Notas iniciais
Feliz ano novo! boa leitura ♥

Aprendendo a Amar

Capítulo 3

Nove anos atrás.

Era o fim de tarde da sexta feira quando o telefone da casa de Carmen tocou. Ela o atendeu meio dispersa, corrigindo trabalhos de alunos.

—Alô?

—Carmen?

Ela logo reconheceu a voz de Amélia, sua amiga de tantos anos que trabalhava na clinica de fertilidade.

—Sim Amélia.

—Isabella Swan saiu daqui tem uma hora. – o coração de Carmen pareceu perder uma batida. Na segunda ela e o marido colocaram o plano que ‘’influenciar’’ os jovens a recorrem a isso, sem muita esperança, e apenas quatro dias depois Isabella já havia ido a clínica?

—Como? – ela gaguejou.

—Foi isso mesmo o que eu disse! Isabella Swan veio acompanhada da amiga, Jane Volturi e as duas se candidataram a doadoras!

—Eu não acredito. – sussurrou em choque. Não era possível a vida lhe sorri dessa forma, era?

—Mais passe a acreditar! Estou com a ficha dela e mãos! – e mulher do outro lado riu feliz e continuou. – imediatamente encaminhei as duas paras os exames, e as disse que eram boas candidatas, só esperar que fossem escolhidas. A Volturi parecia ansiosa para ser selecionada.

—Só tenho interesse em Isabella. – Carmen foi solicita.

—Eu sei querida. Disse a elas que caso alguém se interesse entrarei em contado. Segunda devo ligar para ela?

Carmen respirou fundo. As coisas pareciam estar indo rápido de mais.

—Vou conversar com Eleazar. Edward apareceu por aí?

—Não que eu tenha visto, estive muito ocupada essa semana... Mas o irmão dele sim. Não daria no mesmo?

Carmen riu. O Irmão de Edward era completamente diferente dele no quesito intelectual o que atraia seu marido. Certamente ele não iria querer.

—Vamos aguardar Edward.

—Tudo bem. E Carmen...

—Já sei Amélia. Sigilo absoluto.

—Certo. Até mais.

—Até. – se despediu da mulher e recostou-se no sofá. Seu sonho de ser mãe parecia bater a porta. Ela ficou um tempo parada com as mãos no rosto em choque, mas o sorriso em seu rosto não deixava duvidas; aquilo era o que ela mais queria.

Edward

*quatro dias para o prazo final de Tanya*

Segunda à noite. Eu tivera a porra de um dia cheio, cheio de merda para ser exato. Não havia conseguido prestar atenção nas aulas, Tanya mandava mensagens para meu celular a cada uma hora, e meu brilhante irmão disse que viria me visitar na sexta.

Eu poderia pedir o dinheiro a ele, claro, se estivesse disposto a lhe contar cada maldito detalhe do por que, eu precisava do dinheiro.

Era noite enfim. Eu estava em um dos bancos em frente ao prédio dos dormitórios, quando mãos pequenas e femininas cobriram meus olhos.

Um cheiro doce e fresco me invadiu.

Ela estava sendo fofa, não havia duvidas, e ela não costumava ser fofa comigo a toa; tínhamos um elefante entre nós, por isso costumávamos evitar muito contato.

Cobri suas mãos com as minhas as retirando dos meus olhos enquanto falava;

—A pequena sereia?

—Não passou nem perto. – ela resmungou.

—Sou péssimo com isso. – me desculpei meio rindo. Ela se jogou ao meu lado.

—O que faz sentando aqui fora nessa linda noite de janeiro?- ela disse.

—Só refletindo. E você?

Ela fez uma careta.

—Fui no Subway levar um lanche para Jasper. Ele está trabalhando bastante por lá.

—Lá tem lanche. – debochei. Ela empurrou meu ombro de brincadeira.

—Não os que eu faço. Ele recebeu seu pagamento e me deu uma grana, meu irmão é meio doido, mas é bom. Só quero retribuir de alguma forma.

Ela olhou as estrelas quando disse isso.

—Ele ama muito você . – Falei.

—Eu sei. É fácil me amar. – ele fez língua para mim. Isabella Swan sabia ser adorável, e safada. E eu senti meu membro latejar ao lembrar o quanto ela podia ser safada.

—Por onde anda Tanya?

Ops.

—Trabalhando talvez? – tentei.

—Vocês estão com problemas? Não que seja da minha conta, mas ouvi o capitão falando com a treinadora que se você não se concentrar, o jogo de sábado será uma merda.

Bella era líder de torcida, e eu jogava futebol.

—Tem haver com Tanya. Mas não da forma como você pensa.

—E como eu penso? – ela me olhou desafiadora.

—Você acha que nosso namoro está em crise ou algo assim. Mas não é, nós temos um coisa, não era exatamente namoro..

—Vocês terminaram? – ela abriu a boca.

—Teríamos que estar namorando para isso. – revirei os olhos.

—Então por que você está tão disperso?

Respirei fundo e soltei parte da verdade.

—Tanya quer que eu concorde com algo que julgo ser errado. E pague por isso. Em dinheiro. E não tenho dinheiro.

Ela ponderou.

—O problema é você não concordar, ou não ter dinheiro?

—Os dois. – soltei o ar.

Ela ficou em silencio um pouco olhando em volta de forma calma.

—Não podemos mudar a cabeça das pessoas Edward. Podemos ajudar, dar bons motivos para que pensem de forma diferente, mas não muda-las. Seja lá o que Tanya quer de você... ela tem seus motivos. Tente olhar pelo lado dela, e não ser egoísta.

Ah Bella, se você soubesse que há um bebê nessa equação....

—Vamos. – ela pulou do banco e me estendeu a mão.

—Para onde?

—Sair um pouco. Ouvi dizer que o pessoal de computação está dando uma festa.

—Na segunda- feira?!

Foi a vez dela revirar os olhos.

—São do primeiro período. Ainda não levam a serio a faculdade.

Ela mal terminou de falar e pegou na minha mão me puxando para longe.

E eu a segui sorrindo.

*Terça- feira*

Eu não era o único homem na sala de esperar. A maioria devia ter a minha idade. Éramos seis.

—Edward Cullen. – uma mulher bonita chamou meu nome. Fui ao seu encontro.

—Por favor. – ela me guiou por um corredor.

—Pelo o que li do seu histórico, é a sua primeira vez. – ela disse com um sorriso contido. Engoli em seco.

—Sim.

—Apenas coloque seu conteúdo dentro desse potinho. – foi tudo o que disse antes de me deixar só.

Serio? Só isso? E eu ganharia cem dólares?

...

Eu fugi de lá. Envergonhado do que havia feito.

E eu ainda precisaria pegar dinheiro com Emmett.

—Por que mesmo você precisa que eu transfira quatrocentos dólares para sua conta? – ele me perguntou pelo telefone.

—Por favor, Em. É importante.

—tudo bem já vou fazer isso, mas na sexta você me explica direitinho isso.

—Tudo bem Emm.

Emmett apesar de ser cinco anos mais velho que eu, e um cabeça oca, tinha seus momentos de irmão mais velho.

—Na verdade Ed... Você pode me contar agora.

—Como?! – senti uma batidinha no meu ombro. Me virei para encontrar o sorriso bobo no enorme homem atrás de mim. Meu irmão mais velho tinha o sorriso mais aberto possível.

—O que faz aqui?

—Também senti sua falta. – ele ironizou revirando os olhos e me puxando para um abraço.

—O que houve com sexta? – perguntei.

Ele deu de ombros.

—Estava com tempo e disposição. E... fiquei sabendo que tem uma nova republica feminina na sua universidade.

—Emmett! São calouras de dezoito anos!

—São as melhores! Vamos nos divertir essa semana, só vou embora no domingo.

—E sua oficina?

Ele deu de ombros.

—Embry está cuidando dela. O negocio está crescendo irmão! Acabo de contratar mais dois mecânicos.

—E já está se dando ao luxo de férias?

—Não seja chato. Mamãe pediu para eu dar uma olhada em você. E como tem uma republica de garotas novas... achei que seria a melhorar hora para aparecer.

Eu estava sendo chato, mas estava mesmo era feliz por ver Emmett aqui.

—O que houve? –ele logo adotou um tom serio. Era isso o que eu mais gostava no meu irmão; era brincalhão, mas quando percebia que eu precisava de ajuda, logo se tornava o irmão mais velho e experiente que eu precisava.

—Ah cara...- então comecei a contar minha desgraça pessoal. Quando terminei estávamos no banco de um parque próximo. Emmett olhava discaradamente para as mulheres correndo com roupas esportivas.

—Irmão... você me meteu em uma roubada e tanto. – ele coçou a cabeça.

—Nem me lembre.

—Mas é isso; ela irá tirar. E você não fará nada para impedir.

—O que eu posso fazer?! Como ela mesma disse o corpo é dela!

—Mas o filho também é seu!

—Eu sei! O que posso fazer?!

—Agora? Dar o dinheiro para ela, e tentar esquecer que ela um dia cruzou o seu caminho.

—Simples assim. – ironizei

—Olha, é uma merda ok? Mas você não pode obriga-la a ter o bebê, e não pode oferecer a ela a vida confortável que ela quer.

—Que ela só perdeu por ser idiota. Os pais faziam tudo por ela.

—Sim que seja. Faça sua parte e caia fora. Aqui. – ela abriu a carteira e tirou uns doares. – acho que é o bastante para ela. Você não precisa mais doar seu sêmen. — ele debochou.

Senti meu rosto esquentar.

—Vamos, vamos comer algo que quero ir para o campus ver as gatinhas.

—Você soa nojento quando diz isso. – resmunguei me levantando.

Carmen

—Recebi uma ligação da clínica. – Carmen disso ao marido logo depois de desligar a ligação, quando o encontrou na cozinha. Ele deixou de cortas os legumes e a olhou.

—Isabella se cadastrou no banco de dados. – ela sussurrou tentando conter o sorriso. – Mas ela não sabe se Edward apareceu por lá.

—Ele esteve lá na terça-feira. – O marido respondeu.

—Como você não me contou? – indignou-se.

—Não queria que criasse falsas expectativas. Agora os dois já doaram...

—Mas como saberemos que é o sêmen do Edward?

—Já esta separado. você não é a única com contatos lá dentro. – o marido se aproximou da esposa, a puxando para um beijo que ela correspondeu de forma contida.

—Por que não me contou? – insistiu.

—O que estamos fazendo é errado, amor. Nós conhecemos os doares e de certa forma os influenciamos a fazerem uma doação. Isso seria ruim para nós e o hospital se eles descobrirem.

—Eles não vão saber. – Carmen disse certa depois abraçou o marido. – Nosso sonho está perto de se realizar.

—Sim querida. Está.

Naquela noite o casal se amou com uma alegria e cumplicidade nunca antes compartilhada nesses anos de casados.

Bella. *Semana seguinte*

Eram nove horas da manhã e eu estava na cama no meu dormitório, com a cabeça girando. Ótimo, Isabella, você perdeu as duas primeiras aulas na manhã de segunda feria. Parabéns.

Eu havia quebrado minha regra numero cinco do manual de universitária ‘’nunca beba no domingo à noite’’. Mas eu havia encontrado Edward no corredor, cabisbaixo depois do irmão dele ter ido embora, e o chamei para apenas uma cerveja. Serio, deveria ter sido apenas uma cerveja. Mas nós conversamos e as horas foram passando, e fomos bebendo... e eu descobri que Edward era uma ótima companhia, e apesar de eu não querer lembrar do que aconteceu entre nós na noite de formatura em Forks. era bom estar com ele, ele não falaria disso se eu não quisesse. Poderíamos ser amigos.

Acabei sendo deixada na porta do meu dormitório um tanto embriagada, acordei com dor de cabeça e não tive a menor vontade de ir a aula.

O telefone do quarto tocava. Me estiquei para pegá-lo.

—Alô? – minha voz soo rouca. Pigarreei.

—Isabella Swan?

—Sim.

—Aqui é da clínica de fertilidade...

Me sentei de imediato.

—Sim?!

—Você foi selecionada.

Já?

—Nossa... Isso foi rápido.

—Sim... mostramos o seu perfil essa manhã mesmo. O casal está bem interessado em conhece-la.

Conhecer?

—Achei que fosse de forma anônima...

—Sim e é. Mas se ambos quiserem se conhecer...

—Eu não quero. – fui clara.

—Como preferir. Qual o melhor dia para você vir fazer os exames?

Então passamos a assuntos práticos. Quando desliguei o telefone meu coração batia rápido.

Eu doaria meu óvulo! Nossa!

Coloquei a primeira roupa que vi pela frente, uma calça jeans e blusa e mangas cumpridas brancas que reconheci como sendo de Edward, coloquei meus all star e corri para o campus, precisava falar isso para Jane.

A encontrei com uma canga estendida na grama. Ainda não eram dez da manhã, ela deveria estar em aula.

—Bom dia pimenta. – ela me cumprimentou sorrindo. Estava sentada no meio das pernas de Félix, seu namorado no momento.

—Por que não me acordou para a aula?

—Eu tentei! Mas você ficou resmungando e eu vim sozinha. – deu de ombros.

Sacudi a cabeça.

—Vem precisamos conversar. – peguei seu braço a puxando do chão.

—Nossa para que essa presa toda? Perder algumas aulas na segunda feria não te fará mal!

—Me ligaram da clínica!

Ela arregalou os olhos.

—Já? Mas estivemos lá na sexta!

—Sim! Parece que um casal gostou do meu perfil, e queriam me conhecer, mas recusei. Disse que irei lá hoje mesmo fazer os exames para começar o tratamento.

Jane hesitou.

—Você tem certeza?

—Achei que você quisesse isso.

—E quero! Nossa, quero mesmo, mas imaginei que iríamos fazer isso juntas, mas pelo visto não me ligaram.

— O que faço? – sussurrei olhando para as pessoas que passavam por nós.

—Se é o que você quer, vá e faça. Mas peça uma grana alta, para nós duas podermos curtir a formatura em Vegas.

— Eu não acredito que estou fazendo isso. Você que começou essa historia!

—Se não quiser não precisa fazer. Vamos ficar aqui enquanto todos curtem a festa de formatura lá.

Ela fez bico. Ela sabia que eu não deixaria isso acontecer.

—Já estou indo fazer os exames.

—Quer que eu vá com você? – ofereceu.

—Não. Vá as aulas hoje por favor. Diga por ai que eu vim e passei mal, tive que voltar para o dormitório.

—Ok! – ela me beijou no rosto.

Eu não podia mais pensar muito no assunto, por que se o fizesse acabaria desistindo, e Jane e eu merecíamos nos formar com todos os mauricinhos daquela faculdade. E eu ainda iria ajudar um casal, que estava disposto a pagar para terem um filho. Isso era uma atitude nobre certo?

Era o que eu tentava me convencer enquanto pegava a direção da clínica.

Notas finais
Gostaram? comentem, quero muito saber o que estão achando e o que esperam! bjs :*