Notas iniciais
Disclamer: Saint Seiya não me pertence, o que é uma pena realmente XD Esta é uma fic yaoi, ou seja contém relacionamento homossexual entre homens, se você não gosta, não leia.

Hyoga POV

Eu me agachei no escuro. Estava respirando com dificuldade. Muita dificuldade. Tanta que temia ser ouvido. Eu precisava ficar quieto. E, principalmente, precisava pensar.

Mas era impossível pensar. Meu coração batia descompassado. Tinha a impressão de que ele poderia explodir a qualquer minuto. Sentia-o soar em meus ouvidos. E isso era tudo que eu conseguia ouvir. O revólver havia disparado tão perto que eu tinha certeza de que me deixara surdo.

Eu sabia que estava surdo. Era só ver a forma como eu tivera que prestar atenção nos lábios do homem de pele morena que vigiava o portão da delegacia perto de onde eu estava. 'Não, os detetives Panagopoulos não estavam de serviço na DP aquela noite'. O homem dissera. Ou pelo menos era isso que eu achava que ele havia dito. Um movimento negativo de cabeça acompanhou a resposta do sujeito à minha outra pergunta. 'Não, ele não sabia quando eles voltariam'.

Então os lábios grossos se moveram rápido, de modo irritante. O homem apontava para um relógio de pulso que trazia sob a manga do casaco. Os ponteiros indicavam que passava das duas e meia da manhã. 'Dê o fora, cara. Volte amanhã.'

Mas eu não podia dar o fora. Porque sabia que pela manhã já estaria morto.

Eu sabia como devia ter parecido pro vigia da delegacia — se é que ele conseguira me ver naquela escuridão. Coberto de lama, onde eu rolara sob o carro em frente à boate, e com a camisa rasgada. Havia vestígios de pólvora incrustados na minha pele. Dava pra sentir o cheiro. Sem mencionar o inchaço das dúzias de pancadas das quedas que eu sofrera na fuga. Eu as sentia queimar.

Mas pelo menos não haviam conseguido me meter uma bala. Não dessa vez.

Eu não conseguia dizer ao certo quem havia dado o tiro. Havia a costumeira aglomeração do lado de fora da boate. Uma multidão de gente. Metade das pessoas tentando entrar, a outra tentando sair, misturadas às centenas de transuentes festivos que lotavam a Broadway Square naquela véspera de Natal. Em um minuto eu estava empurrado as pessoas pelo caminho, e então subia no táxi, com o Seiya, logo atrás de mim. Ou pelo menos eu achava que tinha sido assim, porque no minuto seguinte eu já tinha tropeçado e me estatelava no chão perto do carro.

E fora isso que me salvara. Ter tropeçado. Eu escorregara, e minha falta de jeito salvou minha vida. A pontaria estava alta demais, a bala só arranhou o meu queixo e foi parar na lataria do táxi sem me atingir. Em vez de acertar meu cérebro, que eu imagino que fosse o seu alvo.

O Seiya provavelmente deve ter gritado. Eu acho que ele gritou. Mas eu não conseguia ouvir nem o som da minha própria respiração depois do tiro. Foi como se o mundo ficasse silencioso de repente. Eu já não conseguia ouvir o barulho da multidão, o ronco de motor dos carros, as businas incessantes, os gritos das pessoas, nada.

Eu sabia o que tinha acontecido. Soube imediatamente. E me movi instintivamente, atirando-me em direção à pista. Desviando de um veículo após o outro. Mas encontrando, ao chegar do outro lado, apenas outro carro, cheio de bêbados, bloquendo meu caminho. Eu nem pensei, me joguei no chão e rolei sob ele. Então, com dificuldade, consegui me por em pé novamente e corri o máximo que pude.

Eu não sabia pra onde ir. Ir pra casa estava fora de questão. Não quando alguém estava tentando me matar. Eu não podia colocar a vida do Camus e do Dite em perigo. E obviamente eu também não poderia procurar o Shun. Pela primeira vez na noite eu agradeci aos Deuses pelo Ikki ter tirado ele daquela festa mais cedo. Eu nem queria imaginar como eu me sentiria se ele estivesse lá naquela hora. Se acabasse ferido por isso.

Depois de caminhar umas tantas ruas, eu percebi que estava indo em direção ao apartamento do Seiya. Certo. Ele me ajudaria. Quando eu chegasse lá ele certamente me ajudaria.

'Espere', eu dizia a mim mesmo enquanto passava correndo a toda velocidade por bêbados, notivágos assustados, e prostitutas. 'Espere pelo Seiya, ele saberá o que fazer'.

Então, algo estranho aconteceu. Eu me lembrei do olhar daquele detetive quando eu lhe disse que fora o Seiya que me levara àquela boate onde nós conheceramos o Radamanthys. Não que fosse culpa dele. Ele não sabia. Nenhum de nós sabiamos. Quem iria imaginar que o homem era um bandido procurado e que tentaria me matar?

Porque fora ele. Ele atirara em mim no campus da faculdade. Ele pensou que eu estava desacordado, mas não estava, ainda não. Eu podia estar bêbado, mas ainda a me lembrava dos olhos dourados examinando meu rosto enquanto eu estava caído. Ele checara meus sinais vitais e então, inexplicavelmente, partira. Ele poderia ter terminado o serviço se quisesse, mas simplesmente fora embora.

Eu omitira esse fato durante a investigação em Boston. Não que eu quisesse mentir pra polícia, não é isso, eu apenas não queria decepcionar meu irmão. Ele sempre fora o mais próximo que eu tivera de uma figura paterna, depois que a minha mãe fugiu, e nosso pai mergulhou no trabalho. Eu não queria que ele soubesse o quanto eu fora idiota. Que tolo irresponsável eu era, que frequentava boates duvidosas e se enbebedava com desconhecidos. E, claro, eu não queria comprometer o Seiya. Porque realmente não era culpa dele. Não mesmo.

Só que de algum modo, quando eu alcancei à rua em que meu futuro cunhado alugara um apartamento, em vez de apertar o interfone pra que o porteiro rabugento me deixasse entrar, eu me escondi numa ruela. Fiquei ali, em pé, ofegante, tentando recuperar o fôlego.

O Seiya estava bem atrás de mim, — eu não consegui me impedir de pensar — me ajudando a entrar no táxi, com a mão no meu cotovelo. Eu sabia que ele estava achando que eu estava bêbado. Só que, outra vez, eu não estava. Eu havia desisitido do álccol desde a noite em que fora baleado. Eu costumava gostar de vinho e de uma boa dose de vodka, mas desde que eu tinha me ferido não suportava mais o gosto da bebida. Assim, dei uma gorjeta pro garçom e lhe sussurei que me servisse apenas refrigerante em vez da cuba que todos estavam tomando. Só que com uma rodela de limão dentro pra que eu pudesse diferenciar os copos.

Eu não estava bêbado como todos estavam pensando. Foi só por isso, eu de repente me dava conta sentindo cada vez mais frio, que eu não estava morto agora.

Eu não conseguia pensar em outro lugar pra onde pudesse ir. Não podia ir pra minha casa, ou pra do Shun, e agora também não me sentia confiante pra ir pro apartamento do Seiya.

Mas também não podia ficar ali a noite inteira. Principalmente por estar surdo como um poste.

Certo. Eu tinha outros amigos. Estava tentando pensar em qual deles morava mais perto dali quando vi o táxi chegar. Enquanto eu olhava, o Seiya saltou de dentro dele e subiu os degraus da frente do prédio, onde eu havia estado há pouco pensando no que fazer.

Ele falava nervosamente com alguém no celular. E foi só então que eu percebi o quão surdo eu estava. Eu via a expressão ansiosa no rosto dele, mas não conseguia ouvir o que ele dizia.

O portão do prédio se abriu e o porteiro apareceu falando e gesticulando com ele, as feições retorcidas.

Mas eu também não conseguia ouvi-lo.

Devia estar dizendo que ele não havia recebido nenhuma visita, já que ele deu meia volta e entrou novamente no táxi, que permanecera esperando por ele.

Por um momento eu quase saí da ruela úmida, e estive a ponto de acenar para o carro e me sentar ao lado do meu velho amigo. Porque aquilo não podia ser possível. Simplesmente não podia. Nós eramos amigos. Quase parentes. A irmã dele ia se casar com o meu irmão, pelo amor de Deus! Por que ele ia querer me matar? Ele estava lá, em Harvard, quando eu estava à beira da morte. A irmã dele me salvara. Era ridículo pensar que ele pudesse querer me ferir.

Mas, no último instante, eu mergulhei de volta na travessa escura. O táxi passou numa rapidez arriscada pela rua, que mesmo àquela hora ainda fervilhava de gente. Eu os deixei ir com o coração batendo forte nos ouvidos, como se me disesse: 'Idiota, idiota, idiota...'

Eu não sabia dizer o que havia por trás da expressão daquele detetive na manhã em que eu pronunciei o nome de Radamanthys, mas a lembrança parecia fazer com que um bloco de gelo se formasse no meu estômago.

O Shun decidira que se eu não queria contar a verdade ao meu irmão devia ao menos procurar a polícia. Quando eu mencionei o nome do meu agressor, contudo, nós fomos diretamente encaminhados pra divisão de investigação especial. 'Nós já estamos atrás dele há algum tempo.' Dissera um dos detetives. 'Não vai se fácil botar as mãos nele. Nós vamos precisar de uma boa armadilha.' O outro, que se parecia exatamente com o primeiro, completou, me entregando um cartão. 'Entre em contato se ele voltar a aparecer'.

Mas ele não estava na multidão naquela noite. Eu o teria reconhecido imediatamente. Não, não fora o Radamanthys que atirara em mim dessa vez. Mas provavelmente fora alguém que trabalhava pra ele. Eu tinha tanta certeza disso como tinha de não ter conseguido ouvir o latido do cachorro parado no outro lado da rua, com a boca abrindo e fechando sem parar, mas sem nenhum som, enquanto acuava um gato no telhado. Radamanthys mandara alguém pra me matar.

E o Seiya estava bem atrás de mim enquanto eu subia no táxi. Bem atrás...

Não. Era impossível. O Seiya não. Ele não tinha atirado em mim. Não podia ser.

Ou podia?

Não tinha importância. Não importava quem havia feito aquilo, mas sim que eu estava vivo. E precisava continuar assim. Não podia ir pra casa. Não, lá eu não estaria seguro, e nem poderia por a vida da minha família em risco.

Só que também não dava pra ficar na rua a noite inteira. Antes de ter sido ferido, talvez, mas não agora. Eu estava sem forças.

Além disso, eu não tinha nenhum dinheiro. Minha carteira caíra em algum momento durante a fuga. Provavelmente quando eu rolara por baixo do carro. Não dava nem pra pagar por um quarto.

Pra onde eu poderia ir? O que poderia fazer?

E então, de repente, eu soube.

Tomando outro caminho, eu caminhei outra vez pelas ruas frias, esgueirando-me no escuro pelas escadarias que levavam ao portão de seviço da divisão de investigação especial da 12o DP. Mas não havia mais ninguém ali além daquele vigia.

A noite estava gélida e o céu, carregado de nuvens, contrastava com as luzes brilhantes da cidade. A tempestade ainda não começara a cair, mas não iria demorar. Eu estava certo de que àquela altura a neve me mataria como qualquer bala. Eu só podia rezar pra que os detetives voltassem antes que ela caísse.

Eu devo ter cochilado, agachado ali no escuro, porque me pareceu que enquanto rezava pra que alguém chegasse, subitamente uma luz brilhou a minha frente, e eu percebi que era o portão, no alto da escadaria, que se abria.

Eu disse meu nome, ou pelo menos achei que tinha dito, ainda não estava conseguindo ouvir a mim mesmo, e saí do escuro. Um carro preto estava parado no meio-fio. E lá estavam os gêmos, parados no alto dos degraus. Havia um outro homem com eles. Ele aparentava ser mais velho que os dois primeiros, tinha cabelos longos, de um loiro que parecia esverdeado à luz tênue que vinha da porta, olhos de um exótico tom de violeta, além de duas estranhas pintas na testa.

Eles se viraram na minha direção intrigados. A luz da entrada refletia plenamente em seus rostos revelando o choque quando eu finalmente cambaleei, ficando visível.

O homem de olhos violeta disse alguma coisa, mas eu não conseguia ouví-lo. Eu via os lábios dele se mechendo, mas não ouvia o que ele dizia.

Então, de repente, eu estava afundando enquanto algumas mãos tentavam me colocar de pé. Eu dizia a eles o que havia acontecido. Só que não sabia se estava falando alto ou não, porque ainda não conseguia ouvir minha própria voz. Mas tinha certeza de que estava chorando porque sentia o rosto úmido.

Eu só tive tempo de pensar que era mesmo uma coisa triste um homem, mesmo jovem, chorar na frente de outros homens. E então tudo ficou escuro.

A última coisa que me lebrava era dos braços a minha volta e de lábios se movendo, não com uma expressão de espanto, mas de preocupação.

ooOoOoOoo

Milo POV

Foi exatamente às dez horas da manhã do Domingo do dia 26 que eu fiz subir e descer a elaborada aldrava da porta do vice presidente da Invoice Finnancial Corporate.

Eu sabia que dez horas era um tanto cedo pra uma visita social, mas não conseguia evitar. Eu estava impaciente.

Não era pra ter sido daquele jeito. Não mesmo. Quando uma cara dormia comigo, ele costumava ficar exatamente onde eu queria: na cama. Não saía vagando por aí sem mim. A não ser que quisesse me surpreender com um café da manhã, é claro.

Mas ele não havia se levantado pra servir o café pra mim. Eu percebi isso quando me levantei tropeçando no lençol que havia enrolado em volta da cintura, e caminhei até a sala. Ele não estava lá. A porta do banheiro estava aberta, mas o cômodo também estava vazio. Ele não estava ali, nem no quarto, nem em parte alguma.

Mas isso não era a única coisa errada. Cheio de sono, levou algum tempo pra que eu me desse conta de que algo mais me incomodava. Era o frio. Sim, um vento frio entrava junto com a luz do sol pela porta entreaberta da varanda, que eu tinha certeza estar fechada na noite anterior. E foi só então que eu percebi que embora o ruivo não estivesse ali eu não estava sozinho. Meu coração parou. Em pé, recostado na amurada da varanda, um copo de conhaque em uma das mãos, e a outra no bolso do casaco escuro a figura de Dohko me olhava da sacada.

— Bom dia, garoto!

Eu fechei os olhos. De novo não.

— Acho que preciso trocar minhas fechaduras. — eu falei. Pelo menos eu ainda conseguia ser sarcastico.

— Não existe fechadura que eu não consiga abrir. – ele se gabou.

— Deve exisitir pelo menos uma. – eu retruquei enquanto vestia um roupão — Por exemplo, a fechadura de uma cela em Attica. (1)

Ele preferiu ignorar minha ironia.

— É coisa rápida, rapaz. – ele falou desencostando da amurada e andando na minha direção.

— Eu devia era matar você. – eu ameacei.

— Se eu não voltar pra casa em meia hora, — ele colocou o copo no parador — um pacote será entregue na divisão de ivestigação de New York detalhando seu envolvimento comigo e todas as provas encobertas pelos seus irmãos. E se não me entregar a tiara... – seu rosto se fehclou — vou arruinar sua família. Juro. Você e seus irmãos serão motivo do falatório que circulará por todo o país.

Eu dei de ombros.

— Então tem que me dar mais tempo. Não vou ser de nenhuma ajuda pra você se o país inteiro souber a verdade sobre mim.

Ele permanecia impassível.

— Você não me dá ordens, garoto.

Eu encolhi mais uma vez os ombros.

— Então, o que você sugere?

Os olhos escuros se estreitaram. Ele não era estúpido.

— O que aconteceu, rapaz? O ruivo te deu o fora, foi isso? Essa é a razão da falta de respeito comigo?

A falta de respeito se devia ao fato de que ele não merecia respeito algum, mas eu não disse isso. Aliás, não disse nada, e esse foi meu erro.

Um sorriso displicente e astuto se estendeu pelo rosto dele.

— Sugiro que você de um jeito de me entregar aquela tiara no prazo combinado, garoto, ou pagará por isso.

Eu ergui uma sobrancelha, apesar do frio no estômago. O que será que o velho bastardo estava planejando.

— Vou tentar.

O sorriso se espalhou ainda mais pelo rosto arrogante.

— Sabe, aquele seu ruivo é mesmo um belo rapaz, eu detestaria vê-lo ferido. – seu olhar perdeu parte do humor — Vou machucá-lo, e também a qualquer um que me der telha.

— Seu filho da puta! – eu praguejei investindo contra ele. Eu sabia o que podia acontecer, sabia que ele era capaz de cumprir a palavra, mas não conseguia reprimir a raiva que tomava conta do meu cérebro. O súbito brilho do metal da arma apontada pro meu peito me impediu de continuar. Ele era rápido.

— Calma aí, garotão – ele falou erguendo mais a mão e fazendo mira com a pistola – não vamos querer ver um buraco de bala nessa sua bela cabeça, não é?

Eu fiquei imóvel. Com os olhos fixos nele, mas em silêncio. Mais do que medo de morrer eu temia o que ele poderia fazer pra conseguir a tiara.

— Agora que tenho sua atenção — ele disse – permita-me dizer-lhe como tudo vai ser. Você vai pegar aquela tiara pra mim, entendeu? Não me interessa nem um pouco como você vai fazer isso. Se não fizer alguém vai sair ferido. E com 'alguém'quero dizer uma pessoa com quem você se importa. Estamos entendidos?

Eu continuei no lugar.

— Perfeitamente.

Ele baixou a arma com um sorriso de satisfação.

— Muito bem. Procurarei você em um dia ou dois pra ter certeza de que não esqueceu. Agora pegue isso. – ele me estendeu um envelope pardo.

— O que é isso? – eu quis saber, pegando o envelope e sentindo que havia um papel mais duro, como um pedaço de cartolina, dentro

— Um convite para o casamento da Srta. Kido. – ele respondeu — Assegure-se de estar lá.

Eu olhei desconfiado pro envelope e depois pra ele novamente.

— Como você conseguiu isso?

— Como eu consegui não é da sua conta, — ele disse — apenas tenha certeza de pegar a tiara. Não será tão difícil pra alguém como você arranjar, com uma conversa açucarada, um jeito de se aproximar da moça, não é?

Eu respirei fundo. Não, não ia ser tão difícil, ia ser um inferno.

—Conseguirei sua maldita tiara. Agora saia daqui e vá pro inferno.

Ainda exibindo aquele sorriso convencido, ele balançou a cabeça enquanto guardava a arma no coldre.

— Rapaz, você sempre foi insolente. Entre outras coisas, é por isso que eu gostava tanto de você.

Eu não disse nada, embora o riso de zombaria do velho me desse vontade de ferí-lo de algum jeito.

A porta se fechou com um clique quando ele saiu. Eu esperei até que ele fosse pra só então jogar o envelope a um canto e me atirar desanimado no sofá. Não dava pra acreditar naquilo. Não dava pra acreditar que ele havia tido a audácia de se esgueirar por ali com toda aquela gente na casa. Eu só esperava que ele não acabasse topando com o Saga ou o Kanon pelo caminho... ou talvez fosse extamente isso que eu quisesse. Quem sabe não era hora de engolir meu orgulho e admitir que eu não conseguia enfrentar isso sozinho?

Apenas um par de horas havia se passado quando um toque na porta chamou mais uma vez minha atenção.

— Bom dia, irmãozinho, posso lhe fazer companhia?

Eu bufei cansado.

— O que diabo você quer agora, Oria?

Ele sorriu, entrando na sala e se recostando no aparador.

— E eu preciso ter motivo pra querer passar alguns minutos com meu irmão? – ele olhava inocentemente pra mim, que continuava jogado no sofá na mesma posição em que estivera há duas horas.

— Não, — eu respondi — mas apesar disso você sempre parece ter um.

— Eu achei que você poderia gostar de descer pra almoçar conosco. – ele falou.

Eu o olhei desconfiado. Desde quando ele se importava com o resto da humanidade quando estava com a Marin?

Ele suspirou, encolhendo os ombros.

— Tudo bem. A Marin viu aquele seu ruivo saindo pela manhã e pensou que você poderia estar precisando de algum apoio, foi isso.

Eu sorri.

— Sua mulher é boa demais pra você, sabia?

Ele assentiu.

— Eu digo isso a mim mesmo diariamente.

— E você veio sozinho? – eu estranhei. Porque o normal seria que os gêmeos estivessem com ele, sabe. Quer dizer, na minha família oferecer apoio a alguém era sempre uma questão coletiva.

— O saga e o Kanon receberam uma chamada no meio da noite e tiveram que sair. – ele explicou

— Uau, New York não pára mesmo. Quer dizer que a polícia trabalha na véspera de Natal também?

Ele deu de ombros.

— É o que parece. Mas e então, você vai descer ou não?

— Agradeça a Marin, e peça-lhe desculpas por mim, mas acho que vou ficar por aqui mesmo.

Ele se jogou em uma poltrona a minha frente entre impaciente e frustrado.

— Qual o problema Milo? O que está acontecendo com você, afinal? Tudo isso não é só por causa daquele cara, é?

Eu olhei pra ele e me afundei um pouco mais no sofá, respirando fundo. Talvez não fosse má idéia me abrir um pouco com ele, afinal. Pelo menos ele não conhecia tanto do meu passado quanto os gêmeos.

— Já lhe aconteceu – eu comecei — de ter feito no passado alguma coisa que sempre volta a perseguí-lo, mesmo que você tente mudar isso?

— Você está sendo perseguido? – ele perguntou acendendo um cigarro.

Eu assenti.

— Sim. Achei que tinha enterrado aquilo bem fundo, mas a coisa voltou. Acha que devo procurar um padre?

Ele sorriu ante a minha tentativa de piada.

— Não vou lhe pedir detalhes, porque se você quisesse já teria me contado, mas vou lhe dizer o seguinte, seu passado é exatamente isso: Seu passado. Se você permitir que ele afete seu presente, ele vai passar a afetar o seu futuro, e isso sim vai lhe causar problema.

Aquilo me pareceu uma bobagem, de forma que eu perguntei:

— E como você espera que eu aja pra evitar que ele afete meu presente?

— Enfrentando-o. – ele respondeu — Não deixando que ele o controle.

— Mas outras pessoas podem se ferir. – eu argumentei.

— Sempre há aqueles que podem ser magoados, isso faz parte da vida. Ao tomar suas decisões pensando nessas pessoas, você não está vivendo a sua vida, enquanto elas estão.

— Meu Deus! Você está realmente iluminado, hoje. – eu zombei.

Ele sorriu, enquanto soprava a fumaça do cigarro.

— Sabe, seu sarcasmo só confirma que eu estou certo.

Eu respirei fundo.

— Você está certo. Queria que não estivesse. Gostaria de deixar de tomar esse tipo de decisão, mas não sei como.

Ele pareceu surpreso.

— Nunca teria pensado isso de você. — ele disse — Sempre pensei que você fizesse exatamente o que queria, sem pensar em ninguém mais.

Eu sorri.

— É assim que eu sempre quis que todos me vissem.

Depois de algum silêncio, ele terminou de fumar seu cigarro e o apagou no cinzeiro.

— E toda essa súbita ânsia de melhorar tem algo a ver com aquele ruivo? – ele perguntou.

— Talvez – eu respondi de forma vaga.

Ele me olhou incrédulo.

— Tá. Tem tudo a ver – eu admiti. Não havia razão pra negar.

— E por que está tão mal em relação a isso?

Eu passei a mão pelo rosto. Droga, eu estava tão cansado de tudo aquilo!

— Porque eu me coloquei em uma situação que pode acabar ferindo-o. – na verdade, 'arriscando a vida dele' seria mais adequado.

Um brilho nos olhos verdes indicava que ele estava entendendo

— E agora você está se culpando e sofrendo por causa disso.

Eu assenti.

— Mais ou menos isso.

Ele se levantou e pôs-se a andar pela sala.

— Pelo que eu vejo, uma de duas coisas está acontecendo aqui.

— E que coisas são essas? – eu quis saber.

Ele cruzou os braços sobre o peito.

— Ou você está seriamente encrencado... ou completamente apaixonado.

Meu coração disparou. Não sei se pela primeira ou pela segunda afirmação. Mesmo assim eu sorri despreocupado.

— Se eu estivesse apaixonado, – eu zombei– certamente estaria bastante encrencado.

Ele balançou a cabeça.

— Bom Deus, você diz tanta besteira quanto eu quando conheci a Marin.

Eu sorri mais uma vez, debochado.

— Não tem como eu possa dizer tanta besteira.

Ignorando o gracejo, ele franziu o cenho e continuou:

— Você tem passado um bocado de tempo com ele ultimamente.

Eu olhei pro teto e fechei os olhos.

— Sim tenho

— As pessoas estão comentando.

— E quando elas não comentam? – eu respondi irônico, abrindo os olhos outra vez.

— Seu interesse por um pessoa nunca dura mais de uma semana ou duas.

Eu podia ouví-lo se remechendo na poltrona. Onde essa conversa ia dar?

— Pois meu interesse por ele já vai pra quase quatro.

Santo Deus, aquilo já não tinha se alongado demais? Eu o conhecera no começo do mês e nós já estávamos no dia 25.

— É por isso que estamos preocupados. Está na cara que ele não é só um caso passageiro.

Eu me atirei no encosto do sofá, incomodado, embora eu não soubesse exatamente com o quê.

— Se você já está tão certo de que ele não é só um caso passageiro, — eu falei contrariado -porque se dar ao trabalho de vir me perguntar?

— Meu deus, Milo, será que você não consegue ouvir a si mesmo? – ele falou — Não seja idiota.

— Não sou. – eu retruquei displicente, olhando pra cima mais uma vez

— Pelo amor de Deus, você quer olhar pra mim?

Eu dei outro suspiro enquanto voltava os olhos na direção dele de novo.

— O que você quer me dizer, afinal?

Seus olhos se fixaram em mim mais uma vez, agora mais duramente.

— Você está apaixonado por ele.

De novo eu senti aquela forte pulsação no peito. Talvez ele estivesse mais próximo da verdade do que eu queria reconhecer. Ou era a culpa que me fazia sentir tão mal.

Eu o encarei em silêncio por algum tempo.

Eu poderia dizer que ele estava errado, mas de alguma forma não consegui.

— Não sei o que eu estou sentindo. – eu admiti — Antes de você chegar estava tentando não pensar nisso.

Ele assentiu compreensivo e então sorriu.

— Se você está com medo de se apaixonar, tudo bem. Isso acaba acontecendo com todo mundo

As palavras dele me traziam pouco conforto, mas eu sabia que era intencional.

— Obrigado, sabichão.

— Por que você tem que ser sempre um asno? – ele falou franzindo o cenho mais uma vez.

— Por que ainda está aqui? – eu rebati.

— Porque você é meu irmão e eu o amo.

— Também o amaria, — eu disse — se não estivesse tão frustrado.

Por um momento ele me olhou como se quisesse me esmurrar, e então começou a rir.

— Você é realmente um asno, Milo. Sabe disso?

Eu assenti, rindo também.

— Sei.

— Tem certeza que não quer descer pra comer com a gente?

— Tenho sim.

— E eu não terei que defendê-lo da minha mulher quando ela perder o emprego porque você feriu o coração do melhor amigo do patrão dela?

Eu ri outra vez, e então respondi:

— Bem, quanto a isso eu não posso prometer nada.

Ele deu de ombros de novo e caminhou para a porta.

— Suponho que isso era tudo o que eu tinha pra dizer. Tem certeza de que vai ficar bem aqui sozinho?

— Eu vou ficar bem – eu respondi com uma careta.

Mas eu não fiquei bem. Eu não fiquei nada bem. E era por isso que eu precisava tanto falar com o Camus agora. Porque, por mais deságradável que fosse admitir, em uma coisa o Aoria estava certo: eu nunca me interessara por alguém daquele jeito. E eu nunca havia me apaixonado antes. Eu nunca, durante todos esses anos, desde a primeira relação sexual, havia dito aquelas três palavras que a Shaina um dia me acusara de não possuir em meu vocabulário.

E não porque eu fosse incapaz de sentir amor como ela dissera. Eu amava a minha mãe e os meus irmãos, por exemplo. Mas um estranho? Nunca. Dos amantes que eu tivera, todos foram agradáveis, sem dúvida. Inquestionavelmente bonitos, com certeza. Mas nenhum, até aquele ruivo aparecer, me deixara sem dormir, agitado e virando de um lado para outro na cama até as primeiras horas da manhã, relembrando cada palavra e gesto dele. Nenhum, até então, me fizera sentir tão completamente fora de controle, como se o mundo que eu imaginava ter nas mãos estivesse escorrendo por entre meus dedos. Nenhum fizera com que meu coração, cada vez que eu o visse, saltasse dentro do peito. Nenhum até ele.

Eu normalmente não era uma pessoa de falar sobre os meus sentimentos. Eu preferia deixá-los vir á tona. Mas aquela era uma das poucas vezes em que eu sentia que uma conversa sobre sentimentos valia à pena. Não que eu estivesse realmente conseguindo entender meus próprios sentimentos. Eu apenas sentia que uma coisa muito poderosa havia acontecido e não queria ignorar isso. Não conseguia.

E era por isso que eu estava ali agora, engolindo meu orgulho e batendo patéticamente à porta dele. Porque eu pretendia dizer a ele o que não dissera a nenhum outro. O que deveria ter dito na noite de Natal. Só que eu achava que meus beijos poderiam formar melhor as palavras.

Mas eu lhe diria agora, estava decidido. E era melhor que ele ouvisse, porque eu não ia dizer outra vez. E se ele risse, ou pior, se desse as costas pra mim de novo... bom, eu não sabia o que iria fazer. Mas certamente não faria aquilo novamente. Nunca mais.

Então a porta se abriu, e um homem alto, de nariz adunco, que eu supus fosse um criado, olhava pra mim de modo arrogante.

— Sim – ele disse, devagar.

Eu sustentei seu olhar com altivez sob os óculos escuros.

— O Sr. Camus, por favor.

Ele nem piscou.

— O Sr. Chevalier não está em casa – ele disse.

Essa era uma coisa que eu não previra.

Não que o ruivo tivesse saído de casa ás dez horas de um domingo. Eu não acreditava nisso. Mas que ele tivesse intruído os criados a dizerem que ele não estava.

Eu encarei o criado em silêncio por algum tempo e então pedi:

— Tenha a gentileza de informar ao seu patrão que preciso falar com ele alguns instantes, por favor. Diga que eu o estarei esperando no carro.

O homem olhou de relance pro Porshe prata parado na rotatória em frente à porta e disse:

— Desculpe, senhor, mas vai ter de esperar muito tempo. O Sr. Chevalier deixou o país hoje cedo. Depois que ele voltar, naturalmente o informarei que o senhor o procurou.

— Deixou o país? – eu repeti, em total descrença. – Deixou os EUA?

Eu não podia acreditar naquilo. Era impossível... um absurdo. O cara não podia simplesmente ter ido embora.

— Quando? – eu me ouvi quase gritando. – Para onde ele foi?

O criado me olhou com arrogância.

— Sinto muito, senhor – disse ele – mas não tenho permissão...

Eu mal conseguia ouvi-lo. Alguma coisa começou a zunir na minha cabeça. O que eu ia fazer agora? Ele havia ido embora. Mas pra onde? E por quê?

Eu sabia o porquê. Eu sabia perfeitamente o porquê. Eu havia estragado tudo. Em minha tentativa idiota de fazê-lo esquecer aquela maldita noiva, eu só piorara as coisas. Ele era tão diferente dos outros caras que eu já conhecera. Tão escrupulosamente consciente de seus deveres. Eu o havia assustado. É claro que eu o assustara.

Balançando a cabeça pra dispersar o zunido, eu me virei para ir embora. Mas pro meu total espanto o criado estendeu rapidamente o braço, como pra me reter, e disse muito exitado.

— Você é o Milo Scorpion, não é? Dos filmes na TV? — ele olhava atentamente para mim, toda altivez se fora do rosto levemente esreito.

— Sim – eu concordei desanimado, percebendo que não ia ter como escapar – sou eu.

O rosto do criado mudara. Sua expressão passara do extremo aborrecimento para a maior alegria pelo reconhecimento

— Eu não tinha certeza, mas quando você balançou a cabeça e os seus cabelos se soltaram, sabe, igual naquele filme...

— Eu sei – Eu o interrompi, forçando um sorriso. Os fãs ás vezes eram tão chatos quanto os roteiristas e diretores.

— Será que você poderia me dar um autógrafo? – ele pediu entusiasmado, tirando um guardanapo de papel do bolso da calça e me entragando uma caneta – Senão ninguém vai acreditar em mim.

— Claro. – eu respondi pegando o guardanapo da mão dele.

Sue rosto se iluminou.

— E se não for incomodar, – ele continuou — você poderia dedicar a minha filha? Você é o ator preferido dela.

Eu assenti.

— Qual o nome da sua filha?

— Dakota. — ele respondeu satisfeito

Eu rasbiquei alguma coisa no papel, assinei, e entreguei ao homem.

Ele estava reluzente. E eu pensei, não pela primeira vez, que deveria ter sido médico como minha mãe queria.

— Acho que você não poderia me dizer pra onde foi o seu patrão agora, poderia? — Eu não costumava tirar vantagem dos meus fãs, mas a situação pedia medidas extremas.

Ele me olhou desapontado.

— Veja, eu não posso lhe dizer pra onde ele foi, mas apenas porque não sei. Tudo o que sei é que chamei um táxi pro areporto por volta das seis da manhã, por ordem dele, e que pusemos suas malas no carro.

Uma estranha sensação de desespero começou a tomar conta de mim. E quando eu voltei a falar minha voz não estava tão estável quanto eu gostaria.

— Você deve ter alguma idéia do lugar pra onde ele foi.

Ele balançou a cabeça.

— Honestamente não tenho. Ele saiu com muita pressa. Parecia não ter dormido nada.

É. Eu conhecia bem essa sensação.

Então o homem pareceu se reanimar. Rasgou um pedaço do guardanapo que eu autografara, rabiscou um numero de telefone nele e me entregou dizendo:

— Se você quer mesmo encontrá-lo, — ele disse — você só tem que ligar e perguntar ao Sr. Afrodite. Ele lhe dirá.

— Afrodite? — eu repeti frustrado. Eu realmente não queria ter que procurar aquele cara.

— Sim. — ele respondeu parecendo bastante satisfeito. — Se existe alguém que sabe sobre o paradeiro do Sr. Camus, esse alguém certamente é o Sr. Afrodite.

Nota: O Milo se refere à Attica Corretctional Facility, prisão de segurança máxima que fica localizada na cidade de Attica no estado de NY. Vários criminosos famosos já estiveram presos lá.

Notas finais
Olá a todos,Aqui estou eu de novo, e nem sei como me desculpar pela demora dessa vez. Tudo que posso fazer é pedir pra que sejam compreensivos pq minha vida estava realmente um caos. Não que fosse um caos ruim, mas um caos mesmo assim. Eu casei, mudei de casa, de cidade, passei quase um mês fora do país, e ainda tive de conciliar isso tudo com a construção de uma casa pra administrar (o que, acreditem, consome muuuuito tempo). Eu tive até que trancar minha faculdade (e foi o meu próprio pai quem me mandou fazer isso) porque era humanamente impossivel conciliar tudo.Mas enfim as coisas então se reestabilizando, e, embora eu saiba que outra maré caotica esteja pra chegar (logo, logo terei de mudar outra vez), pelo menos consegui arranjar um tempinho pra me dedicar aos meus hobbies de novo (fala sério, eu já estava entrando em crise de abstinência de escrever!), e cá estou mais uma vez. Por isso eu lhes peço desculpas e paciência, porque eu posso tardar, mas não desisto nunca.Então, depois de muita espera, aí está mais um ch pra vcs, espero que gostem e que eu não tenha perdido o jeito.Eu sei que vcs devem ter estranhado um pov do Hyoga, de repente, mas é que eu precisei ler toda a fic de novo, pra retomar o fio da meada, sabe. E, enquanto fazia isso, percebi que tinha que dar mais pistas sobre a trama da história. Daí fiquei pensando em como fazer isso, e acabei optando por essa pov do Hyoga. Agora acho que algumas coisas foram esclarecidas, embora outras devam ter parecido ainda mais confusas. Mas, pelo menos, as pistas foram dadas XD.E aqui tivemos outra aparição do Dohko, e mais uma 'delicada' conversa em família (eu adoro o Aoria XD).E enfim o Milo está caindo em si sobre o que sente pelo ruivo, que fofo. Já não era-se em tempo, não? XDDE, sim, eu sei o que vcs estão pensando: 'Cadê o Camus?' Pois é, ele deu uma sumida nesse ch, né? Mas calma que no próximo ele aparece ^^. E o Dite tb. Afinal o pov do Milo terminou com o gancho pro pov do Dite, não? Então aguardem ^^.Bom, é isso aí, gente, mais uma vez espero que gostem do ch e que, se possível, comentem.Muito obrigada a todos que acompanham a história e especialmente aqueles perderam um tempinho pra me fazer mais feliz me mandando lindas reviews: ddd, Kamy_Jaganshi, lihchan, PapillonBleu, Sashinha, Stocking, Alexia-Black, Larrissa_Traum, Chakal_Maldito, Moni-d, LikaNightmare, Lilicris, Tomb_Raider, EmmaHilder, YukiSaiko, Iasmin. Muito obrigada meninas, eu quero que vcs saibam que foi cada uma das reviews de vcs que me fizeram, no meio dessa bagunça que anda minha vida, ansiar por um tempinho pra escrever, e não só porque eu mesma sentia falta da história, mas porque eu simplesmente não podia desapontar vcs. Obrigada mais uma vez pelo incentivo.BjosPS: Créditos devidos: à Kathryn Smith e Meg Cabot.