Aprendendo a Amar
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo 27
Washington D.C, Março de 2016
Jane.
Mesmo a distância, eu podia ver os olhos verdes. Os longos cabelos haviam me impedido de ver seu rosto com clareza antes, e claro estava mais velho, afinal fazia mais de dez anos.
Não era possível ser minha irmã. Ela estava morta.
— Alec. – Balbuciei me afastando.
— Jane espere. Também fiquei em choque, mas é ela! – Ele apontou nervoso para a direção que a suposta Heidi estava.
— Como? Não é possível, você foi ao enterro! – Eu estava desesperada.
— Um enterro de caixão fechado, Jane. Até onde sei, poderia ter um monte de pedras lá dentro. – Revirou os olhos, coçando a cabeça.
— Isso não faz sentindo. – Coloquei a mão no peito, como que para tentar controlar meus batimentos acelerados.
— Aro mentiu. De alguma forma... ele a mantém aqui. – Grunhiu com os punhos cerrados.
— Vamos lá agora! – Me virei, contudo ele me segurou pelo braço me impedindo.
— Não podemos! – Falou aflito.
— É a nossa irmã ali! – Berrei, tentando me desvencilhar de seu aperto, mas isso apenas o fez apertar mais forte.
— Ele a está escondendo de nós durante todos esses anos, Jane! Você vai chegar lá simplesmente e exigir vê-la? E tem mais, a Heidi que você conhece se parece com ela? – Seus olhos azuis estavam duros como aço, fitando os meus.
— O que quer dizer? – Tentei recuperar minha calma.
— Eu a tenho observado há dias. Eu apareci aqui para visitar a mamãe, e a vi de longe, no mesmo lugar no jardim. Fiquei curioso sobre quem era, mas Didyme não quis me responder, ficou nervosa e disse que eu tinha que ir embora, que ela estava muito ocupada. Então aproveitei que Aro não estava e fiquei escondido para observar. Aquela é a nossa irmã, – apontou na direção que ela estava – mas não como a conhecemos; ela não fala, apenas pinta quadros e sorri olhando para o nada. Quando alguém fala com ela é como falar com uma parede. Ela toma uma quantidade absurda de remédios. – Terminou de falar suspirando, parecendo ter bem mais idade do que aparentava.
— Ela me parece bem brincando com Vanessa. – Falei confusa.
— Isso! Desde que Vanessa chegou, ela está um pouco diferente. Parece mais viva, contudo, ainda dão uma quantia absurda de medicamentos a ela, e ela fica horas apagada.
— Temos que tirar as duas de lá. – Falei entredentes.
— Iremos. Mas na hora certa. – Respondeu frio.
Alec era inacreditável! Como poderia agir de forma tão calculada numa situação dessas?
Ele bufou e me abraçou.
— Não estou sendo frio, Jane, apenas racional. Desafiar nosso pai assim, cara a cara, pode ter consequências graves.
— Qual pai faz isso a um filho, Alec? – Perguntei com os olhos marejados, virando-me para observar Heidi de longe. Eu sentia tanta falta dela.
— O tipo de pai que usa os filhos para seus próprios desejos. – Seguiu meu olhar, observando-a também. Vem, vamos sair daqui. – Falou depois de algum tempo.
— Acha que Vanessa corre perigo lá? – Perguntei quando seguimos para nossos carros.
— Por hora, não. Mas quando ele reaver o dinheiro que quer... talvez.
Talvez.
Ele só usava essa palavra para que eu não surtasse. Claro que Vanessa corria perigo ali.
Qualquer um corria perigo se estivesse perto de Aro.
NARRADOR.
A casa era grande. Muito maior do que a criança estava acostumada. Haviam poucos empregados dentro da casa, mas em volta havia homens armados. Vanessa só havia visto isso em filmes.
Durante a noite, chorava e não conseguia dormir, a casa grande, fria e assustadora dava medo nela. Não tinha nem mesmo seu cachorro, Toddy, para lhe fazer companhia.
Quando o segundo dia de fuga chegou, ela queria correr de volta a sua casa, o pequeno apartamento de Bella, mas Aro não permitiu.
— Quero voltar pra casa.— disse ao homem que apenas sorriu e negou. O sorriso dele dava calafrios na pequena.
— Oh, minha querida, você ficará comigo agora.
Quando saiu da grande casa da família do amigo de Edward, Vanessa só queria voltar ao Mississippi, a casa deixada lá pelos seus pais, sentia que se voltasse a casa, se sentiria melhor. Os pais estariam lá e nada disso teria acontecido.
Mas com certeza não imaginava que após fugir do caminhoneiro, Aro Volturi estaria a sua espera na estrada vazia. Ele disse que a levaria para Bella, e cansada, ela entrou no seu carro. Mas o homem a levou para longe.
Dias haviam passado e ela não podia voltar para casa.
Voltar para Bella, Edward e Toddy. E Alice, Jasper, Jane, Tyler...
Que confusão havia se metido!
Como em outras noites em que não conseguia dormir, se levantou e andou pelos corredores escuros, tendo o cuidado de não cruzar com nenhum homem armado que ficava de vigia por ali. O quarto que procurava era longe do seu, afastado dos demais da casa, teve que subir dois lances de escada para encontra-lo. A porta estava trancada, mas ela sabia onde Didyme escondia as chaves, embaixo do vaso de flores no fim do corredor.
Abriu a porta, o quarto estava escuro.
— Vanessa? – A voz suave da mulher sentada na cama a alcançou.
— Oi, Heidi. – Vanessa adentrou no quarto, fechando a porta atrás de si.
— Ei, linda. Também não consegue dormir? – Perguntou baixinho.
— Não. Aqui é...
— Assustador. – Heidi completou. Vanessa assentiu sentando na cama ao lado dela.
Heidi era a melhor coisa que tinha naquela casa. Quando a conheceu, Vanessa teve medo, a mulher não falava ou parecia ver as coisas a sua volta. Mas então, ela começou a falar com a menina quando não havia ninguém por perto.
— Por que mesmo que você não fala na frente dos seus pais? – Vanessa questionou curiosa.
A mulher suspirou triste, fez um carinho na bochecha da criança.
— Eles me mantêm presa aqui. Sabe aqueles remédios todos que Didyme me traz? Eles não me deixam pensar direito. Eu... Fico sem saber quem sou, onde estou, que dia é... Mas agora, com você aqui, tenho conseguido forças para fingir que os tomei. Olhe. – a mulher puxou a fronha de um travesseiro. Estava cheio de pílulas dentro. – Preciso que jogue isso na privada do seu banheiro.
Vanessa assentiu pegando a fronha com os comprimidos.
— Posso dormir com você? – Sua pergunta foi feita tão baixinho que se Heidi não estivesse praticamente colada nela, não teria ouvido.
—Não, linda. Sinto muito. Você tem que voltar para seu quarto, ninguém pode saber que falo com você. – Ela acariciou os cabelos da criança.
— Mas Aro e Didyme te viram brincar comigo. – Ela retrucou.
— Isso é... normal para meu estado mental, o estado que eles me deixaram. Mas uma conversa... Não. Eles não podem saber. – Negou novamente, fazendo os ombrinhos da criança caírem.
— Você é irmã de Jane. Por que não vai morar com ela? – Quis saber.
— Eu não posso sair daqui. Estou presa, como você.
A criança voltou cabisbaixa para seu quarto, lembrando do dia que entendeu que era prisioneira ali.
— Quero voltar para casa. Não estou mais brava com Bella. – Disse a Aro.
—Isso não é possível, minha querida. Agora coma, contratei um tutor para lhe dar aulas em casa. – Respondeu sem se importar.
— Eu tenho escola. Quero ir para escola! Quero ir para casa! Você não avisou aos meus... Ao Edward e a Bella que eu estou com você! Eles estão preocupados! – Levantou um pouco a voz, demonstrando o medo que sentiu ao ouvir a fala dele.
— Eles logo saberão. – O homem disse limpando a boca com um guardanapo, sua esposa assistia toda a situação em silêncio.
— Diz para ele! Eu quero ir para casa! – Gritou esperando que a mulher viesse em seu favor. Isso não aconteceu.
Aro se levantou da mesa. Foi até a cadeira onde a menina estava sentada, a pegou pelos ombros colocando-a de pé. Sua força deixou marcas nos pequenos ombros.
— Essa agora é sua casa. E você vai dizer aos policias que quer ficar aqui ouviu bem? – Falou autoritário, ameaçando-a com o olhar.
— Não quero! – Gritou. Ele segurou seu rosto com uma mão apertando as bochechas. Ela se assustou, olhando para ele com pavor.
— Você dirá exatamente o que eu disser para você, ou eu vou matar Edward e Bella, ouviu bem? Eleazar e Carmen seus pais, estão mortos, quer que os outros pais também morram? Por que se você não me obedecer, eu irei mata-los. – Ele sorriu diabolicamente para ela.
As lágrimas escorreram pelo rosto da menina. Não, ela não queria que Edward e Bella, seus... pais morressem.
— Vai ser boazinha? – Aro perguntou. Ela assentiu. – Esplêndido. Terminou sua refeição? Temos que ensaiar direitinho o que você dirá aos policias.
Desde então, Vanessa estava à mercê das vontades de Aro Volturi.
Já de volta a cama, ela chorou baixinho.
— Mamãe, me desculpa por ter sido má. Eu sabia que uma moça boa que ajudou você a me ter, e você me disse... que se um dia eu a viesse, meu coração iria reconhece-la. Eu amo a Bella, mamãe, mas fiquei brava com ela, e fugi. Mas eu não queria magoar ela ou o Edward, mamãe, eu os amo. Eles são meus papais também. – Ela sussurrava baixinho chorando embaixo das cobertas. – Por favor, mamãe e papai, cuida deles, não deixa o Aro fazer mal pra eles. E por favor... me ajuda voltar para eles. Eu quero voltar para casa.
A pequena menina chorou até que caiu no sono. A manhã trouxe, se não alegria, conforto; essa situação iria acabar, Edward era advogado, daria um jeito de consertar tudo! Então, ela pediria desculpas a ele e a Bella e eles iriam ficar juntos de novo. Para sempre.
Andou pela casa, com medo de ser vista, iria para a cozinha tomar o desjejum como todos os dias. A velha cozinheira da casa era boa com ela, e a única pessoa que gostava ali depois de Heidi. Tendo que passar pelo escritório de Aro para chegar onde queria, o fez com maior cuidado.
As vozes que de lá vinham eram alteradas.
— Aquele pobre morto de fome do Cullen! Como ele conseguiu isso?! – Aro gritou. Vanessa se encostou na parede, a porta estava entreaberta. Se ficasse ali, não seria vista, precisava saber o que Aro falava de Edward.
— Ele trabalha para ninguém menos que Cristian Grey. Com certeza o Grey é bem relacionado e mexeu os pauzinhos dele em favor. – Respondeu o homem que Aro estava conversando.
— Bem relacionado no tribunal?! – Aro perguntou com descrença.
— O homem é milionário, Aro. Milionário e honesto. – Era Caius quem falava. Apesar de Heidi parecer gostar dele, Vanessa tinha medo do homem.
Era amigo de Aro afinal.
— Não se deixe enganar. Todo o homem com poder pode ser corrompido. – Aro retrucou.
— Não ele. De qualquer forma qual o problema da garota voltar para ele? Aquele colar que ela usa afinal não é a chave.
— Traga ela aqui. – Aro rosnou.
— Para que? – Perguntou confuso.
— Apenas traga! – Grunhiu o mais velho.
Vanessa demorou a entender do que se tratava, por isso quando Caius se precipitou para fora, a encontrou ali no mesmo lugar.
— Bom dia, criança. O que faz escondida ai? – O sorriso dele deixava a menina com medo. Todos aqueles homens deixavam ela com medo.
— Estou indo comer. Na cozinha. – Tentou sair, mas ele a segurou pelo braço, sem dizer mais nenhuma palavra entrou com ela arrastada para a sala.
— Estava no corredor. – Explicou a Aro.
— Sente-a. – O homem a jogou na cadeira alta. Parecia muito amável na frente de Heidi. Pelo visto só guardava boas maneiras para ela!
— Vanessa, Edward e Bella estão tentando tê-la de volta. Sabe o que isso significa? Que meu tempo com você está acabando. – Falou observando-a cinicamente.
— Ótimo. – A menina disse ríspida.
O homem a mostrou os dentes.
— Sim, ótimo. Você quer voltar para eles, eu entendo, e vai. Mas primeiro tem que me dar algo. Pode fazer isso? Se o fizer, te deixo ir em paz, e nunca farei mal algum a eles ou a você.
Ele tinha total atenção da garota.
— Seu pai, Eleazar roubou algo de mim. Algo muito importante que eu roubei de outras pessoas. E essas pessoas querem isso de volta, entende?
— Meu pai não é ladrão! — Gritou pondo-se de pé. O homem a jogou com violência de volta ao lugar. Ela sentiu uma fisgada onde carregava a pequena cicatriz da cirurgia feita há pouco mais de um mês.
— Todos somos. Todos que fomos criados juntos naquela grande casa na Itália, entende? Isso não vem a caso. Seu pai me roubou algo e preciso disso de volta. – Sorriu tentando parecer amável, mas Vanessa já conhecia o homem bem para saber que não havia nada de amável nele.
— Você nunca deveria ter pego o chip dos Russos. – Caius falou.
— Se eu não o tivesse pego e feito o que fiz, o que eu seria agora? Um pobre como o Cullen? Que trabalha duro para ganhar seu pão? A herança que me foi deixada foi tão pouca, tudo culpa do seu pai! – Rosnou para a menina.
— Meu pai não te fez nada! Nem o Edward! Nem a Bella. – Gritou de volta para ele.
—Tem razão, minha criança. Mas eles estão no meu caminho, e serão esmagados se você não colaborar. Agora... – Aro se afastou da menina rodando a mesa e sentando-se.
— Para onde vocês foram no seu aniversário? – Perguntou muito perto dela.
A menina engoliu em seco, lembrando-se imediatamente do acidente.
— Ao México. Conheci o vilarejo onde minha mãe Carmen cresceu. – Respondeu inocentemente.
— Ficou o tempo todo com seus pais? Seu pai não saiu hora nenhuma sozinho? – Tentou conseguir mais informações.
— Você quer saber do cofre. – Ela disse. Os olhos dele brilharam.
— É inteligente. Sim, há um cofre. Onde fica?
— Na casa do Senhor Francisco. – Falou mexendo nos dedos, olhando para baixo.
— O que tem no cofre? – Aro se inclinou.
— É grande, dá para entrar lá dentro. Tem dinheiro, muito dinheiro... papai disse que eu podia pegar se um dia precisasse. – Sussurrou fitando o chão. – Tem um chip pequeno, que ele disse que controla tudo. Tudo que está ligado a um computador, com aquele chip eu posso mexer e mudar. Colocar dinheiro na conta de alguém ou tirar. Registrar que alguém morreu ou não, limpar a ficha na polícia.... Dá para fazer tudo. – Continuou, sem se dar conta do que estava falando.
— Eu só preciso disso Vanessa. – Os olhos do Volturi brilhavam.
— Papai disse que havia um homem perigoso que queria isso, por isso o levou para lá, pra ficar escondido.
— Eu sou o homem perigoso, Vanessa. Eu queria e quero isso, e se você não me der eu mato seus pais, os que sobraram. – Ele ameaçou, segurando forte seu bracinho.
Ela começou a chorar.
— Chega, Aro, posso procurar o lugar agora. Já sabemos que é no México, onde Carmen cresceu; fácil de achar. Deixe a menina. – Caius interceptou, tentando tirar a criança dos braços dele.
— Paciência, temo que isso não é tudo. Como entraram no cofre? – Questionou ela novamente.
Vanessa ficou quieta.
— Fale! – Ele deu um soco na mesa sobressaltando a criança.
— Ele colocou a mão! Depois o olho na porta! E abriu! – Gritou assustada.
— Vamos explodir o lugar, não precisamos do DNA dele. – Caiu concluiu tranquilo.
— E explodimos o chip junto. Não, você não entende que se tiver esse chip limpo os registros que o governo tem contra mim, transfiro alguns milhões para minha conta e sumo do mapa dos Russos? Preciso daquilo! – Falou para Caius, os olhos brilhando num misto de emoções.
— Posso ir? -Vanessa implorou chorando.
— Não. Você está me escondendo algo. – Cerrou os olhos para ela, se aproximando novamente.
— Não estou! – Falou assustada.
Ele parou diante dela. Pegou sua mão, seu aperto no pulso da menina deixando marcas.
— Ele não faria essa viagem com você, passando seu aniversario na estrada, a colocando em perigo sabendo que eu estava atrás dele atoa. Por que ele a levou?
— Não sei! Você está me machucando! – Choramingou, tentando se livrar do aperto dele. Seu coração batia desesperadamente no peito.
— Solta a menina, Aro! – Caius falou mais alto dessa vez, já se aproximando de onde eles estavam.
— Cale a boca! Diga menina!
— Ele colocou minha mão e meu olho na porta. E a porta abriu! –Gritou tentando se soltar do homem.
Ele a libertou.
— Você é a chave que eu procuro. – Sussurrou. – Mudança de planos, Caius; vamos para o México.
— E a audiência? Vocês são esperados no tribunal às oito. – Lembrou-o.
— Já sei que sairei de lá sem a guarda dela, já que Alice Brandon tem provas contra mim, eu sairei de lá algemado se possível, e não posso permitir isso. Vamos imediatamente ao México. Prepare tudo.
Caiu saiu do recinto para acatar as ordens.
— Mesmo que eu não mate seus pais como matei os outros pais, você nunca mais os verá. Depois que eu tiver o que quero, vou mandar você para a Rússia junto com o chip como um presente ao Higor, ele gosta de menininhas, assim farei as pazes com ele. Com sorte, você pode se tornar uma das esposas dele, imagine só. – Sorriu sombriamente – Na pior das hipóteses, se torna uma agente dupla, assim como o namoradinho da Swan. Como é mesmo o nome dele? Ah sim, Jacob! Ele foi adotado pelo pai do Higor quando não passava de um moleque de rua, mais novo que você. Não chore pequena Vanessa, é forte e será uma grande mulher. Já me sinto mais orgulhoso de você, e deveria me agradecer por não mata-la, e coloca-la em um bom caminho.
Vanessa não disse nada, apenas se encolheu mais na cadeira chorando.
Itália 1984
— Aro, vamos! – Eleazar repetiu para o amigo.
— Não! Vou matar esse homem, ele é o culpado pela desgraça da minha família! – Aro fervia em ira.
— Seu pai iria querer isso? Que você morresse para vingar sua morte de forma inútil?! Não! Vamos embora, Aro, meu amor! Ouça meu irmão. – Ah, Esmeralda. Sua pele morena seus olhos verdes... Aro queria ouvir a amada, mas não podia, ele tinha de provar ao pai, mesmo morto, que ele merecia ter herdado toda a herança, era um homem melhor que Eleazar sim, ele mesmo mataria o homem que era o culpado pela morte de seu pai, algo que Eleazar se recusava a fazer.
— É por causa do dinheiro? – Eleazar sussurrou ao amigo, os três se encontravam agachados atrás de um carro, em frente a grande propriedade com medo de seres vistos por algum capanga, afinal aquela era a casa do novo dono da máfia Italiana. – Eu não quero nada do seu pai! Vou te dar tudo! Já garanti!
— Eu tenho que merecer! – Aro disse de volta.
— Se morrer, não irá merecer nada! Vamos embora, Aro. – Esmeralda se levantou. Eles ouviram o disparo. Então a jovem mulher, de olhos arregalados caiu de joelhos e Aro a amparou nos braços.
O tiro tinha atingido suas costas.
— Esmeralda! – Gritou. Eleazar sacou a arma e olhou em volta. Não havia ninguém, quem havia atirado?
— Não tem ninguém aqui, Aro! Temos que... – Contudo eles foram cercados imediatamente e levados para dentro da casa.
— Minha irmã precisa de um médico! – Eleazar gritou desesperado.
Aro mantinha a noiva nos braços. Ela não podia morrer, ela era tudo o que ele tinha no mundo!
A respiração dela era fraca e lutava para manter os olhos abertos.
— O que vocês crianças fazia no meu quintal armados? – O velho Giovanni perguntou. Gordo, com rugas pela idade. Como esse homem havia vencido o pai de Aro em uma disputa com armas?
— Nada! E um dos seus homens atirou em minha irmã! Temos que levá-la a um hospital agora! – Eleazar gritou desesperado.
— Garanto que nenhum dos meus homens atirou. Eles esperam minhas ordens, a menos que sejamos atacados. Não sei quem atirou, mas quero saber o que fazem aqui! – O velho exigiu, fitando as três pessoas que estava ali.
— Eu vim matar você! – Aro sacou uma pistola. Continuava no chão tendo Esmeralda nos braços.
Não, Aro, eles vão nos matar. Pensou Eleazar.
— Imaginei que isso poderia ocorrer, mas jovem Aro, como seu pai me falou certa vez você é jovem e tolo se pensa que pode me matar em minha própria casa. – O homem bufou em desprezo.
— Eu matei sua amante! – Aro gritou e riu com a surpresa que cruzou o rosto do velho. – MATEI AQUELA PUTA ONTEM A NOITE! VOCÊ VIU O CORPO, NÃO VIU?
A surpresa logo abandonou as feições do homem. Ele parecia se divertir agora.
— É uma pena, Aro, que não seja frio como seu pai. Ele foi um homem muito melhor do que você jamais será. Eu pretendia deixar que se fossem agora já não posso. – Ele deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais.
— Eu não acredito que você a matou. – Eleazar disse incrédulo para o amigo.
— Eu fiz. Ontem quando saia do bar, ela até quis se esfregar contra mim! A enforquei até morrer, tento a sua imagem na cabeça, Giovanni. – Rosnou em direção ao homem mais velho.
— Ela era uma boa moça. Não merecia isso, certamente. – O homem se aproximou de Aro, fez um sinal para que os seus tirassem Esmeralda dos braços de Aro a jogando de qualquer jeito no chão.
— Esmeralda! – Eleazar gritou para a irmã. Ela abriu os olhos e sorriu triste para ele, ela sabia, sabia que estava morrendo.
Giovanni arrumou o terno de Aro enquanto falava. Seus homens a postos, com medo que Aro atirasse no chefe.
— Você não vai atirar em mim, Aro, eu não temo isso. E eu também não vou atirar em você, em respeito ao seu pai que foi um grande homem.
— Você o matou! – Gritou enfurecido.
— E você o teria envenenado enquanto ele dormia se isso te desse poder. Vejamos... a diferença entre nós é que eu, assim com seu pai, sou um homem de honra, vi você crescer e não o mataria, jamais. Contudo você matou uma pessoa preciosa para mim, e eu acredito em olho por olho, então – Em um movimento rápido ele tirou a pistola da mão tremula de Aro. Dois homens seguravam seu amigo Eleazar.
— Desculpe por isso, bela Esmeralda. – Giovanni disse e atirou na cabeça da jovem.
— NÃO. – O gritou saiu de ambos, Aro e Eleazar.
— Eu prometi ao seu pai que não o mataria, até porque você não seria uma ameaça a mim, não é mesmo? Mas isso é permitido, fazê-lo sofrer. Sinto muito pelo seu sofrimento Eleazar, mas talvez o problema seja você; seu amor pelo seu melhor amigo não é correspondido, como vê ele o trouxe aqui junto de sua irmã, e isso a matou, sendo egoísta e só se importando consigo próprio! Vou deixar que levem o corpo e façam as honras, era uma boa moça. – Virou-se de costas para eles, acrescentando: e Aro, nunca mais tente me desafiar.
Eles foram jogados na rua, junto com o corpo de Esmeralda. Aro não conseguia se mexer, estava aterrorizado.
— Tenho que tirá-la daqui. – Eleazar disse, parecia focado em uma missão, a expressão dura.
— Minha culpa... – Aro sussurrou, fitando o vazio.
— Sim, sua estupidez matou minha irmã, sua noiva! – Gritou enfurecido.
— Eu não...
— Você não o que? Não quis fazer isso? Mas fez! Esmeralda está morta e o culpado é você!
Aro imaginou que o amigo o bateria ali mesmo até que ele morresse, mas Eleazar era um homem de honra. Pegou o corpo da irmã nos braços e começou a caminhar pela rua molhada, a chuva era forte.
— Você merece ter uma vida miserável. – Disse ao ex-amigo. – Não venha a funeral, não é bem-vindo.
Aro ficou na rua, a chuva atingiu seu auge e diminuiu, porém, ele não encontrou forças para sair do lugar.
Percebeu o momento em que a água parou de cair sobre sua cabeça.
— Vai ficar doente, Aro. – Ouviu a voz de Didyme que portava um grande guarda chuva preto.
Didyme... como sempre aparece quando ele mais precisava. Sempre cuidando dele a distância.
— Ela morreu por minha causa. – Ele sussurrou. A mulher tentou fazer com que ele se levantasse.
— Eu sei. Mas você ficará bem. – Ela garantiu.
Didyme o levou para a casa de seus pais e cuidou dele. Ela era apaixonada por ele desde a infância, uma paixão obsessiva, que a fez atirar contra Esmeralda, noiva de Aro, quando sabia que a culpa recairia sobre algum capanga do Giovanni. Ela cuidou de Aro como sempre sonhava, nos dias, semanas e meses que se seguiram a morte de Esmeralda. Ela engravidou e ele se casou com ela. Contudo, Didyme não era discreta e havia revelado seu segredo para uma criada, que num momento de revolta com a patroa, o contou a Aro.
Aro matou os pais da esposa como vingança, na frente dela, mas antes os torturou por dias, e fez a esposa, grávida, os torturar. Cega em seu amor por ele, ela o fez achando que isso o faria amá-la e perdoá-la.
— Você será o meu bichinho de agora em diante. – Declarou com ódio. E assim foi por todos os anos que se seguiram, ele a manteve por perto, teve filhos com ela, a humilhou e agrediu, descontando seu ódio por ela pelo o que havia tirado dele. Matá-la seria rápido demais, ele precisava arrastá-la pela vida miserável de sofrimento que ele próprio tinha por ter perdido a mulher que amou.
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