Camus POV

Se alguém — o Afrodite, por exemplo — me contasse há algumas semanas atrás que eu estaria passando meu Natal na casa de campo Milo Scorpion, no noivado do irmão dele, eu nunca acreditaria. Quer dizer, esse tipo de coisa não acontecia. Não comigo. Essas coisas aconteciam com outras pessoas e eu apenas lia sobre elas. Era isso que eu fazia. Era o que eu tinha feito a minha vida toda. Horas e horas atrás de monitores e grossos volumes lendo sobre a vida alheia, as descobertas alheias, os pensamentos de outras pessoas. Eu não tinha uma vida que valesse a pena ser documentada.

Pelo menos não até recentemente.

De repente, no entanto, as coisas haviam se complicado muito na minha vida. Era só olhar pra quela festa, por exemplo. Como o que era pra ser uma comemoração para poucos amigos tinha virado uma massa indefenida de gente se retorcedo e esbarrando em um espaço de cerca de 90 metros quadrados? E por que o tal noivo grego da Marin tinha que ser irmão do Milo? Eu poderia facilmente ter fugido correndo dali ao descobrir aquilo, e certamente eu o teria feito, mas já era tarde: o Afrodite havia tido a brilhante idéia de irmos todos no mesmo carro, que, no caso, era o do Máscara. Eu estava preso no meu pior pesadelo.

Às vezes eu ficava me perguntando se esse tipo de coisa acontecia de propósito, sabe. Só pra me atormentar. Sinceramente, se existia mesmo um Deus, ele tinha um senso de humor muito bizarro.

Devia ser isso. O 'Todo Poderoso' provavelmente estava se divertindo horrores com aquele ruivinho esquisito ali paralizado, incapaz de tirar os olhos do monumento grego na pista de dança (felizmente o loiro não havia ainda notado minha presença no salão. Ser insignificante também tinha suas vantegens).

No entanto, qualquer um ficaria daquele jeito ao ver Milo Scorpion dançando sensualmente a sua frente – e não apenas esse ruivinho que havia sido corneado pela noiva. Sem querer dar muita importância ao físico, mas ele media cerca de 1,85m de pura massa muscular perfeitamente definida sob a roupa preta justíssima que ele estava usando. Tudo isso agregado ao porte elegante e aos longos cachos louros que se balançavam no mesmo ritmo hipnotizante dos quadris. Com aquele sorriso charmoso, os olhos absurdamente azuis e a pele dourada que parecia brilhar sob as luzes coloridas, ele fazia com que a Saori parecesse apenas uma menininha fofa de colégio.

E havia ainda aquela boca perfeita. A mesma boca que na última segunda feira estava... Não, não era uma boa idéia pensar sobre o lugar em que aquela boca estivera ou sobre o que ela esteve fazendo na ocasião. Muito menos sobre o prazer indescritível que ela me proporcionara ao fazer aquilo. Melhor pensar em outra coisa. Qualquer coisa. Na minha dedução do imposto de renda, por exemplo.

Certo, essa era uma boa coisa pra se pensar. Era final de ano e como a maioria dos mortais eu andava enrrolado com o imposto de renda. O Shaka havia me aconselhado a pedir restituição pelos gastos médicos com o Hyoga e pelas contribuições com as entidades sociais que eu ajudava, e eu aceitei. É claro que na hora eu não fazia nem idéia do que seria aquilo.

Porque pedir restituição de imposto de renda era como os Doze Trabalhos de Hércules, sabe. Em tese deveria ser simples – você tinha pagado os impostos, contribuído com atividades dedutíveis, como gastos médicos e assistência social, logo, tinha direito a restituição — mas era uma verdadeira corrida de obstáculos.

Preeencher um formulário. Preeencher outro formulário. Apresentar contas do último ano, as deste ano, provar que era cidadão americano – eu era, havia tirado minha cidadania aos 18 anos — , contas de água, luz, comprovante de contribuições, etc.

Se, por um esforço monumental, você conseguisse arrumar tudo ainda assim não seria o suficiente. Mais pedidos, mais desafios. Foto do seu primeiro bicho de estimação. Três trufas brancas. O autógrafo do Tom Cruise (também podia ser do Milo Scorpion- não, Camus, não pense nele. Droga, isso não estava adiantando). O episódio piloto de Chaves. Gravação de Gypsy Suns and Rainbows no festival de Woodstock com Jimmy Hendrix sóbrio (tarefa enganosa, já que jamais houve uma apresentação em Woodstock com Jimmy Hendrix sóbrio). Ilustração em carvão da bunda do Zidane. Xilogravura do Santo Graal. Se você fizesse tudo isso, depois receberia uma carta dizendo: 'Você não tem direito a restituição alguma, nunca vai ter direito, mas se conseguir dez gramas de pó de chifre de unicórnio numa caixinha bonita, podemos ver se conseguimos fazer algum pagamento pequeno'.

Francamente, se as pessoas recebem dinheiro do governo, não é porque têm direito. É um prêmio pela tenacidade. Pela teimosia, por aguentar os absurdos kafkianos dos pedidos sem explodir nem gritar: 'Enfia essa porcaria de dinheiro você sabe onde! Se eu dependesse disso pra viver, prefiriria morrer de fome!'

O Milo agora girava uma garota enquanto dançava ao som de 'You Never Can Tell'. Eles faziam uma coreografia adaptada de John Travolta e Uma Thurman em Pulp Fiction. Só que ele era muito mais bonito do que John Travolta. Mesmo se você cosiderar a época em John Travolta ainda era novo – antes de entrar pro cientificismo e ficar gordo.

'Não. Pare de olhar pra ele. Pense em outra coisa.' Eu me repreendi mentalmente. Certo, um ouzo. Eu virei na boca o minúsculo copo com o líquido esbranquiçado que o garço me oferecia. O quarto da noite. É, eu sei que eu não bebo destilados, mas dessa vez eu estava totalmente disposto a aguentar uma ressaca apenas pra não ter que permanecer no pleno domínio das minhas faculdades mentais até o final da festa. Quem sabe se eu bebesse bastante e desmaiasse alguém me tirasse dali e me levasse pro hospital? Era uma idéia reconfortante. Ou eu também poderia ir parar na cama daquele grego. Droga, — eu coloquei o copo no balcão atrás de mim –do jeito como as coisas estavam caminhando eu nem precisaria beber pra isso.

A garota havia lançado os braços ao redor do pescoço do grego e... ei, o que ela estava fazendo se esfregado nele daquela forma? Que ordinária!

- Se você não gosta disso, faça alguma coisa pra impedir. – eu ouvi a voz do Dite ao meu lado. Eu não sabia há quanto tempo ele estava ali, mas não podia ser muito. Ele nunca conseguia ficar mais de dois minutos de boca fechada.

- Não há nada pra impedir, os romances do Milo non me dizem respeito. – eu respondi da forma mais impessoal que eu consegui simular. Mas, verdade fosse dita, eu estava incomodado.

Ver Milo Scorpion com aquela garota havia me feito tão mal, na realidade, que eu tivera vontade de simplemente sair dali. Ir embora. Nem que fosse andando. Quem sabe eu não conseguia arrumar um par de esquis? Com o tempo que vinha fazendo nos últimos dias eu estava certo de que esse seria um meio de tranposrte bastante adequado.

- Eu não me lembro de ter mencionado o nome do Milo, Camus. – ele sorriu vitorioso — Você fez isso.

Infern, traído pela própria língua.

Eu tomei outro gole de ouzo pra disfarçar meu constrangimento, enquanto desconvesava.

- E onde está o Máscara? — eu perguntei. Mais por não conseguir pensar em outra coisa pra falar do que por real interesse no paradeiro dele. A Saori prometera ao avô que voltaria para passar as festas com ele, e tomara o avião de volta ao Japão ainda na madrugada passada. O que tornava o Máscara a única pessoa ali sobre quem eu poderia indagar a respeito. Além do Milo, é claro. O que obviamente não era uma opção.

- Conversando com uns produtores sobre o novo filme dele – ele respondeu displicente e eu assenti. Eu sabia o quanto o Afrodite odiava essas tais 'conversas de negócios' do namorado. Eu podia entendê-lo, aquilo estava mais pra um desfile de egos do que pra uma conversa de negócios. Não importava o quão bom vc podia ser no seu ramo, ganhava o filme quem paparicava mais o produtor. Não que eu achasse o Máscara bom, de qualquer forma. Ou talvez ele até fosse na área dele. Filmes trashs com psicopatas que colecionavam cabeças nunca foi muito a minha praia.

Meu olhar foi mais uma vez atraído pra pista onde o Milo agora tentava se desvencilhar sutilmente da garota agarrada a ele. Estranho. A garota era bem bonita. Cabelos castanhos brilhantes, olhos verdes, corpo escultural. Será que ela tinha algum tipo de doença venérea grave?

- Shaina Ofiuccini, atriz italiana – o Dite anunciou acompanhando a direção do meu olhar – ex-namorada do Milo.

Então era isso. Eu pensei. Nada de doença venérea, ele simplesmente não comia duas vezes do mesmo prato. Eu já devia saber.

- Foi um escândalo quando eles terminaram – o Dite continuou – ela quase destruiu um quarto de hotel ao ser dispensada por ele. Os paparazzi conseguiram flagrá-la de roupão no corredor, enlouquecida, atirando taças de champagne contra o grego. Coitada, saiu em todas as revistas.

Eu estremeci.

Eu não queria ser o próximo a destruir quartos de hotel após ter o coração partido por Milo Scorpion.

- Mon Dieu! E você ainda insiste em me empurrar pra ele? Por quê?

Ele sorriu.

- Não diga isso, Camie, eu não acho que ele seja má pessoa, afinal.

Bem, esse era o Dite, sempre esperando o melhor das pessoas. E talvez esse fosse um dos motivos pelos quais nós eramos amigos há tanto tempo, afinal. Ele podia parecer completamente superficial às vezes e ser constantemente possuído por uma força sobrenatural que o levava a entrar em lojas caríssimas e comprar tudo, mas também tinha um coração imenso e era capaz de parar na rua pra distribuir notas de 100 dólares aos pobres.

Eu suspirei.

- Talvez... Mas não dá pra confiar nele... ele é sedutor demais.

- Sedutor demais – ele se exasperou – Como é que você pode dizer que alguém é sedutor demais? Sedutor é uma coisa ótima. Que nem sorvete. Não existe sedutor demais.

- Existe sim – eu retruquei – Você devora uma caixa de sorvete de chocolate, uma caixa de sorvete de amora e depois fica enjoado.

- Eu não. – ele afirmou – De qualquer jeito, eu me lembro dessa noite, e foi o baseado, não o sorvete, que te deixou enjoado.

Ele estava se referindo a uma noite, quando nós estávamos na faculdade. Ele estava saindo com um cara da filosofia, e eles resolveram fazer uma reuniãozinha em casa com uns amigos. E, bom, quem nunca experimentou um baseado na faculdade que atire a primeira pedra

- Ele é bonito demais – eu falei.

Mais uma vez ele expressou incredulidade:

- Bonito demais? Como pode isso? É impossível. É contra as leis da física. Ou de alguma outra coisa. Leis de território, talvez... Ah, espera! Fica parado. Tem um cílio no seu rosto.

Ele se inclinou pra pegar o cílio. O Afrodite tinha obsessão com todo esse tipo de coisa que dizem predizer o futuro, dar sorte, ou realizar desejos, sabe. Desde fazer pedido pra estrela cadente, passando pelas cartomantes, até aquela coisa ridícula com os cílios. Vocês sabem, aquela brincadeira qua a gente faz quando criança em que duas pessoas seguram um cílio entre os dedos e fazem um pedido e o que ficar com o cílio grudado no dedo terá seu pedido realizado.

- Di, — eu brinquei – quem vir isso de fora vai achar que você está tentando me beijar.

Era verdade, ele havia aproximado tanto o rosto do meu na tentativa de pegar o cílio no salão mal iluminado, que qualquer um que visse a cena poderia facilmente entender da forma errada.

- Cala a boca, Camus, beijar você seria que nem beijar a minha mãe. E não se meche que eu estou quase lá.

Eu ri.

- Então é melhor você contar isso pro maníaco do seu namorado.

- Eu já contei... Ah consegui! – ele se afastou contente com o cílio no dedo no exato instante em que eu sentia uma mão se fechar sobre o meu pulso. Eu não precisava olhar pro lado pra saber a quem aquela mão pertencia. Eu me lembrava muito bem da sensação dela em meu corpo há menos de uma semana atrás. Bem demais, na verdade.

Droga, tinha horas em que eu realmente odiava ser tão ruivo. Agora, por exemplo. Eu ficava vermelho com facilidade... era só pensar na palavra 'vergonha' que meu rosto já corava. Estava corado agora, eu tinha certeza. E o protesto que eu pensei em emitir pela forma possessiva com que ele segurava meu braço ficou engasgado, assim como toda a minha capacidade de expressar uma única sílaba

- O que você está fazendo aqui? — o dono da mão perguntou.

Nossos olhares se encontraram. Princípio de pânico. Será que ainda dava tempo de sair correndo? Provavelmete não, ele estava perto demais. Sem mencionar aquela mão que ainda prendia firmemente o meu braço.

- Eu não estou seguindo você, se é o que você está pensando – eu falei quando achei que conseguiria parecer suficientemente firme, sem soar forçado.

- Nós somos convidados da noiva. – O Dite veio em meu socorro, esquecendo momentaneamente do cílio. — Ela é minha estagiária.

Eu vi o grego levantar uma sobrancelha em uma expressão que tanto poderia significar: 'É mesmo?' quanto: 'Eu não estou falando com você.' Para então me puxar pelo pulso que ele ainda mantinha entre seus dedos, dizendo:

- Venha, eu quero falar com você.

Mas eu não estava nem um pouco disposto a obedecê-lo.

Quem aquele cara pensava que era, afinal? Chegando ali de repente, segurando meu braço e me dando ordens? Mon Dieu, eu quase poderia dizer que ele estava com ciúme! Só que pra sentir ciúme ele precisava pelo menos gostar de mim, não é? E isso era biologicamente impossível para alguém que nem tinha um coração.

Ele inclinou a cabeça e aproximou a boca do meu ouvido.

- É melhor você desmanchar logo essa cara e começar a se mecher. — Sua respiração quente provocava pequenos arrepios pelo meu corpo — Se você optar por ficar ofendido e se zangar, isso vai atrair atenção das pessoas, que poderiam perguntar por que você está tão zangado comigo. E eu seria forçado a explicar sobre o nosso acordo...

- Você não faria isso! – eu exclamei.

No entanto, pela expressão dele, dava pra ver que ele faria, sim, e relutantemente eu concordei em acompanhá-lo.

ooOoOoo

Milo POV

- Então é por isso que você é tão bem sucedido com seus amantes? – ele comentou mordaz enquanto eu o conduzia por entre as pessoas até a escadaria.– Você os chatageia?

- Acredite, Ruivo – eu falei, tentando aparentar uma confiaça muito maior do que a que eu sentia na verdade — se eu quisesse poderia fazê-lo ficar tão ancioso pra sair dessa festa comigo que você me chantagearia se eu não o fizesse.

Eu percebi um leve tremor percorrer seu corpo, mas tudo que ele disse, com voz amarga, foi:

- Eu estava certo sobre você.

- Do que você está falando? – eu quis saber, enquanto abria aporta de uma das salas e sinalizava a ele pra que entrasse.

- Não dá pra confiar em você, Milo. – ele disse — Você não passa de um libertino, um sedutor barato.

E, bom, é verdade que eu tenho vários defeitos. Ser um libertino entre eles. E na maioria das vezes eu nem me importo muito de ter isso apontado pelas outras pessoas. Mas, de alguma forma, o fato de ter sido aquele ruivo a fazer isso, e com aquela expressão de descaso no rosto me deixou profundamente irritado. Talvez mais pelo descaso do que pelas palavras.

- Libertino?– eu retruquei – É isso que você pensa? Se é assim então por que você ainda está aqui conversando comigo?

- Porque você segurou o meu braço – ele falou — e não o soltou mais, obviamente.

Eu olhei pra minha mão em seu pulso. Uma das mãos traidoras que tão impulsivamente o tinham agarrado minutos atrás, apesar da promessa que eu havia feito a mim mesmo de que não tocaria nele de novo. Promessa que era bem máis fácil de ser mantida, eu imediatamente me dei conta, quando ele não estava à vista.

Porque assim que eu o vi entre a multidão do salão de festas minha resolução virou pó. Vê-lo com outra pessoa – no caso o tal Afrodite – provara ter um efeito curiosamente destabilizador sobre mim. Eu sabia que estava sendo ridículo, mas quando vi aquele cara tão próximo do meu ruivo — com as mãos apoiadas nos ombros dele — tudo que eu fui capaz de fazer foi me precipitar em direção aos dois e olhar firme para ele. Para aquele perfil delicado, o cabelo longo e platinado, o nariz que parecia nunca ter sido quebrado, seus entendiante, preciosos, olhos azuis piscina.

Não que eu estivesse com ciúme. Não é isso. Eu só estava... com raiva. Raiva pelo francês não tê-lo afastado como fazia comigo. Raiva por ele aparentemente aceitar tão bem os toques do outro enquanto rejeitava solenemente os meus. Raiva... e também um pouco de inveja.

Era verdade o que eu havia lhe dito sobre estar interessado nele. No entanto, teria sido muito mais verdadeiro dizer que desde a primeira vez que ele aparecera no meu escritório e me chocara completamente com sua proposta nada convencional, que eu o queria... em meus braços, em minha cama.

E porque não? Ele era certamente um dos homens mais atraentes que eu já tinha conhecido na vida. Atraente, inteligente, deslumbrante, teimoso e sexy. Cinco boas razões, na minha opinião, pra se querer conhecer melhor uma pessoa.

Ifelizmente essa beleza toda vinha acompanhanda por um gênio horrível. É verdade que os ruivos geralmente têm um temperamento difícil, mas quilo estava ficando ridículo. Como alguém conseguia ser tão gostoso e insuportável ao mesmo tempo? Que combinação terrível!

- Antes um sedutor barato – foi o que eu disse, soltando-o — do que um bloco de gelo sem sentimentos.

Seu olhos se estreitaram.

- Pois eu prefiro ser um bloco de gelo a ser um egocênctrico exibicionista que se acha irresistível.

- Exibicionista? – eu ecoei.

- Bom, — ele disse, irônico — não fui eu que fiquei me agarrando com a minha ex-namorada na frente de mais de setenta pessoas.

Eu sorri, cínico.

- Não me diga que ficou com cíume, Ruivo? – eu provoquei — Vai dizer que se apaixonou por mim?

Eu sabia que aquilo não era verdade, mas sentia necessidade de irritá-lo. Eu queria vê-lo perder todo aquele controle. Aquela impáfia. Queria fazer com que o sangue dele se agitasse como ele havia agitado o meu. Era mais do que desforra. Era uma questão de justiça. De igualdade.

- Não seja ridículo! – ele protestou. As faces tornando-se levemente ruborizadas. — Eu preferia morrer antes de me apaixonar por alguém como você.

- Alguém como eu? – eu repeti indignado

- Exatamente. Alguém como você, Milo Scorpion. — Se minha intenção havia sido irritá-lo eu tinha conseguido. A voz dele agora era gélida — Um ator hedonista e leviano com fobia a compromisso. Um narcisita arrogante e sem coração que passa todo o tempo que não está diante das câmeras sendo guiado pelo pênis.

Bom, o narcisita arrogante eu até que podia encarar. Tá, o hedonista leviano também. Mas, 'Sem coração'? Eu não podia acreditar naquilo! O Coraçao Gelado me chamando de 'sem coração'? Chegava a ser irônico.

Mas a Shaina também havia dito algo assim, não foi? 'Problemas com intimidade' fora isso que ela dissera. Esse fora o diagnóstico que ela fizera sobre mim.

Era por isso, segundo ela, que eu não retribuía seus sentimentos. Problemas com intimidade. Eu mantinha meus relacionamentos apenas em um nível físico – ela havia dito – e protegia demais meu coração para que nunca ninguém se aproximasse e o machucasse.

Só porque eu não abria meu coração a cada autógrafo dado como ela costumava fazer.

Contudo, não se poderia esperar uma atitude diferente vinda dela. Ela não era o tipo de mulher que ficava calada. Sua sinceridade era uma de suas melhores virtudes, na verdade. Era o que fazia com que todo o resto do pacote – a coisa toda com a cabala e a dieta macrobiótica — quase valesse a pena.

Quase. Mas no final das contas nem tanto. Porque, claro, eu estava 'protejendo meu coração'. Deus meu, de onde ela havia tirado aquilo? No fim minha mãe é que estava certa: Eu tinha que parar de me envolver com atrizes. Era tudo sempre dramático demais com elas.

Por outro lado, onde eu teria oportunidade de conhecer alguém atrente que não fosse ator? Involuntariamente meus olhos se fixaram mais uma vez no ruivo a minha frente. Bom, ele não era um ator, isso era fato. Mas com certeza também era bastante problemático...

- Como vê, eu conheço tudo sobre o senhor, senhor Scorpion – ele continuou, colocando muita ênfase no 'senhor', como se não achasse que eu merecia tal tratamento – e seus métodos abjetos.

- Engraçado você ter mencionado isso — eu repliquei procurando manter a voz inalterada, porém, verdade fosse dita, eu sentia como se estivesse gritando – quando foram exatamente esses meus tais 'métodos abjetos' que o trouxeram a mim. Contrariando todos os meus princípios – eu continuei — eu concordei em ajudá-lo, em troca de sua ajuda com a minha... situação. Agora, no entanto, parece que você está querendo recuar e voltar atrás na troca.

- E por que eu não deveria fazer isso? – ele replicou, desafiador. Os olhos rubros firmemente presos aos meus – É clara a sua intenção de acrescentar meu nome à lista dos tolos que sucumbiram a você durante anos! Bem, fico agradecido, senhor Scorpion, — ele se virou, de repente, em direção a porta — mas essa é uma honra que eu posso dispensar. É melhor que consideremos essa conversa terminada.

Ele não estava se referindo apenas a conversa, eu sabia disso.

Subitamente temeroso de que ele pudesse realmente fugir, eu o agarrei pelo pulso, puxando-o pra mim. Tão perto que dava pra sentir a respiração dele se misturando a minha, assim como seu coração, que batia tão forte quanto o meu, de encontro às minhas costelas.

Ele me olhava surpreso. Aqueles olhos, que já eram naturalmente grandes, pareciam ainda maiores agora. Eles estavam imensos. Eu sempre me perguntava qual era a graça de uns olhos daqueles em um executivo? Olhos em que você poderia se perder... Aqueles eram olhos perfeitos para um ator, um modelo... estavam completamente desperdiçados em um cara que passava sei lá quantas horas por dia atrás pilhas de papel e de um monitor.

E eu também pensava a mesma coisa sobre aquele corpo.

Francamente, se ele achava que podia esconder aquelas formas naquela roupa toda que ele estava usando – calça, camiseta, camisa, blazer -, ele estava completamente enganado. Mesmo o olhar mais ingênuo poderia perceber que ele tinha ombros largos, cintura fina, glúteos deliciosamente firmes, abdômen definido e pernas bem torneadas. Ele também era alto, deveria ter pelo menos 1,84m de altura e uma pele branca e macia que qualquer um gostaria de ter contra a sua em uma noite fria.

Isso pra não mencionar aquele rosto. Meu Deus, o que era quele rosto? Toda aquela simetria e beleza. Todos aqueles ângulos e expressões, toda aquela emoção e controle.

- Milo, – ele se afastou de repente, quebrando o encanto. – eu...

- Tudo bem, — eu sorri sem graça, tirando a mão do pulso dele e enfiando-a no bolso pra disfarçar o desejo que sentia de tocá-lo de novo. – não precisa dizer nada. Sobre o acordo, sei que você não vai ser capaz de mantê-lo. Não tem importância, é possível que eu nem venha a precisar do patrocínio, afinal.

Seus olhos se fixaram novamente nos meus. Ele estava balançando a cabeça antes mesmo que as palavras saíssem completamente de sua boca.

- Não. – ele disse – Absolutamente. Não é bem assim. Naturalmente eu ainda vou ajudá-lo. Prometi ajudá-lo com o patrocínio, e ainda vou. Apenas receio que não poderemos continuar com... bom, com as lições. Pensei que já tínhamos esclarecido esse ponto.

Sim, nós já tínhamos... não que eu fosse me conformar tão fácil, de qualquer forma.

- Certo. Então é assim – eu falei, procurando parecer apenas ligeiramente interessado no que ela dizia.

- Sim – ele disse com firmeza. – Você vê, simplesmente não vai dar certo.

- Você acha que não? – eu indaguei, ainda tentando manter o ar de desinteresse.

- Não, não há razão para isso agora. – ele confirmou.

- O que está querendo dizer? – E lá se ia toda minha máscara de desinteressado.

Ele balancou a cabeça e disse sombriamente:

- As calças... as calças não servem.

- Calças? – eu perguntei, confuso. – Que calças?

Deus meu, do que ele estava falando? Ele estava passando bem?

Ele suspirou.

- Minha noiva. – ele disse – Você sabe o que dizem. Não se compra calças sem experimentá-las algumas vezes primeiro. Bem, eu as experimentei recentemente, e se confirmou que elas realmente não me serviam mais. Portanto não há razão para continuar com as lições.

- Você transou com ela? — eu tentei entender.

A pergunta era idiota, eu sabia. Eles eram noivos, é claro que ele havia transado com ela. Ele devia fazer isso todo dia, na verdade. Mesmo assim essa idéia não conseguia deixar de me incomdar. Me irritava o fato dele haver se comprometido com alguém tão inferior a ele. E daí que ela era bonita? Havia mais coisas a se considerar em uma mulher do que a aparência – pelo menos quando sua intenção era se casar com ela.

É claro que garota tinha de algum modo salvado a vida do irmão dele. Esse era um fato que não podia, lamentavelmente, ser negligenciado. Ela podia ser uma vagabunda. Podia ser uma oportunistaa. Porém não havia dúvida de que em relação ao irmão dele ela agira com generosidade e autosacrifício. Num esforço pra conquistar a afeição do irmão mais velho do rapaz, obviamente, mas não fazia diferença, ela o havia feito.

E essa atitute nobre não poderia deixar de atrair um cara como Camus. Seria quase impossível resistir. Com alguns gracejos oportunos e uma boa chave de pernas, ela logo se viu com um noivo lindo e muito, muito rico. É claro que ele se vira na obrigação de pedí-la em casamento ao notar o interesse da garota em um compromisso mais duradouro. O que mais ele ia fazer? Ela não era apenas bonita. Não era só atenciosa. 'Ela salvara avida do irmão dele'. Ninguém no mundo teria dito não em uma situação assim. Muito menos alguém com o senso de dever daquele ruivo.

- Não, eu só... – ele parecia constrangido, e mais uma vez seu rosto assumiu aquela adorável coloração rosada – eu tentei beijá-la do modo como me ensinou, sabe, e... bom, absolutamente não deu certo. Então, veja, além do fato das calças não servirem, suas lições não funcionaram. Assim, que razão há? Além disso...

Ele deixou que as palavras morressem em seus lábios.

- Além disso? – eu o incentivei.

Ele respirou fundo.

- Além disso, – ele falou apressadamente — você deveria estar me ensinando como dar prazer à uma garota e não... e não a me dar prazer.

O rosto que antes estava apenas rosado, agora estava completamente rubro, e eu tive que contrair os lábios pra não rir.

– Como... – ele continuou — como você espera que eu possa aprender sobre dar prazer a uma mulher, quando tudo o que você já fez foi dar prazer a mim?

E dessa vez eu simplesmente não pude mais conter o riso. Ele estava falando sério, eu sabia, mas era simplesmente engraçado demais.

- O que? – ele perguntou, confuso.

- Nada. – eu mal conseguia falar – é só que essa é a primeira reclamação que eu recebo de alguém que eu... como você disse? Ah, sim... que eu dei prazer.

Ele fechou a cara.

- Que bom saber que eu te faço rir, Milo.

- Desculpe. – eu falei, lutando pra me controlar – Não é você, é a situação.

Dessa vez eu vi seus ombros relaxarem e um brilho de divertimento brincar nos olhos brilhantes.

Eu sorri. Ele ficava ainda mais lindo assim meio descontraído.

- Sabe – eu falei, sem conseguir resistir, me aproximando um pouco mais dele – Eu sinto que nós precisamos investigar um pouco mais isso.

- Investigar o quê? – ele perguntou, sem entender.

- Essa falha que você falou. Em relação à sua noiva.

- Falha? – A compreensão parecia começar a raiar nos olhos multicor – Ah, você se refere ao beijo? Bem, isso pouco importa. Eu te disse, está perfeitamente claro que as calças não servem. Posso ver agora que... 'aquele' aspecto de nosso casamento provavelmente nunca será bom.

Se isso fosse verdade, eu não pude deixar de pensar, era só porque devia haver algum problema com a garota. Sinceramente. Vai ver ela era frígida.

- Assim – ele continuou — pretendo me concentrar em outras coisas mais importantes.

Eu o encarei. Não dava pra acreditar que ele estivesse falando sério. Porém seu olhar me disse que ele estava sim.

- Mais importantes do que o que se passa na cama de um casal? – eu perguntei incrédulo. – E que coisas seriam essas?

Ele suspirou.

- Não sei. Construir nossa casa – ele disse, devagar – receber os amigos. Criar nossos filhos. Eu sempre quis ter filhos, sabe? E ser casado conta pontos no mundo empresarial.

- E essas coisas são mais importantes para você, – eu falei, sem conseguir esconder a ironia. – ter filhos e ganhar status com seus colegas engravatados, do que ficar com alguém que...

Eu me interrompi. Merda! O que eu estava fazendo?

Do canto da sala, ele olhava pra mim.

- É claro que isso não é mais importante para mim – ele lançou, irritado. Os foguetes, eu percebi, estavam ali novamente, muitos. – Como pode dizer isso? Eu te disse por que estou me casando com ela.

- Por causa do que ela fez pelo seu irmão? Me diga uma coisa, Ruivo, se a pessoa que salvou seu irmão fosse um cara, um trabalhador braçal todo sujo em vez de uma garota bonita, ou um corcunda de um olho só, você se sentiria na mesma obrigação de se casar com ele?

Os foguetes se transformaram em vulcões gêmeos.

- É claro que não! – ele falou em voz alta. – Eu não concordei em me casar com ela somente pelo que ela fez pelo meu irmão. Eu a amava também.

Então, como se percebesse que havia dito algo indiscreto, ele apertou os lábios e resolutamente virou o rosto, tirando-o da minha vista.

Sentindo uma súbita onda que só poderia ser chamada de prazer, eu me aproximei ainda mais dele, o que pareceu aborrecê-lo já que ele deu um passo pra trás, afastando-se, até ficar praticamente prensado entre mim e as costas do sofá.

- Você a 'amava'? – eu questionei, estendendo a mão para levantar uma mecha do cabelo vermelho que caira sobre seu rosto. – Não a ama mais?

- Eu não disse isso. – ele retorquiu, fixando novamente os olhos nos meus, o nariz a centímetros do meu. – É claro que a amo.

- Porém talvez não – eu falei, levando a mecha ruiva e sedosa para mais perto do meu rosto – do modo como um homem deve amar a esposa que salvou a vida de seu irmão.

- Se você diz – foi a resposta firme dele.

- Mas você a amou uma vez de forma diferente, – eu levei a mecha até o nariz. Ela estava perfumada, como eu sabia que estaria. Com aquele cheiro inebriante de perfume e alguma outra coisa que eu não sabia definir – do contrário não viria até mim com sua interessante... proposta. Pergunto-me o que teria acontecido nesse meio tempo, Ruivo, que o fez deixar de amar sua noiva?

ooOoOoo

Camus POV

Eu sabia o que ele estava pensando. Sabia tão seguramente quanto sabia o meu próprio nome. Ele estava achando que eu tinha me apaixonado por ele.

E ele estaria tão errado?

Não havia duvida de que ele era a pessoa mais interessante que eu conhecera desde que tinha lembrança. Irritante também, é claro. Mas, definitivamente interessante. Ele parecia não dar a mínima atenção às convenções, dizia exatamente o que estava pensando (bom, pelo menos na maioria das vezes), e quando punha alguma coisa na cabeça, ia adiante, sem se importar com as consequências. Ele tinha todas as qualidades que eu mais admirava em uma pessoa – inteligência, paixão, personalidade, determinação – e nenhuma das artificialidades das pessoas da chamada 'sociedade refinada', que eu tanto desprezava. Além de uma beleza incrível, claro, e de um irresistível senso de humor. Tudo isso somado a e um temperamento ardente e ao fato de que ele era, eu tinha de admitir, a criatura mais absurdamente sensual e atraente que eu já tivera a chance de conhecer.

E o que mais espantava é que ele não parecia fazer a mínima força pra isso. Ele não se vestia com todas aquelas roupas de marcas famosas que a Saori usava pra chamar atenção, ele não frequentava festas badaladas apenas esperando que os paparazzi tirassem fotos suas, como ela fazia (embora não assumisse), e eu também já tinha ouvido falar que ele não aceitava dublês pra suas cenas de nudez. Maquiagem? Não no rosto de Milo Scorpion. Os olhos impossívelmente azuis não eram efeito da computação gráfica.

E de repente eu me peguei pensando em como seria interessante estar com alguém que não fosse um escravo dos ditames estéticos da moda. E melhor, alguém que ficava bem vestindo qualquer coisa.

É claro que isso não mudava o fato dele ser o ator egocêntrico e arrogante, incapaz de se comprometer. Tampouco mudava o fato de que eu estaria me casando com outra pessoa em menos de dois meses. Não, eu não podia fazer uma coisa tão estúpida quanto me deixar apaixonar por ele. É claro que não. O que eu estava pensando? Não tinha como ignorar que ele era um libertino manipulador, um Don Juan moderno. Ele me machucaria no final das contas, como já havia machucado vários outros, e então seria eu o infeliz vestindo roupão de dormir no corredor de um hotel, jogando taças contra ele.

Eu levantei a mão e retirei a mecha de cabelo dos dedos dele.

- Não aconteceu nada – eu falei, tomando o cuidade de não olhar em seus olhos. – Eu não deixei de amar minha noiva.

Na verdade, era constrangedor ter de me explicar para aquele cara o tempo todo, e o era ainda mais pelo fato de que eu não tinha que fazer isso. A porta da sala não estava trancada. Eu podia abri-la e sair quando quisesse.

Mas eu não queria. E isso era o mais constrangedor de tudo.

- Mas você disse – ele parecia pronto para afirmar isso – que as calças não serviam...

Eu praguejei mentalmente contra mim mesmo. Por que eu tinha que ter aberto a boca para ele sobre isso?

- Bem, – eu falei, tentando então um caminho diferente – não é que as calças não sirvam. Talvez eu é que simplesmente não tenha feito direito.

Quando, um segundo depois eu senti a mão dele atrás do meu pescoço, eu soube que não havia dito a coisa certa.

- Acho – ele sussurou, com os olhos azuis muito firmes e quentes nos meus – que é melhor que me mostre o que fez, pois assim poderemos investigar a origem do problema e tentar resolvê-lo.

Eu estava paralizado. Debatendo-me entre o desejo irresistível de sentir a boca dele sobre a minha mais uma vez e a forte suspeita de eu estava sendo apenas uma peça numa engenhosa engrenagem de manipulação que ele estava movendo para se divertir.

- É apenas um beijo, Camus – ele falou, me repreendendo.

- Sei disso – eu respondi com certa indignação. Eu começava a suspeitar que ele estava fazendo graça daquilo, e não tinha idéia de como reagir.

- Então do que tem medo? — Agora ele sorria abertamente, evidentemente se divertindo muito comigo.

Eu senti a mão que estava na minha nuca delizar pelo meu pescoço, e os dedos acariciarem meu rosto até segurar o meu queixo.

Eu me senti enrigecer e levantei uma mão para afastar o braço dele... mas tudo que fui capaz de fazer foi apertar os dedos em torno de seu pulso. Eu podia tê-lo derrubado de costas no chão em um piscar de olhos se quisesse, eu pensei. Apesar disso, me deixei ficar ali, com a respiração suspensa e a pulsação disparada.

Ele já não estava mais sorrindo.

- Você não é um covarde, Camus. – ele disse com suavidade enquanto seus lábios se colocavam a poucos centímetros dos meus. Com os olhos fixos nos meus, em uma intensidade que me dava arrepios na espinha. Mas pior do que os arrepios era sentir aquele formigamento no corpo e os mamilos endurecendo sob a camisa. Eu só tive tempo de agradecer o fato de estar vestindo tantas roupas, antes de tomar consciência da pressão da boca dele sobre a minha e experimentar de novo aquela sensação familiar de estar derretendo, e estava perdido.

'Ah, não!' eu pensei. 'Por favor, meu Deus, de novo, não.'



Notas finais
Olá a todos, Aqui estou eu novamente ^^. E, nossa, esse ch me deixou zonza. Sério. Super complicadinho de escrever, o vai e vem do pensamento desses dois me atordoa XD. Pra piorar ele era imeeenso, eu tive que cortar duas cenas, que eu vou ter que dar um jeito de enfiar em algum outro lugar, e dividir em dois e ainda assim está desse tamanho u.u. Por isso simplesmente considerem esse como um meio ch, e não me matem por ter parado em um monto tão crucial. Sim, eu sei o que vc estão pensando: 'Justo agora que estava ficando bom? Sua autora má!' XD... mas era cortar o diálogo dos dois ou parar aí, eu preferi a segunda opção u.u. De qualquer forma, não se desesperem que logo, logo chega o resto ^^ (eu espero XDD). Eu tb queria ter colocado mais personagens, e conseguido enfiar umas pistas, mas esses dois só pensam em se pegar e não me deixam fazer mais nada u.u (sim, Camus o senhor tb, nem adianta me olhar com essa cara... XDD). Mas sério, no fim estava grande demais mesmo pra eu ainda ficar enrolando com mais coisa. Mas pelo menos tivemos o Dite, né? ^^. E a Shaina, claro. Ex namorada do Milo, sortuda XD. Eu gosto dela, o Camus chamou ela de ordinária, mas foi por puro ciúme mesmo. E por falar em ciúme... o Milo é uma mula u.u... XD Sobre a fala do Camus: 'Quem nunca experimentou um baseado na faculdade que atire a primeira pedra'. Eu estou levando em consideração a juventude na Europa, que foi onde eles fizeram faculdade, e lá é bem comum mesmo rolar um baseado nessa época, principalmente com o povo que vive nos dormitórios e talz. E com o pessoal da Filô ainda por cima, sem cometários XDD E a brincadeira dos cílios existe mesmo, gente, não fui eu que inventei só pra forçar a barra, não, eu bricava muito disso quando criança ^^. Mesmo sendo uma coisa bem idiota XD. É claro que hoje em dia eu não brinco mais disso, mas como diria o Camus: 'Coisas do Afrodite, apenas ignorem u.u' XDD E por falar em Afrodite o POV dele está chegando o/... eu mal posso esperar pra escrever ^^. Se vcs acharam o Camus insano por começar a pensar no imposto de renda pra desviar atenção do Milo (tadinho, na verdade ele estava era desesperado mesmo XD), ou surtaram com as oscilções de pensamento do Milo, que botou até a mãe na história, se preparem pro funcionamento bizarro da cabecinha do Dite XDD. Mas, bom, gente, acho que é isso aí, brigadão mais uma vez a todas as reviews: Moni-d, Minos_d_Griffon, Kamy_Jaganshi, sashinha, izabelnapoleao, ddd, Alexia-Black, lihchan, EnmaHilder, PapillonBleu, Chakal_Maldito, e stocking, obrigada mais uma vez meninas, são vcs que me incentivam a queimar os neurônios nesses chs malucos XD Bjos PS: Créditos devidos à Meg Cabot, Patrícia Cabot e Marian Keys.