Aprendendo a Amar
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo 31
Em algum lugar no México.
Narrador.
—Isso poderia ser fácil, é só você me dizer qual casa é. – Aro disse a menina. Ela fechou a boca numa linha firme e virou a cara para a parede. O velho suspirou.
—Terei que matar cada pessoa dessa vila?! – questionou.
—Assim você a assusta, Aro. – Caius o repreendeu.
—Tem uma técnica melhor?- perguntou sarcástico.
—Vanessa, eu tenho um celular posso deixar você ligar pra Bella.
A menina imediatamente olhou para o homem.
—Não acredite nele querida, ele jamais faria isso, faria a policia nos achar na hora. – Heidi comentou de seu lugar na cama. Estava pálida, os olhos fundos como se não dormisse há dias, devido a falta dos remédios.
—sinto falta de quando você me ajuda ao invés de atrapalhar! – Aro repreendeu a filha.
—Sinto falta da época em que tomava minhas próprias escolhas. — sussurrou de volta.
—Eu estou cansado de jogos! O tempo está se esgotando! Você – pegou a pequena pelo braço que gritou pelo susto. – Vai me dizer qual dessas casas fica o cofre agora!
—Eu não lembro! – gritou.
—Mas você irá! – a arrastou para fora do quarto. Heidi gritou e tentou se levantar, contudo estava muito fraca e caiu ao chão.
A rua estava quente e abarrotada de pessoas atarefadas ao meio dia. Aro não se importou em disfarçar os puxões que dava na menina pela rua. Tinha sua arma na cintura.
—Seja rápida em achar a casa, do contrario irei matar cada família que encontrar dentro das casas.
A criança se assustou ante a ameaça, porem não estava mentindo não tinha certeza se sabia qual era casa.
—É essa? –Aro perguntou apontando para uma pequena casa azul.
Azul? Azul desbotado? Não, a casa não era assim na memória da menina.
Ela sacudiu a cabeça com veemência.
—Não me faça perder a paciência! – ameaçou. – Aquela?
Vermelho vivo? Não, a casa era velha tinha certeza.
—Não, é uma casa velha. – sussurrou.
—Ótimo, então é aquela. –arrastou a menina pelo o braço.
Não! Aquela não era. Bateu a porta.
—Essa não é!- a menina tentou dizer, mas já era tarde, uma senhora idosa de sorriso aberto abriu a porta.
—Puedo ayudar? (posso ajudar?)
—Huye! (fuja) – a menina gritou para a velha senhora. Aro a empurrou para dentro da casa.
—é aqui?!
—Não! Vamos embora!
—Abuela, qué está pasando? (vovó, o que está acontecendo?) -um jovem rapaz apareceu vindo de um cômodo da pequena casa.
—Vuelva hacia adentro! ( volte para dentro!) a velha senhora gritou para o neto, que se assustou quando Aro sacou uma arma e correu. Vanessa ouviu o disparo e tapou os ouvidos no exato momento em que o jovem caiu no chão. A velha correu em direção ao rapaz. Outro disparo. -Não é mesmo aqui? – perguntou a menina. -Não. –Vanessa respondeu sem olhar os corpos que cobriam o chão. -Acho melhor você se lembrar da casa o mais rápido o possivel, não queremos mais mortes hoje. -É velha, sem pintura. –sussurrou com o rosto coberto de lágrimas.
Não havia nada que a menina pudesse fazer para melhorar a situação. Nada a não ser fazer o que o homem havia mandado. A rua lhe era conhecida, as casas pareciam em sua maioria iguais, mas essa, a que ele queria que ela o levasse era diferente; era a única com uma grande arvore na frente, ela se lembrava disso ter chamado sua atenção quando esteve ali. Rezando para que não tivesse ninguém nela, ela o levou a porta.
Aro bateu com força.
Nenhuma resposta. Ele soltou o braço da Vanessa e arrombou a porta com um chute. Tudo na pequena casa gritava abandono. Vanessa não queria entrar lá.
—Vamos logo com isso. Mostre-me! – a casa tinha apenas três cômodos, a sala pequena, uma cozinha ao lado e um quarto a sua frente. De onde estavam Vanessa podia ver a porta destaca dentro do quarto por ser de ferro.
—Ele não poderia ser mais sutil? –Aro resmungou. Havia algo errado, Vanessa estava certa disso, mas não saberia dizer o que. Lembra-se do pai tê-la apresentado a um velho senhor no dia em que estiveram ali, o homem morava ali, a menina tinha certeza, e agora ao olhar em volta parecia que ninguém entrava ali a mais de meses.
Havia algo mais errado. Uma sensação de perigo no ar que não era provocada pela presença de Aro... havia alguém os espiando de fora, ela tinha certeza. O primeiro disparo de uma arma pareceu um aviso, no susto Aro soltou seu braço e Vanessa se jogou no chão cobrindo a cabeça. A menina se esgueirou pelo chão, tentando alcançar a porta, para longe de Aro. Uma profusão de tiros encheu a casa.
—Vanessa! – ouviu-o gritar seu nome, mas não parou.
Ficar próxima ao chão. Sair o mais rápido possível.
Ela lembrava das palavras do seu pai. Quando estava do lado de fora, viu de relance caminhonetes pretas, achou que fosse a policia, contudo pela forma como os homens estavam vestidos e as armas... não, não eram homens da lei. Correu pela rua, junta a outras pessoas que corriam na direção contraria ao tiroteio. Se Aro tivesse sorte estaria morto.
Aro morreu. Pensou. Ele era alto e não tinha se abaixado, com certeza estava morto.
Preciso achar Heidi, vamos embora!
Não foi difícil achar a pensão em que estivera antes, mesmo sem fôlego só parou quando voltou ao quarto.
—Onde está Aro? – Didyme foi a primeira a notar a criança.
—Tiros. Muitos. – ela disse. Heidi, que parecia elétrica agora, muito diferente de antes, correu para perto dela.
—Você está bem?!
—Sim, só arranhada, tive que me jogar no chão!
—Onde está Aro? – Caius gritou.
—Lá. – a menina apontou para fora. Soltando um palavrão o homem saiu pela porta.
—Caius?! Volte já aqui! – Dydime saiu no encalço do homem. Heidi olhou em volta atordoada. Parecia mais forte que antes, talvez pela adrenalina do momento.
Um frasco de comprimidos atraiu a atenção de Vanessa. O que Heidi havia tomado?
—Temos que fugir Heidi. Agora!- Vanessa a chamou.
—Sim Nessie, você tem razão. –a mulher pegou a mochila da menina e dando a mão a ela as duas correram para fora da pensão.
Bella.
O dia estava amanhecendo. Estávamos na fronteira com o México.
—Não trouxe documentos Jacob. – o avisei em pânico.
—Não se preocupe com isso.
—Posso ligar para Edward pelo menos?
Ele suspirou e puxou um celular do porta luvas.
—Seja rápida.
Sentia minha pulsação nos ouvidos enquanto o telefone chamava. Ele atendeu no terceiro toque.
—Edward? – perguntei assim que ele atendeu.
—Onde você está? – soltou.
—Não posso dizer. Vou trazer Vanessa de volta.
—Porra Isabella! Vamos fazer isso juntos! Onde você está?!
—Edward não torne isso mais difícil! Estou bem, estarei de volta logo!
—Bem? Você está com Black? Alice está na minha porta gritando e terei que abrir.
—Estou. Ele sabe onde Vanessa está!
—Ele é um criminoso porra!
Jacob pegou o telefone da minha mão.
—Edward, nossa garota vai ficar bem, tenho ela sobre cuidado. Não grite comido homem, tudo vai ficar bem... mande a baixinha se fuder. Não, devolverei Bella sã e salva, não fique tão nervoso... Não... que merda. Vamos esperar que tudo ocorra bem. – disse e jogou o telefone pela janela.
—Jacob!
—Edward está fora de si, só sabe gritar. Agora, porque não me disse que está gravida?
—Não acho que seja um assunto pertinente a você.
Ele parecia bravo.
—Tem alguma chance de ser meu? – perguntou suave apesar da expressão de fúria.
—Jacob...
—Apenas responda!
—Não. – vi a dor cruzar suas expressões.
—Tem certeza?
—Uma mulher sabe as coisas Jake.
—Mais...
—Estou com treze semanas Jacob, mesmo se eu tivesse duvidas, algo que não tenho, a medicina teria esclarecido.
Ele bufou.
—Desculpe, é só que por um segundo eu imaginei que merecia algo mais. Mas é claro que não! Seria loucura, que tipo de pai eu seria? Que herança deixaria para um filho? Só sangue e perseguição policial. Edward sim fará um ótimo trabalho. – ele cuspiu o nome de Edward com nojo.
—Você pode ser o que quiser. O destino não está gravado em pedra, pode seguir outro caminho, encontrar alguém e ter uma família. – ele desviou sua atenção da fila de carros a nossa frente para sorrir fraco para mim.
—Eu pensei que poderia ter isso com você. Contudo eles vieram para cima de mim de novo. Sempre será assim Bella, posso ter férias, uma vida normal e depois os caras me chamam para um trabalho. Não se preocupe, alguns de nós aceitam seu destino com facilidade.
—Não deveria ser assim. – ele não disse mais nada. Aproximamo-nos no guinche para meu completo desespero.
—Relaxe, não pareça suspeita nem nada.
Um policial da fronteira parou na janela do lado dele. Ele não cumprimentou Jacob. Jacob passou um papel parto volumoso para ele. Tocou o chapéu e saiu.
—O que foi isso? – sussurrei.
—Negócios querida. Vamos achar sua menina.
Jacob seguiu com o carro durante horas até que eu verbalizei meu problema.
—Preciso fazer xixi.
—Não da pra segurar?
—Estou a mais de cinco horas segurando! Acredite, sou a rainha do segurar, não da mais.
—Vamos achar um posto. – bufou.
—Não dá! Apenas pare e eu me resolvo.
Ele riu divertido jogando o carro no acostamento.
—Ok. Pode sair.
Olhei a estrada aberta, cercados pelo deserto.
—É muito aberto aqui. Não tem nem mesmo uma moita!
Ele deu de ombros divertido.
—você disse que iria se resolver. Agache do lado do carro, não está movimentado aqui. Ainda temos muitas horas de viagem até Chaveña.
Bufando abri a porta do carro. Que grande merda!
Narrador.
As duas não sabiam onde estavam.
—Vanessa, precisamos achar a policia e pedir ajuda. – Heidi disse seria.
— E se Aro nos encontrar? Quero ir pra casa!
—Meu pai deve estar morto. – a mulher disse seria sem mostrar sentimentos com o fato. – Não temos dinheiro para comer ou documentos para apresenta, nossa melhor chance é a policia.
Vanessa concordou.
—Mas e a sua mãe? E Caius?
—Eles fizeram as próprias escolhas, o importante e nós duas voltemos aos Estados Unidos o mais rápido.
Já havia anoitecido. Ambas tinham fome.
—Sabe se pedirmos a alguém ajuda, tenho certeza que nos ajudarão.
—Não podemos colocar mais pessoas em risco, os homens que atiraram na casa em que você estava com Aro ainda devem estar aqui.
—Procurando a gente?
—Talvez.
—Não fizemos nada para eles! – a menina tinha os olhos marejados. Heidi a abraçou junto ao peito.
—Eu sei pequena. Mas nossos pais fizeram.
—Meus pais não!
—É nova de mais para entender. – Heidi decidiu não continuar a conversa. Avistou uma viatura policial mexicana. Espero que meu espanhol não esteja tão rudimentar. Pensou ao atravessar a rua acenando para ele.
O carro parou. Três homens desceram. Dois com uniformes e um todo de preto.
—¿Cómo puedo ayudar, señorita? ( como posso ajudar senhorita?) – o primeiro policial perguntou.
Heidi não conseguiu responder, seus olhos verdes vidrados no homem de preto com os policiais. Victor. Ele estava mais velho, afinal era dez anos mais velho que ela, contudo parecia lindo como se lembrava. Ele também a reconheceu, sorria divertido com a situação.
—¡Preciamos de ayuda! ( precisamos de ajuda!) Vanessa tomou a frente.
Heidi a segurou junto ao corpo.
-¡NO! ACHAMOS QUE LOS CONOCEN, QUE ERA LA VIATURA DE MI NOMBRADO. FUE UN ERROR. DESCULPE. – Heidi disse atrapalhada tentando puxar Vanessa pela calçada.
—¿está seguro? Parecen perdidas?( Tem certeza? Parecem perdidas?) – Victor comentou com dicção perfeita do espanhol.
-si buenas noches.( sim boa noite.) – Heidi disse caminhando com a menina.
-Por que estamos fugindo deles? – Vanessa sussurrou. Entraram na sorveteria da esquina. Heidi observou a viatura seguir rua a cima.
—Aquele homem junto deles era Victor Nessie. O homem que fez Aro começar com toda essa loucura de vir para cá atrás desse maldito chip!
—Victor. – a menina repetiu o nome.
-Temos que sair daqui logo! E não podemos confiar na policia.
A menina pensou ante as palavras da mais velha.
-Por que não atravessamos a fronteira?
—Não temos dinheiro. Ou documentos. – a mulher revirou os olhos.
—Eu conheço um jeito. – a menina riu. Duas horas depois as duas estavam dentro de um caminhão com varias pessoas que atravessariam a fronteira ilegalmente.
—Como sabia disso? Do caminhão saindo da cidade? – Heidi questionou.
Vanessa deu de ombros.
—Minha mãe Carmen disse que entrou assim no Estados Unidos pela primeira vez. E… o primo dela quem faz essas viagens.
Heidi achou aquilo incrível. Vanessa não só as levou até o caminhão, como elas embarcaram só depois dos homens responsáveis pegarem o dinheiro das pessoas ali, nem uma espécie de contagem foi feita, nada que pudesse denunciar o aparecimento das duas. Os outros passageiros as olhavam com desconfiança, até um homem entre eles mais corajoso foi questioná-las.
—¿Vinieron de dónde? ( vieram de onde?) o homem as questionou, agachado a sua frente com o balançar do caminhão. A pela morena, os olhos de um escuros como a noite lá fora.
Antes que Heidi pudesse responder, Vanessa tomou a frente.
—Somos de los Estados Unidos. Estamos tratando de volver a casa. ( somos dos Estados Unidos, estamos tentando voltar para casa.)
Essa menina é rápida. Pensou Heidi exasperada.
—Creo que no van a querer contarme la historia( acho que não vão querer me contar a história. – ele disse divertido.
O sorriso dele fez algo borbulhar na boca do estômago de Heidi, e para sua surpresa, a sensação era boa.
-No Puedo. ( não posso.) -ela mesma sussurrou com medo que Vanessa se laçasse a contar a historia das duas.
-el viaje hasta la frontera será larga, yo puedo contar mi historia. ( a viagem até a fronteira será longa, eu posso contar mina história.) – ele sentou de frente para elas.
Heidi suspirou, ótimo uma triste historia de imigrante, pensou. Contrariando o que pensou dele a principio, logo estava envolvida com a narrativa dele, sobre sua infância difícil, sobre as aventuras do pai, sobre a comida maravilhosa da mãe, finalmente ficou surpresa quando ele disse que já tinha cidadania americana.
—¿Por qué está aquí? ( por que está aqui?) – ela o questionou.
-Soy bueno en eso. Quiero ayudar a esas personas a llegar al otro lado. ( sou bom nisso. Quero ajudar as pessoas a chegarem do outro lado.)
-¿Cómo es su nombre? ( Como é mesmo seu nome?) ela questionou.
-Paulo. – ele inclinou a cabeça para ela como um cumprimento. De novo ese sorriso provocando reações estranhas nela.
-Tente dormir um pouco Vanessa. – ela disse a menina. Nessie se aconchegou mais a ela, olhando a mulher que tinha a filha que era apenas um pouco mais velha que Vanessa nos braços.
-Sente falta da sua mãe. – Heidi comentou.
—Sinto falta de Bella. – a menina sussurrou fechando os olhos. Bocejou. Aconchegando-se mais a mulher continuou;
—Quando pensou em mina mãe, penso nela. Seu jeito engraçado e atrapalhado, seu abraço, seu cheiro… sinto falta de Bella.
Heidi beijou seus cabelos.
-Você estará com ela, pequena. Logo.
Quando a estrada terminou todos tiveram que deixar o caminhão, e seguiram a pé pelo deserto. Heidi estava confiante, mesmo que os policiais da fronteira as pegasse tentariam provar que eram americanas e tudo ficaria bem. Bem, desde que esses ditos policias não trabalhassem para Victor.
Fale com o autor