Notas iniciais
N/A: Oi gente linda do meu coração ♥ a fic esta crescendo em?! *_* deixem um oi pra eu conhecer vcs >< Como sempre muito obg por cada comentário, ele serve de gás para minha escrita. N/B: Olá, meninas! Bom, primeiro de tudo, eu gostaria de agradecer a Thay pela (linda) oportunidade de me deixar ajudá-la com essa fic tão maravilhosa. E segundo, se preparem porque o capítulo de hoje tá uma delícia! E o Jake tá na área, viu? O Edward que se prepare! ;DD Kisses. Boa leitura ♥

Aprendendo a Amar

Capítulo 17

Dias atuais.

Mississippi, Novembro de 2015

Bella.

Olhei a sala com manchas de lama. O sofá todo manchado também.

Fechei os olhos procurando me acalmar.

Inspira.

Respira.

Inspiração.

Respiração.

—Edward! – Gritei. Apenas três dias, três dias com um cachorro em casa e as coisas estavam desse jeito.

Edward veio do banheiro, com as roupas molhadas, cabelos gotejando, e o sorriso.... Ah, esse sim faria qualquer mulher perder o juízo.

Mas não eu, eu estava inume a ele. Totalmente imune.

Ou era disso que eu tentava me convencer a cada vez que meu coração disparava e meu estomago gelava em sua presença.

—Que porra é essa? – Sussurrei com raiva, pois não queria que Vanessa me ouvisse falando palavrões. Imagine só se seus pais a ouvissem reproduzir os palavrões que ouvia de mim? Certamente se revirariam no tumulo.

Edward coçou a cabeça sem graça. Seus olhos quentes me penetrando.

Estremeci.

—Você viu a chuva lá fora? – Perguntou.

Claro que eu vi. Eu havia saído apenas para conversar com a Dra. Senna, mas a chuva forte me fez ficar presa em seu consultório no centro. Três horas. Eu passei exatas três horas fora e encontrei o apartamento nesse estado; todo ‘’cagado’’ de lama.

—Antes de a chuva começar, Vanessa e eu fomos levar o Toddy pra passear... – Começou explicando.

Toddy. Não teria um nome melhor para o cachorro? E para o meu descontentamento, fora Edward quem escolheu. O que deixa tudo pior.

—E a chuva começou e ao invés de correrem para casa... – Eu adivinhei.

—Ah Bella! Eu não me divertia assim há anos! – Ele se justificou. – O problema foi que quando chegamos, Toddy parecia ligado na tomada, e correu pelo apartamento todo! Desculpe a bagunça. – Olhou-me novamente com aqueles malditos olhos penetrantes.

Eu não conseguia ficar mais irritada, não com ele me olhando daquele jeito.

Bufei.

—Eu não tenho um porquê para ficar irritada, querido. Você irá limpar tudo. Antes do jantar. – Ordenei taxativa.

Ele arregalou os olhos.

—O que?

—Você entendeu. Vou ver Vanessa, e depois que ela dormir precisamos conversar. – Ele ficou sério imediatamente.

—O que foi? – Quis saber.

—Aconteceu algo no dia que fomos pegar Vanessa. Algo que não me sai da cabeça. Fui conversar com Senna justamente sobre isso e ela só me deixou ainda mais nervosa.

Ele se aproximou. Dei um passo para trás erguendo uma mão para que ele se mantivesse a distância.

—Isso é sério, Edward. E você não pode ficar... tão próximo de mim quando conversamos. – Falei nervosa.

—Desculpe. É instintivo. Quando vejo você estressada com algo... – Ele parou procurando as palavras, passando as mãos pelos cabelos, parecendo frustrado. Bufou. – Quero tirar de você. Não gosto que carregue essa... Preocupação sozinha.

—Eu vou compartilhar com você, mas nós... não somos mais um casal. – Falei séria. Eu precisava colocar limites no nosso contado físico, ou iria enlouquecer.

—Nós somos muito mais que isso, Bella. Somos amigos e agora temos uma filha juntos.

Coração? Olá? Está batendo? Eu acho que não.

Apenas fiquei olhado para ele. Seus olhos estavam mais verdes?

—Respire, Bella. – Ele sorriu. Idiota.

—Depois que ela dormir. – Lembrei, o deixando na sala e fui em busca de Vanessa.

Mesmo que eu implicasse com Toddy, deveria agradecer sua existência. Vanessa se tornara mais falante com ele entre nós, rindo e brincando. Sendo quase que... uma criança normal. Sem traumas.

Traumas.

A morte dos pais era um assunto que ela não falava. Desde o dia em que chegou aqui e eu disse que poderíamos ir à sua antiga casa pegar o que ela precisasse, Vanessa ficou nervosa. Falando rapidamente que não queria nada da casa, e que poderíamos vender tudo. Diante do seu nervosismo, Edward sugeriu que poderíamos ir ao shopping comprar algumas roupas para ela. Antes de dormir naquela mesma noite, ela me pediu para apenas pegar um porta-retratos que ficava na sala e outro que ficava na cabeceira de sua cama. Eu ainda não havia ido lá, e precisava ligar para Marcus o mais breve o possível para que fôssemos.

Eu estava preocupada com ela de muitas formas. A imagem do jovem rapaz fazendo o sinal de ‘’silencio’’ para ela não me saia da cabeça por nenhum instante. Poderiam ser amigos, porém um adolescente amigo de uma criança de nove anos não era algo comum. E a reação de Vanessa a ele... Eu tinha medo de pensar o que poderia ter acontecido.

Ela era uma menina bem independente, só pedia ajuda para lavar o cabelo e seu comportamento durante do banho também me alarmou.

Por isso fui ao encontro da sua psicóloga.

“Vanessa pode esta tendo dificuldade de sentir-se à vontade na nova casa” Ela disse.

Não.

Certamente uma criança não olha todos os cantos do banheiro antes de ir nele por que não se sente “à vontade”. E ela fez a mesma coisa no banheiro do shopping. Olhou todas as divisórias, certificando-se de que não havia ninguém no local.

Nessas três noites conosco, Vanessa teve pesadelos. Ainda não havia nos dito sobre o que eram, mas acordava gritando, o que fazia Toddy latir e rosnar, como se algo estivesse prestes a pegá-la. Assim que eu entrava em seu quarto (o antigo de Edward), e acendia as luzes, ela se jogava em meus braços chorando. Esta foi na primeira noite, nas últimas duas noites, eu já tenho dormido em seu quarto, e mesmo assim ela acorda gritando.

Ontem ela havia tido uma consulta com Senna, e eu esperava que falasse dos pesadelos, mas isso não ocorreu.

Ela não estava pronta.

Agora ela se encontrava sentada no box do banheiro, Toddy todo cheio de sabão, e ela mesma completamente molhada. Sua expressão era de tanta felicidade, que não tive coragem de interrompê-la. Fiquei encostada no parapeito da porta, apenas a observando.

—Acho que a Bella brigou com o Edward, Toddy. Se a gente não se comportar, ela vai acabando colocando nós para fora! – Ela disse rindo.

—Como eu poderia colocar vocês para fora? – Brinquei entrando no banheiro. Ao me ver ali, ela corou.

Fofa.

—Eu sentiria muita falta de você e desse cachorro bagunceiro! – Completei rindo.

—Desculpa pela bagunça, Bella. – Pediu me olhando.

—Tudo bem, princesa. Vamos terminar de limpar esse cachorro? Não gosto de você com essas roupas molhadas.

No fim eu mesma precisei de um banho.

(***)

—Temos exatas duas horas até ela ter um pesadelo e acordar. – Edward se sentou ao meu lado no sofá com uma taça de vinho para mim e outra para ele. Ofereceu-me uma e a peguei de bom grado.

O vinho me dava à leveza de que é preciso para tratar de um assunto sério.

Como diria Renée: “quando o álcool entra, a verdade sai’’.

No dia em que pegamos Vanessa no abrigo. – Comecei. – Havia um rapaz no corredor de onde ela veio. Ele estava encostado na parede casualmente.

A lembrança clara do rapaz me revirou o estomago. Ele não era coisa boa, eu podia sentir isso. – Vi com clareza quando ele levou um dedo aos lábios dessa forma – O imitei, fazendo o gesto universal para “silêncio”. Edward me olhava sério, com o maxilar trincado pela força que fazia. – Vanessa estremeceu com o gesto, e abraçou Marcus mais forte. Não paro de pensar nisso. – Concluí deprimida.

—Ela te disse alguma coisa? – Ele falou baixo. Sua mão apertou a taça com força. Se não fosse um cristal verdadeiro já teria quebrado. Edward observava o chão agora.

—Não. Mas notei algumas coisas nela...

—Que coisas?

—Sabe que eu só a ajudo a lavar os cabelos. Ela toma banho sozinha, mas não liga se eu a ver mudar de roupa. Mas você reparou que ela olha todo o banheiro antes de entrar e fechar a porta? E ela sempre tranca a porta.

—Bom tem um homem em casa. Ela só é mais moça...

—Edward, ela olhou todo o banheiro do shopping antes de entrar e eu estava com ela. É como se...se ela tivesse medo de que houvesse alguém a espionando.

—Da onde você acha que veio isso?

—Não sei. Fui perguntar a Senna se Vanessa comentou algo, mas ela apenas disse que Vanessa não tem sinais de ter sofrido alguma violência sexual.

Agora sim. Eu disse a palavra e ele quebrou a taça.

—Droga! – Exclamei logo pegando sua mão para mim, havia cortado a palma.

—Desculpa, Bella. Manchei o tapete.

—O que? Mandamos para lavanderia e ele volta novinho em folha. Não se preocupe com isso. Vou pegar o kit de primeiros socorros. Tem caco de vidro nesse corte.

Com o coração aos pulos, corri até o quarto que dividia com Vanessa. Ela dormia tranquila. Toddy, que estava nos pés da cama, levantou a cabeça quando entrei, porém, logo voltou a sua posição anterior, ficando deitado novamente.

Voltei para sala, começando a limpar sua mão.

Ficamos em silêncio enquanto eu cuidava do seu corte. Não era muito fundo, mas aspirava cuidados.

Estava terminando de fazer o curativo, quando Edward quebrou o silêncio.

—Quando aprendeu isso? – Perguntou curioso.

—Não lembra? Fiz um curso de primeiros socorros, logo que voltei para Washington.

—Por quê? Lembro de você falar algo, mas não lembro o motivo.

Dei de ombros.

—Jasper se envolveu com o FBI, lembra? Ele apareceu na minha porta numa madrugada todo quebrado. E não, ele não me disse o que havia acontecido. Ainda acho que Alice tenha batido nele.

Ele riu leve.

—Achei que era algo útil.

—Sim, é.

—Prontinho. – Finalizei dando um beijinho em sua palma por cima do curativo. Ele corou.

—Sua mãe fazia isso. Eu lembro. – Sorri.

—Vai ser uma ótima mãe. – Ele afirmou.

—Estou tentando. – Respondi respirando fundo.

Mergulhamos num silêncio tenso.

—Descobriu algo sobre esse... Rapaz?

Perguntou entre dentes.

—James. Pela descrição que fiz Senna me disse que se trata de James.

—James o que?

—Ele não tem sobrenome. Não se sabe a origem dele ou dos pais. Ele foi achado ao lado de um latão de lixo e desde bebê pula de lar adotivo em lar adotivo.

—Um rapaz problemático.

—As pessoas que o trouxeram ao mundo deviam ser mais.

—Precisamos saber tudo sobre ele. Ela não é conselheira dele ou algo assim?

—Ela disse que ele é problemático, mas nunca teve queixas dele. Pelo menos não... desse tipo.

Ele fechou as mãos punho, não se importando com a palma cortada.

—Vou lá amanhã.

—Edward...

—O que você quer que eu faça Bella? Eu vou descobrir se ele é um pedófilo de merda e vou destruí-lo.

—Por que ela não fala com a gente? Se ele fez algo com ela? – Sussurrei. Meus olhos enchendo-se de lagrimas. Era demais. Ela não poderia ter passado por algo assim.

Edward me abraçou. Deixei que ele me consolasse.

Carmen... Por que você não está aqui?

(***)

— Onde está o Edward? – Vanessa chegou à cozinha onde eu fazia um bolo. Com seu pijama novo das Draculaura – essas garotas de hoje em dia amam as Monster High –, coçado os olhinhos. Não pude evitar abraçá-la apertado.

—Ele foi resolver umas coisas cedo. Pedi que passasse na sua antiga casa para pegar o que pediu.

Ela mantinha o rosto na minha roupa então não pude ver sua expressão.

—Ah. – Foi tudo que respondeu. – O que você está fazendo?

—Um bolo de chocolate. Era do seu café da manhã, mas você já acordou. Fiz uma vitamina de banana mais cedo, quer?

—Sim. Minha mãe sempre faz. – Ela comentou já sentada. A frase foi tão natural que creio que a pegou mais de surpreso do que a mim.

Vi seu nariz franzir.

—Fazia. – Sussurrou.

—Ei... A mamãe está no céu cuidando de você, e vai ficar muito feliz em ver que você está comendo direitinho. – Seus olhinhos chocolate estavam cheios de lágrimas. Era a primeira vez que em que falávamos dos seus pais. Toddy sentiu o clima. Veio e pousou a cabeça na perna dela. Ela fungou.

—Espero que lá tenha muitos livros. Ela iria odiar se não pudesse ler.

As primeiras lagrimas vieram.

Senna havia me preparado para isso. Quando ela se sentisse pronta falaria dos pais, choraria por eles. Seria um momento decisivo em nossa relação.

Fiquei ali, abraçando-a enquanto suas lágrimas caíam. Olhei para o cachorro quietinho em seu colo, e finalmente percebi como era importante tê-lo e o bem que ele fazia.

Toddy soltou um pequeno lamento, fazendo Vanessa lhe afagar a cabeça.

Eu não sabia o que dizer. Só fiquei ali a abraçando e beijando seus cabelos, permitindo que ela expressasse sua dor e sentisse o amor que eu já sentia por ela.

E mais do que isso... Sentisse que assim como Toddy, eu estaria ali por ela.

Sempre.

(***)

Dez dias.

Dez dias vivendo com uma criança e com Edward. Parecíamos presos em algum universo alternativo, onde o tempo passava de forma indistinta e nada mais tinha importância.

Acordávamos cedo, eu fazia alongamentos e Vanessa me acompanhava. Edward ia correr com o Toddy. Assistimos desenhos. Edward me ajudava com o almoço. Eu respondia alguns e-mails, Vanessa desenhava (e muito bem!), Edward ficava em alguma vídeo conferência. Passeávamos com Toddy no fim da tarde. Íamos ao cinema, ou apenas comer fora. Mais desenhos antes de dormir. Vanessa tinha algum pesadelo, Edward vinha para o quarto.

Nós três na cama.

E assim outro dia se iniciava.

Jane parecia preocupada pela minha proximidade com Edward – O que eu achava desnecessário –, e queria correr para o Mississippi o mais rápido possível. Porém, ela agora tinha conseguido um emprego numa clinica, e não poderia dar-se ao luxo de se ausentar.

— Mas eu não vou continuar morando em Nova York mesmo! – Tentava se justificar para faltar e vir me ver.

—Sim, Jane, mas precisará de referências para um próximo, certo? Estamos bem, nos veremos no Natal.

—Falta muito para o natal!

—Poderei levar Vanessa comigo a partir do dia dezoito de dezembro. Não está tão longe assim.

Apesar de estarmos vivendo tudo isso juntos, Edward e eu não estávamos tão próximos como Jane achava. Nosso dia girava em torno e Vanessa e eram raras as horas em que conversávamos a sós, e quando isso ocorria... Nosso assunto era Vanessa.

Ou James.

Ele apenas me disse que estava “cuidando do assunto’’ e eu não deveria me preocupar sobre, apenas tentar sondar Vanessa para que ela se abrisse comigo sobre o garoto.

Como se eu já não estivesse tentando fazendo isso!

A manhã de sábado tinha tudo para ser como os outros dias da semana, se não fosse uma ligação inesperada para o horário.

— Jake? – Atendi ainda meio grogue. Vanessa dormia pesado, um pé atravessando a barriga de Edward a mão em meus seios.

Levantei da cama, saindo em direção ao corredor para não acordá-los.

—Bom dia, linda. Que tal você dar um pulinho aqui embaixo?

—Embaixo da onde? – Sussurrei no corredor.

—Do prédio onde você está.

—Você está aqui?! – Não, que seja mentira!

—Sim!

Pegando o casaco na porta, desci de qualquer jeito. E sim, ele estava lá na frente. Cumprimentei o porteiro, um senhor simpático, e liberei a entrada dele.

—Por que não me avisou que viria? – Reclamei já em seus braços.

—Queria fazer uma surpresa. – Justificou-se.

Sim eu estava surpresa. Muito surpresa!

Deixei que ele me abraçasse por um tempo, temendo que os outros acordassem e dessem por minha falta.

Jacob me afastou para olhar meu rosto. Minha cara amassada de sono.

—Não parece feliz em me ver. – Constatou. Olhei seus cabelos nos ombros, a pele morena, a jaqueta de couro... Qual mulher não ficaria feliz em vê-lo?

Talvez uma que não queria sair de sua bolha particular, com a família que ganhara. — Minha mente traiçoeira me alertou.

—Não, Jake! Eu estou surpresa, só isso! – O abracei para esconder minha cara assustada. O que havia de errado comigo?!

—Não me convida pra entrar? – Ele tinha uma mochila preta nos ombros.

—Claro, Jacob. Só não faça barulho, os outros estão dormindo.

—Que outros?

—Edward e Vanessa. – Revirei os olhos, seguindo para o elevador e fazendo-o correr para me acompanhar.

Seria um dia daqueles. Eu estava prevendo isso.

(***)

— Você não me deu nem mesmo um beijo. – Jacob queixou-se assim que cruzamos a porta.

— Mau hálito matinal. – Reclamei. Ele me enlaçou pela cintura, aproximando seu rosto do meu. Seus olhos castanhos eram brincalhões.

— Somos um casal há cinco anos! Já passamos dessa fase. – Constatou chegando mais perto.

Não, Jacob, isso é nojento. E você sempre está com os dentes escovados quando me beija. Na verdade... Eu nunca acordo antes para pegá-lo desprevenido.

Rindo me desvencilhei de seus braços sem beijá-lo.

—Quem sabe depois do café. Vou tomar um banho rápido e já volto. Fique à-vontade.

Saí o deixando na sala e me trancando no banheiro. Que merda, Isabella!

(***)

PDV Edward.

Acordei sem ar, com uma pancada no estômago.

Ai.

Vanessa dormia atravessada na cama, com os braços acima da cabeça, e a perna atravessada sobre minha barriga, que ela acabara de golpear.

Sentei na cama, ajeitando-a, e colocando os travesseiros de forma que fossem uma barreia caso ela virasse demais e pudesse cair.

Bella deveria estar preparando o café.

Os últimos dias convivendo com as duas haviam sido de grandes surpresas. Peguei-me descobrindo coisas sobre crianças que antes nunca havia pensado. Como por exemplo, o fato de que Vanessa não era muito fã de legumes, mas os comia se você inventasse uma história para eles.

— Nossa, Vanessa! Essa couve parece uma árvore! Eu posso ser o vilão das Super Poderosas comendo as árvores!— Então eu comia para dar o exemplo, e ela ria comendo em seguida.

Ela e Bella eram muito parecidas. Ambas comiam com a mesma mão (a esquerda, embora escrevessem com a direita), e também apertavam os olhos do mesmo jeito quando ficavam sem graça.

E eu estava cada dia mais encantado com cada nova descoberta.

Com os olhos semiabertos, segui rumo à cozinha e parei de súbito ao me deparar com um homem lá. Um homem grande.

Eu sabia exatamente a quem pertencia àqueles cabelos escuros e compridos.

Jacob Black.

— Bella poderia ter avisado que nós receberíamos visita. – Comentei com raiva, adentrando no recinto e abrindo a geladeira.

Ele cortava uns pães na mesa e ficou surpreso ao me ver.

— Bom dia! É Edward, certo? Eu estava ansioso para conhecê-lo.

Claro, Black. Claro.

Ignorei a mão que me estendeu e bebi leite direto do gargalo. Sabia que se Bella visse eu estaria em maus lençóis, mas não me importei. Fiquei feliz por estar sem camisa, assim ele poderia ver que eu agora estava me dedicando mais ao meu físico.

Que merda, Edward! Está querendo se exibir para outro homem? Que droga, cara.

Jacob recolheu a mão sem graça, quando viu que eu não retribuiria seu gesto.

— Eu estava aqui começando a preparar o café, já que a Bella está no banho e eu não queria ficar sem fazer nada. – Ele sorriu. Esse cara tem riso frouxo?

—Está aqui desde quando? – Ele teria chegado tarde da noite quando eu já estava dormindo? Não podia ser... Vanessa acordou durante a madrugada e demorou a voltar a dormir.

—Cheguei há pouco.

Latido. Toddy havia acordado, e começou a latir e rosnar no meio da cozinha.

Isso amigão. Não receba bem essa visita importuna.

Jacob tentou brincar com ele, sem sucesso.

— Ele não gosta de estranhos. – Comentei com sarcasmo. Encostei-me na geladeira de braços cruzados, observando o desenrolar da historia. Toddy com o corpo eriçado latindo com ódio para o homem parado em nossa cozinha, os dentes a amostra.

Eu nunca o vira agir assim. Será que eu deveria interferir? Não. Ele era vacinado. No máximo o daria uma mordida de leve.

— Calma, amigão. – Jacob tinha as mãos diante do corpo em sinal medo. Eu tinha um sorriso bobo na cara. Esse era o meu cachorro.

Ouvi passinhos arrastados e apressados. Suspirei, me rendendo. Era hora de parar a diversão.

—Toddy, chega! – Falei na hora exata em que Vanessa entrou.

—Toddy. – Ela sussurrou o segurando pelo pescoço. Ele parou de imediato, abanando o rabo para a dona.

—Salvou a minha vida! – Jacob comemorou se aproximando dela.

Vanessa o olhou surpresa e depois para mim.

—Nessie, esse é Jacob, amigo da Bella. – Apresentei, pois não tinha outra opção.

Sua testinha se franziu de surpresa.

—Noivo. – Jacob corrigiu, me olhando sério. Será que agora ele havia entendido que eu não gostava dele? – Oi, gatinha.

—Oi. – Ela sussurrou. – Vem, Toddy. Vou colocar sua comida.

—Jacob estava fazendo o café da manhã. Ele cortou pães, coma primeiro, mocinha.

Ela me olhou pidona.

—Mas e o Toddy?

— Eu coloco o leite na tigela dele. A senhorita pode sentar-se.

—Tudo bem – Resmungou sentando. Senti meu peito encher de orgulho. Viu, Jacob? Sou como o pai dela.

Jacob ficou tentando puxar papo com Vanessa, o que só a fez comer mais rápido para que pudesse sair da cozinha, eu apostava. Aproveitei que eles estavam se dando “bem’’ e os deixei a sós.

—Bella. – Bati na porta do banheiro. Ela nunca fechava a porta. Por que a mudança hoje?

—Sim? Viu o Jake? – Ouvi sua voz abafada.

Viu o Jake?

Bufei revirando os olhos.

—O padeiro na cozinha? Sim eu o vi. Você podia ter avisado que ele vinha. – Que eu teria inventado algo para que não viesse. Completei mentalmente.

—Ele me pegou de surpresa também. Ligou quando já estava lá em baixo! – Não pude duvidar da sua expressão. Olhei seu corpo enrolado numa toalha quando abriu a porta para me olhar.

A minha toalha.

—É minha. – Constatei o óbvio. Ela mostrou-me a língua voltando ao banheiro.

—Pode pegar a minha! Está seca. – Gritou lá de dentro.

Ótimo.

O meu fim de semana perfeito com minhas garotas havia sido arruinado.

Notas finais
N/A: Então... Recomendações? >< porfavorzinho?! volto rapidinho em! O que acharam da reação do Edward ao Jacob? confesso que chorei escrevendo a cena da Vanessa e da Bella. bjs e vejo vcs no comentarios :)