível à situação, e não desse importância a isso. Afinal, a noiva dele podia ser uma vigarista, podia ser uma vagabunda, certamente era uma idiota, mas ele gostava dela a sua maneira, e era por não querer que ela sofresse que estava preocupado. Eu não podia deixar de admirar uma atitude assim.

Então eu tentava fazer brincadeiras pra afastar da mente dele os problemas. Na cozinha, por exemplo, ao fritar os ovos para o nosso jantar tardio, eu segurara a frigideira e jogara os ovos pra cima, na esperança de que algum acabasse grudando no teto.

E, ao que tudo indicava, eu me saíra bem — pelo menos na parte de divertí-lo — com essas graças porque ele rira. E parecera feliz ali sentado, olhando pra mim, enquanto eu cozinhava e, mais tarde, enquanto comíamos. E imediatamente depois, ele também ficara bastante feliz, quando, tomado por um súbito desejo, eu o inclinara pra trás na mesa e o possuíra de novo. Pelo menos nem uma palavra de queixa escapara de seus lábios.

Quem diria, eu pensei, que nesse executivo frio e elegante houvesse essa profundidade de paixão, essa sensualidade que me deixara maravilhado. Sem dúvida esse era um dos motivos pelos quais eu o amava. Cada noite com ele era plena, intensa, um caleidoscópio de sensações, exaurindo-me completamente, como seu eu fosse uma esponja velha.

Só que de alguma forma eu achava que esse comentário, dizer que eu o amava porque ele me fazia sentir como uma esponja velha depois do sexo, não seria entendido como um elogio.

Eu estendi o braço pra pegar uma das mechas cor de fogo que se espalhavam pelos dois travesseiros, admirando-a à luz do sol. Eu fora intoxicado pelo amor, eu me dava conta. Estremecia ao mais leve toque dele. Sentia-me entorpecido só de ouvir o som da sua voz. Eu havia me apaixonado pela primeira vez, e perdidamente.

Se eu estivesse escrevendo a história da minha vida eu certamente poderia encerrá-la nesse momento. Eu poderia dizer, por exemplo, que depois daquilo o Dohko morrera em um desastre aéreo. Então escreveria que o ruivo terminara seu compromisso descabido e nós tivéramos muitas e muitas noites de sexo tórrido. Seria um bom final. Eu até poderia acrescentar um: 'E foram felizes para sempre. Fim'. Tornaria tudo mais lúdico.

Só que não é assim que as coisas acontecem na vida real. Na vida real, ruivos perfeitos não terminam seus noivados da noite pro dia. E na vida real nossos problemas não somem magicamente em um desastre de avião.

Então meu telefone tocou.

Eu não devia ter atendido, é claro. Eu percebi isso depois. Eu devia ter desligado o aparelho assim que vi o aviso de 'chamada não identificada' no visor e soube, com a mesma certeza que tinha de estar tão profundamente encantado pelo homem ali deitado ao meu lado, que era o Dohko.

Fora minha culpa. Se eu pudesse voltar no tempo, eu teria acordado meu lindo ruivo imediatamente e contado tudo a ele. Ou fugiria com ele pra um lugar distante. Sem deixar pistas.

Mas era minha primeira vez.

Não sexualmente obviamente, mas era minha primeira vez com alguém cuja simples presença preeenchia tanto meu coração e mente que não havia mais espaço pra outra coisa, inclusive pensar racionalmente.

Se eu tivesse pensado friamente, ainda que por um momento, teria percebido a absoluta necessidade de ter arremessado longe aquele telefone ao primeiro toque. De preferência espatifando-o contra a parede.

Mas nenhum homem, mais tarde eu me consolaria, poderia continuar na posse de seu juizo perfeito diante da deliciosa descoberta de que a pessoa que ele descobrira amar retribuía esse sentimento, e melhor, que fazia amor como um peixe vivia na água. Não, essa não era uma coisa que um cara – pelo menos um cara como eu – pudesse ignorar. Mesmo que eu tivesse idéia do que viria depois, eu duvidava de que pudesse ter feito qualquer coisa diferente.

O mais irônico é que eu estava finalmente resolvido a pôr um fim naquilo. Enquanto eu colocava o celular no mudo, vestia as calças, e caminhava até a sala eu estava decidido a dizer ao Dohko que eu estava fora. Eu enfrentaria as consequências. Eu contaria tudo aos gêmeos se fosse preciso. Eu me tornaria alguém melhor. Não pela minha família ou por mim mesmo, mas por ele. Pelo Camus.

Eu queria ser o que ele acreditava que eu era. Um homem bom. Alguém a quem ele poderia amar. Porque estava claro que ele não poderia amar um mentiroso e um ladrão.

Só que um homem bom, eu percebi enquanto ouvia o sarcasmo e as ameaças do Dohko do outro lado da linha, provavelmente saberia pôr os outros antes de si mesmo. Um grande homem escolheria a família ao seu próprio sentimento.

Um homem bom perceberia que estar com ele era colocá-lo em risco. Um grande homem o deixaria livre.

Eu não era esse homem. Eu o queria. Com um frio e perigoso sentimento de posse, que me tornava incapaz de deixá-lo partir. Eu precisava dele. E eu queria dar tudo a ele. Tudo o que eu tinha pra oferecer e mais.

O Dohko acharia outro jeito de conseguir aquela tiara. Meus irmãos teriam que lidar com seus atos do passado, assim como eu próprio. Aquilo terminaria ali.

E foi quando eu estava informando a um Dohko não muito contente da minha decisão — não haveria mais roubo. Ele teria que arrumar outro jeito de por as mãos na tiara da tal Saori Kido — que um som de vidro se quebrando me fez congelar.

Eu virei a cabeça, sabendo muito bem o que iria encontrar, mas sentindo-me ao mesmo tempo incapaz de evitá-lo.

Ele estava parado na porta. A expressão completamente aturdida. Um copo espatifado aos seus pés. A água esparramando-se pelo assoalho de madeira.

– Ca... Camus! – foi tudo o que eu fui capaz de gaguejar.

Notas finais
Olá a todos, depois de muito tempo eis eu aqui outra vez, com a última atualização do ano pra vcs. Espero que gostem ^^
Primeiro eu quero pedir desculpas pela demora. Eu tive um prolbeminha com meu pulso que me origou a ficar longe do teclado por um tempo. Na verdade, eu me esborrachei da escada e acabei luchando o pulso, torcendo um dedo, quabrando o pé entre outros, mas nada mais grave que isso, pelo menos meu lep top não quebrou, o que é mais importante XD (ele estava comigo na hora do tombo tadinho u.u). Mas é como eu já comentei com algumas pessas: ninguém mandou eu correr apressada pela escada de salto alto, segurando lep top, bolsa, livros, e com um cachorrinho entrelaçando pelas minhas pernas querendo atenção. Bem feito pra mim.
Mas agora eu já estou melhor - só o pé que continua quebrado-, então vamos ao ch.
E aí, o que vcs acharam? Lemon, lemon e mais lemon, né? Estou até com vergonha XD.
E finalmente tivemos Camus ativo em um lemon, gostaram do desempenho do ruivinho? E da narração pelo ponto de vita do Milo pra variar? Bem, espero que sim *insegura mor XD*
E Camus sofrendo crises de consciência e com dificuldades pra dizer 'eu te amo'muito a cara dele XD.
E o final foi meio tenso, né? O que será que vai acontecer agora? Bom, só esperando pra ver *malvadamodeon XD*
Ah, e só avisando que estarei viajando, quarta feira fora - com pé quebrado e tudo XD- e que vou ficar o mê todo. Vou levar meu lap top, mas não faço idéia se terá internet no lugar que eu vou ficar, e me recuso a ficar em fila de lan house, então pode acontecer de eu ficar um pouco sumida esse mês, por favor não estranhem, assim que der porsto uma atualização bem linda pra vcs ^^
Então muito obrigada mais um vez à todos que acompanham, e em especial as meninas lindas que me deixam reviews tão fofas que me fazem ficar com a consciência pesada por demorar a postar, mesmo estando acidentada ^^:Lihchan, Moni-d, Kassiminha, Chakal_Maldito, ddd, Kamy Jaganshi, Tomb_Raider, PapillonBleu, sashinha, sayuri hatake, stocking, YukiSaiko, Su Cabral, Litha-chan , muito, muito obrigada mais uma vez, meninas ^^
Bjos
PS: Créditos devidos: à Meg Cabot, Kathryn Smith e J. Robb.