Aprendendo a Contruir uma Famiia-Ludrigo
11 Festa de Aniversario
Notas iniciais
Rodrigo se remexeu no sofá, extremamente desconfortável. Era a primeira vez em meses que dormia em um sofá, e a culpa era do fato de ter tido uma briga daquelas com a esposa, que o trancou para fora do quarto.
— Casa tá realmente inaugurada. – bufou – Primeira briga séria: confere.
Levantou estalando as costas, que estavam quebradas. Caminhou até a cozinha ainda resmungando, procurando na gaveta um Dorflex. Começou a se lembrar da noite anterior, e se xingar em pensamento.
Haviam ido jantar na casa de Jorge e Sueli, uma tradição semanal. E como seu aniversário era dali dois dias, quiseram comemorar, já que ele e Lu estariam fora no dia, em uma pequena viagem de final de semana (na verdade eles iriam passar três dias em um motel, mas ninguém tinha que saber disso).
O grande problema da noite havia sido: Sueli tivera a brilhante ideia de convidar Luan, Jessica, e comemorar o aniversário do ex-genro junto com o de Rodrigo. sabia que ele e Rodrigo faziam aniversário com dias de diferença. Porque não?
Porque apesar de todo aquele tempo, Rodrigo ainda morria de ciúmes de Luan, especialmente com os sogros e Lu. E a noite havia sido, no mínimo, miserável.
A começar pela babação de ovo no Luan “fruta podre”, como Rodrigo disse, no “Fruta Pobre”, que ficava se gabando dos feitos no colégio quando estudava. Depois, o idiota começou com as história de quando ele e Lu nomoravao, alugando o ouvido de todos por horas.
Na hora do bolo, mais uma merda: apesar um conjunto de velas para os dois, e Filipe puxou o “E pro Luan nada?” antes de puxar para ele, alegando ser ordem alfabética. Teve que cortar o bolo junto com Luan e ainda ouvir o panaca dizendo que dariam o primeiro pedaço para Lu, que era a mulher mais importante da vida dos dois.
Miguem e Jorge tiveram que discretamente segurar Rodrigo, antes que ele enfiasse o bolo na bunda do “Fruta Podre”
Mas Luciana, claro, estava alheia a isso. Ela parecia tão feliz com poder comemorar o aniversário do marido e do eterno melhor amigo, os dois juntos, que não viu que Rodrigo estava simplesmente possesso. Ela foi apanhar o pedaço, que Luan lhe ofereceu, e o abraçou apertado. Mas quando se virou para Rodrigo, o publicitário tinha saído marchando, bufando alto. O ouviu batendo a porta da frente e arrancando com o carro, deixando todos os presentes a ver navios.
Luciana:Qual a merda do seu problema? – ele atendeu pelo carro, não querendo parar e atender.
Rodrigo:Porque? – bufou, enquanto acelerava o carro.
Luciana:Porque? Você simplesmente larga sua festa e some, sem uma maldita explicação.
RodrigoMinha festa? – ele riu com escárnio – Desculpa Luciana, mas se tem alguém que é o homenageado dessa festa, é o Luan. A propósito, gostou do seu primeiro pedaço? Ele te dedicou com tanto carinho.
Luciana:Ah, vá pro inferno Rodrigo.. – ela gritou – Larga de frescura e volta aqui agora. Se não por mim, pela sua mãe que ainda esta aqui.
Rodrigo:A minha mae esta se divertindo bastante com o Luan. – ele lembrou da cena de Ana avisando que haviam preparado as comidas que ele gostava – E você também, né? Vai lá contar da época que você invadia a casa dele a noite, só pra beijar ele.
Ele não obteve resposta, porque ela simplesmente desligou o telefone. Ele estava pouco se fodendo, não queria saber dela por hora. Apenas acelerou o carro e dirigiu até um posto, enchendo o tanque.
Então, se colocou a dirigir sem rumo, indo para onde quisesse virar o carro e pelo tempo que tivesse vontade.
Quando estacionou na garagem de sua casa, era pouco mais de 2h30 da manhã. Entrou em silêncio, encontrando a casa apagada. Acendeu a luz da sala, encontrando seu pijama, travesseiro e um cobertor, tudo sobre o sofá. Entendeu aquilo como um explícito “hoje você não dorme comigo”.
E agora, estava ali, todo quebrado e dolorido, sem saber quando poderia entrar em seu quarto. E nada afim de enfrentar a gritaria que viria junto com isso.
Voltou para a sala, pensando em ligar a TV e ficar se distraindo, quando reparou algo que não havia visto quando acordara.
Nos primeiros degraus da escada, escorada ao corrimão, estava Luciana, profundamente adormecida. Ele ficou a encarando por um tempo, antes de se aproximar e tomar nos braços com cuidado.
A carregou até o quarto com delicadeza, a deitando com cuidado no travesseiro. Quando ia se afastar, ela agarrou sua mão, ainda adormecida. Ele suspirou, deitando em seu lugar na cama e ficando de frente para ela.
Não demorou mais do que alguns poucos minutos, e então ela começou a despertar. Piscou os olhos com vagar, focalizando o rosto da sua frente. Rodrigo estava com a cabeça apoiada no braço, a encarando com o semblante sério. Ela suspirou, observando que suas mãos estavam entrelaçadas.
Luciana:Eu não sei se quero começar o dia brigando.
Rodrigo:Uma hora ou outra a gente vai ter que brigar. E acho que estamos magoados demais para começar o dia fingindo estarmos bem. – ele comentou, enquanto brincava com os dedos dela – Vai, solta os cachorros.
Luciana:Eu não vou brigar. – ela garantiu – Eu só quero entender porque você agiu daquele jeito. Rodrigo, o Luan não estava fazendo nada demais. – o publicitário bufou, tentando puxar a mão, mas Lu impediu – Ele não estava.
Rodrigo:Lu, desde o momento que aquele idiota pisou na casa dos seus pais, todas as atenções foram dele. Sua, dos seus pais, dos meus pais,da minha irma... Era só Luan pra cá,Luan e Lu aqui e ali.
Luciana:Rodrigo, nós estávamos tentando fazer ele se sentir bem vindo
Rodrigo:Foda-se. Lu, aquela de uma forma é a minha família, comemorando o meu aniversário. Meu. – os olhos de Rodrigo se encheram de água – Você lembra quando a gente comemorou o meu aniversario na casa da Vanda,quando a gente tava nomorando de pouco, que comemoravam o meu aniversário e do Luan junto? Ninguém gostava de mim, então eu fui deixado de lado no meu próprio aniversário. O centro de tudo era o Luan, eu era apenas um coadjuvante. Era a comida que o Luan gostava, o primeiro nome cantado era o dele, o primeiro pedaço era ele quem dava. Eu não tinha direito de escolha, direito de pedir nada. – ele suspirou – Foi assim que eu me senti ontem.
Luciana:Rodrigo... – ele fez sinal que ele esperasse.
Rodrigo:E ele ainda fica falando sobre as histórias de vocês, da época em que você era louca por ele, e que ele sabe que você era louca por ele. Ele dedica o primeiro pedaço para você, falando que você é a mulher mais importante da vida de nós dois? – ele negou com a cabeça – Lu, meu pai e o seu tiveram que me segurar, porque eu quase quebrei a cada daquele retardado ali mesmo.
Lu não sabia o que dizer, não tinha o que dizer. Sabia que tudo era bem diferente pela ótica de Rodrigo, e era difícil para ela enxergar a mesma maldade e malícia que ele. Na sua cabeça, Luan estava apenas lhe fazendo um carinho de melhor amigo, contando as histórias que todos ali gostavam de ouvir, se socializando.
Mas para o marido, era tudo bem mais complexo, e ela não podia tirar a razão dele. Aquele era o segundo aniversário que ele passaria junto de toda a sua família, e Luan mais uma vez havia conseguido “roubar” isso dele, mesmo que sem querer.
Rodrigo:O lance é: ele tem a família dele, ele não precisa da sua. – Rodrigo suspirou — Ele tem essa relação ridícula com a Jessica, não precisa ficar de graça com você.
Luciana:Desculpa. – foi só o que a corintiana sussurrou, puxando o marido para si e se aninhando à ele – Eu te juro Rodrigo, que nenhum de nós fez por mal. Não foi nossa intenção te fazer sentir mal. Todos tem carinho pelo Luan, e ninguém percebeu o que estava acontecendo. Mas eu te garanto que não queríamos te magoar.
Rodrigo: Eu sei. – ele encostou o queixo na testa dela, encarando o nada por cima da cabeça dela – É só que... Isso me mata, entende? Lembrar o quanto seus pais gostaram mais deles como se fossem genro deles,do que de min que sou o verdadeiro genro dos seus pais,o quanto você era apaixonada por ele...
Luciana:Rodrigo, meus pais te adorao pode acreditar você e o merido que meu pai sempre sonhou pra min,. Minha mae só tem muito carinho pelo Luan, assim como o meu pai. Mas você sabe o quanto eles te amam. – ela acariciou o rosto do rapaz – E você sabe que eu fui apaixonada pelo Luan, mas foi uma coisa namoro de adolecente. Amar eu só amei e amo você, e eu já te falei que vai ser só você, para sempre. Eu vou passar o resto dos meus dias aqui com você, do seu lado, ao dormir e ao acordar. A gente vai ser feliz e briguento pelo resto da vida das nossas vidas, vamos ter uns filhos corintianos e eu vou te infernizar quando a gente estiver velho e você não conseguir nem levantar seu marujo.
Rodrigo:Você é muito idiota. – ele riu baixo, beijando a testa dela.
Luciana:Sou idiota porque eu sou apaixonada por você, um carinha sensível para caralho e cheio de frescura e dúvida. – ela se afastou, encarando os olhos dele – Rodrigo, eu te amo, entende isso logo cara. Eu te amo demais, e vai ser para sempre.
Rodrigo:Eu também te amo. E te amo mais ainda porque você acabou de me dizer que nós vamos ter alguns filhos, mas não concordo com isso de serem corintianos. – ela riu, puxando o rosto dele e lhe dando um selinho.
Luciana:Não tem discussão nessa parte. – ela garantiu – Mas eu quero ouvir você dizendo que me desculpa.
Rodrigo:É claro que te desculpo, Lu. Eu não sei ficar bravo com você, cê sabe disso. – ele a aninhou de novo, fazendo-a sorrir.
Luciana:Eu vou falar com as nossas mães e nós vamos fazer outra festa, só para você, do jeito que você gosta.
Rodrigo:Eu não quero. – ele garantiu – Isso só vai me fazer sentir pior. Eu só quero esquecer que isso aconteceu e curtir nosso final de semana, sem chateações. Podemos?
Luciana:Você sabe que sim. E se quiser, começamos agora mesmo as comemorações.
Rodrigo:Gosto de como você pensa. – ele sorriu sacana, antes de jogar a coberta por cima dos dois.
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